sexta-feira, 23 de abril de 2021

“Heartbreak” é o nome do próximo single de leo.


Leo. anunciou hoje o seu próximo single, “heartbreak”, que tem lançamento previsto para o próximo dia 30 de abril. Trata-se do segundo snippet do próximo EP do artista português, após “mean”, publicado no passado mês de dezembro. O EP ainda não tem data de lançamento. 

Neste single, leo. continua a sua vaga pelo pop mais singer/songwriter, com fortes inspirações em nomes como Cavetown, Chloe Moriondo ou dodie, adotando uma melancolia açucarada e reconfortante. Liricamente, a canção retrata o conceito de relacionamentos com datas de validade, tentando adaptá-la e emergi-la com os instrumentais harmónicos, comandados principalmente pelo piano e pelas cordas quase cinemáticas que condizem assim com uma melodia vocal docemente teatral. 

Leo. é um dos nomes em ascensão dentro do cenário pop singer/songwriter, tendo sido um sucesso de streaming com canções como “here with you” e “despair”, tendo esta última ultrapassado os 2 milhões de streams. Recentemente, mudou-se de Portugal para o Reino Unido para estudar música no Leeds Conservatoire, complementando assim o ensino que recebeu de música clássica desde os seus 5 anos que de certa forma contribuem para a composição deste tipo de música tão atento à teoria e orelhudas dentro dos seus próprios parâmetros. 

A música ainda não está disponível, mas podes fazer o pre-save aqui

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O Circuito está vivo e traz muita música a Lisboa entre maio e junho


Nos meses de maio e junho, as salas de programação de música da rede Circuito em Lisboa – B.Leza, Casa Independente, Casa do Capitão, DAMAS, Hot Clube de Portugal, Lounge, Lux Frágil, Musicbox, RCA Club, Titanic Sur Mer, Valsa e Village Underground Lisboa – vão realizar uma programação que reúne 120 atividades e envolve 480 artistas e outros profissionais da música. A ação é o resultado visível de um apoio aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do plano Lisboa Protege com vista a assegurar a sobrevivência destes espaços, num projeto que viabiliza também o regresso de artistas aos seus palcos.

O papel pluridimensional desempenhado por estes espaços reforça a necessidade de assegurar a sua proteção: os mesmos são importantes palcos para a experimentação e para o surgimento, afirmação e circulação de artistas, garantem a diversidade e atuam como mediadores sociais e culturais nas comunidades em que se inserem.

Este projeto garantiu a sobrevivência destas salas durante os meses de inverno através da compensação do prejuízo mensal provocado pelos custos fixos, mantidos desde março de 2020, que não são visados por outras medidas de apoio extraordinárias criadas para fazer face ao impacto causado pela pandemia. Sem condições que viabilizem uma abertura financeiramente sustentável, este apoio da CML possibilita também que as salas de programação de música abram pontualmente as suas portas para estender este apoio a artistas e outros profissionais, promovendo um programa artístico diversificado para a cidade e uma relação de confiança com os públicos. A iniciativa vai também contribuir para devolver alguma da expressão cultural a Lisboa, cidade que se demonstra, uma vez mais, determinada em procurar formas de resistir à paralisação desta atividade.

As atividades têm início a partir do dia 3 de maio, respeitando as medidas e orientação da DGS em vigor, e toda a informação sobre a programação, horários e bilheteira pode ser consultada aqui.

O Circuito vê este apoio como um importante passo no reconhecimento e valorização da importância social, cultural e económica das salas com programação própria de música ao vivo e do seu contributo primordial para o ecossistema da música atual portuguesa. Tratando-se de uma iniciativa que promove a atratividade da cidade de Lisboa, a mesma revela uma visão estratégica a curto e médio prazo que compreende não só o efeito cultural, mas o impacto económico do conjunto destes espaços na economia das cidades.

O Circuito é uma rede nacional e um pilar essencial do ecossistema da música deste país. Esta importante iniciativa na cidade de Lisboa não esconde a enorme dificuldade e o momento crítico de sobrevivência que todas as salas do país atravessam. Esperamos que este projeto possa servir de modelo e motivar outros municípios para a urgência de um investimento semelhante. Esta rede nacional é preciosa.

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Aune lança novo single "Self-conscious"

Auto-retrato de Aune


Foi enquanto procurava um novo rumo, "no meio do pior episódio depressivo da sua vida", que Aune decidiu candidatar-se a uma licenciatura em Composição e Produção Musical, em Hatfield, no Reino Unido, pode ler-se em nota enviada às redações. Passados quase três anos, depois de "Dangerous", vem "Self-conscious", lançado esta sexta-feira e já disponível no Youtube.

