segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Common, Jay Electronica e Just Blaze na 4ª edição do Festival Iminente



O Festival Iminente está de regresso a Lisboa, e o alinhamento para quarta edição do evento curado por Vhils e pela plataforma Underdogs já é conhecido. Depois de ter passado pelo Rio de Janeiro, Xangai e Londres, o festival volta ao Panorâmico de Monsanto para quatro dias de música, arte e conversas, tudo com vista priveligiada. O evento acontece entre 19 e 22 de setembro.

A matriz urgente e refrescante que carateriza o Iminente mantém-se intacta, e o foco volta a centrar-se na música urbana e nas suas diversas variantes. A estreia nacional do rapper norte-americano Common é um dos grandes destaques desta edição, que este ano leva mais de 100 artistas a Lisboa. Ao autor de Be juntam-se os conterrâneos Jay Electronica e o  parceiro Just Blaze, conhecido pelas suas produções para Jay-Z na era The Blueprint. Para além dos americanos, o Iminente conta ainda com a presença das brasileiras Linn da Quebrada e Badsista, dos cabo-verdeanos Bulimundo e Mayra Andrade, do teclista sírio Rizan Said e dos portugueses Dealema, Pedro Mafama, David Bruno, Odete, Fado Bicha, Shaka Lion, DJ Marfox, entre tantos outros.

Os ingressos para o festival, que este ano disponibiliza apenas bilhetes diários, possuem o custo de 15 euros por dia, e estão disponíveis nos locais habituais a partir do dia 2 de setembro.



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La Zowi e Ms Nina no Theatro Circo em outubro



Em outubro, o Theatro Circo, em Braga, é palco para duas das mais importantes caras da nova música urbana. A cantora e MC catalã La Zowi e a artista multidiscplinar argentina Ms Nina juntam-se para uma noite partilhada na histórica sala bracarense no dia 31 de outubro.  

La Zowi é uma das porta-vozes da nova cena trap catalã, que vê na conterrânea Bad Gyal o seu maior impulsionador. Mas se a última se apoiou numa frota estelar de produtores (Jam City ou El Guincho são apenas alguns dos exemplos), La Zowie juntou esforços com um dos mais emergentes coletivos a sair da catalunha. Falamos da sua relação com a Fractal Fantasy, coletivo pluridiscplinar que serve como plataforma para a promoção de alguma da mais entusiasmante produção contemporânea, e que tem em Sinjin Hawke e Zora Jones os seus cabecilhas. É com a última, aliás, que a catalã ladeia uma cúmplice relação, tendo colaborado com a produtora austríaca em temas essenciais como “Obra de Arte” ou a portentosa “Money Hoe”.   

MS Nina é natural da Argentina, vive atualmente em Espanha e tem vindo a destacar-se como uma das novas faces do neoperreo, subgénero da música reggaeton. A sua carreira é curta, mas a cantora atingiu rapidamente falatório a nível global, escalando para os lugares cimeiros do Spotify a poucos dias do lançamento dos seus temas. Perreando por fuera, llorando por dentro é a mais recente mixtape da argentina, um compêndio curto mas intenso em eletrónicas lascivas, com um discurso contundente que fala sobre sexo e empoderamento feminino.  

Os bilhetes para o espetáculo já se encontram disponíveis e variam entre os 6€ (para detentores do Cartão Quadrilátero) e os 12€. 


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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Falta menos de um mês para o regresso de Hania Rani a Portugal


É já no próximo mês que Hania Rani, pianista e compositora de origem polaca, regressa Portugal para nos mostrar Esja, o seu disco de estreia, editado no passado dia 4 de abril. Os concertos serão em Lisboa (MusicBox) e Porto (CCOP), e acontecem a 4 e 5 de setembro, respetivamente.

O seu álbum de estreia foi recentemente editado com o selo da Gondwana Records, casa de artistas como GoGo Penguin e Portico Quartet, onde as composições de piano representam uma fatia grande do catálogo. Hania Rani destaca-se pela sua interpretação sensível da música, com cada nota sendo cuidadosamente colocada sobre acordes assombrosos, fazendo de Esja uma peça profundamente complexa de música clássica.

