sábado, 13 de outubro de 2018

STREAM: KREWE - Voodoo King


KREWE é o projeto a solo de Diogo Augusto em que procura misturar Bounce do Hip Hop de Nova Orleães, Punk, Jazz e Dance Music. Depois de ter feito parte de projetos como The Jack Shits, Sonic Reverends, Los Saguaros, Blues Hell Hound e de alguns lançamentos em nome próprio, KREWE é a nova vida do músico português que, atualmente, reside em Edimburgo.


"Ao vivo, é expectável que todas estas influências se tornem visíveis trazendo com elas a energia que vem de alegria, raiva, descontração e burlesco fundidos num único sítio onde fazer a festa é obrigatório."

Voodoo King está disponível no Bandcamp, onde pode ser ouvido e baixado gratuitamente.

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Passatempo: Ganha bilhetes para Boogarins em Aveiro

passatempo-ganha-bilhetes-boogarins

A banda brasileira de indie rock psicadélico Boogarins, que já contam com três álbuns e com o carinho de quem os ouve tanto em disco como ao vivo, vão passar em várias partes do país durante o presente mês de outubro, entre elas a cidade de Aveiro.


Em parceria com a promotora Tago Mago, estamos a oferecer dois bilhetes duplos para o concerto, que irá ter lugar no dia 21 de outubro no Avenida Bar Concerto. Para seres um dos contemplados só precisas de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

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2. Seguir a Tago Mago no Facebook:


3.
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4. Preencher o seguinte formulário:



O passatempo termina no dia 19 de outubro às 22:00 e os passes serão sorteados de forma aleatória, através da plataforma www.random.org. Boa sorte!



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Atualizado às 02h00 de 21 de outubro de 2018

Os vencedores do passatempo são:
Catarina Silva
Maria João Martins

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

STREAM: mARCIANO - m4RC14N0


mARCIANO é o novo projeto de Marciano (Canker Bit Jesus, Homem de Marte) que se estreou a solo e como compositor através do registo 14.000 dias entre Terra e Marte, lançado em outubro de 2017. Todo o seu crescimento deu-se no seio do rock mas foi na linguagem pop com reminiscências anos 80 que encontrou neste momento o meio para exprimir as mais variadas influências. Um ano depois, o compositor regressa agora com m4RC14N0, álbum de remisturas do disco de estreia que conta com a assinatura de artistas como Ramos Dual, Surma, Eden Synthetic Corps, Broto Verbo, entre outros nomes.

Este sábado, dia 13 de outubro, o compositor apresenta na Stereogun em Leiria (informações adicionais aqui14.000 dias entre Terra e Marte, álbum que originou m4RC14N0, um disco irreverente, emotivo e neo-romântico que contou com a masterização de Pedro Lourenço. O álbum pode ser agora reproduzido na íntegra, abaixo.

m4RC14N0 foi editado esta sexta-feira (12 de outubro) com a chancela Diagonal Records.


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Reportagem: Tim Hecker & The Konoyo Ensemble [Culturgest, Lisboa]

Vera Marmelo ©
Tim Hecker 2014 vs. Tim Hecker 2018

A 26 de Outubro de 2014 fui ver Tim Hecker ao portuense Hard Club, e com intenso entusiasmo. Tim Hecker, na altura o meu melhor parceiro em dias de melancolia e noitadas de estudo. E tinha feito quase um ano do lançamento de Virgins (2013), que até hoje para mim se mantém como a melhor coisa electrónica da década corrente, uma obra-prima de ambiente erudito e drone: suberbo agridoce sonoro, ambiciosa técnica e angustiante emoção, é como se fizéssemos um profundo mergulho nocturno, uma sensação de enorme leveza e serenidade enquanto estamos embrulhados de água e negrume por todo o lado, indutor do melhor transe extra-sensorial. Aquela odisseia acústica aperta-nos de uma forma que pouca coisa é capaz… Tipo pós-rock com portátil e mesa de mistura. Se o termo pós-electrónica nunca foi usado, eu declaro já o Tim Hecker o rei desse lindo burgo.

