sábado, 2 de junho de 2018

Reportagem: The Fur. [Musicbox, Lisboa]


Fugindo à típica marca ocidental de conjunto pop, e apresentando as suas canções pela primeira vez em contexto luso, The Fur. foi a banda que mais recentemente nos visitou, directamente da (ilha) longínqua de Taiwan, a qual esteve em palco a 28 de maio no Musicbox (Lisboa) e no dia a seguir nos Maus Hábitos (Porto), pela mão da mais nova promotora, Barking Dogs

Formada em finais de 2016, com um álbum no forno e previsto lançamento para o mês solarengo de Agosto, intitulado Town, The Fur. encantou e derreteu um público curioso. Um sonho indie pop, regado a um jogo de luzes do rosa florescente ao amarelo, com canções frescas, dançáveis e de fácil digestão, desde o 1º single, “We can dance”, até “Avocado Man”, “25”. Com recurso a um teclado dreamy, efeitos de uma bateria sem a sua presença no espaço físico, a um tom melancólico inerente muitas vezes quebrado pela presença de acordes de guitarra mais pesados, à voz angelical (em inglês) da mais querida Savannah, foi assim receita para um serão preenchido de magia, acrescentando a distribuição de autocolantes e pins oficiais da banda a voar pelo público. 

Na casa dos 25 para cima, The Fur. desenha-se como uma banda sem qualquer pretensiosismo que se apropria de características do “pêlo”, como, “querido e gentil”, para dar imagem ao conjunto musical. Um spacey, dreamy, indie pop que lembra (aos mais atentos), projectos como Jay Som (com presença marcada dia 9 de Junho no NOS Primavera Sound Porto), traços de uma balada que pertence aos Beach House (com recurso ao teclado), até universos mais distantes, da esfera de Chromatics (Portland, EUA). “It is what it is”, que se repete na composição lírica de “We can dance”, para além de ser uma das passagens que mais permanece no ouvido, é provavelmente o que melhor define The Fur



Com ênfase em experiências pessoais, pessoas que conhecem e sentimentos que nutrem, Savannah diz-nos que, “as nossas canções são baseadas em ideias muito simples.” De uma mistura que sofre de influências musicais (não directas), que nos leva a uma realidade dos anos 80 com Jesus and Mary Chain, The Breeders, The Cure, o resultado final desta mais recente aquisição musical vinda de Kaohsiung, revela-se assim um mix de “diferentes tipos de música, de diferentes gerações”. 

Saídos pela primeira vez do seu país, para realizar a sua primeiríssima tour que começou na Europa, Savannah (voz, guitarra), Zero (guitarra), Ren (baixo) e Wenwen (sintetizadores), apropriam-se assim desta linguagem universal que é o indie rock, numa onda “cute and soft” que combina com a personalidade dos membros da banda. De melodias cativantes que facilmente nos deixam a desejar um cenário de Verão, com tons de praia, mar e fotografia analógica, a próxima visita de The Fur. passa pelo Primavera Sound Barcelona, já durantes estes dias.


The Fur. @ Musicbox, Lisboa

Texto: Joana Sequeira
Fotografia: Sofia Espada

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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Mais confirmações no cartaz do Elétrico

© DELANO SMITH

O Elétrico acrescentou hoje mais treze nomes ao seu cartaz. André CascaisDelano SmithDeWaltaDiana OliveiraFumiya TanakaGusta-voJoao Maria - Assemble MusicJoão SemedoJoão TenreiroNicolas LutzRui VargasSonja Moonear e Vasco Valente juntam-se ao cartaz do festival que se realiza entre os dias 20 e 22 de julho,  no Parque da Pasteleira, no Porto. 

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The Twist Connection libertam um novo "twist" a 8 de junho

© Vera Marmelo
The Twist Connection são um trio formado por senhores que respiram Coimbra: Carlos “Kaló” Mendes (Tédio Boys, Wray Gunn, bunnyranch, The Parkinsons), Samuel Silva (The Jack Shits) e Sérgio Cardoso (É Mas Foice, Wray Gunn); e estão de regresso às edições discográficas com um novo álbum homónimo a ser editado pela também conimbricense Lux Records no dia 8 de Junho.

