sábado, 12 de maio de 2018

Fotogaleria: Filho da Mãe + Angélica Salvi [Ateneu Comercial, Porto]


No dia 9 de Maio passámos pelo bonito espaço do Ateneu Comercial do Porto para ver Filho da Mãe (Rui Carvalho), que apresentou o seu novo álbum Água-Má (com o selo Lovers & Lollypops), e ainda Angélica Salvi.



A foto-reportagem do evento pode ser vista aqui ou no link em baixo.


Filho da Mãe + Angélica Salvi [Ateneu Comercial, Porto]


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sexta-feira, 11 de maio de 2018

STREAM: Soft Kill - Savior


Os norte-americanos Soft Kill estão de regresso aos discos com Savior, sucessor do bastante aclamado Choke (2016), disco editado esta sexta-feira (11 de maio) e que volta a trazer a sua mistura única de melancolia, com tonalidades shoegaze e melodias que transcendem o post-punk. O disco retrata a perda de um filho recém-nascido, a batalha contra o vício em drogas e as muitas tragédias que acompanharam a vida do vocalista Tobias Grave, bem como o espaço vazio suspenso entre o luto e a celebração, a vida e a morte.

Este novo disco foi gravado e masterizado nos Kingsize Sudios, em Los Angeles e produzido por Benjamin Greenberg, sendo um disco que mostra uns Soft Kill cada vez mais maduros e a combinar diferentes géneros sem esforço. Deste novo trabalho recomenda-se essencialmente a audição de temas como "Savior", "Changing Days" e "Cry Now Cry Later".

Savior foi editado a 11 de maio pelo selo Profound Lore Records.


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Festival AVEIROSHIMA2027 celebra a sua 7ª edição

aveiroshima2027-setima-edicao


No dia 19 de maio, a pacata cidade de Aveiro irá sofrer um turbilhão sob a forma da sétima edição do AVEIROSHIMA2027, festival independente de um dia com o espírito DIY embrenhado na sua concepção. Não sendo um evento inclinado somente para uma única forma de expressão artística, o seu intuito é celebrar a arte no geral, seja música, novos media, performance ou arte sonora; e falando em música, não se limita a um só género, tendo trazido nomes como Baleia Baleia Baleia, Holocausto Canibal, Estado de Sítio, Ângela Polícia e Ohxalá, além de nomes internacionais como os franceses Putan Club  e o russo Guvibosch.

Nesta sétima edição, o cartaz contará com o seu alinhamento mais ambicioso até à data, trazendo os feiticeiros voodoo do dub e da eletrónica HHY & the Macumbas; o conjunto de performance artística Lucifer's Ensemble, que cruza o teatro físico, as tecnologias interativas e a arte sonora; o artista colombiano Jorge Barco, que molda o ruído a seu bel-prazer em prol da expressão do seu ponto de vista crítico sobre a era tecnológica; o projeto luso-russo Antippode, que com o seu espetáculo sonoro e visual sob bases eletrónicas, propõe-se a transportar o ouvinte a inesperados mundos sensoriais; e Dead Exploitation, locutor de rádio oriundo de Coimbra que traz o seu DJ set em que o hip-hop na sua faceta mais crua e agressiva, tanto da era old-school como da era moderna, é rei e imperador.



O evento irá ter lugar no GrETUA, e as pulseiras de acesso ao evento custarão 8€ em pré-reserva e 10€ no dia. Os locais de venda são o GrETUA, a loja de discos X & Records, e a VIC // Aveiro Arts House. Segue aqui o link para fazer reserva.

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Festival Impulso leva Gala Drop, Filho da Mãe e Octapush até às Caldas


As Caldas da Rainha estão a preparar-se para receber a primeira edição do Festival Impulso, já nos próximos dia 23, 24 e 25 de maio, no Centro da Juventude das Caldas da Rainha. Promovendo a descentralização da oferta cultural, o Impulso pretende deixar a sua marca na cidade com mais de 30 bandas nacionais, exposições de fotografia, videomapping e cinema. Falando do sua génese, o Impulso surge no âmbito da celebração do 15º aniversário da Licenciatura em Som e Imagem da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e floresce a partir de uma parceria entre alunos e professores.

A nível de programação, o ecletismo reino com alguns dos melhores artistas nacionais. Ora vejam: Paus, Octapush, Gala Drop, Filho da Mãe, Memória de Peixe, Cave Story, Nerve, Mike El Nite, Pás de Problème, DJ Firmeza, entre muitos outros. 

Os bilhetes custam entre 10€ e 20€ (Bilhete Diário e Passe Geral) e já estão disponíveis na BOL. Até dia 15 de Maio para o Passe Geral pode ser adquirido por apenas 15€. 


Podem consultar em baixo a programação diária do Impulso.