Ambos os singles foram ideias que "surgiram de repente" e compôs na guitarra, conta a cantora-compositora em declarações à Threshold Magazine. "No que toca à produção, a 'Dangerous' foi uma experiência, um projeto de quarentena do qual acabei por gostar bastante", explica, acrescentando que não tinha uma ideia definida para a sonoridade do tema. Por contraste, "Self-conscious" revelou-se um "processo muito mais intencional".

"Sabia perfeitamente como queria que [a faixa] acabasse por soar e por isso rapidamente me apercebi que precisava de mais tempo e dedicação da parte", refere. Aquilo que começou por ser "uma pequena ideia" que teve enquanto punha roupa a lavar no seu primeiro ano de universidade, é agora uma "perspetiva bem humorada" da luta com a ansiedade e o perfecionismo.

Com "Self-conscious", Aune quer oferecer aos ouvintes "o impulso de serotonina que todos precisamos". Natural de Mafra, chega com "especial facilidade em criar melodias que ficam no ouvido e combiná-las com letras que chegam ao coração" e guarda Taylor Swift, Lorde e Joni Mitchell como algumas das suas influências.

"Acho que isto é a resposta que todos esperam de um músico, mas, sinceramente, o que me tem ajudado nestes tempos difíceis é fazer música", confessa. "É importante que analisemos as nossas ações, a nossa vida, a nossa arte, mas nunca à custa da nossa saúde mental", ressalta a propósito da sua tendência para "fazer demasiada auto-reflexão".

Aune é o alias de Inês Pereira que, há cerca de cinco anos, dava voz às canções da banda pop-rock Plan Ahead. Pouco antes disso, depositava covers e originais avulso no seu canal de Youtube. Agora, a solo em Aune, "cimenta-se como a artista pop que sempre esteve destinada a ser". Prestes a terminar a licenciatura, não tem o descanso como plano e aponta o lançamento do seu álbum de estreia para o final deste ano.

Até lá, fica com "Self-Conscious".

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Unsafe Space Garden em entrevista: "Toda a gente sente que é várias coisas ao mesmo tempo"

Unsafe Space Garden em entrevista
© CISMA

Nascidos na Serra da Penha, em Guimarães, os Unsafe Space Garden surgiram como o projeto musical de Nuno Duarte, acompanhado na foto por Alexandra Saldanha, Filipe Louro, Diogo Costa e Catarina Moura. Uma banda em constante mutação, os USG contam ainda com a ajuda e colaboração de outros músicos na concretização do seu segundo álbum, Bro, You Got Something In Your Eye - A Guided Meditation, e nas performances ao vivo.

Mantendo uma sonoridade caótica e divertida, cheia de humor e criatividade, mas levando-a a novos lugares, editam hoje o álbum em CD e formato digital pela Discos de Platão. Este sucede o EP de estreia Bubble Burst, de 2019, e o álbum Guilty Measures, sobre o qual falámos com a banda o ano passado.

Estivemos em videochamada com o Nuno e a Alexandra para falar sobre o novo disco, o processo criativo da banda e as suas perspetivas para o futuro.

Passaram de trio a quinteto. De que forma é que isso se reflete no som da banda?

Alexandra Saldanha (AS) - O EP e o disco Guilty Measures foram compostos pelo Nuno. Na altura, ao vivo tocávamos cinco, mas considerávamos que havia um núcleo, porque as pessoas que estavam a tocar connosco, embora nossos amigos do coração, eram contratadas. O Diogo, o terceiro desse trio que mencionaste, por estar aqui à beira, acaba por nos influenciar como ser humano que existe à nossa volta. Agora neste disco estamos cinco, mas as composições são minhas e do Nuno. Nós os cinco estaremos sempre presentes, mas ao vivo seremos sete ou oito, porque ainda falta um baterista, um guitarrista e o Silvestre, que já tocava connosco anteriormente, também estará a tocar teclados.

Lançaram um EP e dois álbuns em três anos, são muito produtivos.

Nuno Duarte (ND) - Sim, este projeto surgiu porque eu já estava a fazer música. Era assim que eu passava os meus dias, a fazer canções. Depois surgiu uma coisa com mais identidade, que se tornou Unsafe Space Garden, e a partir daí nunca parei de compor. Agora as maneiras como isso vai acontecendo é que vão alterando, mas há muito material nosso...

AS - Centenas e centenas de músicas. O álbum que sairá a seguir já existe, só lhe falta existir de outra maneira. Ainda não sabe andar, só é. E o a seguir também já existe, provavelmente, e o a seguir também. Ou seja, há um problema muito grave de criação com delay para o mundo, que depois se traduz também em crises existenciais constantes de “mas temos aqui tanta coisa, o que é que vamos fazer com isto?”.

ND - Há mais uma dificuldade, que é pôr um certo aglomerado de coisas como parte do mesmo universo, porque nós ouvimos todo o tipo de música e compor é aquilo que estamos quase sempre a fazer. A parte difícil é só mesmo essa.

