domingo, 13 de outubro de 2019

STREAM: giek_1 - TWISTED TRANSCENDENCE [Threshold Premiere]


giek_1 may come as an apparently new name in the electronic music scene, but that will soon be part of the past. With her new EP, TWISTED TRANSCENDENCE, out on October 13th, the Dutch producer and vocalist is sure to create the ripples necessary that accompany her ambitious goals for the next few months.

On a first listen, TWISTED TRANSCENDENCE has the typical glow of a traditional pop record mixed with an uncanny feeling of unfamiliarity - we simultaneously belong to and are excluded from this world of RnB, trip-hop, gabber, experimental electronica and (to keep this list as short as possible) ambient pop. It is a profoundly surreal and captivating experience, aptly captured by the videos produced for her work.




But that is merely the first listen. The more we listen to it, the more we become detached and entranced in this TWISTED TRANSCENDENCE. The eerie vocals of giek_1 create an irreverent tapestry that inevitably recreates echoes from Eartheater's phenomenal and seminal work IRISIRI, while the ambitious post-industrial and peppy production will certainly attract those who, such as myself, have become infatuated by the recent trend of deconstructed club that artists such as Arca, SOPHIE, Amnesia Scanner and Vessel helped create. The post-human touches that form the narrative for this work are likely to also resonate with those who have been following Holly Herndon's journey into music at the border between human and machine.


If this brief glimpse into the world of giek_1 seems insufficient, the good news is it is only a part of a 6-9 month long installation - 5 more EPs will be released during this time, together with 15 videos that accompany a work that draws inspiration from escapism, spirituality, hope, destruction tendencies and the search for self. giek_1's work, while personal and introspective, promises to encompass the modern hyperrealism of ever-changing cultural paradigms. As if this was not enough to solidify giek_1's presence in the electronic scene of the misanthropocene, she is also working on an immersive 3D virtual reality experience for her live shows - you can find out more about it here.



TWISTED TRANSCENDENCE is the first of a 6 EP series and is out on October 13th.

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Tatsuru Arai apresenta performance audiovisual no Maus Hábitos

Tatsuru Arai é compositor, artista sonoro e visual e programador. O japonês, residente em Berlim, procura integrar composições clássicas com as novas tecnologias, e apresentar a natureza fundamentalmente física do universo sob a forma de experiências perceptivas.

No dia 22 de outubro, terça-feira, vai ao Maus Hábitos apresentar o espectáculo visual e sonoro QUANTUM-TON, terceiro capítulo do projecto Hyper Serial Music. O projecto expande a história do serialismo (método de composição utilizado por compositores como Schönberg, Karheinz, Stockhausen e Pierre Boulez) incorporando novas tecnologias e perspectivas, incluindo inteligência artificial.

A performance é apresentada às 22h e os bilhetes custam 5 euros.

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LUNACY anuncia disco de estreia, Age of Truth


LUNACY - o projeto da figura sinistra e obscura que pretende manter a sua identidade secreta - regressa este ano às paradas musicais com o primeiro disco de carreira, Age of Truth que chega às prateleiras um ano após a edição da compilação Just The Begining. Utilizando o ruído como principal ferramenta de comunicação LUNACY explora os reinos da música barulhenta com uma sensação reminiscente do shoegaze que por vezes também vai beber influências às vibes mais psicadélicas. O disco foi masterizado por Oliver Ackermann (A Place To Bury Strangers).

Como primeiro avanço do novo trabalho, o projeto sediado na Pennsylvania revelou esta semana "Perception", tema com cerca de seis minutos de duração que nos projeta aos ambientes sonhadores da eletrónica de toada nostálgica, mas com uma melodia tipicamente fofinha. O tema é apresentado através de um trabalho audiovisual com a assinatura de Timothée Gainet (Poison Point, IV Horsemen).