Este novo trabalho resume um caminho percorrido entre e após os muitos concertos inseridos na promoção do último Stranded Downtown (2016). Influenciados por uma série de estéticas do século XX que entraram pelo novo milénio, desde os 50s ao Punk, encontram em 2018 a própria identidade ou, pelo menos, fazem por isso. Não são do Garage nem de qualquer vaga Psicadélica, gostam apenas de Rock´n´Roll.

Twist Connection foi gravado em Coimbra no Blue House Studios por Jorri Silva (a Jigsaw/ The Parkinsons) e João Rui (a Jigsaw) que toca vários instrumentos em todos os temas do álbum, desde o piano ao theramin, passando pelas guitarras e percussões. O disco tem como convidado especial no mellotron Augusto Cardoso (bunnyranch, Tiguana Bibles) e como convidada muito especial na voz Raquel Ralha (Belle Chase Hotel, Wray Gunn, Mancines, Raquel Ralha & Pedro Renato), ambos na segunda versão de "Dancin'in the Dark". 


A banda vai andar em tour nacional (com uma data por Espanha) nos próximos meses. Consultem em baixo as várias datas: 

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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Michael Morley em concerto no Porto



O neozelandês Michael Morley (Gate), membro dos The Dead C, vai dar um concerto no Auditório CCOP (Porto) no dia 14 de junho, quinta-feira. A abrir o evento vão estar os portugueses Francisco Oliveira (que também faz música como Holoscene85') e Filipe Felizardo. Os bilhetes já podem ser comprados por Paypal ou reservados por e-mail por 7€. À porta custam 8€.

Michael Morley é um músico experimental que tem composto a solo música drone e ambiente, tendo lançado este ano o álbum Winter Songs. Francisco Oliveira vai apresentar-se em nome próprio e tocar músicas do seu próximo álbum, que será lançado pelas Edições Fauve. O seu projecto Holoscene85' foi uma das nossas 20 revelações nacionais de 2017Filipe Felizardo foca-se em composições para guitarra eléctrica, e colabora ocasionalmente com artistas como Norberto Lobo, David Maranha e Margarida Garcia.

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SUUNS e Vive La Void passam por Leiria em outubro

© Joe Yarmush

Os SUUNS vão regressar ao país no último dia do mês de outubro para um concerto que resulta de uma co-produção entre a Fade In e a Stereogun e servirá de mote para a apresentação do mais recente e quinto disco de originais da banda de Montreal, Felt (Secretly Canadian, 2018). O quarteto regressa a Portugal dois anos depois da passagem pelo festival Vodafone Paredes de Coura, prometendo um concerto onde a future-pop hipnótica e o kraut-rock estarão em altas juntamente com o espetáculo de luzes.


O concerto é para já único no país e contará ainda com a abertura de Vive La Void, o novo projeto a solo de Sanae Yamada, a co-fundadora e teclista dos Moon Duo, que apresentará o seu mais recente e disco de estreia homónimo, editado também este ano pela conceituada Sacred Bones Records.


Ambos os concertos acontecem na sala Stereogun, em Leiria, no dia 31 de outubro. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui

Abertura de portas: 23h00 
Concerto: 23h30 
Acesso: 15€ + Consumo de uma bebida 


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Dose dupla de Gorillaz

gorillaz-dose-dupla

Os Gorillaz, uma das bandas pop mais populares deste milénio e conhecidos por escaparem a categorizações, lançaram recentemente dois novos singles, "Humility" e "Lake Zurich", em antecipação do seu novo álbum THE NOW NOW que será lançado dia 29 de junho. 

"Humility", que conta com o feature do veterano do jazz George Benson, segue uma vibe bastante funky e a cheirar a verão, e o seu videoclip também conta com a participação do famoso ator, comediante e músico Jack Black. Por outro lado, "Lake Zurich" tem uma vibe mais electropop futurista minimalista, mas nem por isso menos dançável.

