sábado, 29 de setembro de 2018

[Review] Alpha Strategy - The Gurgler


The Gurgler // Antena Krzyku // agosto de 2018
8.0/10


The Gurgler é o mais recente disco de estúdio dos canadianos Alpha Strategy, uma daquelas bandas que vocês têm de apontar aí no bloco de notas se são fãs de música desafiante dentro dos panoramas do rock experimental, art-rock e noise. Este novo disco, lançado no último dia de agosto pela Antena Krzyku, vem dar sucessão a Drink the Brine, Get Scarce (2016) e, além de desafiador – pelas suas quebras, transformações de ritmo e lírica – The Gurgler mostra-se ainda como um álbum provocativo, com músicas que nos conquistam ao mesmo tempo que desamparam. 

Além do art-rock que é definitivamente uma das grandes bases deste The Gurgler, os Alpha Strategy vão ainda beber influências ao post-punk, como é notório em malhas como "The Gargler", tema feito de guitarras rasgadas, ritmos monocromáticos e o sentimento nostálgico carregado na evocação vocal de Rory Hinchey. Ainda neste campo de misturas do rock artístico e do post-punk experimental dos anos 80, os Alpha Strategy avançam com "To the Woods That I Know", que é um daqueles temas muito bem concebido, com uma introdução, desenvolvimento e conclusão completamente em sintonia, apesar da sua personalidade arrastada.


Mas se é para falarmos de boas malhas deste disco podemos começar logo pela frenética música de abertura "I Smell Like a Went Tent", que entre intervalos rítmicos, uma voz desesperada e um ambiente tipicamente caótico apresenta a sofreguidão de se ser humano. Além desta também nunca esquecer de referir "Pissed Out The Fire" que abre com os jeitos da spoken-word contemporânea, aquelas guitarras cintilantes e uma percussão tipicamente calma, conduzindo-nos lentamente a um ambiente de confronto. "Parada" também segue as mesmas pisadas, apresentando-nos uma banda com uma evolução clara face ao trabalho antecessor.


Em suma, The Gurgler é um disco difícil. Difícil no sentido em que meia dúzia de audições não são suficientes para perceber todo o conceito que lhe está envolto. Difícil no sentido em que as regras da composição musical são mudadas e conduzidas como o quarteto de Toronto quer. Difícil também porque se apresenta como um trabalho sonoro bastante diferente daquilo que se tem feito, além de difícil de rotular. The Gurgler é claramente um disco da vanguarda para ouvintes que querem o som da frente.
 

Os Alpha Strategy são Rory Hinchey (voz, lírica), James McAdams (guitarra), Evan Sidawi (bateria e percussão) e Dan Edwards (baixo/guitarra). Aproveitem para conhecer melhor a banda através da sua página do Facebook, ou se preferirem pela página do Bandcamp.



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MagaFest leva até à Casa Independente Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas


O MagaFest vai voltar à Casa Independente para a sua 4ª edição. É a 6 de outubro que as MagaSessions se transformam em MagaFest, recebendo Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas para quatro concertos que têm como ponto de partida o foco nos três compositores e nos seus diversos projectos que se entrecruzam.

As MagaSessions são sessões musicais que acontecem no Saldanha desde 2012, na casa de Inês Magalhães. Um espaço invulgar de concertos únicos e íntimos onde se divulgam e promovem músicos já estabelecidos no panorama musical português, bem como novos talentos que fazem a sua estreia na casa, por onde já passaram uma variedade de autores ao longo destes 6 anos apresentando aos convidados as mais diversas experimentações sonoras.

Norberto Lobo apresenta o seu mais recente álbum, Estrela, fruto da residência que fez em 2017 na Galeria Zé dos Bois, com Marco Franco, Ricardo Jacinto e Jaw Tembe. Com um grupo de músicos que facilitam a visita a outras paisagens e tomando como centro a sua guitarra, Estrela é uma exaltação fresca e misteriosa da música pelo seu instrumento de eleição.



