quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Fotogaleria: The Psychedelic Furs [Hard Club, Porto]


Na passada terça-feira, dia 15 de outubro passámos pelo Hard Club, no Porto para assistir ao primeiro dos dois concertos que a banda de Richard Butler tinha agendado em Portugal. Nascidos no panorama do indie-rock do Reino Unido em 1977, os Psychedelic Furs rapidamente se desenvolveram como uma banda importante na cena musical dos anos 80, tendo-se afirmado por entre êxitos como "Love My Way", "Heaven", "The Ghost In You", "Heartbreak Beat" e, claro está, "Pretty In Pink" tudo músicas que se fizeram escutar na sala portuense.

Os retratos dessa noite, que contou com o carimbo da At The Rollercoaster podem agora ser revividos através da fotogaleria disponível abaixo.


Fotografias: Francisca Campos

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Warm up Mucho Flow: Chinaskee apresenta nova formação no B.Leza a 23 de outubro


A muita aguardada sétima edição do Mucho Flow acontece já daqui a duas semanas e em jeito de promoção o festival vimaranense está a preparar duas noites especiais. Este sábado, dia 19 de Outubro, o Oublá em Guimarães contará com uma noite que trará para a pista alguns dos principais temas das bandas alinhadas para este ano.

A segundo noite de warm up do Mucho Flow é em Lisboa, a 23 de outubro, numa parceria com as noites Tutilipa, e vai servir para Chinaskee apresentar pela primeira vez na capital a sua nova formação - Bernardo Ramos na guitarra, Ricardo Oliveira na bateria e Inês Matos no baixo. Servirá também para ouvirmos canções de todos os discos de Chinaskee, onde se inclui Bochecha, próximo longa-duração a ser editado pela Revolve em 2020.  

O concerto vai ter lugar no B.Leza, a partir das 22h30, com uma série de convidados especiais - Miguel Ângelo, Miguel Estrada, Violeta Azevedo, Rakuun, Bia Maria, Alex D'Alva Teixeira, Filipe Sambado e Primeira DamaA noite contará ainda com a actuação de Savant Fair, jovem produtor e radialista de Lisboa. Os bilhetes para o warm-up lisboeta promovido pela Revolve e a Tutilipa custam 6 euros e estão à venda na Ticketline e locais habituais.

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O frio que veio incendiar a noite de Lisboa - Mão Morta no LAV


No Fim era o Frio.

Mas calor foi o que se fez sentir neste encontro no Lisboa ao Vivo, no passado dia 11 de outubro.

Os Mão Morta fizeram o “chamamento” e, como sempre, foi fortemente respondido pelos seus fiéis seguidores. O mote foi a apresentação do novo álbum No Fim era o Frio e os fãs acataram, também na esperança de ouvirem os antigos temas e hits de sempre.

A cerimónia, como se de um culto se tratasse, aconteceu em duas partes distintas. A primeira foi dedicada à apresentação do novo álbum na íntegra. Exatamente igual, mas com a intensidade e a atmosfera de um concerto dos Mão Morta. O palco desprovido de qualquer cenário, convidava a focar e a escutar com atenção o que Adolfo Luxúria Canibal tinha para dizer. Os diferentes ambientes que se fizeram sentir foram magnéticos e criaram o equilíbrio certo para que se tocasse durante uma hora e se tivesse o público com a atenção de quem estava na sua aula favorita. Durante esta hora foram apenas as palavras do disco que se ouviram, e bastaram!

Terminada a apresentação do novo álbum, chegou um “nervoso” intervalo de 15 minutos; nervoso porque o que ainda estava para vir era o que tinha levado todos os presentes até ao LAV.

A banda regressou e foi então apresentada a tela que fez de cenário à segunda parte do concerto. A tela era incrivelmente composta por um conjunto de caretos da autoria da Oficina Arara, fundada por um coletivo de artistas do Porto. Os Caretos que compunham a tela eram vendidos individualmente, tal como foi também informado.

Feita a apresentação, começa o rock n' roll à maneira dos Mão Morta“Pássaros a Esvoaçar” abriu as hostilidades e a partir daí, a intensidade foi crescendo e crescendo em apoteose.

