sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

STREAM: Hante. - FIERCE


Hante. está de regresso aos trabalhos de estúdio com FIERCE, o seu novo registo longa-duração que vem dar seguimento a Between Hope & Danger (2017) e que conta com uma mão cheia de convidados, nomeadamente Sólveig Matthildur (Kælan Mikla), Marble SlaveFragrance.Ætervader e Box von Düe. Neste novo trabalho Hélène de Thoury volta a explorar as habituadas camadas texturais que compõem o seu trabalho e que conjugam uma minimal wave catchy de ritmos monocromáticos e tonalidades apaixonantes e sonhadoras.

Deste novo trabalho já tinham anteriormente sido apresentadas as faixas "Wild Animal", e "The Moon Song". Além das referidas recomenda-se vivamente a exploração de temas como a rítmica "Tomorrow Is A New Day", "Unknown", "Waiting for a Hurricane" - a explorar sintetizadores tão depressa sonhadores como característicos da retrowave -, "RESPECT" - pronto para fazer suar as pistas de dança - e ainda "Silence The Voices" - um hino aos sons mais noctívagos.

FIERCE foi editado esta sexta-feira (18 de janeiro) pelo selo próprio selo da artista, a Synth Religion e pela Metropolis Records em formato vinil e CD. Podem comprar o disco aqui.


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STREAM: DER FINGER - LE CINQUE STAGIONI


Os russos DER FINGER, que tiveram a sua origem no ano de 2012, trabalham essencialmente à volta de composições que exploram o avant-jazz, o noise e a música improvisada, colocando o ouvinte em diversos estados de desconforto ou entusiasmo. A sua música, comumente descrita como "dark-jazz", onde o minimalismo estético se encontra de mãos dadas com o positivismo da ciência e o simbolismo das eras decadentes, é um convite a uma viagem sonora que abrange diversos espetros e picos de emoção. 

De regresso às edições com LE CINQUE STAGIONI - um conjunto de cinco canções que se baseiam no conceito das cinco estações existente no calendário Illuminati, mencionado nos romances de Robert Anton Wilson - os DER FINGER, apresentam um desafio auditivo que não é de fácil adaptação por qualquer apaixonado por música. LE CINQUE STAGIONI é um exercício sonoro e refinado para as mentes mais esotéricas.

LE CINQUE STAGIONI foi editado no passado domingo (13 de janeiro) em formato CD pelo selo italiano TOTEN SCHWAN RECORDS. Podem comprar o disco aqui.


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[Review] Galo Cant'às Duas - Cabo da Boa Esperança


Cabo da Boa Esperança | self-released | janeiro de 2019 
7.0/10 

No seu novo álbum Cabo da Boa Esperança, o duo viseense Galo Cant’às Duas volta a navegar pelos mares do pós-rock e do rock instrumental, desta vez com sintetizadores à mistura. É um álbum muito rítmico, onde a bateria se mostra sempre importante, nunca ficando escondida na mistura. A guitarra e os sintetizadores acompanham a percussão de perto em várias das faixas, enquanto que noutros momentos deixam as melodias respirar mais, dando espaço à secção rítmica enquanto preenchem os vazios. 

O disco é marcado por uma sonoridade interessante e mostra-se especialmente forte na sua primeira metade, com as primeiras três faixas a exibir as qualidades da banda, com o adequado uso de duas vozes e a presença de boas melodias. "Dança do Tempo" vai-se transformando sem nunca perder energia, "Coro a Cara" incorpora melodias bastante boas de vozes e teclado e um excelente trabalho de bateria. Em “Sobre um Tanto Medo”, o timbre da guitarra está especialmente adequado e as sobreposições de instrumentos e vozes levam a um clímax que consegue ser algo relaxado, mesmo subindo a intensidade.



Em contrapartida, “Foto Grama” mostra-se algo vazia e insatisfatória, fazendo-se sentir a falta de diferentes timbres e de melodias mais memoráveis. Parece que divaga por caminhos pouco interessantes e conclui sem chegar a lado nenhum. A segunda metade do álbum peca por alguma falta de dinâmicas e variedade dentro da cada faixa. Contém, no entanto, a música que mais se distingue das restantes. Não diria que “8” está entre as minhas preferidas do disco, mas traz ao disco uma conclusão imprevisível, com o lado eletrónico do álbum a surgir de forma mais assumida, nomeadamente pela manipulação das vozes. 

