sábado, 1 de setembro de 2018

William Basinski e Lawrence English anunciam álbum colaborativo, Selva Oscura


William Basinski e Lawrence English anunciaram álbum colaborativo. Do respeito e admiração um pelo outro nasce Selva Oscura, o álbum que junta o produtor australiano ao autor de Desintegration Loops para dois temas de (previsível) extensa duração. Selva Oscura chega-nos dia 12 de outubro via Temporary Residence Ltd., em formato físico (vinil) e digital, e o pre-order já se encontra disponível. Também disponível encontra-se a tracklist e respetiva capa do disco, que poderão encontrar em baixo, assim como um pequeno excerto daquele que será, certamente, um dos registos essenciais da música de cunho experimental efetuada em 2018.

Em outubro, Wiliam Basinski atua no festival Semibreve, em Braga.




Selva Oscura

01. Mono No Aware 
02. Selva Oscura

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Marie Davidson anuncia novo álbum, Working Class Women

Etienne Saint Denis
A produtora canadiana Marie Davidson anunciou hoje o lançamento do seu quarto registo longa-duração, Working Class Women, que dá sucessão ao aclamado Adieux au dancefloor, de 2016. A cara-metade dos Essaie pas, que editou em março o excelente New Path via DFA, marca assim a sua estreia pela britânica Ninja Tune, que descreve o álbum como o seu registo mais reflexivo, "um documento do seu estado de espírito, de operar dentro das esferas da música de dança e da cultura club".

Working Class Women chega às prateleiras dia 5 de outubro e o tema de avanço, "So Right", já se encontra disponível para audição. O single vem ainda acompanhado pela remistura de John Talabot, assim como a versão extendida do mesmo.




Tracklist:

01. Your Biggest Fan
02. Work It
03. The Psychologist
04. Lara 
05. Day Dreaming
06. The Tunnel
07. Workaholic Paranoid Bitch
08. So Right
09. Burn Me
10. La chambre intérieure

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[Review] Sen Morimoto - Cannonball!

sen-morimoto-cannonball

Cannonball! // 88rising/Sooper Records // maio de 2018
7.5/10

Original de Kyoto, no Japão, mas a operar a partir de Chicago, o jovem músico Sen Morimoto anda a dar cartas enquanto rapper, cantor, saxofonista e produtor, tendo causado algum burburinho este ano devido ao seu mais recente registo, Cannonball!. O álbum de estreia, lançado pela label 88rising - editora célebre pela particularidade de lançar artistas de descendência asiática nas lides do hip-hop e R&B modernos - tem garantido um quinhão de popularidade dentro dos círculos artísticos de Chicago e mais além a Morimoto, que usa um emaranhado de influências como o jazz e a música eletrónica para criar o seu cunho sonoro.


O alinhamento de Cannonball! começa com a faixa de abertura "Sections", que é bem-sucedida em introduzir-nos à expectativa de uma sessão musical bastante smooth e com espaço para sons um pouco menos convencionais. No entanto, a música seguinte "This Is Not", que segundo o próprio Morimoto é uma descrição dele de como a vida funciona, começa a revelar o pedigree sónico do músico, com intercalação de batidas e instrumentação mais orgânica, e até mesmo a presença breve de uns versos em japonês. O tema-título "Cannonball" é uma trip sonora que flirta com batidas no espectro mais glitchy e eventualmente faz uma transição natural para uma atmosfera mais chill. "How It Feels" tende a mostrar uma ou outra qualidade da musicalidade de Morimoto, com uns acordes mais bruscos de guitarra alternados, mas que no geral padece um bocado em relação ao resto.

"Die Dumb" poderá ser a faixa com vibe mais psicadélica do alinhamento todo, apenas rivalizada por "Just Spoke to Mama", que possui influências mais ambient, e conta com o feat da cantora KAINA, cuja voz apenas enriquece o resultado terno. "Picture of a Painting" destaca-se como um dos temas mais fortes, em que o saxofone e os beats se entendem e convergem, com o feat do rapper Reason Being a dar o ar da sua graça. "How It Is" denota um espírito mais vivaço com a instrumentação - nomeadamente a secção rítmica - em pulgas e o trabalho vocal também meio acelerado, mas sem nunca esquecer o feel suave que invade o álbum. Cabe então a "People Watching" a tarefa de encerrar o alinhamento, com uma instrumentação breve e jazzy que dá lugar a um trabalho de beats bastante minimalista, naquela que é a faixa que provavelmente faz mais jus às raízes do hip-hop, sendo também um dos pontos fortes do álbum.