AS - É conseguir criar o álbum em si.

Expandiram o vosso som no novo álbum. A “Mighty Flaws” tem sopros e têm aquele instrumento de percussão no início da “I Might Die”. Costumam procurar instrumentos e sons diferentes, ou foi algo que aquelas músicas específicas pediam?

ND - Acho que as músicas foram pedindo isso, mas na procura de fugir um bocado àquilo que se anda a fazer, de repente a “Mighty Flaws” tem um saxofone e a “I Might Die” podia ter mais a ver com percussão e coisas mais vivas. Porque acho que a percussão gravada com microfone dá uma coisa completamente diferente e é muitas vezes negligenciada. Pelo menos eu próprio a negligenciava muitas vezes, até ter-me apercebido que um shaker ou algo como uma cabaça podem mudar completamente o teor rítmico e, a nível textural  principalmente, como a música é e como é percebida.

AS - O que acho que aconteceu de diferente nas composições deste para o anterior, é que nesse ele sentava-se e fazia, como um vómito criativo, e aqui foi mais uma conversa entre os dois. Como eu só toco teclado, era assim: “Hey, aqui podia ter não sei que mais”, e dizia o instrumento mais absurdo e inalcançável possível e depois ele tinha que se desenrascar e arranjar forma daquilo existir. Isso acaba por trazer esta entrada de novos instrumentos.

É quase impor um desafio ao processo de composição para gerar coisas que se calhar não aconteceriam de outra forma.

ND - Sem dúvida, acho que este disco foi muito isso, mas o desafio e a aprendizagem maior foi integrar outra pessoa no processo de composição. É isso que eu acho que lhe dá uma dimensão muito maior, porque a partir do momento em que entrou outra pessoa na composição o disco todo tornou-se bastante inclusivo, mesmo ao nível da opinião dos outros. Ao nível de trazer alguém para tocar saxofone, como foi o caso do Mortágua, ou o Guilherme Moreira, que toca trompa. As músicas tornaram-se algo que ramificou. Foi essa a evolução do anterior para este. Foi mais colaborativo e ficou mais interessante por ser de mais pessoas.

Todos os vossos discos são misturados e masterizados pelo Pedro Ribeiro. Como é que funciona o vosso trabalho com ele? As vossas músicas têm muitos elementos e muitas dinâmicas, então estes processos parecem ser muito importantes.

AS - O Spark (Pedro Ribeiro) é, acima de tudo, um excelente amigo, e tem um feitio muito diferente do nosso, porque nós somos muito caóticos, e ele é super obsessivo com detalhes. Isso é essencial para pessoas como nós, que estão sempre all over the place. O Spark trouxe um bocado de ordem.

ND - Nós temos muita mais propensão para nos estendermos ao comprido. Há um lado criativo que é bom, mas é preciso a rédea de alguém que nos diga "vamos focarmos nisto, vamos fazer isto assim". E depois o processo de mistura demora muito tempo, é o que demora mais tempo depois da gravação. A gravação deste disco demorou três semanas, o grosso. Depois ainda tivemos outras gravações, porque faltavam outros elementos, e as misturas. Para aí mês e meio, quase todos os dias.

AS - O Spark é um pro no computador e consegue concretizar coisas que para nós parecem só um lodo sem forma.

Qual é a parte mais desafiante nesse processo? Onde é mais complicado chegarem ao que pretendem.

ND - A mistura foi o mais difícil, mas o que percebo como a maior dificuldade é o sentido de conseguir chegar um sítio onde aquela canção, ou o disco inteiro, é nitidamente uma coisa comunicável que nós sentimos que estamos a dizer e que pode ser percebida pelos outros. 

AS - Como o processo de composição calhou nos confinamentos, houve vários meses em que só nos víamos um ao outro e a certa altura já não estávamos a falar nem português, nem inglês, nem língua nenhuma, estávamos meios telepáticos. Passar disso e do choque de estarmos só os dois sempre a compor para existir no mundo real e trazer as outras pessoas todas... foi um choque enorme perceber que há uma linha muito ténue que separa as músicas funcionarem no concreto e existirem como estavam a existir para nós no início, que era amorfo. Era só um sonho e depois passou para essa fase, e para mim foi muito assustador, foi o mais difícil.

E qual a parte mais divertida?

ND - Acho que é a composição.

AS - Sim, para mim também.

ND - É a parte em que não há nada que é pedido por ninguém, não estás a fazer uma tarefa. Claro que a mistura e a gravação têm uma parte criativa, mas também é uma tarefa, enquanto que a composição és tu no teu quarto a fazer o que te apetecer. 