Voltando ao Hard Club: entrei na sala, nevoeiro por todo o lado, escuro como o breu também. E assim se manteve por toda a performance, nem uma ponta de luz se levantou. Uma verdadeira rajada de ruídos brancos e de todas as cores, decibéis poéticos e apocalípticos. Vai-se a ver e ele não tocou nada do seu cardápio editado, o único som que reconheci foi o belo belo belo single para a Adult Swim "Amps, Drugs, Mellotron". Mas não importou, nem uma hora foi mas pude experimentar a eternidade, senti que estava de pontas de pés e o céu abaixo de mim, que a qualquer altura no meio do escuro eu iria ver a luz ao fundo do túnel e estava em paz com isso. Paz, é isso. Tim Hecker, se não encarnava Deus, andou bem perto. Uma verdadeira dádiva. De coração e sorriso rasgados, igual triste igual feliz, fui para casa com os pés mantidos em bicos.


4 anos depois

Vera Marmelo ©

Love Streams, depois Konoyo. Permitam-me ser controverso: ou eu cresci ou Tim Hecker mingou. Não acho o Konoyo assim *tão* bom e o talvez-o-melhor-da-sua-carreira que tudo anda a especular. Tal como não percebo o enorme "meh" que Love Streams recebeu na altura. Na opinião, Konoyo está um pouquinho abaixo de Love Streams, e apesar de ambos serem bons, estão a milhas dos entorses na alma fornecidos por Virgins, Ravedeath, 1972, ou Harmony in Ultraviolet. Inegável que Konoyo é fiel ao seu compositor, muito interessante o uso de instrumentação tradicional japonesa e tem os seus lindíssimos momentos (como "This Life" ou o final de "In Mother Earth Phase"), mas acho que é mais um óptimo portefólio dos talentos de produção do artista que não se materializa num óptimo conceito como álbum (à semelhança do recente Age Of do Oneohtrix Point Never). Sem dúvida mais polido, mais directo e equilibrado, mas há um certo gelo e piloto automático em Konoyo, não chega àquele “sweet spot” de comoção, em vez de entrarmos num mar profundo e levitarmos no som, debatemo-nos com uma parede (não obstante bastante bonita) que se fica a observar.

Com isto em mente, fui ao Culturgest no dia 6 de Outubro de 2018, apesar de tudo bastante curioso por Tim Hecker trazer uma “banda”. Outra vez, a sala envolta em nevoeiro. Dejá-vu. A noite foi aberta com a comparsa de estúdio Kara-Lis Coverdale, com as suas costuras dum esoterismo digital reminiscente do Oneohtrix Point Never e Kaitlyn Aurelia Smith. Coisa de gostar e entreter mas não de pasmar. E com uma enorme fluidez, se fez transição para o divino.

Vera Marmelo ©

Deus lá entrou com os seus apóstolos, e desta vez Deus decidiu de facto tocar os sons de Konoyo: recordo-me de "This Life", "In Death Valley," "Across to Anoyo". Foi assolador e soberbo ouvir o choro dos sopros japoneses e o belicismo do tambor, acompanhado pela sempre-etérea e algo caótica composição de Tim Hecker, que até teve oportunidade de tocar a solo por uns minutos. E foi uma coisa bonita, coisa que voltaria a ver mil vezes, mas senti-me como se a ver uma performance de magia conhecendo já uns quantos truques. Vi, não vivi. A primeira paixão é difícil de bater, mas não deixa de haver amor.

Tim Hecker é Tim Hecker, leva-nos a sítios que poucos conhecem e desafia-nos a ir com ele – e vamos com todo o gosto. No entanto não sei se foi o álbum apresentado, se foi o estar sentado num grande auditório (admitamos a ilógica de tal afectar o resultado emocional), mas não foi nenhum Tim Hecker 2014. Daqui a mais 4 anos haverão outros lançamentos, outros concertos, esperemos que Tim Hecker aprenda novos truques que eu desconheça para me deixar derreado. E se não, vivo bastante bem com isso, e continuarei a amar o gajo, e a confiar nele para me levar aos confins da alma.

Vera Marmelo ©

Texto:
Nuno Jordão
Fotografia: Vera Marmelo

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Spiritual Front vão passar Smiths no Sabotage e Stereogun


Os Spiritual Front, projeto a solo de Simone H. Salvatori formado em 1999, vão regressar a Portugal já na próxima semana para duas datas nas cidades Lisboa e Leiria, onde a setlist estará focada na reinterpretação dos grandes êxitos dos The Smiths e do Morissey. O trio italiano de pop suicida, que lançou em março o novo disco Amour Braque, toca assim a 19 de outubro em Lisboa, no Sabotage Club, e a 20 de outubro em Leiria, na Stereogun.