Podem ouvir os novos singles aqui:



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7 ao mês com Imploding Stars



O 7 ao mês é uma rubrica que veio para ficar no seio da Threshold Magazine, mantendo-nos sempre a par daquilo que os artistas e promotores andam a ouvir e que pode, ou não, servir de influência nos seus trabalhos . Nesta 4ª edição temos as escolhas de Imploding Stars, quinteto nacional de post-rock que editou a 18 de maio o seu segundo álbum de estúdio, Riverine.


Madrepaz - Santa Clara e a Laranjeira da Zebra Madura


Apesar de todo o álbum estar fabuloso, esta música é bastante especial pela inteligência na gestão das dinâmicas. Introdução com uma sonoridade calma e exótica, que lança o resto da música para uma fluidez bastante colorida, com uma quantidade de repetições certeira, assim como os altos e baixos do resto da parte instrumental, que nos levam numa viagem suave e turbulenta em simultâneo. Tem um riff de baixo que é bastante marcante, que acaba por ficar na cabeça.


Fleetwood Mac - The Chain


Esta música tem uma composição muito quadrada, muito simples, mas difícil de dissecar. O andar pesado inicial, com a batida praticamente inalterada, treme o chão de madeira e cria uma ânsia, um desconforto e uma energia que nos prende e nos angústia pelo sentimento. Esta música durará por muitos anos.


Rodrigo Amarante - Nada Em Vão


Elegância, tempo e texturas. Texturas na elegância do tempo. Movimento lento para a frente que vai sendo preenchido pela banda. Uma pedra, um arbusto, uma fotografia antiga, um quadro muito bem desenhado com salpicos de cor, aparentemente desleixado ou feito de forma simplista. Só conseguimos transmitir ideias de uma forma simples e positiva quando temos o profundo domínio da técnica e do conteúdo.


We Lost The Sea - A Gallant Gentleman


Música com instrumental bonito, com uma melodia melodia de ficar na cabeça, com coros para fechar os olhos e deixar levar. Nós identificamo-nos muito com este tipo de viagem.


Kiasmos - Held



É uma melodia ótima para acompanhar uma viagem de carro, muito introspectiva, nostálgica. Um quase post-eletrónico cheio de essência que tanto caracteriza os Kiasmos.


Everything Everything - Cough Cough


Resume tudo o que eu amamos na música: frescura, imprevisibilidade, musicalmente e liricamente interessantíssima e com um groove fora de série, principalmente no pack baixo & bateria.


Fausto - Como Um sonho Acordado


A anatomia desta música tem uma progressão bastante peculiar: começa bastante linear, sobe um pouco, volta abaixo, mas seguidamente volta a ganhar força e temos um crescendo rítmico e melódico até ao fim, com um aumento progressivo de instrumentos e coros. Este crescendo é, sem dúvida, o ponto mais forte desta música. Toda a escolha de instrumentos e coros e a sua distribuição pela música são feitos com uma perícia e sensibilidade extremamente elevada. Este tipo de composição influencia-nos bastante neste tipo de decisões estruturais das músicas.

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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Riverside trazem Waste7and a Portugal

Oskar Szramka

Os Riverside vão regressar a Portugal no próximo mês de novembro para apresentar o seu novo disco, Waste7andOs polacos irão atuar no Lisboa ao Vivo no dia 3 de novembro, regressando ao nosso país três anos após tocarem no Paradise Garage. Ainda não são conhecidas informações acerca do preço dos bilhetes. 



Quanto ao sétimo álbum de originais do grupo, Waste7and tem edição marcada para o final de setembro e será o primeiro que a banda compôs como um trio, após o trágico falecimento do guitarrista Piotr Grudzinski em 2016. Embora não tenha revelado qualquer tema do novo disco, a banda promete um trabalho mais sinistro que o habitual mas mantendo a sua sonoridade progressiva que deambula pelo rock e metal



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Terceira vaga de nomes para o Under The Doom


Mais quatro bandas acabam de se juntar ao cartaz da sexta edição do Under The Doom. Os holandeses The Wounded irão atuar no primeiro dia do festival, que contará com os anteriormente anunciados Wyatt E., os portugueses D E S I R E, While Heaven Wept e ainda Arcturus, faltando apenas anunciar um grupo. Os islandeses Sósltafir regressam a Portugal para apresentar Berdreyminn, editado no ano passado,irão encabeçar o segundo dia, sendo acompanhados pelos Shining, Sinistro, Oceanwake e as novas adições Antimatter e Collapse of Light.