No geral, o álbum revela-se bastante equilibrado, dinâmico q.b. e uma audição divertida do início ao fim. Enquanto que há algumas arestas por limar no resultado final, o cruzamento entre pop, hip-hop, jazz e R&B tomado a cargo por Sen Morimoto revela-se eficaz no geral. No entanto, o músico revela ser ainda verde em certos aspetos, nomeadamente a parte de deixar algumas partes arrastarem-se por muito tempo, e as letras não estarem bem no ponto. Mas isso tudo não é alarmante, pois o sentido de musicalidade e criatividade sentidos neste registo são suficientes tanto para apreciar Cannonball! como para ter uma noção da evolução que o jovem músico ainda terá pela frente.

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Milhões de Festa. Afinal, ainda há tradição


“A tradição já não é o que era” é o lema que dá mote à 11ª edição do Milhões de Festa, o festival minhoto que se realiza em Barcelos desde 2010. Pela primeira vez, o evento que traz todos os anos alguns dos nomes mais emergentes do panorama musical independente realiza-se em setembro, ao invés do habitual mês de julho. Deslocando-se para fora do período tradicional dos festivais de verão, o Milhões de Festa regressa às margens do Rio Cávado e com ele voltam as tainadas com os amigos, os mergulhos na piscina e um cartaz de luxo dedicado ao melhor da música de cunho experimental. Este ano, o festival contará com caras familiares (Gonçalo, The Bug, Moor Mother, desta vez com o mais recente projeto 700 Bliss), as viagens psicotrópicas dos Circle, Pharaoh Overlord e Electric Wizards, que regressam ao festival que os acolheu na sua primeira passagem por Portugal, novas promessas da música contemporânea (Gazelle Twin, Nubya Garcia, Natalie Sharp) e os mais estabelecidos Squarepusher, Mouse On Mars e Os Tubarões. Para além disso, a organização promete levar música ao coração da cidade com concertos de Vaiapraia e as Rainhas do Baile, The Evil Usses, Johnny Hooker e o habitual Ensemble Insano

Em baixo, deixamo-vos com 5 sugestões dos nomes que não podem perder nesta edição.

Squarepusher

É tido como um dos grandes destaques desta edição. Squarepusher, o projeto do britânico Tom Jenkinson, destacou-se desde o início como uma das figuras centrais da IDM e do drum n’ bass executado na década de 90. Feed Me Weird Things, de 1996, marcou o primeiro trabalho longa-duração de Jenkinson, juntando o produtor ao catálogo da editora Reflex, do contemporâneo Richard D. James. Desde então, o autor de “Come On My Selector” conta com uma infinidade de lançamentos de curta e longa-duração por selos tão conceituados como a norte-americana Nothing (de Trent Reznor) e a britânica Warp, casa mãe de artistas como Aphex Twin e Autechre. Baixista e multi-instrumentista exímio, Jenkinson funde nas sua composições complexas o melhor do jazz e do techno, de Miles Davis a Carl Craig, aplicando instrumentação de ordem jazzística às batidas mais desenfreadas do drill n’ bass. Music Is a Rotted One, de 1998, confirmaria o legado de Jenkinson com um dos trabalhos mais aclamados da sua carreira, um apanhado de 15 canções onde o jazz de fusão encontra a união perfeita com a electrónica sui generis do britânico. A estreia absoluta em Portugal faz-se dia 7 no festival minhoto.

Mouse On Mars

E por falar num dos grandes da IDM, quem também marcará presença na 11ª edição do Milhões de Festa será o duo germânico Mouse On Mars. Mais discretos e intrigantes que o anterior, a dupla composta por Andi Toma e Jan St. Werner mantém uma carreira ativa há mais de duas décadas, dos quais se contam selos tão conceituados como a Domino e a Thrill Jockey. Os primeiros passos dados em Vulvaland, o álbum de estreia editado em 1994 pela Too Pure (mais tarde reeditado pela American Recordings, de Rick Rubin), dariam origem a um sem fim de discos aclamados pela crítica internacional especializada. Autoditacker (1997), Glam (1998) e o mais acessível Ideology (2001) cimentariam o legado da dupla, cruzando glitch e  texturas ambientais com compassos que bebem tanto da dub como da kosmische alemã. Dimensional People, editado em abril deste ano, serve de mote para o regresso dos Mouse On Mars a Portugal, seis anos após o encontro com o festival Semibreve.

Gazelle Twin

Gazelle Twin é o projeto da produtora e compositora Elizabeth Bernholz. Membro central da editora, blog e coletivo artístico Anti-Ghost Moon Ray, Bernohlz apresenta-se sob o moniker Gazelle Twin desde 2010. The Entire City, o primeiro registo longa-duração, mostrou uma abordagem vanguardista de vozes e tessituras industriais em toada gótica que se viriam a intensificar nos restantes discos da britânica. Unflesh, o seu disco por excelência, mostrou a quintessência de Gazelle Twin como criadora de paisagens sufocantes e claustrofóbicas pintadas a negro. Desde então, seguiu-se Out of Body, a banda sonora para o filme do mesmo nome, um tema composto para a famosa série televisiva 'The Walking Dead' e o mais recente Kingdom Come, um disco baseado na instalação conjunta de Elizabet e Jez Bernohlz para o Everything Festival. Em setembro, a produtora prepara-se para lançar Pastoral, o quinto álbum de estúdio que deverá ser escutado na sua performance em Barcelos, dia 8.

