quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Sacred Bones edita álbum perdido de Alan Vega


A editora americana
Sacred Bones anunciou o lançamento de um álbum perdido de Alan Vega. Mutator – um álbum de material gravado em Nova York entre 1996 e 1998 com a esposa e colaboradora frequente Liz Lamere – é o primeiro de uma série de lançamentos de arquivos inéditos do falecido vocalista dos Suicide, e está agendado para sair no próximo dia 23 de abril. O primeiro single, “Nike Soldier”, estreou esta quarta-feira com um videoclipe realizado por Jacqueline Castel. Confiram-no em baixo. 

“Em todas as suas expressões artísticas, Alan tinha a capacidade única de extrair uma mistura eclética de referências culturais e transformá-las de cabeça para baixo”, disse Lamere em comunicado. “Se lhe pedíssemos para nos dar uma citação sobre ‘Nike Soldier’, ele diria “faça-o apenas.”.

Alan Vega nasceu em Nova Iorque a 23 de junho de 1938. Iconoclasta por natureza, Vega foi cantor, compositor e agente provocador do duo synth-punk Suicide, que formou com Martin Rev em 1970. Morreu a 16 de julho de 2016, ano em que editou o seu último álbum a solo, it.


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Satomimagae estreia-se pela RVNG Intl. em abril


Hanazono vai levar a artista japonesa Satomimagae ao catálogo da americana RVNG Intl. pela primeira vez. O álbum, lançado juntamente com a Gurugurubrain, está agendado para sair no próximo dia 23 de abril e traz uma mistura de folk, eletrónica e práticas vocais distribuídas ao longo de 13 faixas. O seu primeiro avanço, "Numa", já se encontra disponível nas várias plataformas de streaming.

Com base em Kanagawa, no Japão, Satomimagae escreve deliciosos tratados em homenagem ao misticismo quotidiano da natureza. Cada uma das canções que compõem Hanazono, o seu quarto longa-duração de carreira, é dedicada a um tema, objeto ou imagem diferentes, a partir dos quais elabora melodias descomplicadas feitas de textura, gravações de natureza e passagens ocasionais de guitarra elétrica, cortesia do engenheiro de som Hideki Urawa (Kikagaku Moyo, Boris) que também se encarregou da mistura de Hanazono.

A acompanhar o anúncio do álbum, disponível para compra antecipada no Bandcamp, está a estreia do vídeo que acompanha "Numa", que recebe a assinatura de Soh Ideuchi. Confiram-no em baixo.




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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Chinaskee em entrevista: "Fico um bocado apaixonado por todo esse feeling à volta dos concertos de rock"

© Diana Matias

Miguel Gomes é o nome que dá voz a Chinaskee, pseudónimo com o qual assina os seus trabalhos há já largos anos (com mais ou menos variações). Com o psicadelismo posto de parte, Chinaskee decidiu aventurar-se mais para os lados do rock nos últimos tempos, com inspirações em bandas dos anos 90 como Pixies, My Bloody Valentine e Nirvana. Para isto precisou de uma formação renovada, composta por Bernardo Ramos, Inês Matos, Ricardo Oliveira e tons de vermelho à la Loveless

Tendo isto em conta e, com a mão de Filipe Sambado mais uma vez na produção, nasceu Bochechas, o segundo LP desta banda lisboeta em ascensão. Um disco em homenagem ao rock e às suas guitarras, que fala de amor e de traumas de criança com uma juvenilidade ingénua quase irónica e despreocupada. Chinaskee revisita aqui os singles "Mobília" e "Desanimado" numa versão mais pesada, homenageia e conta com com a participação de Filipe Sambado com uma adaptação da sua canção "Gaja", e conta com mais participações de artistas portugueses como Vaiapraia, Primeira Dama e Bia Maria.

Numa conversa em registo telefónico, falámos com Miguel Gomes (a.k.a. Chinaskee) sobre as origens do disco que agora está a lançar, a evolução do psicadelismo para o rock na sua sonoridade, as várias participações que apresenta em Bochechas, entre outras temáticas. Fiquem com a entrevista completa, disponível em baixo.


Uma pergunta para quebrar o gelo, como começou esta tua relação com a música? Primeiras lembranças, impressões, estórias…

Miguel Gomes (Miguel) - A minha mãe conta-me que eu quando tinha para aí 3 ou 4 anos, tocava bateria com panelas e colheres de pau. E também há outra estória que era eu cantar os toques de telemóvel, quando começaram a aparecer os primeiros telemóveis. O meu pai também sempre ouviu muita música que eu acho boa, e influenciou-me muito com Talking Heads e com John Cale... Bastantes cenas das prateleiras intermináveis de CDs que ele tem, nas viagens de carro. Sempre estive muito próximo [do rock]. Quando estava para aí no segundo ou terceiro ano já ouvia Metallica e Rammstein (risos), e outras cenas do género. A relação com o rock em si foi bastante cedo, diria.

Tens lançado vários EPs nos últimos anos, mas o teu último longa-duração já data de 2017. Há alguma razão para esta demora entre edições?

Miguel - Sim. Principalmente porque tudo o que eu lanço, esses EPs como estás a falar, são assim ideias que eu vou tendo e nunca é a ideia mestre. É sempre "Epá, gostava de fazer um disco sobre isto" ou "Gostava de fazer um disco à volta disto". E então normalmente isso são mais ideias, mimos e brincadeiras. Aquele disco das Janeiras são músicas todas que já existiam.

