quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Reportagem: Pega Monstro + Éme [Galeria Zé dos Bois, Lisboa]


Foi no dia 14 de fevereiro, dia de S. Valentim, um domingo chuvoso e nada apetecível às saídas de casa, que as Pega Monstro vieram até a Galeria Zé dos Bois, acompanhadas por Éme, para dar o último concerto da sua tour europeia. O dia estava difícil para quem tentava chegar ao Bairro Alto, durante a tarde foi raro o momento em que não chovia, ou em que não se sentia o frio vento de Inverno. Mas mesmo assim, isto não impediu as irmãs Reis, ou Éme, de terem a casa esgotada só para estas duas bandas da Cafetra Records. O ambiente na ZDB era um bocado misto, havia pessoas que iam chegando ao Bairro Alto com a notícia do evento estar completamente esgotado, depois de terem passado pelo frio temporal dessa tarde só para estar ali. Os que tinham conseguido entrar na ZDB estavam confortáveis no bar, ou no aquário, à espera do primeiro concerto desta matiné. Pouco passava das 18 horas quando João Marcelo (a.k.a. Éme) entrou sozinho em palco, numa situação algo caricata, em que o artista não acertava com a afinação da sua guitarra, este dizia que a culpa era de não estar em digressão, e que não estava habituado às novas tecnologias de afinação, mas passado um bocado, o artista lisboeta finalmente acertou no seu tom, e assim começou o concerto.



Éme passou por algumas das suas malhas antigas, tais como “Um Lugar”, “Confusão” e “Lisa”, que iam sendo seguidas por um coro baixinho e tímido, num ambiente amoroso. O lisboeta ia agradecendo de uma forma carinhosa ao público, isto devido ao facto do aquário estar completamente cheio num dia de temporal. Houve até espaço para uma dedicatória ao dia de S. Valentim, onde Éme fez questão de tocar uma “música triste para caraças”, como anunciado pelo próprio. 




Findado este agradável set de abertura, que teve os merecidos aplausos por parte dos presentes, foi a altura das Pega Monstro entrarem em palco. As irmãs Reis vieram mais uma vez à Galeria Zé dos Bois, onde desta vez, tiveram a oportunidade de encerrar a sua tour europeia, numa espécie de segunda casa. As lisboetas começaram a festa com “Braço de Ferro” e “Branca”, ambas do seu último álbum, Alfarroba, e o público mais ansioso não hesitou em começar um pequeno mosh pit na frente, pequeno, mas dos bons. 





O ambiente agora era de uma festa mais enérgica, esta que provavelmente se fazia ouvir por grande parte do Bairro Alto, o que não é nada surpreendente vindo do duo que pisava o palco. Uma das coisas que distingue as Pega Monstro de muitas outras bandas é a emoção nas letras, os sentimentos que as irmãs Reis nos transmitem, através da sua música, faz com que a experiência de ver Pega Monstro ao vivo seja algo de muito especial. A banda lisboeta tocou grande parte de Alfarroba, passando por músicas como “Não Consegues”, “Amêndoa Amarga” e “Voltas Pra Trás”, além das que já foram referidas anteriormente.





Todas estas músicas foram interpretadas pelas Pega Monstro de uma maneira incrível, com mérito também para todos os presentes que contribuíram para o ambiente vibrante sentido no aquário. No final, viam-se caras cheias de satisfação a abandonar a ZDB, provavelmente com os ouvidos ainda a zumbir, mas completamente satisfeitas por estes concertos, o que certamente compensou toda a chuva, mau tempo, e desgostos do dia de S. Valentim.


Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Vera Marmelo (retiradas do Facebook da ZDB)
Vídeo: Francisco Correia (retirado do YouTube da Cafetra Records)