sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Panda Bear, Proc Fiskal, Maria Reis na primeira edição do festival A Colina



A Colina é um festival organizado pelo Coletivo Colinas que irá realizar-se pela primeira vez no fim do mês. Entre os dias 28 e 30 de novembro, a cidade de Setúbal recebe uma série de performances e exposições realizadas por artistas como Panda BearProc Fiskal ou Malibu, todos eles a apresentar novos discos editados este ano.

O primeiro, conhecido pelo seu trabalho com os americanos Animal Collective, lançou em fevereiro o quinto álbum de estúdio a solo, Buoys, que explora o fascínio de Noah Lennox pela produção dub  e sound system. Proc Fiskal é Joe Powers, um dos mais mais jovens e interessantes produtores da grime instrumental atualmente produzida no Reino Unido. O seu disco de estreia, Insula, recebeu o selo da respeitada editora Hyperdub, que editou este ano o seu mais recente EP, Shleekit Doss. Malibu é cantora, produtora e compositora, e o seu primeiro disco, que recebeu a benção da compositora americana Julianna Barwick, chegou no início do mês via Joyful Noise.

Maria Reis, que lançou hoje o seu primeiro álbum a solo, Chove na sala, água nos olhos , é mais um dos destaques do programa, que conta ainda com a participação do baterista e percussionista Gabriel Ferrandini e do músico e produtor Simão Simões

A programação completa, espalhada por quatro espaços diferentes, já foi divulgada:

28 de Novembro

Casa da Cultura:
21h00 - Décors de Miguel Tavares musicado p/ trash CAN
22h00 - Ben Yosei (F.K.A. Sanatur a Deo)

29 de Novembro

Capricho Setubalense:
22h30 - TRADIÇÃO
23h15 - Ne Jah
00:30 - DJ Music (DJ set)

Beats Club:
01h30 - DJ. N.K. 
02h30 - Proc Fiskal
03h30 - Luar Domatrix

30 de Novembro

Forte de Papel (Antigos Armazéns Papéis do Sado):
15h00 - Abertura de portas *
17h00 - Performance coletiva de: Maria Reis, Gabriel Ferrandini, Pedro Sousa, Luar Domatrix e André Cepeda
22h00 - Malibu
23h00 - Simão Simões
00h00 - Panda Bear

*Artistas em exposição ao longo do dia pelo espaço:
Alexandre Estrela
Elisa Azevedo
Miguel Soares
Pedro Tavares
Rudi Brito

Os passes gerais já podem ser reservados através do e-mail tickets@acolina.pt. Os preços dos diversos bilhetes são os seguintes:

Passe geral - 10 euros
Dia 28 - entrada gratuita
Dia 29 - 5 euros (geral) ou 3 euros (Capricho Setubalense ou Beats Club)
Dia 30 - 10 euros


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Lionel Richie é a primeira confirmação do festival EDP CoolJazz


O cantor norte-americano Lionel Richie regressa a Portugal em 2020 para um concerto, no âmbito do festival EDP CoolJazz. Trata-se da primeira confirmação da 17ª edição do festival e irá acontecer no dia 25 de julho, no palco do Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais. O regresso do cantor norte-americano a Portugal é também um regresso ao cartaz do EDP CoolJazz, onde Lionel Richie atuou em 2015, quando o festival acontecia em Oeiras.

Lionel Brockman Richie Jr nasceu em Alabama em 1949, começou a sua carreira a solo logo depois da faculdade, preferindo seguir as artes musicais, em vez da licenciatura que tirou no Instituto Tuskegee, em Alabama. Em 1968, tornou-se membro da banda Commodores como vocalista e saxofonista e nasceram temas como “Easy", "Three Times a Lady", "Still” e "Sail On". Em 1982, Lionel Richie lança o seu primeiro álbum a solo, que incluía músicas como "You Are" e "My Love". Em 1984, o artista lança o álbum Can’t Slow Down que inclui um dos maiores sucessos musicais do artista, “Hello”. Ao longo dos anos, Richie continuou a produzir música, criando hinos que continuam a fazer parte da cultura musical. Com 37 nomeações para prémios como Oscares, American Music Awards e Globos de Ouro, Lionel Richie foi premiado 17 vezes ao longo dos anos pelos seus álbuns e temas únicos. Atualmente, é júri do American Idol e continua a pisar os palcos com a “Hello! Tour'”.