O preço dos bilhetes para o concerto em Lisboa, onde a banda vai também tocar músicas do seu último álbum, têm o custo de 13€ em pré-venda e 15€ no próprio dia. Em Leiria os bilhetes têm também o custo de 13€ + o consumo de uma bebida.

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[Review] HHY & The Macumbas - Beheaded Totem


Beheaded Totem // House Of Mythology // setembro de 2018
9.0/10

Há álbuns que nos fazem questionar a própria definição de jazz. Outros, aquilo que é esse chavão distante e impossível de concretizar que é a música do mundo. Ainda outros ousam em quebrar para lá das barreiras da conotação experimental. Beheaded Totem, novo álbum dos HHY & The Macumbas editado pela House of Mythologyé um compacto vitamínico que praticamente sem se esforçar expande o conceito da música de dança experimental do século XXI. A verdade, é que os rótulos existentes não chegam para enquadrar este trabalho no panorama da arte sonora contemporânea. 

Enquanto que muitos dos trabalhos que têm saído dentro do mundo do jazz de fusão ou de forma livre são edificados nos moldes que já tinham sido construídos, o grupo liderado por Jonathan Uliel Saldanha - discutivelmente um dos artistas portugueses mais interessantes da atualidade - desconstrói o jazz, a música electrónica, a "world music" e a música de dança e a partir destes destroços edifica um ritual único e estranhamente dissociado das suas origens. Beheaded Totem existe não só enquanto álbum, mas também como um exercício de arte pós-moderna bem sucedido.

As secções de sopro são quase nobres e sacrilégios em simultâneo - a sua dimensão em faixas como Deep Sleep Routine e Danbala Propagada tornam-nas quase adequadas a um enquadramento clássico, não fossem os elementos de improvisação e ecos que quebram a previsibilidade. Os ritmos de dança latinos e africanos preenchem o espaço que rodeia a improvisação e condução de Jonathan Uliel Saldanha graças aos quatro percussionistas que integram a banda. Nos intervalos desta sonoridade e graças ao mesmo quarteto, faixas como Deep Sleep Routine, Ergot Glitter e Swisid Mekanize Rejiman reformulam a música electrónica de club numa versão electro-acústica pós-tribal. Será ainda impossível esquecer os momentos de maior liberdade musical como A Scar in the Skull e A Scar in the Bone

Talvez o melhor ponto de equivalência para este álbum será um intermédio entre o seminal Bitches Brew de Miles Davis, um álbum que ficou conhecido pela maneira como revolucionou o jazz ao integrar ritmos repetitivos facilmente associados a processos ritualísticos e instrumentos eléctricos neste cenário, e os ritmos electrónicos de editoras como a Príncipe Discos. É óbvio que HHY & The Macumbas não é igual a Miles Davis, Chick Corea ou Dave Holland, tal como não é DJ Nigga Fox ou Niagara; é apenas o produto de séculos de música a convergirem num transe ritualístico de jazz de dança. É só, e apenas isso.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

STREAM: MASTER BOOT RECORD - Virus.DOS


Cerca de seis meses depois de nos ter presenteado com Direct Memory Access (Blood Music, abril de 2018), MASTER BOOT RECORD regressou às edições com o seu novo disco - Virus.DOS - que volta a colocar o produtor de synth-metal nos tops de vendas de sites como o Bandcamp e a mostrar mais uma edição com um selo de qualidade de excelência.

Com este novo Virus.DOS MASTER BOOT RECORD posiciona-se cada vez mais entre os melhores produtores da nova onda synthwave, elevando-lhe comparações a nomes como Carpenter Brut, Perturbator e GosT. Deste novo recomenda-se a audição de temas como "V-SIGN" "SKYNET", "ELVIRA" e "MARS".

Virus.DOS foi editado no passado dia 2 de outubro pelo selo Blood Music.


