sábado, 20 de outubro de 2018

STREAM: SUIR - SOMA


Os alemães SUIR editaram esta semana o seu novo disco de estúdio, SOMA, uma das grandes surpresas do ano, pela sua sonoridade atmosférica, densa e profunda, que se move constantemente entre o post-punk, o shoegaze sombrio e o art punk, além de outras ondas de resistência.  Entre uma constante interação de guitarras e sintetizadores, apoiada por batidas eletrónicas e minimalistas, além da lírica essencialmente melancólica, a dupla formada Denis Wanic e Lucia Seiss apresenta em SUIR um daqueles discos que é difícil de rotular, mas que é fundamental ouvir.

O disco foi escrito e produzido em Warsaw pelos SUIR e masterizado por Philipp Läufer (Bleib Modern, Black Verb Records). Uma edição altamente recomendada aos fãs de Sonic Youth, Bleib Modern, Slint, entre outros, que pode ser agora reproduzida na íntegra abaixo.

SOMA foi editado esta quinta-feira (18 de outubro) pelos selos Black Verb Records (cassete, vinil) e Manic Depression Records (CD). 


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STREAM: Flak - Cidade Fantástica

Vitorino Coragem ©

FLAK é um músico e produtor que fundou bandas como Rádio Macau e Micro Audio Waves. Conta já com uma carreira de mais de 35 anos e este ano está de volta com um novo disco a solo, Cidade Fantástica - o último disco a ser gravado no agora extinto Estúdio do Olival onde ao longo de 30 anos FLAK gravou e produziu largas dezenas de discos, entre eles de Rádio Macau, Jorge Palma, Entre Aspas, GNR, Micro Audio Waves, entre muitos outros.  Em 2017, FLAK uniu forças com Benjamim (pseudónimo de Luís Nunes), tendo em vista a gravação dum sucessor do há muito esgotado álbum a solo homónimo lançado em 1998.



"Ao Sol da Manhã" e "Manto Branco" foram os singles de apresentação deste novo disco, que chegou ontem às plataformas digitais e terá também edições em CD e Vinil, que chegarão às lojas a 9 de Novembro.



Os concertos de lançamento, por sua vez, serão no Teatro Ibérico, nos dias 8 e 9 de Novembro, às 21h30m. Em palco com o FLAK estarão António Vasconcelos Dias, Zé Guilherme Vasconcelos Dias, David Santos, João Pinheiro, bem como um coro especial e outros convidados.

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THOT lançam novo vídeo e uma box set tape limitada de FLEUVE


Faz hoje (sábado, 20 de outubro) cronologicamente um ano que os THOT lançaram o seu mais recente disco de estúdio, FLEUVE. Para celebrar a ocasião o quinteto belga está a lançar uma box set de nove cassetes numa edição limitada a 25 unidades. Cada uma destas cassetes traz uma das músicas de FLEUVE, sendo que o lado A apresenta a versão original, enquanto o lado B apresentará uma versão demo da mesma música.

Do disco, que aborda uma sonoridade essencialmente math-rock embebida em experimentalismos e desconstruções sonoras, os THOT já tinham apresentado anteriormente a versão demo da música "ODRA". Hoje, além do anúncio da box set, a banda segue com a apresentação de "VOLGA", a música final que o guitarrista e vocalista Grégoire Fray compôs para o álbum FLEUVETransformados os volumes dos amplificadores ao seu limite, em combinação com a guitarra e a reverberação natural da sala, surgiu a versão demo de "VOLGA", que pode agora escutar-se abaixo. 


A box set tape de FLEUVE é editada este sábado (20 de outubro) pelo selo Weyrd Son Records. Podem comprá-la aqui.




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Reportagem: MagaFest 2018 [Casa Independente, Lisboa]


Nunca fui a uma MagaSession. Do que li e percebi, são organizadas na casa da Inês Magalhães, seja ela quem for. Uma coisa íntima para ser intimista, para se (con)viver com que se gosta, um pretexto para se ouvir coisas belas e calmas, para embelezar e acalmar neste frenesim e imisericórdia que é Lisboa. Desta vez a escala é outra, é algo digno de um dia inteiro na Casa Independente.

