segunda-feira, 2 de março de 2015

Ash Code em entrevista: "Este tipo de música funciona como o antídoto"


Tivemos a oportunidade de entrevistar os italianos Ash Code que vão pisar palcos nacionais, na sexta edição do Entremuralhas 2015. Tendo-se demarcado como uma das grandes revelações da coldwave/darkwave-postpunk europeia, após o lançamento do álbum de estreia, Oblivion, o trio respondeu-nos prontamente às oito perguntas que lhe colocámos. 

Threshold Magazine – Antes de partirmos para a exploração em volta do sucesso do vosso álbum de estreia gostaríamos de saber como começaram os Ash Code. Como se formaram, objectivos… 

Alessandro: Eu comecei o projecto em Janeiro de 2014, com a gravação de duas demos em estúdio que eu já tinha feito, foi quase como um jogo. Então decidi pedir algumas sugestões de melodias em sintetizadores à Claudia e ela trabalhou nelas muito bem. Posteriormente fiz o upload destas duas canções para o soundcloud, e o feedback que recebemos foi instantaneamente positivo, então decidimos fazer desta banda, uma banda a sério incluindo o meu irmão gémeo, o Adriano, no baixo.

TM – A primeira música que ouvimos dos Ash Code foi a cover do “I Can’t Excape Myself”, original dos The Sound. E foi a principal razão que nos levou a ouvir o Oblivion em loop na íntegra. Quais são as vossas principais influências? 

Adriano: Nós somos grandes fãs dos The Sound. Adoramos várias bandas dos anos 80, nomeadamente The Sisters Of Mercy, Bauhaus, New Order, mas também gostamos de bandas modernas como Din [A] Tod.

TM – Por falar no Oblivion, ele foi um sucesso na imprensa musical na altura em que saiu, e até para nós é de facto um álbum que afirma que o post-punk e os seus subgéneros serão uma forte aposta na cena da música nos próximos tempos. Na produção e composição do álbum quais foram os objectivos que pretendiam atingir? Sentem que foram cumpridos? 

Claudia: Durante o processo de composição e gravação nós tentámos fazer músicas que soassem de forma semelhante às nossas músicas favoritas, mas com algo fresco e novo, músicas que representassem os tempos actuais e não apenas uma cópia do passado. Depois tentámos descrever e comunicar alguns sentimentos onde as pessoas se podiam sentir a si próprias. Nós acreditamos que é importante experimentar sempre novas fórmulas como músicos, e esperamos ter conseguido transmitir isso. 

TM - Em Oblivion é facilmente encontrado um lado mais dark, nomeadamente em singles como “Empty Room”, mas igualmente um lado mais fofinho em singles como “Drama”. No futuro pensam em explorar mais que géneros? A voz feminina de Claudia poderá ser ouvida eventualmente num single mais sombrio que “Drama”? 

Alessandro: Não há limites, geralmente nós fazemos tudo aquilo que temos nas nossas mentes, esperamos desenvolver a nossa sonoridade e fazer algo diferente do que o nosso primeiro álbum. Actualmente estamos a trabalhar noutras canções com a voz da Claudia e composições com duas vozes. No momento, ainda não podemos revelar como irão soar.

TM- Ainda se encontram em tour de Oblivion, no entanto, pode ser esperado um novo trabalho em formato curta ou longa duração para 2015? Se sim, já é possível revelar pormenores? 

Claudia: Até agora, temos 6/7 músicas novas. E penso que iremos voltar ao estúdio em Junho novamente, e esperemos lançar um novo LP no outono de 2015.

TM - Depois de uns anos em que o psicadélico continua a dar cartas nos novos festivais, sentem que é no final da década de 10 que finalmente possa haver uma revolução musical? Isto é, a níveis económicos, são cada vez mais os países a reprimirem os cidadãos com regras e condições de vidas difíceis para os sonhadores e são cada vez mais os projectos musicais que se decidem manifestar através da dark electronics, synth post-punk, coldwave, entre outros. Sentem que no futuro seja esta coldwave que se manifeste em revolução de uma década decadente? 

Claudia: Eu comecei a ouvir este tipo de musica quando tinha uns 12 ou 13 e lembro-me que na altura, o darkwave e post-punk não eram tão valorizados como agora. Eu julgo que este tipo de música descreve perfeitamente a preocupação da qual abordavam na questão, já que é na coldwave que se conseguem encontrar sons obscuros que evocam o isolamento do homem contemporâneo. Acho que ele próprio se sente excluído da sociedade, e este tipo de música funciona como o antídoto. Por isso, sim, acredito que este género irá crescer cada vez mais, mesmo que num estilo mais moderno

TM – Podem dizer-nos que bandas têm andado a ouvir ultimamente? 

Alessandro: Na nossa playlist, temos o Lament dos Einstürzende Neubauten e The Gold Night dos White Hex, entre outros. Os novos LP's de The Soft Moon e dos A Place To Bury Strangers parecem-me igualmente bastante interessantes.

TM – Vão estrear-se em Portugal em Agosto no Entremuralhas. Quais as expectativas para Portugal em termos de público e de ambiente?

Adriano: Há uns tempos atrás nós vimos vários vídeos do festival no youtube, e ficamos fascinados com o espaço, particularmente pelo palco e respectivas performances na Igreja da Pena. Receber um convite para tocar neste festival e ainda para mais naquele palco foi uma  proposta bastante excitante. Nós temos bastante feedback de fãs portugueses e esperamos honestamente um grande festival de um concerto escaldante.

TM - Foi um prazer falar convosco!


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