sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Fotogaleria: FAKEBA + JOHN FRYER [BOITE, Madrid]


No passado dia 12 de abril voámos até Madrid para assistir à apresentação ao vivo do novo álbum de FAKEBA - a rainha de África no que toca à produção eletrónica - juntamente com o produtor John Fryer (Depeche Mode, Nine Inch Nails, This Mortal Coil...), numa performance dirigida à imprensa, mas aberta ao público geral. Com foco na expressão da música eletrónica na sua vertente artística mais obscura, FAKEBA John Fryer trouxeram a palco um conjunto de faixas estimulantes e prontas para hipnotizar o ouvinte. 

Dessa noite, além dos registos na memória, ficam agora os apanhados fotográficos na objetiva de Miguel Silva. Eis o resultado:



Fotografias: Miguel Silva

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STREAM: Solo Ansamblis - OLOS


Quatro anos após a estreia com Roboxai (2016) os Solo Ansamblis estão de regresso às edições com um disco altamente aditivo que recebe o título de OLOS. A banda sediada na Lituânia tem, ao longo dos últimos anos, conquistado um grande público a nível mundial muito à conta da sua música ampla em espetros musicais com influências que vão do rock eletrónico, à darkwave, com algumas pinceladas post-punk pelo meio. Desde o disco de estreia até este OLOS seguiu-se uma coletânea de singles que os foram reafirmando entre o mercado underground como um dos novo atos a atentar, muito também por culpa da experiência ao vivo que o quarteto proporciona.

Agora, de regresso com nove temas inéditos, os Solo Ansamblis tecem um disco abrangente que inclui uma amálgama de sons e contrastes sonoros prontos para nos fazer viajar entre diversos universos. Desde o darkwave psych influenced "Fosforinis Baseinas"  - a fazer lembrar uma conjugação entre Buzz Kull e Tango Mangalore -; passando por "Baloje" - com forte destaque no baixo e a trazer à memória o trabalho de nomes como Vox Low -; pelo ritmado "Bydermejeris" - já numa vibe mais Shortparis, mas sempre com a essência única de Solo Ansamblis - ou até mesmo à despedida sintética com "Nepabust", o quarteto da Lituânia cria uma mescla viciante de sons amplamente assimiláveis, sempre com um toque melancólico.

OLOS foi editado esta sexta-feira (21 de fevereiro) em formato vinil, CD e digital pelo selo Artoffact Records. Podem comprar o disco aqui.


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Lo-fi e guitarras desvirtuadas em "Chrome Angels" de Anytime Cowboy


O disco de estreia de Anytime Cowboy - o projeto a solo do artista visual sediado na Califórnia, Reuben Sawyer (The Column, Window...) - chega às prateleiras na próxima semana. Enquanto isso, continuam a emergir no radar, pequenas amostras daquilo que se poderá esperar deste primeiro registo de carreira. Se em janeiro Anytime Cowboy nos tinha presenteado con um um som pouco polido e arrastado nos acordes (no tema "On the Narrow Streets"), na nova injeção, "Chrome Angels", o produtor revive o lo-fi rock com guitarras solarengas e uma produção muito "não quero saber". O tema foi disponibilizado esta sexta-feira (23 de fevereiro) nas plataformas de streaming e pode escutar-se abaixo.


Anytime Cowboy tem data de lançamento prevista para 28 de fevereiro, em formato vinil e digital pelo selo Third Coming Records. O disco vem acrescido por um design incrível que acompanha a capa e contra-capa do vinil, bem como a inner sleeve. Podem fazer pre-order do disco aqui.


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The Sea at Midnight tem novo tema, "Melancholia"


Fortemente influenciado pelas correntes estéticas dos anos 80, The Sea at Midnight - o projeto a solo do produtor norte-americano Vince Grant - está de regresso com "Melancholia", o segundo single de carreira que chega um mês após a edição de "Medicine". Numa direção um pouco diferente do que já anteriormente tinha apresentado, com uma sonoridade menos eletrónica, neste novo tema, The Sea At Midnight vai buscar influências de nomes maiores no panorama do post-punk e darkwave dos 80's com as atmosferas da dream-pop dos 90's e traços do revivalismo contemporâneo que se têm tornado amplamente espelhados mundo fora. O resultado é uma faixa que, embora pouco inovadora dentro do género, não deixa de ser um bom tema melancólico e revival.

"Melancholia" foi editado em formato digital esta sexta-feira (21 de fevereiro). Podem reproduzir o resultado abaixo. O tema foi produzido e misturado por Chris King (Cold Showers) com programação adicional na percussão assinada por Brandon Pierce (Glaare).