A coisa começou com Marco Franco, pessoa que nos concertos seguintes haveria de confirmar a sua destreza e talento multifacetados. Enquanto o Sol se despedia da cidade, apresentou os minimalismos de piano do seu novo álbum, Mudra. As peças apresentadas seriam mais espécies de ensaios do instrumento, muitas vezes a flutuações de uma certa melodia-chave, transportando uma carga emocional bela mas, paradoxalmente, algo distanciada e alienígena. Como se uma felicidade desconhecidamente ameaçada, um amor suportado num castelo de cartas, uma banda sonora perfeita para se deambular por um salão de danças abandonado que há um século mereceu as melhores cortes e romances. Portanto, bons ensaios.


Depois, chegou o Norberto Lobo e seus 3 comparsas, com quem construiu o seu último lançamento, Estrela - e que aqui todos vieram apresentar esse dito trabalho, para nosso rejúbilo. Nunca tinha visto o indivíduo a tocar (shame on me), e fiquei solidamente convencido. Ora alegre, ora frenético, ora melancólico, ora caótico, sempre bom e refrescante. As músicas, com uma composição e técnica algo complexa mas nunca resvalando para o opaco ou oblíquo, pareceram de um estoicismo contente, como um sol quente na cara num dia gelado de Inverno, como alguém na sua maior preguiça a fumar um cigarro numa praia ou no campo e diz “isto sim é vida” por nada de especial. Merecedor de todos os aplausos que recebeu, de um público que começou sentado mas acabou de pé.


Depois, veio o Bruno Pernadas mostrar-nos o clássico Worst Summer Ever. Não querendo denegrir qualquer outra pessoa no line-up, mas foi o homem que se esperava nessa noite, e: que génio, que concerto! Catano, tudo nisto foi épico e grandioso. Teve-se direito a ouvir e sentir as belas canções do álbum, teve-se direito a uma maior aproximação dos ditos jazz standards onde cada instrumentista pode brilhar com os seus solos, teve-se direito a desgarrada de bateria com guitarra, teve-se direito ao Bruno Pernadas fazer o seu deliciosíssimo solo de guitarra modulada em vozes sintéticas pa-di-bu-lá-fe-to-etc. Este Bruno conhece bem a natureza da alma humana e como lhe hipnotizar, como dar ao mero mortal uma emoção, uma exaltação, uma apoteose, uma extrema alegria, e com isso receber um forte aplauso do público. Continua a enganar-nos Bruno, por favor.


Por fim, e para nos embalar, os 3 senhores dos 3 concertos se juntaram no palco para se apresentarem como Montanhas Azuis. Embalar é a palavra certa, naquilo que fugiu do jazz e andou mais entre o ambiente e o downtempo, o dream pop e as baladas da nossa infância e os nossos estados-de-ser mais fofinhos. Inevitavelmente reminiscente de coisas como os AIR, sonoridade recheada de sintetizadores e batidas de Casio, bastante tranquilizante e acessível, óptima de se ouvir de olhos fechados. Tenho alguma pena que nem sempre se tenha passado a barreira da experimentação, com alguma carga emocional retida, mas mesmo assim houve momentos imensamente bonitos, um público silencioso que exigiu ser levado às nuvens, e no fim um gajo não deixou de sair da Casa Independente com quentura na alma e um sorriso rasgado na cara.


No fim de contas, reitero: nunca fui a uma MagaSession. Devia, na próxima que haja tentarei. Um amén à Inês Magalhães, seja ela quem for.

Texto: Nuno Jordão
Fotografia: Joana Linda

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Semibreve: Jlin cancela, Actress substitui

Cornelia Thonhauser
Más notícias para os fãs de Jlin. Por motivos de saúde, a produtora norte-americana não poderá comparecer à oitava edição do Semibreve, o evento que regressa a Braga para três dias dedicados ao melhor da arte digital e música eletrónica. A atuação de Jlin, que editou este ano o excelente Autobiography, estava marcada para o primeiro dia do festival, no gnration.

Nem tudo são más notícias já que a organização confirmou hoje o respetivo substituto, com Actress a dar entrada ao cardápio. O produtor britânico é um dos mais respeitados moderadores da música eletrónica da última década, contando edições por selos tão conceituados como a Ninja Tune ou a sua Werkdiscs. LAGEOS, a mais recente aventura discográfica de Darren J. Cunningham, dá sucessão ao aclamado AZD, editado no ano transacto, e vê o produtor juntar-se à London Contemporary Orchestra para um disco de grandiosa complexidade rítmica.

