sábado, 28 de julho de 2018

Oiçam: Lascaille's Shroud


Basear o conceito de um álbum numa história de ficção científica não é algo revolucionário e mesmo no mundo do heavy metal existem inúmeros exemplos notórios, como os Vektor ou Ayreon. Ainda assim, a forma como Brett Windnagle o realiza, através do seu projeto Lascaille’s Shroud, merece ser destacada.

O multi-instrumentista americano é o cérebro de toda a operação, tratando não só de todos os instrumentos e trabalho de produção mas também das narrativas abordadas nos seus discos. O nome do projeto deriva de uma anomalia espacial construída por seres alienígenas nos livros da saga Revelation Space, do autor galês Alastair Reynolds, e Brett acaba por se inspirar não só nestas obras mas também nos videojogos Mass Effect e outros livros, como Ring de Stephen Baxter, abordando diversas temáticas como nanotecnologia e inteligência alienígena. Quanto à sonoridade explorada, podemos classificar a música como death metal progressivo e, acima de tudo, épico, com composições habitualmente longas e repletas de detalhes.


Em 2012 lançou o primeiro EP, Leaving Earth Behind, com 5 faixas e uma duração de 45 minutos, demonstrando de imediato a sua incrível capacidade em criar mundos futuristas. No ano seguinte editou Interval 01: Parallel Infinities - The Inner Universe, o primeiro capítulo de uma história que viria a ser terminada em 2014 com Interval 02: Parallel Infinities - The Abscinded Universe


Ambos os álbuns podem ser uma audição pesada para a maioria dos ouvintes devido à sua extensiva duração (72 e 123 minutos), mas a consistência de cada uma das composições e o facto de nunca deixarem de ser desafiantes e envolventes ajudam a ultrapassar esta barreira. A tensão de cada peça é desenvolvida com um ritmo apropriado e a manipulação da sua dinâmica é outra característica forte de Brett. Os seus vocais ríspidos são ocasionalmente acompanhados por vozes mais melódicas de convidados do músico e, além de todos os riffs e solos presentes em abundância, existem também secções com piano e orquestrações mais clássicas. A produção é outro ponto essencial do projeto, conseguindo criar um ambiente spacey que facilmente nos envolve no universo das suas aventuras através de guitarras consistentes, samples de videojogos e uma clareza vocal inesperada para uma produção “caseira”. Ambos os álbuns podem ser descarregados gratuitamente no Bandcamp do projeto.

Em 2016 foi editado The Roads Leading North, com dois discos, cerca de 128 minutos de duração e voltando a abordar uma história original de Brett. O músico conseguiu desta vez editar uma versão física do álbum e produzir algum merchandising através de uma campanha de crowdfunding, demonstrando que o projeto tem uma pequena legião de fãs acérrimos. Este ano promete ser um dos mais produtivos do grupo com o prometido lançamento do quarto longa-duração, desta vez baseado num livro e composto por uma única peça de cerca de 40 minutos, mas também com o anúncio de planos para um quinto e sexto álbuns.

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sexta-feira, 27 de julho de 2018

5 sets que fizeram do Elétrico um festival imperdível


A primeira edição do festival Elétrico teve lugar no Parque da Pasteleira, no Porto. Durante três dias, esta nova entrada no panorama dos festivais nacionais proporcionou uma programação cuidada e seletiva, equilibrando o cartaz com alguns dos nomes mais estabelecidos do circuito das pistas de dança (Larry Heard, Nightmares On Wax, Honey Dijon), e novas promessas do panorama (Sonja Moonear, Call Super, SIT). Nem tudo foi um mar de rosas, já que a sensação sul-coreana Peggy Gou acabaria por cancelar a sua performance no último dia do festival por motivos alheios à organização. Nada disto se tornaria impedimento para o decorrer de um evento que provou ser extremamente positivo, aliando o melhor da música de dança à natureza do parque, arte, tecnologia e meditação. 

Aqui ficam os cinco sets que fizeram do Elétrico um evento inesquecível.