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JASSS e Felicia Atkinson nos Jardins Efémeros de Viseu


Os Jardins Efémeros estão de regresso para a sua oitava edição. O evento cultural multidisciplinar volta à cidade de Viseu no mês de junho e conta com novas confirmações. Com Cindytalk a estrear as confirmações já no passado mês de fevereiro, seguem-se agora as mais recentes adições do certame com a estreia nacional de Felicia Atkinson e ainda a artista sonora JASSS (na foto). 

A primeira traz-nos o mais recente Coyotes, uma peça de 32 minutos composta por duas canções onde as composições esparsas da artista francesa se cruzam com a spoken word de modo singular e único. Coyotes sucede o aclamado Hand in Hands, de 2017, e recebe o selo da Geographic North. JASSS é o projeto de Silvia Jiménez Alvarez, artista de descendência espanhola que conta com edições por selos tão variados como a Mannequin e a iDEAL Records. Weightless, o mais recente registo de Alvarez, traz uma mescla interessante de temas que passeiam entre o industrial e a música de dança menos convencional. Com uma composição cerebral e linhas de baixo bem carregadas, a produtora sediada em Berlim conseguiu um dos discos de estreia mais entusiasmantes do ano transacto e promete uma verdadeira descarga elétrica na sua performance em Viseu.



Em 2017, os Jardins Efémeros contaram com a presença de William Basinski, Fennesz, Murcof, Croatian Amor, Vanessa Amara, Evan Parker, entre muitos outros. O evento regressa ao centro de Viseu entre 6 a 10 de julho e a entrada é gratuita.

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We Bless This Mess apresenta novo single, "Intentions"


We Bless This Mess, projeto a solo de Nelson Graf Reis, lançou hoje um novo single "Intentions" em formato audiovisual, acompanhado do anúncio de um novo álbum de estúdio, Awareness Songs and Side Stories, com lançamento marcado para o dia 14 de Setembro pelo selo da Oh Lee Music

Awareness Songs and Side Stories pretende afirmar We Bless This Mess como um projeto que celebra o milagre da existência, a vida e a observação do que existe dentro e fora de nós enquanto seres humanos. Composto por 9 canções, este disco narra o despertar da consciência e conta histórias "paralelas" inspiradas nas viagens de Nelson nos últimos três anos do projeto, que se estendem desde Austin, Texas (EUA), até Belgrado, na Sérvia.


O artwork de Awareness Songs and Side Stories é da responsabilidade de Andy Calabozo, residente no Estúdio Plata (no Porto), espaço que agrega vários artistas plásticos e ilustradores, servindo também como analogia para a vida de Nelson Graf Reis, onde se fundem dois mundos como a música e as tatuagens. Fiquem a conhecer "Intentions" aqui mesmo.


Os próximos concertos de We Bless This Mess, em formato solo, acontecem já este mês na Holanda e no Reino Unido. 


Holanda (c/ Oclaire)
17.05 | Tavern - Bergen
18.05 | Lola - Groningen
19.05 | Smashfest - Rotterdam
20.05 | Swaf - Hoorn

UK (c/ Ducking Punches, Arms & Hearts, Ash Lewis)
25.05 | The Big Unit - Bolton
26.05 | Wazza Punk Weekender - Warrington
27.05 | Sunday Sessions Festival - Norwich
30.05 | The Wheatsheaf - Oxford

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ENES apresentam disco de estreia no Porto


Os ENES editaram na passada sexta-feira o disco de estreia Charlie que é agora apresentado ao vivo este sábado, 12 de maio, no Barracuda - Clube de Roque, um novo clube no Porto. Este concerto será também a primeira vez que os nove temas que compõem a estreia da banda e serão apresentados na íntegra em palco.

Este é um álbum conceptual que descreve as várias fases de uma relação amorosa - as grandes expectativas e as desilusões, os momentos de prazer e os de solidão, as vitórias e as derrotas. Uma odisseia, protagonizada por "Charlie", em canções que se passeiam alegremente pelo pop-rock irrequieto com sérias piscadelas de olho a uma indietrónica feita de sintetizadores viciantes.

As portas abrem às 22h30, o concerto começa às 23h30 e a festa estende-se noite dentro com o alternador de discos MauMau. Os bilhetes custam 2,5€ e todas as informações podem ser encontradas aqui.


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Basement Revolver partilham novo tema do disco de estreia

© Ro Agalawatte

Os canadianos Basement Revolver regressam este ano às edições com LP de estreia Heavy Eyes, que é esperado para agosto, e juntamente com o anúncio avançaram também com o primeiro tema extraído do trabalho e intitulado de "Baby", a ouvir abaixo. O LP Heavy Eyes foi gravado com produtores locais na TAPE, o que permitiu a Chrisy Hurn (vocalista / compositora) compartilhar livremente histórias íntimas e traumas pessoais do passado. 