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STREAM: Dear Deer - Chew-Chew


Os Dear Dear regressaram às edições de estúdio com o segundo trabalho longa-duração Chew-Chew, que chega às prateleiras dois anos depois de Oh my .​.​. (2016) e apresenta uma faceta ainda mais dançável que o seu antecessor. Formados em 2015 por Federico Iovino e Claudine Sabatel, a sonoridade dos Dear Deer tem-se tornado marcante dentro do novo panorama da música underground ao conjugar elementos do post-punk, noise, no-wave e algum charme da música disco, o que lhes garante uma aura marcante e igualmente sensual.

Deste novo Chew-Chew já tinham sido apresentados anteriormente os temas "Disco-Discord" e "Stracila". O disco pode ser reproduxido na íntegra abaixo, recomendado-se fortemente a audição de temas como "Jog Chat Work & Gula-Gula", "Deadline" e "Ozozooz", além dos já anteriormente mencionados.

Chew-Chew foi editado esta quinta-feira (11 de outubro) pelos selos Manic Depression Records (vinil) e Swiss Dark Nights (CD).


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Palas lança álbum de estreia, Dente de Leão


Conhecido pelas interpretações em Smix Smox Smux e Máquina del Amor, Filipe Palas, vocalista e guitarrista, despe-se e dá a conhecer o seu novo projeto, desta feita, a solo. Fruto da necessidade de expressão, o projeto Palas assemelha-se a um diário privado ou a uma sessão de psicoterapia; uma mistura de memórias e delírios que fazem deste projeto um espelho de Filipe Palas.

O intenso humor e sarcasmo são acompanhados de ironia e deboche, perfeitamente embebidos de rock n’ roll por todos os lados. Antes, porém, uma introdução conceptual que dá o mote para o restante disco: vai sair da pele, vai ser pessoal e intenso. As guitarras sónicas dão origem a clarinetes, em devaneios onde as portas da percepção são propositadamente difusas, como se estivéssemos num sonho alcoólico, num orgasmo de sensações e de memórias.

Neste disco fala-se de “paus mandados”, de prazeres imundos, de mágoas e saliva, crianças que saltam à corda, numa parafernália de sensações, um mundo deliciosamente disforme, belo e hilário de Filipe Palas.*

"Esperança" é o segundo single de Dente de Leão, disco que chega amanhã (12 de outubro) às lojas.


A banda que actua neste álbum, para além de Filipe Palas, é constituída pelo Tiago Calçada na guitarra, João Costeira na bateria, Filipe Fernandes no baixo, Luís Marques no clarinete e prometem muita energia e diversão nos concertos ao vivo. 

13 de outubro - Sabotage, Lisboa com NO!ON
28 de dezembro - Contemplater, Joane

*Texto retirada da press release com autoria de Márcio Alfama Freitas

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Mucho Flow: uma celebração de música urgente

SKY H1
Foi no passado sábado que se realizou mais uma edição do Mucho Flow, o festival que, anualmente (e ao longo de apenas um dia), tem vindo a propor alguma da melhor oferta cultural à cidade berço, que acolhe o evento desde 2013. Na sua sexta edição, o festival organizado pela Revolve regressou com uma aposta forte na diversidade, propondo um cardápio de luxo que reflete um pouco do que de melhor e mais emergente se anda a produzir nas esferas da música contemporânea. Seguindo uma linha de pensamento coerente para com a edição transacta, que contou, entre outros, com a presença de God Colony, Flohio, Sega Bodega e Nadia Theran, o Mucho Flow voltou ao Centro para os assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA) para mais um dia recheado de estreias e novidades, com o grime, o jazz, o rock e a eletrónica a ecoarem bem alto.

O dia começou cedo com os concertos de Huggs e Vaiapraia, que partilharam o palco Noc Noc para dois concertos de acesso gratuito. Seguiu-se o primeiro ato internacional do cartaz, os norte-americanos Ditz, que se estrearam em Portugal para um festim breve mas eletrizante de riffs sujos e contagiantes. Hilary Woods, uma das mais recentes entradas no sempre fascinante repertório da Sacred Bones, foi mais uma das estreias do festival. A música e compositora irlandesa apresentou-se a solo no palco Super Bock, acompanhada de teclado e guitarra elétrica que alternava entre canções de uma pop crua e refinada. Explorando temáticas que vão da tristeza e o abandono à constante mutação do amor, Woods reconfortou o público com o seu próprio desconforto, equilibrando acordes de guitarra despojados com tessituras atmosféricas e industrias geradas por piano e sintetizador.