O Under The Doom, novamente organizado pela Notredame Productions, irá decorrer nos dias 7 e 8 de dezembro no Lisboa ao Vivo. Os bilhetes estão já à venda, quer gerais (65€) quer diários (35€).


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Reportagem: MONITOR 2018 [Stereogun, Leiria]


A terceira edição do MONITOR, o Minimal Wave & Post-Punk International Rendez-Vous que a visionária Fade In tem feito acontecer na cidade de Leiria desde 2016, voltou este ano com um dos melhores cartazes da história numa das salas mais futuristas do país, a Stereogun. Com cinco estreias em solo nacional (Fragrance., Black Nail Cabaret, L'An2000, Autobahn, Petra Flurr & 89st) e ainda um regresso (Hante.) foi no passado sábado, dia 26 de maio, que tudo aconteceu e quem marcou presença sentiu na pele que Leiria tem uma cultura prontíssima para fazer frente às grandes metrópoles. 

FRAGRANCE. 

Fragrance.

Com início previsto para as 18h00, o MONITOR teve arranque pelas 18h20 com o francês Matthieu Roche a subir ao palco da Stereogun, acompanhado por teclista, para aquele que viria a ser o primeiro concerto da carreira do cantor, produtor, designer e artista visual por trás da identidade Fragrance.. A iniciar concerto com uma das faixas do novo LP, Matthieu Roche aproveitou para dizer "We're Fragrance, playing at MONITOR festival", enquanto nos ia fazendo dançar com a sua synthpop e entretendo com as suas projeções visuais. Aliás, a performance de Fragrance. foi essencialmente marcada por todo o espetáculo audiovisual que a acompanhou e que a fez destacar-se das restantes, mesmo apesar de se terem ouvido alguns ruídos ao nível do microfone. 


Fragrance. @ MONITOR 2018 [Stereogun, Leiria]

Para um primeiro concerto de carreira, Matthieu Roche esteve bastante à altura mostrando, ainda, que a sua voz doce não se fica só pelos trabalhos em estúdio. Durante o concerto pudemos vê-lo a dançar aqui e ali e ouvir temas como "So Typical", "Lust For Lights" e "Heatwave", além de uma mão cheia de novas faixas a integrar o disco de estreia que segue ainda sem data de lançamento prevista. A encerrar com "Collapse", Matthieu Roche agradeceu à Fade In pelo convite e por todo o festival MONITOR, sempre com aquela sua simpatia tímida. Para quem chegou a tempo este foi um bom aperitivo de entrada e a garantia que daqui a uns anos Fragrance. será certamente um produtor requisitado pelas pistas de dança. 


HANTE. 


Hante.

Por volta das 19h30, Hélène de Thoury, mentora do projeto Hante. entrou em cena para dar um show onde a synthwave e a darkwave estavam de mãos dadas. Hélène de Thoury é uma das figuras relativamente recentes dentro do panorama underground, mas também uma das mais influentes no meio. Fundadora da label Synth Religion - que já lançou trabalhos de bandas como Box And The Twins, Ash Code ou Dark Door (estes dois últimos já passaram também por cá com a chancela Fade In) - Hélène tem ainda sido responsável pela masterização de vários álbuns de artistas como foi o caso do EP Dust&Disorders de Fragrance.


Hante. @ MONITOR 2018 [Stereogun, Leiria]

O concerto de Hante. começou de forma mais calma e foi progressivamente ganhando uma estrutura enérgica que culminou numa intensa interação com o público, onde nos primeiros minutos da performance de "One More Dance", Hélène de Thoury desceu do palco para a zona do público para que todos pudéssemos disfrutar da sua música ao mesmo nível enquanto íamos dançando. Apesar da voz se notar um pouco baixa face à instrumentação que a acompanhava, Hante. manteve uma performance dinâmica interpretando diferentes estados espírito em placo e revisitando os seus diversos trabalhos através de músicas como "Live To Die Another Day", "Éternité", "Storm" ou "Living in a French Movie". A sua performance teve fim pelas 20h30. 