"Baby" foi escrito numa época em que Chrisy Hurn estava aparentemente feliz, mas sentia uma tristeza e uma insatisfação subjacentes. Nas palavras da artista o tema "é sobre sentir-me confusa sobre o que eu quero na vida e como isso afeta outras pessoas. É sobre chorar muito e sentir-me como se eu estivesse sobrecarregar o meu parceiro com essas perguntas, não querendo que ele sentisse que ele era a fonte da minha ansiedade".

Heavy Eyes tem data de lançamento prevista para 24 de agosto pelos selos Sonic Unyon e Fear of Missing Out.


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Woxow - "Up" Feat. Blacc El (video) [Threshold Premiere]


Woxow (also known as Theo Melody), a music producer who operates in Italy and has shared the stage with names such as Alborosie, Emir Kusturica, Fat Freddy's Drop, among many others, is about to release his debut album Alcazar under his own label, Little Beat More. The record will have collaborations with names such as Blacc El, Akil the MC (from Jurassic 5) and Ken Boothe

Such as the record itself, the first single "Up", featuring his long-time companion and Copenhagen-based MC Blacc El, drinks its influence from the golden age boom-bap era of hip-hop, as well as having a jazzy downtempo background that is smooth as velvet and helps transmit its message - delivered by Blacc El - of social critique, love and hope just as smoothly, with the video itself showing various eras of pop culture (animation, live-action movies, anything goes!), footage of real life issues such as pollution and politics and emphasis on the humble beginnings of the constant growth of hip-hop culture. A remix version of “Up” made by the producer Hugo Kant will follow down the line. 

Take a look at the video first-hand below.


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[Review] TWINS - That Which Is Not Said


That Which Is Not Said // 2MR // maio de 2018
9.0/10

Desde 2007 que Matthew Weiner, o produtor norte-americano e co-diretor e diretor dos selos DKA e CGI, respetivamente, tem utilizado o moniker TWINS para os seus trabalhos a solo de música eletrónica, que englobam géneros desde o techno ao house, EBM e ainda algum post-punk (como se notou em 2016 com a edição do Music From The Insider II, pela Clan Destine Records). Embora TWINS - acrónimo para That Which Is Not Said, que dá nome ao seu mais recente LP de estúdio editado no início do mês de maio pela 2MR – funcionasse, no início, como um projeto secundário este é, agora, o projeto principal de Matt Weiner (que também divide palco com Chris Daresta nos Pyramid Club). Matt Weiner explica melhor a génese deste nome em entrevista à Immersive Atlanta
"I came up with that acronym, I guess, because music is about expressing things you can’t say and I’m not always very articulate with my feelings sometimes, so for me it’s the best way to get it out."
That Which Is Not Said chega três anos depois de Nothing Left (2015) e dois depois de Music From The Insider II (2016) e o conceito do disco baseia-se na aprendizagem da aceitação do eu e da realidade de tudo o que vem de fora. Talvez por isso este seja também um disco que mostra novos horizontes na carreira do produtor, além de ser definitivamente a obra-prima na discografia de Matt Weiner sob o moniker TWINS. Influenciado por incontáveis nomes relevantes da época dos anos 80 (sem nunca esquecer de mencionar Kraftwerk), este novo álbum afirma a sinceridade sinistra e auspiciosamente engenhosa de TWINS nos sintetizadores, num total de oito canções que espelham uma eletrónica contemporânea e de elementos muito próprios, conjugada com as influências de bandas revolucionárias dentro dos campos da new-wave, post-punk e algum kraut (Depeche Mode, Bauhaus, Cabaret Voltaire, Agent Side Grinder e Opera Multi Steel são alguns dos nomes que vêm assim à cabeça). 

Mas o melhor deste That Which Is Not Said é mesmo a marca única de Matt Weiner na produção do disco. A trabalhar num estúdio em casa, Weiner seleciona subtis flagelos de som e explora-os de forma ousada, numa eletrónica rítmica e sonicamente expansiva, explorando tão depressa uma darkwave como logo a seguir a posicionar-se em territórios da synth-pop que envolvem a estrutura do kraut-rock, como é o caso de "What We All Sing". E não é só, o primeiro tema de avanço "Glass Breaks Glass", foi definitivamente uma escolha de génio para primeira música no álbum e primeira amostra do disco, ao oferecer uma variedade intrigante de ruído, post-punk e arranjos eletrónicos a lembrar as técnicas dos Suicide, num disco gravado essencialmente de forma improvisada. Ainda antes do disco ser editado tivemos também a oportunidade de ouvir "Taste Of Peppermint" - single cuja letra é inspirada em mudanças na vida pessoal de Weiner - e ainda os synthpop / minimal-wave "Stuck" e "Open Up", que foram mais que suficientes para projetar neste disco, uma das grandes apostas do ano. 