The Bug & Miss Red

Cara bem conhecida do público português, The Bug (Kevin Martin de nome) estreou-se no festival minhoto com uma abrasiva performance em 2015, na companhia de Manga e Flowdan. Um ano depois, o produtor britânico regressaria a Barcelos na companhia de Miss Red sob a premissa de interpretar os temas de Acid Ragga, voltando em 2017 para duas datas ao lado de Dylan Carlson, guitarrista dos Earth com quem efetuou um autêntico duelo de titãs. Agora, em 2018, Kevin Martin volta a juntar forças com Miss Red para apresentar o álbum de estreia da MC israelita. Produzido pelo suspeito do costume, K.O. junta mais uma vez os dotes de Martin à incansável performance vocal de Miss Red, nome artístico de Sharon Stern, para um portentoso disco que alia grime e dancehall a paredes maciças de graves e instrumentais dub. Depois da performance inesquecível de 2016, Stern e Martin prometem agitar novamente as águas do rio Cávado com os sons mais escaldantes dos subúrbios.

Peter Gabriel Duo

Não, não é um projeto de rock progressivo em homenagem ao ex-líder dos Genesis. É sim um dos mais vitais projetos da música improvisada de Lisboa. Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa formam os Peter Gabriel Duo, um projeto que, para além do nome brilhante, junta dois dos mais virtuosos artistas do circuito underground português. A simbiose perfeita entre a bateria desenfreada de Ferrandini e o saxofone embriagado de Sousa dão som a este intrigante duo que, para além de uma cassete editada pela Favela Discos, conta ainda colaborações invejáveis com artistas como David Maranha, Alex Zhang Hungtai (ex-Last Lizard/Dirty Beaches), e concertos ao lado de Thurston Moore e Johan Bertling (dos quais resultaram Live at ZDB e Casa Futuro, respetivamente). Depois da participação em eventos de referência como o Out.Fest, Jardins Efémeros e o germânico Hallo Festspiele, a dupla ruma a norte para uma performance a não perder no Milhões de Festa, dia 7.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Esta semana há A Place To Bury Strangers e Numb.er em Portugal


Os A Place To Bury Strangers, banda de noise-rock - que se tornou muito aclamada entre a comunidade internacional por mostrar que escavacar guitarras, partir cordas e ensurdecer os nossos e os seus ouvidos são das poucas liberdades que a sua existência ainda lhes permite - passa esta semana por Portugal onde apresentará os temas de Pinned, disco que veio dar sucessão ao muito aclamado Transfixiation (2015).


A banda apresenta-se em Portugal com novo alinhamento para duas datas, a 31 de agosto no Hard Club, Porto e 1 de setembro no RCA, Lisboa, onde se fará acompanhar pelos Numb.erprojeto liderado pelo criativo Jeff Fribourg (fotógrafo, designer e ex-membro dos Froth) e uma das novas bandas promissoras dentro do neo post-punk - que fazem a sua estreia nacional, em apresentação de Goodbye (Felte, 2018).

Os concertos dos A Place To Bury Strangers e dos Numb.er contam com o carimbo At The Rollercoaster e já se encontram à venda nos locais habituais pelo preço único de 15€. Todas as informações adicionais para o Porto podem ser encontradas aqui e para Lisboa aqui.



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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Passatempo: Ganha passes para o Milhões de Festa


Este ano o Milhões de Festa é em setembro. Dez edições depois de se ter assumido como espaço essencial para a descoberta da mais interessante produção contemporânea dos quatro cantos do globo, o Milhões de Festa vai reinventar-se. Deslocando-se para fora do período tradicional dos festivais de verão portugueses e, depois de alguma dúvida sobre a existência da edição deste ano, o evento experimentará novas formas de configurar o programa, abraçando a cidade que o acolhe de um modo diferente.

O festival minhoto regressa assim para a sua 11ª edição, de 6 a 9 de Setembro, com muita música para ouvir e descobrir, sendo os principais destaques Electric Wizard, Squarepusher, Os Tubarões, Mouse on Mars, The Heliocentrics, Circle,  The Bug feat. Miss Red, entre muitos outros. 

Em parceria com o Milhões de Festa, estamos a oferecer dois passes simples para o festival que se realiza em Barcelos. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.

2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.


3. Preencher o seguinte formulário:


O passatempo termina no dia 3 de setembro às 22:00 e os passes serão sorteados de forma aleatória, através da plataforma www.random.org. 

Boa sorte!