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7 ao mês com Josiah Konder


Desde que ouvimos Songs For The Stunned e, essencialmente agora, após a edição de Through The Stutter, os Josiah Konder tornaram-se a nova grande atração no panorama do rock alternativo através da sua sonoridade que é celestial e limpa, mas igualmente densa e profunda, sempre enriquecida por uma série de detalhes absolutamente hipnotizantes. Neste cenário de paixão, decidimos convidar o ensemble dinamarquês a participar na rubrica 7 ao mês, por forma a conhecer melhor os seus gostos musicais e principalmente os artistas/discos ou canções que inspiraram o seu trabalho e quem eles são.

Assim, para a edição de de novembro tivemos a oportunidade de conhecer um pouco melhor Julis Ernst (voz, guitarra, percussão), Anton Funck (baixo, percussão) e Albert Hertz (guitarra, percussão, outros instrumentos) através das suas escolhas musicais. Tirem alguns minutos e aproveitem para conhecer melhor os Josiah Konder através das suas próprias palavras.




JULIUS ERNST 


Jorge Ben - Fôrça Bruta (1970) & A Tábua de Esmeralda (1974)

Um nome gigante, é claro, mas eu provavelmente já ouvi estes dois álbuns milhares de vezes. Os temas dele têm uma qualidade brilhante e prima. A sua música aproxima as pessoas. É leve e divertida no seu som, mas profundamente enraizada e profunda. Estas qualidades como compositor e intérprete são extremamente raras para mim. A voz dele é honesta e instantaneamente cativa o ouvinte, é quente e curiosa. Ele vem de uma escola de música tão diferente da nossa e de um mundo tão diferente, mas tu sentes que é como se soubesses um pouco disso, através dele.








ANTON FUNCK 



Minais B - As the River At Its Source (2017) 


Fiquei completamente surpreendido em como uma obra experimental de música eletrónica poderia ter uma narrativa tão forte. Tudo neste disco se desenrola ao redor de uma sinergia espiritual, uma abordagem progressiva e inovadora dos sons eletrónicos, juntamente com um monólogo cativante que me atraiu a mim, o ouvinte, a um estado em que tudo o que eu podia fazer era escutar, paralisado, à espera que a próxima onda de som voltasse a atingir-me. Petrola80, a editora que lançou este disco, foi co-fundada pelo baterista dos Josiah Konder, Jens Konrad. O Jens costumava compartilhar histórias interessantes sobre a produção do disco, então senti que tinha uma conexão pessoal com ele. Então, quando finalmente tive o prazer de conhecer Minais B (também conhecido como Villads Klint) pessoalmente, percebi que - com base na minha incrível experiência com este disco - eu tinha muito medo de conhecê-lo. Eu estava simplesmente fascinado! 





Xenia Xamanek 


Fui vê-la (e à sua constelação ao vivo de 4 músicos) em concerto há alguns dias atrás em Copenhaga e fiquei simplesmente hipnotizado com a sua linda, penetrante e inspiradora criatividade e profundidade musical. Fez-me lembrar que a música está sempre à nossa volta o tempo todo e ela canalizou-a para a minha consciência com a sua própria visão precisa. Ela combina instrumentos como flauta, oboé e cordas com arranjos de voz, spoken word, paisagens sonoras sintetizadas e gravações de campo. Algo que se situa entre a eletrónica de vanguarda, os arranjos de voz e a performance artística e contemporânea.





John Frusciante - To Record Only Water For 10 Days (2001) 


Eu continuo a voltar a este álbum por uma série de razões. Em primeiro lugar, quando eu tinha 13 anos era obcecado pelo John Frusciante. Eu nunca fui um fã de Red Hot Chili Peppers, mas este álbum em particular é um dos que mexeu comigo a um nível espiritual. Do género, parecer um tipo de despertar musical. Tornei-me obcecado com a sua técnica de guitarra e disciplina na abordagem deste instrumento. Durante um certo período na minha vida eu passava mais de 8 horas por dia a tocar as suas músicas na guitarra. Em segundo lugar, sinto-me intrigado com o "som" deste disco. Foi gravado numa máquina digital de oito faixas com recurso à tecnologia antiga Minidisc e, posteriormente, transferido para cassete. Todas as guitarras e a maioria dos instrumentos foram gravados diretamente no dispositivo de mistura sem amplificação adicional, proporcionando à paisagem sonora uma espécie de sensação bruta de "volume máximo". Tudo, incluindo os vocais, ganha um formato de distorção, tornando-se fortemente comprimido durante as secções graves e transforma-se em algo mais quente e íntimo nas secções mais calmas. A produção, as músicas e as letras - tudo isto tem uma beleza crua e imperfeita também. 





