domingo, 16 de junho de 2019

NOS Primavera Sound 2019 - Dia 3: Freakshow maravilhoso



O último dia de NOS Primavera Sound refletiu uma maior procura pela paridade, com Hop AlongBig ThiefTomberlinLucy Dacus Snail Mail a alinhar uma frota indie liderada por mulheres. A artista catalã e sensação do flamenco renovado Rosalía proporcionou um dos acontecimentos mais impactantes da agenda musical de 2019, enquanto a britânica Tirzah se revelou como o tesouro bem guardado desta edição. Num plano mais marginal, Yves Tumor Mykki Blanco tranformaram a noite num maravilhoso freakshow que representa o novo espírito do festival, cada vez mais global, transversal e pluralista.

Os norte-americanos Hop Along abriram as hostes do palco principal. Primeiros de uma linhagem de músicos e artistas a representar o catálogo da editora independente Saddle Creek no festival (com Tomberlin Big Thief a seguirem-se como embaixadores do selo de Conor Oberst), o quarteto de Baltimore apresentou-se pela primeira vez em Portugal com o excelente e mais recente disco Bark Your Head Off, Dog na bagagem. A voz carismática da guitarrista e vocalista Frances Quinlan surpreendeu o ainda pouco público que se encontrava no recinto, prendendo-o à garra e talento estúpido que projeta através do seu vozeirão. Timbre peculiar, de trejeitos carateristicamente reconhecíveis em temas robustos e cheios de vida, como observado em “Tibetan Pop Stars”, do disco de estreia de 2012, ou a essencial “The Knock”, do aclamado disco de 2015, Painted Shut.

Lucy Dacus, que pudemos avistar nas laterais do palco enquanto espreitava o concerto dos americanos, seguiu-se pouco depois para um regresso aos palcos portugueses (ela que atuou pela última vez no festival Vodafone Paredes de Coura), mas as sobreposições implacáveis do último dia viraram as nossas atenções para Tomberlin, que se preparava para atuar um pouco depois no palco Pull & Bear. Dos 15 minutos assistidos, até porque logo a seguir tocavam os conterrâneos Big Thief, foi possível constatar uma letárgica sensação de tristeza, serena e profundamente melancólica. A cantautora natural de Louisville, Kentucky ainda brincou com o ânimo das suas canções, mas a avaliar pelo que ouvimos no disco de estreia de estúdio, At Weddings, o registo foi sempre o mesmo: triste e solene.



Seguiram-se então os Big Thief. A banda de Adrianne Lenker regressou a Portugal depois de uma memorável atuação no festival Vodafone Paredes de Coura, em 2018, desta vez com o guitarrista e ocasional compositor Buck Meek na formação. A performance junto à margem do rio Coura conquistou o coração dos portugueses, que acorreram novamente ao palco SEAT para assistir a uma banda em plena forma e com o mais aclamado dos seus discos na bagagem. U.F.O.F, o mais recente do quarteto, juntou-os pela primeira vez à britânica 4AD, e o charme dos seus antecessores mantém-se igualmente apurado, assim como a capacidade de Lenker enquanto contadora de histórias. O alinhamento acabaria por rondar, curiosamente, o material mais antigo da banda, desde os temas do essencial Capacity, de 2017, aos primeiros passos do grupo enquanto banda, com “Masterpiece” a servir como despedida para a última performance do grupo na Europa, banda e crew reunidas para um último momento de fraternização em palco.

Snail Mail, uma das novas caras da música independente americana, seguia-se pouco depois para a primeira performance no país. Atuar ao mesmo tempo que o lendário Jorge Ben Jor, figura maior da música popular brasileira, não é tarefa fácil. Talvez por isso a plateia da banda de Lindsey Jordan não tenha sido a mais volumosa, que cantou as suas canções sôfregas perante um público maioritariamente jovem. Os sentimentos de desolação e perda estão bem acesos na cantautora, que faz da frustração um veículo para a construção de temas dotados de uma maturidade surpreendente (Jordan acaba de cumprir 20 anos).