Actress junta-se assim ao cartaz composto por William Basinski, Telectu, Grouper, Sarah Davachi, Caterina Barbieri, Keith Fullerton Whitman, Robin Fox, RP Boo, Dj StingraySØS Gunver RybergAlfredo Costa Monteiro e Qasim Naqvi. O Semibreve realiza-se na próxima semana, de 26 a 28 de outubro no Theatro Circo, gnration e Casa Rolão.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Reportagem: The Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]


No sábado passado (13 de outubro) o Leslie que se fez sentir no Porto teve outro nome e sentiu-se bem forte entre quem marcou presença no Hard Club. Depois de terem abalado o RCA Club da capital no dia anterior os The Soft Moon estavam de subida até à Invicta, onde tocavam pela primeira vez para carimbarem mais uma noite memorável no currículo da promotora At The Rollercoaster. A abrir a noite, os belgas Whispering Sons que regressavam à capital para tocar pela terceira vez, sendo a primeira com o novo disco Image a figurar no reportório. 

Sem grandes atrasos os Whispering Sons subiram a palco para começar por nos apresentar uma das grandes malhas do seu novo disco de estreia, a grandiosa "Stalemate", tema que já se tinha feito ouvir anteriormente no Hard Club aquando a sua passagem por Portugal em maio e que, preparava o público para uma performance que iria ter como base Image, disco cujo conceito se baseia num estado imóvel, no qual as observações ofuscam as ações. A imagem reflete a artificialidade das coisas, mas ainda se apega desesperadamente aos ideais e às obsessões. É dentro desta abordagem que, de uma forma geral, o quinteto belga mostra e muito bem a sua sonoridade recheada das grandes e boas influências do post-punk contemporâneo e dos anos 80. 

Ouviu-se "Got A Light", o já lançado tema "Alone" e depois retomaram-se os trabalhos antigos com temas como "White Noise" e "Performance" a fazerem-se ouvir numa prestação bastante superior àquela que tinha ficado na memória na noite que partilharam com os Second Still. Um dos grandes destaques da noite foi o tema "Dense" que roubou a atenção do público que não os conhecia e colocou uma grande parte deste público numa dança desenfreada até ao fim. (Que malha!) Já com o concerto a aproximar-se do fim, deu ainda tempo para ouvir "Hollow", o icónico "Wall" e encerrar performance com mais um dos temas de avanço de Image, "Waste". A despedirem-se do público com um "thank you", os aplausos sentidos entre o público mostraram que os Whispering Sons merecem a atenção que têm ganho entre a crítica underground nos últimos anos. 


Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]

Com pico marcado para as 23h00, os ventos sonoros e as reverberações poderosas dos The Soft Moon começaram a fazer sentir-se em sala por volta das 23h17, hora em que Luis Vasquez subiu a placo acompanhado por Luigi Pianezzola (baixo e percussão) e Matteo Vallicelli (bateria e percussão). A abrir aquele que viria a ser um concerto caracterizado por uma aura essencialmente industrial com "Deeper", os The Soft Moon começaram por logo por demarcar o seu estrondo sonoro que abafou por completo a potência do Leslie e abriu um daqueles espetáculos de percussão seminal. Seguiram-se "Circles", "Burn", "Insides", até se chegar a "Choke", mais um dos temas do novo disco Criminal (o primeiro disco com selo Sacred Bones) que arrasou totalmente a "pista de dança" do Hard Club. Uma injeção de adrenalina industrial a ser precedida pelo post-punk suave de "Dead Love". 

Com "Like A Father" a fazer-se ouvir em sala bem potente, surgia também um novo ponto de viragem no concerto de The Soft Moon que se ia tornando, progressivamente mais poderoso. Ouvimos "Far", a potência poderosa de "Young", "Wrong" e "Parallels", tendo perdido por completo a noção de tempo. A chegar ao fim com "Die Life" os The Soft Moon despediram-se do público entre uma imensidão de aplausos que os fez regressar a palco cerca de dois minutos depois para nos brindar com um encore de duas músicas onde se ouviu "Black" e "Want".


Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]

Tendo apenas sofrido alguns problemas técnicos ao nível da voz em algumas músicas, de uma forma geral, Luis Vasquez e companhia garantiram mais um dos grandes espetáculos de 2018, com uma setlist que contemplou no total 17 músicas dos vários discos de carreira, num concerto bastante intenso, denso, brutal e muito bem recebido. Uma daquelas noites para ficar na memória. 