Age of Truth tem data da lançamento prevista para 22 de novembro pelo selo Third Coming Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Age of Truth Tracklist:

01. Sullen 
02. Perception 
03. Fall of Arms 
04. Age of Truth 
05. Common Ground 
06. Imminent 
07. Call of Signals 
08. The Ripple

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Fotogaleria: Wayne Hussey (The Mission) + Ashton Nyte [Hard Club, Porto]


A Salad Daze tour de Wayne Hussey, o emblemático frontman dos The Mission, passou no início do mês por Portugal para duas datas, tendo a última - agendada no Hard Club, Porto - marcado a despedida do conceituado músico que integrou também projetos como The Invisible Girls, Dead Or Alive e The Sisters Of Mercy. O concerto de Wayne Hussey no Porto - um lugar de exploração vocal e sonora mágico - teve a abertura do cantor, compositor e produtor africano Ashton Nyte, que se iniciou na indústria musical com os The Awakening.

A fotogaleria destes dois momentos, ocorridos a 6 de outubro de 2019 no Hard Club, Porto pode ser agora revista abaixo, pela lente de Miguel Silva.


Fotografias: Miguel Silva

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Reportagem: Blixa Bargeld - Salón Teatro [Festival Curtocircuíto - Galicia]


A convite do aclamado Curtocircuito International Film Festival, Santiago de Compostela recebeu Blixa Bargeld no seu super intimista Salón Teatro do Patio de Butacas. 

Se já é um desafio fazer a redacção de um concerto do Blixa, ainda mais se tornou quando percebi que ira ser tudo, menos um concerto normal. 

Depois de pedir a todos que não tirassem fotografias durante o concerto (Obrigado, Blixa; já não me lembrava de ver um concerto sem as luzes parasitas dos telemóveis alheios), explicou que actuaria sozinho, apenas com recurso a um microfone e a dois pedais, através dos quais iria explorar loops dos sons por ele emitidos. 

E foi aquilo que bastou para que se sentisse capaz de criar (imaginem!) um Sistema Solar. 

Passo a passo, foi acrescentando, legendando e sobrepondo cada um dos corpos celestes, através de camadas sonoras ora mais ambientais, ora mais estridentes, ora mais viscerais, até obter toda a complexidade sonora de algo tão magnânimo como um Sistema Solar. E pronto, em alguns minutos já nos sentíamos na presença do Todo Poderoso Criador Blixa! 

Depois, como que de um sorvete para limpar o palato se tratasse, brindou-nos com dois temas cantados, preparando-nos para o que aí viria: Da transcendência daquela divina criação sonoro-espacial, eis que somos transportados para uma viagem na Autobahn, com o Blixa ao volante do seu Tesla, enquanto, a alta velocidade, pisava o traço descontinuo desenhado no asfalto, marcando o ritmo. A monotonia da estrada, obriga-o a ligar o rádio. Tudo muda. Agora dedica-se a desconstruir de forma genérica e transversal, numa fórmula só, todas aquelas músicas vazias e supérfluas com que somos fustigados sempre que ligamos o rádio (salvo raras excepções), envolvendo-nos, novamente, em texturas sonoras de patente única. 

Apesar de ter havido mais apontamentos, o que tornou esta "solo vocal performance" realmente especial e inesquecível, foram, essencialmente, estes dois momentos, trazendo até nós toda a capacidade vocal e vanguardista, bem como a genialidade de um autêntico monstro criativo que, após 40 anos de carreira, teima em não parar de surpreender e arrepiar o seu público, por muito calejado que possa ser. É um ser absolutamente admirável! 

Por opção do autor do artigo, este artigo não segue o Acordo Ortográfico.

Texto: Pedro Araújo

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sábado, 12 de outubro de 2019

Pixies em digressão - tour mundial passa por Portugal para concerto único no Campo Pequeno


Os Pixies estão em digressão e a tour mundial passa por Lisboa para um concerto único no dia 25 de Outubro, no Campo pequeno.