Mas se em Snail Mail olhámos de perto para o futuro da música indie, no palco SEAT olhava-se com respeito para o seu passado. Os Guided By Voices de Robert Pollard apresentavam-se finalmente em Portugal com uma única premissa: tocar 36 temas em 90 minutos. E assim o fizeram, com o discernimento e experiência de quem faz isto há muito tempo. Pollard, já nos seus 61 anos de idade, de camisa vermelha e cabelos grisalhos, introduz-se como sendo “uma espécie de banda lendária nos Estados Unidos”, e são-no de facto. Quase quatro décadas depois, o veterano do Ohio continua a sua incessante busca pela canção pop perfeita, ele que conta centenas de lançamentos nos mais variados projetos. Só este ano, o grupo já lançou dois longa-duração, com um terceiro previsto para o mês de outubro. É fácil perder o fio à meada, portanto, mas as filas da frente demonstram o contrário. Avistam-se novos e velhos fãs, acérrimos e conhecedores das 36 canções que integram o alinhamento, num misto que alterna entre o obscuro e os clássicos de sempre. A máquina apresenta-se bem oleada, as suas canções mais polidas e certeiras que nunca a serem tocadas de forma simples e concisa, nunca ultrapassando os três minutos. O melhor foi mesmo guardado para o fim, com “Tractor Rape Chain”, “The Goldheart Mountaintop Queen Directory” e “Game of Pricks” a encerrar uma experiência única e irrepetível.

Enquanto os veteranos aproveitavam os últimos minutos de concerto, Tirzah subia ao palco na companhia da música e compositora Mica Levi, que auxiliou a jovem britânica nos sintetizadores e guitarra, e o rapper e produtor Coby Sey, nas vozes e caixa de ritmos. Tirzah, ao centro, apresenta-se estática, de roupagem casual e com quatro Beatles deformados na camisola. Há apontamentos interessantes a nível de iluminação, com boa parte da luz apontada para o público, e não tanto para o palco. Esse apresenta-se austero, com uma luz ténue de tons ora frios, ora quentes. A performance segue o mesmo registo, simples e sumptuosa, de cadência lenta e serena. Devotion, o disco de estreia da britânica, serve como pano de apresentação para uma atuação que percorreu os terrenos mais luxuosos da música downtempo e R&B, com instrumentais cuidadosamente trabalhados no momento. Pop elevada ao patamar de arte, sensual e alienígena que se revelou como o tesouro mais precioso do festival.



Rosalía não era a cabeça-de-cartaz da última noite, esse estatuto seria concedido à norte-americana Erykah Badu. No entanto, e a avaliar pela quantidade de pessoas que se encontravam na plateia, é possível constatar o sucesso que a artista catalã atingiu nos últimos meses. A performance de sábado provou ser o prato principal da noite, um verdadeiro festim de ritmos, palmas e coreografias cuidadosamente programadas. Em cima de uma plataforma, acompanhada por um coro, umas quantas bailarinas e o cúmplice El Guincho, que co-produziu o seu segundo disco de originais, El Mal Querer, Rosalía demonstrou a confiança de uma verdadeira estrela pop. A sua abordagem à música urbana é contagiante, e demarca-se dos demais pelo arrojo com que se atira ao flamenco, transformando a tradição numa obra tão porosa quanto progressista. Da angústia de “Catalina”, que recebeu uma poderosa rendição a capela, aos ritmos quentes e contagiantes de “Aute Cuture” e “Con Altura”, passando pela inevitável “Malamente”, Rosalía iluminou o público português com mais uma incendiária performance, naquela que foi a sua primeira atuação em Portugal enquanto objeto viral.