AS - Qualquer coisa pode acontecer. Eu sempre fiz mais "cançõezinhas". Estou a sentir-me de uma determinada maneira, pego na guitarra ou no teclado e faço uma cena. O Nuno tem uma maneira muito característica de compor. Tentar conciliar a maneira dele, muito perfecionista e abastada, e a minha, mais livre e ao mesmo tempo mais limitada, porque não sei tocar guitarra como deve ser e o acorde que eu inventar na hora funciona. Com ele há a possibilidade de literalmente musicar a sensação que eu estou a sentir naquele momento. Se eu num momento me sentir como um caixote do lixo, o Nuno é capaz de passar seis horas a tentar perceber qual é o acorde que descreve um caixote do lixo. Para mim era extremamente divertido só estarmos ali a tentar perceber o que faltava para ter a sensação correta naquele momento específico. Era um mundo inteiro às nossas mãos, que podíamos inventar naquele momento.

Lembro-me de uma música em específico, que foi a "Thoughts Feelings", em que não me lembro se existia alguma coisa...

ND - Só existia uma ideia primordial, que foi completamente desbastada.

AS - E depois já não existe. Tínhamos o Juno montado e eu comecei a brincar, o Nuno começou a mexer no Juno enquanto eu brincava e de repente sacámos o teclado inicial. Disto caminhou até aquilo ser o que é agora, "vamos falar sobre o que são pensamentos". Lembro-me que essa música exigiu bastante. Para nós foi groundbreaking inventar uma sala em que estão duas pessoas que estão a discutir o que é o pensar e existem seres que estão a falar sobre sabe Deus o quê, e depois ainda vai para disco night total. Para mim, compor essa música descreve um bocado o que foi o processo todo do disco, que é descobrir o que vem a seguir e experimentar tudo o que existe até ser exactamente o que precisa de estar aqui.

Gostei dos momentos do álbum em que têm diferentes vozes a interpretar diferentes personagens. Estão a pensar em expandir mais esse conceito?

ND - Estamos a pensar muito sobre isso, aprimorar ao máximo em estúdio e mesmo ao vivo. Aí podem ter outras componentes visuais e cénicas que podem trazer muito mais às músicas, podem elevá-las a outro nível.

ASLembro-me que houve um momento ao compor o disco em que cantei uma cena específica numa música que estava em aberto. Como se eu fosse duas coisas completamente diferentes, porque eu amo tudo e ao mesmo tempo estou sempre a arruinar tudo para mim e para toda a gente. Acho que toda a gente sente que é várias coisas ao mesmo tempo. Um dia sobe a parte de nós que é mais irritável e noutro dia somos a pessoa mais gentil e amorosa de sempre. Neste disco essas vozes todas vêm ao de cima. 

Dizemos para nos colocarmos a perspetivar os nossos pensamentos e as nossas atitudes no mundo, mas nós também somos quem sofre, e é ridículo. As muitas vozes vêm da noção de que ao mesmo tempo que estamos a tentar dizer um determinado caminho que podemos percorrer para nos apercebermos de nós mesmos, também somos a pessoa que se está a aperceber de si mesma e é um ser humano falível, então é preciso ter várias vozes para descrever isso. 

ND - Isto das vozes muito naturalmente apareceu porque é assim que nós funcionamos no dia a dia. Alguma coisa acontece e digo "porque é que fizeste isso?" e no momento em que me estou a ouvir repito "porque é que fizeste isso?" [em tom de troça]. Tu vais criando uma noção de ti em que questionas porque é te estás a enervar, é mesmo só idiota. Porque o "isso" não foi trágico, estás a perceber? Isso muito naturalmente passou para as músicas, é a cola do que é este projeto.

Como é que desenvolvem o lado visual da banda? Trabalham bastante esta componente, tanto nos vídeos, como nas capas e as roupas que usam ao vivo. Têm muitas cores e muito caos, tal como a música. Agora parece-me que estão a apostar numa estética um bocado diferente.

AS - Se fossemos para lá nós mesmos, vestidos como nos vestimos normalmente, não seria totalmente honesto, porque ali estamos a tentar encapsular um bocado o que é ser humano e alguma coisa que está acima desse ser-se humano. É como vestir aquela personagem que enquanto está a dizer "hahaha, és um idiota!", também está a dizer "mas eu também sou um idiota", e ser essas coisas todas ao mesmo tempo e sair de Alexandra, de Diogo e de Silvestre implica que tenhas um traje. E tinha, obviamente, que ser extremamente colorido e psicadélico, porque para nós não fazia sentido de outra forma. Pode vir a fazer sentido estarmos só de traje preto em palco, mas para já é isto que está a fazer sentido.

