sábado, 9 de junho de 2018

Telectu apresentam Belzebu no Teatro Maria Matos


Os Telectu, duo composto por Vítor Rua (ex-GNR) e Jorge Lima Barretoestão a comemorar os 35 anos da edição de Belzebu, o seu segundo disco de estúdio considerado a primeira obra minimal-repetitiva feita em Portugal. Além da reedição deste marco na história da música portuguesa em vinil, os Telectu também o vão apresentar na íntegra no proximo dia 15 de junho no Teatro Maria Matos, em Lisboa, para um espetáculo histório.

Belzebu, disco editado originalmente em 1983, reafirma a importância do legado deixado por Jorge Lima Barreto e Vitor Rua, recuperando um dos momentos mais marcantes e definidores da nova música em Portugal. A sua música conceptual promete um espetáculo onde som, imagens e luz estarão integralmente pensados por forma a garantir uma viagem à avant-garde produzida em Portugal na década de 80. António Duarte (cofundador do projeto musical e multimédia DWART em 1985) tocará no lugar do falecido Jorge Lima Barreto.

O concerto tem início marcado para as 22h00 e os ingressos para o espetáculo têm umpreço que varia dos 3€ aos 12€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui


Os Telectu também passam pela edição do Semibreve deste ano.

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quinta-feira, 7 de junho de 2018

O Mercado Negro em modo festivo recebe os Astrodome, em Aveiro


Ao longo do ano em que o rock voltou a tremer com as paredes do Mercado Negro, o tasco "mais fixe" de Aveiro recebeu uma fornada de bandas como a "cidade dos canais" nunca viu e/ou experienciou. Nesta vaga de concertos que engole todos os espaços da cidade, o auditório do Mercado Negro deu-nos uma oferta diversificada mas com natural vocação para o rock e para as bandas emergentes com diferentes abordagens musicais. 


Chegando agora à dúzia de existência, a Tago Mago e a Covil oferecem os Astrodome como prenda de anos, numa natural réplica do trabalho conjunto que as promotoras aveirenses foram trilhando num espaço que tinha saudades de rock

Depois de II, o segundo LP da banda, ter conquistado a blogosfera do stoner e do rock-psicadélico, o conjunto portuense chega finalmente a Aveiro com uma tournée europeia no bolso e todo um Portugal contagiado pelas viagens instrumentais que oferecem. Com malhas longas e progressivas sustentadas pelos riffs, a influência leviana dos Causa Sui (o disco foi produzido por um dos membros da banda dinamarquesa) encontra a densidade do stoner mais pesado na hora de ligar a distorção. 

Com este nível de instrumental, não é preciso dizer nada. Os bilhetes custam 5€ com reserva (+ informação aqui) ou 6€ à porta. Evento aqui.



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Em julho, vamos tão ao Rodellus?

© Joana Sousa /Shootsounds

Falta pouco mais de um mês para a tão aguardada quarta edição do festival Rodellus - festival de música urbana em cenário campestre - que este ano volta a invadir a aldeia de Ruílhe para três dias consecutivos de boa música e nomes que se têm vindo a tornar revelações dentro do panorama musical. Até à data já se encontram confirmados 14 nomes mas a organização ainda tem mais cartas na manga, a serem reveladas na próxima semana. Marquem na agenda: 19, 20 e 21 de julho.

Na primeira vaga de confirmações anunciadas em abril encontramos a morna e intensa música portuguesa dos Grandfather's House, um abanão rasgado e revigorante com os franceses SLIFT e uma energia fora deste mundo com os escoceses The Cosmic Dead. Juntamente com estes três nomes soubemos também que Baleia Baleia Baleia, The Lazy Faithful e os neozelandeses The Cavemen, completavam o primeiro trecho de confirmações.


Em maio, a organização voltou ao ataque e avançou com mais oito nomes: os heavy-psychers Ecstatic Vision, a banda de Braga Omie Wise (que editou em março do ano passado o EP de estreia 1808), o já tão conhecido por nós, O Gringo Sou EU, os portugueses Sunhui (que editaram novo EP homónimo em maio), Imploding Stars (que entretatanto colaboraram connosco em mais uma edição do 7 ao mês, aqui), os espanhóis Kings Of The Beach e ainda os  pych-rockers Astrodome e os Madrepaz.