Os Galo Cant’Às Duas evoluíram, experimentaram e produziram um bom disco. Têm uma identidade própria e uma sonoridade que não é para todos, mas fãs das músicas anteriores e de bandas como os Galgo vão encontrar aqui algo que os agrade. Não sinto que vá regressar muito a este disco, mas fiquei com curiosidade por ver estas músicas a serem tocadas ao vivo, onde certamente podem ter um impacto maior e abrir espaços para improvisos com pormenores e dinâmicas imprevisíveis.

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STREAM: YEGGMEN - Together In The Fullness Of A Solar System


O trio que junta elementos de nacionalidade francesa e espanhola - YEGGMEN - estreia-se este ano nos registos longa-duração com Together In The Fullness Of A Solar System, um conjunto de oito canções que utiizam como base uma voz calorosa e inocente conjugada a poderosos ritmos electro-rock e sintetizadores cativantes a navegar por territórios mais indie. Os YEGGMEN formaram-se em 2017 e são atualmente compostos por Fred Ozanne (voz / teclados / guitarra / composição), Matthias Moreno (bateria / máquinas) e Sofía Miguélez (teclados).

Do disco já tinham anteriormente sido apresentadas as faixas "You Are Lost" e "On The March". Neste Together In The Fullness Of A Solar System os YEGGMEN conduzem-nos a algum lugar situado entre o frenesim de Ghinzu, a transpiração de Damon Albarn e o romantismo sombrio de Nick Cave. Além dos já lançados temas recomenda-se ainda a audição de "The Biggest Wave", "You Are Lost" e "Ship". O disco pode ser reproduzido na íntegra, abaixo.

Together In The Fullness Of A Solar System foi editado esta sexta-feira (18 de janeiro) em formato CD e digital. Podem comprar o disco aqui.


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[Review] James Blake - Assume Form


Assume Form | Polydor | janeiro de 2019
6.5/10
Hoje em dia certamente tornar-se-á difícil acompanhar as revoluções dentro da música - reggaeton e novo flamenco no NOS Primavera Sound e Paul McCartney com autotune serão dos exemplos mais óbvios do último mês. Não é por isso que a mudança drástica que James Blake trouxe para o seu último álbum, Assume Form, se tornou mais expectável. 
James Blake é um nome inegável no panorama internacional da pop e R&B alternativa. Estreando-se em 2011 com um disco homónimo, amadureceu dois anos depois com Overgrown, o álbum que reune o maior consenso no que toca à qualidade do produtor britânico. O seu registo de 2016, The Colour in Anything, causou estranheza - muito à semelhança de 22, a Million de Bon Iver, este álbum via Blake a explorar o espaço que a sua música ocupava até à data e aquele que podia vir a ocupar. Depois deste testemunho de experimentlismo, nada fazia antever Assume Form, o álbum mais ligado à pop contemporânea que James Blake já editou.
A lista de colaborações, em parte, denuncia esta assimilação dos aforismos da música pop - Travis ScottMetro Boomin e ROSALÍA pertencem inegavelmente ao espectro mais orelhudo da cultura atual. Para quebrar este padrão Blake aposta alto no gigantesco André 3000 (OutKast), um dos rappers mais bem estabelecidos da história, e no não-tão-conhecido Moses Sumney, um americano recém-chegado ao panorama da art pop. Não obstante a estas participações, a música de James Blake existe dentro deste paradoxo - ser iguais partes de pop e dele próprio.
O tema homónimo, que abre Assume Form, não nos prepara para a viagem que o álbum esconde. Nele, James Blake ainda tacteia a paisagem que tinha tecido em trabalhos anteriores. "Mile High" abre alas para Travis Scott e Metro Boomin com uma batida clássica-contemporânea de trap rap com laivos de ambient. "Tell Them" destaca-se com Metro Boomin e a voz inconfundível de Moses Sumney a liderar as sonoridades orientais infundidas no UK Bass que acompanha produtor britânico desde o início da sua carreira. 
ROSALÍA também não perde a oportunidade de brilhar num dueto com James Blake. Enquanto que o instrumental continua a transpirar a essência alternativa e moderadamente imprevisível que Blake trouxe para The Colour in Anything, é claro que o mesmo se adaptou à voz e estilo de ROSALÍA - uma certa tendência para batidas mais latinas criam a base ideal para os floreados da cantora catalã brilharem. Esta capacidade camaleónica de Blake se adaptar habilmente aos trejeitos dos seus convidados não se esconde em "Where’s the Catch?", tema que conta com André 3000. O house domina em grande parte a secção rítmica desta música, criando uma estranheza no groove que permite a propagação do flow característico do antigo OutKast.
Os temas de Blake a solo, face ao que já foi dito, acabam por perder um pouco o brilho e por ficar àquem daquilo que o disco podia ser. Até ao ponto de soar desinspirado em temas como "Into the Red" (a clara pedra no sapato de Assume Form) e "Power On". Independentemente destes percalços, Assume Form (o tema homónimo ao álbum), Don’t "Miss It" (um dos melhores temas do álbum, com uma entrega tremenda e performance de voz intocável de James Blake) e "Lullaby For My Insomniac" (um assombro reimaginado para sonoridade pop) não deixam de ser das melhores produções e performances do produtor britânico em estúdio. Assume Form acaba por ter um ponto de interesse que não deixa de ser raro atualmente - um álbum que apesar de variado não se torna derivativo.
A maior impressão com que ficamos do novo disco de James Blake é que o produtor britânico se pretende estabelecer não só como performer, mas também como produtor. Em Assume FormsBlake obriga-nos a reajustar as expectativas que temos dele, não deixando, no entanto, de se mostrar. A maneira como o faz, no entanto, terá o seu quê de controversa pelo abandono à sua sonoridade mais clássica.