Hania Rani regressa ao nosso país pelas mãos da Gig Club e os bilhetes custam 10 € para membros e 15 € para não-membros.

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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O Vai-m'à Banda regressa no final do mês para a sua terceira edição


Gratuito e itinerante, o Vai-m'à Banda é uma celebração da música e destes locais de tão forte tradição na cidade. Num diálogo que pretende contribuir para a preservação das tascas e seus costumes, a música aparece como a melhor desculpa para reunir pessoas onde os cabeças de cartaz são, por um dia, o vinho de malga, o bolo com sardinhas e o caldo verde.

Na terceira edição, o Vai-m’à Banda expande-se e inclui duas novas tascas. Os Amigos da Penha e a Adega dos Caquinhos juntam-se assim às já conhecidas Adega do Ermitão, Tio Júlio, Taberna do Trovador, e Tasca Expresso. A música, essa desculpa perfeita para experenciar todos estes espaços, fica a cargo de Omar Souleyman, Sunflowers, Luís Severo, Benjamim, Calcutá, Chinaskee e DJ Fitz.

Omar Souleyman é já conhecido do público português. Com presenças em grandes festivais mundiais, o sírio traz animação, boa disposição e torna todos os corpos dançantes. O último concerto do dia promete ser um dos pontos altos desta edição. Depois de um 2018 com mais de 100 concertos, os Sunflowers voltam a Guimarães num 2019 menos atribulado, mas não menos enérgico. Conhecidos pelo som vibrante e vigoroso, trazem ao Largo do Trovador Castle Spell enquanto preparam o próximo longa duração. Benjamim encherá com certeza o cimo da montanha da Penha com canções pop carregada de metáforas e melodias. Mostrará o aclamado 1986, fruto de uma parceria com o britânico Barnaby Keen, assim como anteriores registos. Em 2017, Luís Severo fez o arranque da então primeira edição do Vai-m’à Banda num belíssimo concerto na Tasca Expresso. Este ano sobe à Penha (não confundir com Penha de França) e traz consigo O Sol Voltou, lançado em maio deste ano pela Cuca Monga, o seu disco mais “pessoal e confessional”. Chinaskee volta a Guimarães, desta vez a solo e com uma roupagem diferente do habitual. Sem os habituais colegas, traz consigo o teclado e a guitarra, onde vai mostrar trabalhos anteriores e o alguns dos temas do próximo disco BochechasCalcutá é o projeto a solo de Teresa Castro, ex guitarrista de Mighty Sands e baterista de Savage Ohms. Lançou o EP Over Night em 2017 e está agora a gravar o seu primeiro longa duração. Trará à Adega dos Caquinhos a memória e a magia das paisagens desertas da América em que se inspira. O fim da noite ficará nas mãos de DJ Fitz, que  ficará encarregue de fechar esta edição do Vai-m’à Banda.

O evento tem início às 15h de sábado na Tasca Expresso, onde serão distribuídas gratuitamente pulseiras que darão acesso à viagem de teleférico para a Penha a um preço reduzido. O número de pulseiras é limitado pelo que é recomendada pontualidade.

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Je T'Aime - JE T'AIME's new album track by track


The French badass post-punk outfit JE T'AIME recently released their debut baby, Je T'Aime, an astonishing album containing a total of eleven songs ready to conquer the audience and to fuel the most dashing dancefloors. With a raw, dirty, controversial, but highly addictive record JE T'AIME is starting to position themselves as one of the new interesting and promising acts within the Parisian underground scene.

Wanting to know more about this incendiary new record, we asked JE T'AIME to explain us the meaning of each of the songs that make part of this new homonymous record, released last May through Icy Cold Records and Manic Depression Records. Enjoy listening to each song while getting some hints about its lyrics, down below:


01. The Sound 

This first album is a concept album describing a man's descent into hell during a Parisian night filled with excesses of all kinds. It shows how decadence ends up taking over love. This first track presents a young couple dancing in a Parisian gothic evening. The drunkenness of the young man ended up annoying the young woman who decided to leave the evening without him, alone. I love you, but I'm leaving you. 


