sábado, 3 de novembro de 2018

Reportagem: YOB + Wiegedood [Hard Club]

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ⓒ Jorge Silva
No passado dia 29, o Hard Club no Porto, como acontece regularmente, foi o palco de mais um serão com lotação esgotada de música pesada a cargo dos YOB, em digressão no contexto do álbum mais recente Our Raw Heart, com a primeira parte a cargo dos belgas Wiegedood. A expetativa do público pelo regresso da banda de Oregon era elevada, pelo que se apressaram a entrar no recinto assim que as portas abriram por volta das 21h30.

A partir daí, os Wiegedood abriram as hostilidades com o seu black metal de cariz minimal e vagamente atmosférico, mas com ADN vincadamente tradicional. Sendo parte do reconhecido colectivo de música pesada Church of Ra (o mesmo que congloba bandas como Amenra, Oathbreaker, Hessian, entre outras), a banda não demorou até demonstrar a razão por merecerem lugar em tão prestigiada instituição. Esta ocasião serviu para os Wiegedood fazerem um showcase dos álbuns da sua autoria, todos intitulados De Doden Hebben Het Goed I, II e III, o que por sua vez deu azo a uma sessão de negrume áspero, frio e direto ao assunto, se bem que com os seus altos e baixos, num alinhamento que se destacou com alguns momentos pujantes como "De Doden Hebben Het Goed III", "Cataract" e "Svanesang". No geral, foram uma banda competente que cumpriu a missão que lhes foi incumbida, sendo bem sucedidos em aquecer as hostes para a atração principal.


Wiegedood ⓒ Jorge Silva 
Por volta das 22h50, era a vez dos veteranos YOB darem o ar da sua graça e fazer jus ao seu estatuto de culto dentro dos cânones do doom metal. Com uma audiência em pulgas para ouvir o cruzamento de doomsludge e prog da banda de Oregon, essa começou-se a ouvir com as duas primeiras faixas de Our Raw Heart, "Ablaze" e "The Screen", que conquistaram logo o público e assentaram o ambiente para o que se avizinharia. A apoteose assim continuou com uma faixa dos dias de The Illusion of Motion, "Ball of Molten Lead", dando seguimento a uma profusão de riffs que têm tanto de fatídico como de complexo. De apontar que, a este ponto, a interação entre a banda e o pública foi mínima - apenas o habitual "greetings", a descrição do propósito da banda estar ali, memórias de passagens anteriores por cá -, mas isso só acentuou a experiência de YOB ao vivo, que se revelou sem rodeios e apenas focado na música em si.

YOB ⓒ Jorge Silva 
O concerto continuou com "The Lie that Is Sin", discutivelmente a faixa mais sludgy do alinhamento, com um arranque difícil de digerir (no bom sentido) e que eventualmente deu lugar a uma investida sonora completa com riffs de índole épica e guturais de impor respeito. Após outra presença do novo álbum, o tema-título "Our Raw Heart", com uma motivação geralmente mais melancólica, chega a penúltima faixa "Grasping Air", com o feature do vocalista Levy da banda de abertura Wiegedood, que apenas intensificou a aura sufocante e petrificante com os seus vocais ríspidos. Para fechar o concerto, a banda invocou a faixa "Marrow" para uma miríade de instrumentação épica e celestial, que atingiu o público como que uma inacreditável aparição de um ser etéreo e discutivelmente o zénite do concerto todo, que assim acaba com um estrondo quase transcendental.


Texto: Ruben Leite
Fotos: Jorge Silva

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STREAM: Lebenswelt - Metaphysics of Entropy


O projeto italiano Lebenswelt editou esta semana o seu quinto disco Metaphysics of Entropy. Giampaolo Loffredo é desta vez acompanhado por quatro convidados (Pier Giorgio Storti, Stephano Stephanowic, Luca Galuppini e Mauro Costagli), com este álbuma surgir apenas dois anos após Shallow nothingness in molten skies. O italiano continua a explorar a sua já usual veia slowcore e post-rock com melancólicas guitarras repercutidas e texturas ambiente e glitch bem sustentadas pela produção, podendo-se destacar a primeira e última faixas do disco, que rodeiam o miolo mais introspetivo deste trabalho.

Em baixo podem escutar Metaphysics of Entropy na íntegra, devendo certamente agradar a fãs de Codeine, Hood e Low. A edição física limitada, com selo Under My Bed Recordings, pode ser adquirida aqui.


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Protomartyr juntam-se aos Preoccupations para lançar um EP


Os Protomartyr e os Preoccupations juntaram-se para gravarem duas canções que serão editadas num EP limitado a 1.000 cópias a ser lançado ainda durante o mês de novembro, sob o epíteto Telemetry At Howe Bridge. O EP conta com duas faixas que são covers de músicas já editadas por ambas as bandas, isto é, "Forbidden", tema original dos Preoccupations recebeu recentemente uma nova roupagem pelas mãos dos Protomartyr (podem ouvir o tema abaixo), enquanto que "Pontiac '87", tema original dos Protomartyr ganhará uma nova versão pelas mãos dos Preoccupations.