“Sitiados”, “Hipótese de Suicídio”, “Tu Disseste”, “Em Directo (para A Teelvisão)”, “Barcelona (encontrei-a na Plaza Real)”, “Vamos Fugir”, “E se Depois”, “Bófia”, “1º de Novembro”. Nesse momento, respirava-se a humidade, fruto da exaltação dos corpos que se mexiam como podiam, cantavam, gritavam e acompanhavam Adolfo na sua ímpar e incrível atuação. Viam-se pés no ar, tendo mesmo um elemento do público conseguido subir para o palco e fumar de braços abertos até chegar o segurança, que foi elegantemente impedido por Adolfo que não parou a sua performance.

Em jeito falsete de encore, a banda junta-se para agradecer e seria o fim daquilo que não se queria ver como terminado. Para êxtase de todos, Adolfo presenteia o público com um crowd surfing, volta ao palco e saem todos. Todos, menos o público que ainda não estava preparado para o fim daquela noite.

Regressaram para o verdadeiro encore e ouve-se um pedido vindo do público: “Canta Lisboa!”. E assim foi! “Lisboa (Por Entre As Sombras E O Lixo)” voltou a incendiar o LAV logo seguido de “Anarquista Duval”. O final apoteótico ficará na memória de todos os que lá estiveram.

Para quem levou tempo a sair, porque bebeu mais um copo ou esteve no merchandising a comprar algo para avivar mais ainda o que ali se passou, pôde ver a banda descontraída, simpática, sorridente a assinar discos e a cumprimentar quem por lá passou.

A noite foi perfeita!

A banda mais do que cumpriu o que era esperado. Os Mão Morta superam-se e continuam a surpreender. O Adolfo não envelhece e a sua prestação em palco é sempre demolidora. O público fez o ambiente ferver. No Fim era o Frio só se aplica ao nome do novo álbum dos Mão Morta. Tudo o resto foi calor, transpiração, pulmões nas gargantas.

Tudo o resto foi Mão Morta.


Texto: Patrícia Ameixial
Fotografia: Virgílio Santos

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Os suecos The Cult of Boydah passam pelo Woodstock 69 na próxima semana


Para acabar o mês de outubro da melhor maneira, a Seteoitocinco em parceria com a Ya Ya Yeah trazem os suecos The Cult of Boydah ao Woodstock 69 Rock BarOs escandivanos vêm apresentar o seu segundo álbum, de nome Electrical Youth, editado em março deste ano.

Zack Thoresson e os seus músicos visitam a cidade invicta para nos oferecer um nova postura de encarar o hemisfério do psicadelismo. As suas maiores armas residem nos tons de ternura de efeito sónico para desbravar um curioso sorriso dançante nos nossos sentidos. Neste álbum poderoso e diversificado, a estética construtiva das suas harmonias conseguem nos levar para as viagens de um tempo que já morou em Bristol, de uma aragem que já sobrevoou outros abraços.

O concerto acontece no próximo dia 24 de outubro e o preço do bilhete é de 6 €.

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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Balthazar ingressam no Hard Club em novembro

balthazar-ingressam-hard-club-novembro

No dia 24 de Novembro, a produtora Mr. November irá trazer os belgas Balthazar em estreia na cidade do Porto, em concerto próprio no Hard Club, depois de passarem no último Festival de Paredes de Coura e da actual tournée europeia demonstrar ser bem sucedida. 

Apelidados como “a nova maravilha da pop belga” e “reis do rock belga”, Balthazar é um quinteto composto por Maarten Devoldere (voz e guitarra), Jinte Deprez (voz, guitarra), Simon Casier (baixo), Michiel Balcaen (bateria) e Tijs Delbeke (guitarra, teclas, violino e trombone). Formados em 2004, lançaram quatro álbuns e dezoito singles em que demonstram uma sonoridade que os coloca no centro do indie-rock. A banda editou este ano o seu mais recente trabalho, Fever, onde mostra uma evolução para uma sonoridade que continua nas lides do indie, mas numa rota mais dançável. 

À Roling Stone, Jinte Deprez explicou que “nos Balthazar sempre houve um lado exótico, uma tendência a procurar sons inesperados. Mas é uma coisa inconsciente, não nos comprometemos a fazê-lo. Por outro lado, o funk, a percussão, provém de uma influência africana na música, por isso faz sentido”. Sintomaticamente, a mesma publicação enalteceu Fever mas não deixou de esclarecer que se trata de "melancholic fever”... Já a Sungnre considerou que Fever representa, sem dúvida, um renascimento refrescante para os Balthazar. É facilmente o seu registo mais polido, mais bem estruturado e diversificado até agora”. Já o site Popmatters não hesitou em dar-lhe a classificação de 90/100: “Balthazar é uma boa banda de rock há já algum tempo mas, com Fever, demonstra que se pode tornar óptima”.