That Which Is Not Said superou as expectativas e é indiscutivelmente o melhor disco de Matt Weiner sob o moniker TWINS. Primeiro, porque é o disco onde há definitivamente uma maior aposta na voz, com diferentes experimentações e tonalidades; segundo, porque Matt Weiner escolheu criteriosamente os oito melhores temas de todas as demos que tinha feito; terceiro, porque usa as suas influências de forma subtil sem nunca as copiar; quarto, porque este disco já rodou umas 20 vezes deste lado e torna-se melhor a cada audição; e quinto, porque este produtor é do caraças e vocês precisam mesmo de o conhecer com este disco. Tudo a clicar no play.



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MUMA leva a nova música portuguesa à ilha do Faial

Stone Dead

O festival MUMA volta a instalar-se este ano, entre os próximos dias 16 a 19 de maio, no Teatro Faialense, na Horta e traz à ilha uma mão cheia de concertos da nova música portuguesa que incluem as performance de You Can’t Win, Charlie Brown, Filho da Mãe, Stone Dead, Octa Push, Mr. Gallini e TIPO, além de DJ's set e outros concertos que além do Teatro Faialense acontecem no Clube Naval da Horta e no Café do Porto-Pim.

Vale ainda a pena destacar que todos os artistas se estreiam no Faial nesta nova edição de MUMA. O festival arranca no dia 16 com os Yes'Mam e a 17 de maio toca o indie-pop dos You Can't Win Charlie Brown. Os grandes dias de atividade do festival são a sexta-feira (18 de maio) - que contará o folk-rock de Mr. Gallini, os rendilhados e a força bruta da guitarra de Filho da Mãe, o turbilhão Stone Dead e DJ Tigra a fechar a noite - e o sábado (19 de maio) - com as canções acústicas de TIPO, a electrónica de dança quente dos Octa Push, o baile de funáná dos Julinho da Concertina e, a encerrar o MUMA, Fábio Costa, programador e DJ da noite lisboeta mais alternativa sob o moniker Quesadilla.

O bilhete geral tem um preço de 18€ (15€ para menores de 20) e os bilhetes diários têm um preço de 9€. O alinhamento segue abaixo e as informações adicionais podem encontrar-se aqui.




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quinta-feira, 10 de maio de 2018

[Review] Wiegedood - De Doden Hebben het Goed III


De Doden Hebben het Goed III // Century Media Records // abril de 2018
8.5/10

Ainda que apenas tenham sido formados em 2014, os belgas Wiegedood trazem-nos já o seu terceiro disco, De Doden Hebben het Goed III. Este é o último capítulo de uma trilogia dedicada a um amigo da banda, Florent Pevée (dos Kabul Golf Club), que faleceu em 2013. A temática da morte acaba por permear a identidade do grupo, com Wiegedood a significar síndrome de morte súbita infantil e podendo-se traduzir “De Doden Hebben het Goed” como “os mortos é que estão bem”.


O trio, formado por Levy Seynaeve (vocais, guitarra), Gilles Demolder (guitarra) e Wim Coppers (bateria), faz parte do coletivo Church of Ra, ou não fizessem os seus membros também parte de grupos como os Amenra e os Oathbreaker, já renomeados na cena metal belga. Ainda assim, a sonoridade explorada afasta-se destes outros projetos ao focar-se na vertente mais tradicional do black metal juntamente com umas pitadas de secções atmosféricas. A produção, a cargo de Jack Shirley (Deafheaven, Oathbreaker), destaca-se ao adicionar ainda mais visceralidade às já intensas composições, especialmente através dos vocais ríspidos de Levi Seynaeve que transmitem uma sensação de pavor e desespero, como comprovado na edição de 2015 do Amplifest.
                                   

O disco é novamente composto por quatro temas, que perfazem pouco mais de meia hora, e tem “Prowl” a abrir as hostilidades com um berro arrepiante e riffs bem afiados, mantendo-se esta intensidade e atmosfera tenebrosa ao longo de toda a sua duração. A bateria, repleta de blast beats, brilha na reta final da música ao tornar-se quase claustrofóbica. O ritmo continua bem elevado no início de “Doodskalm” mas esta termina com uma secção mais limpa que demonstra perfeitamente o lado mais atmosférico do grupo e que dá uma tonalidade algo gótica e fúnebre à composição.


Segue-se o tema homónimo do disco e a sua peça central, com 12 minutos de duração. O riff principal inicia a música de forma mais minimalista mas torna-se progressivamente mais hostil, tal como o resto dos instrumentos. A intensidade nunca atinge os níveis das restantes músicas do disco, brilhando aqui os arranjos mais atmosféricos ao conseguirem criar uma aura de perturbação, tal como o vídeo oficial do tema. Embora seja longa, “De Doden Hebben het Goed III” mantém-se sempre fresca através das variações que o riff principal, a bateria e os vocais vão sofrendo, e é provavelmente a música mais forte de toda a trilogia. “Parool” fecha o álbum com uma nova dose de vocais rasgantes, riffs galopantes e blast beats frenéticas.