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First lançam uma balada eletrónica para conquistar corações

©DrrripRadio

Os belgas First chegaram ao nosso radar em abril do ano passado quando editaram "Losing", o primeiro tema de carreira que foi lançado em formato físico na primeira compilação da editora sentimental - A sentimental Mixtape #1. Através uma eletrónica densa e imersiva, influenciada pelas correntes da negras e beats industriais, os First apresentavam uma aura frágil, mas cativante e facilmente audível. Agora a dupla formada por Pieter Vochten e Jasmin Smolders regressa ao ativo com "To Long", uma balada eletrónica que os projeta para outros patamares e se apresenta como a entrada para o prato principal - o primeiro EP de carreira que chega às prateleiras em abril.

"To Long" chegou esta sexta-feira (21 de fevereiro) apresentado através de uma sessão ao vivo gravada na Z33 (uma casa de arte contemporânea, design e arquitetura em Hasselt) em colaboração com Farrm. No novo tema a vocalista Jasmin Smolders canta-nos notas altamente agudas, angustiantes e altamente sentimentais que nos conduzem a um mundo altamente nostálgico e tenso. Enquanto isso Pieter Vochten vai criando um ambiente sonoro explorativo por trás com sintetizadores descontraídos e uma vibe que conduz a música em ambientes opostos. O resultado é uma balada eletrónica amplamente emotiva que nos faz querer reproduzi-la em loop. Ora experimentem:


O EP de estreia chega às prateleiras a 23 de abril em formato self-released. A banda fará ainda um concerto de apresentação em Hasselt. 

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White Haus apresenta Body Electric no Auditório CCOP


Após ter sido considerado um dos melhores discos do ano pela crítica especializada, Body Electric chega amanhã  à cidade do Porto. Depois do sucesso do espetáculo no Teatro Aveirense no início deste ano, White Haus apresenta agora o seu mais recente disco no Auditório CCOP.

White Haus, projeto musical de João Vieira (X­-Wife, DJ Kitten) editou recentemente o novo disco, Body Electric, que é agora apresentado ao vivo pela primeira vez. Há duas coisas que são imediatamente evidentes quando se ouve Body Electric, o terceiro álbum de originais de White Haus. A primeira é que estamos perante um melómano insaciável, com uma noção histórica exemplar. A segunda é que a sua música, embora canalize toda essa paixão, fá-lo de uma forma que é, cada vez mais, só sua. Tendo já percorrido o país em vários espectáculos e com presença em todos os principais festivais de Verão ­- o projeto apresenta­-se ao vivo neste novo disco como uma banda de 5 elementos.

Os bilhete estão disponíveis pelo preço promocional de 8€ e encontram-se à venda em bol.pt e locais habituais.

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STREAM: Crowd Of Chairs - Mod Kid With Dog



Os belgas Crowd Of Chairs orgulham-se de partilhar hoje com o mundo o segundo disco longa-duração de carreira, que chega esta sexta-feira às prateleiras sob o desígnio de Mod Kid With Dog. Numa energia que é brutal e se prepara para nos fazer assimilar grandes quantidades de noise-rock, através de uma mistura camaleónica que junta os ritmos fervorosos que têm trabalhado no último tempo a uma sensibilidade arrojada na criação de um som artístico entre pedaços de caos, os Crowd Of Chairs oferecem-nos um disco desafiante, aguçado e com alguns momentos de suspense intenso que projetam uma clara evolução face ao que anteriormente tinham apresentado em Fuck Fuck Fuck (2017).

Deste Mod Kid With Dog já tinham anteriormente sido divulgados os temas "Hollow Thoughts of Wrong" - coleção de guitarras barulhentas com vocais aditivos e eminentes - e, mais recentemente, "Tourist" - uma mescla abrasiva de surrealismo vocal emancipado entre quebras de ritmo e dimensões abstratas. Além destes destaque ainda para efemérides como "Faceless", "(Internal Dialogue) No Witnesses" -  a fazer lembrar uns LUMER, com a introdução de alguns traços do post-punk - e "Should I Make Them See Or Just Go Back To Sleep" - a lembrar uns Slint, mas mais doidos e contemporâneos. Mod Kid With Dog já pode ser reproduzido na íntegra abaixo.

Mod Kid With Dog é editado esta sexta-feira (21 de fevereiro) em formato vinil, cassete e digital pelo selo belga sentimental. Podem comprar o disco aqui.