Pioneiros do rock alternativo norte-americano dos anos oitenta, alcançaram a sua popularidade nos Estados Unidos, contudo foi na Europa que encontraram maior sucesso com o pico da carreira a culminar nos anos noventa. A indie estridente dos Pixies resulta de uma combinação entre o punk e o surf rock, as suas canções fora do comum são maioritariamente escritas pelo vocalista e guitarrista Franck Black, nelas é frequente a alusão a seres de outro mundo, extraterrestres, assim como a temática do incesto e da “violência bíblica”. Neste regresso aos concertos, após uma pausa de cerca de dois anos, não prometem um set list, mas sim o improviso no alinhamento das canções, que segundo eles, será de acordo com a atmosfera que se fizer sentir ao longo do concerto. 


Para além das canções do novo álbum Beneath the Eyrie, (oitavo disco de estúdio) recentemente editado em Setembro, o repertório deverá incluir êxitos que fizeram o sucesso da banda. A actual tour que teve início no Reino Unido, percorre ao todo 33 cidades repartidas por 16 países.


Os britânicos Blood Red Shoes são os convidados especiais na primeira parte do concerto dos Pixies, duo composto por Steven Ansell e Laura-Mary Carter. Blood Red Shoes surgiram em 2004, o nome da banda foi inspirado numa cena do musical Swing Time de George Stevens (1936) em que a actriz Ginger Rogers, num treino intensivo, repete a mesma cena 47 vezes ao dançar com Fred Astaire, termina a sangrar dos pés tingindo de vermelho (sangue) os seus sapatos brancos devido ao seu esforço em busca da perfeição. 


Os Blood Red Shoes têm o underground punk rock como influência, com Pixies na primeira linha, mas também dizem ser influenciados pelos Nirvana, Sonic Youth, de entre muitos outros. Blur e PJ Harvey são tidos como ídolos. Cinco álbuns editados até ao momento, Get Tragic é o mais recente editado em Janeiro deste ano e é inspirado na estória da banda, feito de refrões cativantes, guitarras glam-rock e riffs electrónicos. É o que se espera ouvir desta banda neste regresso a Portugal, após a estreia no Santiago Alquimista em 2008.  

Pixies + Blood Red Shoes no Campo Pequeno, têm o carimbo da Everything Is New. As portas abrem às 19h30, o concerto tem início às 20h30. Bilhetes à venda no Campo Pequeno, FNAC, El Corte Inglês, Worten, CTT, Agência ABEP, Seetickets, Masqueticket.

Texto: Lucinda Sebastião

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David J de regresso a Portugal na próxima semana


É já na próxima semana, dias 16 (Teatro José Lúcio da Silva, Leiria), 17 (Musicbox, Lisboa) e 18 (Hard Club, Porto) de outubro, que David J regressa a Portugal para três concertos a solo em jeito de apresentação do seu novo disco.

Conhecido essencialmente pelo seu trabalho como baixista e membro fundador de Bauhaus e Love and Rockets, David J, celebra 36 anos de carreira a solo com o álbum Missive To An Angel From The Halls Of Infamy And Allure, descrito como o culminar de tudo o que criou até hoje. Este seu novo trabalho conta com a produção de Anton Newcombe (Brian Jonestown Massacre) e a sua data de lançamento coincide com a do concerto no Porto. O músico irá apresentar este novo trabalho porém é expectável que revisite alguns clássicos das suas bandas.


Os bilhetes estão à venda nos locais habituais, custando 12€ para Leiria, 16€ para Lisboa e 17€ (14.45€ com desconto para clientes da Tubitek ou na compra de bilhetes duplos) para o Porto.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Nivhek, Kali Malone, Maria W Horne, entre outros na próxima edição do Madeiradig



No que diz respeito ao circuito da música exploratória em Portugal, o festival Madeiradig é um dos mais importantes. Alva Noto, Fennesz, William Basinski, Tim Hecker, Oneohtrix Point Never ou Grouper são alguns dos nomes passaram pelo evento que se divide entre o Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, e a Estalagem da Ponta do Sol, que organiza o festival desde 2004.