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Atualizado às 03h00 de 4 de setembro de 2018

Os vencedores do passatempo são:
Maria Rosália Martins Almeida
Ana Rita Gonçalves Silva 

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Reportagem: SonicBlast Moledo 2018 - 10 e 11 de agosto


É com uma enorme saudade e nostalgia que escrevo esta reportagem apesar de apenas uns míseros dias se terem passado desde que abandonei a pequena aldeia vianense que é Moledo. 
Naquela que foi a minha terceira edição do SonicBlast, é notável observar a evolução deste festival, especialmente em termos de adesão de pessoas, uma vez que às caras dos habituais “clientes”, que tornam o seu ambiente tão familiar, se juntaram novas para poderem fazer parte deste evento.

Esta enorme adesão apenas foi possível uma vez que a organização permitiu que fossem vendidos 100 bilhetes extra, dada a enorme proliferação de pedidos nas redes sociais após os bilhetes terem esgotado. Esta dose extra foi logo evidente no Dia Zero do festival, no Paredão 476, onde mal existia espaço para assistir ao heavy stoner de Heavy Cross of Flowers ou ao psych prog dos espanhóis Sombra.

Nessa mesma noite, no Ruivo’s Bar, atuaram Pledge, projeto natural de Viana do Castelo com algumas influências de post-hardcore e sludge metal, que, apesar de um atraso de 1 hora devido a problemas técnicos, foram recebidos de abraços abertos por uma audiência que mal cabia dentro do bar e que insistia em fazer moche e crowdsurf. Depois da porrada era altura de viajar com os espanhóis Acid Mess (cujo baixista e guitarrista também pertencem aos Sombra). Mesmo com a mudança de som, a banda foi bem recebida pelo público, que continuava repleto de energia, culminando num fã que subiu para o telhado do bar e se atirou para os braços do público. Fora este episódio, o concerto decorreu na normalidade com imensos olhos fechados e cabeças a abanar.


10 de agosto

Ainda a curar a ressaca do dia anterior, não foi fácil chegar a tempo para assistir ao recital intergaláctico dos Solar Corona. Atraso este recompensado com uma banda sonora perfeita para a peregrinação até ao palco piscina, enquanto o kraut dos barcelenses ecoava pela aldeia. Quando entrei no recinto já o concerto estava a passos largos de acabar. Uma pena, fica um voto para que no futuro consigam um horário melhor e um palco maior. A armada portuguesa continuou forte com os Desert’ Smoke, um grupo de amigos de Lisboa que se juntou no final da edição do ano passado do SonicBlast com o objetivo de tocarem neste festival. Com o seu objetivo realizado, levaram-nos até ao deserto da Califórnia com fortes linhas de baixo e guitarras a emanar diferentes tons psicadélicos.

A primeira banda internacional a subir para cima de palco foram os espanhóis Atavismo, que praticam uma mistura de prog-rock com psych-rock e, através de uma hipnotizante repetição de riffs, deixaram mais de metade da audiência em estado transe. Quando os Astrodome subiram para o palco foi notória a quantidade de pessoas que se levantaram e dirigiram para a frente do palco em vez de ficarem sentados na relva a apreciar o concerto. Este simples movimento mostra o respeito que muitos fãs tem por este quarteto, que cada vez mais se afirma de pedra e cal no movimento stoner português. Sem meias medidas, os Astrodome ofereceram aquele que foi, pessoalmente, o melhor concerto do palco piscina, através de delicadas introspeções psicadélicas e momentos de maior agressividade com poderosas distorções. Todos na banda tiveram oportunidade para exibirem a sua mestria técnica, mas deixo aqui uma nota especial ao baterista Bruno Silva, que deixou todos boquiabertos com um solo de bateria gigantesco.

A encerrar o palco piscina nesse dia foram os ingleses Electric Octopus num concerto que desiludiu dadas as jams desordenadas e a mudança brusca entre géneros musicais, que levava a que até os próprios músicos se atrapalhassem ao tocar os seus instrumentos. No entanto, foram muitos os fãs que ficaram até ao fim e deliraram com a atuação dos octópodes. A transição entre palcos foi tão repentina e rápida que a maior parte das pessoas ainda estava a conhecer o parque das merendas onde se encontrava o palco principal quando os Conan fizeram soar os primeiros acordes de “Thunderhoof”. Um dos concertos mais pesados do festival (e da vida de muitos na audiência), que não fazem descorar a técnica, apesar das afinações e distorções pesadíssimas. Apesar de sentir que não foi a hora mais adequada para o concerto, os ingleses deixaram tudo em palco e devastaram todos os inimigos em seu redor.


Ufomammut
Quando se pensava que o volume não podia subir ainda mais, eis que os gigantes italianos Ufomammut se apresentaram com um volume ridiculamente alto e uma mixagem de som desastrosa. Contudo, isso não impediu de ser um dos concertos mais aplaudidos do festival e a terem direito a dois encores. Uma coisa é certa, depois de ter saído deste concerto, todos os concertos para o resto da minha vida vão parecer que estão com um volume baixo. Depois da tempestade veio a calma, esta que chegou diretamente do deserto da Califórnia, os Nebula, liderados por Eddie Glass (ex-Fu Manchu), vieram partilhar a sua experiência como um dos pioneiros da cena de desert rock. Depois de uma dose tão pesada de doom, foi bom ver ouvir um pouco de rock n’roll e blues enquanto os americanos passearam por clássicos, inclusivé por temas do seu álbum seminal, To The Center.