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Crumb em Paredes de Coura


Este quarteto de psych-rock nasceu do desejo dilacerante da vocalista/guitarrista Lila Ramani completar as suas letras. Os Crumb fundem sonoridades psych de anos de 1960 com pitadas de improvisos de jazz a que adicionam um informal indie rock, resultando num pop que tem tanto de sedativo como viciante. Crumb e Locket são os primeiros dois EPs da banda que já conseguiu inúmeros elogios da cena musical. Acompanhados pelas sonoridades do mais recente disco Jinx, os norte-americanos estreiam a sua música no Vodafone Paredes de Coura
 
Crumb juntam-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoodsBlack Country, New RoadIDLESThe Comet Is Coming(Sandy) Alex GMac DeMarcoTommy CashSquid, Ty Segall & Freedom Band, Yellow Days, Daughter, Floating Points (Live), BadBadNotGood, Boy Harsher, Pinegrove, Viagra Boys, L'Impératrice, Beabadoobee, Nu Guinea (Live band)박혜진 Park Hye JinSlowthaiPrincess Nokia, Mall Grab, Antal, Soulwax e Yves Tumor & Its Band para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite, See Tickets locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 110€. Está também disponível a compra do passe geral para o festival através do site da Via Verde, este inclui também estacionamento gratuito, 25% desconto na portagem e ainda 8€ em combustível.


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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Big Thief no Hard Club: um feliz caso de amor

Fotografia: João Machado

Carisma. São poucos os que hoje podem reclamar com justiça esse distintivo comumente vulgarizado. Adrianne Lenker, cantora, compositora e cérebro máximo dos Big Thief, é certamente uma delas. A sua voz, singular no timbre e afinco com que articula cada palavra, é detentora de uma poderosa carga emocional, alternando entre o vibrato possante e o mais delicado sussurro. Ao lado da sua banda, com quem partilha uma profunda afinidade desde 2015, a americana percorreu um dos mais admiráveis percursos da música independente dos últimos anos, editando quatro documentos preciosos da nova música folk. Os últimos Two Hands e U.F.O.F, que marcaram a estreia do grupo nas edições pela 4AD, chegaram ambos em 2019 e projetaram-nos para um justo reconhecimento internacional. Foi precisamente com estes discos que a banda regressou a Portugal, depois de atuações nos festivais Vodafone Paredes de Coura e NOS Primavera Sound, para dois concertos em nome próprio. O LAV, em Lisboa, e o Hard Club, no Porto, acolheram os primeiros concertos da digressão europeia iniciada na capital.   

Depois de uma primeira parte sólida dos Pays P., trio francês que entreteve uma pequena porção do público que encheu a sala portuense, a banda americana subiu finalmente ao palco para júbilo dos muitos que se deslocaram ao antigo Mercado Ferreira Borges. Equipada de um imprevisível microfone de cabeça (as comparações a Britney Spears, a mais notável utilizadora deste equipamento, foram inevitáveis), Lenker arrancou a noite com três novas canções, ainda verdes e em versão beta. Os rodeios e a dificuldade em afinar o tom eram visíveis nos olhares hesitantes dos seus parceiros, fazendo-nos questionar se nos encontrávamos num ensaio intimista, mas o potencial das canções é evidente –  melodias caprichosas e emoções à flor da pele a lembrar Lucinda Williams e Elliot Smith.

É ao som de “Forgotten Eyes” que a máquina parece finalmente oleada. O primeiro tema de Two Hands a surgir no alinhamento trouxe nova vida à atuação e uma renovada atenção por parte do público. Seguiram-se as mais celebradas “Masterpiece”, do álbum de estreia com o mesmo nome, e “Shark Smile, do maravilhoso Capacity, de 2017, onde um manto turbulento de experimentação ruidosa dá origem a uma linha de baixo distinta que coaduna os restantes três membros da banda. Da beleza de “Mythological Beauty”, mais uma das coroas de Capacity e uma das provas concretas do génio de Lenker enquanto contadora de histórias (atente-se no relato visceral com que canta o acidente que ameaçou a sua vida quando tinha apenas 5 anos), seguiu-se a dolência de “Terminal Paradise”, original de Lenker que recebeu novo tratamento em U.F.O.F., e a fragilidade de “The Toys”. E se o rock ainda está vivo, então habita no fabuloso solo de “Not”, portento revigorante que trouxe um novo e esperançoso folgo à música feita com guitarras.  

Os últimos minutos da noite foram reservados para uma “Cattails” com final feliz, já que o tema não teve a mesma sorte na noite anterior, em Lisboa, onde acabaria a ser abortado após várias tentativas para encontrar o tom correto da  guitarra. “Mary” ainda serviu para aconchegar a alma dos mais enamorados mas foi com a final “Contact”, que introduz o primeiro dos últimos dois álbuns, que a banda encheu as medidas do público que, já no encore, assistiu ao assombroso bradar de Lenker.  