Telemetry At Howe Bridge tem data de lançamento prevista para 16 de novembro pelo selo Domino Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.




Recorde-se que os Preoccupations passam por Portugal a 25 e 26 de janeiro em dois concertos inseridos na programação de 2019 da promotora At The Rollercoaster.

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Zanias anuncia disco de estreia


Alison Lewis, a mulher por trás do alter ego Zanias e a voz de bandas como Linea Aspera e Keluar, regressa este ano aos discos com o seu primeiro longa-duração de carreira, Into The All, que vem dar sucessão ao bastante bem recebido EP To The Core. Juntamente com o anúncio do disco de estreia (que segue ainda sem tracklist), a artista lançou também o seu primeiro single avanço, "Exuvia", que pode ser agora escutado abaixo.

Segunda a nota de imprensa "Into The All é o culminar de extensas gravações e experimentações. Ele mapeia uma jornada de evolução psico-espiritual desde um estado inconsciente até à morte e à iluminação. Inspirado pelas obras de Ken Wilber e Yuval Noah Harari, o disco expressa uma jornada pessoal que se aplica a toda a humanidade". O disco recorre ainda a gravações de campo como os sons de pássaros, macacos e insetos da Malásia e Austrália, além de instrumentos da Indonésia, Arménia, antiga Noruega e Suméria, que se juntam aos tradicionais sintetizadores e baterias eletrónicas.

Into The All tem data de lançamento prevista para 3 de dezembro pelo selo Candela Rising.



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Reportagem: Sun Mammuth + FourToSix [Espaço A - Freamunde]

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© Iolanda Pereira / Sun Mammuth

Antes de mais, desculpem o atraso. Logo vou ser breve para compensar o meu desleixo involuntário... Fui enviado no passado dia 26 de outubro por esta revista a visitar Freamunde perto de Penafiel para assistir a uma gig de rock e afins, no Espaço A, um lugar que recomendo caso se percam nessas terras do interior norte.
Lá, FourToSix abria para Sun Mammuth nesse humilde estabelecimento que recebeu todos bem.


© Fourtosix

Parte I - Four To Six

Por volta das vinte e três horas, Fourtosix fizeram-se ouvir o seu Set de 10 músicas que roçam entre o rock alternativo, indie ou até mesmo grunge, sei lá, perguntem a eles.

Vox - Guilherme Rodrigez 
Guitar - Fernando Serrão 
Baixo - Mário Marques 
Bateria - Pedro Almeida

Depois de um sample narrar um monólogo e os sons de feedback e transmissões de rádio estranhas, eles fizeram o set arrancar com "Madman", uma viagem sonoro à demência transurbana, muito semelhante à realidade, no meu sincero ponto de vista que tenho a cortesia de vos mostrar. 

A seguir, veio a "Purgatory", uma música que começa logo a abrir, confiante e arrogante, embora depois acalme por um momento... Pensando que ia ficar por ali, há uma parte que eleva a música de novo, mas, ao fim de um tempo, ela estagna dando a sensação que não se vai a lado algum, tal e qual no purgatório... Não viram "Lost"? É parecido. 

A Terceira, "Prog 3" começa com guitarras carregadas de flanger ou reverb, penso eu na minha ignorância. Uma melodia um pouco, mas, nada de todo melancólica, talvez por me fazer lembrar um pouco dos géneros: Ethereal Wave, Shoegaze e Dream Pop. À medida que a guitarra vai tecendo a paisagem, algo entre uma balada e uma fanfarra ascende, enquanto o vocalista cantando em clean narra, as atribulações da vida e a necessidade de superar obstáculos e é no auge que ela estoira, numa avalanche ou derrocada de rock... Mas, no final, ela acaba d'onde começou... É por isso que se chama "Prog 3". Porque é a terceira música e porque é progressiva e tem 3 fases. Pelo menos, no meu ponto de vista. 

A quarta "Balada", é embalada com um wah-wah romântico... A música corre como um passeio no parque. Lembra-me Eu às vezes, ingénuo, quando sofria em busca do amor na minha teen angst. Se forem sensíveis como a minha pessoa, ela vai-vos partir o coração no final... Ouçam, vale a pena sofrer um pedaço, em nome da beleza. Antes, que me abstraia nas teias do romance, avancemos para a quinta, "Jeff". 