BLACK NAIL CABARET 


Black Nail Cabaret

Formados em 2008 na Hungria, os Black Nail Cabaret são, desde 2016, constituídos por Emese Arvai-Illes (voz) e Krisztian Arvai (teclas), dupla que subiu ao palco do MONITOR em mais uma estreia nacional. A arrancar pelas 20h40, o concerto dos Black Nail Cabaret foi uma das grandes surpresas do festival porque mostrou efetivamente que a banda húngara é bastante profissional ao vivo e que as suas músicas resultam muito bem neste formato. Emese Arvai-Illes tem uma voz muito carismática e a sua presença em palco mostrou a sua faceta amigável e acima de tudo genuína - pelos seus sentidos "thank you" e pelos seus passos de dança marcados - o que foi fortemente evidenciado pelos "bravo" e aplausos que se faziam ouvir do público, ao finalizar de cada tema. 

Esta performance foi também enriquecida pela sonoridade divergente que caracteriza a discografia dos Black Nail Cabaret e que conseguiu construir momentos distintos e igualmente diligentes durante a sua execução. Deu para dançar, cantar em uníssono, gastar a reserva de calorias até à hora de jantar e ainda ouvir temas como "Sister Sister""Let Me In""Satisfaction""Therapy" e, para finalizar, "Veronica"


Black Nail Cabaret @ MONITOR 2018 [Stereogun, Leiria]

Pelas 21h30 estava assim encerrada a primeira parte desta terceira edição de festival MONITOR que pela noite fora ainda prometia muitas surpresas. Devido ao atraso de 30 minutos foi comunicado pela organização que a segunda parte do festival iria arrancar pelas 23h30 e não pelas 23h00 como estava inicialmente previsto. 

L'AN2000

L'An2000

De volta à Stereogun, pelas 23h55, estavam os franceses L'An2000 a subir a palco para nos presentearem com mais uma estreia nacional em apresentação da sua pop retro futurista. Com dois EP's editados até à data - Strangers (2015) e Illusions (2016) – este último editado numa versão estendida pela Manic Depression – os L'An2000 surpreenderam certamente grande parte do público presente pela sua prestação descontraída e por terem apresentando mais um dos concertos onde a música tem um poder de conquista muito superior ao vivo, comparativamente ao resultado em estúdio. Para quem assistiu este foi talvez um dos melhores concertos desta edição do MONITOR mesmo apesar dos problemas que ocorreram, nomeadamente durante a performance de "Malibu", onde o vocalista Wandy Giraud começou por pedir para lhe subirem a voz e, de repente, o baterista deixou de tocar, o teclista também parou e, entretanto, ouvia-se Giraud a dizer "I did something wrong, sorry. Let’s do it again!". Curiosamente este erro, que poderia prejudicar toda a performance da banda, foi completamente compreendido pelo público e assim que se repetiram os primeiros segundos da música, o ambiente de festa estava novamente instalado. Também não era para menos afinal, a música dos L'An2000 é muito fofinha e consegue fazer aquele click entre espetador e performer quase de forma instantânea. 


L'An2000 @ MONITOR 2018 [Stereogun, Leiria]

"Obrigado, that’s what you say in portuguese, right? Thanks a lot to you guys, the next one is in french" disse Giraud e começávamos a ouvir mais uma das grandes malhas do trio francês, "Je Te Fuis" que seria sucedida, mais tarde pela também poderosa "Nonsense", ambas a receberem uma imensidão de aplausos. Já com "Strangers" a começar por se fazer ouvir, aconteceu mais uma vez um engano, assumido por Giraud com um "we're sorry tonight" o que levou a alguém do público afirmar "shame on you", prontamente respondido pelo vocalista com um "yeah, shame on us (…) Do you want to dance?", preparando assim o público para mais folia. Com "The Light" a ser anunciada como última música da performance, os L'Ann2000 acabariam por surpreender o público com ainda mais uma música, desta vez em tributo aos The Cure, com uma cover do seu conhecidíssimo tema "A Forest". Foi uma performance muito boa e a prova de que é possível errar e mesmo assim dar um concerto muito aplaudido e sentido, pelo público. Os L'Ann2000 despediram-se de palco pelas 00h50. 