E aquele "NOVA(rock)" também?

Miguel - O NOVA(pop) é o disco do Miguel Ângelo, em que ele convidou a mim, ao Sambado, à Surma e aos D'Alva, para produzirmos umas músicas dele. O disco acabou por ser um disco de participações, assim bastante moderno. E eu gostei tanto de uma das músicas que fiz com ele... Gostei das duas não é? Mas uma delas achamos que era fixe tocar "versão Chinaskee", "versão distorção". Então regravamos a "NOVA" chamando-lhe "NOVA(rock)", que também tem a participação do Miguel Ângelo a cantar e está disponível no vinil dele do NOVA(pop), para quem quiser comprar.

A Revolve está contigo desde o Trocadinhos ao Pôr-do-Mi...

Miguel - A Revolve está comigo desde o Malmequeres, o Trocadinhos ainda foi pela French Sisters, mas depois quando entrei para a Revolve eles fizeram a distribuição dos Trocadinhos. Eu estive a falar sobre isto com eles no outro dia, e não é uma edição, é uma distribuição. Mas sim, entrou no catálogo deles.

E como surgiu essa relação com eles?

Miguel - Quando fizemos o Malmequeres, estávamos um bocado à procura de alguém que soubesse promover o disco um bocado melhor do que estávamos a fazer antes. Porque até certo ponto... foi fixe sermos nós a faze-lo até à altura, mas a partir do momento em que investimos dinheiro, tempo e recursos em fazer um projeto mais bem pensado, achámos também que fazia sentido termos pessoas que estão mais dentro do meio, a ajudar-nos a promover. A Revolve chegou-se à frente, disse que gostou muito do disco, e foi assim mais ou menos que começou a parceria.

A tua banda mudou bastante ao longo dos anos, como chegaste até à formação actual?

Miguel - O meu baterista é o único membro original. A primeira formação de todas era só baixo do David Simões (Trovador Falcão), eu a tocar guitarra e a cantar, e o Ricardo Oliveira a tocar bateria. Fizemos dois ensaios assim, mais nada. Depois entrou o Tojo (Luís Catorze/SunKing) a tocar teclados, e levámos essa formação ainda a uns quantos concertos. Chegámos a adicionar um guitarrista que saiu logo depois para entrar o Bernardo Ramos, e o Bernardo ficou agora também nesta nova formação. Entretanto entrou o saxofonista, o Rodrigo Racoon, para o Metro e Meio. Foi ele que nos acompanhou nos últimos concertos de Chinaskee e os Camponeses, em Paredes de Coura e nas Damas, e tudo mais. Quando me fartei de fazer o psicadélico, o Rodrigo, o David e o Tojo saíram da banda para me dar um bocado de espaço, para me focar nas guitarras. Fiquei eu e o Bernardo a tocar guitarra, o Ricardo a tocar bateria e entrou a Inês Matos, a guitarrista de Primeira Dama, a tocar baixo. Estas formações todas vêm sempre principalmente da vontade de fazer uma coisa diferente do que estava a fazer antes, por isso também me faz sentido às vezes ter pessoas diferentes a trabalhar comigo.

© Diana Matias

A tua sonoridade passou por várias fases, evoluindo do psicadelismo de Malmequeres para o rock mais musculado de Bochechas. Estas mudanças têm a ver com o teu crescimento como pessoa, com a vontade de fazer coisas novas, ou simplesmente aconteceu?

Miguel - Acho que é uma mistura deles os 3, mas principalmente por ter tocado em Paredes de Coura e, por exemplo, no ZigurFest, em que o público está mesmo mas mesmo a vibrar com as músicas de rock e a dançar... Eu fico um bocado apaixonado por todo esse feeling à volta dos concertos de rock, e foi um bocado essa a razão de eu ter a vontade de fazer um disco mais puxado, mais rock. Mas também tem a ver com a mão da produção do Filipe Sambado, com as pessoas que me tenho rodeado, da música que eu tenho ouvido... É tudo uma mistela que me fez um bocado evoluir, não só como músico, mas como pessoa e como ouvinte de música também.

O próprio Filipe Sambado produziu o teu álbum de 2017, tal como este novo. Como defines a tua relação com ele?

Miguel - Defino a minha relação com ele como se fosse pai e filho. Ele hoje mandou uma mensagem a dizer, e passo a citar, "Bom dia de lançamento, aproveita o êxtase mas não confundas esta felicidade com a verdadeira felicidade. Beijinhos do papi".

Muito paternal, a dar esses conselhos.

Miguel - (risos) Exacto.

A quebra na agressividade do álbum com a música "Bochechas", daquela maneira melancólica e suave, é propositada?