Fire!
Mais abrasiva seria a performance dos Fire!, que se seguiriam logo após no Palco Revolve. O supergrupo sueco liderado por Mats Gustafsson apresentou-se pela primeira vez em Guimarães para um dos momentos mais poderosos da noite, uma demonstração que juntou peso, virtuosismo e explorações electrónicas. Acompanhado pelos comparsas Johan Berthling, no baixo, e Andreas Werliin, na bateria, o power trio escandinavo apresentou os temas de The Hands, o mais recente trabalho do grupo pela Rune Grammofon, proporcionando aquilo que pode ser descrito não como um duelo, mas sim como um diálogo entre titãs. Aos rasgos desenfreados do saxofone tenor de Gustafsson juntam-se as linhas de baixo certeiras de Berthling e a bateria irrequieta de Werliin, intersectando os terrenos mais libertinos do jazz com a costela omnipresente do rock. Num concerto claramente mais curto que o apresentado uns meses antes em Serralves, os Fire! mostraram-se, no entanto, bem mais focados e concisos, encerrando a performance com um tema explosivo que representa o melhor das experimentações sónicas deste empolgante organismo.

Um dos nomes mais emergentes a surgir da costela da PAN, Sky H1 apresentou-se pela primeira vez em Portugal com uma atuação promissora no palco Super Bock. Depois de um EP pela Codes (do produtor Visionist) e de integrar o alinhamento de mono no aware, a compilação que juntou a produtora belga a Yves Tumor, M.E.S.H e Bill Kouligas, Sky H1 tem vindo a gerar um discreto mas curioso burburinho dentro das esferas do experimentalismo contemporâneo. Perante uma sala não muito composta, a produtora esboçou linhas dissonantes de sintetizador que se juntavam a vozes incorpóreas aplicadas através de samples, produzindo padrões esparsos e circulares carregados de emoção. A atmosfera que gera através das suas composições é multicolor, turva e extremamente profunda, tornando o digital em algo tão humano como o próprio luto, tema que serviu de mote para a produção do seu mais recente EP, Motion. Talvez por isso as reminiscências aos drones de Tim Hecker tenham feito tanto sentido, aproximando o universo frio e complexo da produtora às produções encorpadas e cristalinas do canadiano. 

Black Midi
E porque a urgência é uma das palavras que melhor descrevem este festival, nada melhor do que trazer uns Black Midi em fase embrionária. Composto por quatro jovens estupidamente talentosos, a banda tem vindo a ser descrita como a próxima grande cena britânica, possuindo até à data um único single editado. O corpo de trabalho da banda assume-se, portanto, nas suas atuações ao vivo, onde se demonstram senhores de um som portentoso que bebe tanto das estruturas matemáticas de Louisville (Slint, June of 44, et al) como da estranheza dos PIL (a voz do vocalista poderá ser descrita como um misto entre John Lydon e Nina Simone). As suas músicas são ferozes, intensas e peculiares, mas também complexas e impenetráveis, gerando uma sensação de caos contido que anda sempre próximo da vertigem. Foi sob este ritmo frenético e sufocante que os rapazes se apresentaram no Palco Revolve, conquistando um público babado pela mestria e virtuosismo precoce de um dos mais promissores projetos a surgir da sombra do Reino Unido. 

Se nos Black Midi podemos encontrar uma das forças fundamentais da nova música britânica, em GAIKA encontramos um dos seus maiores representantes. Mais estabelecido que os anteriores, o natural de Brixton tem vindo a assumir-se como força vital da música suburbana, um híbrido de difícil categorização que se insere nos quadrantes do grime e do hip hop menos ortodoxo, aos quais junta influências da cultura caribenha e ainda elementos que vão do bass ao garage. O seu mais recente disco pela Warp, Basic Volume, marca a estreia do MC britânico nos registos de longa-duração. Foi sob este mote que GAIKA se apresentou pela primeira vez no festival vimaranense, onde apresentou uma lição de poesia electrónica no seu estado mais puro, carregada de motivações políticas e apelos à mudança e revolução. Apoiado por boas doses de auto-tune e linhas de baixo de peso, GAIKA revela um universo único, alienígena e sombrio que é reflexo do período obscuro e imprevisível verificado no Reino Unido, que confronta como poucos são capazes. Responsável por um dos momentos mais acesos da noite, GAIKA contagiou os presentes com o seu flow caraterístico e embriagado, envolvendo o espaço numa atmosfera tão densa quanto festiva.