Para a semana, a cerca de um mês do festival, é fechado o cartaz. O passe para os três dias ainda se encontra à venda pelo preço promocional de 12€, o que se formos a fazer as contas, traduz-se em pagar um café a cada banda ou um bagaço produzido localmente, para quem preferir. Como é, vamos tão ao Rodellus?

Podem tirar as vossas dúvidas e consultar todas as informações adicionais aqui.



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Tim Bernardes estreia-se a solo em Portugal já na próxima semana


O cantor e compositor brasileiro Tim Bernardes tinha algumas canções inéditas na gaveta que não cabiam no repertório d’O Terno, o grupo que mantém ao lado de Guilherme d’Almeida e Biel Basile desde 2012. Chegou então a altura de se fechar durante três meses num estúdio. Ali, sem os companheiros de banda, voltou o olhar para dentro e gravou violões, vozes, guitarras, baixo, bateria, piano e outras coisas. Tudo sozinho. Levantou, assim, aquele que viria a ser o seu primeiro disco a solo, Recomeçar, uma das maiores surpresas da música brasileira dos últimos anos.

Os primeiros concertos a solo de Tim Bernardes em Portugal acontecem já na próxima semana, a 14 de Junho na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa; a 15 de Junho na Casa da Cultura de Setúbal e, finalmente, a 16 de Junho, às 21h30, no Auditório de Espinho.



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quarta-feira, 6 de junho de 2018

[Review] Za! - Pachinko Plex


Pachinko Plex // Gandula/Lovers and Lollipops // abril de 2018
7.5/10

Oriundos de Barcelona, o duo irrequieto Za! lança o seu sétimo álbum de originais, de seu nome Pachinko Plex, em que demonstram uma sonoridade bastante dispersa no bom sentido. Como seria de esperar de qualquer banda de math-rock que se preze, os catalães demonstram uma apreciação pela arte de "moldar" som para criar cacofonia bizarra e indomável, rematada com um trabalho rítmico pouco ou nada ortodoxo, além do particular caso de contarem com influências de world music e electrónica, por exemplo.

Neste trabalho em particular, os Za! decidiram optar por dar descanso às guitarras e dar especial primazia a elementos mais incomuns em prol de um resultado mais experimental. O registo começa com "Ochate Zi Ô", que possui uma energia inegavelmente upbeat graças ao uso do mbila (variante do xilofone oriundo de Moçambique), com os seus loops a contagiarem o ouvinte com essa mesma energia e a determinar o ambiente geral para o resto do álbum. Após um interlúdio breve na forma de "Ochate Kie", "Test d'Estrès" demonstra o lado mais espalhafatoso, em que se brinca com texturas eletrónicas de natureza glitchy, um motif que se mantém noutro interlúdio, "Pachinko: Las Monedas".



A seguir vem "Pachinko: Riff Madre", que aposta demasiado no buildup, e como consequência começa assim a meio-gás, mas melhorando gradualmente, deixando o ouvinte na expectativa. Além disso, os sons usados são reminiscentes dos antigos videojogos de arcada, algo que se mantém na faixa seguinte "Avances 1 2 3", que é pura e simplesmente uma trip frenética. Depois vem "Maningue Nais", que demonstra ser outra faixa memorável, com a sua investida conjunta de trompete, electrónica e percussão tribal, depois seguido de uma espécie de continuação redux em "Maningue Nais: Maputo Plex". "Solo Chezz", por seu lado, demonstra uma faceta mais smooth, dando um contraste mais jazzy à parte mais agitada do alinhamento, tornando-se noutro highlight. "Pachinko: Tramuntana" fecha o álbum com revisita dos vários sons tocados ao longo do registo e revelando ser um fim sólido do álbum.

Em conclusão, este é um registo bastante aprazível, com energia e variedade suficientes para agitar até os mais duros de ouvido. Tem uns momentos em que descamba um bocado durante uma ou outra faixa, mas isso acaba por não ser muito grave, sendo um registo que faz recordar bandas como os Hella sem deixar de revelar uma identidade própria. Pachinko Plex fica assim recomendado para aqueles que queiram ter um serão bem passado, seja para abanar o capacete ou para uma sessão sonora regular.

