terça-feira, 30 de outubro de 2018

Reportagem: Author & Punisher + ATILA [Maus Hábitos, Porto]


Na passada quarta-feira a sala de concertos do Maus Hábitos foi invadida por sonoridades sombrias, mecânicas e ruidosas. Primeiro pelas mãos de Miguel Béco, também conhecido por ATILA, e depois pelo americano Tristan Shore, Author & Punisher.

Por volta das 22h30 começou o concerto de ATILA, um artista que tinha visto ao vivo anteriormente em 2014. Não sabendo exatamente o que esperar da sua atuação, acabei por ficar surpreendido e satisfeito. O músico, que lançou o ano passado o álbum Body, juntou ambientes negros e por vezes ruidosos e pesados a ritmos dançáveis, apresentando todas as músicas de forma continua e nunca quebrando a atmosfera dinâmica que se ia transformando ao longo do concerto. Foram controlados loops e sons vindos de um computador, enquanto que outros eram tocados pelo artista num teclado. Efeitos foram alterados, adicionados e removidos conforme necessário e ao mesmo tempo um vídeo a preto e branco era projetado. Neste, filmagens sobrepunham-se umas às outras, criando imagens algo estranhas que combinavam com a música que se ouvia. Foi um bom concerto, onde os aspetos rítmicos e atmosféricos das músicas contrastavam uns com os outros, criando um ambiente constantemente interessante e envolvente. 



Com uma sonoridade mais agressiva e virada para o industrial metal, tocou depois Author & Punisher. O artista e engenheiro mecânico Tristan Shore rodeou-se de instrumentos criados por si mesmo e tocou uma setlist que incluiu músicas do seu novo álbum Beastland, lançado este mês. Vê-lo a controlar todos os seus mecanismos e produzir sons agressivos e orgânicos com movimentos do seu corpo e máquinas estranhas tornou o seu concerto numa experiência especialmente fascinante e memorável. (Vejam no site dele alguns exemplos das suas criações: Trachea Quad Mic, Linear Actuator, Rack and Pinion.) Isto não fez, no entanto, com que a música fosse ofuscada, remetida para segundo plano. O som estava alto e as músicas foram explosivas, pesadas e abrasivas. Um pouco repetitivas por vezes, mas, no geral, suficientemente poderosas e caóticas para manter qualquer um atento. O público demonstrou o seu entusiasmo ao longo do concerto e Author & Punisher preencheu a sala com as suas músicas. Independentemente do interesse que tenham em ouvir os álbuns dele, recomendo que o vejam ao vivo. É uma experiência muito boa que permite ver em ação alguns dos instrumentos mais originais que já presenciei. Um artista a não perder em concerto.


Author & Punisher + ATILA [Maus Hábitos, Porto]

Texto: Rui Santos
Fotografia: David Madeira

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