Já de noite foi a vez dos dinamarqueses Causa Sui subirem para cima de palco e darem um dos melhores concertos do festival. Acompanhados por filmagens de filmes de pornografia retro e com uma grande descontração, abriram o seu concerto com "Homage", a sua faixa mais conhecida, e levaram todos na audiência a perder a cabeça trauteando as belas linhas de guitarra. Apesar de grande parte dos momentos parecerem improvisados e jams espontâneas, os músicos apresentavam uma química infalível e em qualquer momento se mostraram descoordenados. Uma grande demostração musical que deixou a grande maioria das pessoas de coração cheio e tristes por verem os nórdicos a abandonarem o palco, tanto assim que até tiveram direito a regressar e a tocar mais uma breve música.


Nebula
A tristeza não iria durar muito tempo, uma vez que poucos instantes depois seria a altura dos Samsara Blues Experiment subirem para cima de palco. Um dos pilares do stoner, apesar de terem entrado de uma maneira inesperada (o novo álbum, One With The Universe não encanta tanto como o incrível Long Distance Trip). Quando estes começaram a tocar temas como “For The Lost Souls” ou “Center of the Sun” as engrenagens começaram a rodar e o público rendeu-se. Com inúmeras trocas de tempos e riffs de deixar a salivar, os alemães entregaram um concerto competente, apesar de ficar no ar um sentimento que estes se podiam ter entregue um pouco mais ao concerto.

Antes de darmos o dia por encerrado, era a vez dos Mantar subirem ao palco e surpreenderem tudo e todos. Claramente uns offsiders neste cartaz, dado a sua mistura de black metal com punk hardcore, fazendo lembrar um pouco Nails. O duo alemão provou ser uma das grandes surpresas do festival, com a sua agressividade e uma das mais icónicas frases do festival: “I know this is a hippie festival but tonight is Friday night and it’s the night to start drinking and start fighting”. Apesar de ninguém se ter entregue realmente à violência, ainda se formaram alguns moches e muitos foram os que ficaram até ao fim a dar tudo. Com o encerramento do recinto ainda houveram uns corajosos que foram ao after no Ruivo’s Bar, mas o convite da tenda e do quente saco de cama falaram mais alto.


11 de agosto

O segundo dia começou, como habitualmente, no palco piscina com concertos dos espanhóis The Wizards, do projeto mais recente do guitarrista Pedro Pestana (10 000 Russos, Tren Go! Sound System) e do baterista João Pais Filipe (HHY & The Macumbas, Sektor 304, Magnetic Mountain, Paisel) Talea Jacta, do conjunto de sludge stoner metal espanhol Greengo, dos sul africanos Ruff Majik e dos Purple Hill Witch, especialistas em stoner doom.

Os gregos Naxatras tiveram o prazer de abrir o palco do último dia do festival e nenhuma banda podia ter sido mais adequada para tocar enquanto o sol ainda brilhava bem alto no céu. Um dos concertos mais animados do festival que levou a que muitos ainda dessem um passo de dança ao som do seu stoner psicadélico. O ambiente de descontração continuaria com os já experientes The Atomic Bitchwax e com o seu entusiasmante rock n’roll. Autointitulando-se dentro do género super stoner rock, a banda cujo baixista e baterista também fazem parte dos icónicos Monster Magnet, deram um dos concertos mais hiperativos do festival e a audiência correspondeu energicamente aos chamamento da banda de Nova Jérsia.



A segunda banda a representar as ilhas gregas neste festival foi 1000mods, mas ao contrário dos seus conterrâneos, estes apresentam um som bem mais musculado e distorcido. Ainda a apresentar o álbum Repeated Exposure To... lançado no ano passado, os gregos foram das bandas mais bem recebidas do festival e daqueles que tiveram um dos públicos mais efusivos, que acompanhou religiosamente as letras das músicas de início ao fim e que brindou a sua efusiva musica com moche e crowdsurfA aproveitar a eletricidade que ainda corria no ar, os Kadavar tiveram uma entrada triunfal (ao som de CAN), no festival que falharam no ano passado devido ao nascimento de um pequeno “kadavarian”. Recebidos de braços abertos, a banda teve tempo para divagar um pouco por toda a sua discografia, desde faixas mais antigas como "Black Sun" ou "Come Back Life", até a faixas do álbum mais recente Rough Times, que já são bem conhecidas pelo público, nomeadamente “Die Baby Die”.

