quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Reportagem: Vodafone Paredes De Coura 2014



A Threshold Magazine marcou presença na última edição do Vodafone Paredes de Coura, mítico festival que já conta com 22 edições.

Dia 21

Na noite que deu começo ao festival, os Cage The Elephant foram o primeiro grupo a sério a atuar, depois da tentativa falhada de Capicua. Um concerto muito energético que não deixou ninguém indiferente e meteu toda a gente a saltar. Destaque para as músicas “Ain't No Rest For The Wicked” e “Come A Little Closer”, que o público sabia de cor e salteado.


A seguir foi a vez de Janelle Monáe subir ao palco. Apesar de não ser um tipo de música do registo habitual de Paredes de Coura, a energia e a atmosfera de diva da cantora fez com que o público se divertisse à brava e que, já depois de dois encores, continuasse a pedir mais.



Dia 22
No segundo dia, chegámos mesmo a tempo de ver Seasick Steve, e ainda bem. Com uma energia electrizante, o norte-americano de 73 anos fez com que o público desse tudo. Contámos mais de 90 crowdsurfers durante o concerto.



Pouco tempo depois, foi a vez de Mac DeMarco subir ao palco principal. O canadiano tocou principalmente músicas do seu último album, “Salad Days”, mas as canções melhor recebidas pelo público foram temas de “2”, como “Ode To Viceroy” e “Freaking Out The Neighborhood”. O concerto acabou com Mac a fazer crowdsurf durante a música “Still Together”.


A seguir foi tempo de ir até ao palco secundário ver os monstros do garage-rock actual, os Thee Oh Sees, que já tinham começado a tocar. Tocando malha atrás de malha, os californianos deram o melhor concerto do festival e o público respondeu como deve ser, com um moche que só terminou no fim do concerto. Depois deste concerto fenomenal, Chrvches e Franz Ferdinand souberam a pouco.




Dia 23
No terceiro dia chegámos ao festival já durante Linda Martini. Infelizmente não conseguimos ver Killimanjaro, por isso contentámo-nos pelo que conseguimos ouvir no campismo. Como o concerto de Linda Martini não estava a ser nada de especial, dirigimo-nos ao palco secundário para ver os Yuck. Os londrinos deram um bom concerto, tocando músicas dos dois álbuns que já lançaram e até houve espaço para uma cover de “Age of Consent” dos New Order.
De seguida descemos até ao palco principal, para ver os Black Lips. Mal os “bad kids” subiram ao palco, o público foi ao rubro, e mal se ouviu a primeira nota da “Sea of Blasphemy” toda a gente começou a dançar como se não houvesse amanhã. O concerto terminou com “Bad Kids”, o maior êxito da banda.



Às 02h00 subiram ao palco Vodafone os Cheatahs. Apesar de grande parte das músicas da banda soarem a um déjà-vu (ou neste caso déjà-entendu), deram um concerto razoável.





Dia 24

No último dia do festival, fomos até ao Penedo das Vistas, para ver os The Growlers tocarem no quadro da Vodafone Music Sessions. O surf rock dos californianos funcionou perfeitamente naquele espaço e toda a gente saiu de lá com um sorriso na cara.



Quando chegámos ao recinto já se ouvia a “Wakin' On A Pretty Day” de Kurt Vile. O ex-guitarrista dos The War on Drugs deliciou-nos com músicas que parecem ter sido escritas para serem tocadas em Paredes de Coura.



De seguida foram os The Growlers a subir ao palco, e mesmo tocando num ambiente muito menos intimista do que no mini-concerto no Penedo das Vistas, a banda não desiludiu.




Às 22h20, os Goat, que entrevistámos antes do festival, subiram ao palco Vodafone. A banda sueca deu um dos melhores concertos desta edição do festival, combinando muito bem a sua música psicadélica com todo o show visual. Uma autêntica festa.




Quando chegámos ao palco principal os Beirut já estavam a atuar. A banda de Zach Condon talvez tivesse sido beneficiada se tivesse tocado ao fim da tarde, mas àquela hora tornou-se num concerto super aborrecido muito rapidamente.



O último a atuar no palco principal foi James Blake. Com uma setlist bem variada, composta não só por temas dos seus dois álbuns, como também por músicas dos EP's, o britânico meteu toda a gente em trance.




E pronto, é assim o "Paredes", ou simplesmente, "Coura", como lhe chamam de norte a sul. O rio vai lá estar à espera do ano que vem, que se regresse para mais um conjunto de dias épicos. Boa música, e um excelente ambiente, é tudo o que Paredes de Coura oferece, ano após ano.



Texto: Helder Lemos
Fotografia: Hugo Lima