sexta-feira, 10 de agosto de 2018

EDP Vilar de Mouros - o festival "semper" mítico


Faltam pouco menos de duas semanas para o começo do EDP Vilar de Mouros. O festival mais antigo de Porutgal, também conhecido por Woodstock Português, já recebeu nomes incontornáveis do mundo da música como U2, PJ Harvey, Sonic Youth, Beck, Stone Roses, Bob Dylan, Neil Young, Iggy Pop, entre muitos outros. Este ano, de 23 a 25 de agosto todos os caminhos apontam a Vilar de Mouros e nós deixamos aqui as nossas sugestões.


Peter Murphy 40 years of Bauhaus celebration featuring David J - 23 de agosto

Há cerca de 40 anos formara-se os Bauhaus que, apesar de terem apenas durado apenas 5 anos (dando origem aos Love and Rockets sem Peter Murphy), lançaram as bases do rock gótico e tornaram-se uma das mais incontornáveis bandas da história. Durante a sua carreira ativa lançaram 4 álbuns de originais sendo, o mais importante o primeiro, In The Flat Field, contendo temas como "Dark Entries", "God In An Alcove" e "In The Flat Field". 

Entre o término da banda e o presente houve vários reencontros marcados por concertos e pelo lançamento de Go Away White (2008). A última tour de Bauhaus em 2006 foi marcada por um desentendimento entre Peter Murphy e Daniel Ash, culminando num último concerto, em Portugal, no festival Paredes de Coura.

Este ano, em jeito de celebração do quadragésimo aniversário da banda, dois dos seus fundadores Peter Murphy (vocalista) e David J (baixista) voltam pisar os palcos juntos para recriar os temas clássicos da banda. Esta tour passa pelo EDP Vilar de Mouros 2018 no dia 23 de Agosto, num concerto único em Portugal a não perder.



Human League - 23 de agosto

Formados em Sheffield em 1977, os Human League são uma das bandas de synthpop mais famosas dos anos 80, principalmente devido ao êxito que foi o terceiro disco, Dare, de onde provém temas como "Don't You Want Me", "Love Action (I Believe in Love)" e "The Things That Dreams Are Made Of".

Phillip Oakey é o unico membro presente na banda desde a sua fundação mas, em 1981, aquando o lançamento de Dare, juntaram-se Susan Ann Sulley e Joanne Catherall fazendo com que a banda se tornasse, essencialmente, num trio. Os seus concertos são descritos como únicos e imperdíveis pela imprensa especializada internacional. 

No festival EDP Vilar de Mouros 2018, para além de uma forte presença de Dare também são esperados outros êxitos como "Human", "The Lebanon e "Together In Electric Dreams" de Phill Oakey com Giorgio Moroder



Editors - 24 de agosto

Os Editors estão de regresso ao nosso país, após inúmeros concertos em solo nacional nos últimos anos. A banda britânica, liderada por Tom Smith, é responsável por alguns dos álbuns mais aclamados do revivalismo post-punk e do indie rock mais sombrio da década de 00, sendo frequentemente comparados aos Joy Division, Echo & the Bunnymen, Interpol: The Back Room (2005) e An End Has a Start (2007). 

Foi a partir de In This Light and on This Evening, editado em 2009, que a banda começou a adotar uma postura mais eletrónica e sintética, tendo daí resultado o grande êxito “Papillon”, perdendo algum fulgor com os álbuns de estúdio que se seguiram.  

Com atuação marcada para o dia 24 de agosto, são esperados temas como “Munich”, "An End Has A Start", “Smokers Outside the Hospital Doors”, assim como alguns temas do seu sexto disco de estúdio editado em março do presente ano, Violence





O festival conta também no seu cartaz com nomes como The Pretenders, IncubusJames, dEUS, PiLCrystal Fighters, John Cale, entre outros. O passe geral tem o preço de 70€, enquanto os bilhetes diários custam 35€. Os bilhetes podem ser aqui adquiridos. 