02. Dance 

With "Dance" we get to the heart of the matter, have fun at all costs, or die. The black sky, filled with white powder, is a reference to the blackouts that have been suffered after too much excess. It's obviously a song about the desire to disconnect from reality and forget everything. Let's dance and then we'll see. 


03. The Flying Dutchman 

Like on a ship caught in a storm, the night rages and our hero begins to lose his footing. "My Lord - I'll do as you command" or "My lord - my life is in your hand" refer to the sadomasochistic relationship between the submissive and the dominant. As with the crew of this ghost ship, our hero wanders through an endless night in search of himself. 


04. A Million Suns 

An explosion of light, like an echo to the song "Dance", it is a call to get lost in drunkenness to have fun with its madness. There will be no tomorrow, so why deprive yourself? Just like "The flying dutchman", this text was written by Maria Facquet


05. Fuck Me 

As sometimes happens in couples, sex ends up disappearing from everyday life. That's the story of this song. Our hero tries to go home, but he can not find his keys. The door opens and he is violently attacked by his wife, desperate by this love situation. She needs to be fucked, simply. 


06. C++ 

This is about cocaine, it's the one talking. It tells the story and explains how it locks people into its reality. The ++ signs symbolize the abuse of this substance, you always want more. Over the last ten years the presence of this substance in parties has increased considerably. Today, cocaine use has become common.


07. Satan's Bitch 

We find our hero here in the middle of the night, lost and completely drugged. The madness begins to take hold of him. He is in a delirium that could be close to schizophrenia or psychotic delirium, he mixes everything up, delirious and sees images all around him. He has become Satan in person and wants revenge for his failed love stories but also for his friendship stories that ended badly, he is alone. On a screen in the distance is shown the film "La maman et la putain".


08. Hide & Seek 

The depressive song from the album. Hide from the light so that you can better disappear. Hiding from the light so that you can love in secret. The sadness of not being able to live a love story out in the open. It is also about guilt in deceiving the person with whom you live. The mirror never lies. 


09. Merry-Go-Round 

I wrote this text to pay tribute to a close friend who committed suicide last year. He was an extremely intelligent and talented person who did not love humanity. I think if he had the power to make the human race disappear he would not have been embarrassed. It's a bit of a gap in the story we're telling, but at the same time this theme remains very close to the universe we're describing in this album. "Merry-go-round", a series of similar activities that can often seem boring. 


10. Spyglass 

An American film shown on a screen. The story of a young loser who falls in love with a pretty cheerleader who loves the best player on the campus football team. It's completely lame and full of clichés. He masturbates by spying on her with a spyglass. I think we wanted to take a breath. This album is quite dark and we are still people who like to have fun and laugh. And then the American campuses of the 80s, the girls on rollers and the superb Cadillacs driven by stupid teenagers, we love it. 


11. Watch Out! 

The hard return to reality. Our hero lost everything, his keys, his wife and even their four-year-old child lost during the evening. The key refers to his life that he completely destroyed on immature whims. We also understand that he was trying to break into music but without ever wanting to pervert himself into commercial music, so he was poor and wonders if he would not have done better to listen to his wife's advice. In truth, this story is only a pretext to talk about love in our album.



If you want to know more about JE T'AIME make sure you follow them on Facebook or Bandcamp, where you can buy their work.


--------------- VERSÃO EM PORTUGUÊS ---------------

A banda de post-punk francesa JE T'AIME lançou em maio o seu primeiro bebé - Je T'Aime - um disco surpreendente composto por um total de onze canções prontas para conquistar o público e incendiar as pistas de dança mais arrojadas. Através de um registro cru, sujo, controverso, mas altamente viciante, os JE T'AIME estão a começar a posicionar-se como um dos novos artistas interessantes e promissores dentro da cena underground de Paris. 