Eu perguntei ao guitarrista se tinha algo a ver com o célebre Jeff Buckley, e Fernando, sorrindo afirmou que sim, dizendo também que a ideia surgiu mais da parte da banda, por causa da influencia que o guitarrista tem pelo artista mencionado. Tudo começa com um cowbell, com uma cadência mais acelerada, uma linha de baixo mais andante e vai progredindo assim, até descender num moody breakdown até esta divagar no espaço tempo, talvez ainda em busca do falecido Jeff... 

Sexta, é "Frank". Aqui uma batida mais desinibida, talvez, mais descontraída relaxa a atmosfera, onde um baixo a marcar oitavas faz o pessoal pular. É um baile e confesso qu'esta tirou-me da cadeira. Com uma sonoridade que se intercepta entre o rock indie e até mesmo pós-punque. Mas, o sujeito póetico da cantiga, deve ser bipolar. A descontracção termina em surtos de rebeldia, mais voláteis e o vocalista faz o obséquio de mostrar com uma voz mais severa e áspera. Se esta faixa tem uma história, na minha perspectiva, é de Frank, em busca de si mesmo. A rotina, ou até mesmo o círculo vicioso entre a estabilidade e o caos existencial que o mesmo tenta escapar. E talvez não consegue... 

Pois, a sétima é "Triggered". Aqui a batida é westerner ou ocidental se preferirem, com uma conversa entre o bombo e a tarola, enquanto a guitarra lança bends com uso de whammybar, devaneios de alguém que possivelmente esconde algum desdém por algo ou alguém, enquanto um baixo sorrateiro, faz este cadáver esquisito cambalear... Fez-me lembrar a minha fase favorita de Muse e até mesmo uma banda que raramente revelo na minha palete de gostos, por estar um pouco fora do meu espectro habitual, os Kaiser Chiefs. Mas, esta, acaba por ser mais lenta do que era suposto. E a guitarra indisciplina compensa, esse languescente tormento, duma forma intensa. E há medida que o puzzle vai-se compondo, cada vez mais elementos a serem adicionados na receita, Eu começo-me a lembrar das coisas que me fazem ficar triggered. As pequenas, depois as grandes, depois vem o silêncio... Implosão, ou explosão, é a questão que soa na minha cabeça e é aí que cada um faz o seu próprio julgamento. Ficaste triggered, ou não? Eu não sei... É por isso que estou a escrever esta review.

E como a vida é um vai e vem... Assim eles deram a sua filosofia de bolso, em "Waves" na oitava. Linda música, digo-vos já... A forma como a batida enrola e cumpre o seu propósito. A guitarra tece os pássaros a voar no céu e o baixo, a suave e fina areia debaixo dos meus pés. Com estes riffs dreamy, fazem-me lembra um belo passeio na praia, apesar d'eu não ser muito para aí virado. 

A nona "sinfonia" de Fourtosix tem o nome de "Scars". A percussão não perde tempo e começa a desconstruir o tema, até um riff de guitarra meio "punk" meter-se no meio, levar uma achega do baixo e uma ferida se abrir. Esta acaba por ser mais dinâmica, com o processo todo de cicatrização. Para finalizar a primeira parte deste bonito Gig, Fourtosix fecharam o seu acto, com "Country".

A décima, Fernando que me surpreendeu imenso como guitarrista (e eu não tenho hábito de fazer estas referências tão pessoais) deu-nos o seu toque rústico musical e aí o tamborim junta-se à festa, num baile provinciano, mas, com muito gosto, digo-vos já. Aqui o baixo caminha na rua, mais que tranquilo, enquanto a guitarra o segue traquina por trás dele, mas, é uma cilada. No auge, a cadência acelera e é aí que o baile pára e a lida começa. Mostrando que a vida do campo nem é assim para todos... Humilde e cheia de paz, mas, com um enorme esforço e sacrifício em nome da terra.  

= // = 

Parte II - Sun Mammoth 

© Iolanda Pereira / Sun Mammuth

Guitarra - Nuno Henriques 
Baixo - Carlos Cafi Sousa 
Percussão - David Sena 

Trinta minutos depois da meia noite, Eles chegaram e ficaram até há uma e um quarto. E mostraram-nos que nem tudo é o que parece. Nem todos os mamutes morreram na idade do gelo. Este, encontrou o caminho até ao nosso quotidiano. Avançando lento, mas cheio de força. Este stoner rock instrumental, como uns definem, mostra que nem todos, devem ser postos no meu saco. Eu digo, isto, porque sinceramente, estou cansado da saturação deste género. Sem querer dar hijack nas vossas consciências, corrijam-me se estiver errado. Há muito stoner (Eu sou um deles), mas, muito, pouco rock. E aqui este trio que sofreu uma alteração, o novo baterista que se juntou à tríade. Veio devolver o equilibro à equação. E mostrar um horizonte, onde o céu e o cosmos. São uno.