Miguel - Eu fui buscar as ideias para o álbum muito aos discos que eu acho fixes dos anos 90. Pixies, My Bloody Valentine, Nirvana... E nesses discos há sempre um sitio para respirar, por muito pesados que eles sejam. A música ("Bochechas") apesar de parecer muito fofinha, para mim tem um sentimento bastante pesado também, mas para mim é pesado de uma maneira diferente. Então pronto, achei que era fixe haver pelo menos um momento para respirar no disco inteiro, que é composto por 8 músicas de headbanging, uma ainda meio psicadélica via Malmequeres, e esta a balada rock. Achámos que era importante ter um momento para respirar. A banda toda achava que era fixe ser a última música do disco, tal como a "Malmequeres" é a música final do Malmequeres, também é a balada... Eles achavam que era fixe, mas eu não queria que o disco acabasse mole, eu queria que o disco acabasse mais duro ainda. Até houve uma altura em que achávamos que a "Mais Atenção" ia acabar o disco, porque é a música mais pesada acho eu.


Como funciona o processo criativo de um disco quando estamos a viver em pandemia?

Miguel - A cena é que o processo criativo deste disco durou cerca de 3 anos, foi logo depois do Metro e Meio que eu comecei a escrever as primeiras coisas. E se formos bem a ver, até podemos dizer que o processo criativo começou antes do Malmequeres, porque a "Mais Atenção" é a "Vegan Song", a segunda demo que eu lancei em 2015 para aí, por isso 6 anos depois vá. Acho que em termos de pandemia, o que se deu no processo criativo foi mais o tempo que eu não tinha tido até lá para estar sozinho a pensar só nas músicas. Eu estava habituado a trabalhar sempre com alguém, e isto foi um passo um bocado diferente, um passo de reflexão sobre o que eu quero falar, e sobre como eu quero apresentar estes temas. O primeiro confinamento ajudou-me um bocado a focar as minhas ideias e encontrar as músicas finais que iam entrar no disco.

Esse processo todo neste último ano ajudou-te a gerir a tua saúde mental nestes tempos?

Miguel - Sim. Agora até me apetece fazer outro disco só por estar outra vez confinado, porque foi uma ótima escapatória conseguir continuar a trabalhar em casa, que é um sitio que já não trabalhava há muito tempo. Estava a ir diariamente para o meu estúdio, diariamente a ensaiar, tanto para ver músicas novas como para arranjar as músicas antigas para formato mais rock. Tendo essa quebra de workflow, de trabalho diário, foi um bocado difícil. Mas depois comecei de novo a pegar na guitarra só por gosto e a brincar um bocado, o que me levou a ir buscar ideias que me ajudaram a completar o disco. Foi um bocado isso, e ajudou-me a não pensar tanto em coisas más no primeiro confinamento.

O teu disco conta com várias colaborações, como Vaiapraia, Primeira Dama, Filipe Sambado e Bia Maria. Como surgiram elas?

Miguel - Estas colaborações são principalmente a vontade de partilhar a minha música com amigos. Mesmo sendo um disco a solo, eu diria, é um disco de banda na mesma. Há um bocado esse principio também, que é um disco de banda porque tenho os meus amigos a tocar comigo, mas continuam a ser as minhas canções, que podem ser só tocadas à guitarra e voz. E há medida que fomos escrevendo e fazendo os arranjos para o disco, percebemos que aqui falta uma voz feminina, aqui falta o (Vaiapraia) a gritar... Então decidimos perguntar mesmo às pessoas "Olha, queres colaborar comigo nisto?". Eles não colaboraram a escrever, é mesmo só a participação deles assinada mais por amor do que por qualquer outra coisa.

Pensas investir na tua carreira de streamer?

Miguel - Foi a melhor maneira que eu arranjei de ter uma interação com as pessoas que gostam de mim, em termos de música. Porque visto que não há concertos, e visto que não há a possibilidade de estar com o público ou com amigos a tocar, a ver ou a ouvir, decidi começar a interagir com a malta da única maneira que é possível agora. Acho que é mais fixe do que um live no Instagram, porque toda a gente faz isso. Acho que é mais fixe também dar um bocado também um insight para a minha vida, porque eu desde sempre gostei de Pokémon, por isso comecei a fazer aquelas streams de Pokémon só porque sim. A malta tem aderido e é fixe, se quiserem podem-me seguir em twitch.tv/chinaskeept.

Obrigado Miguel, tens mais alguma coisa a acrescentar?

Miguel - É agradecer toda à malta que tem vindo a trabalhar comigo nos últimos anos. Miguel Ângelo, à Revolve, a Rafaela Ribas, agora a HAUS, Filipe Sambado, Primeira Dama, a minha banda, Luís Catorze... Não preciso de dizer os nomes todos, mas estas pessoas têm estado comigo há muito tempo e sempre me apoiaram um bocado com tudo, é um disco para elas.


Bochechas saiu na passada sexta-feira (19 de fevereiro) via Revolve e pode ser escutado na íntegra em baixo.

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DJ Spielberg revisita o som original da cultura rave em 'Carregada/Calibrada'


DJ Spielberg está de regresso com novo EP. Carregada/Calibrada assinala o primeiro lançamento da No She Doesn’t em 2021 e garante o antídoto para os saudosistas das pistas de dança através de quatro faixas que exploram o fetichismo da cultura rave dos anos 1990.   

“Mais do que uma simples recreação”, explica a editora lisboeta em comunicado, o novo EP de Hugo Barão canaliza o som e a energia das primeiras raves em quatro “bangers certificados” que cruzam o jungle, o trap e o breakbeat de forma direta e sem enchimentos. O disco está agendado para sair na próxima sexta-feira, dia 26 de fevereiro, e encontra-se disponível para compra-antecipada no Bandcamp.  