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Neopop leva Clark e James Holden ao Teatro Sá de Miranda


O cartaz da próxima edição do Neopop estava aparentemente encerrado, a programação por dias já distribuída e os artistas confirmados. No entanto, a organização do festival surpreendeu-nos hoje com a confirmação de Clark e James Holden no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo. A premissa de levar o techno para além das muralhas onde decorre o festival confirma-se, com duas noites agenciadas pela Red Bull Music Academy. A primeira, dia 10 de agosto, conta com Clark na apresentação do seu mais recente disco Death Peak, novamente sob o selo Warp, e ainda a presença de Gpu Panic para a primeira parte. No dia seguinte, a noite celebra-se com James Holden e os seus Animal Spirits, que assinaram o excelente The Animal Spirits no ano transacto. Surma encarrega-se de apresentar o adorável Hemma durante a primeira parte.

Os bilhetes para cada uma das noites, disponíveis via tickteline e nos locais habituais, possuem o custo de 20 euros. O Neopop realiza-se de 8 a 11 de agosto.








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STREAM: SDH - Semiotics Department Of Heteronyms


O projeto de sintetizadores de  Andrea P. Latorre e Sergi AlgizSDH - sigla para Semiotics Department Of Heteronyms - está de regresso às edições desta vez com o LP de estreia homónimo que vem dar sucessão ao EP de três faixas Tell Them, editado em março deste ano pela italiana Avant! RecordsA dupla faz parte de bandas como Cønjuntø Vacíø e os post-punkers Wind Atlas, revelando em SDH um novo ato, mais orientado para a música pop e espacial e fortemente recomendado a fãs de artistas como Keluar, Zanias e Linea Aspera.

O disco de estreia, Semiotics Department Of Heteronyms é a prova disso mesmo: um total de oito canções que exploram essencialmente a synth-pop, polvilhada com os beats da EBM e do techno em tonalidades misteriosas, obtusas e sugestivas. Do disco, que já pode ser ouvido na íntegra abaixo, recomendam-se essencialmente a audição de temas como "The Scent", "Guilty And Gifted" e "She Uncovers Before Me".

Semiotics Department Of Heteronyms é editado esta quarta-feira (6 de junho) pelo selo Avant! Records.


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STREAM: Blume Attempt - Just Like You EP [Threshold Premiere]


Blume Attemptthe artistic identity of the Spanish artist based in Leipzig (Germany), Javier Vivancos - is a name that you surely won't forget over the next years. After a first EP under the Banned in Vegas label (Perpetual, 2016), he is now back to the scene with the first record through Hedonic Reversal seal, their second short-length Just Like You, a record where modern electronic experimental music interweaves with strong influences of the late 80's industrial music, in four tracks that are worth your attention (especially if you are fans of The Soft MoonNine Inch Nails, and Trent Reznor's work). 

About Just Like You, Javier Vivancos told us that he recorded the EP between December of 2016 and June 2017 and that "The whole EP is full of this details, some more obvious and others less (...) You can dive into your imagination with the names of the tracks. It's important to me make people feel part of the listening tracks". He also added that "For me, one inspiration was brought it back with that particular sound, that made me dive into music years ago" and that "the artwork was made by Miguel Sueiro and it fits really really well, that window, that guy, that mirror...". You can discover this amazing piece of music, Just Like You, in an exclusive stream below. We highly recommend the tracks "Seed (D.D.)" and "Youth".

Just Like You is out this Friday, June, 8th via Hedonic Reversal. You can buy the album here



On September Blume Attempt will be playing live in Berlin in a place yet to be disclosed. Stay tuned into his Facebook Page to catch the details.


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Raquel Ralha e Pedro Renato em entrevista: "É um misto de prazer imenso e respeito desmedido dar corpo a estas canções "


Trabalham juntos desde muito cedo. Não tão cedo ou quase tanto quanto a adolescência. Raquel Ralha e Pedro Renato, sentiram na pele outros projectos: Belle Chase Hotel, Azembla’s Quartet, Ellas e Mancines. E se o tempo conta? 

Conta. 

Em 2017 trazem pela Lux Records uma primeira edição em CD de The Devil’s Choice Vol. 1, um disco de versões e, arriscamos dizer de recriações de canções que terão marcado as suas adolescências. 