No EP não fomos nós que fizemos e foi diferente, mas no anterior o Diogo fez o artwork, misturando desenhos meus com fotografias nossas com caos. Agora já não somos nós que estamos a fazer o artwork, nem o que temos postado no Instagram e no Facebook. Têm sido um coletivo que é a CISMA, cá de Guimarães, excelentes profissionais e amigos. Eles é que nos abordaram há muito tempo atrás, "vocês fazem cenas fixes, mas são demasiado caóticos e é muito difícil para quem está fora perceber o que estão a dizer". Então eles vieram salvar essa parte, para ser mais perceptível. Porque às vezes nós chegamos lá e metemos uma imagem do que é que querem dizer as caudas dos gatos e dizemos "olá", e para a maior parte das pessoas se calhar não faz sentido nenhum. Eles vieram trazer um pouco de ordem à forma como nós nos apresentamos às pessoas.

ND - Vem de encontro ao que disse à bocado do álbum e da inclusão. Também ter a interpretação de pessoas de fora das nossas músicas. Interpretações mais sóbrias e nítidas. Não tão suscetível a mil interpretações porque é tudo e nada ou nenhuma interpretação.

Vão lançar o álbum na pandemia e nem vão poder apresentá-lo já ao vivo. Como é que estão a pensar dinamizar a divulgação? Têm videos ou outras coisas preparadas ou em mente para chegar a um público mais abrangente?

AS - Agora andamos a sonhar um bocado, porque ainda não bateu que 2021 está perdido para toda a gente. [risos].  "Se calhar ainda vai dar", ainda estamos nessa fase. E se calhar ainda vai dar.

Para quando eventualmente encararmos que não vai dar, algumas ideias têm surgido de outras coisas que fomos fazendo em segundo plano com Unsafe. Por exemplo, livros e um documentário, ideias para fazer espetáculos com crianças, ou só colaborar com a comunidade. Trazer as artes para as pessoas "comuns" e usar Unsafe como um veículo para trazer ao de cima um pouco do que há de caótico em toda gente. Isto também só pode acontecer quando não houver pandemia, mas ainda assim vamos pensando de que maneira podemos concretizar isso.

Um dos membros novos de Unsafe é o Filipe Louro, que toca com Rite of Trio e Salto. Ele também veio trazer uma série de ideias absurdas que podem funcionar, seja vídeos ao vivo com cenários ou momentos teatrais que nós já temos ao vivo, mas nunca fomos a fundo com o que podemos fazer com isso. Em vídeo, se calhar é muito mais fácil concretizar a loucura total do teatro de Unsafe. Por isso vamos acreditar no melhor e que vão acontecer coisas altamente na mesma.

Têm algo a acrescentar para quem não vos conhece? Porque é que deviam ouvir Unsafe Space Garden?

AS - [risos] Porquê? Isso coloca-me numa posição de dúvida existencial muito grande. Porque é que as pessoas deviam ouvir Unsafe Space Garden? 

ND - [risos] Nós fazemos isto porque há uma necessidade muito grande. Se há uma necessidade muito grande, é porque há algo que está em falta. Se há algo que está em falta, então, se calhar, para as pessoas que sentem que algo está em falta, pode ser que faça sentido ouvir Unsafe, porque esse em falta é vago, mas ao mesmo tempo não é assim muito vago. E o que é esse em falta? Ouçam Unsafe Space Garden.

AS - [risos] Acho que também ajudaria dizer que podem ouvir Unsafe e conversar connosco sempre que quiserem. Nós já tentámos deixar mais ou menos expresso, nos meios que temos de chegar às pessoas à nossa volta geograficamente, que podem mandar mensagem e conversar um bocadinho, porque uma canção nunca é só sobre mim e uma pessoa específica, são só contemplações acerca da espécie humana. E podem ouvir só para tentar perceber se nós estamos a dizer alguma coisa que faz sentido para elas e podem dançar, porque há partes em que é fixe dançar, ou lavar a loiça.


Bro, You Got Something In Your Eye - A Guided Meditation pode ser escutado nos diversos serviços de streaming e no Bandcamp da banda.

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La Jungle lançam novo disco em maio. Primeiro single escuta-se aqui

La Jungle lançam novo disco em maio. Primeiro single escuta-se aqui
© Fred Labeye 


A dupla belga La Jungle prepara-se para editar o seu quarto disco de originais no próximo mês de maio. Intitulado Fall Off The Apex o novo dico foi gravado em março de 2020 num cenário verde e idílico em Honfleur, França. O trabalho apresenta cinco temas inéditos e três interlúdios dos quais chega hoje ao radar o primeiro avanço, "Le Jour du Cobra". Depois de terem ancorado na Idade Média no seu antecessor, no novo Fall Off The Apex, os La Jungle transcrevem agora os seus sentimentos com base na sociedade atual. Por trás recorrem a uma eletrónica camaleónica rica em loops furiosos, um teclado Casio onomatopeias pungentes criadas numa interação energética entre guitarra / bateria.