O primeiro selo, começa com "Evocation I". Poético, eu gosto dos nomes que dão as músicas, parecem eu. Mas, sem perder tempo. Esta bonita malha, começa com uma conversa entre baixo e guitarra. O baixo pergunta a guitarra como vai o dia e ela começa a tentar simplificar-se, sendo breve, mas, a cadência inicia-se e ela começa divagar. Agora com uma base estável, uma boa sinergia entre ritmo e baixo ela sem inseguranças narra o que sente. Por onde tem ido, o que tem feito, por onde vai. E quando ganha no final a confiança que necessita, ela levanta-se da cadeira e agora o trio, conversa ao balcão e brindando ocasionalmente com um "Crash Cymbal" que se faz ouvir quando um shot bate na mesa. Eles vão bebendo, neste caso, nós o público é que fazíamos isso por eles. O álcool deixa-os mais rudes, mas, sem perder as maneiras, eles desabotoam a camisa e falam o que têm a dizer. Sem (vocês sabem à palavra qu'eu me refiro).

O segundo selo, tem o mesmo nome embora seja a segunda parte da encantação. Este mamute é tão poderoso, que precisa de duas evocações. Não é para todos. Aqui conseguimos ver já o mamute a ganhar forma, antes, só o víamos o tecido do espaço tempo a abrir. É nesta parte que vemos a magia do stoner rock, a parte mais psicadélica, neste caso, para eles, mais instrumental... Aqui temos uma vista para o passado, para as paisagens da era gelada. Os nevões que cobriram o passado para sempre, deixando um senso de curiosidade e fascínio. Um imaginário para deleitar na cabeça de cada um... Quando os elementos, a natureza reinava sobre tudo... E as criaturas, seguiam o curso dos eventos. 

O terceiro rugido do mamute, é feito em "Marble". Aqui, a guitarra aproxima-se de longe, enquanto os timbalões anunciam a sua viagem. O baixo, subtil apanha boleia e quando se dá por si, o ritmo perde o controlo e surge uma colisão sonora entre os três. 

Em "The Gaze", a terra estremece e uma linha de baixo guia uma manada de mamutes desalmados que correm ao som de tambores primitivos. A guitarra cria distorções no ambiente do quanto calor está neste dimensão sonora. Aqui um olhar sofrido, embora cheio de esperança, se arrebata no horizonte. Talvez, seja o desejo de ir mais adiante. Da saudade já antecipada, embora cheia de desejo de aventura. E é caminhando para o infinito que o mamute do sol, vai... Desbravando esse trilho incerto, em busca do destino que avista de longe. Mas, essa curiosidade nunca chega a ser saciada. Se o fenómeno wanderlust soasse a algo, seria a "The Gaze"... Ir só por ir... 

Em "Sibir" escutamos uma malha que gosta de seduzir. Esta, sendo mais upbeat e menos intimista que as suas irmãs. Apesar de doce e extrovertida quando está calada, é mau presságio, pois isso significa que vai perder a cabeça. E é quando isso acontece que um baixo robusto abala a sua consciência e faz a sua demência falar em riffs de guitarra sofridos, confusos e até mesmo estranhos. Um conselho, tenham calma com esta "menina", pois não é o que parece.

No seu registo oficial, Sun Mammuth declara o sexta tema da noite, com "Terlamonte". E é aqui, que o seu trunfo é lançado. Ao contrário das outras, esta´é mais agressiva e directa. Não precisa de apresentações. Aqui, o desejo de ascender e a vontade de ver o monte escalado é profundamente notável no seu trabalho. Mas, este trio é diferente dos outros. Eles não se querem ficar por lá. Eles têm uma perspectiva diferente! E é no auge do pináculo, que a forma de pensar muda, quando a música é lançada do cume, como é hábito de acontecer nas paisagens onde o stoner rock, clama como seu domínio. E é nessa queda livre que o delírio ou até mesmo a euforia d'uma gravidade que nos puxa para baixo, em que certas fracções parece que o tempo pára. Mas, isso é só uma ilusão. Pois quando essa pedra robusta encontra superfície, ressalta ainda com mais poder. Uma derradeira força da natureza que rola pelo Terlamonte abaixo e devasta tudo no seu caminho. 

Para terminar, Sun Mammuth prestaram um tributo a "Tweety - Karma 2 Burn". Como espécie de digestivo, ou sobremesa para alguns.


Texto: Milton Matoso

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Boy Harsher anunciam novo disco


Dois anos depois do aclamado disco de estreia Yr Body Is Nothing e um após a edição do EP Country Girl (sem contar com as reedições do EP Lesser Man), a dupla de dark synth Boy Harsher está de regresso aos trabalhos, voltando no formato longa-duração em 2019 com o novo álbum Careful. Juntamente com o anúncio a banda disponibilizou também o primeiro single extraído da nova coleção de 10 canções "Face the Fire", que além de single recebeu ainda um trabalho audiovisual a fazer lembrar as paisagens visuais de David Lynch. O vídeo pode ser visualizado abaixo.

