terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

[Review] Filho da Mãe & Ricardo Martins - Tormenta


Tormenta // Revolve // fevereiro de 2016
7.3/10

Foi em maio do ano passado que dois grandes nomes do panorama musical português se juntaram para gravar um álbum colaborativo. Estamos pois a falar de Rui Carvalho, exímio guitarrista português que fez parte dos If Lucy Fell e I Had Plans, dedicando-se mais tarde a solo sob o nome de Filho da Mãe, responsável pelos tão aclamados Palácio (2011) e Cabeça (2013), e do incansável Ricardo Martins, um dos melhores percussionistas portugueses, parte integrante de projetos como Lobster, Cangarra, Papaya, NOZ2 e mais recentemente colaborador de Jibóia em Masala

O single “Tormenta”, tema de ritmos ferozes e impetuosos, foi a primeira amostra desta união e deu o título ao álbum colaborativo, mas lamentavelmente não está presente neste trabalho. Rui Carvalho trocou a guitarra clássica, tão presente em Filho da Mãepela guitarra eléctrica e com a ajuda de Ricardo Martins, criaram um álbum de atmosfera mais negra, densa e enérgica, que bebe de influências do post-rock progressivo e experimental  

Tormenta é constituído por seis temas exclusivamente instrumentais, criados em sessões de improviso, segundo uma entrevista do duo à radio RadarHá duas grandes malhas neste LP, "Estrela Acabada" e a surpreendente "A Tia Dela". A primeira consegue explorar, em cerca de sete minutos de duração, um jogo calmo de guitarra e bateria que nos faz recordar uma versão mais post-rock dos Dead ComboA segunda foge ao resto da sonoridade apresentada, assemelhando-se a uns Battles, tanto na percussão como na experimentação.

"Pessoal Beto Em Sítios Chungas" é a faixa do disco que mais se parece com o single "Tormenta", pesada e densa, espelhando bem a sonoridade do álbum. A faixa final "Truta Salmonada", que apresenta uma faceta mais virada para o math rock dos Shellac, funcionaria melhor como um interlúdio para o single "Tormenta", o qual seria um ótimo complemento às restantes seis faixas, permitindo deste modo um final não tão abrupto.


Tormenta trata-se de um trabalho facilmente audível em que a guitarra e a bateria se encontram em equilíbrio, com igual protagonismo no resultado final, no entanto, não representa nenhuma inovação no panorama musical atual. Certamente que ouvir Tormenta ao vivo será uma experiência mais emocionante.