Neste cenário e com o objetivo de saber mais sobre este novo disco incendiário, perguntámos aos JE T'AIME para nos explicarem o significado de cada uma das músicas que fazem parte deste novo disco homónimo, lançado em maio passado através da Icy Cold Records e Manic Depression Records. Divirtam-se a ouvir cada uma das músicas enquanto conhecem melhor as suas letras do disco, abaixo:

01. The Sound

Este primeiro álbum é um disco conceptual que descreve a descida de um homem ao inferno durante uma noite parisiense cheia de excessos de todos os tipos. Isso mostra como a decadência acaba por tomar partido do amor. Esta primeira faixa apresenta um jovem casal a dançar numa noite gótica parisiense. A embriaguez do jovem acabou por irritar a jovem que decidiu deixar a noite sem ele, sozinha. Eu te amo, mas estou-te a deixar.


02. Dance

Com "Dance", chegamos ao cerne da questão: divertimo-nos a todo custo, ou morremos. O céu negro, cheio de pó branco, é uma referência aos apagões que foram sofridos depois de períodos de muito excesso. É obviamente uma música sobre o desejo de se desconectar da realidade e esquecer tudo. Vamos dançar e depois vemos.


03. The Flying Dutchman

Similarmente a navio preso numa tempestade, a noite enfurece-se e o nosso herói começa a perder o equilíbrio. "My Lord - I'll do as you command" or "My lord - my life is in your hand" refere-se à relação sadomasoquista entre o submisso e o dominante. Tal como acontece com a tripulação desta nave fantasma, o nosso herói perambula por uma noite interminável na procura de si mesmo.


04. A Million Suns

Uma explosão de luz, como um eco para a música "Dance", é uma chamada para nos perdermos na embriaguez por forma a nos divertirmos com a sua loucura. Não vai haver amanhã, então porque nos privar? Assim como "The Flying Dutchman", este texto foi escrito por Maria Facquet.


05. Fuck Me

Como às vezes acontece em casais, o sexo acaba desaparecendo da vida quotidiana. Essa é a história desta música. O nosso herói tenta ir para casa, mas ele não consegue encontrar as suas chaves. A porta abre-se e ele é violentamente atacado pela sua esposa, desesperada por essa situação de amor. Ela precisa ser fodida, simplesmente.


06. C++

Esta música é sobre cocaína, é a único a falar. Conta a história e explica como ela bloqueia as pessoas na sua realidade. Os sinais ++ simbolizam o abuso desta substância, tu sempre queres mais. Nos últimos dez anos, a presença desta substância nas festas aumentou consideravelmente. Hoje, o uso de cocaína tornou-se comum.


07. Satan's Bitch

Encontrámos o nosso herói aqui no meio da noite, perdido e completamente drogado. A loucura começa a tomar conta dele. Ele está num delírio que pode estar próximo da esquizofrenia ou do delírio psicótico, ele mistura tudo, delira e vê imagens ao seu redor. Ele tornou-se Satanás pessoalmente e quer vingança pelas suas histórias de amor fracassadas, mas também pelas histórias de amizade que terminaram mal, ele está sozinho. Numa tela na distância é mostrado o filme "La Maman et la Putain".


08. Hide & Seek

A música depressiva do álbum. Esconde-te da luz para que possas desaparecer de forma mais eficaz. Esconde-te da luz para que possas amar em segredo. A tristeza de não poder viver uma história de amor a céu aberto. É também uma música sobre a culpa de enganares a pessoa com quem vives. O espelho nunca mente.


09. Merry-Go-Round

Eu escrevi este texto para prestar homenagem a um amigo próximo que cometeu suicídio no ano passado. Ele era uma pessoa extremamente inteligente e talentosa que não amava a humanidade. Eu acho que se ele tivesse o poder de fazer a raça humana desaparecer, ele não teria ficado envergonhado. É uma lacuna na história que estamos a contar, mas ao mesmo tempo este tema permanece muito próximo do universo que estamos a descrever neste álbum. "Merry-Go-Round", uma série de atividades semelhantes que muitas vezes podem parecer aborrecidas.