Ao longo de 60 minutos,  Adrianne Lenker, Buck Meek, Max Oleartchik (bass) e James Krivchenia cantaram-nos as feridas, os traumas e os amores que os atormentam, a eles e a nós, reforçando uma profícua relação de respeito e humanidade com o público português. 





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Ossos D'Ouvido apresentam Asa Nisi Masa no Musicbox


Os OD’O (Ossos D'Ouvido) são uma banda nacional oriunda de Benavente que aposta no rock de tonalidades progressivas e psicadélicas que se funde com as músicas do mundo. O trio é formado por Diogo Lourenço na guitarra, João Massano no baixo e Pedro Almeida na bateria, três amigos de infância e três músicos de excelência ainda muito jovens, que deram o seu primeiro concerto em 2014 e nunca mais pararam, fazendo estrada em palcos muito diversos, desde ambientes mais intimistas até aos mais festivaleiros.

A sua primeia edição, EP homónimo, data de 2015, seguindo-se em 2017 as OD'O Live Sessions. Foi em maio do ano seguinte que o trio viajou até Leicester, UK, para gravar o seu álbum de estreia, Asa Nisi Masa, editado no passado dia 10 de fevereiro com o selo da Watermelon Records

Asa Nisi Masa é um álbum instrumental composto por 8 faixas (6 temas longos, uma Introdução e um interlúdio) que constroem aquilo que os Ossos D'Ouvido consideram ser a sua esfera sonora, envolta por todas as tangentes da eclética influência que foram assimilando do rock, do jazz, da música improvisada e das sonoridades de vários cantos do mundo.

A banda vai tocar apresentar o seu disco de estreia já amanhã (21 de fevereiro), no Musicbox, com a primeira parte a ficar a cargo dos Mazarin

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Jardim Encantado à beira Tejo


O mundo invisível dos Beautify Junkyards deixou de o ser há muito. 

O menu de degustação da noite de 14 de fevereiro foi servido com folk, pincelado de psicadelismo e laivos de eletrónica, num cenário de paisagens deslumbrantes de um jardim encantado, próximo dos idealizados pelo comum dos mortais que deseja uma segunda vida no Éden.

Do cardápio discográfico ouvimos, nesta noite, algumas versões que nos tocam o coração, com especial destaque para a de Zeca Afonso “Que Amor Não Me Engana”, acompanhada com projeção de imagens das vivências de um país que se libertou de 40 de ditadura e a de Tim Buckley “Song To The Siren”.



Toda esta atmosfera recriada no pequeno Auditório do CCB foi ainda enriquecida com a sensual presença de Nina Miranda (Smoke City) que nos trouxe o tropicalismo com o seu “Underwater Love”, entre outros temas. Rita Vian (voz e sintetizadores), João Branco Kyron (voz e sintetizadores) António Watts (batidas), João Pedro Moreira (guitarras), Sergue Ra (baixo) e Helena Espvall (violoncelo e guitarra) constituem o sexteto que nos ofereceram de bandeja o mundo oculto das fadas, dos druidas e das poções mágicas na floresta encantada dos Beautify Junkyards.



Texto, fotografia e vídeo: Virgílio Santos

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Destroyer regressa a Portugal em dose dupla no final de junho


Destroyer regressa a Portugal este ano. A banda de Dan Bejar vai passar pelo Hard Club, no próximo dia 30 de junho, e pelo Lisboa ao Vivo no dia seguinte.

Caso sério de longevidade, passam hoje mais de vinte anos desde que Dan Bejar começou a partilhar as suas canções sob o nome Destroyer. Ao longo desse tempo habituou o mundo a ser um visitante atento e regular do seu universo: indecifrável, sonhador e em constante mutação. Desde 2011 e Kaputt, o disco que o catapultou para o reconhecimento internacional, circula com impressionante destreza por entre diversos espaços sonoros, sempre comprometido com a exploração das potencialidades e texturas sonoras dos instrumentos que escolhe e das palavras que escreve. 

Em Have We Met, lançado em janeiro deste ano, volta a separa-se do que já deixou para trás e apresenta aquele que é, para a crítica da especialidade, o seu disco mais fresco e urgente em anos. Inspirado na estética visual e sonora da produção cultural dos anos 90, Have We Met é, a diferentes espaços, melancolia, silêncio e dança, rumando, corajosamente, onde Destroyer nunca tinha ido antes. Um disco mais frio, mais alto, mais bizarro, mas igualmente sexy e novamente rendido à voz e presença idiossincrática do seu líder.

Os bilhetes já se encontram à venda têm o custo de 20 € (pré-venda) ou 25 € (no dia) para ambas as datas.


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