ALBERT AAGAARD HERTZ 



Scott Walker – Scott 3 (1969) 


Scott Walker é um artista ao qual continuo a voltar e tem sido assim há muito tempo. Há algo realmente fascinante na maneira como ele equilibra uma tradição e a ideia dessa mesma tradição. Eu sinto que este movimento torna-se mais evidente nos seus trabalhos posteriores, mas também está presente nas coisas iniciais. Eu poderia ter escolhido qualquer um dos discos anteriores, mas decidi escolher este, pois acho que ele contém o melhor dos dois mundos. 





Ghédalia Tazartès ‎– Diasporas (1979) 


Há alguns anos atrás deparei-me com este magnífico viajador vocal e fiquei apaixonado desde então. Eu acredito que ele foi um tipo de introdução a exercícios de experimentação de voz, para mim, o que é algo que eu tenho apreciado bastante desde que soube da sua existência. Diasporas foi um dos seus primeiros trabalhos e é assustadoramente bonito e forte.




Se quiserem saber mais sobre os Josiah Konder aproveitem para os seguir através do Facebook ou através do Bandcamp onde podem comprar o seu trabalho.





---------------- ENGLISH VERSION ---------------- 


Ever since we listened to Songs For The Stunned and essentially now, after the release of Through The Stutter, Josiah Konder has become the new big attraction of the alternative rock scene through its heavenly and clean but equally dense and deep sonority, enriched by a series of absolutely mesmerizing details. In this passionate scenario, we decided to invite the Danish ensemble to participate in our rubric 7 ao mês in order to better understand their musical tastes and especially the artists/albums or songs that inspired their work and who they are. 

So for the November edition, we had the opportunity to get to know a little better Julis Ernst (voice, guitar, percussion), Anton Funck (bass, percussion) and Albert Hertz (guitar, percussion, other instruments) through their musical choices. Take some minutes off and get to know Josiah Konder in their own words.



JULIUS ERNST 


Jorge Ben - Fôrça Bruta (1970) & A Tábua de Esmeralda (1974) 


A giant of course, but I have probably listened to these two records thousands of times. His songs have a bright, primal quality. His music brings people together. It is weightless and playful in its sound yet deeply rooted and profound. These qualities as a composer and performer are extremely rare to me. His voice is honest and instantly brings you in, warm and curious. He comes from such a different school of music than us, and such a different world, but you feel like you know it a little, through him. 









ANTON FUNCK 



Minais B - As the River At Its Source (2017) 


It blew my mind how an experimental piece of electronic music could have such a strong narrative. Everything on this record plays out with a spiritual synergy, a progressive and innovative approach to electronic sounds along with a captivating monologue that lured me, the listener, into a state where all I could do was to listen, transfixed, waiting for the next wave of sound to come over me. Petrola80, the record label that released this record, was co-founded by Josiah Konder's drummer Jens Konrad. Jens would often share interesting anecdotes about the production of the record so I felt I had a personal connection to it. Then, when I finally had the pleasure of meeting Minais B (aka. Villads Klint) in person, I realized that -  based on my incredible experience with the record - I was quite afraid of meeting him. I was simply starstruck





Xenia Xamanek 


I went to see her (and her live constellation of 4 musicians) in concert a couple of days ago in Copenhagen and was simply mesmerized by her beautiful, sharp and inspiring creativity and musical depth. It reminded me that music is all around us at all times and she funneled that into my consciousness with her own, precise vision. She blends instruments such as flute, oboe, and strings with vocal arrangements, spoken voice, and synthesized/field soundscape. Perfectly caught on the floor between avant-garde electronic, voice arrangements and contemporary performance art. 





John Frusciante - To Record Only Water For 10 Days (2001) 

I keep coming back to this album for a number of reasons. Firstly, 13-year old me was obsessed with John Frusciante. I was never a fan of Red Hot Chili Peppers but this album, in particular, is one that resonated with me on a spiritual level. It felt like some sort of musical awakening. I became obsessed with his guitar technique and disciplined approach to his instrument, For a period of my life, I would spend well over 8 hours a day, tabbing all of his songs on guitar. Secondly, I'm intrigued by the "sound" of it. It was recorded on a digital 8-track using early Minidisc technology and then later transferred to analog tapes. All guitars and most other instruments were recorded directly into the mixer without further amplification providing the soundscape with a sort of raw, "Maxed-out-Volume" feel. Everything, including the vocals, distorts and becomes heavily compressed during loud sections and turns warm and intimate during the more quiet sections. The production, the songs, the lyrics - All of it has a raw, imperfect beauty too. 