AUTOBAHN 


AUTOBAHN

Por volta das 01h10 os Autobahn estavam em palco prontos para mostrar o porquê de terem conquistado a crítica especializada internacional e de se terem tornado uma das bandas mais interessantes da atualidade dentro do panorama post-punk. A Leiria traziam como reportório o mais recente disco The Moral Crossing editado pelos selos Tough Love e felte records, mas também os mais conceituados temas de Dissemble. A abrir com "Prologue" foi em "Orbituary" que se viram os ânimos a surgir em altas na Stereogun. Os Autobahn não são meninos que brincam às bandas e isso notou-se logo quando se viu que Craig Johnson estava corpo e mente no concerto, parecendo distante quando não cantava, mas envolvido por sentimentos que não dá para descrever. A sonoridade dos Autobahn em estúdio já é amplamente poderosa e envolvente, mas ao vivo torna-se ainda mais contagiante e é impossível não querer saltar, gritar e destruir tudo. 


AUTOBAHN

Depois de uma performance estrondosa com "Immaterial Man" a fazer escutar-se suja, o guitarrista Michael Pedel queixou-se de problemas ao nível do amplificador o que levou cerca de nove minutos a voltar a restabelecer. Ao contrário do concerto dos L'An2000 esta foi uma pausa extremamente longa e sem interação entre banda público o que, certamente, levou a que muitos acabassem por ficar desiludidos com a prestação da banda. Na minha opinião pessoal, apesar não ter percebido qual o problema com o amplificador, esta pausa acabou por não afetar a minha experiência como ouvinte, uma vez que os Autobahn continuaram a fazer o papel deles enquanto músicos, sem deixar que a sua prestação em palco fosse afetada por isso, tocando com a energia que eu tinha projetado para eles. Aliás, também na minha opinião profundamente pessoal, a performance de Craig Johnson foi meritória. Quando não cantava, além de distante, por vezes virava-se de costas para o público para que percebêssemos que aquele era o momento dos seus colegas brilharem. 

Seguindo a sonoridade mais punk de Dissemble a banda apresentou ainda "Beautiful Palce To Die" e "Impressionist" antes de retomar a The Moral Crossing. Foi depois de "Future" que se notou que os problemas técnicos sentidos inicialmente já estavam mais atenuados, contudo Craig dirigiu-se pela primeira vez ao público com um "sorry, it’s really hard to play with this amp", deixando que "Execution/ Rise" se fizesse ouvir alto e bruto para que o público sentisse a energia e, igualmente, perdesse o controlo. De regresso a Dissemble ouvimos ainda a enorme "Ostentation" antes de os Autobahn se despedirem de Portugal com o tema homónimo "The Moral Crossing", uma das melhores composições deste segundo disco e, eventualmente a mais marcante de toda esta performance, sem direito a encore


AUTOBAHN

Estava ali encerrado (para mim) o grande concerto do MONITOR 2018 e a resposta ao porquê dos Autobahn serem todo um novo furacão. Já diziam os Kraftwerk, "Wir fahren fahren fahren auf der Autobahn", mas o que eles não sabiam era que um dia aparecia uma nova Autobahn que nos iria conduzir a nós. Essa "Autobahn" chegou e é liderada por cinco músicos exímios de Leeds, talvez demasiado perfecionistas, mas ainda assim profissionais. 

PETRA FLURR + 89st 

Petra Flurr & 89st

Para encerrar a terceira edição do MONITOR, a Fade In escolheu o electro-punk minimalista de Petra Flurr, vocalista que em Leiria se juntou ao mexicano 89st para encerrarem o MONITOR de forma histórica, como não poderia deixar de ser. A subirem a palco por volta das 02h30 a dupla promoveu mais uma das atuações que colocaram a pista da Stereogun ao rubro, numa dança descoordenada, mas sempre sentida. Apesar de terem uma plateia mais reduzida que os antecessores Autobahn isso não inibiu Petra Flurr & 89st de mostrarem que no que toca à música eletrónica eles sabem o que fazem. 

