domingo, 19 de abril de 2015

Reportagem: Lisbon Psych Fest - Teatro do Bairro [Lisboa]


DIA 1
22h04 - Tess Parks
Quando o concerto começou, a artista já tinha aquecido o Teatro do Bairro com algumas musicas durante o soundcheck. O recinto ainda estava um pouco vazio, mas os presentes já estavam atentos. Desde logo começou a distribuir um rock calmo, com guitarradas pelo meio das músicas, e com a voz rouca de Tess Parks, perfeita para o seu estilo musical. Depois da primeira musica seguiu com "Cocaine Cat", música que colaborou em estúdio com Anton Newcombe (The Brian Jonestown Massacre), durante a performance desta, foi possível viajar pelo meio das emoções que Tess exprimia na letra, ao fechar os olhos, o que foi um dos pontos altos da noite. Tess Parks, sempre bem disposta e faladora a animar o público, acabou a sua actuação com "Somedays", o que concluiu assim um concerto bonito para abrir a noite e o festival. Fim do concerto - 22h40. 

22h50 - PAUW 
Pouco depois de Tess Parks ter abandonado o palco, o quarteto holandês PAUW veio mostrar um rock psicadélico por vezes mais mexido, por vezes mais calmo. Depois da primeira música, “Abyss”, a banda agradeceu a Lisboa e explicou como o nome deles não significava "pau" em português, mas sim “pavão”, fazendo soltar risadas pelos presentes. Muita gente assistia o concerto do balcão, como se o concerto fosse uma sessão de cinema, mas os que estavam a assistir da plateia aproveitavam os momentos mais energéticos para dançar. Antes de acabar, a banda ainda disse que conduziu durante 24 horas para estar no Lisbon Psych Fest, concluindo de seguida com o seu famoso novo single "Shambhala", o que foi um excelente concerto que fez acordar o público.


23h50 - thelightshines 
A banda londrina começou o concerto quase de repente, arrancando directamente do soundcheck, sem avisar ninguém. O recinto já estava, agora, cheio para ouvir o rock psicadélico dos thelightshines, as pessoas iam falando com os amigos, desfrutavam assim o concerto e a noite. Tocavam riffadas distorcidas pelo meio de algumas músicas, o que transformava o psicadélico calmo dos thelightshines em algo mais enérgica e rockalhada, com muito bom resultado, pois os presentes agradeciam esta transformação a dançar. E foi neste ambiente que o concerto seguiu rumo ao final, resultando num concerto geral bastante bom. - Fim do concerto - 00h30 

00h55 - Black Market Karma 
O festival continuou com Black Market Karma, banda inglesa com cinco membros, que mostrou um psych rock pesado com músicas enérgicas em que as guitarradas eram frequentes. A atmosfera era muito boa, os presentes começavam a dançar nas partes mais mexidas das músicas, e o público ia aplaudindo forte a banda. O quinteto acabou o concerto com uma nova música, enorme riffada distorcida, que para o fim tornou-se extensa e repetitiva demais (aproximadamente 10 minutos), duas pessoas ainda saltaram para o palco, e o baixista, alinhando na brincadeira, colocou os dois homens a tocar pandeireta, o que concluiu assim um concerto razoável, em ambiente de festa. Fim do concerto - 01h50 

02h15 - Keep Razors Sharp 
Com o recinto já menos cheio devido à hora tardia, os Keep Razors Sharp entraram em palco para nos saudar com "Five Miles", tema do álbum homónimo lançado este ano. O público estava mais cansado, mas ainda assim celebrou esta entrada. A banda não demorou muito até inundar o Teatro do Bairro com a sua enérgica malha " 9th", o ambiente era de festa pelos sobreviventes, mas, infelizmente, seguiram-se alguns problemas técnicos com a guitarra de Luís que ocuparam alguns minutos, durante “Salt Flats”, o que não fez desesperar os fãs, nem impediu que o concerto continuasse em grande. Quando anunciaram a última música, os Keep Razors Sharp chamaram ao palco “um amigo que esteve a beber uns copos com eles”, e logo a seguir a estas palavras, Paulo Furtado (aka The Legendary Tigerman) entrou em palco para tocar “Africa on Ice” com a banda - entrada que provocou vários aplausos. Depois de terem saído do palco, os Keep Razors Sharp voltaram para um encore e acabaram a noite em grande com “I See Your Face”, concluindo assim a noite com um dos melhores concertos do Lisbon Psych Fest