ALBERT AAGAARD HERTZ 



Scott Walker – Scott 3 (1969) 


Scott Walker is an artist I continue to return to and has been so for a long time. There’s something truly mesmerizing in the way he is balancing on a tradition and the quotation of that very tradition. I feel this movement becomes more evident in his later works but is present in the very early stuff as well. I could’ve picked any of the earlier records but decided on this one as I feel it contains the best of both worlds. 






Ghédalia Tazartès ‎– Diasporas (1979) 


Some years ago I stumbled upon this magnificent voice traveler (voice jumper) and has been ever so in love since then. I guess he was some of an introduction to voice experiments for me, which is something I have enjoyed a lot since then. Diasporas was one of his very early works and it is hauntingly beautiful and strong.




If you want to know more about Josiah Konder make sure you follow them on Facebook or Bandcamp page where you can buy their work.



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The Somnambulist - "Doubleflower" (video) [Threshold Premiere]

© Arne Fleischmann

Two years after Quantum Porn (Slowing Records, 2017) the German trio The Somnambulist is back with a new full-length, Hypermnesiac that will hit the shelves next year. To present a little bit of the smell of the new Hypermnesiac, The Somnambulist is premiering its first single, "Doubleflower", through a new music video, released by the band itself, that you can watch first-hand down below.

In "Doubleflower" - a song developed by contracting and dilating the ideas, instead of opposing them within clear and definite changes - The Somnambulist offers us a piece of alternative rock through a sonority that is both fluid and vulnerable until we reach its end. It's definitely on the final moments that The Somnambulist creates an emerging insight that they have outputted previously with Quantum Porn, joining those crazy atmospheres of jazz fusion and improvisation elements that makes our hears extremely enthusiastic. 

The video for  "Doubleflower" was recorded in Berlin at BIT-Tonstudio with the help of photographer Arne Fleischmann and his assistant Falko Schmidt and pretty much describes how the band acts on the studio.


Hypermnesiac is expected to be released on February, 7th through Slowing Records. You can pre-order your copy here.

Hypermnesiac Tracklist:

01. Film 
02. No Sleep Until Heaven 
03. Doubleflower 
04. No Use for More 
05. At Least One Point at Which It Is Unfathomable 
06. Tom's Still Waiting 
07. Ten Thousand Miles Longer



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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Fotogaleria: Odete + DJ Nigga Fox [ACUD MACHT NEU, Berlim]


Na celebração do trigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, a Galeria Zé dos Bois levou até à capital da Alemanha os portugueses DJ Nigga Fox, Odete e Gabriel Ferrandini a tocar no ACUD MACHT NEU, num evento inserido na European Club Night. O evento que pretende ser um exemplo para uma Europa sem fronteiras abriu com Gabriel Ferrandini cuja performance não nos foi possível ver. 

Apesar disso a noite foi pautada essencialmente pelas batidas emergentes de Odete e DJ Nigga Fox, numa celebração que pode ser revisitada em fotografias, através da fotogaleria abaixo.


Fotografias: Guilherme Caeiro

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IAMTHESHADOW numa das noites suburbanas do Barracuda


Os portugueses IAMTHESHADOW, um dos nomes responsáveis por manter a cultura da darkwave underground ativa em Portugal, vão passar pelo Porto a 23 de novembro para um concerto inserido nas noite suburbanas do clube BarracudaO projeto criado em 2015 por Pedro Code (voz, sintetizador e guitarra) tornou-se num trio no final de 2016, com a adição de Vitor Moreira (sintetizadores) e Herr G (baixo e guitarra). Fortemente inspirados pelas sonoridades profundas e penetrantes dos anos 80, os IAMTHESHADOW apresentam melodias altamente cativantes e bonitas, pintadas num cenário tipicamente negro, onde a dança parece ser a palavra de ordem.

Ao Porto a banda traz o seu mais recente e terceiro disco de estúdio, Embracing The Fall (2018, North Shadow Records), um álbum feito para vangloriar a beleza do Outono e abraçar a chegada dos meses mais frios do ano.