É um disco elegante, com uma produção cuidada e onde o universo adolescente veste os trajes da maturidade sem perder a rebeldia, revestindo de elegância estas canções que de antigas, se fazem novas. E soam mesmo a novas e retêm aquele gosto especial de que o “diabo” aprova. Dito isto no sentido questionável do que afinal, o que é o diabo?. Terá isto a ver com o ditado popular do “venha o diabo e escolha?” - Tudo tem a ver com escolhas e não é por isso de estranhar, que sejam estas as canções. Afinal, são mesmo as escolhas de Raquel Ralha e de Pedro Renato. Não é por acaso por isso, que agora vemos vir à luz do dia, um CD, e uma semelhante edição em vinil que se adivinha vir com alguns extras.

Leiam aqui a entrevista completa com o duo.

Tendo em conta o quanto pode ser variado o universo sonoro da adolescência e do que ouviam então, que julgo saber são a inspiração das vossas escolhas, como chegaram ao alinhamento final deste The Devils Choice Vol. 1?

Raquel Ralha e Pedro Renato - Como nos deparámos com um número infindável de possibilidades e tínhamos que tomar decisões para podermos começar a trabalhar nos temas, optámos por fazer a triagem com base numa escolha por temática, que permitisse dar uma coesão ao alinhamento do disco. 
Foi penoso deixar tantas músicas de fora da lista, mas foi o alinhamento decidido naquele momento e segundo os parâmetros que escolhemos. Noutra situação, a escolha poderia ter sido radicalmente diferente, mas o céu é o limite e, por isso mesmo, haverá seguramente um Vol.2, para podermos continuar o desafio, que corre sérios riscos de se tornar viciante.

Ao ouvir o vosso disco, é notável como apesar de juntar versões de artistas alguns até cronologicamente mais distantes uns dos outros, as canções como por magia parecem ser todas do mesmo autor. Como obtiveram essa sonoridade própria que percorre o disco?

Raquel Ralha e Pedro Renato - As influências musicais de ambos, têm imensos pontos em comum e mesmo as partes que divergem, deram o seu contributo. Inocentemente ou não, ainda acreditamos que temos uma visão diferente e própria, com algo a dizer ao mundo, em geral, e com algum contributo para a música, em particular. A sonoridade própria de que falas é só uma consequência de vários anos a trabalhar na música conjuntamente.

São recriações, ou versões? há distinção entre uma e outra, ou não…?

Raquel Ralha e Pedro Renato - No fundo, o foco foi dar algo de profundamente nosso ao disco e a cada tema em particular, homenageando ao mesmo tempo artistas que nos influenciaram e que, se calhar inconscientemente, nos fizeram querer fazer música. Este disco dá-nos uma sensação de fecho de círculo pessoal, de cumprimento de dívida de gratidão para com o universo musical e artistas que admiramos.


Foi editado em CD, e vai haver ainda lugar para um vinil. Há então algo no alinhamento que distinga uma da outra edição? Podem falar-me um pouco sobre isso?

Raquel Ralha e Pedro Renato - O CD single tem "Nerves" (Bauhaus), que não está nem no CD, nem no vinil. A edição em CD tem "Strange Days" (The Doors), "The Future" (Leonard Cohen) e "Nine Million Rainy Days" (The Jesus & Mary Chain) que não estão no vinil. A edição em vinil tem "A Question of Lust" (Depeche Mode) e "People Are Strange", que não estão no CD. De fora ficou ainda uma das primeiras versões gravadas ("Right Now" – The Creatures), que será editada na compilação Cover de Bruxelas Sessions com o selo da Lux Records.

A vosso ver e como músicos, entre David Bowie, Siouxsie & The Banshees, Leonard Cohen e John Lennon, apenas para nomear alguns… qual foi a versão neste disco que foi mais difícil de conseguir?

Raquel Ralha e Pedro Renato - Talvez a versão do David Bowie – "I’m Deranged" – facto que se revelou ainda mais gratificante após o nosso agrado com o resultado final.

Há harmónios, mellotrons, toy pianos, - esta recriação retrocede no vosso tempo, um tempo muito mais além e até anterior da vossa adolescência. Quiseram manter esse lado mais vintage da escolha dos arranjos misturado com a modernidade?

Raquel Ralha e Pedro Renato - Quando chegámos ao estúdio Blue House, dos nossos amigos Jorri e João Rui (A Jigsaw), deparámo-nos com uma grande variedade de instrumentos. Sobretudo teclados, alguns que estamos habituados a usar e outros menos, o que, à partida, nos motivou a seguir um caminho com mais teclados do que seria normal, embora a utilização desses instrumentos vintage seja uma característica que nos tem acompanhado ao longo da carreira, por isso não é um território de todo desconhecido para nós.