Call Super

O trabalho de Call Super ramifica-se em duas vertentes: de um lado temos o de um produtor exímio, onde assina alguns dos registos mais intrigantes da eletrónica arrojada e edições pela Houndstooth. Do outro, encontramos um cuidadoso selecionador dos temas que marcam o passado e o presente da música direcionada para as pistas de dança. Ao vasto conhecimento de Joseph Seaton (o verdadeiro nome do produtor sediado em Berlim), junta-se a experiência e a presença constante em festivais badalados como o Sónar e Dekmantel. Perante um público tímido mas receptivo, o produtor e dj britânico apresentou um dos sets mais seguros do primeiro dia de festival. Discreto mas elegante, Seaton manteve um registo coeso e simples ao longo das duas horas de performance que, não sendo expansivas, demonstraram ser mais do que suficiente para acompanhar o bonito fim de tarde no parque.


Nightmares On Wax

Um dos nomes sonantes a integrar esta primeira edição do Elétrico foi Nightmares On Wax. Porta-estandarte da bleep techno, Georges Evelyn ajudou a definir os primeiros dias da britânica Warp com dezenas de edições pela conceituada editora desde o final da década de 80. O passado raver de Evelyn e companhia evoluiu desde então para uma mescla eclética de sonoridades mais calmas e downtempo, e os seus sets são feitos de uma expansiva e cuidada escolha musical que vai dos clássicos boom bap da costa este americana à bossanova, passando pelo roots reggae, a soul, o funk e a trip-hop que tanto estimou durante o período dourado dos 90’s. Desempenhando o papel de dj e, esporadicamente, hype man, Georges Evelyn proporcionou duas horas de boa disposição e groove, abrindo as hostes para o lendário Larry Heard ao som do “Pick Up”, o mais recente clássico de DJ Koze.


Larry Heard aka Mr. Fingers

Ter a oportunidade de assistir a uma performance de Larry Heard ao vivo é ter a oportunidade de assistir (e viver) um pedaço de história. O seu percurso como um dos cérebros da música house fez do natural de Chicago uma das figuras mais icónicas e incontestáveis do género. Seja em nome próprio, como Mr. Fingers ou com os seus Fingers Inc. (trio que o juntava a Robert Owens e Ron Wilson), Larry Heard destacou-se desde cedo pela sua mestria como músico e produtor. Ao amor nutrido pelo sintetizador e as batidas juntou-se o respeito e admiração pelo jazz, apoiado por linhas densas e sedutoras de baixo que viriam a fazer escola. O estatuto de cabeça de cartaz do último dia do Elétrico era, portanto, mais que merecido. Heard não perdeu tempo na sua estreia absoluta em solo português e disparou de imediato tiros com a poderosa “Mistery Of Light”, antecedida apenas por uma curta introdução de sintetizador e vozes executadas no momento. Ao lado de Chad White (aka Mr. White), a dupla apresentou uma performance irrepreensível com algumas das faixas mais badaladas do norte-americano que se demonstrou sempre humilde e sorridente, percorrendo um alinhamento intocável por onde passaram temas como “What About This Love”, “The Sun Can’t Compare” e uma “Can You Feel It” cantada que finalizou um set simplesmente mágico.


Delano Smith 

A performance de Delano Smith foi o exemplo perfeito do que é um set simples e eficaz. O dj e produtor natural de Chicago conta mais de 20 anos no circuito e reside atualmente em Detroit. A sua música é resultado da união entre estas duas mecas da música de dança, juntando a classe do house ao minimalismo e intensidade do techno. Na sua apresentação no Elétrico, o norte-americano presenteou o público com boas doses de bpms e as batidas secas e diretas da velha guarda da house. Sem virar costas ao presente, Delano equilibrou o seu alinhamento com alguns dos temas mais frescos do momento, dando lugar (também ele) à vivacidade de “Pick Up”, do supracitado DJ Koze. Direto, versátil e confiante, Delano executou um set seguro capaz de comprovar a intemporalidade do género.