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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

IV Horsemen vai lançar novo EP em março

© Victor Maitre
Timothée Gainet - o carismático vocalista dos Poison Point - tem um outro projeto a solo, IV Horsemen, que este ano se aventura nos registos curta-duração com Dies Irae, EP que chega dois anos depois da estreia com o também curta-duração IV Horsemen (2017, Black Verb Records). Além do anúncio do novo registo, IV Horsemen apresentou também esta semana o primeiro tema de avanço "Judex" que explora uma faceta ainda mais eletrónica e poderosa, com influências variadas da EBM, techno e do industrial.

"Judex" - o tema de abertura de um total de cinco músicas - é apresentado através de um trabalho audiovisual bastante sinistro e resultado de diversas sobreposições de imagem, que podem agora ser visualizadas abaixo.


Dies Irae tem data de lançamento agendada para o próximo dia 1 de março pela editora alemã aufnahme + wiedergabe. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Dies Irae Tracklist:

01. Judex 
02. Fons Pietátis 
03. Judicánti Responsura 
04. In Favilla 
05. Cor Contrítum

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Gonçalo Penas lança álbum pela Subtext Recordings


O músico português Gonçalo Penas, residente em Berlim, vai lançar no dia 18 de janeiro o álbum Ego de Espinhos pela Subtext Recordings, editora de artistas como Roly Porter e Ellen Arkbro. O álbum foi criado unicamente com instrumentos digitais construídos pelo artista, que rejeita os costumes e convenções da música experimental eletrónica. É composto por nove músicas:

1. Introdução, Umbigo
2. Ego De Espinhos
3. A Besta _ Quanto Mais Me Bates
4. O Baixo Na Corda Bamba
5. Assobio De Um Incomodado
6. Espelho Meu
7. Flores De Corpo
8. Tecto Falso
9. A Cicatriz

A faixa "Ego de Espinhos" já pode ser ouvida.

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Toro y Moi regressa a Portugal em maio




Foi hoje anunciado mais um nome que irá preencher a agenda musical da Gig Club, o serviço online de música ao vivo que promete revolucionar a indústria dos concertos. Trata-se do músico e produtor norte-americano Toro y Moi, que atua em Lisboa a 22 de maio (LAV - Lisboa ao Vivo) e no Porto (Hard Club), no dia seguinte. O natural de Colúmbia, Carolina do Sul, junta-se assim aos já confirmados Kamasi Washington, Jessy Lanza e Low Roar, e traz com ele o mais recente disco Outer Space, a editar esta sexta-feira pela Carpark RecordsOs ingressos possuem o custo de 20 euros para sócios e 25 para o público não registado no serviço.

Lembramos que as inscrições online iniciaram esta semana, podendo ser efetuadas via thegig.club

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Monolord, LUCIFER e Toundra entre as novas confirmações do SonicBlast Moledo


Depois de já terem confirmado grandes nomes como OM, Orange Goblin ou Dopethrone, o SonicBlast Moledo continua a impressionar. Juntam-se agora ao cartaz Monolord, LUCIFER, Toundra, Satan's Satyrs, SACRI MONTI, HARSH TOKE, PETYR, KALEIDOBOLT, MaidaVale e MAGGOT HEART.