Há também um lado certamente mais diabólico na escolha do título do disco e nos temas escolhidos apesar de alguns serem musicalmente mais ensolarados do que outros.  O que têm a vosso ver estes artistas em comum? Será esse lado mais negro?

Raquel Ralha e Pedro Renato - Os pólos do Bem e do Mal, são as grandes forças que nos regem nesta vida. Não há volta a dar. E ao escolhermos estes temas, pelos temas em si e pela temática obscura ou atormentada que os caracteriza, homenageamos esse lado mais negro que todos os artistas, em alguma fase das suas vidas, precisaram de exorcizar, e ainda bem. Porque há muita coisa de bom a aprender com o "Mal" e dele emana uma força incrível que se (em)presta à criação. Andrei Tarkovsky dizia: “(...) O horrível e o belo estão contidos um no outro. Em todo o seu absurdo, este prodigioso paradoxo alimenta a própria vida, e, na arte, cria aquela unidade ao mesmo tempo harmónica e dramática.”



Têm canções já em aberto para uma nova incursão? Uma vez que The Devils Choice Vol. 1 nos deixa na expectativa de uma continuação.

Raquel Ralha & Pedro Renato - Temos uma (ainda) pequena lista de temas para um Vol.2, sim, e esperamos começar a trabalhar no próximo disco em breve.

Ao vivo, depois do trabalho de estúdio, como é transportar estas canções, estes clássicos, para o palco?

Raquel Ralha & Pedro Renato - É um misto de prazer imenso e respeito desmedido dar corpo a estas canções e poder, através delas, exteriorizar um pouco de nós também. É de referir que uma das razões que levou à realização deste projecto foi a nossa necessidade de criar uma estrutura mais pequena que nos permitisse andar na estrada e, como tal, para além de nós os dois, tentamos sempre ter um outro músico connosco, mas não mais que isso, o que leva a que tenhamos sempre em palco um computador que dispara parte dos instrumentais que a logística não permite recriar ao vivo.

E, já agora quando os vamos poder escutar e ver ao vivo. Estão planeadas datas próximas para colocar nas nossas agendas?

Raquel Ralha & Pedro Renato - A próxima data será em Coimbra, no Teatrão, no dia 9 de Junho, para celebrar a recente edição de The Devils Choice Vol. 1 em formato vinil . Estão mais datas por confirmar, mas, posteriormente, iremos actualizando essa informação na nossa página do Facebook.


Entrevista por: Lucinda Sebastião

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terça-feira, 5 de junho de 2018

Reportagem: King Dude [Sabotage Club, Lisboa]


Sábado, 2 de junho. 

Noite de King Dude no Sabotage. Há um compasso de espera lá dentro, ouve-se Joy Division, conversa-se e entre beijos e abraços dos reencontros, começam a formar-se as habituais fileiras de gente em busca de um lugar o mais à frente possível do palco. Ali, junto ao piano, o microfone, uma mesa e uma guitarra encostada. À espera de King DudeO bar, está ladeado de conversas e o Sabotage a pouco e pouco começa a compor-se e assim, de repente e em noite de arraiais na rua, há imensa gente a descer pelas escadas e começo a pensar se caberemos todos ali. 

22h56, onde anda King Dude? - e há canções de Rowland S. Howard a disparar pela cabine do DJ, Brian Eno e Nick Cave por entre conversas e ruídos de quem chega e quer ver o mesmo. 

23h19, o reflexo dos projectores vermelhos da bola de espelhos no tecto, ficaram estáticos, parados. E baixam as luzes, e pára tudo. O inventor do estilo luciferiano, King Dude entrou, fez-se silêncio. 