Honey Dijon 

Honey Dijon foi o nome encarregado de fechar a primeira noite do Elétrico. A dj e produtora transgénero, ícone queer e rainha das pistas de dança underground celebrou a liberdade e o orgulho com um set expansivo composto pelos temas que marcaram o bom e velho house. Livre de experimentalismos e preocupações exacerbadas com a destreza, Dijon procurou proporcionar, acima de tudo, um clima festivo e animado sem espaço para tabu e censura. Houve espaço para euforia e dança, mas também consciência política. Talvez por isso “This Is America” tenha integrado o seu alinhamento, aqui em jeito de remistura. A premissa de se assumir como uma “dj para festas” foi mais que sucedida, encerrando a primeira noite com um alinhamento multicolor de linhas de baixo poderosas e beats triunfantes.

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MAXIM - "White Bass" (video) [Threshold Premiere]


MAXIM is a name that will sound as news to a lot of people - in fact, the 19-year-old Parisian singer/rapper is still a fresh face on the hip-hop and R&B scene, but as soon as you start listening to his tracks, you easily get why you should have heard about him sooner. 

He first started making songs at the tender age of 16 and his Soundcloud page holds hits dating to 2016. His 2017 release, Liquor Stories, is a 4 track EP packed with smooth beats merging soul, R&B and hip-hop in a seamless manner, sitting somewhere in between the suave feelings of James Blake and Justin Timberlake and the delivery of Denzel Curry.


"White Bass", his new song, however, mingle closer with a jazzier approach to contemporary R&B, with a sound close to what you could expect from Frank Ocean circa his groundbreaking channel ORANGE. The production and mixing were handled by B$C who creates the ideal syncopated landscapes that further elevate the voice of MAXIM. The video, a national debut, is directed by Maxime Kathari and produced by Mathieu Cacheux and features the laidback ostentation of the rising star with a strong spirit of union and recollection/homage for his background. In it, we travel with the young Parisian artist, his music and his moves through lush yet relaxing and realistic shots between Paris and Los Angeles, two cities that hold, such as MAXIM, sophistication, and simplicity. 


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Bruma regressam com "Abel"


Falta pouco tempo para os Bruma mostrarem ao mundo o seu primeiro longa-duração de carreira, acontecimento esse, que está agendado para o próximo dia 2 de setembro em mais uma edição do Trabalho da Casa, no gnration em Braga (todas as informações adicionais aqui). Este novo registo, homónimo, chega dois anos depois do lançamento de Pesadelo - EP de cinco faixas cuja sonoridade explora as vertentes da música jazz e blues - e ganha agora mais uma faixa, "Abel".

"Abel" é a segunda faixa divulgada e chega quatro meses depois de "Espasmo". Como novidade neste novo trabalho, os Bruma experimentam o sampling e os sintetizadores convidando ainda Fernando, vocalista dos rockers Bed Legs e a solo enquanto Ângela Polícia, para uma participação especial no tema "Soldado com Chumbo". O objetivo dos Bruma é claro: continuar a experimentar e inovar de música para música. Fiquem então com "Abel".


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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Os concertos do Extramuralhas na Stereogun


A menos de um mês da nona edição do festival gótico, que este ano desce à cidade de Leiria em formato Extramuralhas, começa-se também a projetar o que se vai ver poder ver nos novos palcos do festival. Das doze bandas que compõem o line-up, três delas atuam na Stereogun, uma das salas mais futuristas do país que abraça assim duas das nove estreias agendadas em território nacional. A Stereogun abre portas nos três dias de festival para os três últimos concertos de cada dia do festival Extramuralhas, que têm uma lotação limitada a 220 pessoas. O que poderemos então nós ver?


23 de agosto | 00h00

S.A.D - SUDDEN AXIS DISORDER

Os londrinos S.A.D. - Sudden Axis Disorder sobem ao palco da Stereogun pelas 00h00 para apresentarem temas como "Money From Savages", "Wasser", "She’s Gone", "Plutocrata Precariat", entre outros que moldam o início da carreira do trio formado por Sebastian Bartz, Alex Wolf e Gabriele Verzier. A banda, cuja sonoridade traz influências de nomes como Psychedelic Furs, Drab Majesty, The KVB, Ulterior, entre outros, apresentará na Stereogun o seu post-punk de estética neorromântica, num concerto imperdível.