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HOLYGRAM anunciam disco de estreia


Depois do estrondoso concerto no Hard Club, da tour colaborativa com os Orchestral Manoeuvres In The Dark (OMD) e alguns concertos de abertura para os VNV Nation (com os quais vão embarcar numa tour extensiva no final do ano) os alemães HOLYGRAM anunciaram finalemente o tão aguardado disco de estreia. Intitulado de Modern Cults, o longa-duração cuja primeira faixa de avanço chega no dia 7 de setembro vem dar sucessão ao EP homónimo que os fez tornarem-se um êxito dentro da comunidade do post-punk contemporânea.

Embora ainda não tenham disponibilizado nenhuma faixa de avanço é esperado que temas como "Signals" e "She's Like The Sun" - que a banda tem vindo a tocar ao vivo nos últimos concertos - façam parte da tracklist do trabalho. A notícia foi dada pela banda através da sua página do Facebook.

Modern Cults tem data de lançamento prevista para 9 de novembro pelos selos SPV GmbH (Europa) e Cleopatra Records (América do Norte).


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Italia 90 lançam novo single, "Tourist Estate"


Após terem tocado no palco taina do Milhões de Festa o ano passado em apresentação do bem-sucedido EP homónimo, o quarteto londrino Italia 90, que opera nas lides dos post-punk, lança hoje o seu novo single "Tourist Estate". Esta nova faixa revela-se bastante intensa, sendo simplesmente composta de um emaranhado de riffs noisy de guitarra, acompanhado de uma bateria minimalista e monolítica, de um trabalho de baixo igualmente simples e contagiante, e dos vocais coléricos e diretos ao assunto. Podem comprovar isso ao clicar no player abaixo.

"Tourist Estate" é editado esta sexta-feira, 10 de agosto pelo selo Box Records (editora do vocalista de Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs). De momento os Italia 90 têm dois concertos marcados, ambos no território de Londres: um deles em 29 de agosto no Old Blue Last, e em 6 de setembro na Bermondsey Social Club


Além da faixa "Tourist Estate" a banda lançará ainda um novo single "New Factory" em setembro.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Mais um leque de confirmações para o Milhões de Festa


Falta pouco menos de um mês para a romaria anual a Barcelos e o Milhões de Festa acaba de anunciar um leque de confirmações: Mouse on Mars, The Bug ft. MISS RED, DJ Paypal, Scúru Fitchádu, Grabba Grabba Tape, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Paisiel, DJ K-Sets, Cumbadélica, The Evil Usses, Independent Music Podcast, Eduardo Morais e DJs da Casa. A organização promete ainda mais algumas surpresas a serem anunciadas nas próximas semanas.

Além destas confirmações, já está disponível a disposição dos artistas por dias (assim como a venda dos bilhetes diários). 



O Milhões de Festa acontece de 6 a 9 de Setembro. Vemo-nos em Barcelos?


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terça-feira, 7 de agosto de 2018

O disco de estreia dos Marbled Eye chega às prateleiras em setembro


Os Marbled Eye anunciaram a semana passada os detalhes do seu disco de estreia, Leisure, que chega às prateleiras ainda antes do final do verão e do qual já se podem ouvir três faixas de avanço, "Leisure" e "New Crease" - que já tinham sido apresentadas aquando a edição da Promo Tape 2018 -  e ainda "Laughing Sound", que foi avançada esta semana juntamente com os pormenores adicionais do disco.

O quarteto de Oakland, na Califórnia, apresenta essencialmente uma sonoridade post-punk que vai buscar influências aos trabalhos de Sonic Youth, Thurston Moore ou mesmo Institute. Leisure foi gravado por Andrew Oswald na Secret Bathroom, em fevereiro de 2018. Podem ouvir "Laughing Sound" abaixo.


Leisure tem data de lançamento prevista para 18 de setembro nos Estados Unidos pela Digital Regress (edição com capa vermelha) e na Europa pela Erste Theke Tontraeger (edição com capa azul).