Bruno Pernadas, acompanhado por António Quintino, Diogo Duque, Luís Candeias e Francisco Andrade, vem até ao MagaFest com Worst Summer Ever, que aborda diversos estilos tais como música improvisada, jazz, rock e música erudita. Na conjunção destes estilos procura aquilo que se assume como identitário de cada um, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas e texturais.



Marco Franco, auto-didacta das teclas e um nome familiar no imaginário pop português, apresenta Mudra, o seu novo álbum, ao piano, que existe numa tensão minimalista com um universo colorido de notas. Com passagens por projectos como Mikado Lab, Peste e Sida e colaborações com Dead Combo, Carlos Bica e Memória de Peixe, Marco Franco apresenta-se sozinho ao piano.



O grand finale que dá o mote ao MagaFest é o concerto de Montanhas Azuis, onde os três compositores se juntam num projecto que é uma das grandes surpresas de 2018. Rodeados de sintetizadores, piano e guitarra, os músicos fazem nascer um mundo tropical que desliza pela eletrónica dos seus universos pessoais.

Os concertos decorrem das 18h às 02h. Os bilhetes custam 15€ e estão à venda na Ticketline e nas MagaSessions.

 

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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Rotten \ Fresh realiza festa na Flur com a família inteira


A Rotten \ Fresh é uma jovem editora discográfica DIY baseada em Lisboa, que se foca em promover projectos dentro da música alternativa portuguesa. Criada por um grupo de amigos unido em prol da boa divulgação artística, a Rotten já conta com 8 edições físicas puramente dentro do espírito do do it yourself.

A editora prepara-se agora para fazer mais uma festa de família, desta vez na Flur Discos em Sta. Apolónia. O cartaz para esta festa tem como ponto alto a apresentação do novo álbum de Buhnnun, e conta também com concertos de Oströl, Império Pacífico, Simão Simões, trash CAN, Waterdownrobotroute, UNITEDSTATESOF e noçãosaudade.

Este evento irá decorrer na Flur Discos, dia 27 de outubro, entre as 15h e as 21h. A entrada será gratuita, mas aceitam-se donativos.


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Black Bass - Évora Fest anuncia mais 4 bandas


O festival eborense Black Bass - Évora Fest está novamente de volta este ano, entre 15 e 17 de novembro, para a sua 5ª edição consecutiva. À semelhança dos anos passados, o primeiro dia da festa ("dia zero") vai acontecer na Sociedade Harmonia Eborense, enquanto que os restantes dias irão decorrer na já habitual SOIR - Joaquim António D'Aguiar. O cartaz consiste principalmente (mas não só) nos melhores nomes do psych/garage/shoegaze/surf rock nacional, e também internacional. 

Este line-up, que já conta com nomes como Mujeres e Paul Jacobs, levou um reforço de 4 bandas no dia de hoje. 10000 Russos, Sunflowers, Kings of the Beach (ES) e Iguana Garcia são os projectos que foram anunciados para o festival. Preparem-se.

Os preços dos bilhetes diários e passes para este quinto aniversário do Black Bass ainda irão ser anunciados.

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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Silent Carnival - "Arles" (video) [Threshold Premiere]

Caterina Fede ©
Silent Carnival is the project of Marco Giambrone, a journey that began in 2012 and where drones, songwriting, fragile melodies, noise and silence combine and collide with one another in an intimate and sparse sonic landscape. Having already released two studio albums - seft-titled (2014) and Drowning At Low Tide (2016) - Silent Carnival is getting ready to release a new album this year. 


Somewhere is an album about visions, dreams and premonitions with many different vibes, widening the colour palette than in the past. Less drones and more acoustic instruments to dress a songwriting free from fences of music genre. Recorded between January and February 2018 in the home-studio based in Cammarata (Sicily), Somewhere confirms band members and constant collaborators Alfonso De Marco, Caterina Fede and Andrea Serrapiglio, adding new musicians like Stefano De Ponti, Luca Swanz Andriolo and Luca Serrapiglio

In order to promote this new record, Silent Carnival is now releasing the new music video for "Arles", a track about a reflection on past, on places that mark and change our life. That brief moment when you try to relive a feeling, but finding only blurred images. The video was directed by Corrado Lorenzo Vasquez and it tell us in black and white the story of a girl living in her depressed beauty, in a solitude driven reality with a few glimpses of hope. You can watch the audiovisual work for "Arles" below.