Os bilhetes custam 27 euros e podem ser comprados aqui.

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Larsen anunciam novo álbum, Arrival Vibrate



Arrival Vibrate é o 17º álbum de estúdio dos italianos Larsen, um tributo ao falecido compositor e experimentalista americano Z'EV baseado no poema com o mesmo nome. O grupo, liderado por Fabrizio Modonese Palumbo, transcreveu esse mesmo poema numa partitura, seguindo as teorias musicais cabalísticas de Rhythmajick, disco de 2005 do falecido compositor.

O álbum, a ser lançado pela Important Records, documenta a primeira apresentação ao vivo desta peça gravada no concerto solidário da banda em 13 de março de 2018 no Museu Nacional de Cinema de Torino, em Itália, e apresenta duas versões diferentes de Arrival Vibrate – uma mais fiel ao espetáculo, misturada pelo engenheiro de som Paul Beauchamp, e outra renovada e enriquecida pelo músico, intérprete e artista visual John Duncan.

Arrival Vibrate sai dia 25 de outubro e o pre-order do disco pode ser efetuado aqui. Em baixo, conheçam o primeiro teaser do trabalho, assim como a capa e tracklist do respetivo disco.





Tracklist:

Lado A
Arrival Vibrate
Lado B
Arrival Vibrate II

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terça-feira, 15 de outubro de 2019

7 ao mês com Regulator Records


O convidado do mês de outubro para a nossa rubrica mensal 7 ao mês - e a primeira editora portuguesa a assinar a sua participação aqui - é a renascida Regulator Records, que se apresenta em nome próprio da seguinte forma:

A Regulator Records nasceu em 2005. Eu, o Ricardo Martins (vocalista de Day of the Dead) e o Rui Mata (baixista de The Vicious Five) tínhamos trocado umas ideias sobre fazer uma editora porque queríamos lançar as músicas de Sannyasin (ex-X-Acto) e avançámos com a ideia. Começou com o propósito de lançar os nossos projetos e os projecos dos nossos amigos, independentemente da sonoridade dos mesmos. Sem muros, barreiras ou limitações artísticas. O modus operandi mantém-se, independentemente das sonoridades ou do potencial comercial dos projetos. Se os primeiros três lançamentos estão próximos do contexto e estética punk-hardcore, entretanto já editámos sonoridades bastantes heterogéneas que vão da eletrónica/industrial, crust, post-metal à musica alternativa. Depois do lançarmos o 7'' dos The Youths suspendemos a atividade da Regulator e em 2017, a possibilidade de editar o Natureza Morta do Ricardo Remédio reativou a editora. Neste momento faço a gestão da editora com o Ricardo Remédio, que é o administrador não executivo (risos).

Este conceito de paixão pela música, independentemente do sucesso comercial das bandas que o selo assina, levou-nos a querer saber mais sobre as principais influências que afincaram a personalidade da Regulator Records no mercado da música. Para esse fim convidámos João Vairinhos (o administrador executivo que nos redigiu o texto de apresentação) a escolher e escrever-nos a história de 7 editoras/bandas/álbuns ou singles que de alguma forma impactaram o trabalho da editora. Aproveitem para conhecer mais de perto a Regulator Records, ouvindo e lendo as sete recomendações abaixo.


Dischord Records | Teen Idles - "Sneakers" (1980) 

A Dischord foi e continua a ser a principal referência da Regulator Records enquanto editora. É uma editora independente que lançou discos fundamentais para qualquer fã de punk-hardcore (Teen Idles, Minor Threat, Void, The Faith, a compilação Flex Your Head etc.). Começou com um grupo de miúdos a fazerem aquilo que queriam e como queriam, e reza a lenda que não assinam contratos com as bandas e que tentaram ser comprados por editoras major durante os anos 90, mas que recusaram sempre esse passo. Não tenho quaisquer problemas com editoras que entram na esfera mais mainstream, no entanto percebo perfeitamente a posição daquelas que querem manter a sua identidade e uma forma de trabalhar totalmente independente. A Dischord não se limitou a lançar apenas uma sonoridade punk-hardcore e o seu catálogo evoluiu à medida que os anos foram passando, muito por culpa da própria evolução das bandas dos seus fundadores. Depois dos Teen Idles e Minor Threat, o Ian Mackaye teve os Embrace e os Fugazi, sendo os últimos uma das grandes referências da música alternativa. Quem tiver interesse em conhecer melhor a Dischord pode procurar a compilação do seu 20º aniversário (um duplo CD com um booklet incrível que documenta a história da editora). 