Num dos derradeiros momentos do festival, Isaiah Mitchell, Mike Eginton e Mario Rubalcaba subiram para cima de palco e penetraram das mentes de todos os presentes. Desde as primeiras notas hipnóticas de "Uluru Rock" até ao final do concerto, os americanos Earthless levaram-nos a passear por diferentes galáxias, tendo como guia os infindáveis solos de guitarra de Isaiah como meio de transporte. Para além da guitarra, Isaiah também fez soar a sua voz em temas como "Black Heaven" e "Electric Flame", do seu álbum mais recente e mostrou que esta também é uma arma poderosa e eficiente. Com o fim de "Violence of the Red Sea" abandonaram o palco, mas foram chamados para um glorioso encore que incluiria dois covers, a primeira "Cherry Red" dos The Groundhogs, presente no álbum Rhythms From a Cosmic Sky, e uma jam em torno da “Communication Breakdown” dos Led Zeppelin. Um concerto de encher a barriga e que apenas pecou por não ter durado até ao sol raiar.

Com o encerramento em vista, as cerimónias finais ficaram ao encargo dos The Black Wizards e da poderosa voz de Joana Brito. Apesar de não serem estranhos ao festival, a banda foi recebida ainda por um bom número de fãs que mostraram muito carinho pelo quarteto, agora sem Helena Peixoto atrás da bateria mas com João Lugatte. A jovem banda mostrou o porquê de serem eles a encerrarem o festival e a experiência que adquiriram através das tours que fizeram pela Europa, partilhando uma boa dose de blues e fuzz com a audiência.



Depois da despedida do recinto e da nostálgica caminhada de volta à tenda, não pude deixar de pensar no quanto este festival tem evoluído de edição para edição. Cada vez tem contado com mais fãs, nacionais e internacionais, e a organização tem feito de tudo para conseguir corresponder às necessidades de todos os seus fãs. Deixo o meu voto para que estes continuem o seu bom trabalho e que continuem a fazer o festival crescer de forma sustentável e sem dar um passo maior que as suas pernas.

Posto isto, só me falta deixar aqui um até já e a promessa que para o ano voltarei a marcar presença nas fileiras deste festival.


SonicBlast Moledo 2018 - Dia 1

Texto: Hugo Geada
Fotografia: David Madeira

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ZigurFest - caminhando por Lamego, assim reza a lenda...

© Rafael Farias 
O ZigurFest vai para a sua oitava edição, continuando a espalhar o caos musical nas ruas de Lamego. De 29 de agosto a 1 de setembro, a cidade recebe 24 nomes emergentes da música portuguesa, espalhados por 8 palcos, do qual se destaca o Teatro Ribeiro Conceição, a sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego, o Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, o Castelo de Lamego, o largo da Rua da Olaria, o espaço verde do Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda), o Largo da Cisterna e a Capela de Nª. Srª. da Esperança. Serão quatro dias em que a música se funde com o vasto património milenar apresentado por Lamego.

Ao mesmo tempo, a Casa do Artista (localizada no histórico Bairro do Castelo) transforma-se numa galeria temporária onde estarão albergados os trabalhos das artistas em residência da Sofia Mascate e da Serena Barbieri. Adicionalmente, serão apresentadas duas peças da autoria de Manuel Guimarães e João Pedro Fonseca, havendo ainda espaço para dois workshops ligados à produção musical, por twistedfreak e Francisco Pina.

A celebração da música e arte portuguesa arranca a 29 de agosto, com o concerto de Ulnar + Sal Grosso no Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos (17h30), e encerra com a maratona electrónica dos 2Jack4U na Alameda, no Sábado de madrugada. A entrada no festival é completamente gratuita.

Caminhem connosco pelas ruas de Lamego, passo a passo.


29 de agosto


O primeiro dia do ZigurFest conta apenas com três espetáculos e a colaboração caseira Ulnar + Sal Grosso é a primeira a abrir as hostes nesta oitava edição. O Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos vai receber às 17h30 o que de melhor se faz em Portugal na música ambiente e noise. Às 18h30 rumamos todos ao Largo da Cisterna para assistir à atuação de Zarabatana. O trio feérico de Yaw Tembe, Bernardo Alvares e Carlos Godinho traz consigo O Terceiro Corno, a imprevisibilidade e um transe eterno sustentado pelo diálogo voluptuoso entre percussões, contrabaixo e trompete. Por fim, Dullmea, máscara que Sofia Faria Fernandes enverga em palco, atua às 22h00 na Sala de Grão Vasco no Museu de Lamego. Com um disco editado em 2018, Dullmea remete-nos para os tempos transcendentes e delicados daquele álbum da Björk gravado só com vozes. 