Somewhere will be released on October 19, 2018 via Italian label Backwards Records and you can pre-order it here.

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Festival Para Gente Sentada com cartaz fechado e passes gerais esgotados


Aos já confirmados Nils Frahm, Marlon Williams, Alice Phoebe Lou e Núria Grahm juntam-se Medeiros/Lucas, Filipe Sambado, Riding Pânico, IAN, Madrepaz e West Coast Man, numa programação diversificada que vai levar o melhor da música a Braga nos dias 16 e 17 de Novembro. As actuações distribuem-se entre o Theatro Circo, GNRation e centro da cidade.

Os bilhetes para sábado e os passes gerais para o Festival para Gente Sentada já se encontram esgotados. Os bilhetes para sexta-feira, 16 de Novembro, podem ser adquiridos por 25€.


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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Cave Story em entrevista: "Não estamos a tentar inventar a pólvora"


Os Cave Story vão editar Punk Academics no final desta semana (via Lovers & Lollypops), o sucessor do seu disco de estreia West. O agora quarteto das Caldas da Rainha percorre as lições do DIY, do punk e do hardcore ao longo deste novo registo. Registo esse que serve de estudo das influencias sonoras, mas também das repercussões estéticas, que o punk teve desde os seus primórdios até à actualidade.

Punk Academics foi gravado pelos Cave Story numa pequena casa no Oeste. Nasceu da materialização simbólica da "Punk Rock Academy" de que nos falou Atom & His Package no disco A Society of People Named Elihu. Desta feita com curadoria dos Cave Story.

As primeiras datas de apresentação ao vivo de Punk Academics acontecem dia 28 de setembro no Maus Hábitos, no Porto, concerto integrado no circuito Super Nova, e dia 29 de setembro na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. A tour nacional continua em outubro e dezembro. Em novembro a banda estará em tour pelo velho continente.



Podem ler a entrevista a Ricardo Mendes (baterista) e Zé Maldito (guitarrista) na íntegra, em baixo.

Do vosso ponto de vista, perspectivas e ideologias, quem são os Cave Story?

- Quem? Somos nós os quatro, não é? (risos) 
Ricardo - Cave Story já existe como banda há algum tempo, para aí desde 2013 ou 2014, mais coisa menos coisa. Temos o agora na banda, há um ano mais ou menos... Aliás o Zé já estava connosco há mais tempo.
- Desde o primeiro concerto do West, eles gravaram tudo os 3 e depois eu juntei-me ao vivo no concerto de apresentação.
Ricardo - Se calhar foi para por mais texturas, outras camadas... para além de ser mais uma guitarra. Basicamente é isso.
- Se calhar estavas à espera de uma resposta mais filosófica.
Ricardo - O quê? Filosófica? 
- Um bocado aquilo que estávamos a falar há bocado na Sporting TV, de porque é que não fazemos música electrónica, por exemplo. Acho que Cave Story é um conjunto de influências ou de ideias que todos partilhamos, de certa maneira.
Ricardo - Sim, é isso.
- Ouvimos todos coisas de pessoas que admiramos e o trabalho de imensa gente.
Ricardo - Não só viradas para aquilo que nós tocamos, tipo hip hop ou assim.
- Acho que é um bom tema de conversa agora neste disco, no que toca a este tipo de perguntas. Porque eles acabaram de fazer o outro disco, começámos a tocar e foi um bocado "Porque é que estamos a tocar rock? Porque é que isto ainda faz sentido?". Depois pensámos "Ok, nós gostamos mesmo de punk, então bora estudar o punk e o rock".
Ricardo - E tentar perceber mais ou menos como é que as coisas se fazem, ou como se faziam nos anos 80, 90, ou até mesmo dos anos 70. Porque nós gostamos muito daquela estética toda do DIY, do it yourself, tudo aquilo que essas bandas de punk emulavam na altura. Fazer as próprias editoras...

O vosso som faz me lembrar bué The Fall, não sei porquê.