Revelation Records | The Judas Factor - "The Last Song" (1999) 

O catálogo da Revelation Records é uma instituição e uma autêntica enciclopédia de projetos de hardcore e outros géneros relacionados com o mesmo. Como todas as editoras que vão ser referidas, tem um catálogo heterogéneo e foi evoluindo ao longo dos anos, no entanto, continua a editar bandas de hardcore novas com grande qualidade como os TORSO. Podia escolher dezenas de músicas que são clássicos e que fazem parte de discos editados pela Revelation. Bandas de hardcore como Sick of it All, Gorilla Biscuits, Youth of Today, CIV, bandas de indie/emo como Texas is the Reason, Elliot ou bandas da nova escola de hardcore como os Morning Again ou Shai Hulud, no entanto escolho uma música de um disco que já pus a tocar milhares de vezes e que é certamente um nome que passa despercebido porque não teve grande destaque, pelo menos por cá. 




Ipecac Records | Daughters - "Satan In The Wait" (2018)

O Mike Patton sempre foi um músico que me intrigou, quer pelo seu talento, quer pela loucura de ter tantos projetos com estéticas e linguagens musicais tão diferentes. A Ipecac espelha a desarrumação que deve ir naquela cabeça, e é este tipo de desarrumação que pretendemos para a Regulator: ausência total de regras no que diz respeito às sonoridades a editar. Como em todas as editoras referidas, a maior dificuldade é escolher uma música e a Ipecac não é exceção: Fantomas, Melvins, Isis. Para não estar preso ao passado, escolho uma das músicas que oiço frequentemente, incluída num disco ao qual é impossível ficar indiferente. 




Neurot Records | Neurosis - "I Can See You" (2004) 

A Neurot é uma editora independente formada por membros de Neurosis. Para além dos lançamentos dos projetos dos seus fundadores, edita bandas com personalidade e com impacto inegável no contexto mais alternativo, como é o caso dos recentemente adicionados Deafkids. Há uns anos atrás, para quem gostava de comprar discos, uma das grandes vantagens de fazer tours, ou de ser roadie de outras bandas, era poder comprar os discos novos em lojas ou em concertos, antes dos mesmos ficarem disponíveis em Portugal. Comprei o Eye of Every Storm dos Neurosis no ano em que saiu quando fui com os Vicious Five ao Saint Feliu. Lembro-me que na altura este disco dividia opiniões porque tem uma componente menos furiosa habitualmente característica dos Neurosis (chegaram a dizer-me que era música de elevador). Não foi amor à primeira audição, mas insisti e é dos discos que mais gosto a par do Times of Grace e do A Sun That Never Sets. Foi também este disco que me chamou a atenção para o trabalho da Neurot




raster-media | Belief Defect - "No Future" (2017) 

Nos últimos tempos tenho consumido muita música com uma forte componente eletrónica. Esse facto fez com que passasse a valorizar o trabalho de algumas editoras com uma abordagem mais erudita e mais ligadas a soundesign e artes visuais. Juntamente com os Pact Infernal, os Belief Defect são a banda de música eletrónica que mais oiço hoje em dia porque, no meu entender, conseguem dar um peso quase apocalíptico aos ambientes que criam em cada música. A partir dos Belief Defect, cheguei a editoras como a raster-media e adorei o seu conceito e as autênticas obras de arte que produzem. 




Sannyasin - "Nailwork" (2005) 

Os X-Acto, e posteriormente os Sannyasin, foram e serão eternamente uma das referências do punk-hardcore português. Como seria de esperar de um (pré)adolescente, à primeira audição senti empatia imediata, quer pela sonoridade que praticavam, quer pela mensagem direta e, por vezes até chocante, que procuravam passar. Temos de ter em consideração que ter letras sobre vegetarianismo (por exemplo) tinham um impacto bastante diferente há 20 anos atrás. Fui apresentado aos X-Acto com treze/catorze anos com o split com Inkisição, e tive oportunidade de ver um dos primeiros concertos de Sannyasin numa das famosas matinés do Ritz Club. Obviamente nessa altura nunca pensei ter oportunidade de lançar um disco deles e o facto de ter acontecido é e será um marco fundamental para a Regulator.