Este ano, o Madeiradig decorre entre 29 de novembro e 7 de dezembro, e o cartaz da 16ª edição já é conhecido. O americano David Rosenboom e a contemporânea Frances-Marie Uitti, cujo trabalho integra inúmeras colaborações com compositores lendários como John Cage, Giacinto Scelsi e Iannis Xenakis, farão a sua estreia no acontecimento. Aos pioneiros da música experimental americana junta-se Heather Leigh, também americana cujas explorações de voz e guitarra a levaram a colaborar com atos de culto como Jandek ou o saxofonista alemão Peter Brötzmann.

Liz Harris, conhecida pelas suas composições bucólicas enquanto Grouper, regressa à Madeira com o seu mais recente projeto – Nivhek. Já com data marcada para Lisboa em novembro, a cantora-compositora americana passará ainda pelo festival para apresentar After Its Own Death / Walking in a Spiral Towards the House, um trabalho prolongado que junta colagens opacas de mellotron, guitarra, gravações de campo, fitas e pedais FX quebrados, desenvolvidas durante e depois de duas residências nos Açores e em Murmansk.


Drew McDowall, nome histórico da música industrial e membro dos seminais grupos Coil, Poems e Psychic TV, regressa também para a segunda data em Portugal este ano. Depois da confirmação na próxima edição do festival Semibreve, o músico britânico volta com a mesma premissa: revisitar os temas de Time Machines, disco essencial de 1998 forjado ao lado de John Balance e Peter Christopherson, membros fundadores dos Coil.

A nova música sueca também estará bem representada: Hanna Hartman, membro da Akademie der Künste, em Berlim e vencedora do prémio Karl-Sczuka de arte radiofônica e Maria w Horn, cujo trabalho incorpora síntese analógica e digital, juntam-se a um programa de luxo que integra ainda a norte-americana Kali Malone. Sediada em Estocolmo, o trabalho de Malone implementa também sistemas de síntese analógica e digital, combinadas com instrumentação acústica como o órgão, cordas, coro e instrumentos de sopro. The Sacrificial Code é o seu mais recente trabalho e um dos mais admiráveis discos de 2019.

O guitarrista português Manuel Mota e a baixista Margarida Garcia, o duo multidisciplinar GUO, formado pelos londrinos Daniel Blumberg e Seymour Wright, o lendário cantor, poeta e compositor japonês Keiji Haino e os cineastas e exploradores sonoros Priscilla Telmon e Vincent Moon, que se juntam novamente ao produtor libanês Rabih Beaini para apresentar o filme-concerto Híbridos, Os Espíritos do Brasil, completam o programa de concertos.



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The Psychedelic Furs em Portugal a 15 e 16 de outubro

Foto: Raul Umenes
The Psychedelic Furs regressam a Portugal na próxima semana, a banda dos irmãos Richard Butler e Tim Butler irá actuar primeiro no Porto, no Hard Club a 15 de outubro e no dia seguinte, em Lisboa no Lisboa ao Vivo.

Praticantes de um indie rock alternativo, são representantes do pós-punk e da new wave londrina dos anos oitenta. The Psychedelic Furs formaram-se em Inglaterra em 1977, nome inspirado numa canção de 1966 dos The Velvet Underground, "Venus in Furs”. Também não escondem a predileção por David Bowie, visível no álbum estreia homónimo editado três anos após a sua formação. Até ao momento, a discografia da banda consiste em sete álbuns de estúdio, várias compilações com os singles de maior sucesso, dois álbuns ao vivo, para além do disco gravado num das Peel Sessions, com o selo da Strange Fruit, a editora de Clive Selwood e John Peel, que durante anos foi o principal distribuidor da BBC Radio 1.


Há muito que não ouvimos falar de um novo disco dos Psychedelic Furs, animem-se no entanto os fãs, para além dos êxitos de sempre, trazem com eles nesta digressão uma novidade desde que se reuniram em 2000, a nova canção "The Boy That Invented Rock & Roll". Em curso está a gravação de um novo disco, que deverá estar concluído em 2020. Para já há um novo vinil de edição limitada de 7" polegadas, que inclui singles dos cinco primeiros álbuns, também em vinil e recentemente reeditados os sete álbuns de originais da banda.