GAIKA
O ritmo frenético continuaria com uma incendiária atuação dos Mourn, o quarteto catalão que regressou a Guimarães para mais um concerto de proporções épicas. Tenros em idade mas maturos na mentalidade, os Mourn apresentam-se mais oleados do que nunca, com um novo disco tão portentoso quanto a energia que apresentaram ao vivo. Perante uma das salas mais cheias da noite, os Mourn provaram ser transcendentes aos rótulos que lhes são atribuídos, mostrando um rock apuradíssimo de influência post-hardcore que ganha pela garra e determinação com que é vociferado. 

A noite não ficaria por aqui, com Nídia a proporcionar duas horas de ritmos e batidas viciantes. Do casamento feliz entre a música tradicional africana e o house aos ritmos sensuais do tarraxo, a produtora conquistou o público com mais um set irrepreensível, dado que se demonstra cada vez mais adquirido. DJ Lynce encerrou uma noite que se fez longa mas sorridente, culminando mais uma edição de luxo do festival que se tem assumido cada vez mais como espaço para a melhor melhor produção contemporânea.

Fotogaleria completa aqui.
Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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Reportagem: Low [Lisboa ao Vivo]


Boa Noite Tristeza.

Alan Sparhank (guitarra e voz), Mimi Parker (baterista e voz) e Steve Garrington (baixo) compõem o trio Made in USA que esta noite (29 de setembro) nos apresentou o seu novo trabalho saído neste verão intitulado Double Negative e distribuído pela lendária SubPop.  Na maioria dos temas, ouve-se e observa-se a tranquilidade melancólica com que os Low nos brindam ao longo de quase 25 anos e nos deram doze álbuns, média impressionante de trabalho e dedicação.

Frios, soturnos, poéticos nas vozes, a sonoridade é negra, os ritmos são lentos e por vezes caóticos, a distorção é uma constante, ora mais audível, ora marcada por uma presença quase discreta. Os temas apresentados no Lisboa ao Vivo são praticamente repartidos por dois trabalhos, o novo Double Negative e One And Sixes de 2015, não esquecendo a bellíssima "Lazy", de I Could Live In Hope (1994) e "Do You Know How To Waltz?" de The Curtain Hits The Cast (1996), tema que com os seus 14.37 minutos transforma um sublime paraíso num caótico inferno, cheio de guitarras rasgadas pela distorção, cheia de lamentos.  

Pode-se ser feliz com a música que os Low nos transmitem ?

Low [Lisboa ao Vivo]

Texto e fotografia: Virgílio Santos

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Novo disco de Jibóia à vista


Está a chegar o novo disco de Jibóia. O novo trabalho chama-se OOOO que nasce do processo de criação e residência realizada no DAMAS bar em 2017. Conta com a colaboração de Mestre André, que se junta a Ricardo Martins e a Óscar Silva para assinarem este terceiro longa duração da banda. O disco chega às lojas a 30 de Novembro com selo Discrepant.

A partilha é um elemento crucial na criação da música de Jibóia. Nos seus três lançamentos anteriores procurou colaboradores que ajudassema criar a dinâmica que queria no seu som. No passado trabalhou com Makoto Yagyu (If Lucy FellRiding Pânico e Paus) como produtor do primeiro EP, homónimo, (2013); Sequin e Xinobi no disco seguinte, Badlav (2014), e juntou-se a Ricardo Martins para criar Masala (2016), produzido por Jonathan Saldanha (HHY & The MacumbasFujako). Em OOOO assumiu o formato banda, e a Ricardo Martins (Lobster, Pop Dell’Arte, BRUXAS/COBRAS, entre outros) juntou André Pinto (aka Mestre André, Notwan e O Morto), para formarem o trio com que actualmente Jibóia se apresenta.

A viagem de OOOO é mais partilhada do que as anteriores. Os três músicos partiram à experiência para criar música através de um conceito, pegando em Musica Universalis, de Pythagoras, que relaciona o movimento dos planetas e a frequência (onda) que eles produzem, com uma harmonia interespacial que essas frequências somadas produzem. Como os músicos descrevem, “é uma relação matemática, algo religiosa até, já que essa musica é inaudível. Uma espécie de conceito poético que designa, ao fim e ao cabo, o som do universo em movimento.”  