Além dos IAMTHESHADOW, a nova edição das Noites Suburbanas inclui ainda DJ set que estará a cargo da dupla de DJ's Manuel Santos e Armando Marques que prometem um serão de personalidade vincadamente alternativa. Os bilhetes para este evento já se encontram em pré-venda e custam 8€. No dia do evento, à porta têm um custo de 10€. Todas as informações adicionais podem encontrar-se aqui.


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Xinobi junta-se a Mystery Affair para celebrar o dia de los muertos


Xinobi juntou-se à DJ e produtora mexicana Mystery Affair para celebrar o dia de los muertos. Em "Criaturas" somos brindados com sete minutos carregados de influências globais, single esse que tem ainda direito a um videoclipe bizarro e conta com a participação da atriz Maria João Pinho.

“Criaturas foi começado em Guadalajara, desenvolvido algures sobre o oceano Atlântico e terminado em Lisboa. A Mystery Affair é já uma amiga de alguns anos. Numa tour que fiz no México, fiquei em casa dela. Ela tinha acabado de improvisar um pequeno estúdio numa sala lá de casa e começar a fazer o Criaturas foi uma forma ótima de o experimentar”, explica Xinobi.

A vibração das tarolas lidera o caminho antes que um conjunto de buzinas assombradas ecoem em torno da tensão, gerando linhas de guitarra arrancadas. A voz de Mystery Affair entra em colapso, sussurrando elegantemente, antes que os sons profundos do baixo cheguem e a aplicação da técnica de slap bass fora de ritmo provoca acordes que vêm aumentar o ritmo já viciante.


Xinobi, depois de misturar a eletrónica e o fado com a voz da Gisela João em “Fado Para Esta Noite”, lançou o EP Piano Lessons que marcou a sua data de aniversário e foi construído à volta do piano. Mais recentemente, em conjunto com Moullinex, o duo apresentou “AZUL”, resultado de uma colaboração que já não acontecia desde 2011.

Mystery Affair conta já com 8 anos de experiência que a levaram aos maiores clubs e festas do México. Passou, também, por vários eventos nacionais e internacionais como The Social Festival Mexico, Rivera Sunsets, Berlinale (Berlim), Cannes Film Festival (França), Festival Internacional de San Sebastián (Espanha) e Fashion Week Mexico, onde partlhou palco com Peggy Gou, Jamie XX, DJ Falcon, Amelie Lens, entre outros.

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X-Wife nos Maus Hábitos - a alquimia de 15 anos a “alimentar a máquina”


Os X-Wife regressaram, no dia 7 de novembro, à “casa-mãe” para celebrarem 15 anos de Feeding the Machine, a primeira grande “peugada musical” da banda no panorama discográfico do início deste século, apesar de terem gravado em 2003 o EP Rockin' Rio e o single “Fall”, cujos temas viriam a fazer parte do álbum de estreia (2004).

A banda portuense criada em 2002 por João Vieira (guitarra e voz), Fernando Sousa (baixo) e Rui Maia (caixa de ritmos e sintetizadores) foi desde logo rotulada com uma sonoridade indie rock e pós-punk. Ao longo destes 17 anos editaram vários trabalhos como colectivo, mas abraçaram também outros projectos: João Vieira e Rui Maia, White Haus e Mirror People, respetivamente, e Fernando Sousa juntou-se aos Best Youth, There Must Be a Place e PZ.

A vontade de revisitarem e relembrarem o início da banda levou-os a juntarem-se em palco em vários locais do país, para uma simbólica tour de comemoração do Feeding the Machine.  No Porto, a segunda cidade por onde passaram, a noite foi entre “amigos”. Um retorno às origens e ao calor humano de todos os que ali se juntaram para participar na festa do regresso do “bom filho que à casa torna”.


Foi neste ambiente informal que João Vieira, Fernando Sousa e Rui Maia, entraram em palco, fazendo questão de utilizarem os instrumentos originais, para revisitarem os 11 temas do seu primeiro álbum: "New Old City", "Eno", "Fall", "Second Best", "Action Plan", "Clinic", "The Sound Of You", "Rockin' Rio", "Outside", "We Are" e "Taking Control". As pausas, entre músicas, pautaram-se por uma interação muito próxima com o público, o que intensificou a envolvência “familiar”, que nunca comprometeu, bem pelo contrário, a sua excelente e contagiante atuação.