Apesar de sonicamente semelhante aos dois outros discos da trilogia, De Doden Hebben het Goed III contém o material mais polido da banda, ultrapassando o problema da falta de fulgor de algumas das composições presentes nos anteriores álbuns, e coloca os Wiegedood como um dos nomes jovens mais interessantes da cena black metal atual.


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Filho da Mãe em entrevista:"Saí da Madeira com um disco (...) ao sabor da corrente"

Vera Marmelo ©
No passado mês de abril estivemos à conversa com Rui Carvalho, mentor por trás da identidade artística Filho da Mãe. O guitarrista lançou a 4 de maio o seu novo disco de estúdio, Água Má, com o selo da Lovers & Lollypops, gravado ente as paredes de estúdio HAUS, Lisboa, e uma residência artística na ilha da Madeira, no primeiro trimestre de 2018. Não só de Água Má foi feita esta conversa, tendo o artista deixado um apelo final a que se visite o Teatro Maria Matos, que está prestes a mudar para uma gestão privada. 

Podem ler a entrevista na íntegra, abaixo.

Do teu ponto de vista, perspetivas e ideologias, quem é o Filho da Mãe?

Filho da mãe é algo pessoal, um pouco introspetiva e com carradas de ironia, de vez em quando. É uma pergunta difícil de responder porque nunca pensei propriamente nisto. Não é um alter ego, é só um nome que eu dou a uma coisa que passei a fazer a solo. Eu costumava tocar mais com bandas e quando se toca sozinho tudo acaba por mudar lentamente. É um discurso direto, pessoal, honesto, com os erros e com as virtudes todas.

No futuro gostarias de participar numa banda, como os If Lucy Fell, ou preferes continuar o teu caminho a solo?

Eu gostava de continuar o meu percurso a solo. Vou tendo colaborações esporádicas. Por exemplo, com o Ricardo Martins, já fiz também umas coisas engraçadas com o Tó Trips a propósito do festival Guitarras ao Alto. Vou tocando de vez em quando com mais gente e tenho colaborações em alguns concertos meus. Na verdade, tive há pouco tempo uma coisa com o João Pais Filipe, percussionista. Gostei muito de tocar com ele, mas acabou por não sair um disco. É uma coisa que está no forno e que vai acontecer quase de certeza. Se calhar até mais para o fim do ano. Mas sim, gostava de voltar a uma banda.

Achas que esse ponto de vista foi mudando com os passar dos álbuns e com as mudanças na vida? Por exemplo, foste pai antes do Mergulho.

Quando gravei o disco em Amares, já o gravei com a criança lá e a minha mulher foi comigo. Ela é música (Linda Martini) e além disso faz as capas. Fazemos sempre uma espécie de residência. No primeiro disco ainda estava confuso e agora percebo no que é que isto muda tudo, porque muda, de facto. É um bocado difícil dizer exatamente em quê. Os discos têm sempre uma continuidade, há sempre alguma coisa que vem de um para outro. Isso é algo que eu e a Cláudia começámos a assumir a partir do Cabeça, que um elemento gráfico se transmite de uns álbuns para os outros. Às vezes é muito subtil, não se vê mas está lá sempre devido à tal continuidade. Não há assim propriamente uma estrutura nos discos. Há um caminho diferente e eu noto que as coisas mudam, a forma de tocar, a forma de encarar a música, a forma de encarar as músicas mais acústicas e aquelas que têm pedais. Tudo isso vai mudando. Não sei se é muito perceptível essa mudança para algumas pessoas, se calhar nota-se mais ao vivo. Uma coisa que eu notei foi que a intenção de improviso aumentou. Gosto mais de fazer coisas em cima da hora, não gosto de as planear tanto. Não gostava nada disso no Palácio e agora gosto que as músicas não soem propriamente à mesma coisa. Gosto que elas não sejam iguais de concerto para concerto. Isso foi uma coisa que mudou, algo mais imediato, uma coisa um bocadinho mais ao pé dos dedos e menos da cabeça. Antes era mais da cabeça e menos dos dedos.

Há algum conceito ou temáticas por detrás deste novo trabalho?