10. Spyglass

Um filme americano mostrado num ecrã. A história de um jovem perdido que se apaixona por uma bonita cheerleader que ama o melhor jogador da equipa de futebol do campus. É completamente coxo e cheio de clichés. Ele masturba-se enquanto a espia com uma luneta. Acho que queríamos respirar. Este álbum é bastante escuro e nós ainda somos pessoas que gostam de se divertir e rir. E então os campus americanos dos anos 80, as meninas com rolos e os Cadillacs soberbos dirigidos por adolescentes estúpidos, nós amamos isto.


11. Watch Out!

O difícil retorno à realidade. O nosso herói perdeu tudo, as suas chaves, a sua esposa e até mesmo o seu filho de quatro anos perdeu durante a noite. A chave refere-se à vida que ele destruiu completamente em caprichos imaturos. Nós também entendemos que ele estava a tentar entrar na música, mas sem querer perverter-se na música comercial. Então ele era pobre e questiona-se sobre se não teria feito melhor ao ouvir o conselho da sua esposa. Na verdade, esta história é apenas um pretexto para falarmos sobre o amor no nosso disco.



Se quiserem saber mais sobre os JE T'AIME aproveitem para os seguir através do Facebook ou no Bandcamp, onde podem comprar o seu trabalho.

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[Review] Bring Her - Bring Her


Bring Her | Icy Cold Records (CD) | março de 2019
7.5/10

Bring Her, a dupla composta por Nadine J. e Marcus N. estreou-se este ano nas edições longa-duração com o disco homónimo Bring Her que os vem afirmar como um dos projetos apelativos inseridos na gama sonora que abrange géneros como a coldwave, darkwave e influências post-punk. Ou sorrow wave, como os próprios autointitulam. A banda - que se formou em 2015 - lançou nesse ano um primeiro EP de carreira pela Black Verb Records (editora responsável pelo formato vinil deste novo disco), mas ainda assim permaneceu na sombra do underground. Com o novo disco a circular mundo fora as coisas avizinham-se diferentes.

Quatro anos depois dos primeiros passos, e num período que serviu para maturação e refinamento da sonoridade, os Bring Her regressaram este ano para mudar o ponto de vista que afirmaram no primeiro EP. Apresentado através do tema "Curses Not Promises", logo no primeiro mês do ano, em janeiro, Bring Her aportava ali um daqueles singles prontos para incendiar das pistas de dança mais arrojadas e alternativas, além de abrir o apetite para se descobrir mais sobre esta dupla sediada em Pittsburgh, Pennsylvania. Com o álbum lançado em março, a eletrónica dançante e de cariz dark que já tínhamos escutado no primeiro tema de avanço passou a ser sentida ao longo da reprodução dos nove temas incluídos em Bring Her. O resultado: um som hipnótico, poderoso e altamente cativante.



"Cold Moon", o tema que dá seguimento a "Curses Not Promises" vem denotar esta característica intensa na sonoridade da dupla: um single meio cru, meio sedutor e muito envolvente que facilmente nos teletransporta até à garagem "dark, oh dark" dos Bring Her. Segue-se "Arms In This Circle" e a amostra de que Nicole certamente deverá ser um animal de palco ao vivo! A sua voz completamente preponderante, juntamente com as guitarras abrasivas de Marcus e todo um ritmo aditivo facilmente entram no ouvido fazendo, de quem escuta, um autêntico submisso perante esta experiência auditiva. Já em "Choose Me Move Me" a banda projeta-nos para os campos sonoros de nomes como Second Still, especialmente ao nível das guitarras.



O tema que mais se destoa neste álbum é sem dúvida "Held By No One +", uma malha de techno completamente fora das ambiências exploradas anteriormente. E se em "Flesh In Line" o baixo e os vocais hipnóticos são colocados no máximo, em "Eleventh Hour", Nicole mostra um toque muito pessoal ao arrastar as notas finais de certas palavras até um pitch bastante elevado. Depois de "Unholy Awake" os Bring Her despedem-se com "Osiris Temple ++", um dos grandes temas do disco que, de facto, resume na perfeição um pouco de tudo o que a dupla aborda neste primeiro disco de estúdio.