Após a tour norte-americana com os James, no último Verão, a actual digressão que se estende pela Europa ao longo de Outubro teve início no Reino Unido, e passa na próxima semana por Portugal, seguindo depois para Espanha, Holanda, Bélgica e Alemanha.

The Psychadelic Furs no Porto e em Lisboa com o carimbo da At the Rollercoaster. Bilhetes à venda na bol.pt, FNAC, CTT, Worten e El Corte Inglês. Bilhetes físicos disponíveis na Piranha, Bunker Store, Tubitek, Hard Club podendo ser adquiridos solicitando por email para: attherollercoaster@gmail.com.


Texto: Lucinda Sebastião

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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Missão cumprida: Wayne Hussey e Ashton Nyte no RCA Club, longa foi a noite em Lisboa


Com o crepúsculo típico do Outono, afinal a temperatura e a brisa que se faz sentir na face, e que nos faz abotoar um ou dois botões do casaco como que a sublinhar ainda mais a terceira estação do ano… e está sossegada, como sempre, Alvalade. E é já extensa a fila junto ao RCA Club, enquanto se espera pela hora certa numa esquina com candeeiros de luz fraca. E é já longa a noite ou pelo menos parece. As horas não perdoam, fechei a porta do taxi e entrei apressadamente para ouvir a já anunciada primeira parte do concerto do britânico Wayne Hussey.

Ashton Nyte, a voz dos sul-africanos The Awakening, que fez carreira a solo com a sua voz de barítono, de bonitas canções de toada invulgar. Já no interior da sala, quase lotada como seria de esperar, e subindo ao primeiro piso com uma visão geral da muralha humana que veste a sala, tornava-se mais difícil ainda a tarefa dos fotógrafos que pretendiam registar os momentos que ali se viviam em palco. Ashton Nyte, desenrolou de forma competente e sentida com a sua voz emotiva uma série de canções dos seus trabalhos a solo, incluindo as canções dos The Awakening. Entregou-se ali com um som equilibrado.  Quando entrei pareceu-me estar a ouvir um Johnny Cash de voz ainda mais grave… com uma singular diferença ampliada por um certo reverb e delay, quase similar à do Homem de Preto (assim era conhecido pelos seus fans, o rapaz do Tennessee, que se tivesse enveredado pelo gótico, soaria assim). Uma junção de Bowie e Cash (que influenciaram tanta gente), é o que dizem, e também foi o que me pareceu. Foram pelo menos umas boas dez canções a manter a curiosidade de as ouvir fora das suas versões acústicas, canções como “Upon The Water”, a melancolia que neste formato de guitarra e voz funcionaram tão bem, e surpresa foi ouvir a versão do “The Sound Of Silence” dos Simon & Garfunkel, uma das mais populares dos The Awakening na África do Sul.


Após este inesperado vislumbre, as canções de Ashton Nyte, são, como já disse, simples e desprovidas de arranjos mais elaborados e naquela noite em palco, prepararam bem o caminho para o que viria a seguir, e com idas ao balcão do bar ou cá fora para um cigarro, nada me fez pensar que com Wayne Hussey ainda seriam mais duas horas e quarenta minutos de um concerto acústico. Talvez que, nem a organização o esperasse, e muito menos o público. Foi uma agradável surpresa ver o célebre cantor que passou pelos The Sisters Of Mercy e que depois fundou os The Mission apresentar um concerto onde ninguém se poderia queixar da falta de empenho ou de entrega.  Bem disposto, apesar de algumas rabugices em palco com o técnico de som, mostrou-se comunicativo e brincalhão. Em jeito de celebração e sendo esta a tour de Salad Daze, livro que confesso ainda não li, mas que sei que em jeito de auto-biografia nos apresenta as suas aventuras e memórias da sua carreira musical. Goste-se muito ou não dos The Mission, foram várias e diversificadas as suas propostas musicais naquela noite, desde as inesperadas versões de “Hurt” dos Nine Inch Nails, “All along the Watchtower” de Jimmy Hendrix ou a mais previsível “Like a Hurricane” de Neil Young, que mais tarde de entre muitas outras integrou um extenso medley que incluíu a condessa descalça de Patti Smith lá mais para o final do concerto. Sentem-se os The Mission e… há algo de novo, há algo de mariachi na sua guitarra.