A dupla vai andar pela Europa entre os meses de fevereiro e março de 2019, contudo Portugal não é um dos países contemplados na passagem. As informações adicionais de Careful podem ser encontradabas abaixo.


Careful tem data de lançamento prevista para 1 de fevereiro de 2019 pelo próprio selo da dupla Nude Club Records.

Careful Tracklist:

01. Keep Driving 
02. Face the Fire 
03. Fate 
04. LA 
05. Come Closer 
06. The Look You Gave (Jerry) 
07. Tears 
08. Crush 
09. Lost 
10. Careful

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Morte Psíquica têm novo tema, "O Conforto Do Desconforto"


Depois de se terem destacado no panorama nacional underground com o muito aclamado álbum de estreia Fados de Além (2016), a banda de Évora Morte Psíquica regressa este ano aos trabalhos em formato curta-duração através do EP Maneirismos que chega às prateleiras ainda este mês. O anúncio do novo trabalho surgiu na manhã desta sexta-feira (2 de novembro) através do primeiro single retirado do EP, "O Conforto do Desconforto", uma malha com sonoridades a fazer relembrar os saudosos anos 80 cantada numa lírica profunda e intemporal, que pode agora escutar-se abaixo.

Maneirismos tem data de lançamento prevista para 18 de novembro pelo selo Z22.

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Cinco Discos, Cinco Críticas #41


Já com o ano a chegar à reta final começa também a altura de fazer as listas das melhores edições do ano. Para vos pouparmos trabalho e garantirmos que não se esquecem de algumas edições escrevemos sobre cinco novos discos que têm rodado bastante deste lado e que, esperamos, passem agora a rodar dessa lado aí. 

Em mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas fiquem então com as análises aos mais recentes trabalhos de Ele Ypsis - Linga Dei; SUSS - Ghost Box; KEN Mode - Loved; Tropa Magica - Tropa Magica e o muito aguardado disco de estreia dos RENDEZ-VOUS, Superior State.



Linga Dei // self-released // setembro de 2018

9.0/10

Depois de um ostentável Meiosis, os Ele Ypsis, dupla que reúne a produção ambiciosa de Stélian Derenne aos vocais etéreos de Laure Le Prunenec, regressaram este ano às edições com mais oito músicas inéditas colecionadas em Linga Dei, o quarto disco de estúdio da dupla que saiu no passado mês de setembro. Através deste novo trabalho, conduzido pelo desejo do seu resultado final ser tão temido quanto a música de Igor Stranvinsky, os Ele Ypsis absorvem-nos até a um limite onde a música clássica entrelaça as mãos com a música contemporânea e a lírica, que sobrepõe esta ato num estrangeirismo irreconhecível, soa à poesia mais vanguardista dos dias atuais. É através de composições encantadoras, de ritmos tão depressa exóticos como expansivos e dos vocais ora apoteóticos, ora celestiais, que os Ele Ypsis criam estruturas harmoniosas difíceis de não fazer tremer quem as ouve. Temas como "Oro" e "Chaoskra” começam por ser construídos sobre paisagens calmas que, no desenvolvimento sofrem mudanças caóticas, envolvendo temporais sonoros e um nível de exigência extremamente exímio. Por outro lado, músicas como "Turmali" ou "Linga Dei" emanam toda uma energia que não consegue parar de se ouvir em loop. Se Meiosis já nos tinha mostrado que não há limites de eras na música, este Linga Dei funciona como uma epopeia ainda mais gloriosa aos períodos da música barroca com um toque de vanguardismo abissal.
Sónia Felizardo





Ghost Box // E.V.P. Recordings // fevereiro de 2018 

7.6/10

Os SUSS são um quinteto de Nova Iorque que lançou o seu primeiro álbum no início deste ano. É um grupo de músicos experientes que aproveitam este projeto para misturar a música ambiente com o country, criando o que pode ser a banda sonora para westerns imaginados, com personagens misteriosas e um ritmo lento. As guitarras, sintetizadores, assobios e outros instrumentos criam atmosferas suaves que fazem pensar nos sons e melodias de Morricone filtrados por Brian Eno. Seguindo os títulos das músicas, Ghost Box é uma roadtrip que vai de "Wichita" a "Laredo" e dá a volta para regressar ao ponto de partida, com "Canyonlands (Return to Wichita)". Uma viagem musical que nem sempre pára em locais tão fascinantes como "Wichita" e "Late Night Call", mas que prossegue sempre interessante. Em novembro esta aventura solitária pelo velho oeste vai tornar-se mais longa, quando sair a versão expandida do álbum com quatro faixas novas.
Rui Santos