Os Low seguiram-se pouco depois para um contraste radical. Dos ritmos calorosos da catalã passamos para acalmia do trio norte-americano, quintessência da slowcore mais triste que recebeu uma nova roupagem em 2018, ano em que editaram o audaz Double Negative. Silêncio, paciência e respeito, tudo isto é essencial para o melhor entendimento da banda de Alan Sparhawk e Mimi Parker, que elevam o som em paredes hipertexturadas de distorção, alternado entre cadências ora abrasivas, ora ténues e silenciosas. Talvez por isso o seu último disco tenha uma aproximação maior à música post-rock, construído lentamente em instrumentais deliciosamente bem trabalhos. Os majestosos dez minutos de “Do You Know How To Waltz?”, cuja parede de ruídos brancas, tão poética e hipnotizante, faria inveja a uns My Bloody Valentine, transitaram suavemente para “Lazy”, tema que integra o essencial disco I Could Live In Hope, de 1994, que catapultaria a carreira dos Low enquanto artesãos da mais letárgica canção.



O trabalho de Yves Tumor passa, também ele, por uma constante mutação. Vimo-lo em 2017 a incendiar o Milhões de Festa com uma das performances mais polarizantes do ano, numa espécie de experimentalismo virado para o umbigo que deixaria qualquer um confuso. Hoje, o músico e compositor americano é toda uma nova besta, um Prince moderno para a geração pós-internet. A abordagem violenta para com o público é agora empática, e a sua atitude é a de uma verdadeira estrela rock (ou será pop?). Acompanhado por uma banda magistral que alinha baixo, bateria, electrónicas e ainda um guitarrista digno de Eddie Van Halen, o autor de Safe in The Hands of Love provou ser um autêntico animal de palco. Glam politizado, embebido em doses lascivas de experimentação e uma constante subversão com os alicerces da música pop, que manipula a seu bel-prazer de modo a desconstruir a sua história. O rock também passa por aqui.

A performance da MC e ativista queer Mykki Blanco, agora residente em Lisboa, seria um prolongamento do espírito hedonista de Yves Tumor, eles que são, aliás, amigos e colaboradores de longa data. A brasileira DJ Lyzza, que passou em abril pelo Palco RUC, em Coimbra, acompanhou o rapper nos decks, enquanto o americano se atirava aos versos com o afinco e agressividade com que sempre nos acostumou. Em pleno mês do orgulho queer, que Blanco criticou pelo seu carácter cada vez mais comercial, o concerto da rapper destacou-se pela positividade e comunhão harmoniosa com o público, que celebrou sem escrúpulos ou tabus. Juntamente com as suas voguers, anjos inspiradores que dançavam ocasionalmente em palco, Mykki Blanco proporcionou uma noite que uniu hedonismo e ativismo em igual medida. 



Redator:
Filipe Costa

Fotografia: 
Hugo Lima
Ana Carvalho dos Santos 

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sexta-feira, 14 de junho de 2019

NOS Primavera Sound 2019 - Dia 2: Novas caras, novos paradigmas


E depois da tempestade, vem a bonança. O segundo dia de NOS Primavera Sound arrancou a todo o gás, com o MC e entrepreneur do trap português Profjam a inaugurar o palco Super Bock. Às 17h, o recinto encontrava-se já bem mais composto em relação ao primeiro dia, com o cabecilha da Think Music Records a arrecadar um público considerável para a hora. As primeira enchentes chegariam mais tarde, motivadas em muito pela presença controversa da estrela reggaeton colombiana J Balvin, que juntamente com vinda da artista trans Sophie provocaram uma visível mudança no paradigma musical e social do festival. O NOS Primavera Sound está visivelmente mais diverso, e a pluralidade assistida neste segundo dia tomaria novas proporções com o último dia de festival.

No prado do Palco NOS sentia-se a calma e o conforto da voz de Aldous Harding, cantora e compositora neozelandesa que apresentou os temas do seu mais recente disco, Designer, juntamente com a sua banda. A expressão desvairada da cantora, que apresenta uns olhos abertos e desconcertantes, contrasta com a doçura da sua voz, que nos canta sob uma toada serena e reconfortante enquanto batalha com o volume estupidamente alto dos japoneses Jambinai, que  se encontravam a tocar à mesma hora no palco oposto, lá bem distantes no SEAT.