Os conceitos às vezes são um bocadinho mentirosos porque eles vão-se adaptando à medida que fazemos as coisas. É difícil perceber o que é que vem primeiro, se o conceito se o álbum. A única coisa que veio mesmo antes do álbum foi a capa. Aquela alforreca meio esquisita com umas sombras também esquisitas. Tenho essa pintura em grande, que a Cláudia fez, no meu estúdio desde o início quando tinha para aí uma música. O conceito foi se adaptando e inicialmente tinha mais a ver com alguma coisa como "Casa" do que o resto. Não lhe chamei "Casa" porque tínhamos já pensado no nome da alforreca. A história da alforreca seria mais o de andar à deriva, de nunca planear nada e as coisas acabariam por acontecer. Algo que muita gente faz (risos). Não há um conceito muito definido, eram músicas pessoais, coisas muito próprias, com pouco pensamento só porque sabiam bem. Não tem um conceito específico, mas acabaram por ter um bocadinho o ar de família. Têm todas um bocado a ver com geografia. Por exemplo, eu oiço música do Peru esquisita, oiço coisas mais brasileiras, música africana, tudo misturado no mesmo sítio, sem grande bússola. Uma bússola partida, foi o meu primeiro conceito. Eu compus o disco quase todo em Lisboa, gravei no HAUS. De repente, no espaço de uma semana, o disco não ficou completo e surgiu a oportunidade de no mês seguinte gravar na Madeira. Saí de lá com um disco, tudo sempre muito pouco pensado, ao sabor da corrente. Os conceitos foram-se adaptando a isso. É menos importante onde é que eu estive a gravar e mais importante aquilo que eu estava a tentar fazer.



É sabido que os locais onde gravas os teus álbuns são muito importantes na sua história. Como é que são escolhidos esses locais?

No caso da Madeira, falei com o Hugo Valverde, técnico de som de muitas bandas que trabalha na Lourisom e que já me fez som algumas vezes. Antes de falar com ele já se tinha passado mais ou menos isto: gravei aqui em Lisboa e pensava que precisava de mais de uma semana para gravar o disco. Sabia muito bem o que é que ia ser. No entanto, falei com alguém de Barcelos para ir lá gravar, para me afastar daqui e ir gravar noutro sítio. Pensei ao início que o disco pudesse ser composto por músicas gravadas aqui no HAUS e outras que eu gravaria noutro sítio qualquer, sem grande conceito por trás, só mais porque eu já estou habituado. Eu gosto da história do field recording, chegar a um sítio, estar lá, comer lá, dormir lá. Gravar, tocar, tudo sempre no mesmo sítio. Pensei que podia unir as duas coisas, trabalho de estúdio e trabalho fora de estúdio. Pensava que ia gravar a Barcelos, mas não fui. Falei então com o Valverde, ele falou com o Pedro Azevedo do Musicbox que organiza o Aleste na Madeira. Por sua vez, o Azevedo falou com o pessoal do Barreirinha, gente que eu já conheço há algum tempo, já toquei no Aleste umas duas vezes. De repente, esta gente fala com o pessoal da Lovers & Lollypops, a minha editora e agência. E eu no espaço de uma semana estou a gravar na Madeira. Foi um processo rápido. Desde o momento que pus na cabeça que queria gravar o disco até ter o disco todo gravado e masterizado foram perto de 2 meses. Um disco de guitarra é uma coisa fácil de fazer, é apenas decidir o disco que queres ter. O que é complicado é tomar decisões com muito tempo de antecedência, pelo menos eu tenho alguma dificuldade. Acho que as melhores decisões são tomadas em cima da hora. Eu posso fazer isso porque logisticamente é mais simples. Se estivesse numa banda de seis elementos a ter que ir para a Madeira ou para outro lado qualquer, essas coisas tinham de ser tomadas com antecedência. Portanto, como já estou habituado a isso, deixei mais para o fim. O Mergulho foi muito bem combinado, com antecedência. Este eu pensei em fazer umas sessões de estúdio, tenho muitas horas de gravação que acabei por não usar. Ficaram-me aí ideias, boas ideias até, mas achei que não havia disco. No mês a seguir, um bocado por coincidência estava na Madeira a gravar. A Madeira entra a pé juntos no disco, mas o conceito não tem propriamente a ver com a Madeira. Tem tanto a ver com lisboa como com a Madeira, ou outro sítio qualquer. Aliás, os concertos de apresentação vão ser em Lisboa, Porto e Açores. Na Madeira eu toquei lá na altura da residência, na Barreirinha.

Estando nesses locais, como é que funciona o processo de composição? Já tens ideias prévias ou é tudo inspirado pelo espaço que te rodeia?