Kind Dude

Apenas uma noite depois do concerto no Hard Club, no Porto, e uma noite antes de seguir para a Stereogun de Leiria, Thomas Jefferson Cowgill mais conhecido por King Dude, não aparenta qualquer sinal de cansaço. E a primeira canção surge perante uma atenta e silenciosa audiência "Deal With The Devil" e… 'Cheers!' diz ele, e mais três golos do whiskey do Tennessee e uma saraivada de palmas em resposta ao brinde. Olha fixamente para o horizonte algures entre a luz e a escuridão e diz que 'não vislumbra ninguém, mas sabe que estamos lá'. E de olhar maroto, maroto é o sorriso também, dá início a uma série de canções com a sua dark folk iluminada por aquele que ele diz ser o seu amigo Lucifer. E há coros a entoar da plateia, público certinho, certinhos no refrão da letra, e mais parece uma reza a um pai que não habita as missas ao domingo: "Lucifer's The Light of The World, Lucifer's The Light of The World, Lucifers The Light…", entoam - Stand-up comedy da folk ultra negra, é isso. Gargalhadas e palmas e silêncios numa interação sem adereços. King Dude é um bom conversador e sabe fazer rir e mandar calar enquanto canta as suas estórias apocalípticas e infernais. 

Kind Dude

O foco de luz mantém-se vermelho e estático, a bola de espelhos também. Aliás, King Dude, não é propriamente um apreciador de flashes, de strobes ou de selfies. Daí que todo o concerto tenha sido iluminado maioritariamente a vermelho e de um branco cinzento, e também ninguém ousou uma pose ou filmagem mais arrojada junto do palco. Canções como "Jesus In The Cortyard", "Born In Blood", "River Of Gold" de entre outras foram cantadas no timbre grave e sombrio que o caracterizam em discos como Songs of Flesh & Blood - In The Key of Light (2015) e Sex (2016). Na guitarra e com duas músicas apenas ao piano, deu a conhecer ao vivo um inédito (ainda) sem nome, conseguindo surpreender também a audiência pela versão acústica de "State Trooper" de Bruce Springsteen. Foi o delírio. 

Kind Dude

Já no final terminou o concerto com um 'venham ter comigo, tenho discos para vocês'. Ele por ele, 'tocava ali todas as noites da semana seguinte' dizia, 'ficava aqui a viver' e da plateia ofereceram-lhe casa, gatos e sofá.

Fotogaleria completa aqui ou ali em baixo.

King Dude [Sabotage Club, Lisboa]

Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Virgílio Santos

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Phoenician Drive com várias datas em Portugal

phoenician-drive-concertos-portugal



Os belgas Phoenician Drive regressam a Portugal depois de uma presença fugaz, mas marcante, no último MIL - Lisbon International Music Network em Abril passado. A identidade sonora da banda consiste em rock psicadélico que contém influências exóticas oriundas do Médio Oriente, Norte de África e Mediterrâneo. 



 
Com o EP de estreia Two Coins editado via EXAG' Records e Stolen Body Records - que podem ouvir em cima - e ainda um LP a ser lançado no próximo Outono, eles têm vários concertos em território nacional durante o mês de junho. Segue o calendário de concertos em baixo.


6 de junho - MusicBox (Lisboa)
de junho - Texas Bar (Leiria)
de junho - DRAC (Figueira da Foz)
de junho - Piolho (Praia da Tocha)
10/Junho - Woodstock 69 (Porto)

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Tajak em Portugal

Foto de Sergio Castro

Os Tajak são uma banda baseada no México e dedicam-se à exploração dos limites da rock psicadélico e o seu cruzamento com os domínios do kraut, do space e do noise. E este ano, eles vão estrear-se no continente europeu pela mão da Floc de Neu. Os Tajak iniciam a sua tour europeia no dia 6 de setembro, no Porto e depois disso tocam em Aveiro (7/09/2018), Fafe (8/09/2018) e em Bragança (9/09/2018). Mais datas surgirão em breve de acordo com a publicação oficial da Floc de Neu, mas de momento são estas 4 datas as únicas em Portugal. Abaixo deixamo-vos todas as datas da digressão europeia dos Tajak confirmadas até à data, bem como "Blind Inside (El 20 que me debes)", um tema retirado de Amsterdam 211, o mais recente LP do coletivo. 