- Sim, é uma grande influência. 
Ricardo - Uma grande influência sem duvida.
- São pessoas como o Mark E. Smith, a certo ponto nós pensamos "Ya é isso que é mesmo fixe, que nós gostamos. Bora estudar um bocado porque é que as coisas foram feitas assim, o que é que eles ouviam para dar esse som", porque nós às vezes se calhar passamos dias sem ouvir nada que tenha a ver com rock. E depois é "Mas porque é que isto continua a fazer bué sentido? Porque é que gostamos destas músicas que estamos a fazer"... Estamos a tocar e pensamos "Isto é mesmo assim, é isto que faz sentido", é um bocado por aí.



E podiam-nos explicar melhor de onde veio o título Punk Academics?

Ricardo - Pronto, é mais ou menos isso. É um estudo ou então uma interpretação um bocado nossa, das nossas influências e dos artistas que nós gostamos. 
- É um bocado assumir essa cena. Nós não estamos a inventar a pólvora, não andamos a inventar um subgénero novo.
Ricardo - Um subgénero ou mesmo assumirmos-nos punk, nós não somos assim.

Há pessoal que anda por aí e diz "Sou bué punk" e não sei quê.

- Ya, não tem nada a ver com isso.
Ricardo - Não tem nada a ver com isso. Acho que é só mesmo um estudo que nós fizemos ao longo das nossas vidas, enquanto músicos, sobre coisas que nós gostamos e dos artistas que nos influenciam bastante, percebes? Porque por exemplo eu pego em Black Flag, que é das minhas bandas favoritas, e eles fizeram a própria editora, as próprias bandas, lançaram outras bandas, faziam os cartazes... Faziam isso tudo. E pelo menos para mim, falta o resto do pessoal, identifico-me bastante com isso.

É como estavam a dizer, identificam-se com aquela estética do it yourself do punk.

- É uma cena mais de atitude no sentido de quais é que foram as repercussões do punk, e não a cena punk, de ser contra tudo. É mesmo do que é que dali resultou, quais foram as consequências daquilo que se veem e fazem sentido ainda hoje. O título mesmo, Punk Academics, veio da música "Punk Rock Academy", não me lembro do nome do gajo agora. Mas foi tipo "Aia este título é mesmo fixe", e depois começámos a pensar sobre isso. O Gonçalo tinha falado e começou a fazer sentido, o que nós estávamos a fazer era estudar de certa maneira as coisas. Não por ser super badass, as músicas não são nada disso. E quando são é sem querer, é porque faz sentido na música.

A música que dá nome ao vosso novo álbum tem 8 minutos. Como é que uma banda de punk faz uma música de 8 minutos?

- É um bocado por aí (risos). Acho que essa pergunta, de certa maneira, responde a ela própria (risos). Como é que chegámos ao ponto de isto ser mesmo só um estudo sobre, não estamos a dar um facto a nada.
Ricardo - Exacto lá está, é aquilo que estavas a dizer há bocado. Não estamos a criar nada de raiz, não é tipo um 'statement' punk. É mais o que é que o punk, ou a escola do punk, nos influenciou como músicos a fazer a nossas próprias coisas.
- Nas primeiras versões da "Punk Academics" havia lá uma parte em que o Gonçalo estava a fazer um solo, ainda estávamos a inventar, e ele estava a fazer um riff de Fall. Não foi de propósito, mas ele estava a fazer um som e eu disse "Man isso é Fall". Isso acontece.

Isso acontece sim, um gajo memoriza aquele riff e depois toca sem dar conta.

- Aquilo provavelmente não era igual, mas era um conjunto de notas parecido. Passava um bocado por Television também.
Ricardo - Eu acho que a "Punk Academics" acaba por ser um bocado a viagem do disco todo. Tens umas partes mais calmas, tens partes que explode, tens muitas dinâmicas percebes? E eu acho que neste disco vai se notar a cena, porque temos músicas mais rápidas...
- Sim, quase todas mais pequenas. 
Ricardo - Essa é mesmo a maior.
- No disco as músicas têm tipo 2 minutos, é capaz de haver uma ou duas com 3.
Ricardo - E temos para aí 4 de 1 minuto. Acaba por ser um bocado o segmento do disco, é a dinâmica toda que está presente.