A noite passou num ápice, mesmo que brindada com um encore. No final, o público deixava transparecer a enorme satisfação deste reencontro, que lhes proporcionou reviver e recordar, ao vivo, músicas tocadas com entrega, vigor e energia.

Parabéns X-Wife pela noite que nos proporcionaram, por nos fazerem recuar no tempo, sem nostalgia, mas sim com a vontade do vos ver juntos mais vezes!

Texto: Armandina Heleno

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Mick Harvey recordou e revisitou Serge Gainsbourg na Casa da Música


Foi em janeiro 2017 (mais vale tarde que nunca) que tive o primeiro contacto com o trabalho a solo de Mick Harvey com o disco Intoxicated Woman, o seu 4º e último volume da coleção de traduções e reinterpretações de Serge Gainsbourg (que à data eu também desconhecia). Conhecia apenas o seu excelente trabalho com Nick Cave & The Bad Seeds e a sua participação, no ano anterior, no disco excelente disco da PJ Harvey, The Hope Six Demolition Project, e pareceu-me um excelente momento para conhecer este músico. O resultado foi um dos meus discos preferidos desse ano com alguns temas como “The Homely Little Ones”, “Eyes To Cry” e “Puppet Of Wax, Puppet Of Song” que me fascinaram imediatamente.

 Em 2019, Mick Harvey era um músico que eu não esperava ver ao vivo, porém, a tour Mick Harvey plays Serge Gainsbourg fez uma paragem pelo Porto pelas mãos da House Of Fun num concerto obrigatório. Mick Harvey é um músico extraordinário e rodeia-se dos melhores na enorme banda constituída por James Johnston, Toby Dammit, Yoyo Röhm, JP Shilo e Xanthe Waite (sobrinha de Mick), alguns dos quais antigos membros de Nick Cave & The Bad Seeds e da banda de PJ Harvey.

O concerto teve início com uma pequena introdução do músico protagonista da noite explicando que, numa primeira parte, os músicos do quarteto de cordas iriam apenas observar e posteriormente participariam em algumas músicas. Ouviu-se, então, “Requiem (Requiem Pour Un Con)” a primeira amostra do talento dos músicos em palco que homenageiam da melhor maneira Serge Gainsbourg através da reinterpretação e tradução dos seus temas. Durante “The Barrel Of My 45 (Quand Mon 6.35 Me Fait Les Yeux Doux) subiu ao palco Xanthe Waite, neste tema, como guitarrista e vocais no seguinte, “69 Year Of Love (69 Année Érotique), abandonando o palco para reaparecer esporadicamente em temas que requerem uma voz feminina. Entre grande parte das canções Mick Harvey faz questão em dar um ar da sua graça mostrando um à vontade tremendo (fruto de 40 anos de palco) e um sentido de humor apurado.

Uma das canções que eu mais queria ouvir foi anunciada pelo australiano como sendo “a canção vencedora da eurovisão 1964, pelo Luxemburgo…mas numa versão um pouco diferente” e, assim, voltou Xanthe Waite para interpretar “Puppet Of Wax, Puppet Of Song (Poupée de Cire, Poupée de Son)” tema originalmente interpretado por France Gall e cantado pela sobrinha de Mick, também, no disco Intoxicated Woman. Em alguns temas, como por exemplo, “Coffee Colour (Coleur Cofe)” Xanthe foi acompanhada por uma segunda voz feminina.

Entre clássicos como “Bonnie and Clyde”, “Dedly Tedium (Ce Mortel Ennui)” e “Harley Davidson”, a banda, tocou 19 canções apresentando “Inicials B.B.” como o fim do espetáculo numa performance que faz jus à imponência do tema. Com alguma insistência do público, assim como alguma dispersão, houve um regresso para encore sem o quarteto de cordas. A revisita à obra do francês por parte de Mick Harvey terminou, então, com mais três canções, “Scenic Railway”, “Contact” e “J’Envisage” de Alain Bashung. Pouco depois do final do concerto o protagonista da noite aproveitou para partilhar umas palavras com os seus fãs e assinar discos com a maior simpatia possível.

Os temas do homenageado Serge Gainsbourg, mesmo traduzidos para inglês, mantêm a sua alma e são facilmente reconhecidos por quem apenas conhece as versões originais. Todos os músicos em palco demonstraram grande experiência e proporcionaram um excelente serão com um concerto imperdível. O humor e comunicação de Mick, embora não fossem algo essencial, ajudaram ao bem-estar geral e felicidade de toda a sala e ajudaram a cimentar este concerto como um dos melhores que assisti neste ano.