Um bem-haja à gigante At The Rollercoaster por continuar a promover estas ondas de resistência.


Soft Moon + Whispering Sons [Hard Club, Porto]


Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Edu Silva

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STREAM: WHOLE - BIAS


Os WHOLE - dupla de música eletrónica sombria que une Alexander Leonard Donat a Thomas Schernikau - editam esta semana o seu disco de estreia, BIAS, que puxa os limites da música de toada monocromática, acrescentando-lhe ainda vozes que trazem influências do neo-folk, música clássica e pop. Através de uma abordagem que retrata temas como o amor entre seres humanos, em relação a si mesmos e até às coisas materiais BIAS é um disco que também traz temas como a alienação, dúvida, perda, e novas situações ao barulho garantindo um disco fortemente estimulante, interessante e muito bem produzido.

Donat e Schernikau conheceram-se em 2009, numa tour conjunta que agora se reflete no tema de enceramento "Amsterdam", no piano que o finaliza. BIAS resultou de uma troca de e-mails entre os dois membros ao longo de três anos e o resultado pode ser ouvido na íntegra, abaixo. Do disco recomenda-se altamente a audição de temas como "Get Away", "What Scares You", "Bombs Will Drop" e "Evenwicht".

BIAS é editado esta sexta-feira (19 de outubro) pelo selo alemão Blackjack Illuminist Records. Podem comprar o discos nas versões digital, em CD e em cassete aqui.

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O nacional-vanguardismo dos Llama Virgem na VIC, Aveiro

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A VIC // Aveiro Arts House adensa a programação cultural na senda do ciclo Ressonância, que conta já com 18 eventos, entre concertos, live-acts e performances audiovisuais. Antes de partir para Novembro, a VIC recebe Llama Virgem a 20 de Outubro.

O duo lisboeta apresenta desconseguiste?, o seu mais recente álbum, lançado no mês passado. Com títulos tão esclarecedores como “Neuropa”, “A casa está a arder” ou “Descoloniza-me”, a banda explora a dicotomia entre os valores do presente e de um passado recente de uma Europa que se diz unificada, mas que ironicamente se revela o oposto de tudo aquilo que defende, em contra-ponto com os resquícios do colonialismo português e a sua influência na sociedade actual.


Numa ambiência eletrónica, semi-psicadélica e fazendo uso do spoken-word, Llama Virgem faz uma crítica social num registo musical poético-interventivo aos conceitos que estão na génese da cultura portuguesa e das problemáticas actuais que a reflectem. 

O custo do bilhete é de 4€ à porta, baixando para 3,5€ caso seja feita pré-reserva através do link: bit.ly/llamavirgem .

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Francisco, El Hombre na Casa da Música

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A Casa da Música recebe no dia 23 de novembro os Francisco, El Hombre, um dos projetos musicais mais eclécticos e fascinantes originários da América do Sul. A banda, criada pelos irmãos Sebastian e Mateo Piracés-Ugarte e influenciada pela odisseia dos mesmos pelas Américas, Europa e África, eventualmente fincou base na cidade de São Paulo no Brasil. Aí então começaram a desenvolver o seu Pachanga Folk, uma sonoridade que conta com influências de rock experimental com sonoridades étnicas sul-americanas, cantada tanto em português, como em inglês e espanhol.

Até ao momento, a banda conta com os EP's Nudez (2013) e La Pachanga! (2015), e o álbum SOLTASBRUXA (2016), este último que os lançou para uma tour com mais de 150 concertos e uma nomeação para o Grammy latino na categoria de melhor Música Portuguesa.

Os bilhetes já se encontram à venda e custam 15€.


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Negra Branca e DJ Xuxa nas Damas


As Damas, em Lisboa, recebem já na sexta-feira, dia 18 de outubro, o concerto de Negra Branca e DJ Xuxa.

A partir das 23 horas de sexta poderão começar a ouvir-se sonoridades mais ligadas ao dub e ao psicadelismo, os ecos e reverberações de Negra Branca, identificável com artistas como Dean Blunt/Inga Copelandou mesmo até com Zola Jesus, nunca deixando o sampling ou o beat making de lado. Cria música de forma a entrarmos no mundo da hipnose e dos sonhos de uma maneira muito particular, dentro da casa do dream ambient, da música experimental, na verdadeira acepção da palavra, trazida pela artista residente em Salford, Manchester, directamente para a casa de concertos em Lisboa.