Leisure Tracklist:

01. Laughing Sound 
02. Open Hand 
03. Leisure 
04. Isle 
05. Curtain 
06. New Crease 
07. Idle Hour 
08. Vanity 
09. Foundation

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Sextile regressam às edições em setembro


Os Sextile anunciaram hoje o sucessor de Albeit Living (2017) que chega às prateleiras antes do final do verão, em formato curta-duração. O EP, initulado de 3, marca o primeiro registo da banda em formato dupla e por isso o caminho para uma nova sonoridade, afastando-se assim do post-punk de A Thousand Hands (2015) e aproximando-se cada vez mais da aura new-wave que assolou os anos 80. A prova disso é o novo tema de avanço "Paradox" que projeta Brady Keehn e Melissa Scaduto para um universo musical muito interessante, a fazer lembrar nomes como Lene Lovich Band

Segundo a press-release este novo EP vai buscar inspiração à obra "The Art of Noises", do escritor futurista Luigi Russolo, onde a dupla espelha o caos da era industrial moderna. Neste novo EP os Sextile destacam-se ainda pelo ruído regulador, pelos vocais militares de Keehn e pelos ritmos hipnóticos. Podem ouvir "Paradox" abaixo.


3 EP tem data de lançamento prevista para 14 de setembro pelo selo Felte Records.

3 Tracklist:

01. Disco 
02. Drop You 
03. Paradox 
04. Spun 
05. Hazing

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Aphex Twin anuncia novo EP Collapse


Aphex Twin está de volta com um novo EP após uma semana de teasers espalhados pelo globo. Collapse surge dois anos após a edição do EP Cheetah e será lançado já no próximo mês. Richard D. James tem algumas datas marcadas para este ano mas nenhuma em Portugal, onde atuou em 2017 no NOS Primavera Sound. Em baixo poderão ver o vídeo para a música "T69 Collapse", que tinha estreia marcada para ontem pelo canal de televisão Adult Swim mas que acabou por apenas ser revelado hoje devido a não ter ultrapassado testes de epilepsia obrigatórios.



Collapse tem lançamento marcado para 14 de setembro pela Warp e podem fazer pre-order aqui.



Collapse tracklist:
1. T69 Collapse
2. 1st 44
3. MT1 t29r2
4. abundance10edit[2 R8’s, FZ20m & a 909]
5. pthex

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Reportagem: Carmina Festana [GrETUA, Aveiro]

© Vera Marmelo
O ciclo de música poliamorosa de Aveiro, mais conhecido por Carmina Festana, regressou a Aveiro no passado sábado, dia 4 de agosto, para celebrar a nova vaga de projetos emergentes no panorama musical português da atualidade. Com o GrETUA a servir de ponto de encontro, a camada mais jovem da cidade de Aveiro partilhou, na sala, o suor e na rua o convívio. A Cármen voltou a trazer mais uma saga de conquista numa noite quente, sentimental e penetrante estrelada pelos seis artistas que subiram a palco: Moon Preachers, Amaterazu, Claiana, Cosmic Mass, o grande David Bruno e, para fechar a noite, o já conhecido DJ Lynce

Moon Preachers © Vera Marmelo 

Marcado para as 22h00, quando chegámos à sala pelas 22h45, já os Moon Preachers faziam ecoar no palco do GrETUA a sua música meio punk meio garage-rock, de ritmo acelerado e de aura contagiante. A sala, apesar de ainda pouco composta, já fazia pairar um ar quente produzido pela animação do público. A Aveiro, a dupla formada por Rafael Santos e João Paulo Ferreira trazia o seu mais recente disco de estúdio, A Free Spirit Death (lançado em março do ano presente pelo Cão da Garagem) e as suas músicas rápidas, a funcionarem como uma injeção de adrenalina instantânea. Moon Preachers foi em suma um banho de rock, um público que parmenecia em mobilização constantante, umas cordas partidas e uma performance a findar num show de percussão e ruído, pelas 23h12. 

Amaterazu © Vera Marmelo

Pelas 23h30 os Amaterazu sobem ao palco. Em formato trio e com vestes características, a banda de Ricardo Bernardo (guitarra/voz), Ricardo Silva (baixo/voz) e João Lugatte (bateria) apresentou aos aveirenses o seu espetáculo meio ritualista de música psicologicamente densa a combinar elementos do metal e stoner-rock. Pelas características rítmicas, o concerto dos Amaterazu foi mais calmo que o dos antecessores Moon Preachers, ainda assim, especialmente preparado para ativar aquele zumbido no ouvido durante uns bons minutos após fim de performance. Como os próprios dizem, o universo musical dos Amaterzu transcende tempo e espaço. No GrETUA o concerto do trio de Viseu foi assim uma perda da noção de realidade, iluminada por um sol meio vermelho, meio dourado e conduzida por vozes epopeias. Ainda em destaque ficaram na memória as quebras e mudanças de ritmos de um concerto que acabou pelas 00h20. 