Texto: Francisco Lobo de Ávila 
Fotografia: Edu Silva

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Snarky Puppy apresentam novo álbum em Lisboa e no Porto


A superbanda de jazz Snarky Puppy está de volta a portugal para dois concertos que prometem ser inesquecíveis. Dias 22 e 24 de Março de 2020, o Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa e o Coliseu do Porto, respectivamente, recebem uma das mais acarinhadas bandas pelo público português nos últimos anos. 

Cruzam o jazz mais clássico com as novas influências e isso terá sido o que os levou a furar para chegar a públicos tão diversos. Sempre prontos a fazer aquilo que gostam, como mostram os 12 trabalhos entre 2006 e 2019, voltam agora a Portugal com o álbum lançado este ano, Immigrance. Nas palavras de Michael League, cara principal dos Snarky Puppy, o novo disco pretende passar movimento: “A ideia aqui é que tudo é fluido, que tudo está sempre em movimento e que estamos todos em constante estado de imigração.” 

Os bilhetes estarão à venda, a partir das 10:00 de dia 15 para Lisboa em BOL.pt e no Porto em TicketLine.pt pelo preço único de 30€. Os bilhetes físicos estarão disponíveis apenas nas lojas FNAC.


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Fat White Family regressam a Portugal em 2020



São um dos mais interessantes grupos da nova música britânica e regressam a Portugal no próximo ano. A tour europeia de apresentação do novo álbum dos ingleses Fat White Family, Serfs Up!, passa pelo país com concertos no Porto e em Lisboa.

Champagne Holocaust, o primeiro disco do grupo, introduziu os naturais de Peckham, Londres ao mundo com o seu rock descomprometido de influência psicadélica, um som que tomaria novas proporções com o sucessor Songs for Our Mothers, mais eclético e politizado e um dos melhores do ano para a publicação britânica The Quietus. Em Serfs Up!, editado em abril deste ano pela Domino, a visão distorcida do grupo é conjugada por uma refrescante sensibilidade pop. O tema "Tastes Good with the Money", cujo vídeo pode ser ser visto abaixo, contou com a participação de Baxter Dury na voz e realização de Róisín Murphy.

Os concertos acontecem nos dias 4 e 5 de fevereiro, primeiro no Hard Club, no Porto, e depois no Lisboa ao Vivo. Os bilhetes para ambos os concertos possuem o custo único de 23 euros e encontram-se disponíveis para compra amanhã.





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Mucho Flow: Um festival eclético que celebra o melhor da música contemporânea


A 7ª edição do Mucho Flow decorreu em 2 dias, ocupou 3 espaços diferentes e contou com atuações de 21 artistas. O festival organizado pela Revolve, promotora que comemorou este ano o seu 10º aniversário, é marcado por um enorme ecleticismo. Nomes de campos diferentes da música contemporânea reuniram-se em Guimarães nos dias 1 e 2 de novembro num cartaz para todos os gostos. Três dos nomes presentes (CTM, Croatian Amor e Damien Dubrovnik) integram a editora Posh Isolation, que também celebrou os seus 10 anos.

O CIAJG (Centro Internacional das Artes José de Guimarães) recebeu os primeiros concertos de cada dia, divididos entre uma sala do museu, onde os artistas e a audiência se encontravam rodeados pelas obras lá expostas, e a blackbox do mesmo edifício. Foi no museu que tocaram o pianista Marco Franco e a cantautora CTM. Esta apresentou o seu pop experimental a solo, servindo-se de um sintetizador e um computador. Juntou sons acústicos e eletrónicos muito limpos de forma imprevisível, criando uma atmosfera fria e serena. Foi uma pena quase todos os instrumentos terem sido reproduzidos em faixas pré-gravadas.

Na blackbox ouviu-se o goregrind dos Holocausto Canibal e o sintetizador modular de Hiro Kone. O seu concerto foi um dos mais dinâmicos do festival, havendo espaço para ambientes calmos e envolventes, mas também para momentos dançáveis de grande intensidade. A artista, impossível de enquadrar numa só caixa, levou o público numa fascinante viagem pelo mundo abrangente da música eletrónica, com passagens pelo IDM, o industrial e o techno. No dia seguinte, o quarteto português brindou um público pouco energético, mas bastante recetivo à sua música extrema, com uma grande dose de faixas de toda a sua discografia. Fizeram-se acompanhar de imagens sexuais ou violentas de diversos filmes e demonstraram um bom sentido de humor perante a falta de atividade e mosh pits. “Esta roda está espetacular”, comentou o vocalista a certa altura.