Mais tarde, as Damas são tomadas por DJ Xuxa, pseudónimo de João de Menezes-Ferreira, um dos primeiros divulgadores do rock em Portugal, ficando encarregado de conduzir a noite para o que der e vier através da sua vasta colecção de discos que vai guardando com o passar dos tempos.

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A dias do reencontro com os Iceage


Encontrámo-nos a poucos dias do reencontro com o quarteto dinamarquês Iceage, que regressa a Portugal este mês para dois concertos em nome próprio. A banda de Elias Bender Rønnenfelt traz na bagagem o quarto e mais recente disco de longa-duração, Beyondless, que deverá servir como mote de apresentação para os concertos a decorrer dias 26 e 27 de outubro, no Hard Club (Porto) e Musicbox (Lisboa), respetivamente.

Ativos desde 2008, a banda dinamarquesa tem vindo a percorrer um sempre promissor e curioso percurso, onde a inovação e a exploração de novas linguagens se assumem como principais premissas. Do nervosismo juvenil e impetuoso de New Brigade (2011) à fúria e irreverência post-punk de You're Nothing (2013), passando pela languidão sôfrega e perturbada de Plowing Into the Field of Love (2014), segue-se elegância e requinte de Beyondless (2018), o terceiro registo da banda sob a chancela da Matador. Mais poético, vivo e apaixonante, Beyondless revela-se como o trabalho mais claro e bem conseguido dos dinamarqueses, uma obra peculiar que promete ganhar nova vida quando apresentada ao vivo.



O preço dos bilhetes para o concerto no Porto, com abertura dos portuenses Terebentina, é de 17 euros. Em Lisboa, o concerto encontra-se inserido na programação do Jameson Urban Routes, que regressa ao Musicbox para cinco dias de concertos, sendo que a sessão de dia 27 possui o custo de 22 euros.

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"Just Loneliness Can Save The World" é o novo tema dos malcontent


Quatro anos após a edição de Riot Sound Effects, os portugueses malcontent estão de regresso aos longa duração com aquele que será o seu terceiro disco de estúdio, This Is The Violence of Institutions disco que, segundo press-release, retrata um "mundo polarizado, ainda mais intolerante, violento, com milhões subjugados ao poder do dinheiro cada vez mais na mão de poucos". Juntamente com o anúncio do novo disco segue também o primeiro tema de avanço "Just Loneliness Can Save The World", que é apresentado em formato audiovisual, disponível abaixo.

This Is The Violence of Institutions tem data de lançamento prevista para novembro. A primeira apresentação ao vivo deste novo disco está agendada para o dia 8 de dezembro no Woodstock 69, no Porto.


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Novo disco de Buzz Kull chega às prateleiras em novembro


A Avant-Records! acaba de anunciar mais um dos discos que vai lançar antes do término de 2018. Trata-se do novo LP de Marc Dwyer, o mentor do projeto Buzz Kull, que é editado dentro de um mês sob o nome New Kind Of CrossCom o anúncio da nova edição, Buzz Kull lança também o primeiro tema de avanço, "Avoiding The Light", uma daquelas malhas da darkwave que chega para arrasar as pistas de dança mais soturnas do mundo.

Além dos pormenores adicionais de New Kind Of Cross e do tema de avanço "Avoiding The Light", Marc Dwyer revelou também a tour europeia de apresentação do novo disco (disponível no final do artigo), cujas datas não contemplam Portugal.


New Kind Of Cross tem data de lançamento prevista para 16 de novembro pelo selo Avant! Records.

New Kind Of Cross Tracklist:

01. Crime Lights 
02. Destination 
03. New Kind Of Cross 
04. The Garden (feat. Modern Heaven) 
05. Avoiding The Light 
06. Existence 
07. Ode To Hate 
08. Time 
09. Flowers Hold No Meaning
Buzz Kull's New Kind Of Cross Europe Tour

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Deadpan - "Fool Moon" (video) [Threshold Premiere]


After Deadpan Interference's split-up back in 2016, Martin Funder, Max Cosnier and Sofie Westh decided that the development of their music wasn't yet dead and started to compose new songs during 2017 and 2018. These songs are now ready to be revealed through their debut EP Fool Moon, due to be released on December under the moniker Deadpan. Until then you can get a taste of it by clicking on the video below for the first theme, the title-track "Fool Moon", that is being premiered today.