DIA 2 
22h30 - Basset Hounds 
Os portugueses Basset Hounds foram os escolhidos para abrir o segundo dia do festival, com um rock psicadélico virado para o surf. A atmosfera era amena, pois o recinto ainda não estava cheio, mas alguns dos que já estavam presentes dançavam. Infelizmente, o baterista anunciou "Temos um set curtinho mas é sempre a dar tudo”, e não demorou muito até fecharem o concerto com "Over the Eyes", malha que vai estar no primeiro álbum da banda a ser editado este ano. Em grande, com uma guitarrada pelo meio que causou palmas e com outra guitarra a raspar o chão, os Basset Hounds terminaram assim um set curtinho, mas energético, de meia hora, que serviu para abrir o olho às pessoas que vieram mais cedo para o Teatro do Bairro

23h15 - My Expensive Awareness
Seguiram-se os My Expensive Awareness, banda de psych rock espanhola, que veio pela primeira vez a Portugal para dar um concerto no Lisbon Psych Fest, tendo passado uns dias antes por Évora. Vieram mostrar um psicadélico mais ameno, deram um espectáculo diferente, mas que obviamente entreteu o público, pois alguns ainda dançavam na fila da frente. O ambiente estava um pouco mais fraco que em Basset Hounds, mas o recinto mais cheio, a vocalista esteve sempre simpática com o público, agradeceu por se estrearem em Lisboa nesta primeira edição do festival. E foi neste ambiente que o concerto teve fim, com o cheiro do incenso que a banda tinha aceso no palco a inundar a plateia. Fim do concerto - 00h00 

00h20 - Desert Mountain Tribe
Os Desert Mountain Tribe, trio britânico com um psych rock mais pesado, vieram de seguida para fazer acordar alguns dos presentes. As pessoas iam descendo do balcão do Teatro do Bairro para a plateia ao som da guitarra distorcida e da voz destruidora de Jonty Balls. A energia que a banda distribuía gerou uma atmosfera vibrante. O ambiente era agora de festa, embora com alguns problemas técnicos, que cortaram a voz durante uma música, mas que não impediu as pessoas de continuarem a sentir o concerto. A última música começou calmamente, com Jonty Balls a tocar gentilmente os acordes, o que causou um “fechar de olhos” a muitas pessoas, mas a óbvia guitarrada distorcida chegou, conseguindo-se sentir a emoção na voz de Jonty, que agradeceu no final ao público pela boa resposta ao longo do concerto. 

01h20 - dreamweapon 
Pouco tempo depois, a banda portuense, dreamweapon, entrou em palco para dar continuidade à noite. Vieram a Lisboa a pouco dias de editarem o seu primeiro disco, pela editora Lovers & Lollipops, já com algumas músicas novas na manga. A atmosfera estava mais fraca e o recinto mais vazio, mas isto não impediu a banda de distribuir o som espacial das suas guitarradas distorcidas, através de músicas longas e pesadas, que puseram alguns dos presentes a navegar pelo espaço. O estilo dos dreamweapon é muito próprio, alguns pareciam desfrutar do concerto, outros nem tanto, e isto fez o Teatro do Bairro esvaziar-se aos poucos, o que também se devia às altas horas que eram. E foi neste ambiente que o concerto terminou, tendo sido bom para as pessoas que o desfrutaram. 

02h30 - The Vacant Lots
Depois de vários minutos de soundcheck, os The Vacant Lots vieram para dar o último concerto da noite e do festival. O Teatro do Bairro já estava muito mais vazio que o seu auge, mas isto não impediu o duo americano de dar um dos melhores concertos do festival: a energia que pairava assim o comprovava, a guitarra energética de Jared Artaud sucedeu numa tentativa de acordar o público cansado. Na última musica, Jared saiu de rompante do palco, ainda voltando para um encore logo de seguida, onde tocou, no meio do público uma guitarrada notável. O ambiente era incrível, mesmo já sendo 3h30 da manhã, no entanto as pessoas ainda tinham energias para dar um último passo de dança, terminando assim a primeira edição do Lisbon Psych Fest em grande, que foi muito bem conseguida e nós deixou ansiosos pelo próximo ano. 03h30 - Fim do concerto.


Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Joana Pardal

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