September 6 - Porto, Portugal
September 7- Aveiro, Portugal
September 8- Fafe, Portugal
September 9- Bragança, Portugal
September 11- Bordeaux, France
September 12- Toulouse, France
September 13- Rouen, France
September 14- Bristol, England
September 15- Manchester, England
September 18- Paris, France
September 19- Brussels, Belgium
September 20- Ghent, Belgium
September 21- Bielefeld, Germany
September 22- Berlin, Germany
September 23- Hamburg, Germany
September 29- Eindhoven, Netherlands
October 3- Bologna, Italy
October 4- Rome, Italy
October 6- L ' Aquila, Italy

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IDLES anunciam novo disco e regressam a Portugal em novembro


Os IDLES ainda nem se estrearam em solo nacional (que acontece este fim-de-semana no NOS Primavera Sound) mas já têm regresso marcado em nome próprio para Portugal, em novembro, para duas datas no Porto e Lisboa. O hype é grande desde o aclamado disco de estreia Brutalism e todos queremos ver o punk irreverente da banda inglesa em sala. Marquem nas vossas agendas 26 e 27 de novembro no Hard Club, Porto e LAV, Lisboa, respetivamente. Os bilhetes começam a ser vendidos esta sexta-feira e os concertos são agenciados pela Everything Is New. Podem encontrar os pormenores adicionais aqui.

Além do regresso ao país os IDLES também anunciaram o sucessor de Brutalism (2017), que se chamará Joy as an Act of Resistance, do qual já tinha sido anteriormente divulgada a faixa "Colossus" e, agora, "Danny Nedelko", baseado no nome de um de um amigo dos mais próximos da banda (e imigrante ucraniano). O disco aponta para tudo, desde a masculinidade tóxica, nacionalismo, imigração e desigualdade de classes – tudo isto enquanto mantém entranhada uma positividade contagiante. Nas palavras do vocalista Joe Talbot
"This album is an attempt to be vulnerable to our audience and to encourage vulnerability; a brave naked smile in this shitty new world. We have stripped back the songs and lyrics to our bare flesh to allow each other to breathe, to celebrate our differences, and act as an ode to communities and the individuals that forge them. Because without our community, we’d be nothing".


Joy as an Act of Resistance tem data de lançamento prevista para 31 de agosto pelos selos Partisan Records/Pias Ibero América.



Joy as an Act of Resistance Tracklist: 

01. Colossus 
02. Never Fight a Man With a Perm 
03. I’m Scum 
04. Danny Nedelko 
05. Love Song 
06. June 
07. Samaritans 
08. Television 
09. Great 
10. Gram Rock 
11. Cry To Me 
12. Rottweiler

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Já estão à venda os bilhetes para o Fabrika Records Fest


O Fabrika Records Fest - um festival da editora Fabrika Records que integra no seu alinhamento She Past Away, Lebanon Hanover e Selofan - vai passar por Portugal a 16 de novembro em mais um episódio relâmpago do FadeInFestival que este ano já trouxe a Leiria nomes como Fee Reega e King DudeAmbas as bandas que integram o cartaz já passaram por edições passadas do festival Entremuralhas e regressam ao país em novembro para apresentar os seus mais recentes discos num mini-festival que promete celebrar a nova onda da cena post-punkdarkwave e coldwave numa das salas mais futuristas do país, a Stereogun.


Os bilhetes foram disponibilizados para venda esta terça-feira (5 de junho) com o preço único de 25€ + consumo de uma bebida e, apesar de ainda faltarem cinco meses, recomenda-se a compra antecipada uma vez que este evento tem uma lotação limitada a 220 pessoas. Os concertos têm início previsto para as 23h00. Podem encontrar todas as informações adicionais aqui e comprar o bilhete aqui.

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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Fotogaleria: The Men [Maus Hábitos, Porto]


Foi na passada quarta-feira que os The Men iniciaram em Lisboa a sua digressão portuguesa. Os norte-americanos visitaram-nos pela última vez no ano de 2012 e desde então, lançaram 4 álbuns: New Moon (2013); Tomorrow's Hits (2014); Devil Music (2016); Drift (2018). O regresso dos The Men deu-se na sequência da edição de Drift, um LP editado este ano e foi no palco dos Maus Hábitos que assistimos ao concerto dos americanos. 

Abaixo deixamo-vos a fotogaleria do concerto.


The Men [Maus Hábitos, Porto]

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Colado leva Sunflowers, Elephant Maze e mais ao Titanic Sur Mer


A promotora lisboeta Colado vai levar ao Titanic Suer Mer, no dia 15 de junho, as bandas Sunflowers, Elephant Maze, SunKing e Cíntia, em conjunto com um dj set inédito Quelle Dead Gazelle vs NOOJ

Serão 8 horas de música que marcam a despedida da promotora antes de uma pausa na sua programação, que durará até setembro. Os bilhetes só estarão disponíveis à porta do evento, tendo o valor de 7 euros. Mais informações podem ser encontradas aqui.