Through a heavy and experimental approach to songwriting and rhythm, in this new "Fool Moon" single Deadpan sound like the love child of the 70/80s experimental post-punk band Chrome and 00s dance-punk heroes LCD Soundsystem; wrapped in the modernity of contemporaries like The Garden. The video for "Fool Moon" was directed by Frederik Valentin and can be watched below in exclusive.



Fool Moon, will be released on December, 7th via Third Coming Records. You can pre-order it here.


Fool Moon EP Tracklist:

01 - Country Walker 
02 - Fool Moon
03 - Crashing
04 - Beat  
05 - Lovely Night

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Godflesh entre as primeiras confirmações do SWR Barroselas Metalfest


O SWR Barroselas Metalfest está de regresso para a sua 22ª edição. Da primeira vaga de confirmações destaca-se a presença dos Godflesh, que regressam a Portugal para a sua primeira atuação em seis anos. Justin K. Broadrick (Jesu, Techno Animal, JK Flesh) e G.C. Green formam o núcleo duro desta portentosa instituição da música de peso, que ao longo de três décadas tem vindo a reivindcar o estatuto de lendas da música metálica de cariz industrial, contando no seu repertório discos tão icónicos como Streetcleaner (1989), Pure (1992) e Songs of Love and Hate (1996). A estreia dos naturais de Birmingham no festival minhoto coincide com a comemoração dos 30 anos de carreira do atual duo, que deverá apresentar os temas do seu mais recente longa-duração, Post Self, editado no ano transacto pelo habitual selo da Avalanche Recordings.

Benediction, The Black Dahlia Murder, Midnight, Venenum, Birdflesh, Nervosa, Sublime Cadaveric Decomposition, Eagle Twin, Namek, Imperial Triunphant, Analepsy, Barshasketh, Martelo Negro e Vacivus concluem o leque de 15 de confirmações. 

O SWR Barroselas Metalfest realiza-se de 26 a 28 abril. Os famosos X-MAS PACK (bilhete 3 dias + t-shirt especial + copo + 3 steels + saco), já se encontram disponíveis em swrfest.bigcartel.com e, brevemente, nas lojas oficiais.



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Lince lança primeiro álbum Hold to Gold

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Sofia Ribeiro, mais conhecida pelo seu alter-ego musical Lince, acaba de lançar o seu primeiro álbum Hold to Gold, que sucede ao seu EP Drops, lançado no verão de 2017, e que conta com onze temas inéditos da sua autoria.

Se em Drops, que mereceu lugar de destaque nos balanços musicais do ano, já era perceptível um padrão próprio assente numa aparente dicotomia entre emoções e sensações, Hold To Gold reforça essa matriz na música criada por LINCE - entre apelos à dança e à contemplação ou entre diálogos e monólogos (nalguns casos como se de mantras se tratassem num quase paralelismo musical à obra visual “Memento”) - bases sonoras que nos provocam e nos obrigam a percorrer as sonoridades clássicas de um piano por entre a densidade da electrónica servida por ritmos e registos contemporâneos. E tudo isto pela mão da sua voz cristalina e educada. 

Hold to Gold vai ser apresentado, ao vivo, no Porto e em Lisboa, respectivamente, hoje e 19 de Outubro, no Maus Hábitos e no Musicbox. Nestas duas primeiras apresentações de Hold to Gold, a compra do bilhete dá direito a um exemplar do seu novo trabalho (preço bilhete – 9€).

Fiquem com o single "Feels Like Looking at Sculptures":


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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Reportagem: OUT.FEST 2018 - 6 de outubro [SIRB - Os Penicheiros]


Realizou-se nos dias 5 e 6 de outubro mais uma edição do OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, mais concretamente a sua 15ª edição. O Festival teve a sua génese em 2004 e nestes 15 anos tem brindado o público com os mais diversos projectos e artistas. Artistas esses que coabitam fora do universo “mainstream” e convencional no que à música e às artes diz respeito, enveredando por caminhos menos óbvios e menos acessíveis, pondo em relevo a experimentação e a descoberta de novos sons.

