quarta-feira, 25 de março de 2015

[Review] Ermo - Amor Vezes Quatro EP


Amor Vezes Quatro // TOSSE // Março de 2015
8.2/10

Um. Depois dos vários adiamentos da data do lançamento do novo curta duração Amor Vezes Quatro, devido ao projecto paralelo Leviatã de Bernardo Barbosa e criação da TOSSE - nova editora portuguesa -, os Ermo finalmente editaram o novo EP, que sucede assim Vem Por Aqui, um dos melhores álbuns nacionais lançados em 2013.  Amor Vezes Quatro é curiosamente um conjunto de quatro canções, das quais a primeira metade tem na lírica, como tema subjacente, o amor. Aliás, logo em "Amor Vezes Quatro", a abertura deste curta duração, somos confrontados, novamente, com um "poema" sobre as questões existencialistas, através da análise do valor de amar, "Mas de que nos vale a vida em poder amar?". No seu total, trata-se de uma composição que apresenta o lado mais sombrio dos trabalhos dos Ermo.

Dois. À semelhança do anterior trabalho, o duo bracarense volta a apostar na lírica enriquecida, e "Súcubo", o primeiro single de avanço, é um dos singles que merece  destaque pela mensagem que transmite. Despido de uma produção luxuosa, o foco principal da faixa concentra-se na voz de António Costa, que incorpora um personagem  abandonado na sua solidão, enquanto procura loucamente por prazer: "Eu deito-me e toco-me"; "Como que tentando saciar uma fome que não é minha". A realidade é aqui razão de afastamento, pela tentativa de finalizar o lazer do referido personagem, e é-o de tal forma, que acaba por conduzir Amor Vezes Quatro, a mais um álbum adaptável a situações do dia a dia. E é este resultado consecutivo que faz dos Ermo uma das melhores bandas nacionais da actualidade, esta capacidade de retratar as díspares mentes de uma sociedade, através de uma lírica portuguesa. 

Três. Ainda dentro do tema da sexualidade, e desejo da procura do prazer, encontra-se "Fado Teu", segundo avanço deste curta duração, apresentado através de um instrumental bem mais optimista, dentro do ritmo de "Primavera" (Vem Por Aqui)Amor Vezes Quatro finaliza-se assim com "Recreio", a faixa com a maior exploração em termos instrumentais. Um símbolo da performance dos Ermo ao vivo, reproduzido em formato exclusivamente auditivo. António Costa volta a apostar na interpretação de múltiplas personagens  e canta-o de forma quase teatral na referida faixa. No entanto, Amor Vezes Quatro é um disco, no geral, mais calmo e introspectivo que o seu antecessor, o que não ocorre por uma maturidade acrescida, mas sim pela exploração afincada das excelentes capacidades do duo bracarense como artista, o que o torna igualmente numa obra de referência de 2015.

Quatro. Uma das particularidades dos Ermo é o facto de cada faixa produzida funcionar como algo independente, mas ao mesmo tempo enraízado nos restantes singles que a acompanham. À semelhança de Vem Por Aqui, o duo volta a apresentar um trabalho coerente e coeso, através de quatro composições muito boas, que juntas fazem deste curta duração, um registo da arte contemporânea na área musical.

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