A apresentarem novos temas em palco foi com os mais conhecidos "Augenhöhe""Criminal Is The Name""Flurr- Frei sein" e, claro, o enorme "Monotone Agressione Zone", que o público do MONITOR mais uma vez pôde comprovar a eficácia e eficiência da Fade In na escolha criteriosa de excelentes artistas que outrora, muito dificilmente passariam por cá. Petra Flurr & 89st despediram-se do público português por volta das 03h26. 


Petra Flurr & 89st @ MONITOR 2018 [Stereogun, Leiria]

Esta terceira edição do MONITOR foi totalmente exemplar. O cartaz estava muito bom para quem teve a possibilidade de ouvir as bandas em estúdio; aconteceu pela primeira vez na sala Stereogun - um dos espaços mais futuristas do país com uma sala reservada a fumadores e pista de dança reservada a não fumadores -; os artistas e performers eram bastante amigáveis e, no geral, deram bons concertos e a Fade In voltou a mostrar que há uma cultura que não se vende em prateleiras de hipermercados. Que venha a quarta edição.

Texto: Sónia Felizardo
Fotografias: Virgílio Santos

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Primeiras confirmações do Indie Music Fest 2018


O Indie Music Fest está de regresso ao Bosque do Choupal (em Baltar) para a sua edição de 2018. Este ano o festival conta com o apoio do Municipio de Paredes e da Junta de Freguesia de Baltar e decorre nos dias 30 e 31 de Agosto e 1 de Setembro.

As primeiras confirmações para a sexta edição deste festival são Enes (banda do qual faz parte Jonny Abbey, um repetente no festival), Dreamweapon (a dupla André Couto e Edgar Moreira que traz na bagagem o seu segundo longa-duração Sol), os bracarenses Quadra, os Máquina del Amor e os Panado (com o seu disco Juventude Coxa). Ainda estão confirmados alguns repetentes neste festival, como os Keep Razors Sharp (a banda de Rai, Afonso, Bráulio e Bibi), os Huggs (juntamente com Guilherme Correia dos Ditch Days, em formato trio para apresentar o EP de estreia) e ainda os Gator, The Alligator.

O passe geral já se encontra à venda por 15 € e inclui camping, transferes, acesso aos concertos secretos, piscina e outras atividades paralelas. Os portadores do passe geral ainda têm descontos nas viagens de comboio CP cooltrain para o festival.










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terça-feira, 29 de maio de 2018

Passatempo: Ganha bilhetes para The Men no Maus Hábitos


É já esta semana que os The Men — um dos nomes maiores da prestigiada Sacred Bones e um dos mais entusiasmantes projetos do rock actual — visitam Portugal. Os norte-americanos visitaram-nos pela última vez no ano de 2012 e desde então, lançaram 4 álbuns: New Moon (2013); Tomorrow's Hits (2014); Devil Music (2016); Drift (2018). O regresso dos The Men prende-se com a edição de Drift, álbum que a banda irá apresentar ao vivo em Portugal. Na quarta-feira, dia 30 de maio, os The Men tocam no Musicbox acompanhados pelo Ryan Sambol (o líder dos Strangeboys) num evento com a assinatura da Bullet Seed. No dia seguinte, a banda sobe ao Porto para tocar no Maus Hábitos pela mão da Revolve.


Em parceria com a Revolve, estamos a oferecer dois bilhetes simples para o concerto de The Men no Maus Hábitos, que se realiza às 22h30 do próximo dia 31 de maio. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.


2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.



3. Preencher o seguinte formulário:



O passatempo termina no dia 30 de maio às 22:00 e os bilhetes serão sorteados de forma aleatória através da plataforma www.random.org. 

Boa sorte!


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Atualizado às 22h40 de 31 de maio de 2018

Os vencedores do passatempo são:
Francisco Oliveira
Joana Pacheco

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