Citando a organização, “o festival  celebra alguma da música experimental mais interessante com um cartaz variado onde se encontram criadores portugueses, brasileiros, ingleses, italianos, alemães, finlandeses, iranianos e japoneses, dos 20 aos 80 anos de idade, do jazz ao rock e às músicas electrónicas e a tudo o que se possa imaginar pelo caminho”.


Os concertos em destaque aconteceram na noite de dia 6 de Outubro na magnífica sala da S.I.R.B. - Os Penicheiros. O primeiro concerto da noite coube ao iraniano Mohammad Reza Mortazavi, uma das metades do projeto YEK que se iria apresentar a seguir. Acompanhado apenas pelo seu tombak, (instrumento tradicional do Irão), foi extraordinária e de um virtuosismo ímpar a forma como o músico conseguiu arquitectar músicas inteiras apenas de um instrumento de percussão acústico.
Após um breve intervalo o músico iraniano junta se a Burnt Friedman, com o qual tem o projeto YEK. 


Friedman, músico e compositor alemão que tem no seu currículo, por exemplo, colaborações com David Sylvian. Em palco, o duo consegue canalizar a sua sublime sinergia criativa em músicas onde os ricos instrumentais de Mortazavi suavizam as paisagens sonoras de Friedman. Os acordes subtis que flutuam em todas as músicas não acrescentam nada de muito significativo em termos melódicos, no entanto, estão lá para criar ambiente e serem o elo de ligação entre os espaços vazios, unindo toda a estrutura da música. Houve instantes em que era impossível perceber todos os detalhes, quer rítmicos, quer melódicos das músicas, tal a complexidade de sons e de execução, mas isso só enriqueceu ainda mais a experiência e colocou os sentidos de quem assistiu ao concerto mais alerta, à espera de novos momentos que acabavam sempre por surgir. Uma belíssima experiência, e se tivessem tocado mais uns minutos ninguém ficaria chateado.


Depois da bonança e vanguardismo elegante dos YEK havia que agitar as hostes, e ninguém melhor do que Lotic para o fazer. DJ e produtor, J’Kerian Morgan de seu nome, a viver em Berlim desde 2012, tem formação superior em composição eletrónica e saxofone. O início de concerto foi poderoso, com as batidas a servirem como um elo de ligação entre o, comparando, som de um jogo de computador e um sample de metal, tudo muito bem ligado e com uma nitidez sonora prodigiosa. Do princípio ao fim do concerto, cada nota, cada som, era mais agressivo ou mais cândido, de uma limpidez difícil de igualar. Apesar de toda a potência e intensidade quer da prestação, quer das músicas de Lotic, ouvidos mais atentos conseguem também encontrar nestas uma certa delicadeza e fragilidade, quer seja nas progressões dos acordes automaticamente cortados antes da entrada da batida, quer no experimentalismo melódico com as notas em consonância a servirem de pano de fundo para toda a restante parafernália sonora. As músicas vacilam entre o ruído sintético e os vocais pontualmente vulneráveis, Lotic transforma texturas de música de dança em expressionismo abstracto, ás vezes em forma de protesto e às vezes em pura distopia, mas sempre fascinante.
Experiência a repetir sem dúvida.


Com a ausência de Fret, coube a Linn da Quebrada o encerramento do festival. E quem é Linn da Quebrada? Segundo uma das suas músicas “Ela é diva da sarjeta, seu corpo é uma ocupação / É favela, garagem, esgoto e pro teu desgosto/ Está sempre em desconstrução". É também actriz, compositora, cantora e activista social e está entre as artistas mais relevantes do cenário musical LGBT brasileiro actual. Grande parte do público presente na sala estava para ver o concerto de Linn da Quebrada e fazendo jus ao nome, ela quebrou tudo. Provocadora, incisiva, genuína, a dar ao público o que este queria. Mais importante que a música, esteve, neste caso, a mensagem e principalmente a imagem de Linn da Quebrada. Dançou-se, cantou-se, beijou-se, e sempre sobre a batuta da Mestre de Cerimónias, uma autêntica “bicha” de palco, sempre em movimento, uma autêntica locomotiva em alta velocidade e toda ela um manifesto. Nas suas músicas Linn procura trazer conjunções de histórias, combates, factos,  mostrando a pluralidade da sua luta como transexual e mostra a sua postura por meio da atitude e das rimas. Musicalmente não se apoia unicamente no funk, apesar de ser a sua maior influência, tentando também misturar diversas sonoridades,  alcançando por vezes algum experimentalismo, principalmente a nível das batidas. Quando os músicos dão o máximo e estão felizes, quando o público dança, salta e está feliz, a conclusão a tirar é que o furacão Linn da Quebrada proporcionou um enorme espetáculo a todos os presentes.