Claiana © Vera Marmelo

Ao contrário das anteriores, a performance de Claiana não se deu no palco do GrETUA mas sim na sala do bar. O projeto de Gui Lee, sediado no Porto e com edições pela Favela Discos trouxe até Aveiro a sua música de pura festa e entretenimento coletivo, fazendo-se acompanhar do icónico aveirense João Sarnadas, mais conhecido pelo seu projeto Coelho Radioactivo. Gui Lee apresentou o seu mais recente disco Claiana Vol.1 que na pista de dança se fez destacar por temas como "Bonsoir" ou "Bizu". 

Cosmic Mass © Vera Marmelo

Pelas 01h20 a quarta performance da noite tem início, com três dos quatro membros dos Cosmic Mass em palco. Depois de uma introdução inicial entra em cena Miguel Menano (vocalista e guitarrista) que é recebido em ambiente de folia e fortes aplausos. Banda prata da casa e com álbum de estreia a chegar às prateleiras ainda este ano, os Cosmic Mass proporcionaram mais um dos grandes momentos da segunda edição do Carmina Festana. Influenciados pelo movimento psicadélico da década de 60, o quarteto apresentou a sua energia fervorosa e inesgotável que os fez suar (a eles e a nós público) de início ao fim. Com uma percussão muito peculiar, o ritmo dos Cosmic Mass é igualmente frenético e cativante, caracterizando-se ainda numa velocidade alfa pendular. Uma onda de calor que se fez sentir na sala do GrETUA, mais do que durante o dia em Aveiro, onde houve ainda espaço para apresentar os membros da banda e dedicar músicas a amigos. A temperatura da sala só começou a baixar depois das 02h12. 

David Bruno © Vera Marmelo

Estávamos no convívio cá fora quando, pelas 02h40, vêm avisar-nos de que o concerto do romântico David Bruno vai iniciar-se. Na sala, pelas 02h45, David Bruno acompanhado pelo guitarrista Marquito fazem já ouvir-se "Alfa, Romeu & Julieta", um dos singles de promoção deste novo e muito acarinhado disco O Último Tango em Mafamude. Construindo os seus romances através de samples e trocando as frases por pistas de áudio, David Bruno deu o concerto que se esperava, apesar de ter parecido curtíssimo em comparação com os atos anteriores. Numa duração aproximada a 40 minutos David Bruno apresentou-nos algumas das referências visuais da nação, referentes às décadas de 80 e 90, o seu amor à cidade Vila Nova de Gaia e ainda um tema inédito que só pode ser ouvido ao vivo, "Lamborghini na Roulotte", que além de se ter ouvido durante o concerto, voltou a repetir-se no encore. Além deste, temas como "Monte da Virgem Paltónico", "Mesa Para os Dois no Carpa", "Amor Anónimo" foram alguns dos destaques. David Bruno ainda distribui pelo público algumas bases de copos promocionais deste novo disco. Concertaço de amor máximo. 

Não apanhámos a performance do DJ Lynce mas, a julgar pelos comentários de quem ficou até ao final do evento, foi efetivamente a cereja no topo do bolo daquilo que o Carmina Festana nos tem habituado desde a sua primeira edição, em novembro de 2017. 

© Vera Marmelo

Assim em jeito de conclusão, o Carmina Festana é aquilo que os aveirenses esperavam há muito tempo e que agora podem ter: um minifestival ao jeito low-cost, que funciona como ponto de encontro e partilha de momentos inesquecíveis, em conjunto. O Carmina Festana é aquele festival que todos ansiávamos e que podemos finalmente celebrar.: um festival para poder mostrar novas sonoridades dos mais diversos estilos até aos amigos mais preguiçosos. Um bem-haja.

Texto: Sónia Felizardo

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QUADRA lançam novo vídeo para "Pulsar"


Depois de terem lançado o seu primeiro longa-duração de carreira em abril, intitulado de Cacau, os QUADRA continuam na sua afincada promoção através de um novo vídeo para o single "Pulsar", que vem dar seguimento ao mistério de "Mutações" e ao exotismo de "Mapa de Fuga". Este novo tema representa o momento de superação e de transformação na agitação e no conflito, sendo também o retrato dos processos de evolução dos QUADRA aquando a sua procura de respostas para questões internas.