Os bilhetes para o concerto dos S.A.D. - Sudden Axis Disorder têm o custo de 7,50€ + consumo de uma bebida. Todas as informações adicionais seguem aqui.






24 de agosto | 01h30

BRAGOLIN

Os holandeses Bragolin - uma das mais novas revelações dentro do panorama do revivalismo do post-punk da atualidade - estreiam-se em Portugal para encerrar o segundo dia de festival Extramuralhas. Oriundos da cidade de Utrecht, a dupla formada por Edwin van der Velde  (Zwarte Poëzie) e Marie Karssenberg apresenta em Leiria o disco de estreia Bragolin, editado em março deste ano. Com uma sonoridade que se aventura pelos terrenos do post-punk e da dark-wave, o som límpido dos Bragolin é construído através de guitarras barítonas, órgãos, sintetizadores e caixas de ritmos que prometem aquecer a temperatura na Stereogun. Dançar sem parar.

Os bilhetes para o concerto dos Bragolin têm o custo de 7,50€ + consumo de uma bebida. Todas as informações adicionais seguem aqui.





25 de agosto | 01h30

BIZARRA LOCOMOTIVA

Os portugueses Bizarra Locomotiva são a banda responsável pelo encerramento deste renovado Extramuralhas. A banda de Rui Sidónio, Miguel Fonseca, Alpha e Rui Bertonpercussora do movimento industrial no nosso país celebra 25 anos de carreira que serão revividos no último concerto da nona edição de festival gótico

Na bagagem trazem Mortuário, o mais recente disco editado em 2015 pela Rastilho Records e todo o seu trajeto estético de letras inteligentes, imagéticas e repletas de alusões sórdidas.

Os bilhetes para o concerto dos Bizarra Locomotiva têm o custo de 10,00€ + consumo de uma bebida. Todas as informações adicionais seguem aqui.




Além dos bilhetes separados para cada concerto, para quem tiver interesse em assistir aos três concertos do Extramuralhas na Stereogun, a Fade In disponibiliza ainda um passe para os concertos da Stereogun que pode ser adquirido aqui, tendo um preço de 20€ + consumo de 1 bebida por dia.



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Ele Ypsis anunciam novo disco, Linga Dei


Um ano após a edição do bastante aclamado Meiosis, os Ele Ypsis - dupla que une a vocalista e compositora Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Igorrr, Corpo-Mente, Öxxö Xööx) ao compositor e produtor Stélian Derenne - regressam às edições em setembro com Linga Dei, aquele que vem a ser o quarto disco de estúdio da dupla, do qual já é possível ouvir o primeiro tema de avanço, "Oro", que não tem outro significado além do som que produz na cabeça da pessoa enquanto o lê. Sobre este novo Linga Dei, Stélian Derenne avança que:
"The concept was to take the core idea of meiosis (previous album) to a higher level of complexity, emotion, power, catch the ear of the listener through a music we wish to be unprecedented and from which you can't stay indifferent. The best example of this, in my opinion, is the track named Linga Dei n°8, containing 21.000 notes, going in many different directions."
No processo de gravação do disco participaram ainda Robyn Buttery, em algumas gravações de violino e o violoncelista Liam Morrisey. O tema "Oro" pode agora ser ouvido abaixo. Podem ainda ver um teaser do que se puderá esperar de Linga Dei aqui.



Linga Dei chega às prateleiras a 21 de setembro.