Ricardo Remédio – "Banquete" (2017) 

A edição do Natureza Morta do Ricardo Remédio em 2017 foi o pretexto para ressuscitarmos a editora. Sou fã do trabalho do Ricardo Remédio desde que tive oportunidade de tocar com ele quando fundámos os LÖBO, adorei o projeto dele a solo RA e assim que ouvi o Natureza Morta, pensei que era uma pena um trabalho daquela qualidade não ter um lançamento para além da edição das pen's com a caveira em 3D. Optámos por fazer duas edições em cassete e digipack e acabei por ter o privilégio de poder tocar aquelas músicas ao vivo com o Ricardo em alguns concertos de apresentação em Portugal e Espanha. Pode ser que saia um dia em vinil também, quem sabe? 




Aproveitem para acompanhar todas as novidades da Regulator Records via Facebook ou Instagram e ouvir/comprar os discos através do Bandcamp da editora.

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[Review] Coil - Theme From the Gay Man’s Guide To Safer Sex




Theme From the Gay Man’s Guide To Safer Sex Musique Pour La Danse | junho de 2019
 8.0/10


E se os Coil tivessem composto a banda sonora original de Twin Peaks? Não é por acaso que colocamos a questão que inicia este texto sobre Theme From the Gay Man’s Guide To Safer Sex, a mais recente adição ao arquivo da banda de John Balance e Peter Christopherson. Original de 1992, um ano após o capítulo final da série televisiva de David Lynch, em 1991, o disco, que serviu de banda-sonora para um documentário instrucional sobre sexo seguro, recebeu este ano a sua primeira edição física pela editora suíça Musique Pour La Danse. Tal como uma boa fatia do trabalho dos britânicos, também este disco, que musicou o filme dos realizadores Mike Esser e Tony Carne com o mesmo nome, perdeu-se nas brumas do tempo após a morte dos seus protagonistas (Balance faleceu tragicamente em 2004, seguindo-se o cúmplice Christopherson, com quem mantinha uma longa relação amorosa, em 2010).

O documentário, tão sexual quanto educacional, angariou mais de 10000 libras para o Terrence Higgins Trust, uma instituição de caridade britânica que realiza campanhas e fornece serviços relacionados com HIV e saúde sexual. Numa altura em que a homossexualidade não era amplamente aceite e a SIDA ainda era como que uma sentença de morte, a educação sexual era essencialmente interiorizada através da pornografia. O objetivo do filme era, portanto, criar um documento que educasse e sensibilizasse a comunidade gay da época para os perigos do sexo desprotegido.

Composto por quatro faixas originais e duas renovadas composições, Theme From the Gay Man’s Guide To Safer Sex segue as pisadas anteriormente traçadas em Loves’s Secret Domain, explorando as sonoridades downtempo do disco original de 1992. "Queríamos fazer um pastiche de música de elevador”, explica Danny Hyde, então membro do grupo e atual detentor de boa parte do legado do grupo. A cadência lenta e sedutora de “Exploding Frogs”, uma versão estendida e aprimorada do original “Omlagus Garfungiloops”, remete-nos para o célebre plano em que Audrey Horne, femme fatale da série televisiva de David Lynch, dança pausadamente nos corredores do Great Northern Hotel, enquanto o tema-título nos guia pelas paisagens mais hedonistas da house e dos ritmos baleares. “Nasab Arab”, assim como a sequela com o mesmo nome, exploram um lado mais percussivo e tribal, com padrões circulares de sintetizador a servirem como veículo para uma possível viagem de elevador em ácidos. 

Ao contrário da restante obra dos Coil, Theme From the Gay Man’s Guide To Safer Sex foi produzido num único dia. Os temas originais que integram a obra foram feitos por encomenda, e a sua produção foi imediata e pouco criteriosa. O resultado é um dos trabalhos mais comerciais do grupo. É também um trabalho sem grande recurso a voz, e o papel de Balance pode não estar visível à superfície, mas a sua presença é sentida, nomeadamente na influência balear da música de dança e dos clubs de Ibiza que tanto o fascinaram na década de 1990. O disco mantém, no entanto, a garra idiossincrática e radical dos seus antecessores mais aclamados. A sua audição é, portanto, obrigatória para qualquer fã assíduo do grupo, servindo como mais um documento vital para o melhor entendimento de um dos grupos mais revolucionários dos últimos 40 anos.