Loved // Season of Mist // agosto de 2018

8.0/10

Os canadianos KEN Mode regressam com Loved, a sua oitava coleção de faixas contundentes e com o noise a mil à hora. Apesar do facto de os KEN Mode contarem vinte anos de carreira, só recentemente, pela altura do lançamento de Entrench e com a crescente popularidade da nova vaga de noise rock multifacetado, é que eles conseguiram ganhar algum reconhecimento pelo seu percurso consistente em termos de registos e performances ao vivo, apesar da ligeira recaída na forma de Success. Posto isto, é seguro dizer que a banda está de volta ao topo de forma com o lançamento de Loved, que conta com um alinhamento de nove faixas cujo objetivo é tomar de assalto o ouvinte. Durante os cerca de 35 minutos que cobrem o disco, a banda apresenta o seu som habitual caracterizado por um poderio lamacento e ruidoso de forma coesa. No entanto há certas faixas a quebrar um bocado o molde, como "Illusion of Dignity" - em que aparece um saxofone a rasgar -, "Very Small Men" - a ser mais apunkalhado e frenético que o resto - e a faixa de encerramento "No Gentle Art" que evolui gradualmente, de uma relativa amenidade para uma brusca investida sonora.
Ruben Leite



Tropa Magica // Tropi Records // setembro de 2018

7.5/10 

O projeto de tropicalia psicadélica, Tropa Magica, composto pelos irmãos David e Rene Pacheco lançou o seu primeiro álbum longa duração depois de ao longo do ano estrearem um EP (Y La Muerte de Los Commons) e diversos singles. Desde 2012 a espremer as influências psicadélicas californianas na sua banda Thee Commons, neste novo projeto os irmãos tiveram a liberdade para polvilhar o seu cocktail musical com um pouco de tropicalia brasileira e ritmos de cumbia colombiana. Produzido por Cesar Mejia (Herbie Hancock, Brian Eno, Los Lobos), o som de Tropa Magica é uma autêntica festa, um dos discos mais animados e dançáveis do ano. A introdução surge com um piano romântico em "Ya Viejo" e abre as portas para o baile, seguida pela apropriadamente chamada "Disco Queen". A música que melhor identifique a personalidade da banda é "Morena", onde os irmãos Pacheco convidam "todos a bailar" por cima de uma secção rítmica contagiante. Outro destaque do álbum vai para a satírica "Primus Sucks", referencia à banda californiana liderada pelo icónico baixista Les Claypool, enquanto utilizam algumas linhas de baixo inspirados na técnica do mesmo. Apesar de lançado no final de setembro, a Tropa Magica aproveitou os resquícios do verão para lançar um disco inspirado com inúmeros rasgos de genialidade. Atenção a estes meninos que mostram um enorme potencial para o futuro.
Hugo Geada





Superior State // Artefact / Crybaby //outubro de 2018

8.0/10

Os RENDEZ-VOUS editaram este ano o seu muito aguardado disco de estreia, Superior State, que vem dar sucessão aos bastantes aclamados EPs Rendez-Vous (2014) e Distance (2016). Quatro anos depois do primeiro EP a banda parisiense - que se destacou rapidamente dentro do panorama underground após o lançamento do single "Distance" - regressa agora aos holofotes com o novo disco Superior State, uma coleção de novas sonoridades, além do post-punk abrasivo a que nos têm vindo a habituar. Apresentado através de "Double Zero”, que teve direito a um vídeo marcante, numa sonoridade aproximada aos ritmos de The Soft Moon foi, mais recentemente, em "Sentimental Animal" que os RENDEZ-VOUS nos mostraram que Superior State não é um disco para meninos, mas o reflexo de uma banda matura e pronta a exibir o seu enorme potencial. Nesta estreia os RENDEZ-VOUS mostram que rótulos não lhes fazem jus e que a sua música transmite o que tem de transmitir com eles bem a querem e condicionam. Uma coleção de dez canções da vanguarda com temas como "Exuviæ" e "Superior State" a atirá-los para os campos da música industrial dos anos 2000, "Midle Classe" - a fazer lembrar a synthpop influenciada pelos 80’s de bandas como M83 - e ainda a balada "Last Stop", a refletir as malhas mais depressivas do post-punk contemporâneo. Um disco prontinho para arrasar as pistas de dança mais arrojadas.
Sónia Felizardo



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STREAM: Shoeg - Container


Shoeg é Carlos Martorell, músico e produtor catalão cujas experimentações e colagens sonoras de cariz industrial recebem hoje a primeira edição pela norte-americana Orange Milk Records (casa mãe para artistas como Giant Claw, Foodman, entre outros). 