Linga Dei Tracklist:

01. Axis Mundi (Intro) 
02. Obsidia 
03. Oro 
04. Turmali 
05. Syngue Sabour 
06. Chaoskra 
07. Enso 
08. Linga Dei

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Le Baguette II leva Calcutá e Trovador Falcão ao Sabotage


A French Sister Experience, comunidade de artistas portugueses formada por Chinaskee & Os Camponeses, CAIO, Môno!, SunKing e Miguel Estrada e Os Cobra Cega, está a preparar a segunda edição do Le Baguette no Sabotage Club. Em palco vão estar Calcutá, projecto a solo de Teresa Castro, guitarrista e vocalista dos Mighty Sands, apresentando-​se agora num novo formato ao vivo, com Rui Antunes e Violeta Azevedo, e Trovador Falcão, o também projeto a solo de David Simões, baixista de Chinaskee & Os Camponeses, SunKing ou baterista de CAIO. O jovem multi instrumentalista vai apresentar o seu EP de estreia, Melros, lançado pela French Sister Experience, composto por 4 faixas que falam de amores, desamores e viagens no espaço e tempo. As portas abrem às 22h30 e os bilhetes custam 6€.


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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Whispering Sons abrem para The Soft Moon


Cinco meses depois de terem dado dois concertos em Portugal os belgas Whispering Sons vão regressar ao país para fazerem a abertura dos dois concertos dos The Soft Moon que acontecem a 12 de outubro no RCA em Lisboa e a 13 de outubro no Hard Club, Porto, pelas mãos da promotora At The Rollercoaster.

Os Whispering Sons formaram-se em 2013 e apresentam uma sonoridade essencialmente post-punk que respira desespero e nervosismo, sendo traduzida numa atmosfera sinistra. Ao país a banda traz Endless Party, o primeiro EP editado em 2015. Um ano depois na casa Weyrd Son Records editam os singles "Performance" e "Strange Identities" e, mais recentemente, lançam "White Noise". Além destes a banda deverá apresentar também alguns dos temas do álbum de estreia que segue ainda sem pormenores adicionais.

Os bilhetes para os concertos em Lisboa e Porto já se encontram à venda e custam 20€. Todas as informações para o concerto do Porto podem ser encontradas aqui e para o concerto em Lisboa aqui.


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Indie Music Fest 2018 com cartaz completo



O Indie Music Fest acabou de confirmar os últimos nomes do seu cartaz. Mundo Segundo, Conan Osiris, Luís Severo, Vaarwell, Prana, Omodo, The Jaqueline, DON PIE PIE, Pântano, Rei Bruxo e Glaucoma juntam-se a outros nomes como Throes + The Shine, Keep Razors Sharp, Yuzi, Filipe Sambado e os Acompanhantes de Luxo, entre outros.

O melhor micro-festival português, já na sua sexta edição, tem agora os passes-gerais à venda nos locais habituais a 25 € (preço disponível até 31 de Agosto).








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ZigurFest 2018 com cartaz fechado



“...fazer de Lamego a cidade definitiva para ver, ouvir e sentir a nova música portuguesa.

Está lançado o mote para a oitava edição do ZigurFest. A cidade considerada histórica e monumental torna-se um palco de grandes dimensões de 29 de Agosto a 1 de Setembro, onde o cabeça de cartaz é a banda que ouviremos a seguir e onde nos sentimos em família para celebrar esta bonita festa.

Com o Teatro Ribeiro Conceição e o Castelinho como centro do festival, foram criadas ramificações que se estendem a uma dezena de outros espaços da cidade – sempre numa lógica de preservação, valorização e redescoberta do património erigido, mas também de abraçar as rotinas diárias da cidade. O ZigurFest regressa ao interior do Museu de Lamego, ocupa o tapete verde da Alameda Isidoro Guedes, sobe a colina para invadir as ruas e parques do Castelo e ainda terá um palco que será divulgado uma semana antes do evento.

É por aqui que vão passar alguns dos nomes mais importantes da música feita em 2018: Ulnar + Sal Grosso, Zarabatana, Dullmea, Terra Chã, MAZARIN, Mathilda, GUMESereias, Inversus, André Gonçalves, Savage Ohms, David Bruno (dB), NU, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Ângela Polícia, Mutual, Lavoisier, Paisiel, Bardino, O carro de Fogo de Sei Miguel, Moon Preachers, Allen Halloween, Scúru Fitchádu e 2jack4u. Além destes nomes, o ZigurFest vai fazer regressar a ZONA – Residências Artísticas de Lamego.