O vídeo de "Punk Academics" tem videojogos antigos, e como vosso nome também vem de um jogo antigo, de que maneira é que os jogos vintage vos inspiram para este projecto?

- Acho que não tem haver objectivamente com o projecto, é a nossa maneira de estar na vida. Gostamos de ver o que há de fixe, não quer dizer que seja de agora ou antigo. Um bocado por aí.
Ricardo - E que não seja só tipo música. Pode ser jogos, pode ser filmes, pode ser qualquer coisa.
- Nós falamos secalhar mais de jogos do que de música. Nós já sabemos mais ou menos e compreendemos que todos os quatro ouvimos perto das mesmas coisas. Quando comentamos não discordamos assim tanto de nada.
Ricardo - Por acaso não.
- E quando há cenas mais estranhas que o Ricardo ouve ou eu oiço, nós já conhecemos esse lado da pessoa. Eu apesar de me ter juntado a eles há pouco tempo, já me dou com vocês para aí há 8 anos. 



Quais foram as diferenças na gravação de West para este álbum?

Ricardo - Eu acho que as diferenças honestamente não foram assim tantas, estou a falar no sentido técnico.

De composição.

Ricardo - Sim, de estúdio também. Acho que foi muito no momento como foi o West. E depois como nós temos a nossa própria sala de ensaios, que é o nosso estúdio também, onde gravámos os discos, acabamos por fazer as coisas ao nosso ritmo, com tempo. Guardamos os registos todos, depois eventualmente tentamos fazer alguma composição, ou arranjar outros elementos por cima disso. Porque temos sempre a possibilidade de gravar, editar e compor. Então nesse sentido acho que não houve assim tantas diferenças. Eu acho que o Punk Academics foi gravado num espaço de tempo mais pequeno, no sentido em que nós fomos para a sala de ensaios gravar, ainda não tínhamos as músicas feitas e foi "Vamos fazer músicas, ok? Tá fixe? Vamos gravar já". Isto aconteceu, enquanto no West foi mais "Já temos músicas planeadas então agora vamos gravá-las". E por acaso no Punk Academics foi mais rápido.
- Foi uma cena mais tipo de trabalho mesmo. Ir para lá às 9h, estar lá a tocar, recolher as gravações mais tipo demo. E depois escolher os dias em que gravamos. Mas não sei como é que foi o West, só sei de eles me contarem.
Ricardo - Mas é isso, o West foi assim que aconteceu. Nós fizemos as músicas e depois fomos gravar. Neste aqui não, composemos e gravámos logo a seguir. À excepção da "Special Dinners", essa música foi lançada agora e tinha para aí 4 anos. Nós já tocamos essa música há algum tempo, depois deixámos de tocar. Às tantas apareceu, apanhámos um rascunho marado num computador de alguém e dissemos "Epa lembram-se de quando a gente tocava isto? Isto era bué fixe". Começámos a partir daí e agora é um dos singles. As coisas foram bué naturais.



E como é fazer parte da família Lovers & Lollypops?

Ricardo - Até agora tem sido muito fixe.
- Estamos ao lado de nomes portugueses que nós admiramos. Isso é se calhar a cena mais fixe. Quando pensas nos nomes é fixe, tá ali um legado já bem feito.
Ricardo - Uma cena mesmo muito fixe. O pessoal da Lovers trabalha lá com o Márcio, com o Fua, são pessoas com quem nos damos muito fixe. Mas também nos damos bem com o resto das bandas lá, e até agora temos gostado de trabalhar com eles.

Têm algumas surpresas para os concertos de apresentação do álbum?

Ricardo - Surpresas não sei (risos).
- Epá vamos tentar ser competentes.

Pensam fazer alguma tour internacional com o lançamento de Punk Academics?

Ricardo - Vamos fazer, em novembro. Ou estamos a planear... Já temos muitas datas marcadas, só falta confirmar uma ou outra, ainda está a acontecer. Mas sim, a meio de novembro vamos para a Europa. Vamos tocar em França, Espanha, Itália, Suíça, Polónia, Alemanha e também Holanda.