Em janeiro, Hugo Barão reconstruiu, em formato digital, a pista de dança do Desterro. No She Doesn’t at Desterro é uma “experiência imersiva” que permite descobrir todas as salas do icónico clube noturno de Lisboa, ao mesmo tempo que promove o seu novo disco de uma maneira criativa e inovadora.   

O primeiro single de Carregada/Calibrada, “Mesmo Blessed”, já pode ser escutado em baixo.   


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The Horrors antecipam novo EP com "Lout"


Os The Horrors estão de regresso com o primeiro lançamento em quatro anos. "Lout" sucede o anterior álbum V, de 2017, e antecipa o EP com o mesmo nome, agendado para sair no próximo dia 12 de março.

Faris Badwan, vocalista, afirma que o EP "é sobre a relação entre escolha e acaso, arriscar compulsivamente e forçar a sorte". O seu primeiro avanço, "Lout", canaliza o nervo post-punk dos registos anteriores para uma paisagem mais abrasiva e opulenta, informada pelo ruído industrial de grupos como Ministry ou Nine Inch Nails

"É a música mais suja que fizemos desde o [álbum de estreia de 2007] Strange House", acrescenta Rhys Webb. "Uma intensa enxurrada de ruído industrial. Um retorno ao espírito e atitude do nosso LP de estreia, mas projetado para o futuro."

O tema encontra-se disponível nas várias plataformas de streaming e vem acompanhado de um pequeno complemento visual, que podem conferir desde já em baixo.


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"Portuaria" é o novo EP de Otro

Depois da estreia em 2020 nos longa-duração com Untitled (Live From Nowhere), editado com a chancela da portuense Eastern Nurseries, Aaron Morris, produtor de Valência que dá corpo a Otro, lançou ontem um novo EP de originais, intitulado Portuaria

As composições frágeis e melódicas de Untitled (Live From Nowhere), disco gravado em isolamento, dão lugar a oito excertos sonoros de ambiências orgânicas, envolvidos numa atmosfera urbana e distópica. Como o próprio título anuncia, este é um trabalho que pretende mergulhar no lado mais sombrio do quotidiano portuário, onde as buzinas dos grandes navios cargueiros se fazem escutar, acompanhadas por arranjos de cordas e outros sons trazidos pelo mar, como é exemplo o tema “Suburbia (Entering)”.

Otro contou com o contributo de diversos artistas na produção de Portuaria, entre eles Concrete Fantasies, Candlelight, Claudia Dyboski, RRUCCULLA e Alma SeroussiPortuaria é uma edição de autor e pode ser adquirida em formato digital e cassette. A capa é da autoria de Nil Fernàndez

O EP está disponível para escuta integral no Bandcamp do artista.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Novo disco dos Dame Area chega em abril pela Mannequin Records

Novo disco dos Dame Area chega em abril na Mannequin Records

Cerca de um ano após terem colocado cá para fora La Soluzione É Una (2020, Màgia Roja), os Dame Area estão de regresso às edições com Ondas Tribales, o novo esforço colaborativo de Silvia Konstance e Viktor L. Crux que promete colocá-los no radar de projetos promissores para os tempos vindouros. 

A trabalhar uma sonoridade a que apelidam de "tribal wave", o aparelho sonoro dos Dame Area tem, desde 2018, caracterizando-se pelas caixas de ritmo influenciadas nas correntes modernas da eletrónica e as explorações industriais dos anos 80, com grande destaque para a voz inquieta de Silvia Konstance. Esta abordagem - conduzida por uma percussão metálica, sintetizadores vibrantes e harpejos translúcidos - ganha agora novo capítulo em Ondas Tribales, o terceiro LP da dupla espanhola que marca a estreia dos Dame Area na casa do aclamado selo Mannequin Records.

Juntamente com o anúncio do novo disco Silvia Konstance e Viktor L. Crux avançaram também com o aperitivo de entrada da edição, "La Danza Del Ferro", mais um tema a representar com vigor a experiência sonora rica em ritmos, melodias e pinturas da decadência existencial a que a dupla dá vida. Em foco, a voz sem filtros de Silvia Konstance que, a cada edição, se torna mais surpreendente e marcante.


Ondas Tribales tem data de lançamento prevista para 9 de abril em formato digital e vinil pelo selo Mannequin Records. Podem fazer a pre-order do álbum aqui.


Ondas Tribales Tracklist:

01. Scopri Le Tue Passioni 
02. Linea Retta 
03. Corazon De Fuego, Corazon De Hielo 
04. Respira 
05. La Danza Del Ferro 
06. La Doble Luna 
07. No Pares De Trabajar 
08. Triangolo Segreto 


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"Mar Assombrado" é o novo single de Violeta Luz



Depois de se ter estreado em nome próprio com o EP Melancolia, em novembro de 2020, e de ter integrado o alinhamento do álbum Fnac Novos Talentos 2020 com o tema "Amor", Violeta Luz está de regresso com "Mar Assombrado", o mais recente single da cantora-compositora de Lisboa. 

Masterizado por Francisco Duque nos Estúdios Camaleão, "Mar Assombrado" traz, tal como em Melancolia, o torpor contemplativo do trip hop e do r&b mais cândido, cruzando atmosferas vaporosas com uma notória sensibilidade pop. 