Ouvimos muitos clássicos dos The Mission, ou aquelas canções clássicas dos The Mission que julgávamos ter esquecido e que sabe sempre bem ouvir: “Butterfly On The Wheel” que dominou o éter radiofónico nos anos oitenta e ainda durante boa parte dos noventa (e ainda hoje); “Severina” cantada em plenos pulmões pelo próprio e pelo público, que tantas vezes coreografou os refrões, e outras que são mais próprias e pessoais para quem segue a sua banda de sempre e do parentesco com os The Sisters of Mercy. Soltou “Marian”, “Naked And Savage”, ”Mr. Pleasant”, “Garden of Delight”, ao piano ou na guitarra, Wayne Hussey desenrolou canções soturnas e mais algumas também familiares e luminosas como “Like A Child Again”. Revelou que consegue trazer as memórias de trás para a frente ou da frente para trás e trazer-nos para o agora naquele palco. Foram várias as soluções que arranjou para nos levar durante um concerto tão longo, lançando ele mesmo os ritmos pré-gravados que imprimiram a novidade e a toada mais rock ou ambiental que nos despertou do embalo das canções, que tal como no espectáculo de Ashton Nyte, se apresentaram despidas dos arranjos de banda e ali ganharam uma outra vida. No caso de Hussey, estrela maior do indie rock a escorrer de tinta (gótica), ele ali, duas horas e muito em palco sem aborrecer sobremaneira os mais fiéis, foi o que fez, juntando ainda mais quarenta minutos em cima disso. Um deleite para os fãs e para quem simplesmente lhe reconhece o valor na escrita e nas canções transversais a várias gerações e, embora longo, certamente um concerto que não se esquecerá tão cedo pela entrega. A noite em que Wayne Hussey tocou duas horas e pouco mais de meia no RCA Club, sozinho em palco perante o seu fiel público, sem os The Mission, a missão foi cumprida.



Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Virgílio Santos

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[Review] Danny Brown - uknowhatimsayin

review-danny-brown-uknowhatimsayin

uknowhatimsayin | Warp Records/Fool's Gold Records | outubro de 2019 
8.3/10 

Instalando-se desde o início da sua carreira como uma personalidade audaciosa e com humor a rodos, e tendo evoluído da cena underground até ao panorama mainstream atual do hip-hop, o artista de Detroit Danny Brown dispensa apresentações. Contando com tiros certeiros na sua discografia como o colossal XXX ou o sufocante Atrocity Exhibition, o rapper de 38 anos tem-se cimentado cada vez mais como um espalha-brasas desmesurado e sem igual, ao mesmo tempo que demonstra uma adaptabilidade invejável a beats com estilos sonoros e disposições díspares a cada disco lançado. É seguro dizer que essa tendência se mantém intacta neste seu sexto álbum de originais, uknowhatimsayin, que conta com onze faixas no seu todo. 