Num total de nove músicas, que incorporam desde os elementos monocromáticos dos anos 80 às abordagens mais contemporâneas e soturnas dentro do panorama underground da atualidade, os Bring Her apresentam um disco bastante interessante que surpreende logo às primeiras audições. É certo ainda que há ainda algumas arestas por limar, como o esperado para um disco de estreia, mas torna-se claro que os Bring Her estão no caminho certo com este disco homónimo, ao deixarem acesa a vontade de querer saber o que o futuro lhes reserva. 



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domingo, 11 de agosto de 2019

Buzz Kull in interview: "that is my driving force to make people feel empowered"

 

Buzz Kull is getting an acclaimed position within the European underground dark scene that started with his first album, Chroma (2017, Burning Rose) and has been growing since he released his second worthy album New Kind Of Cross (2018, Burning Rose/ Avant! Records / Funeral Party).  In this growth scenario, we managed to interview Marc Dwyer (the mentor of the project) after his debut in Portugal on the 30th of June, at Stereogun, Leiria.

In this interview, we talked about the beginning of the project, the hit "Dreams", the meaning of Buzz Kull, the fact that Marc is such an ethical human being, his secrets on stage, among lots of other interesting things that you can find out below.


Threshold Magazine (TM) - You started this project in 2010, right? At the time I remember you were a duo… 

Buzz Kull – 2010 was when I first start writing and recording the first few tracks. In the beginning it was just myself recording in my bedroom and then when it gained some popularity online – I never intended on ever making it a project, it was only a personal thing, kind of like therapy – and again, when it gained the unexpected momentum, I then asked Rebecca if she would like to join to perform and write with me, sadly she had other projects and passions going at the same time and my time was flakey when it came to making time for each other and she moved to a different city. 

TM - Why did you take so long to release the first album, Chroma

Buzz Kull – I never knew how to work with or understand labels, in Australia it was really hard to figure that part of existing in music, every label that in Australia at the time was a big corporate label and no one really cared about what I did, I never felt disheartened about that because I understood exactly why and where I was, at the time. I was aware that I had more things going on in Europe so I still felt like I had an audience. I began talking to other labels here in Europe and not long after Fabrika contacted me about doing a 7-inch for "I Disappear". I was not really aware of Fabrika until they made contact and noticed how many bands I enjoyed were apart of the family. This was around the time I wrote the first song on the album - "Dreams". 


TM -That was exactly the song that made me explore your work! 

Buzz Kull – "Dreams" was like the first song that made me realise I needed to make an album, it was released as a digital single through Fabrika. I continued to write and record to finish the full length and went through a few ups and downs in the process that made me want to stop, give up and sometimes even turn my back on the project. An Australian label - Burning Rose, wanted to put the album out, which they did, and I thought it was going to be too much old news for people by the time it came out. I was wrong, It was the opposite and I was caught off guard by the response I received for the release. 

TM – How did you get signed with the Italian label AVANT! Records? 

Buzz KullAvant! were tied in with the Australian label who released my first record – Burning Rose – and the American label Funeral Party. So, Burning Rose put out my first record and then when the second record came about, we decided to take a different direction where we would do an Australian Release, an American Release, and a European release. At the time all the three labels were working with another band and they decided to do take action in a similar way. I was really happy with the release with all three labels as I appreciate all that they do and they all have a really great catalog. 


TM – What was the main inspirations behind the creation of Buzz Kull project? You said before it was a bedroom project, but what were your goals? 

Buzz Kull – I had depression at the time from a lot of things that were going on in my life. I was in a music project at the time but the band was slowly falling apart in its own way, I was very inexperienced and my ability to record was really bad, so I never really saw myself being in the position that I am now, but I just wanted to do it, to make myself move forward from the past. I was really surprised and shocked with what I was capable of creating, ejecting it from my mind and bringing it to the surface and making myself cry in the process, like an experience of mixing pleasure with pain, in the end they did make me feel a lot more confident within myself because I was basically able to expel the negative energy and feeling within me. 