Alinhamento:

1. Diapason  
2. Diapente   
     3. Diatessaron   
4. Topos        

Editora: Discrepant 

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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Old Jerusalem edita novo disco


Chapels, o 7º álbum de Old Jerusalem, é uma colecção de canções imediatas e sem adornos. O que se ouve é praticamente a primeira fixação gravada de cada um dos 10 temas que compõem o disco, em interpretações ainda intimamente associadas ao processo da sua escrita e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos. Pretendeu-se que cada canção veiculasse assim o seu primeiro ímpeto criativo e a urgência da sua comunicação.

“Black pool of water and sky”, a canção que serve de cartão de visita para o álbum, é disto um exemplo: uma canção simples e quotidiana que encontra o seu significado na citação de uma outra que afirma que “nada significa nada”; e uma canção que evoca a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro. O videoclip é realizado por André Tentúgal.

“Chapels” é uma edição de autor que chega às lojas dia 12 de outubro com distribuição pela Sony Music.

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Anna Calvi regressa a Portugal já na próxima semana


Na próxima semana, Anna Calvi regressa a Portugal para apresentar o seu último álbum, Hunter, no Hard Club (Porto, dia 19) e no Capitólio (Lisboa, dia 20). 

Produzido por Nick Launay (Nick Cave, Grinderman), Hunter foi gravado pela banda de Anna Calvi, a que se juntou Adrian Utley dos Portishead nos teclados e Martyn Casey dos The Bad Seeds no baixo.

Depois do EP em colaboração com David Byrne, Strange Weather, de 2014, que se seguiu ao álbum One Breath de 2013 e ao homónimo álbum de estreia de 2011, Hunter representa uma catarse para a cantautora e virtuosa guitarrista que navega um território de verdade como ainda não ousara. Mais visceral do que nunca, Anna Calvi olha de frente a temática da sexualidade e das questões de género num registo que tem tanto de forte, quanto de vulnerável. Assim a encontraremos em Portugal já na próxima semana.

Estes concertos integram uma extensa tour europeia e os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais.

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The Young Gods apresentam novo disco em Portugal


Os suíços The Young Gods vão regressar ao país em abril de 2019 para dois concertos inseridos na tour europeia da promoção do sucessor de Everybody Knows (2010), cujo lançamento é esperado para fevereiro de 2019. O primeiro destes concertos está agendado para 14 de abril no Lisboa ao Vivo (LAV) e o segundo no dia seguinte, a 15 de abril, no Hard Club, no Porto.  A camaleónica banda subirá aos palcos nacionais apenas com um dos membros da formação original, o vocalista Franz Treichler

Os The Young Gods têm pressionado os limites do som por mais de trinta anos, tendo começado por apresentar uma abordagem musical situada entre o punk industrial e o cabaré surrealista, cujo rumo foi direcionado, mais tarde, para a música eletrónica/techno, onde forjariam a sua sonoridade distinta. Durante este processo os The Young Gods tornaram-se velhas lendas do cenário europeu post-industrial

Ambos os concertos são agenciados pela promotora At The Rollercoaster e os bilhetes para ambos os concertos têm o preço único de 25€. 



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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Programação: At The Rollercoaster - último trimestre de 2018

Iceage © Steve Gullick

The Soft Moon, Iceage, Wire e Public Service Broadcasting são alguns dos nomes de peso que integram a programação da promotora At The Rollercoaster para os últimos três meses do ano. A promotora portuense que se expandiu este ano também à capital regressa já no final desta semana aos palcos com The Soft Moon e Whispering Sons, mas já na próxima quarta-feira (10 de outubro) teremos mais um nome icónico da música industrial a ser revelado para 2019. Até lá é fazer o flashback do que poderemos acompanhar ainda este ano.