O vídeo que o acompanha, realizado por Violeta durante o segundo confinamento, já pode ser conferido em baixo ou no canal de Youtube da artista, onde poderão encontrar mais sobre o seu trabalho.



 

 

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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Callaz em entrevista: "Gostava de conseguir ser mais ousada"

© Marta Costa

A música de Maria Soromenho diz Callaz à frente, pseudónimo com o qual assina o seu percurso artístico desde 2017. Aprendeu a misturar sons sozinha, dando à sua linguagem musical o barulho de fundo próprio da autonomia, uma preferência por um processo de trabalho guiado pela filosofia DIY.

Dead Flowers & Cat Piss é o mais recente trabalho de Callaz, gravado no verão passado com a ajuda de Helena Fagundes (Vaiapraia e As Rainhas do Baile, Clementine, entre outros), a sua estreia na produção musical. As canções foram escritas após o lançamento do primeiro LP homónimo (fevereiro de 2020), antes, durante e depois da quarentena, inspiradas por livros, filmes, histórias vividas, contadas e imaginadas. 

Numa conversa em registo eletrónico, falámos com Maria Soromenho sobre a origem de Callaz e as principais inspirações e referências, o processo de escrita de canções nas mais variadas línguas, os instrumentos utilizados na composição do novo álbum, entre outras temáticas. Fiquem com a entrevista completa, disponível em baixo.

 

Em primeiro lugar, como surgiu o nome Callaz?

Callaz - Gosto muito da Maria Callas. Lembro-me de ser mesmo muito pequena e estar meio fascinada com ela. Penso que tenha sido a minha mãe a falar-me dela e a mostrar a sua música. Quando estava a começar o projeto, ouvi a Norma cantada por ela e foi instintiva a ideia de utilizar o Callas mudando o "s" para "z" (o meu primeiro nome é Maria). 

O teu universo estilístico está associado ao mundo da música, tanto como Styling Assistant de várias artistas conceituadas, como na marca Maria Soromenho, projecto de criação de roupa e lenços de seda. Conta-nos como foi a primeira vez em que realmente tiveste essa consciência e oportunidade de começar a fazer a tua música. 

Callaz - Em 2016 tinha a minha marca Maria Soromenho e estava a morar em Los Angeles. Um amigo  perguntou se queria cantar em português numa música dele. Fomos para o estúdio (Lollipop Records), e gravámos a música. Foi a partir desse dia que comecei mesmo a ponderar a ideia de começar a fazer a minha própria música. No ano seguinte voltei para Lisboa e peguei no Casio que tinha comprado quando tinha 10 anos. Imprimi uma folha com os acordes (não tenho educação musical) e comecei a experimentar enquanto escrevia letras. 

Capa de Dead Flowers & Cat Piss

O que pretendes transmitir com Dead Flowers & Cat Piss?  

Callaz - Dead Flowers & Cat Piss pretende dar um efeito de sequela/espelho ao título do meu primeiro EP, composto também por um conjunto de elementos “semelhantes” (Beer, Dog Shit & Chanel No5).

Comparativamente ao disco de estreia homónimo de 2020, Dead Flowers & Cat Piss soa-nos mais ousado, instrospetivo, repleto de arranjos experimentais. O que sentes que mudou neste tão curto espaço de tempo entre estes dois trabalhos? 

Callaz - Este disco foi escrito durante o primeiro confinamento, acabando por torná-lo mais introspectivo que os trabalhos anteriores. Tenho sempre o objetivo de explorar/experimentar mais e penso ter começado a fazê-lo um pouco nalguns arranjos e na voz, mas ainda gostava de conseguir ser mais ousada. A mudança global de 2019 para 2020 foi drástica e penso que em mim talvez se tenha refletido na música. 

Podes-nos contar como foi trabalhar com a Helena Fagundes na produção de Dead Flowers & Cat Piss?

Callaz - Foi muito bom e fácil trabalhar com a Lena. Ela é muito talentosa, tem uma ética de trabalho impecável e vontade de compreender e respeitar a ideia inicial do músico, para que a produção a realce mas mantenha. 

Falando novamente em colaborações, qual seria para ti o artista de sonho com quem gostarias de colaborar?

Callaz - Não sei bem, mas provavelmente alguém que saiba muito sobre música não ocidental. 

Callaz é um projeto que tem adotado essencialmente uma postura DIY ao longo das várias edições, uma vez que até aprendeste a misturar sozinha. Que instrumentos é que foram utilizados na construção deste disco? 

Callaz - Para as demos utilizei Casios e alguns pedais, o Garageband e samples. O disco foi feito num estúdio caseiro e além do microKORG, utilizámos sons de synth em midi e muitas camadas de sintetizadores emulados no software Pro-Tools. Utilizámos também algumas samples e as baterias foram feitas no software Hydrogen, num sample pad e na drum machine Korg Volca Beats. Em algumas músicas a Lena tocou baixo, guitarra e xilofone e depois trabalhou com efeitos na pós-produçao.

Podemos ficar a saber quais são as principais referências musicais de Callaz?