30 de agosto


O segundo dia de ZigurFest estende-se a outros espaços de Lamego, entre eles o palco Castelo, onde os Mazarin abrem o dia às 17h30. O quarteto editou este o seu EP de estreia homónimo, composto por canções instrumentais deveras orelhudas e pegajosas onde fundem o hip-hop com o jazz, na mesma onda dos valores de BBNG e Eabs. A festa continua no palco Castelo com os Terra Chã às 18h30. Formados por Fabrizio Reinolds (dj, coleccionador e produtor) e Ricardo Fialho (Inversus), editaram o seu EP de estreia, Dupla Insolariade, pela recém-formada Zabra Records, subsidiária da ZigurArtists, e são donos de uma house mais onírica. A dança como libertação é o mote para uma hora de ginga baleárica que não vamos esquecer tão cedo.


É já de barriga cheia que vamos assistir ao concerto de Mathilda pelas 21h30. A cantautora vimaranense lançou em novembro do ano passado , com apenas 17 anos, o single “Lost Between Self Expression and Self Destruction” e desde aí que tem estado nas bocas do mundo da música nacional mais alternativa. Em Lamego vamos encontrá-la envolta num cenário especial, a Capela de Nª. Srª. da Esperança, onde vai apresentar as suas canções de filigrana e veludo, pensadas para expor e sustentar bravamente as suas fragilidades, tocadas ora por um ukulele, ora por uma guitarra eléctrica. 

Às 23h00 fazemos a primeira incursão do festival no palco Alameda para assistir ao concerto de Gume, um dos ensembles mais entusiasmantes do país. Formados por Yaw Tembe, Pedro Monteiro, Sebastião Bergmann, André David, Tiago Fernandes e David Menezes, trazem o seu groove de cosmologia afro-futurista para nos fazer dançar e celebrar com alma à luz de nomes como Fela Kuti, Sun Ra, Last Poets ou The Roots.

Quando se atingirem as doze badaladas é a altura de ouvir o canto das Sereias no palco da Alameda. A banda do Porto que ainda está a dar os seus primeiros passos é movida a noise rock feroz e no wave sem forma, destino aparente ou referências óbvias. Agarrem-se bem para esta viagem. Continuando na Alameda, o último concerto da noite (01h00) fica a cargo de Inversus, projeto do produtor Ricardo Fialho. Activo há mais de uma década em Portugal, Ricardo estreou-se finalmente a solo em 2017 pela Zigur com Sobrena. Em Inversus ouvem-se laivos de synth-pop, hip-hop, electro e outras variantes da música electrónica - sempre com uma embalagem policromática e psicadélica qb.



31 de agosto


André Gonçalves vai presentear-nos com a primeira atuação do dia, às 17h30, no palco Castelo. André tem-se cimentado como um dos exploradores sónicos mais fundamentais além e aquém fronteiras. Fá-lo sempre com as mãos comandadas pelo coração: seja na construção de synths modulares pela ADDAC, seja na música, Eterna como gosta de a apelidar. Continuando no castelo, às 18h30 é a vez das Savage Ohms, quarteto puramente feminino de música livre e ruidosa que junta Beatriz Diniz (April Marmara), Teresa Castro (Calcutá), Joana Figueiroa e Violeta Azevedo. Isto é Kraut à séria, para viajar sem destino certo, assente no conforto de uma teia de efeitos meticulosamente tecida pelo encontro de guitarras e sintetizadores.

Às dez da noite vamos todos ao Teatro Ribeiro Conceição pela primeira vez nesta edição do ZigurFest. Ocasião? 

O concerto de David Bruno, ou dB, como era anteriormente conhecido. Na bagagem traz O Último Tango em Mafamude, disco editado este ano e muito acarinhado pelo público. Vestido com uma roupagem dos anos 90 e enriquecido com ritmos do hip-hop, um imaginário soul e músicas românticas, O Último Tango em Mafamude demonstra o amor que David Bruno tem pela sua cidade de Vila Nova de Gaia. A atuação vai contar com a presença de Marquito, guitarrista responsável pelos calorosos solos, e ainda com algumas projeções de momentos bem portugueses retirados da RTP Memória. 


Quando forem 23h00 é a vez dos NU subirem ao palco do Teatro. A banda de Santo Tirso vem apresentar o seu rock experimental fundido com outros elementos como a literatura, o vídeo e a performance, e influenciado por gigantes como os Swans, Einstürzende Neubauten, Mão Morta. Desconcertantes e incendiários, os NU podem muito bem vir a ser a grande surpresa do rock mais mecânico em Portugal. Quando passarem 30 minutos da meia noite, vamos até à Olaria ver os Vaiapraia e as Rainhas do Baile, coletivo recente, mas já definitivamente icónico em Portugal. As suas aparições têm tanto de concerto como de performance, misturando a pop punk mais doce com a mais aguerrida - isso deve-se não só ao companheirismo raro entre os músicos, mas também à vulnerabilidade que Rodrigo imprime na banda. Com eles, menos é mais e a força com que as canções de 1755 se fazem sentir trazem tanto de inspirador como de emancipador. 