É neste cenário da vontade de procura de respostas nos momentos decisivos, de gritar por revolta e de ser cegamente dedicado que surge "Pulsar", o terceiro tema de avanço do disco que segue agora apresentado em trabalho audiovisual com Simão Luís a vestir os trajes da personagem principal num vídeo da autoria de Mariana Vasconcelos. O novo vídeo para "Pulsar" pode ser visualizado abaixo.

Cacau foi editado a 12 de abril e pode ser ouvido na íntegra aqui.




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domingo, 5 de agosto de 2018

Cinco Discos, Cinco Críticas #39


Em foco na 39ª edição do Cinco Discos, Cinco Críticas estão os novos trabalhos de Kate NV com для FOR (RVNG Intl); Haru Nemuri com o seu Haru To Shura (Perfect Music); o produtor brasileiro Gruth com o seu mais recente Laments (Tormenta Eléctrica); Warmduscher com o novo disco Whale City (The Leaf Label) e ainda o mais recente disco de Gang Gang Dance - Kasuashita (4AD) - que chegou sete anos depois de Eye Contact. As críticas a estes trabalhos podem ser lidas abaixo.


для FOR // RVNG Intl // junho 2018 

8.0/10

Kate NV é o projeto a solo da música e produtora russa Kate Shilonosova. для FOR é o primeiro disco pela norte-americana RVNG Intl. e segundo no repertório da vocalista do grupo post-punk Glintshake (Nabisu, o seu disco de estreia a solo, recebeu o selo da peculiar Orange Milk Records em 2016). Considerado pela própria como uma carta de amor à sua cidade natal, Moscovo, FOR (для em russo) vê Kate distanciar-se da pop artística de Nabisu para abraçar os terrenos esparsos da new age de Yoshimura e Midori Takada. Ao longo de dez temas, a música e produtora apresenta-nos um apanhado de composições versáteis que soam tão familiares como alienígenas, assemelhando-se, por vezes, aos trabalhos de Visible Cloaks e James Ferraro pela plasticidade das suas experimentações. As suas composições quentes e minimalistas são dotadas de uma precursão rica e exuberante, e apresentam uma dinâmica elegante entre o digital e o analógico. "вас YOU" é o primeiro de dois temas a introduzir voz propriamente dita (em "раз ONE" ouvimos apenas pequenos excertos de voz samplados), assumindo-se como uma das peças centrais do disco pelo seu carácter orgânico e mais próximo dos temas radiantes do seu antecessor. Sempre conciso e intrigante, для FOR destaca-se como o registo mais coeso e consciente da produtora russa que inicia, assim, uma nova etapa na sua curta mas promissora carreira.
Filipe Costa



Haru To Shura // Perfect Music // abril de 2018 

8.3/10 

De Kanagawa, Japão, chega-nos a mais recente aposta nas lides do hip-hop de origem nipónica, intitulada Haru To Shura, da jovem artista Haru Nemuri, que se tornou uma das surpresas mais agradáveis deste ano. Não descuidando as suas raízes implementadas desde o primeiro álbum, atom heart mother, que revelam um apreço vincado pela estética mais leftfield do hip-hop (sem deixar de lado a leveza importada do j-pop mais gingão), Haru Nemuri distingue-se dos seus conterrâneos ao adicionar influências do rico e fascinante movimento musical mais underground da Terra do Sol Nascente, como a noise pop e o post-hardcore. Apesar da evidente barreira linguística que impede de apreciar a habilidade lírica de Haru, pode-se sempre admirar a entrega dos versos da moça, dinâmica, cheia de garra e cativante, com uma voz singela e delicada. Esta entrega dá azo a mais paralelos com a ideia geral de pop japonesa, a contrastar com a produção ruidosa q.b. dos instrumentais, que se estendem do pop punk energético de faixas como "MAKE MORE NOISE OF YOU" e "sekaiwotorikaeshiteokure", até à onda quase shoegaze do tema título e de "lostplanet", sem deixar de parte faixas de natureza mais synthpop como "nineteen" e "yumewomiyou".
Rúben Leite