Em Fall Off The Apex os La Jungle oferecem uma amálgama de som incessante com foco nas estruturas repetitivas as quais intercalam com notas de rock ruidoso, como tão bem nos presenteiam no primeiro tema de avanço, "Le Jour du Cobra" que pode agora ser escutado abaixo. Fall Off The Apex cristaliza o clima de capitalismo social que conspurca na sociedade atual e que, mesmo em clima pandémico, não deixa nunca de perder força. "Le Jour du Cobra" e os temas que o incorporam tentam criar consciência para esse estado entre ritmos moribundos de cansaço emocional e estímulos à ação. Podem assimilar o resultado abaixo.


Fall Off The Apex tem data de lançamento prevista para 21 de maio no formato digital, CD e vinil pelos selos À Tant Rêver du Roi, Black Basset e Rockerill Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


Fall Off The Apex Tracklist:

01. Aluminum River 
02. Le Jour Du Cobra 
03. Du Sang Du Singe 
04. Hyperitual 
05. Marimba 
06. Feu L'homme 
07. Interloud 
08. The End The Score

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João Vairinhos lança EP de remixes de 'Vénia'

João Vairinhos lança EP de remixes de 'Vénia'


Depois de ter convidado Lázaro a reinterpretar o tema que encerrou e deu nome ao EP de estreia, Vénia, João Vairinhos decidiu criar uma edição dedicada com remisturas assinadas por outros nomes da produção nacional. Na primeira tranche de convidados, além do retrato futurista e celestial esculpido por Pedro Geraldes, João Vairinhos também teve curiosidade em saber como moldariam Vénia, Ricardo Remédio - nome que o acompanha há anos na carreira musical - e Kara Konchar o mais recente projeto a solo de Miguel Béco de Almeida que noutras andanças marcou presença no cenário musical com o seu alter-ego Átila. Intitulado de Vénia - Remixes, o disco que chegou para celebrar o primeiro aniversário de Vénia EP vê agora serem reveladas as novas reinterpretações sonoras.

O EP tem abertura com as ambiências dungeon da eletrónica escura de Kara Konchar que no seu desenvolvimento ocultam os traços celestiais manobrados por Lázaro e a atmosfera psicologicamente densa manobrada originalmente por João Vairinhos, numa remix que pretende criar uma harmonia entre elementos orgânicos e sonoridades sintetizadas. Por sua vez Ricardo Remédio abraça as ambiências da synthwave, construindo uma faixa minimalista com influências que vão do panorama da música ambient à retrowave futurista e culminam num final completamente abrasivo. Em jeito de despedida Lázaro arrasta o ritmo numa versão estendida, para assimilar em profundidade a mensagem de" Vénia".

Vénia - Remixes, é editado oficialmente esta sexta-feira (23 de abril) no formato digital. Durante o mês de maio está prevista a disponibilização de remisturas de outros artistas para os restantes temas que fazem parte do alinhamento de Vénia, bem como a edição das mesmas num formato físico em data a anunciar. Até lá é consumir as novas abordagens, abaixo.


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quinta-feira, 22 de abril de 2021

STREAM: Simon Minó - Alma / Flora

STREAM: Simon Minó - Alma / Flora


Estávamos em novembro de 2019 quando o produtor sueco Simon Minó se apresentou ao mundo a solo depois de ter consolidado o seu nome entre o cenário musical underground como vocalista da banda RA. Depois de se mudar para Paris em 2018, Minó rapidamente começou a trabalhar nas suas próprias músicas devido à distância não só da sua cidade natal, Malmö, como dos colegas de banda. Nesse novo desafio de vida conheceu o músico Sydney Valette, que assina a gravação e produção de Alma / Flora, o disco de estreia que agora vê a luz do dia. Apresentado inicialmente sob o tema "Les Nymphéas", a ser editado sob o selo de vanguarda Third Coming Records, o produtor logo nos deixou um brilho nos olhos pela sua abordagem minimalista numa eletrónica repleta em paisagens melancólicas e sintetizadores imersivos.

O lançamento do álbum acabou por ser adiado com o clima pandémico a instalar-se embora ainda no ano passado tenha chegado ao radar "Raphaëlle", o segundo tema de avanço a ser conduzido por uma percussão marcante, envolta entre os traços camuflados da dream-pop e e as veias densas da synthwave. Este ano, sem expectativas de melhoria Simon Minó parou de adiar o lançamento da estreia tendo revelado ainda em antecipação "Diana", o terceiro tema extraído da obra a abandonar os vocais lúgubres para dar vida a uma paisagem confortável e vívida. No novo disco, além dos mencionados temas ganham destaque maior faixas como a badalada "Klein Blue Bedroom" - a mostrar todo um novo lado envolvente e delicado; o marcante "In The Mood For Love" - a apostar em sintetizadores negros de carácter aditivo - e ainda a neblina oclusiva de "Paris Is Burning". Um artista que, quando a normalidade pré-2020 se instaurar, certamente ficará bem na abertura de festivais como o MONITOR. Assim esperemos. Até lá é ir assimilando este Alma / Flora na íntegra abaixo.