Por volta da 1h30 é a vez de Ângela Polícia subir ao palco da Olaria. O projeto de Fernando Fernades, nascido em Braga em 2015, procura de forma sábia e paciente uma expressão sonora que faça jus à sua lírica: crua, interventiva e esquizofrénica qb. Encontrou-a em 2017, no delicioso e perigoso Pruridades, álbum onde funde o hip-hop ao dub, ao punk e ao grimeAntes de irem para a cama, há Mutual na Olaria às 2h30. Formados por André Geada e Manuel Bogalheiro, agitadores de pista no coletivo No She Doesn’t e produtores em nome próprio, dedicam-se aos cantos mais fumarentos da electrónica e percorrem caminhos não muito distantes dos trilhados por Demdike Stare, Millie & Andrea ou Andy Stott.



1 de setembro


No último dia de ZigurFest os Lavoisier são os primeiros a entrar em campo às 17h30, na Olaria, palco onde terminou a festa na passada noite. Encontro feliz entre Ricardo Afonso e Patrícia Relvas, duas almas musicais que parecem ter sido feitas a pensar uma na outra, os Lavoisier criam música portuguesa envolta em expressionismo e assente num binómio indestrutível - o minimalismo da guitarra e a voz (e corpo) moldável de Patrícia. Por volta das 18h30 sobem ao palco da Olaria o percussionista João Pais Filipe e o saxofonista alemão Julius Gabriel. Juntos formam Paisiel, duo que se move livremente entre géneros como a música experimental, o jazz e o rock, procurando atingir o delírio sónico e cósmico.

Após o jantar (22h00) vamos uma vez mais ao Teatro Ribeiro Conceição, assistir ao concerto dos Bardino, coletivo nortenho que aposta nas sonoridades psicadélicas em pleno 2017. Mas não se enganem com esta descrição tão usual nos dias que correm, pois o quarteto prefere mergulhar na rara tranquilidade introspectiva e escapista do psicadelismo antigo, em vez de recorrer aos tão aborrecidos riffs. Alicerçados na herança do rock progressivo e suas variantes tingidas a funk e jazz-fusão, os Bardino editaram em outubro do ano passado o seu EP de estreia homónimo com o selo da ZigurArtists.


Podem continuar bem sentadinhos no teatro que às 23h00 sobe ao palco O Carro de Fogo de Sei Miguel. Figura ímpar da música portuguesa do século XXI, colaborador dos Pop Dell’Arte, Sei Miguel tem produzido alguma da música mais intrigante de que há memória. Aliado a um mistério contínuo que tem rodeado a sua pessoa - e que encaixa como uma luva nas suas composições que têm tanto de vanguardista como de psicadélico -, tem construído de forma serena um legado riquíssimo. Chega a Lamego com a promessa de um disco novo, em que se relevam as melhores intenções fusionistas dos anos 70 do século passado.

Rumando à Olaria, vamos ver os Moon Preachers quando passar meia hora após a meia noite. Com uma sonoridade punk do mais rápido e poderoso que há, o duo do Seixal tem andado a rebentar tímpanos por todo o nosso país. Editaram o seu álbum de estreia, A Free Spirit Death, em março. Os vossos ouvidos vão ficar a zumbir durante uns tempos por isso usem ear plugs. O palco Alameda espera por nós à 1h30. Allen Halloween é um dos nomes incontornáveis da história do hip-hop tuga. Autêntica alma intocável, na composição e nos beats, claro, mas acima de tudo nas histórias que imortaliza a cada canção que lança, chega a Lamego embalado por um momento prolífero. Além do portentoso Híbrido – um puro acto de contrição cantado não recomendado aos mais sensíveis - tem-se sabido redescobrir e reinventar via Unplugueto, disco admirável pela sua simplicidade e pela abordagem honesta à música. Ponto alto do festival e da música nacional, história a fazer-se diante dos nossos olhos. 

Continuando a festa, os Scúru Fitchádu sobem ao Alameda às 2h30. Provando que não há limites para além daqueles impostos por nós próprios impomos, a banda liderada por Sette Sujidade (e que conta ainda com Chullage e Ronaldo D’Alva Teixeira nas aparições ao vivo) tem aberto caminho com o seu cruzamento imparável de punk e hardcore com funaná. Ou, como o próprio Sette Sujidade lhe chama sem pudor, música de pancada. E como tudo tem um fim, os 2JACK4U vão ser os últimos a atuar na oitava edição do ZigurFest, às 3h30 da manhã. Colecionadores ávidos de máquinas analógicas e exploradores sónicos, os 2Jack4U são uma locomotiva capaz de puxar para o centro da pista até o mais empedernido dos dançarinos. Têm no acid techno como força motriz para criarem a sua música e desengane-se quem acha que um só género os define: no âmago da dupla sobressai o espírito aventureiro, próximo de um rocker, mas para quem dançar é vital. No ZigurFest, está prometida uma maratona incendiária para encerrar o festival. 

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