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Fred Frith, Joe McPhee, entre outros na 17ª edição do Jazz ao Centro



A 17ª edição do Festival Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, decorre entre 18 e 27 de outubro, contemplando 16 concertos e uma residência artística. O cartaz deste ano promete uma programa rico e extenso, colocando nomes proeminentes do género lado a lado com novas vozes do jazz português e internacional. 

O primeiro fim de semana do festival, entre 18 e 20 de outubro, terá 8 concertos em 6 espaços distintos da cidade de Coimbra – Casa das Artes Bissaya Barreto, Centro Norton de Matos, Convento São Francisco, Museu Nacional Machado de Castro, Salão Brazil e Rádio Universidade de Coimbra acolhem concertos de natureza diversa, desde o contexto mais intímo do solo até ao ambiente mais festivo da big band. 

O encontro entre músicos holandeses e portugueses, que estarão em residência artística de 16 a 20 de outubro, vai permitir diferentes combinações que serão apresentadas em 5 concertos. O primeiro, no dia 18, junta no palco do Salão Brazil a totalidade de 11 músicos do Luso-Dutch Large Ensemble. Os restantes 4 concertos têm lugar no sábado, dia 19, e convidam à deambulação por vários espaços da cidade, começando com o solo do guitarrista Jasper Stadhouders no corredor da Rádio Universidade de Coimbra, seguindo para o Museu Nacional Machado de Castro para a actuação do quarteto que junta Carlos “Zíngaro” (violino), Marta Warelis (piano), Helena Espvall (violoncelo) e Marcelo dos Reis (guitarra). Ao final da tarde, é a vez da Casa das Artes Bissaya Barreto receber o duo de Michael Moore (saxofone e clarinete) e Hugo Antunes (contrabaixo). O derradeiro momento deste encontro luso-holandês tem como protagonista o Twenty One Quartet, que junta Luís Vicente (trompete), John Dikeman (saxofone tenor), Wilbert De Joode (contrabaixo) e Onno Govaert (bateria). 

O Grande Auditório do Convento São Francisco acolhe, no dia 18, o trio de homenagem a Bernardo Sassetti, liderado pelo pianista galego Alberto Conde e onde também marcam presença Carlos Barretto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), ambos companheiros de Sassetti em alguns dos mais notáveis discos do malogrado pianista. No dia seguinte, é a vez de Steve Coleman and Five Elements, em data única no nosso país. A terminar o primeiro fim de semana, um concerto muito especial da Orquestra de Jazz de Espinho & Mário Costa no Centro Norton de Matos, local onde se realizaram os primeiros concertos do Festival Jazz ao Centro (em 2002/2003). 




O segundo fim de semana arranca com um dos grandes destaques do festival. Dia 25 de outubro, pelas 21h30, o guitarrista americano Fred Frith, figura notável da improvisação livre das últimas cinco décadas, regressa a Coimbra em formato trio, com Jason Hoopes (baixo) e Jordan Glenn (bateria) a acompanhar o membro dos extintos Naked City, supergrupo encabeçado pelo lendário John Zorn. Este marca também o septuagésimo aniversário do guitarrista, que celebra a data com uma tour que habita, como tem vindo a ser costume, a cidade de Coimbra.

No dia seguinte, pelas 18h00, a cantora-compositora e performer americana Kathleen Baird apresenta-se na Casa das Artes Bissaya Barreto para um concerto de entrada gratuita. Fundadora do atual duo de improvisação norte-americano Spires That In The Sunset Rise, Baird notabilizou-se rapidamente como uma das forças vitais da exploração sem forma de Chicago do início da presente década. Depois de mudança para Nova Iorque, em 2014, Baird seguiu uma nova direção, focando-se na exploração a solo de técnicas de processamento electrónico da flauta, técnicas vocais estendidas e uma maior consciência do movimento no ato performativo. O disco de estreia, enquanto Ka Baird, foi editado em 2017 pela Drag City, introduzindo o universo idiossincrático da americana ao mundo. Agora, Baird regressa às edições com Respires, terceiro disco de difícil categorização agendado para 25 de outubro (um dia antes do concerto), e que recebe o selo da respeitada editora novaiorquina RVNG intl

No mesmo dia, às 22h00, no Salão Brazil, Gabriel Ferrandini apresenta Volúpias, o primeiro disco do baerista em nome próprio, na companhia de Pedro Sousa (saxofone tenor) e Hernâni Faustino (contrabaixo).