Isso é fixe. Há cada vez mais bandas portuguesas a fazer tours internacionais.

Ricardo - E eu acho muito bem.
- Não te vais estar a cingir a um público.

Da zona de conforto.

- Sim exacto.
Ricardo - Eu por acaso acho muito piada mesmo à cena de estares num sítio, aconteceu isto, e depois vais para outro sítio e as coisas são completamente diferentes. É bué imprevisível e por acaso acho bué piada a isso.
- E depois são sempre sistemas bué diferentes. Uns é tipo umas pessoas que organizaram o concerto, uns gajos quaisquer. Outra cena é tipo uma sala de espectáculos. É bué fixe para ver que ouvir música é universal, seja qual for o meio.

O pessoal que eu entrevisto normalmente também fala disso. Fazemos sempre aquela pergunta de histórias que têm durante as tours, e eles falam sempre de pessoas diferentes e sistemas diferentes de sítio para sítio. Tipo aqui em Portugal é de uma maneira, na França é de outra, na Alemanha é de outra...

Ricardo - Mas mesmo dentro dos países, as cidades que vais passando são sempre diferentes. 
- Os sistemas são sempre diferentes. Nós em Itália tocámos numa cena que era tipo um armazém no meio de... Sei lá, aquilo era mesmo shady, víamos bué prostitutas em todo o lado. 
Ricardo - Aquilo era um bar mas parecia um complexo de armazéns.
- Aquilo era mesmo estranho. Nós chegámos lá e ficámos do tipo "O que é que é isto? Onde é nos viemos a meter...", e era muito fixe. E no outro dia a seguir tocámos no meio de Bolonha, num palácio no meio da cidade. É bué fixe na mesma mas foi tipo "Ontem estávamos ali..."

Com prostitutas (risos)

- E aqui agora se calhar também tem mas estão escondidas (risos).

Quais são os vossos planos para o futuro?

Ricardo - Continuar a tocar, fazer o máximo de tours possíveis, tanto nacionais como internacionais.
- Nós ainda não tivemos oportunidade de tocar o disco ao vivo, por isso acho que nós os quatro queremos mesmo tocar isto.
Ricardo - Ya, estamos mesmo entusiasmados. E é continuar a fazer o que temos feito até agora, quando temos oportunidade de continuar também a compor... Mas não somos uma banda que se incomode assim tanto, sencalhar depois disto podemos gravar 2 EP's, quem é que sabe.

Já pensaram em tocar até velhinhos? Estarem os quatro num estúdio...

Ricardo - Epa não sei, logo se vê.
- Nenhum de nós pensa muito nisso, estás a trabalhar, estás a fazer o que gostas. Ainda por cima está relacionado com arte, que é uma cena sempre estranha, bué abstracto sempre. É fazer música.  

E para finalizar, o que andam a ouvir ultimamente?

Ricardo - Eu nem sei, o que é que te tinha dito?
- Eu não sei o que tens ouvido. 
Ricardo - Diz tu então, eu não faço ideia.
- Agora tenho ouvido bué uma cena que já saiu há alguns tempos que é Rezzett, o álbum novo deles. Muito fixe, eles tiverem a tocar para aí há 2 ou 3 meses em Lisboa na ZDB. Epa tenho ouvido mesmo bué cenas.
Ricardo - Eu por acaso tenho andado a ouvir muito, mas muito hip hop. Imenso. Há alguns tempos um colega meu mostrou-me um documentário de dub chamado Dub Echoes, e o grupo de hip hop que foi entrevistado chama-se Beat Junkies. Eu não conhecia e fui pesquisar. Eram DJ's muito conhecidos tipo o DJ Babu e não sei quê. E arranjei há pouco tempo uma ou duas beat-tapes dele, e é de doidos. Gosto imenso. É um bocado isso que tenho andado a ouvir, hip hop no geral. Amanhã o Mobb Deep vai tocar ao Iminente e eu estou um bocado triste porque não arranjei bilhete (risos).