TM – What's the story behind the name Buzz Kull? 

Buzz Kull – At the time, I wasn’t really sure about what was going on my head. The only reason I put those songs online was to be a form of storage to save the songs because the computer that I was using to record at the time was crashing and I was losing a lot of projects that I was working on, I was aware of the struggle if I were to lose the songs, I would have felt miserable. Once I felt they were complete, I would put them on Soundcloud. I always liked the way Buzz looked within a title and I also love the film - Kull the Conqueror. I formed the two together which to me, looked aesthetically pleasing. 

TM – That’s interesting. But there is a more interesting thing I want to know. I think it was last year, a time in your life where you were offering free tickets for your shows to the people experiencing financial problems. That was so humane and ethical and I really wanted to know the reason why you did it. 

Buzz Kull – Everyone deserves to see a live performance and If I have the control of a few names to offer on the guest list, I am more than willing to give those spots to people who are experiencing the financial hardship. 

TM – About today’s show. You went even more brutal on stage than in the studio! 

Buzz Kull – I like the diversity between making your live show more intense than what's on record, that's the difference between seeing a live show to listening to a record, you get to hear what it was like making it vs what it's like performing, the energy and the power behind playing it live is a lot stronger because its there, right in front of your face. It's like a formula where you are making it fit and suit the surroundings you are in at the time. You can make it sound safe, like the record, I wouldn’t go to a show and expect to hear it exactly like the record, I prefer the power over familiarity, it has a much greater impact and I hope people feel the same way when I do this. 



TM – Do you feel like your music is in a way political or social, that it reflects some problems in this scope? 

Buzz Kull – In a way yes, everyone has their woes on political movements and I am yet to hear of anywhere that exists in perfection, I hone in on the negatives and that is my driving force to make people feel empowered and overcome the toxicity people are surrounded by every day. 

TM – How would you describe the Australian music scene? Where do you think Buzz Kull fit into it? 

Buzz Kull – It's very underground. Australia is like a very large machine where the only bands that really do well are the ones that are safe and follow the lead of current trends. If one project does well - let's say it's a psych-rock band or a garage rock band – there will be another 10 or 20 or more a month or later. Buzz Kull has changed since I first start writing, I never changed it to impress anyone. I only changed it to because I felt my writing process matured and my inspiration has come from different formats. Every time I leave after touring, I get so inspired by new music that people introduce to me or bands that I see perform. That is what makes me grow and evolve as an artist. The "get quick fame" situation that exists in Australia, I don't believe in it at all. I still don't have much traction there and I'm ok with that because I can go home, I can record, have minimal distractions, do my personal things, work a normal job and not feel the pressure. 

TM – To finish, what was the last show you've seen and the last record you’ve listened to? 

Buzz Kull – The last concert I saw was Zanias (laughs!). Wait, I went to see Second Still before the tour started, they just released a new album through Fabrika Records which is really good. And the last record I've listened to was Ministry Twitch. Oh, and I've been listening to a lot of High Functioning Flesh and the recent EP from Multiple Man - High on the Hog. They are part of the three records I've been listening to most recently. 



TM – I don’t know if you want to add something else, for instance, how was the “debut” in Leiria… 

Buzz Kull – It was great! I was not sure what to expect especially for an early show, but I really appreciate the fact that people were willing to come out on a Sunday. Most people prefer to stay indoors and have a day of nothing before starting the blue Monday. I was really glad that there were more than 10 people on the show (laughs). 

TM – Thank you so much, it was lovely meeting you!



Interview by: Sónia Felizardo
Photos by: Virgílio Santos

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#goth #industrial #techno #noise #black metal: Conheçam a Chrysanthem Records


No outro dia estava no meu ritual de consumo das sonoridades mais dark que contemplam várias estéticas musicais quando me deparei com uma nova editora de vanguarda a apostar nas tendências que fazem parte da minha playlist: a CHRYSANTHEM Records. Fiquei super intrigada porque quando fui fazer a minha pesquisa profunda nos canais mais alternativos na internet não encontrei quase informação nenhuma que me apresentasse a missão, visão ou sequer o(s) seu(s) gestor(es). Houve, no entanto, algo que descobri a explorar a página do Bandcamp: A Chrysanthem Records é uma editora sediada em França, mais especificamente em Paris, e está focada no lançamento de cassetes. Puro e duro é só isto o que podemos saber para já.

