quinta-feira, 7 de maio de 2015

Reportagem: God Is An Astronaut - Armazém F. [Lisboa]


A segunda-feira é o dia mais triste da semana, não há como negá-lo. Certo é que esta (a de dia 04 de Maio) foi bastante mais fácil de se ultrapassar do que as outras 16 já passadas. Os God Is An Astronaut foram a nossa luz ao fundo túnel, a salvação perante o início da rotina e da monotonia de mais uma semana de trabalho, sendo este forçado ou não. 
Uma sala à beira rio foi o suficiente para uma noite (ou fim de tarde, visto os dias serem mais longos) bem passada na companhia de algumas das melhores planícies sonoras feitas dentro e fora de portas. Às 21h em ponto sobem ao palco os Katabatic que já estão habituados a estas andanças. Depois de abrirem para os Caspian, estes pós-roqueiros regressam às grandes salas, contando já com alguma notoriedade dentro do género, em Portugal. 
O público, não muito numeroso, que se encontrava no Armazém F. agitava a cabeça e gesticulava ao ritmo da música proporcionada por João, José e Tiago. Este power trio endiabrado, e pouco comunicativo, cumpriu muito bem a sua função de aquecer os presentes, e mesmo aqueles que pouco se importavam com a banda de abertura não saíram dali desiludidos. Foram 40 minutos de headbang intensivo ao som de uma bass line potente capaz de fazer inveja a muita banda de metal que por aí anda. 

Ainda antes das estrelas do dia entrarem em cena, vemos um astronauta, vestido a rigor (com símbolos da Nasa e tudo) a ser barrado à entrada do Armazém. Dizem os seguranças que o capacete punha em risco a integridade física dos espectadores. Depois de muita insistência, o descendente português de Yuri Gagarin lá conseguiu entrar para tirar umas fotos com a pessoa do bar que, entretanto, desaparecera no meio do fumo. Eram os God Is An Astronaut a aterrar em Lisboa. 
“The End Of The Beggining” retirada do seu primeiro álbum com o mesmo nome, foi a primeira música ouvida neste concerto lisboeta, mostrando, logo de início, um Jamie Dean descontraído e bastante comunicativo proferindo, logo após a sua interpretação, um valente “Obrigado”. “Fragile” foi tocada de seguida e, após a anunciação de “Echoes”, ouvimos uma grande ovação por parte dos fãs, uma das músicas mais aplaudidas da noite. Já com o público bem aquecido, a banda atira-se a a novos caminhos antecipando músicas que estarão presentes no seu futuro disco Helios/Erebus, com data de lançamento a 21 de Junho. O público reagiu bastante bem e até cantou algumas partes das novas músicas, a pedido de Jamie Dean. O músico saltou para o meio da plateia, de guitarra ao ombro, agitando os seus longos cabelos à medida que a “Worlds In Collision” chegava ao seu clímax. Pelo meio, aproveitou para tirar algumas selfies com o público e, posteriormente, do público, com a câmara de uma fã situada na primeira fila. 
“Fire Flies And Empty Skies” e “Forever Lost”, ambas de All Is Violent, All Is Bright, o álbum mais conceituado da banda, foram guardadas para o final, mantendo sempre o espírito bem aceso, sem deixar resfriar os ânimos. A última das duas encerrou o suposto alinhamento, porém , a banda confessou que não faz encores porque não gosta de mentir aos seus fãs, virando-se de costas para o público e pedindo a estes que reajam da mesma forma como se eles tivessem saído e voltado ao palco. O público reagiu ainda mais euforicamente, rindo desta brincadeira feita pelos Irlandeses. “Suicide By Star” seria mesmo a faixa que punha termo a este concerto, cerca de um ano e meio depois da sua última vinda a terras lusas. 
Passado pouco tempo, a banda regressaria ao palco, não para tocar mas sim para falar com os seus admiradores e assinar alguns discos e bilhetes. Uma boa atitude de uma banda já algo consagrada, mostrando que nem todo o “rock” (ou o que lhe quiserem chamar) é feito de vedetices. Aproveitámos a deixa e decidimos perguntar aos irmãos Torsten e Niels Kinsella, membros fundadores, para quando é que estava agendada a digressão de promoção deste Helios|Erebus, ao que responderam que lá para o final de 2016 e/ou inícios de 2017 poderíamos contar com eles de regresso ao nosso país. Esperemos que a promessa se cumpra e até lá ficamos com as boas recordações deste concerto guardadas na nossa cabeça, enquanto ouvimos “Exit Dream” e nos lembramos de tudo o que aconteceu na não-tão-má segunda-feira passada.


Fotografia e Reportagem: Diogo Oliveira

0 comentários:

Enviar um comentário