Callaz - Oiço muita música e variada e gostava de não ficar demasiado presa à musica que mais gosto mas no início do projeto as referências fundamentais foram Young Marble Giants, Cristina, The Space Lady, Marine Girls, Velvet Underground, Nico, Suicide, The Raincoats

As letras que compõe este disco dividem-se entre a língua portuguesa, a inglesa e a francesa. Como é que funciona o teu processo de escrita de canções?

Callaz - Costumo escrever e ler nas três línguas. Quando oiço ou penso algo de que gosto da sonoridade costumo apontar no meu caderno. Quando vou escrever, às vezes acabo por fazer uma colagem de várias coisas que apontei antes. O processo mudou de música para música mas raramente escrevo uma letra de seguida. Conforme vou criando a música, vou “moldando” a letra.

© Marta Costa

O tema “Aghast” é um dos maiores destaques de Dead Flowers & Cat Piss. Podes-nos falar um pouco sobre ele?

Callaz - Sempre gostei da cena em que Ginger Rogers e Fred Astaire representam a música "Pick Yourself Up no Swing Time" (1936). Utilizei aqui a minha parte da letra preferida ("I pick myself up, dust myself off, start all over again"). A demo tinha inicialmente 3 minutos e foi ideia da Lena prolongá-la e adaptá-la à ‘pista de dança’. A outra parte da letra é inspirada numa história de Cleopatra (pearls in wine) onde esta esmaga uma das suas pérolas em vinho e bebe-o, ganhando assim uma aposta a Marco António. 

Já atuaste em diversos países europeus e até tiveste direito a uma digressão em Nova Iorque. Em que sala de concertos é que gostarias mesmo de tocar e ainda não tiveste oportunidade de o fazer?

Callaz - Tenho tantas saudades de concertos que qualquer sala serve para mim neste momento :) 

Como é que te ocupaste na quarentena? Dirias que o confinamento foi produtivo?

Callaz - O primeiro sim, este está a ser muito mais complicado por várias razōes mas o objetivo é conseguir não desanimar. Não me faltam coisas para fazer…

Relativamente a planos para o futuro, há algo que nos possas adiantar?

Callaz - Estou a criar novas músicas que quero conseguir gravar este ano, mas ainda não tenho planos concretos. 

Para finalizar a entrevista, podemos saber que artistas e bandas tens escutados nos últimos tempos?

Callaz - Aretha Franklin, Nino de Elche, Chick Corea, Gazelle Twin, Jlin, Saul Williams, Vivaldi: The Four Seasons do Nigel Kennedy, Catherine Ribeiro, Sudan Archives, This Heat, Akaba Man, canto ortodoxo Russo, Gregoriano, entre outros! 


Dead Flowers & Cat Piss saiu na passada sexta-feira (19 de fevereiro) e pode ser escutado na íntegra em baixo.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Novo álbum de Johanna Samuels chega em maio

Exclesior: é este o nome do próximo álbum da californiana Johanna Samuels, com data de lançamento anunciada para dia 14 de maio sob a alça da editora Basin Rock

Esta obra explora instrumentais bastante vintage, inspirados em compositores da velha escola como Bob Dylan, Elliott Smith e Jon Brion, contando sempre com a presença de melodias cativantes e poderosas que são complementadas pela doce e elegante voz de Johanna. Liricamente, explora o conceito de camaradagem e amizade, um tema especialmente relevante aquando o contexto pandémico que se vive de momento. 

Exclesior foi gravado durante o inverno numa pequena cabine pertencente à Flying Cloud Studios, no Estado de Nova Iorque, e produzido pelo responsável do estúdio: Sam Elvian. Conta também com os vocais de Courtney Marie Andrews, Hannah Cohen, Hannah Read (Lomelda), A. O. Gerber, Louise Florence e Olivia Kaplan

O segundo single desta obra, “Nature’s Way”, já está disponível em todas as plataformas streaming, estando acessível no vídeo abaixo: 

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7 ao mês com Vera Marmelo



O nome Vera Marmelo rima com concertos. Um concerto ou festival acontecer, especialmente em Lisboa, sem ela e a sua câmara fotográfica por perto para o registar é algo muito raro. Acumula a fotografia com o seu trabalho como engenheira civil e, apesar de não ter formação de raíz em fotografia, é um nome bastante conhecido a nível nacional e até internacional.

A Vera cresceu no Barreiro e fotografa músicos/concertos desde o longínquo ano de 2004. A sua ligação com a música inicia-se exatamente nas suas origens, no Barreiro, onde, de uma forma autodidata, começa a fotografar os seus amigos músicos e os festivais locais, onde se destacam o OUT.FEST e o Barreiro Rocks

Passados mais de dez anos desde o início desta aventura os amigos, os músicos, os concertos, as salas, os festivais e as ocasiões mais ou menos especiais vão-se multiplicando e o seu arquivo pessoal crescendo. Alimenta de forma muito regular o seu blogue há quase 15 anos. Em 2013 e 2014, editou dois livros de autor – o primeiro de retratos em nome próprio e o segundo a duas mãos a propósito do 20º aniversário da Galeria Zé dos Bois. Os dez anos de vida online serviram de mote para o lançamento de um novo site e a revisão do seu trabalho em publicações de autor, num formato poster.

As escolhas da Vera Marmelo para esta edição do 7 ao mês encontram-se de seguida.