Na cadeira de produtor executivo, Danny Brown conta sobretudo com o auxílio do histórico membro dos A Tribe Called Quest e histórico fabricante de beats Q-Tip, que é dono de um cunho sonoro de cânones mais soulful, enquadrando-o num panorama mais boom-bap, mas ainda assim com uma dose controlada de texturas leftfield pelo caminho, e que serve de veículo para a quantidade imensurável de bravado expressada pela voz caracteristicamente anasalada de Brown ao longo deste disco. Para além de Q-Tip, o rapper conta com o auxílio de mais alquimistas de som, como o colaborador de longa data Paul White, o mestre em aventuras alucinantes sonoras Flying Lotus, e um dos valores emergentes do hip-hop em recente memória, JPEGMAFIA

Quanto às faixas em si, preparem-se porque os temas vulgares tão característicos do homem estão, como sempre, em força, vindo, por exemplo, de vivências carnais que ele teve ao longo da vida, amalgamados com a anteriormente referida basófia, descrita em versos como “I ignore a whore like an email from LinkedIn” (“Savage Beast”) “I eat so many shrimp I got iodine poison” e “Got a foursome with four fours and I called it a twelve/One was chubby, one was ugly, wack as hell” (“Belly of the Beast”), entre muitos outros exemplos. Todavia, neste disco também há imenso espaço para outras temáticas de cariz mais sério, como referências a duras realidades outrora vividas de perto nas ruas, nomeadamente em “Combat” (“It’s the life that we chose, friends become foes/Nobody to trust, that’s the way life goes”) e “Change Up” (“Every other day, always some shit/I'm the underdog but I'm never over it”), mas também lembra o ouvinte de que se tem que persistir face às dificuldades que a vida traz, como no tema-título “uknowhatimsayin” (“My guy, just hol' your composure/And when you're down, it gets cold, I know, ah”) e no single “Best Life” (“'Cause ain't no next life, so now I'm tryna live my best life/I'm livin' my best life”). 



Como não podia deixar de ser, o delivery sempre polivalente de Danny Brown torna a jornada vivida e cativante do início ao fim, e o mesmo se pode dizer dos feats convidados que trazem o seu cunho inerente. Como resultado, tornam-se uma mais-valia à experiência do álbum no geral, como a participação de Blood Orange em “Shine”, que quase torna a faixa em algo saído de um álbum dos Brockhampton, ou o brand mais próprio de ostentação dos Run the Jewels demonstrado em todo o seu esplendor, casado com os beats versáteis de JPEGMAFIA, em “3 Tearz”. E falando em JPEGMAFIA, ele dá o ar da sua graça enquanto convidado de honra no refrão do assertivo “Negro Spiritual” produzido pelo alucinante Flying Lotus. Por fim, os vocais roucos do artista afrobeat Obongjayer são aquele remate inesperado, mas certeiro às faixas "uknowhatimsayin" e "Belly of the Beast".

Seguramente, uknowhatimsayin é no fim de contas um registo digno do progresso alucinante que Danny Brown tem tido ao longo desta sua aventura. Pode-se talvez argumentar que o revamp sonoro aqui tomado a cargo empalidece um bocado em comparação com diligências criativas anteriores como Atrocity Exhibition, mas todavia tem o seu próprio charme irreplicável, além de que compensa bastante com uma inesperada leveza que bate mais certo com o delivery desenfreado do Danny Brown, para não falar dos feats convidados a fazerem parte da jornada. Expectavelmente, uma coisa é certa, sendo essa de que este álbum tem já o lugar cimentado na lista dos melhores do hip-hop feito este ano.

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Swans de regresso ao Hard Club em 2020

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Numa ocasião única em território nacional, a banda veterana do movimento no-wave Swans, liderada pelo sempre enigmático Michael Gira, irá regressar no dia 10 de maio do próximo ano ao Hard Club no Porto. O pretexto para tal ocasião será o novo álbum do projeto leaving meaning, a ser lançado no dia 25 de outubro, mas também haverá certamente espaço para outros temas populares da longa carreira da banda. Gira irá ter consigo neste alinhamento do coletivo os membros Christoph Hahn, Phil Puleo e Christopher Pravdica, para além de Dana Schecter (Insect Ark e ex-Angels of Frost) e um dos nomes maiores da eletrónica experimental atual Ben Frost.

A primeira parte estará a cargo do ex-membro da banda Norman Westberg, e os bilhetes já podem ser adquiridos por este link.

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