A edição de 2019 do SonicBlast Moledo acontece de 8 a 10 de agosto, em Moledo. Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais.

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Punch Sessions levam até ao Titanic Sur Mer Filipe Sambado, Leo Middea, Príncipe e Meses Sóbrios


As Punch Session estão de volta em 2019 (com o apoio da Às de Espadas) no Titanic Sur Mer! O conceito das Punch Sessions é simples, uma noite em que temos 3/4 atuações que refletem o melhor do que se faz na música portuguesa ou na música cantada em português. A primeira é já a 26 de Janeiro e conta com um cartaz intimista, e a quem ninguém vai ficar indiferente: Filipe Sambado, Leo Middea, Príncipe e Meses Sóbrios. Os bilhetes têm o custo de 8€.

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Reportagem: Holy Motors [Sabotage Club, Lisboa]


A reminiscência dizia-me que Holy Motors poderia ser sétima arte, o Leos Carax, ou o doido Denis Lavant? Não e não, enganei-me uma vez mais, Holy Motors quer dizer “Alternative Rock”, são de Tallinn (Estónia) e presenteiam-nos com uma paleta sónica que varia desde a pop psicadélica nostálgica à música ocidental limitada pelo shoegaze e muito reverb.

Numa pequena mala trazem-nos Slow Sundown, o álbum de 2018 editado pela americana Wharf Cat Records e em 60 minutos tocaram oito temas. Não foi uma performance curta, a do dia 10 de janeiro no Sabotage Club, foi a possível porque mais também não seria necessário, não me pareceu que tivessem trunfos na manga. A vocalista Eliann Tulve mostrou alguma timidez ao longo do concerto e nem apareceu no último tema, o “encore”. 

Consultei as datas e locais da tourné e reparei que tem tocados todos os dias desde o início de 2019. Encontrei a minha explicação plausível.

A fotogaleria do evento pode ser consultada abaixo.



Texto e fotografia: Gil Simão

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Quase a chegar O Salgado Faz Anos ... FEST!


Está fechada a programação para o O Salgado Faz Anos … FEST. O festival que é também uma festa de aniversário regressa sábado, dia 26 de Janeiro, com uma alinhamento de mais de 20 projectos musicais. Ao todo são mais de oito horas de música, desde concertos a djsets distribuídos por 3 que, entre as 21h30 e as 06h00, farão do Maus Hábitos palco para a nova e consagrada música nacional. Pelo meio, espaço ainda para instalações e exposições. 
Este ano, o programa contará mais uma vez com um alinhamento que prima pelo ecletismo, com Solar Corona, The Parkinsons, Julius GabrielSereias e Terebentina entre os muitos nomes a destacar neste evento. Nuno Dias e La FLAMA Blanca, Dj LynceSérgio HydalgoGin Party SoundsystemBENT encarregam-se de musicar as pistas até ao fim da noite. Pelo meio, espaço ainda para instalações e exposições. 
Os bilhetes para esta 6.ª edição podem ser adquiridos no Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural, a partir do dia 15 de Janeiro, entre as 12h00 e as 20h00 ao preço de 8€, em pré-venda limitada a 200 bilhetes, subindo posteriormente para o valor de 12€.


Alinhamento e horários

Abertura de portas 21h30

Palco O Salgado
22H30 Pretu (Chullage)
23H30 Sunflowers
00H30 The Parkinsons
01H30 MEERA

DJsets
02h30 Dias de Blanca (Nuno Dias e La FLAMA Blanca)
04H30 DJ Lynce

Palco Super Bock
22H15 Decibélicas
23H00 P A L M I E R S
23h45 Krypto
00H30 Sereias
01H15 Greengo
02h00 Solar Corona

DJsets
21h30 Paulo Cunha Martins
03H00 Sérgio Hydalgo
04H00 Gin Party Soundsystem
05H00 BENT

Palco Stockhousen
22h30 Julius Gabriel
23h15 Savage Ohms
00h00 Terebentina
00h45 Aquele gajo que vem sempre
01h45 Talea Jacta
02h30 Lonz Dale's Fantasy
03h15 Vive les Cônes

Mupi Gallery
22H00 O Bom, o Mau e o Azevedo

Instalações
Mupi Gallery Pedro Mkk
Escadas Oupas! design
Escadas Henrique Richard

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