Foi num antigo edifício dos CTT que tocaram vários dos artistas mais esperados do festival. O rés-do-chão do espaço funcionou como uma pequena zona de restauração, com os concertos a realizar-se numa sala espaçosa alguns andares acima. Loke Rahbek, mais conhecido por Croatian Amor, foi o primeiro a subir ao palco. O co-fundador da Posh Isolation apresentou o seu mais recente álbum, Isa, cuja sonoridade pós-industrial incorpora sintetizadores etéreos e vozes robóticas. De seguida, subiram ao palco os Heavy Lungs, jovem banda britânica de pós-punk que lançou dois EP’s este ano. Num concerto especialmente intenso e energético, onde o vocalista chegou a cantar fora do palco e a guitarra passou pelas mãos das primeiras filas, o quarteto britânico deu tudo o que tinha e conquistou o público com singles como “Blood Brother” e "(A Bit of A) Birthday". Os Heavy Lungs não têm a criatividade e presença em palco dos seus amigos Idles, mas são uma banda em emergência que promete crescer nos próximos anos. Tocaram depois os muito ansiados Iceage, perante uma sala preenchida e umas primeiras filas especialmente entusiasmadas. A banda focou-se principalmente no seu último disco, Beyondless, e deu um concerto competente, marcado por alguns problemas de som. Destacaram-se as canções “The Lord’s Favorite” e “Catch It”, duas das melhores amostras do som atual da banda, sempre à volta do pós-punk e do punk rock.

No segundo dia foi no mesmo palco que se ouviu Chinaskee, BbyMutha e o trio Montanhas Azuis, composto por Norberto Lobo, Bruno Pernadas e Marco Franco. As composições da banda são tocadas em três sintetizadores ou dois deles e uma guitarra. A bateria eletrónica utilizada ocasionalmente e os sons dos sintetizadores são bastante retro, fazendo lembrar em certos momentos as bandas sonoras dos videojogos 16-bit. A atuação da banda foi calma e suave, repleta de improvisações por parte dos três membros. Por vezes parecia que as canções perdiam o seu rumo, com melodias intermináveis a estendê-las mais do que seria necessário, e um dos sintetizadores esteve exageradamente alto em comparação com os restantes instrumentos, mas o concerto foi uma boa amostra dos talentos deste supergrupo da Revolve.


As noites terminaram no Centro de Artes e Espetáculos São Mamede, onde ocorreram as performances mais tardias, a maior parte delas DJ sets. Foi aqui que tocaram os Damien Dubrovnik, dos quais é membro Loke Rahbek, neste caso também no papel de vocalista. Com os seus gritos poderosos e distorcidos a transmitir uma sensação de angústia, acompanhados por instrumentais densos e desorientadores que reforçaram esta ansiedade, o concerto foi ruidoso e intenso. Um dos mais surpreendentes do festival.

No entanto, o melhor ficou para o fim. Foi na reta final do segundo dia de festival que subiram ao palco os Amnesia Scanner. Autores de verdadeiros bangers como “AS Too Wrong” e “AS Chaos”, estão entre os artistas mais criativos e marcantes da música eletrónica atual e a sua atuação foi impressionante. Escondido por luzes fortes e acompanhado por dois pequenos ecrãs com visuais distorcidos e saturados, o duo finlandês criou um ambiente espetacular onde tanto os visuais como a música foram excessivos. Ouviu-se variações do seu trabalho de estúdio, com a incorporação recorrente do que pareceram ser samples de voz em português muito distorcidos. É nesses sons que se nota um dos maiores talentos do grupo, a desfiguração de samples e sintetizadores até estes se tornarem caóticos e ruidosos, criando timbres futuristas e ásperos que utilizam em composições dançáveis onde até podem ser incorporados ritmos de reggaeton.

O Mucho Flow 2019 contou com um cartaz multifacetado que é muito pertinente nos dias de hoje. As barreiras entre géneros musicais são ultrapassadas por muitos artistas contemporâneos e pelos seus ouvintes, fazendo todo o sentido existir um festival com tamanha variedade de sonoridades. Esperamos repetir a experiência em 2020.


Texto: Rui Santos
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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