No dia 27 de outubro, o Centro de Artes Visuais recebe o quarteto formado pelo saxofonista português Rodrigo Amado, o americano e lendário saxofonista tenor Joe McPhee, o saxofonista soprano e trompetista Kent Kessler e o demolidador baterista Chris Corsano, que deverão apresentar o mais recente disco A Históry of Nothing (Trost Records, 2018).




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Já é conhecido o cartaz da sexta edição do BLACK BASS - Évora Fest


O BLACK BASS - Évora Fest regressa no próximo mês para a sua sexta edição. De 14 a 16 de novembro, o já referenciado festival eborense acolhe 12 bandas, nacionais e internacionais, e um punhado de djs da cena mais underground do garage/punk/psych/rock.  

Esta edição vai contar com Nancy Knox, Tiago Castro (dj-set), Bela Gulosa's Dead (dj-set), Beach Bugs, El Senor, FAVX, Bad Pelicans, Candy Diaz (dj-set), Palmers, Conferência Inferno, CHUPA-ME O ALTERNATIVO (dj-set), Vaiapraia, Los Nastys, Sun Blossoms, Gator, The Alligator, Powerplant e Nuno Dias (dj-set).

Os concertos terão lugar nas míticas salas da cidade de Évora, a Sociedade Harmonia Eborense e SOIR Joaquim António d'Aguiar, com os after a decorrer pela noite dentro na discoteca Praxis Club. Podem consultar mais informações sobre o festival aqui.


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DIIV de regresso a Portugal em 2020


Tudo a apontar na agenda: 19 de março no Hard Club, Porto e 20 de março no Lisboa ao Vivo (LAV) são as duas datas que contemplarão o regresso da aclamada banda norte-americana DIIV ao nosso país. O projeto liderado por Zachary Cole Smith regressa ao norte de Portugal um ano após ter tocado no festival Vodafone Paredes de Coura. Desta vez em sala e com os holofotes a refletirem-se exclusivamente no seu trabalho, a banda apresentará em território nacional o mais recente disco de estúdio, Deceiver (2019, Captured Tracks).

Depois de se terem tornado um fenómeno da cena indie e alternativa com o bastante conceituado disco de estreia Oshin (2012) - popularizado por todo o mundo-, o período de pausa que levaram até à edição de Is The Is Are (2016) fê-los voltar ao ativo mas de forma mais ténue com algumas reações menos positivas por parte do público. Agora com Deceiver na bagagem os DIIV preparam-se para se fazer ouvir em alto e bom som, com um disco que promete aquecer esta reta final de ano. Em Portugal espera-lhes o mês de março num promissor 2020. A ver!

Os bilhetes para estes concertos - agenciados pela promotora At the Rollercoaster - serão disponibilizados a partir do dia 18 de outubro e terão um custo de 22€.


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Paolo Spaccamonti - "Fumo negli occhi" (video) [Threshold Premiere]

© Catti Color

Paolo Spaccamonti is back to work with a new music video for "Fumo Negli Occhi", the new single from the latest album by the Turin guitarist and composer, Volume Quattro. In his 4th solo album and 11th studio record in a very eclectic music career, Paolo Spaccamonti challenges us to join him in the meaning he created for a dark and empty world. Through 11 songs that easily transport the listener to a world so characteristic, emotional and perfectly sculpted, Paolo Spaccamonti creates moments that can be relaxing or powerfully deep and mind-blowing.

"Fumo Negli Occhi" is one of those powerful and rapturous ones. Premiered today through a new music video signed by the director Donato Sansone, the fast track features a dense synth paraphernalia ready to enter your mind while reverberating with it. According to Donato Sansone, "The video for "Fumo Negli Occhi" is an abstract piece of work once it is closer to visual art than to video clip, by nature". You can now watch this "movement of forms and dynamics that intercept the sound abstraction of the music" first-hand below.


Volume Quattro is out since the 20th of September via Escape From Today and Dunque Records. Buy it here.

UPCOMING TOUR DATES 
Oct 18 - BLAH BLAH, Torino 
Oct 31 - Vampyr (con Ramon Moro), TEATRO BINARIO, Cotignola (RA) 
Nov 1 - CARACOL, Pisa 
Nov 7 - TEATRO BLOSER, Genova 
Nov 8 - ATELIER LAFORET/BENASSI, La Spezia

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