sábado, 28 de fevereiro de 2015

Oiçam: Tundra Fault


Tundra Fault é o novo projecto em apresentação em mais uma das nossas rubricas, desta vez em volta da música electrónica e igualmente com assinatura portuguesa, à semelhança de ZGA anteriormente recomendado aqui. Miguel De, natural de Ovar, é assinatura por trás de Tundra Fault e apresenta-se em formato longa duração com Whole, disco composto por oito faixas à volta de sonoridades como o techno na sua vertente experimental. E começam aqui os motivos pelos quais devem, de facto, ouvir Tundra Fault. O primeiro encontra-se na reprodução de "Voyage", a quinta faixa de Whole e uma das melhores do presente trabalho. O ideal é passar antes por "Breaking Orb" ou ficar a tripar um bocadinho em "Loose Self".
O segundo motivo encontra-se na cover art do álbum, haverá algo mais incrível que a fotografia do corpo humano masculino em loop a formar uma espécie de osso sobre um fundo preto? Mas o mais incrível é que visto de outras perspectiva facilmente parece um quadrado achatado em 3D, é maravilhoso como uma simples capa pode transmitir diferentes interpretações. O terceiro motivo passa pelas suas influências em vários artistas da música electrónica, nomeadamente The Field, Machinedrum, SHXCXCHCXSH, Conforce, Porter Ricks, Jon Hopkins e Throwing Snow. Todo o álbum resulta em si como um quarto motivo pelo facto de ter nascido de uma vontade de falar sobre a sexualidade e a forma como os corpos se relacionam pelo toque. 

Whole acaba assim por se tornar numa exploração das relações interpessoais em que a pessoa não existe, mas apenas o corpo, um corpo sem cabeça, sem identidade; e finalmente, da procura por essa mesma identidade. Tundra Fault apresenta assim, em Whole, uma sonoridade agressiva e negra, procurando atingir a ténue linha que separa o agradável do nefasto neste tipo de relações. É de ouvir.



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