Container, o título do álbum em questão, gira em torno dos conceitos de standartização, rotulagem e zonas de conforto, e como coisas interessantes acontecem nas fronteiras externas desses conceitos. Criado exclusivamente através de sensores de movimento, Container é composto por duas faixas de longa-duração que balançam entre a tensão dos arranjos tradicionais e as técnicas generativas. O projeto, disponível via Bandcamp, encontra-se agora disponível para audição integral.



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STREAM: J​.​H. Guraj - Steadfast on our Sand


J.H. Guraj contribui com algumas músicas para o documentário Steadfast on our Sand de ZimmerFrei que foram editadas de forma independente, no passado mês em vinil pelo selo italiano Boring MachinesSteadfast on our Sand é um documentário sobre a criação de paisagens e controlo da natureza. Um filme hipnótico sobre a comunidade ilhéu e os seus hábitos e tradições contraditórias documentado sobre a natureza artificial e paisagismo.

Agora editado em formato físico, Steadfast on our Sand é um conjunto de quatro faixas de desenvolvimento lento e pervasivo, divididas em dois lados e com uma duração aproximada a 20 minutos, que se encontram disponíveis para audição na íntegra, abaixo.

Steadfast on our Sand (Music for a documentary film by ZimmerFrei) foi editado no passado dia 19 de outubro pelo selo Boring Machines.

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STREAM: zero23 - Songs from the eternal dump


Os zero23 - trio formado por Giuseppe Fantini, na guitarra, Niet F-n na parte eletrónica / gravações de campo e Macarena Montesinos no violoncelo - vão lançar no final do mês a edição física de Songs from the eternal dump, contudo já é possível ouvir o resultado deste novo trabalho na íntegra, ali abaixo. O título do álbum tem um duplo valor: um puramente social - porque o despejo eterno retrata a mecânica humana e a sociedade atual; o outro estritamente musical - já que as partes eletrónicas e de guitarra soam intencionalmente sujas.

Este novo disco vive de uma bipolaridade sonora onde reina um equilíbrio executivo, onde nenhum instrumento transborda ou obscurece o outro, com a intenção de criar um som orgânico e tenso. Melodias, cacofonias, ruído, blues, distorções, ritmos e microsounds, tudo isto é centrifugado e amassado num único magma de som alienígena intitulado de Songs from the eternal dump.

Songs from the eternal dump tem data de lançamento prevista para 27 de novembro pelo selo italiano Kaczynski Editions.


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STREAM: The Fog Ensemble - Throbs


Três anos após o disco de estreia os gregos The Fog Ensemble estão de volta com o seu segundo trabalho de estúdio, Throbs, o primeiro pelo selo Inner Ear RecordsComposto por ritmos de compilação lenta, sons melódicos assombrosos e riffs a conjugar as paisagens do shoegaze, do post-rock  e do psyck-rock, os The Fog Ensemble apresentam um disco que, numa frase, poderia ser descrito como a banda sonora perfeita para um filme de suspense.


Composto nos últimos dois anos na cidade natal da banda, Thessaloniki e, gravado em quatro dias no estúdio Shellac em julho de 2017, Throbs mostra uns The Fog Ensemble a construir estruturas rítmicas de fácil audição com influências dos mais derivados géneros. Deste novo trabalho recomenda-se a audição de temas como "Lighthouse", "Droog Party", "False Moves" e "Throbs". O disco pode ser reproduzido na íntegra abaixo.

Throbs foi editado no passado dia 19 de outubro pelo selo Inner Ear Records. Podem comprar o disco aqui.


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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

"The Dead And The Gone" de Superalma Project ganha novo vídeo


O projeto de música eletrónica experimental de Igor Almeida, mais conhecido por Superalma Project, lançou na semana passada o novo trabalho audiovisual para o tema "The Dead And The Gone", a sétima faixa do seu mais recente disco de estúdio Dystopian Children, editado em fevereiro do presente ano. O vídeo produzido para a música faz parte de uma série de trabalhos que serão desenvolvidos por Luís Tarrafa (designer e animador 3D) e Igor Almeida

Através de um estilo quase primata, "The Dead And The Gone" apresenta reflexões sobre a obsolescência programada dos indivíduos, a sua uniformidade e padronização estética e ética. O vídeo pode ser visualizado abaixo. 

Dystopian Children foi editado a 10 de fevereiro pelo selo Os Triângulos Espirituais.


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Os They Called Him Zone querem amor

A banda britânica de electro-rock, They Called Him Zone lançou recentemente o seu novo single "I Want Love", o primeiro de uma série de temas que serão disponibilizados para venda exclusiva em formato digital. Este novo "I Want Love", composto pelas guitarras rasgadas do rock da década passada e a aura fuzz mais contemporânea, conduz-nos até aos territórios de bandas como Black Rebel Motorcycle Club, juntando-lhes ainda um toque sombrio bastante característico.