Laments // Tormenta Eléctrica // julho de 2018

7.0/10

Este mês fala-se mais uma vez em como a editora Tormenta Eléctrica conseguiu atrair músicos e produtores até si. Recordando o trabalho de Serpente falado no último mês, agora é a vez de falar de Gruth, um produtor finlandês, sediado em São Paulo, que produz música genericamente diferente da produzida pelo português Serpente. Gruth mostra-nos Laments, EP lançado no mês transato, que é composto por apenas duas faixas mas que apresenta rigor e coerência desde o primeiro minuto, apresentando-se com texturas desde o ambient, ao minimalism ou até mesmo ao neoclassical, fazendo lembrar os trabalhos de artistas como William Basinski até The Caretaker com Arvo Part, pela tentativa de consonância entre a música clássica e a música ambient ou minimal fazendo com que surja então a grande experiência neoclássica de Gruth. Laments é EP que nos faz desfrutar cada minuto, cada som emitido é uma onda suave que nos limpa a mente e faz-nos observar as coisas duma maneira não muito diferente da que estamos habituados com Basinski ou Caretaker. Na primeira faixa, "Lament I" ouvimos um despertar de um novo ser, de algo novo aos nossos sentidos, que são testados também desde o início até meio da faixa onde Gruth nos leva a passear por uma praia, através de sampling. Já, e para concluir, "Lament II" é a continuação duma viagem repleta de suspense, de incerteza e dúvida, música perfeita para qualquer filme de David Lynch ou para qualquer filme ligado à temática do sci-fi, pela existência de sons semelhantes. 
Um trabalho exímio executado a partir de São Paulo e que nos chega até aos nossos ouvidos da forma mais sensata. Valeu.
Duarte Fortuna



Whale City // The Leaf Label // junho de 2018

7.5/10

Depois de Moonlandingz e Insecure Man, eis que surge mais uma ramificação dos ingleses Fat White Family. Warmduscher é a dupla formada por Ben Romans-Hopcraft (Chilhood) e Saul Adamczewski (Fat White Family), onde ambos continuam a tradição de família ao fazer musica completamente selvagem. O segundo álbum do conjunto mostra uma maturação em termos de estrutura e de direção, sendo que cada faixa é um conto que cria uma narrativa sobre uma cidade repleta de degeneração. 
Após um breve interlúdio que nos apresenta a personagem principal do álbum, e como este abandonou a sua antiga vida para procurar glória em Whale City, ouvimos uma baixada perseguida por guitarras psicadélicas e de repente estamos "standing on a corner with my hands in the air with a gun pointed in my face (…)". Esta é a primeira impressão que temos de Whale City através da faixa "Standing on the Corner". O relato desta viagem é uma das mais loucas e divertidas peças de música que irão ouvir este ano, de uma banda que tem duas datas marcadas para atuar em Portugal, no dia 8 de setembro no Musicbox e uma paragem por Barcelos para atuar no Milhões de Festa.
Hugo Geada



Kazuashita // 4AD // junho de 2018 

7.3/10 

O grupo de Manhattan Gang Gang Dance lança o seu sexto álbum de texturas sonoras com dimensões caleidoscópicas, de seu nome Kazuashita, o primeiro registo em sete anos. Sendo um grupo de vistas largas, isso reflete-se na identidade sonora que apresentam, caracterizada por uma fusão de variados devaneios eletrónicos dançáveis, psicadélicos e com influências de cariz ambient e worldbeat, com percussão étnica variada para acompanhar e os diversos estilos vocais da cantora Lizzi Bougatsos que aveludam o resultado final, além de revelarem um certo teor de crítica política neste álbum (sendo o exemplo mais óbvio a  faixa "Young Boy (Marika in America)". 
No geral, Kazuashita revela-se como um álbum bastante coeso e desafiante, com uma vibe bastante aeriforme, mas que carece de momentos que se destaquem, dignos de faixas anteriores da banda, como "Vacuum". Apesar disso, fãs da banda, ou até mesmo aqueles que preferem sons mais etéreos, ainda encontrarão algo para gostar neste álbum, como "J-TREE", o single "Lotus" ou "Snake Dub".
Rúben Leite



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