E pronto é tudo, obrigado!


Entrevista por: Tiago Farinha

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Grand Sun editam esta sexta o álbum de estreia, The Plastic People of the Universe


Após lançarem em 2016 o single "Apolo" pela Xita Records, é no festival Indieota que os Grand Sun decidem começar a compor o seu primeiro registo. Já em 2017, no interlúdio dos concertos e ensaios, mostram-se no programa E2 (RTP2) em processo de composição do disco The Plastic People of the Universe, captado e produzido no Blacksheep Studios pelo Guilherme Gonçalves e pelo Bruno Plattier. 


E deste disco saem malhas que nos falam de personagens peculiares. Todos somos retratados, de certa forma. É um reflexo, claro, não só desses meses anteriores, mas também dessas amizades, dos desamores, da contemplação, dos concertos partilhados e da consequente boémia. O mantra colorido da "Flowers" a meio do disco une o seu inicio - "Go Home" e '"Little Mouse" são swings de fita magnética - e o seu final - "The Clown" e 'Round and Round" são passeios por esse mesmo jardim contemplativo, onde nada mais interessa senão observar e cantar o que os rodeia.

Dois anos volvidos e depois de uma temporada dividida entre a constante viagem e as atuações na Galeria Zé dos Bois, Musicbox, Sabotage ou LX Factory, os Grand Sun preparam-se para lançar este primeiro disco, reflexo de tudo que o que se passou entretanto. The Plastic People of the Universe chega às lojas esta sexta-feira (28 de Setembro).

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Soichi Terada ao vivo no Plano B


Soichi Terada é o fundador da editora Far East e compositor da banda sonora dos jogos Ape Escape. A sonoridade das suas músicas passa pelo house, o jungle e o drum and bass. 

O artista japonês vai tocar ao vivo na 6ª feira 19 de outubro no Plano B (Porto). O preço dos bilhetes ainda não foi revelado.

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terça-feira, 25 de setembro de 2018

STREAM: Melquiades - Oyster Eggs


Os Melquiades são uma banda de rock experimental lisboeta formados por António Agostinho na guitarra, Diogo Sousa na bateria, Luís Lucena no baixo e João Nascimento nos sintetizadores. O quarteto, que adota ritmos e harmonias latinas na sua sonoridade, diz-se influenciado por Bruno Pernadas, Mars Volta e até pelos seus desenhos animados de infância favoritos. Compostos por membros dos Moullinex e QuartoQuarto, os Melquiades são capazes de criar sons particularmente únicos.

Editado no passado dia 17 de setembro e gravado por Pedro Ferreira (Quelle Dead Gazelle, HAUS)Oyster Eggs é o EP de estreia da banda. Trocadilhos, desenhos animados e boa onda misturam-se e invadem tanto os nomes das músicas como o nome do próprio EP, surgindo este Oyster Eggs de uma variação dos famosos "Easter Eggs", que tão familiares são na cultura dos cartoons e dos jogos.

A banda apresentou o EP ao vivo no Sabotage Club, na passada quinta-feira. Para aqueles que não foram, podem ouvi-lo em baixo.

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Low apresentam novo disco em Lisboa este sábado


Os norte-americanos Low já devem estar a fazer as malas para aterrarem sábado (29 de setembro) em Lisboa. O trio formado no anos 90 por Alan Sparhawk, Mimi Parker e Steve Garrington editou pela Sub Pop no passado dia 14 de setembro o seu décimo segundo álbum de estúdio, Double Negative. Considerado como o disco mais ousado e poderoso da sua carreira, Double Negative reveste as suas onze canções pop de elementos ruidosos e estáticos, havendo também espaço para terrenos sonhadores e ambientais.

O concerto dos Low no LAV - Lisboa ao Vivo também se fará dos seus êxitos passados, sendo esta uma banda com um excelente registo discográfico ao longo dos seus 25 anos de carreira. Músicas de I Could Live in Hope (1994) e Things We Lost in Fire (2001), álbuns que definiram o slowcore, não irão faltar.


Os bilhetes têm o custo de 22€ e pode ser aqui adquiridos.

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