Alma / Flora chegou às prateleiras esta quinta-feira (22 de abril) no formato digital. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Premiere: B4ICRY2 - BRILHANTE (vídeo)



“BRILHANTE” é o nome do novo single do trapper lisboeta B4ICRY2, lançado sob a alça da Rotten \ Fresh como avanço do primeiro disco do artista, B4HER, que tem lançamento previsto para o próximo dia 29 de abril.

Inserido dentro da nova taga do cloudtrap lusitano, B4ICRY2 inspira-se em nomes já icónicos como Bones ou Yung Lean e cria um cloud-emo rap orelhudo e hipnótico, sempre a par da contemporaneidade. Além de “BRILHANTE”, o artista já havia demonstrado anteriormente a sua capacidade em criar faixas emancipatórias, como em “Tarot” ou “Fraco”, sendo este single apenas mais um passo para se tornar num dos nomes a ter em conta dentro do cenário cloud português.

Abaixo poderás ouvir o single, acompanhado do seu respetivo teledisco. A pre-order de B4HER já está disponível no Bandcamp da label lisb.


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STREAM: Bruno Pernadas - Private Reasons


O quarto registo de estúdio de Bruno Pernadas já se encontra disponível nas plataformas de streaming e em CD a partir desta sexta-feira. Private Reasons terá também uma edição em vinil, com saída prevista no próximo mês de junho e já disponível em pré-venda no site da FNAC. 

Do alinhamento fazem parte 13 temas inéditos, do qual já se conhecia “Theme Vision” – o primeiro single lançado no passado mês de março. Bruno Pernadas assina a composição, letras, arranjos e produção do álbum gravado entre junho e agosto de 2020, nos Estúdios 15A por Moritz Kerschbaumer. A mistura e masterização ficou a cargo de Tiago Sousa

Pensado e desenhado como fecho de uma bela ideia de trilogia pop, Private Reasons pode igualmente ser a mais magnífica porta de entrada a que o universo musical de Bruno Pernadas podia aspirar. É compreensível que a circunstância de um fim provocado proporcione um gesto de escala grandiosa, mas nada nos preparou para tamanha prova de superação criativa, nem mesmo com os discos anteriores How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? (2014) e Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them (2016), nos quais já tinha ficado bem exposta a miríade de ideias, recursos e linguagens que habitam a sua música. Com efeito, Private Reasons é uma declaração imensa e definitiva da arte pop de Pernadas, onde mais uma vez somos convidados a viajar de alma cheia por um mundo de estilos musicais, geografias, imagens, vozes e espíritos, refazendo clássicos e vislumbrando o futuro, em que tudo parece construído com ambições de dimensão faraónica, querendo deixar um monumento no seu tempo, e no nosso. É uma compilação luminosa de histórias sonoras épicas que, por entre composições, arranjos e instrumentação pouco convencionais, nos revela em surdina o que podemos ouvir para além desta trilogia, para além da pop, no amanhã da música de Bruno Pernadas.

Private Reasons é apresentado ao vivo nos próximos dias 21 e 22 de maio na Culturgest e a 26 de junho, na Casa da Cultura de Ílhavo

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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Baleia Baleia Baleia anunciam novo disco com o lançamento de "Babes do Zodíaco"


Com o lançamento inicialmente previsto para 2020 mas condicionado pela atual pandemia, a dupla portuense Baleia Baleia Baleia apresenta agora um novo single, intitulado “Babes do Zodíaco”, que será integrado no novo álbum “Suicídio Comercial” e cujo lançamento acontecerá em Outuno de 2021, através da editora Saliva Diva.

“A pandemia fez-nos atrasar o lançamento do disco um ano, mas se calhar foi melhor assim, pudemos dar tempo e dedicação ao sucessor do disco dos óculos e divertimo-nos muito”, afirma Ricardo Cabral, sobre o processo de criação do futuro disco. Depois do lançamento do disco homónimo, em 2018, a banda regressou ao estúdio, para um segundo álbum a ser editado no segundo semestre de 2021, do qual “Babes do Zodíaco” irá fazer parte.

O videoclipe, agora revelado pela banda, é inspirado na cultura pop iconoclasta, no surrealismo e na liberdade própria da videoarte. As cabeças dos músicos são planetas e outros corpos celestes no espaço sideral que contracenam com mais elementos que não deviam lá estar.

“O vídeo foi feito por nós em casa, com a preciosa ajuda do Hugo Santos no jogo de luz caseiro e na fluidez dos movimentos de rotação das cabeças-planeta, e do Daniel Catarino que gentilmente cedeu uma máquina de filmar e um tripé. Teve um orçamento inferior a 50 cêntimos (que nem chegámos a usar), é um espelho do que foi o processo de gravação e mistura deste disco: poucos travões e muitas gargalhadas”, revela Manuel Molarinho.