"Sou terrível a fazer esta coisa de escolhas. Nunca me lembro do que ouvi, do que gostei, do que mais me marca ou marcou. Então optei por deixar aqui sete coisas em que tropecei nestes dias em que estou mais em casa. Coisas que me surpreenderam e me prenderam."

ENNY - Peng Black Girls (feat. Amia Brave)

Primeiro! Vi a primeira versão desta música com a Jorja Smith no A COLORS SHOW. Mas deixo aqui o vídeo que me prendeu:


Devonté Hynes - Evil Nigger

O Sérgio Hydalgo (ZDB) mostrou-me este bocado maravilhoso de música no outro dia, o Dev Hynes a tocar o "Evil Nigger” do Julius EastmanHá uns dias assisti ao primeiro episódio de Small Axe e estou a terminar o primeiro livro da autobiografia da Maya Angelou, "I Know Why The Caged Bird Sings". Faz tudo muito sentido! E fecha-se o ciclo com o discurso da Amanda Gorman.


Lil Nas X - Old Town Road ft. Billy Ray Cyrus

Houve aí um mini-fenómeno no The Voice Kids que me meteu a ouvir com atenção a música mais conhecida do Lil Nas X.


Khruangbin & Leon Bridges - Texas Sun

As listas dos melhores do ano da Antena 3, que vou sempre espreitar, trouxeram-me os Khruangbin. Ando muito perdida nestas novidades, desculpem.


ROSALÍA & Travis Scott - TKN

A Rosalía merece estar aqui duas vezes, primeiro com o Travis Scott.


Billie Eilish, ROSALÍA - Lo Vas A Olvida

E depois com a Billie.


Chelsea Wolfe, Emma Ruth Rundle - Anhedonia

E antes do fim de janeiro, para salvar um bocadinho esta quarentena, aparece esta canção. E com ela a união de duas das minhas favoritas de sempre, a Chelsea Wolfe e a Emma Ruth Rundle, a cantar sobre um estado que eu conheço bem demais e ao qual nunca tinha dado um nome.


Aproveitem para seguir a Vera Marmelo (Instagram, blogue ou site), para ficarem a par do seu trabalho e aguçar o apetite pelos concertos vindouros.

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Conferência Inferno em entrevista: "Inspiramo-nos numa realidade ilusória, em sonhos, memórias"


Francisco Lima e Raul Mendiratta juntaram-se em finais de 2018, no Porto, para esboçar as primeiras músicas dos Conferência Inferno. Após a gravação de uma demo no Postlab, em Aveiro e de várias apresentações ao vivo, encontraram-se com Ricardo Cabral para darem inicio à gravação e produção do primeiro EP, Bazar Esotéricoque saiu em formato digital pelo Coletivo Farra, em junho de 2019, e em formato físico pela Saliva Diva, em fevereiro de 2020.

Dos escombros encontrados no Bazar Esotérico que revelavam o esboço de um ritual anarco-religioso, inspirado nos ensinamentos da dark wave e post-punk, os Conferência Inferno, passam de duo a trio, integrando José Miguel Silva, e estreiam-se na longa duração com a saída, no passado dia 5 de fevereiro, de Ata Saturna. 

Este trabalho, que revela "novos achados arqueológicos sobre a misteriosa Conferência Inferno" foi o mote para a entrevista que se segue com os "3 cientistas encarregues de sintetizar uma figura robótica, mais consciente e senciente que os humanos seus contemporâneos".

Para quem não vos conhece, quem são os Conferência Inferno? 

Conferência Inferno (CI) - Somos 3 amigos que nos juntamos para fazer música e beber uns copos. 

Em janeiro de 2020, aquando do concerto em Lisboa no Sabotage Club (um dos espaços icónicos que sucumbiu à crise), apelidamos-vos de “Música de Salvação Nacional” - recriam uma atmosfera muita ligada aos anos 80, ao nível da sonoridade, o que não deixa de ser surpreendente, tendo em conta a vossa geração. Qual a conceção que está na vossa origem? 

CIEstá em fazer música, divertirmo-nos, ver se as máquinas funcionam. Quando não temos nada para fazer no final da tarde, compomos. 

Em 2019, editaram o EP Bazar Esotérico com a chancela do Colectivo Farra/Saliva Diva. Já este ano, juntaram-se à família da Lovers & Lollypops para o lançamento de Ata Saturna. O que mudou nos vossos objetivos? Qual a razão desta mudança? 

CIOs nossos objetivos são os mesmos. A única coisa que mudou foi a casa, mas jogamos da mesma maneira. 

De que modo é que Ata Saturna se diferencia de Bazar Esotérico? Encaram-no como um prolongamento e uma evolução natural do vosso EP ou traz-nos algo de novo? 

CI Não diríamos que há propriamente uma evolução, pois acabamos por seguir a linha do que fazíamos. O som acaba por ir mudando, porque temos máquinas diferentes e porque introduzimos um novo elemento. 

Capa de Ata Saturna

O título deste trabalho não deixa de nos suscitar alguma curiosidade. Como é que surgiu? Existe alguma mensagem subliminar ou algum tipo de simbolismo? 

CI O nome Ata Saturna conjuga a ideia de ata enquanto registo e Saturna, como palavra inspirada pelo festival Saturnália, evento durante o qual os romanos “deitavam abaixo” todas as convenções sociais e entravam num deboche globalizado. Como procurávamos inspirar-nos numa forma de representação do deboche, chegamos a este nome. 