Tudo começou em junho de 2019 com a edição de Dead Children, o EP de estreia do projeto de atmospheric noise do parisiense няня. A fazer efervescer as paisagens calmas da música atmosférica turvada, os franceses няня são os responsáveis pela abertura do catálogo da Chrysanthem  Records que conta até à data com um total de cinco edições. Em Dead Children o ouvinte é conduzido para um cenário caótico de ruído e maquinarias industriais que apelam a uma fuga da realidade. Numa edição crua e brutal, em termos estéticos a Chrysanthem Records começa por se colocar numa zona de experimentação vanguardista que nos faz querer descobrir mais. 



Foram precisos menos de dois meses para que, no início deste agosto a Chrysanthem Records voltasse a dar sinais de vida, com a edição de um single-ensaio focado na exploração da eletroacústica, "Digital Overload" assinado por a sound piece e editado no passado dia 6 de agosto. Apesar disso, ainda não foi aqui que a editora francesa me empolgou ao ponto de querer saber mais. 



Contudo, através de uma série de novos lançamentos que chegaram às prateleiras esta semana que passou, a Chrysanthem Records começou a intrigar os meus curiosos ouvidos melómanos com os novos trabalhos de Funeral Boy, Filmmaker e VITESSE

Comecemos então pelos Funeral Boy e o novo EP homónimo - lançado a 7 de agosto - que enche as medidas para os apaixonados pelas atmosferas da música mais sombria. Funeral Boy é um EP melindroso composto por quatro malhas intensas, uma introdução bizarra e ainda uma cover maquilhada pelo rock gótico ao clássico tema "Anyway" original dos OTO. Até à data esta é, para mim, a melhor edição da Chrysanthem Records, apresenta ali uma estética goth, com a voz reverberada, alguns traços punk e é um álbum a chegar mesmo bem nesta altura mais quente do ano. Não é um álbum propriamente inovador, mas traz malhas que são incríveis, onde não se pode deixar de destacar essencialmente o tema "Kino".



OK, muito fixe, mas não estava mesmo à espera que um dia depois, a 8 de agosto, esta nova label escalasse na minha playlist com o novo lançamento de Filmmaker e o seu longa-duração Somber Realm. Somber Realm é aquele registo de música eletrónica cuja sonoridade derrete nos ouvidos e os ritmos industriais nos fazem perder na pista de dança. Composto por um total de nove faixas este disco vai fazer as delícias dos apaixonados por editoras como a AVANT! Records ou a aufnahme + wiedergabe pela sua estética que incorpora elementos da música techno, industrial e as camadas da música mais gótica. Nove temas para explorar edifícios assombrados. 



Mas calma, no dia 9 de agosto havíamos de ter mais novidades desta editora que está a criar um dissimulado hype na mais escura sombra do underground de qualidade. Mas na área do black metal e derivados. Trata-se no novo longa-duração dos VITESSE - Volume 1. Esta deixou-me fora da minha zona de conforto, admito, não estava à espera.



Acho que no fundo a minha opinião sobre o que é mesmo a Chrysanthem Records passa um pouco por aqui, uma carrada de edições que vão sempre surpreender porque, no fundo, não há uma restrição a um estilo específico de música. A níveis positivos surpreende-me essencialmente o facto de apostarem no formato cassete como forma de distribuição física das suas edições. O mistério envolto à volta da editora também acaba por ser curioso porque leva a querer seguir os próximos trabalhos para saber mais. 

Não sei, eu pelo menos estou curiosa e espero que vocês fiquem também. Podem criar a vossa imagem mental da Chrysanthem Records através do Instagram aqui ou no Bandcamp, aqui

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