Neste caso tinha, mas no Mergulho eu fui gravar a Amares e não tinha ideia absolutamente nenhuma, tinha apenas a direção do disco na cabeça. Desta vez faltava-me a direção do disco, tinha só as músicas. A direção do disco é como construir uma narrativa, tenho as músicas mas não sei que títulos é que são, não sei qual é o primeiro, não sei qual é o segundo. Na Madeira encontrei essa direção, e claro que o ambiente tem tudo a ver. Nós gravámos numa casa de um rapaz chamado Diogo Freitas, da família Freitas. Uma casa muito antiga com história, num ambiente de tempestade autêntico, a tempestade Emma. Havia pontões a serem partidos, turistas a caírem à água. Havia muitas músicas que já estavam feitas para o disco mas ainda não tinha conseguido criar a narrativa que queria. O Valverde ajudou-me muito a descobrir essa história. Há um dia que eu saí, fui almoçar e quando cheguei, o Valverde disse-me que afinal tínhamos 30 minutos de disco, que depois passaram para 40 minutos de disco, quando eu pensava que ia ter ali perto de uns 20 minutos.



É sempre bom ter uma perspectiva de fora.


Foram todos assim até agora. A pessoa que grava funciona um bocado como um elemento banda, a pessoa que está atrás da secretária e ao início não percebe nada do que estou ali a fazer e, de repente, aquilo começa-lhe a fazer sentido.

Se calhar é porque a pessoa que está a gravar contigo não tem aquela ligação emocional, então consegue ser mais racional em relação às músicas.

Isso sem dúvida. Mas a parte boa é quando a pessoa larga a parte racional e começa a aproximar-se da parte emocional. Primeiro não entende qual é o problema e quantas músicas é que já estão gravadas. Nem sequer sabe bem os nomes das músicas nem quais são as músicas. De repente começa-se a encontrar naquilo e começa a perceber como é que a coisa está a surgir. Foi o que aconteceu com o Brandão no Mergulho, o Guilherme Gonçalves no Cabeça e o Makoto Yagyu no Palácio. O sistema é sempre mais ou menos o mesmo, a pessoa com quem eu gravo também me ajuda a definir aquilo que é o disco. Eu gravo muitos takes e muitas vezes já nem sei o que é que tenho lá, preciso de ouvir aquilo com calma. A pessoa que está com esse distanciamento normalmente vai ouvindo as coisas que vão saindo e faz uma proposta de alinhamento de disco. O Valverde fez uma proposta de alinhamento de disco que eu achei brilhante e que funcionou muito bem para mim. Não tinha o mesmo disco no estúdio se não fosse ele, saia outro disco qualquer. Ou seja, estares a gravar num local influencia e muito. Primeiro é bom uma pessoa sair do estúdio, não ir diretamente para casa e preocupar-se com as suas coisinhas do dia-a-dia. É muito bom aquilo ser uma espécie de bolha, um intervalo na vida em que uma pessoa só se preocupa com o disco. Estou habituado a gravar os discos quase todos assim. As coisas ganham uma coerência, são menos cerebrais. São decisões tomadas com o coração e com ossos e com os braços. Eu não conseguiria fazer isso com bandas. Fazer uma espécie de pré-produção talvez seja fácil, agora gravar um disco e ele ficar acabado é mais complicado. Tem me corrido sempre bem quando faço isso.

Como foi a experiência de gravar na Madeira?

Foi ótima, envolveu muita poncha a horas esquisitas. A poncha também entra no disco. Qualquer bandinha que lá vá gravar ou se depara com 970 ou com poncha e aquilo funciona bem. Há uma energia fantástica na Madeira, principalmente à volta destas pessoas que tenho falado, do Aleste e do Barreirinha. A Madeira começa a saltar-te para os ossos e para os olhos. É um belo sítio para se estar e acabar por influenciar bastante. É difícil dormir na Madeira, com as pessoas que eu conheço é difícil (risos).

Onde é que as pessoas te vão poder ver nos próximos meses?

8 de maio no Teatro Maria Matos, 9 de Maio no Ateneu Comercial do Porto, 17 de maio na Horta, no Festival MUMA, 19 de maio em São Miguel, 23 de maio no Festival Impulso, nas Caldas da Rainha, 24 de maio no Teatro Aveirense.



O que andas a ouvir nas últimas semanas além do teu disco?

Precisamente por causa disso não ando a ouvir absolutamente nada. Não consigo ouvir nada. Ouvi tantas vezes o meu disco, a pensar nele, na altura das misturas. É muito errado a pessoa ouvir tantas vezes o seu próprio disco.

Regra geral, os artistas não gostam muito de ouvir os seus discos.

Mas há uma altura em que tens que ouvir, principalmente se és o único gajo a dirigir aquilo. Às vezes há coisas que eu já nem dirijo. Já confio na pessoa e assumo aquilo que lá está. É um bocado esquisito estar sempre a ouvir a mesma voz. Ou o disco começa a parecer demasiado bem ou começa a parecer demasiado mal. Depois desse período gosto de ter uma altura em que não oiço absolutamente nada. Se eu quiser ouvir alguma coisa, oiço alguma emocionalmente neutra, por exemplo, jazz. Leva-te para um sítio muito específico desse género, não se mistura com mais nada. A música que oiço mais provavelmente é música do Mali, música africana, leva-me para longe. Aqui de perto tenho ouvido muito pouco.