Por último tenho a destacar o magnifico trabalho dos profissionais que trataram do som e das luzes em todos os concertos de sábado a noite.


OUT.FEST 2018 [Barreiro]

Texto: Pedro Vieira
Fotografia: Virgílio Santos

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Janeiro traz Preoccupations ao Porto e Lisboa


Depois de ter anunciado recentemente o regresso de bandas como os The Young Gods e os Echo & The Bunnymen a promotora portuense At The Rollercoaster acaba de roubar mais duas datas ao calendário de 2019 para agenciar o regresso dos Preoccupations (ex-Viet Cong) a território português. A banda de Matt Flegel vem apresentar em solo nacional o novo disco, New Material, tocando a 25 de janeiro no RCA Club, em Lisboa e, no dia seguinte, a 26 de janeiro no Hard Club, Porto.

As músicas dos Preoccupations sempre trabalharam em temas de criação, destruição e futilidade, e sempre fizeram isso com uma singular força post-punk de texturas evocativas e afiadas. Desta vez, com New Material na calha - uma coleção de oito músicas que amplia e aprofunda os Preoccupations para um domínio sonoro diferente - a banda apresenta a sua ode à depressão, à autossabotagem e ao ódio na primeira pessoa. 

Os bilhetes para ambos os concertos dos Preoccupations custam 15€ e já podem ser comprados através da bilheteira online.


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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

STREAM: Galatée - Des Rêves Étranges EP


Os russos Galatéé estão de regresso às edições de estúdio com novo EP, Des Rêves Étranges, que vem dar sucessão ao bastante aclamado Sans Titre (abril de 2018, Detriti Records) e que traz seis novas faixas que exploram as frequências sonoras do post-punk dos 80's, do shoegaze dos 90's e da dream-pop contemporânea. A dupla de minimal wave/electronic/synthpop cujo trabalho é comunicado através língua francesa, apresenta em Des Rêves Étranges a sua poesia estranha envolta em camadas de ritmos prontos para conduzir o ouvinte.

Este novo trabalho é altamente recomendado a fãs de bandas como Motorama, Утро, Fragrance. ou Peine Perdue e pode ser reproduzido na íntegra, abaixo. Recomendam-se a audição de temas como "Ayez Peur Des Ex-petites Amies", "Des Rêves Étranges" e "Zimbabwe3000".

Des Rêves Étranges foi editado esta segunda-feira (15 de outubro) pelo selo Detriti Records.


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domingo, 14 de outubro de 2018

7 ao mês com PALAS


Nesta edição do 7 ao mês subimos até a Braga para ficar a conhecer as escolhas de Filipes Palas, artista mais conhecido pelos projetos Smix Smox Smux e Máquina del Amor, mas que agora responde a solo pelo moniker Palas. Dente de Leão é o seu álbum de estreia e chega às lojas neste mês de outubro.


Nirvana - School

Foram estes senhores que me inspiraram a tocar guitarra, no início da minha adolescência. O meu gosto pessoal nos anos 90 era o estilo grunge, e esta era a banda que mais ouvia, juntamente com os Alice in Chains.




Beck - Pay No Mind

Fiz quilómetros e quilómetros para ver este senhor ao vivo, para mim, o verdadeiro camaleão, junta hip hop, rock, blues, bossa nova, metal, indie.




Pixies - No 13 Baby

Tardes em casa de um grande amigo, durante o secundário, descobri este maravilhoso álbum, amor à primeira edição.




dEUS - Roses

Começava a ouvir música mais alternativa, muito graças a uma irmã mais velha, com muito bom gosto musical.




Tom Waits - Temptation

O instrumental, a voz, a singularidade de cada música fez com que estivesse sempre na minha playlist até aos dias de hoje.




Morphine - Have a Lucky Day

A banda que se identifica ao milésimo segundo, inconfundíveis, únicos, belos.




Radiohead - Let Down

A banda que não sabe ser má. Para mim, esta continua a ser a mais bela música do enorme historial de coisas lindas que fazem.


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