Já no palco Super Bock, logo a  seguir, uma das mais promissoras figuras do cancioneiro independente britânico marcava a sua estreia em terras lusas. Nilüfer Yanya, londrina de descendência turca e barbadiana, é um dos novos fenómenos da música indie de hoje, com Miss Universe, o aguardado álbum de estreia lançado em março a arrecadar valentes elogios por parte da crítica especializada. As razões estão à vista, tal como se comprovou na atuação de sexta. A voz carismática e ofegante de Yanya é revitalizante e destaca-se dos demais conterrâneos britânicos, mais aventureira e desafiante e com uma visão refrescante que é tão rock quanto pop.

Quem também arrebatou o público com uma valente coça de guitarra foi a australiana Courtney Barnett, que regressou ao festival que a acolheu na sua primeira passagem por Portugal. Ao som de “Rocket USA”, dos históricos Suicide, a australiana entrou em cena em registo power trio para um festim de brados e guitarras aguerridos. A aparência andrógena e atitude máscula da australiana, que escarra constantemente, é a de um verdadeiro herói de guitarra, uma quebra saudável e necessária com o estigma da mulher na indústria rock.



O Palco Pull & Bear foi lugar para muitas das mais arrojadas performances desta edição. A mais recente parceria com o festival português trouxe uma escolha eclética e desafiante, apostando nalguma da melhor produção emergente da atualidade. Os britânicos Sons of Kemet, porta-estandartes da nova e fervilhante cena jazz britânica, apresentaram-se nesse mesmo palco em formato XL, com os geniais Shabaka Hutchings (saxofone) e Theon Cross (tuba) alinhados por uma armada promissora de quatro baterias, e ainda um ocasional frontman (o poeta e performer Josh Idehen) nas vozes. A fusão poderosa entre a precursão e os instrumentos de sopro provocaram um efeito imediato no público, que não resistiu à contagiante secção rítmica do grupo. Jazz sem medos, embriagado mas incessante e que enfrenta as problemáticas de um país confuso. É sob a máxima de “My Queen is Doreen Lawrence” – “I wanna take my country forward” – que o grupo encerra uma das mais impactantes performances desta edição, com Josh Idehen nas lides de um momento tão festivo quanto interventivo.

Nem tudo mudou no ADN do festival. A missa anual Shellac continua a ser um acontecimento assíduo na história do evento, que recebe os americanos desde a primeira edição. São para muitos o único motivo para não se falhar uma edição, e a sua música só parece melhorar cada vez mais com a idade. Sempre iguais, sempre incríveis, não é difícil perceber porque são, para muitos, a melhor banda do mundo. Steve Albini, Todd Trainer  e Bob Weston continuam impetuosos e com o sarcasmo de sempre. O baixo de Weston ainda é o baixo tenso e impenetrável de sempre, a guitarra de Albini continua extremamente dissonante e metálica, e o ritual alienado de Trainer em “The End of Radio”, que encerra religiosamente as suas performances, continua igualmente fascinante. 

No Pull & Bear, continuava a olhar-se o passado pelo retrovisor. Liz Phair, 52 anos, veio ao Porto revisitar os temas que marcaram a carreira de um ícone da música alternativa americana. A autora do essencial Exile in Guyville apresentou-se ao lado de uma banda consideravelmente mais jovem, com quem interpretou os temas que influenciariam toda uma vaga de novos músicos e cantautores, de Cat Power a Fiona Apple, passando pelo caso próximo de Rodrigo Vaiapraia, que não podia deixar de estar presente (na front, claro). Um concerto essencialmente saudosista, mas fundamental para o melhor entendimento da música independente como a conhecemos hoje. 



No palco principal, a festa era outra. O presente (ou o futuro) da música encontrava-se de pés bem assentes no Palco NOS, com o enfant terrible da edição a proporcionar a maior enchente do dia. José Álvaro Osorio Balvin, conhecido por J Balvin, apresentou-se no festival portuense depois de, em 2018, ter atuado no MEO Sudoeste. A estrela reggaeton que converteu hipsters de todo o mundo ao revivalismo de um género dado como morto afirmou-se como um verdadeiro monstro de palco, ainda que a sua música não seja a mais apaixonante. Essa estaria, por exemplo, em Bad Bunny, colaborador frequente do colombiano, ou na catalã Bad Gyal, que brilhou na edição transata do festival. No entanto, a performance do autor de “Mi Gente” demonstrou-se exemplar (ainda que com alguns momentos notoriamente misóginos). Bonecada, disparos de fumo branco, lap dances, tudo isto coabitou num concerto que, apesar de deslocado, se apresentou eficaz. O povo pediu reggaeton, e J Balvin não o pôde negar.