Alguma mensagem final para os leitores desta entrevista, alguma coisa que queiras dizer?

Venham aos concertos. Abram o coração e a mãos e depois bebemos um copo. Falando de outra coisa, também tem a ver com aquilo que falei há bocado acerca de casa, uma dessas casas era o Teatro Maria Matos. Desde o início que lá toco e me abriram as portas, deram-me condições para fazer coisas que não tive noutros sítios. Foram concertos sempre espetaculares que nunca me hei-de esquecer na vida, toquei lá com a maior parte dos meus amigos. Um teatro pode ser uma coisa fria mas aquilo para mim é uma coisa quente.

Eu também sinto muito isso, sempre fui lá bem recebido.

É um sítio brutal que vai passar de uma gestão pública para uma gestão privada. Daquilo que nós sabemos, a continuidade toda deste trabalho que foi feito, pelo menos na parte da música, que há coisas mais importante na arte, teatro, dança, gente que normalmente não tem sítio para fazer as coisas. Aquilo vai passar para uma gestão privada que não dá garantias nenhumas de que o trabalho que foi desenvolvido até agora se perpetue. Eu tive lá concertos com sala cheia e há lá muitos concertos com sala cheias para música que normalmente é considerada, e foi pelo vereador, como emergente. Ninguém sabe o que é que emergente quer dizer neste contexto. Não percebo essa história da música emergente. Aquilo é uma despedida, não só porque vai mudar alguma coisa, porque as coisas mudam. Aquilo é um bom exemplo da lógica de raciocínio quando se fala em investimento público e investimento na cultura. Os orçamentos não rebentavam, pelo o que eu sei, não é por causa do Teatro Maria Matos que o país está no estado em que está. Geravam empatia com o público, até podias fazer assinaturas mensais, num sítio que não tem nada a ver com moda em Lisboa. Não é onde as pessoas param, não é o Bairro Alto, não é o Cais do Sodré. As pessoas iam lá por causa disso e depois, de repente, com um lógica muito mercantilizada, começam a falar de cultura quando só estão a falar de números, na verdade, e é triste porque houve muita gente que lá trabalhou. Em Lisboa não tens salas daquele tamanho, tens salas gigantes ou muito pequeninas. Tinhas uma sala média com um certo registo, mas há coisas que não cabem lá. Houve muita gente que nunca pôs os pés no Maria Matos, mas houve muita outra gente que sim. Aquilo seria uma coisa a manter e dar como bom exemplo. A forma como foi ou parece que vai ser varrida, a partir do momento em que é uma gestão privada, a lógica do investimento público desaparece. Essa era a mensagem que eu gostava de dar, para as pessoas irem àquele teatro.



Entrevista por: Rui Gameiro

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Nine Inch Nails fecham trilogia de EPs com Bad Witch


Os Nine Inch Nails irão lançar um novo EP, Bad Witch, ainda antes da sua atuação no dia 12 de julho no festival NOS Alive. Os americanos atuaram pela última vez em Portugal em 2009, no Festival Paredes de CouraBad Witch irá encerrar a trilogia de EPs iniciada em 2016 com Not The Actual Events e continuada no ano passado com a edição de Add Violence, um dos melhores EPs de 2017 para a redação da Threshold.

Bad Witch será editado a 22 de junho e já podem fazer pre-order aqui.




Bad Witch tracklist:

1. Shit Mirror
2. Ahead of Ourselves
3. Play the Goddamned Part
4. God Break Down the Door
5. I’m Not From This World
6. Over and out

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Process of Guilt na abertura do concerto de Baroness


Os Baroness irão regressar a Portugal para atuar no Lisboa ao Vivo no próximo dia 27 de junho, através da Prime Artists, e terão como banda de abertura os portugueses Process of Guilt. Idolatrados desde 2004, aquando do lançamento do seu EP First, os Baroness têm vindo a moldar uma fórmula única desde então, caminhando entre o stoner rock e o sludge metalOs americanos trarão na bagagem Purple, editado já em 2015, num conjunto de datas que deverá servir para fechar o ciclo promocional deste disco que viu o grupo dar mais ênfase aos elementos stoner da sua sonoridade.



Os Process of Guilt editaram no ano passado o seu mais recente disco, Black Earth, onde voltam a demonstrar ser um dos nomes grandes da cena metal nacional. Black Earth continua a explorar uma sonoridade mais sludge, tal como em Fæmin, afastando-se cada vez do doom que permeava os primeiros trabalhos dos portugueses.

Os bilhetes estão já à venda nos locais habituais (Ticketline, Fnac, Worten, etc) pelo preço único de 20€.

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