domingo, 18 de janeiro de 2015

Reportagem: Soviet Soviet [Maus Hábitos - Porto]



Os Soviet Soviet deram por encerrada, na passada quinta-feira, 15 de Janeiro, a sua passagem por Portugal, em base da última tour europeia que garantiu passagem por Vila Real, Lisboa e finalmente Porto. Numa sala composta e renovada, o Maus Hábitos, recebeu assim, pela primeira mais um dos eventos com a organização da Muzik Is My Oyster. Fora da MIMO Sessions, contudo, os italianos voltaram a figurar no cartaz no regresso à cidade que os acolheu na sua estreia em 2013. Na bagagem traziam Fate o seu mais recente trabalho de estúdio, editado também ele em 2013.


Apesar das 23h30 já terem passado há algumas dezenas de minutos, o público, embora ansioso, permanecia em ambiente de conversa ao som da playlist de fundo onde se pode ouvir "Straight" dos A Place To Bury Strangers. Cerca de vinte minutos depois da meia noite, e já numa visível massa populacional nas filas da frente, o trio italiano começou por abrir o concerto com o soundcheck a ter como resultado uma música improvisada. Os mais distraídos prestavam-se atentos, mas só quando os primeiros acordes de "Together" foram dados é que se notaram igualmente os primeiros gestos corporais do público. Era impossível não ficar contagiado pelo show do post-punk inicial que prometia uma noite bastante positiva na sua generalidade. 


Por entre êxitos como "Ecstasy" e "Further" é à meia noite e quarenta que a banda vê os primeiros problemas técnicos, a prosseguirem-se noite fora. A luz dos amplificadores caiu, e apesar do cuidado do baterista em fazer um solo para ultrapassar esse problema, na sucessão do concerto houve falhas que, para quem nunca os houvera visto antes, acabaram por tecer uma imagem menos positiva do resultado do concerto. É curioso notar no  baixista, e ao percorrer da setlist, uma imagem de insatisfação e, talvez por isso, a sua performance tenha sido um dos factos visuais mais marcantes da noite. 


O espectáculo de percussão que aconteceu em “Introspective Trip” merece repensar o resultado do concerto de uma forma diferente. Apesar do seu fim prolongado, os Soviet Soviet conseguiram meter grande percentagem do público, de facto, a passar por um trip instrospectiva, apenas denotada nos seus inquietos movimentos de cabeça. Afinal os problemas técnicos conseguem-se ignorar quando a restante mensagem da banda é transmitida. Ainda por entre a setlist perdida, o público portuense teve a oportunidade de ouvir “1990” e “Hidden”, ambas retiradas de Fate, e ainda "Lokomotiv" a receber destaque pela energia incansável de Alessandro Costantini. Em suma, e numa noite que terminou com o sistema auditivo da maioria do público presente, ficam as memórias de uma banda a abandonar um palco, que, embora desanimada, deixou o baixo em primeiro plano. 


Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Eduardo Silva

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