Quanto aos Interpol, foi apenas mais uma oportunidade para revisitar o bom material da banda de Paul Banks. É sabido que as performances dos americanos deixam sempre um travo amargo, não representando o verdadeiro potencial dos temas que marcaram a música independente do início do século. A fórmula repete-se com os sucessivos discos, cada vez mais congelados no tempo, e a pose cansada não encaixa na visão desafiante do festival.

Desafiante é, também, a palavra que melhor descreve JPEGMAFIA. O veterano de 29 anos não esteve com rodeios, e abriu o concerto ao som de “Real Nega”, tema que integra o excelente e mais recente disco Veteran, que apresentou nesta sua primeira passagem pelo país. O culto à volta do rapper e produtor nova-iorquino palpita na visível agitação do público, que dança, salta e canta cada verso em uníssono, enquanto Peggy (assim gosta que lhe chamem) se atira com ímpeto a temas como “Thug Tears”, “1539 N. Calvert” ou a rebelde “Baby I’m Bleeding”, que instaurou o caos no palco Pull & Bear. Pânico em forma de emoji.

De fora não poderia ficar o rant ao músico que o rapper mais odeia, Morrisey. “I Cannot Fucking Wait Til Morrissey Dies” chegou com o seu instrumental contagiante para acabar tão rápido quanto começou, uma manifestação de raiva que tem tanto de troll quanto de politizado.



Enquanto nesse palco se viviam momentos de apoteose punk, no principal sentia-se a acalmia de James Blake. O músico e compositor londrino regressou ao festival que o acolheu em 2012 na sua primeira edição, desta vez para encerrar o palco maior. Percorrendo um pouco de toda a sua discografia, James Blake fez-se acompanhado por um baterista e um multinstrumentista, encarregado dos sintetizadores (uma parede assustadora de modulares) e guitarras. Os temas do seu mais recente disco, Assume Form, não poderiam ficar de fora, com “Barefoot In The Dark”, cantada por Rosalía (sem a presença da catalã, no entanto), “Mile High” ou “Where’s The Catch” a integrar o alinhamento. As explorações disco de “Voyeur” seriam interpoladas por uma breve rendição de “CMYK”,  transformando o ambiente instrospetivo que pautou a grande maioria da performance numa autêntica pista de dança, livre e musculada. Mas foi a calma enternecedora “Don’t Miss Me” que encerrou “contratualmente” o concerto. Solene e arrebatador.

O último grande momento da noite esteve nas mãos de Sophie. A artista britânica encerrou o programa de concertos com mais uma poderosa performance no palco Pull & Bear, que foi lugar para uma celebração livre e não binária de composições apocalípticas. As bandeiras trans e queer levantaram-se para dançar ao som de “Take Me To Dubai” ou “Burn Rubber”, com remisturas de “Whole New World/Pretend World” e “Faceshopping”, do fabuloso álbum de estreia OIL OF EVERY PEARL'S UN-INSIDES, de 2018, a integrarem um alinhamento pautado pela experimentação. O equilíbrio entre a tensão e a alegria é uma das ferramentas de Sophie, que utiliza a seu bel-prazer para efeitos de pura catarse. No final, Tzef Montana, com quem a produtora mantém uma relação amorosa, subiu ao palco para um dos momentos mais enternecedores desta edição. Ao som de “It’s Your Life/Reason Why”, o casal dançou adoravelmente perante um público claramente deslumbrado com os encantos de uma das figuras mais transgressivas da indústria. Em pleno mês do orgulho LGBT+, Sophie serviu como o antídoto perfeito para uma campanha submersa em capitalismo bacoco.
  


Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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