E porque esta cidade tem sempre mais alguma coisa inesperada para descobrir, irá ser inaugurado o parque de campismo do ZigurFest. Gratuito, soalheiro e instalado numa zona verde da cidade, está pronto para receber quem vem de longe para descobrir a cidade e a música mais entusiasmante do ano. Venham e percam-se: em Lamego e na música.

Cartaz por dias:


29 de Agosto (Quarta-Feira):

Ulnar + Sal Grosso (17h30 - Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos)
Zarabatana (18h30 - Largo da Cisterna) 
Dullmea (22h00 - Sala Grão Vasco do Museu de Lamego)


Zarabatana

30 de Agosto (Quinta-Feira):

MAZARIN (17h30 - Palco Castelo)
Terra Chã (18h30 - Palco Castelo)
Mathilda (21h30 - Palco anunciado a 22 de Agosto)
GUME (23h00 - Palco Alameda)
Sereias (00h00 - Palco Alameda)
Inversus (01h00 - Palco Alameda)


Mathilda

31 de Agosto (Sexta-Feira):

André Gonçalves (17h30 - Palco Castelo)
Savage Ohms (18h30 - Palco Castelo)
David Bruno (dB) (22h00 - Palco TRC)
NU (23h00 - Palco TRC)
Vaiapraia e as Rainhas do Baile (00h30 - Palco Castelinho)
Ângela Polícia (01h30 - Palco Castelinho)
Mutual (02h30 - Palco Castelinho)

David Bruno (dB)

1 de Setembro (Sábado):

Lavoisier (17h30 - Palco Castelinho)
Paisiel (18h30 - Palco Castelinho)
Bardino (22h00 - Palco TRC)
O carro de Fogo de Sei Miguel (23h00 - Palco TRC)
Moon Preachers (00h30 - Palco Castelinho)
Allen Halloween (01h30 - Palco Alameda)
Scúru Fitchádu (02h30 - Palco Alameda)
2jack4u (03h30 - Palco Alameda)


Allen Halloween

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terça-feira, 24 de julho de 2018

STREAM: Francisco Oliveira - On the Act Of Reminding


Francisco Oliveira é um artista multifacetado cuja pegada musical se espalha por projetos como Deepbreathers, Terebentina e Holoscene 85'. On the Act Of Reminding, o seu primeiro registo em nome próprio, vê o músico e produtor sediado no Porto a enveredar pelos caminhos de um minimalismo puro e bucólico que serve como carta de amor ao tempo e às memórias, suas e dos seus antepassados. Composto por cinco temas, On the Act Of Reminding desenvolveu-se a partir do piano de casa da sua avó, apropriando-se do estado de uso e desuso do instrumento para a produção das suas peças. Nas palavras de Francisco: 

"Este disco foi gravado à volta do piano de casa da minha Avó. Que não é afinado há décadas e que não cantava há muitos anos. O som que emana é assim, ele próprio, influenciado pelo simultâneo tempo de uso e desuso. Ao abri-lo, tocá-lo e gravá-lo senti-me a entrar nas suas próprias memórias, senti-o familiarmente meu. Senti tocar em cima das mãos dos meus primos e tios, senti que ele viveu com a minha avó todos estes anos e que não só activava os martelos com os dedos, mas que activava a sua própria memória e ele cantava as cordas, mexia as entranhas, e todos os seus sinais de uso e desuso poluíam aquilo que era nele tocado. Este disco cruza as nossas memórias e é uma colaboração com este ser orgânico que redescubri depois de o marcar de tinta, com os meus dedos pequenos." 

Editado pelas suas Edições Fauve, On The Act Of Reminding conta com a participação de Luzia Lima no violino e masterização de Miguel Carvalhais (@c). O disco encontra-se agora disponível via Bandcamp para compra em formato digital e físico (vinil).