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Reportagem: King Dude [Hard Club, Porto]


Na passada sexta-feira, 1 de junho, o Hard Club recebeu o primeiro dos três concertos que King Dude, projeto liderado por Thomas Jefferson Cowgill, tinha agendado em Portugal. Na bagagem trazia Sex (2016), temas do novo álbum – que mais tarde nos diria vir a chamar-se Music To Make War To – e, acima de tudo, uma boa disposição garantida pelo seu estado embriagado que proporcionou a todos os presentes uma noite bem passada num concerto totalmente intimista e muito interativo entre o artista e o público que marcou presença. 

Agendado para as 22h00 o concerto de King Dude teve arranque pelas 22h22, com Thomas Jefferson Cowgill a subir a palco para apresentar a sua folk luciferiana, num espaço preenchido por três candelabros com velas, a sua guitarra preta, dois microfones e ainda um teclado. King Dude subiu a palco sem palheta e foi graças a alguns elementos do público que pudemos assistir à irrepreensível decadência romântica, apaixonada e genuína de King Dude. A abrir a noite com o tema "Deal With The Devil", começavam também a chegar-se à frente vários dos espetadores para um início de concerto onde a setlist, mais tarde, acabaria por ser à escolha do público. 

King Dude

Sem saber muito bem o que tocar e com um "How’s going Porto? It's great to be here thanks to the pic man" King Dude fez ecoar no Hard Club "Jesus In The Courtyard", pedindo ao público presente para cantar juntamente com ele. Seguiram-se "Witch's Hammer", "Desolate Hour" e o primeiro dos vários diálogos que King Dude teria com o público do Porto "(…) I need to be in constant cold environments in order to retain any liquids in my body", "Drink More!" – disse alguém do público, prontamente respondido por Cowgill com "That could be part of the problem, but my doctor is a dick I don't like him, I don't listen to him, if he was nice I might go, 'ok I will listen to him'. (…) I went to the doctor, not too long ago, for an unrelated thing, we don't need to talk about that, it's private, fuck you guys, I'll tell you later just after I drink more (…)King Dude foi sempre super teatral e, entretanto, foi-nos contando a sua história de não saber dizer ao médico quanto álcool consumia no prazo do mês, nem de uma semana. No prazo de um dia, afirmou ainda que "If I'm on tour half of a bottle of Jack Daniel's Whiskey (…) Cheers! (…) Let’s make an afterparty! (…)". 


King Dude

Seguiu-se "Lucifer's The Light Of The World" que nos presenteou com um dos momentos mais marcantes nesta experiência espetador-performer, onde King Dude ia cantando umas partes da música e o público respondendo com as restantes. A plateia do Porto pôde ainda ouvir uma cover do tema "State Trooper", original de Bruce Springsteen. "I might be a king but there is only one boss (…) I love Bruce Springsteen let me tell you (…) Well at this point of this act I don't know what I’m doing so (…)", ao que alguém do público pediu "Vision in Black", a primeira das músicas que seria interrompida pelo esquecimento de King Dude. "Can you choose songs I know?", acabaria por dizer Cowgill mais tarde. 

Ao longo de todo o seu act, King Dude soube colocar uma grande parte dos espetadores a rir-se, naquele que poderia facilmente ser descrito como um concerto com stand-up comedy incluída. Na performance do Porto pudemos ainda ouvir novas músicas do novo disco Music To Make War To, a sair no próximo mês de agosto pela Ván RecordsThomas Jefferson Cowgill ainda nos surpreendeu em formato piano, tendo voltado posteriormente à guitarra para tocar entre outras, "Barbara Anne", música que deu por encerrada a sua performance na Invicta. 


King Dude

O concerto de King Dude fechou a primeira temporada de concertos da promotora At The Rollercoaster que este ano já trouxe à cidade do Porto bandas como SEXTILE, Tricky, SlowdiveFields Of The Nephilim, Christian Death, The KVB, Second Still, Whispering Sons, Dead Sea e Bal Onirique. A mesma promotora está responsável pelo regresso das bandas The Soft Moon, Iceage e Wire nos meses de outubro e novembro de 2018. Todas as informações destes concertos seguem aqui.


King Dude [Hard Club, Porto]

Fotogaleria completa aqui.
Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Helena Granjo

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