Dos vários temas, há algum que elegeriam como o “porta estandarte” do álbum? 

CI Não conseguimos fazer isso. De alguma forma todos eles são importantes para aquilo que o álbum representa. 

Ao ouvirmos Ata Saturna sentimos uma ansiedade constante. Não há a certeza de amanhã, é como se o “futuro fosse hoje”. Esta ansiedade que as letras nos provocam é de alguma forma anulada pela música que se assume como o ansiolítico. Como é que sentem ou definem Ata Saturna

CI Isso tem a ver com a forma como cada um interpreta a música. É muito pessoal. Uma pessoa pode interpretar dessa maneira, mas outra poderá achar que os temas são só irritantes, outra pode achar calmo. É algo que está mais do lado do ouvinte definir do que do nosso. 

Este novo trabalho, que se apresenta como a vossa estreia na longa duração, é composto por 8 faixas (7 das quais tivemos a oportunidade de ouvir, ao vivo, no início de 2020). Querem falar-nos um pouco dos temas? 

CI No geral as faixas falam muito sobre o tentar desvendar problemas e situações da vida, assimilar o que está a nossa volta. Também falam sobre mudança e arrependimentos, angústia e ansiedades num cenário urbano, cinzento e que nos faz sentir minúsculos e motivados ao mesmo tempo.


Ao longo da história da música foram produzidas bandas sonoras, musicadas ao vivo, que serviram de pano de fundo a filmes intemporais. Se vos colocassem perante um desafio destes, que filme ou realizador escolheriam? 

Raul Mendiratta Os Abismos da Meia Noite, António Macedo. 

Francisco Lima Alta Fidelidade, de Tiago Guedes e Frederico Serra.

José Silva - 1ª Vez 16 mm, Rui Goulart.

Como têm vivido a vossa “normalidade” nestes tempos pandémicos? 

CI Ficar em casa, ver mais filmes, ler mais. Temos também tocado mais e feito mais música que não apenas para os Conferência Inferno

O que vos move ou vos inspira nas vossas criações, a ficção ou a realidade? E a nível musical, que bandas e projetos nacionais e internacionais vos inspiram? 

CI Inspiramo-nos numa realidade ilusória, em sonhos, memórias turvas e degradadas ou alteradas. 

A nível nacional a editora Ama Romanta, os Pop Dell'Arte e a nível internacional, inspiram-nos movimentos distintos, como o kraut alemão, a música belga, os anos 80 de Manchester e Nova Iorque. 


As audiências dos media não estão viradas para as pequenas editoras e projetos que na realidade vão proliferando, muitas delas assentes numa filosofia DIY. Como tencionam contornar estes “privilégios” só para alguns? 

CI - Não é algo com que nos preocupemos numa base regular, pois na realidade nós só queremos fazer que gostamos. No entanto, achamos que é muito importante que, ao mesmo tempo, surjam meios mais ligados a circuitos independentes, para que as coisas se mantenham frescas. 

Colocando-nos num cenário pessimista despoletado por esta nova realidade que nos atormenta a todos, nomeadamente com a Cultura que se encontra num estado moribundo, quais as alternativas que têm pensadas para promoção deste novo trabalho? Espera-se alguma apresentação em streaming de Ata Saturna para breve? 

CI Vai ter de acontecer por streaming. É claro que não substitui a forma como se faziam as coisas antes da pandemia, mas estamos a tentar trabalhar com aquilo que se pode fazer atualmente e fazer o melhor possível com as alternativas que agora se criaram. Por isso esta primeira apresentação vai ser online, através das plataformas digitais do Teatro Municipal do Porto, Rivoli. 

Se criássemos uma rubrica denominada em “Em busca do tempo perdido”, o que é que gostariam de fazer para recuperar estes longos meses, que de alguma forma sentimos que nos foram “roubados” e em que o futuro está envolto em tanta incerteza? 

CI Não foi assim tão perdido, porque aproveitamos para gravar o álbum, mas se pudéssemos íamos numa rave com cinco dias, pelos menos! 

Para terminar, têm alguma recomendação para os nossos leitores de artistas que tenham escutado nos últimos tempos? 

CI - Colectivo Vandalismo, Love is Fine dos Sal Grosso, 3i30



Citando Manuel Molarinho, "quem já se cruzou com Ata Saturna descreve um novo messias, que traz novas niilistas em melodias simples e cativantes, gritando constantemente que o apocalipse já aconteceu, a sina cumpriu-se, a anarquia conteve-se, o amanhã não é promessa, a ansiedade é perpétua, o Sol nunca nasce aqui. O engenhoso invento, encomendado com o objetivo de viciar os humanos nas suas contradições mais básicas, foi testado confidencialmente e os resultados, agora disponíveis para o mundo, mostram que o planeta pode ter construções mais empáticas que os seus criadores e semelhantes."

Deixem-se viciar por este "engenhoso invento", assistindo à apresentação de Ata Saturna na plataforma online do Teatro Municipal do Porto - Rivoli, num contínuo, entre os dias 19 e 21 de fevereiro através da aquisição de bilhete na Bilheteira Online.

Entrevista por: Armandina Heleno 

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