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Fotogaleria: Festival Elétrico 2018 [Parque da Pasteleira, Porto]


Foi no passado fim de semana que teve lugar no Porto (mais precisamente no Parque da Pasteleira) a primeira edição do Festival Elétrico. Durante 3 dias, esta nova entrada no panorama dos festivais nacionais destaca-se pela positiva. É notória a preocupação que a teve organização em fomentar a relação do festival com a natureza, tornando-a não só parte da sua identidade, como da experiência que procuraram proporcionar à sua audiência. E nesse sentido, a conversão do Parque da Pasteleira no habitat do Elétrico é o produto de um processo sinérgico, o que resulta numa experiência em tudo orgânica. Uma que, esperamos nós, se repita durante muitos anos. 

Enquanto esperamos pelos detalhes da edição de 2019 do certame, deixamo-vos
a fotogaleria dos 3 dias do Elétrico.


Festival Elétrico 2018 [Parque da Pasteleira, Porto]

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Fotogaleria: Blind Delon [Stereogun, Leiria]


Na passada sexta-feira, 20 de julho, voltámos à Stereogun em Leiria para assistir ao concerto único dos franceses Blind Delon, projeto liderado por Mathis Kolkoz, ao qual se juntam ao vivo Théo Fantuz e Coco Thiburs. Este concerto estava inserido em mais um episódio relâmpago do FadeInFestival 2018 e a território nacional a banda trazia os EP's Edouard (2016) e Assassin (2018).

A fotogaleria do que sucedeu na noite de 20 de julho pode ver-se abaixo ou aqui.

Blind Delon [Stereogun, Leiria]

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Ainda vão a tempo de ver os Cosmic Dead

Depois das atuações no Rodellus e no Woodrock Festival, os Cosmic Dead terão ainda mais 3 atuações em solo nacional. A primeira é hoje, no Boom Festival em Idanha-a-Nova. A segunda data tem lugar na quarta-feira, dia 25 de julho, no Musicbox em Lisboa. O terceiro e último concerto dos escoceses em Portugal é esta quinta-feira, dia 26 de julho, no Woodstock 69 Rock Bar, no Porto (esta data é partilhada com os portuenses Greengo. Relembramos que esta mini-tour por Portugal (com a cortesia da Lovers & Lollipops) é a primeira dos Cosmic Dead com a nova — com a saída de Lewis Cook e Julian Dicken, juntam-se a Omar Aborida e a James T Mckay a dupla Tommy Duffin e Russel Andrew Gray

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Fear and Loathing in Moledo #1


Falta menos de um mês para o início do SonicBlast Moledo, uma meca para todos os fãs de stoner rock. O festival que tem vindo a impressionar pela qualidade dos seus nomes ano após ano, na presente edição fez uma grande aposta nos contrastes, com bandas conhecidas pelas longas e improvisadas jams psicadélicas, como é o caso de Earthless ou Samsara Blues Experiment, e por bandas que se situam no expectro mais doom do stoner; exemplos disso são Ufomammut ou Conan, reconhecidas pelo seu excessivo peso musical.

Neste artigo deixo algumas recomendações, nacionais e internacionais, daquilo que nos espera da edição 2018 do SonicBlast.

Dia 1

Samsara Blues Experiment - Long Distance Trip

A primeira banda desta seleção, para além de serem mestres na experiência do blues, são também repetentes no festival, depois de terem marcado presença em 2012. Apesar de terem lançado One With The Universe no ano passado, decidi destacar Long Distance Trip, álbum genre-defining do stoner psicadélico e que mais facilmente identifica a sonoridade da banda alemã. 
O nome do álbum não é uma hipérbole à toa e faz todo o sentido assim que começamos a ouvir “Singata (Mystic Queen)”, num crescendo satisfatório e hipnotizante, que leva a nossa mente a passear por paisagens coloridas, bastante distantes. Muitas das faixas do álbum têm claras influências das ascendências do kraut alemão e nenhuma se acusa tanto como “Double Freedom”, que se estende para além da marca dos 20 minutos, em toda a sua glória tripada. Também existem momentos mais delicados, como “Wheel of Life”, faixa acústica e uma das mais curtas do álbum, a lembrar os interlúdios do Master of Reality, de um dos mais importantes progenitores deste grupo, os Black Sabbath.
Sem dúvida que esta viagem repleta de guitarras distorcidas, sintetizadores e cítaras vai ser um dos melhores momentos da edição 2018 do SonicBlast.