OUTUBRO

THE SOFT MOON + WHISPERING SONS

12 de outubro - RCA Club, Lisboa
13 de outubro - Hard Club, Porto 


The Soft Moon, o projeto liderado pelo multi-instrumentista Luís Vasquez chega a Portugal para apresentar o seu mais recente disco de estúdio, Criminal, que carrega um som desagregador resultante dos auto conflitos criados na sua mente. Consequentemente é o trabalho mais auto-reflexivo do artista até à data e o primeiro na conceituada casa Sacred Bones

A abertura do concerto fica ao cargo dos belgas Whispering Sons que regressam a Portugal cinco meses depois de terem tocado com os Second Still. É a terceira vez que a banda toca no Hard Club, desta feita para apresentar o novo disco de estúdio, Image que chega às prateleiras esta sexta-feira, 12 de outubro.

Os bilhetes para ambos os concertos custam 20€. As informações adicionais para o concerto de Lisboa seguem aqui e para o concerto no Porto, aqui.




ICEAGE + TEREBENTINA

26 de outubro - Hard Club, Porto | 21h00


Os Iceage atuam no país, pela primeira vez em nome próprio, no final do mês de outubro para atuar também pela primeira vez na cidade do Porto. A banda de Elias Bender Rønnenfelt apresenta ao público português Beyondless, o quarto disco de estúdio que explora novos territórios sonoros, mantendo o rico caráter dos começos impetuosos da banda.  Desde New Brigade (2011), um álbum que assume um punk delinquente e juvenil, cheio de condenação fria e distante, a You're Nothing (2013) com a voz de Elias ainda pouco incisiva, seguiu-se Plowing Into The Field Of Love (2014) que os levou a conquistar uma posição muito acarinhada pelos mais diversos tipos de público a nível mundial. Agora com Beyondless, há espaço para uma produção de luxo que poderá ser disfrutada ao vivo no final do outubro. O concerto no Porto conta com os Terebentina na abertura.

Os concertos no Hard Club, Porto têm um preço de 17€. Todas as informações relativas a este concerto encontram-se aqui. A banda dinamarquesa também atua no dia seguinte, 27 de outubro, em Lisboa, num concerto inserido no Jameson Urban Routes



NOVEMBRO

WIRE 

23 de novembro - RCA Club, Lisboa
24 de novmbro - Hard Club, Porto | 21h00



Os Wire, banda de rock britânico formada em 1976, percussora do movimento post-punk e uma das primeiras banda de punk-rock a misturar as suas sonoridades com conceitos artísticos, estão de regresso a Portugal para dois concertos a acontecer no final de novembro. Os Wire influenciaram e continuam a influenciar imensas bandas a nível mundial e o seu marco de carreira, o álbum de estreia Pink Flag (1977), foi tido como um álbum original para a data dada a abordagem punk minimalista, combinada com estruturas pouco ortodoxas. Os Wire regressam ao país, dez anos depois de terem tocado em Serralves, com cinco novos álbuns na bagagem, Red Barked Tree (2010), Change Become Us (2013), Wire (2015), Nocturnal Koreans (2016) e Silver/Lead (2017). 

Os bilhetes para ambos os concertos têm um preço único de 22€. Todas as informações adicionais para o concerto em Lisboa aqui e no Porto aqui.


DEZEMBRO

PUBLIC SERVICE BROADCASTING

2 de dezembro - LAV, Lisboa
3 de Dezembro - Hard Club, Porto


Conhecidos pelas suas transmissões audiovisuais ao vivo que difundem amostras de antigos programas de rádio e televisão, material de arquivo e material de propaganda, enquanto ensinam as lições do passado através da música do futuro, os Public Service Broadcasting regressam a Portugal no início do mês de dezembro para nos apresentarem as canções do mais recente disco Every Valley (2017). O trio que junta J. Willgoose Esq. na guitarra, banjo, samples e outros instrumentos de corda, Wrigglesworth na bateria, piano e JF Abraham no fliscorne, baixo, percussão entre outros instrumentos, apresenta no Porto e Lisboa um disco que retrata a história de uma classe trabalhadora marginalizada numa época de turbulência distante, através de um espetáculo audiovisual que promete ser um dos grandes do ano.

Os concertos para os concertos no Porto e em Lisboa têm um preço de 22€. Todas as informações adicionais do concerto em Lisboa seguem aqui e no Porto podem encontrar-se aqui.


Além destes concertos que ocorrem até ao final de dezembro está já marcado para 2019 o regresso dos Echo & The Bunnymen, em dois concertos agenciados pela At The Rollercoaster. Informações adicionais aqui.

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