"I Want Love", lançado no passado dia 15 de outubro é o primeiro lançamento dos They Called Him Zone em cerca de doze meses. Podem aproveitar para ouvir o novo tema abaixo.


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Reportagem: Iceage + Terebentina [Hard Club, Porto]


Foi no passado dia 26 de outubro, sexta-feira, que regressámos ao Hard Club para mais um evento com selo At The Rollercoaster. Noite concorrida já que, no mesmo espaço, se encontravam dois dos atos mais fundamentais da Matador moderna. De um lado, na sala 1, encontrava-se Kurt Vile, o cantautor natural da Pensilvânia que subiu ao norte para o último de dois concertos em Portugal (três se contarmos o showcase no Chiado). Do outro, na sala 2, encontravam-se os dinamarqueses Iceage, que regressaram a Portugal para os primeiros concertos em nome próprio. 

Com novo disco na bagagem, a banda de Elias Bender Rønnenfelt encontra-se em plena forma e maturidade, com elogiosas críticas por parte dos meios de comunicação especializados a apontar Beyondless,  o título do disco em questão, como o melhor dos rapazes dinamarqueses. A opinião é divisiva e discutível, claro, mas já não restam grandes dúvidas que encontrámos nos Iceage uma das bandas mais consistentes e promissoras dos últimos dez anos. No ano em que a banda comemora precisamente uma década de existência, dirigimo-nos então à sala menor do Hard Club, onde atuou também o coletivo portuense Terebentina.

Perante uma sala menos composta que o expectável (o sucesso do concerto ao lado poderá ter influenciado), os Iceage apresentaram-se impávidos e com a indiferença que lhes é caraterística, iniciando o serão ao som de “Hurrah”, o tema de abertura de Beyondless que introduziu a performance em compasso frenético. “Pain Killer” seguiu-se nesse mesmo ritmo alucinante, apoiando-se em linhas embriagadas de saxofone e violino e uma letra tão orelhuda quanto arriscada. Ainda em mote de apresentação do novo álbum, seguem-se as texturas sombrias de “Under The Sun” e “Plead The Filth”, primeiro em toada gótica, quase neofolk, depois em devaneios lascivos de humor apurado. “Lord’s Favourite One”, o único tema de Plowing into the Field of Love a integrar o alinhamento, desencadeou um dos momentos mais acesos da noite, com alguns membros da plateia a celebrarem o tema do saudoso disco de 2014 com moche e agitação q.b.. E se o tema transacto convidou o ambiente de rodeo, “Thieves Like Us” prosseguiu com mais uma boa dose de agitação, onde a influência (ainda que subtil) do cancioneiro tradicional norte-americano, do country à americana, se cruza com a boémia poética e sonhadora dos dinamarqueses.


Já na meta final, ouve-se "Take It All" e o tema-título do quarto álbum, cuja languidão contida e arrastada marca o compasso final de um capítulo, dando início a uma breve retrospetiva que percorreu os primórdios impetuosos de New Brigade e You’re Nothing. A marcha militar e industrial de “White Rune” serviu de mote para este regresso à frieza de espírito juvenil, seguindo-se o caos punk de “Ecstasy” e o manifesto utópico de “Morals”, intercaladas apenas pelo último de dois temas inéditos a figurar o alinhamento. As paisagens ácidas e áridas de “Catch It” fizeram o deleite dos presentes, que pareciam pintar o tema como o novo ex-libris do grupo, encerrando uma noite de emoções à flor da pele.

Menos crus e viscerais que na última passagem por Portugal, a banda dinamarquesa apresenta-se, no entanto, mais confiante e aprimorada, o charme continua no ponto e o carisma de Elias mantém-se inigualável. O romantismo a que nos habituaram ao longo dos últimos quatro anos poderá deixar-nos saudosos das performances incendiárias e apaixonantes de outrora, mas o veredicto final é o de uma banda amadurecida que não se contenta com conformismos, que abraça os princípios do bom rock n’ roll sem nunca cair em clichês bacocos.


Antes, os Terebentina encarregaram-se de aquecer a noite com a comoção e intensidade merecidas. O sexteto sediado no Porto tem vindo a agitar o cenário independente da Invicta com algumas das performances mais abrasivas que nos recordamos de assistir nos últimos tempos, delineando os limites da experimentação com um som que tem tanto de refrescante como de familiar. Influenciados pela corrente exploratória e subversiva da América dos anos 1970, de Glenn Branca a DNA, os Terebentina apresentaram um conjunto portentoso de canções de difícil categorização, uma exploração expressiva e visceral que só sente o conforto na vertigem.


Iceage + Terebentina [Hard Club, Porto]

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Helena Granjo

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