Causa Sui - Euporie Tide

Músicos de gema, estes dinamarqueses nasceram não para os rigorosos invernos escandinavos mas para fazerem música em praias solarengas enquanto os seus ouvintes perdem a cabeça nas suas belas linhas melódicas.
O álbum Euporie Tide, lançado em 2013, marca um importante ponto de viragem para a banda que rouba nome de uma expressão em latim criada por Baruch Spinoza, que significa “a causa em si mesmo”. Foi o primeiro onde o grupo não utilizou vocalista, desmarcando-se do rótulo que é o stoner rock “tradicional”, explorando a sua sonoridade de formas mais experimentais e com uma influência de free jazz. Um ponto de partida fundamental para conhecer melhor Causa Sui é sem dúvida este álbum, especialmente através da faixa gigantesca que é “Homage”, uma das melhores músicas dentro do género, construída metodicamente, camada sobre camada, com sintetizadores abençoados pelos Deuses e guitarras repletas de wah e quentes distorções, a ecoar por todo o lado.
Uma música obrigatória na setlist da banda e certamente uma das que fará mais cabeças rodopiar.



Conan - Monnos

Indiscutivelmente, os ingleses Conan são uma das bandas mais pesadas da atualidade e, sem dúvida, vão tentar rebentar com o recorde de decibéis dos concertos que já passaram por Moledo.
O primeiro álbum de longa duração dos liverpoolianos veio estabelecer um novo marco no stoner doom devido ao seu som massivo e único. A guitarra afinada exageradamente grave e as intensas distorções tornam o som manejado por Jon Davis (também vocalista e único membro original da banda) inconfundível e tão fascinante. As letras das músicas transportam-nos imediatamente para um campo de batalha na idade medieval e a pujança da secção rítmica é uma cavalgada para o epicentro desse conflito.
“Hawk as Weapon” e “Battle in the Swamp”, as duas primeiras faixas de Monnos, são um exemplo perfeito de tudo aquilo que é Conan e certamente que vai gerar muita poeira e moche.



Ufomammut - Ecate

Continuando no lado mais negro do stoner, os italianos Ufomammut regressam a Portugal e marcam a sua estreia em Moledo. Este mamute espacial é um dos progenitores do movimento space doom e desde 1999 que praticam das mais inovadoras e esmagadoras músicas da atualidade.
Lançado em 2015, Ecate é o oitavo álbum da banda que pede nome emprestado à deusa grega Hecate, Deusa das terras selvagens e dos partos, e demonstra os italianos no seu melhor e com o seu som mais refinado. Ao longo do álbum viajamos por diferentes espectros do stoner, desde a repetição hipnótica do drone, a um selvagem sludge, até ao puro e monolítico doom de fazer os pescoços ficarem doridos por causa do headbang. Um ponto de partida importante para conhecer a discografia desta besta pré-histórica que irá certamente marcar um dos mais memoráveis concertos do SonicBlast.



Astrodome - II

Os primeiros portugueses a aparecer nesta lista são os portuenses Astrodome, um dos principais representantes do heavy psych nacional. O concerto da banda deve consistir principalmente no álbum lançado ainda este ano, intitulado II, e que representa uma evolução nas viagens cósmicas interpretadas no primeiro álbum da banda.
Agora com Kevin Pires dos Big Red Panda a completar as fileiras do conjunto, estes homens querem convidar os festivaleiros a irem numa viagem providenciada por camadas contemplativas de rock psicadélico, que mistura a sensibilidade dos Pink Floyd com uma atitude indomada que adora jams expansivas, típica de bandas como Colour Haze ou Causa Sui.
Um concerto obrigatório de assistir, ora com o cadáver a flutuar na piscina ou deitado na relva a contemplar o cosmos.



Texto por: Hugo Geada

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