Numa busca por transmitir assuntos importantes mas ao mesmo tempo sem quererem ser levados demasiado a sério, os Baleia Baleia Baleia aproveitam este primeiro avanço para deixar isso bem presente. Para o lançamento do disco Suicído Comercial, agendado para este Outono, a tónica continuará a ser a constante interação entre a realidade contemporânea, muitas vezes capaz de superar a ficção, e que serve de matéria rica e inspiração para a banda conceber as suas músicas. 

O single e o álbum foram produzidos pela própria banda no estúdio Quarto Escuro. O single já pode ser ouvido no Bandcamp da banda e da editora.

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terça-feira, 20 de abril de 2021

John T. Gast, Rebeca Csalog e Dianna Excel no ciclo de apresentações de maio do Novo Negócio

© Vera Marmelo



A Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, anunciou o programa do próximo ciclo de apresentações que terá lugar no espaço Novo Negócio, todas as terças-feiras a partir de maio.

O ciclo inicia a 4 de maio com a apresentação de Refraction Solo, novo trabalho do saxofonista Rodrigo Amado que recolhe as premissas centrais de notáveis como Ornette Coleman, Sonny Rollins ou Thelonious Monk, "projectado em solidão como forma de canalizar energias e reflectir sobre o seu próprio percurso e as bases do mesmo", explica a organização.

A 11 de maio, o elusivo produtor inglês John T. Gast, que assina mais de uma década de carreira e lançamentos por selos como a saudosa Blackest Ever Black ou a sua 5 Gate Temple, regressa a Lisboa para apresentar o espetáculo ‘No Murmúrio dos Esgotos’. A primeira parte conta com a harpista Rebeca Csalog que, entre outras referências, marcou presença junto de artistas nacionais como Conan Osiris ou Odete.

Norberto Lobo, um dos mais reputados músicos portugueses das últimas duas décadas, apresenta-se no espaço lisboeta no dia 18 de maio para uma performance que promete "cruzar clássicos do passado com projecções do futuro".

O ciclo encerra a 25 de maio com a estreia ao vivo de O Que Teriam Ouvido Se Estivessem Calado, performance desenhada por Bernardo Bertrand e que pretende reimaginar o seu projeto Menino da Mãe. Na mesma noite, Dianna Excel apresenta, pela primeira vez, o seu novíssimo XL, a estreia da cantora-produtora em longa-duração.

Também no mês de maio, a ZDB recebe a próxima fase do ciclo A Vida Continua, que conta com a participação de Oseias, José Rego, Rudi Brito & Maria Reis, João Dória, Bubacar Djabaté, April Marmara, nastyfactor, Cíntia, Puçanga, Metametal, NGIRI ICE e LONGO & Gapp.

Consultem o programa completo em zedosbois.org.


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Tales of Another Felt Sense of Self é o novo trabalho multissensorial de IOKOI

© Lorenzo Pusterla

Mara Miccichè é uma artista multifacetada oriunda de Zurique, que se esconde sob o alter-ego de IOKOI. O seu novo registo de estúdio, Tales of Another Felt Sense of Self, chegou às prateleiras no passado mês de março, com o selo da -OUS, editora experimental suíça da qual Miccichè é co-fundadora. Sucessor do “hiperciberreal” Liquefy (2016), este novo trabalho multidisciplinar assume-se como o seu disco mais íntimo até à data, resultando de uma jornada interior colaborativa de três anos.

Tales of Another Felt Sense of Self condensa no seu núcleo a pop vanguardista com a spoken word, field recordings e texturas eletrónicas mercuriais, retratando-se ao mesmo tempo como uma experiência orgânica de IOKOI, motivada pela procura da própria essência do nosso ser em relação aos outros, ameaçada pela crescente desencarnação na era digital. Além desse sentimento de pertença pessoal e coletivo, Tales of Another Felt Sense of Self invoca uma “reencarnação de todos os sentidos, explorando as nossas rotinas de ouvir, ver, sentir e compreender”, como esclareceu a artista numa nota enviada à redação.



Este trabalho, além da sua edição digital, foi também acompanhado por três camadas adicionais de reflexão. Tales of Another Felt Sense of Self é um trabalho multissensorial em colaboração com a videógrafa Michele Foti, a artista olfativa Klara Ravat e a designer gráfica Sarah Parsons, envolvendo a música e o vídeo com artes olfativas e visuais.


Os vídeos de Michele Foti foram disponibilizados online, enquanto a edição limitada do pacote booklet & room scent está disponível através do bandcamp da label.

Recomendado para admiradores das sonoridades de Lucrecia Dalt, Felicia Atkinson Laila Sakini, Tales of Another Felt Sense of Self pode ser escutado na íntegra em baixo.

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