sexta-feira, 23 de novembro de 2018

STREAM: P.A. Hülsenbeck - Garden Of Stone


Garden Of Stone, o disco inaugural do produtor P.A. Hülsenbeck chega às prateleiras na próxima semana e promete colocar os ouvinte num limite entre a música conceptual e a música experimental. O artista dá uso à sua voz como um instrumento que vem de algum lugar profundo e obscuro. A envolver este timbre, guitarras, sintetizadores, koto, saxofone, trompete, chifre, bateria e baixo por forma a fornecer uma base suave e exuberante. 

Através deste novo trabalho, P.A. Hülsenbeck esplora relações entre o corpo e a mente através de exercícios de improvisação de movimentos expressivos. Do disco já tinham anteriormente sido avançadas as faixas "Aya On Canvas", "A Serpent Of Velour" e "Speaking In Tongues". Garden Of Stone pode agora ser reproduzido na íntegra, abaixo.

Garde Of Stone é editado em formato físico no próximo dia 30 de novembro pelo selo Altin Village & Mine.


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Flieder - "Paria" (video) [Threshold Premiere]

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Swiss post-rock band Flieder has released their most recent effort in the form of the single and music video, "Paria", released through Red Brick Chapel. The music video was directed by Daniel Rutz and can now be watched below.

Operating within the post-rock genre, the band goes on a ethereal trip in this track, that takes them to the confines of the cosmos, playing with various leftfield electronic sounds and having an unexpected, yet still discrete, childlike wonder, equivalent to that of a child who's watching the starry sky for the first time. However, the electric part still makes itself heard, sounding more and more triumphant and epic as the song goes by, even in its calmer parts. In the music video, we see the band venturing through the universe, witnessing experiences of the boundless kind, and finding an outward creature, who they take along with themselves for a sort of guys night out.



As of now, the band has two records, eins and Passing By, and you can keep up to their newest developments, by accessing their website or through their bandcamp and Facebook.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Na próxima sexta-feira há Valentina Magaletti e João Pais Filipe no Understage


No final da próxima semana, dia 30 de Novembro, João Pais Filipe e Valentina Magaletti encontram-se no Understage no âmbito do Porto/Post/Doc

Esta é uma história de amor. Em dezembro de 2017, quando visitou o Porto com os Tomaga, Valentina Magaletti tomou contacto com os gongos de João Pais FilipeDaí até combinarem novo encontro foi um instante. Em fevereiro, Valentina Magalleti visitou a oficina do músico e escultor sonoro portuense e 48 horas depois tinham um disco feito a quatro mãos. Um disco que é uma coleção de duas peças sonoras compostas com tambores e diferentes percussões, usando uma miríade de materiais e instrumentos como o sintetizador Buchla, colheres, gongos, crotals, sinos, pilhas, vibrafone, chocalhos, congas, caixas e vários objetos de madeira, borracha e metal.

O concerto começa às 23:30 e os preço único é de 5 €.

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Reportagem: Stoned Jesus + Somali Yacht Club [Hard Club, Porto]


Este ano o Halloween, dia 31 de outubro, no Porto foi para muitos marcado pela atuação dos
Stoned Jesus com Somali Yacht Club. As bandas encontram-se em digressão pela Europa e passaram na semana passada por Porto e Lisboa (Hard Club e RCA Club, respetivamente.

A passagem de Somali Yacht Club por Portugal era já há muito esperada, a banda natural da Ucrânia abriu o concerto com "Crows", um dos êxitos do seu mais recente álbum e acabou a sua atuação com uma surpresa. Igor Sydorenko, dos Stoned Jesus, juntou-se à banda para um cover de "Testify" dos Rage Against the Machine, que deixou o público ao rubro. 

Somali Yacht Club
Stoned Jesus

A atuação de Stoned Jesus focou-se no seu mais recente álbum, Pilgrims, não podendo deixar de contar com antigos êxitos como "I'm The Mountain". Foi uma atuação envolvente com bastante interação com o público, onde não faltou mosh e crowd surfing. No final, até os integrantes da banda se juntaram ao público e se aventuraram também num crowd surf e saíram debaixo de um grande aplauso. Foi uma noite memorável que relembrou a todos um cheirinho do que se passou no SonicBlast Moledo 2016.

A fotogaleria pode ser vista aqui ou no link em baixo.



Stoned Jesus + Somali Yacht Club [Hard Club, Porto]

Texto: Bruna Tavares
Fotos: David Madeira

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Reportagem: Quadra [Plano B, Porto]

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© Headliner / Rita Miranda
Neste passado dia 16 de novembro, os bracarenses Quadra, a convite da publicação online Headliner, fizeram parte da iniciativa Foco Headliner aos Talentos Emergentes e ocuparam o palco do Plano B para uma exibição live do seu Cacau, para além de umas  quantas surpresas reveladas.


© Headliner / Rita Miranda
Uma vez que a plateia foi ficando bem compostinha, o concerto arrancou então à hora combinada 23h30, com um breve "Intro", que cedo deu lugar ao tema "Batalha", sendo aí o momento eficaz para aquecer as hostes para o que se avizinhava para o resto do concerto. A seguir foi um dos temas mais populares da banda, "Mapa de Fuga", marcando o ponto exacto em que o público começou a aderir em pleno, dançando que nem desalmados pela noite adentro. A seguir veio "Mutações", com o seu trabalho de baixo e bateria arrebitados, e "Pulsar" a destacar-se por uns acordes de guitarra meio harmonioso e gingão e uns sintetizadores sonoramente profusos.

© Headliner / Rita Miranda
Posteriormente, em estreia absoluta, a banda lançou duas faixas inéditas para deleite do público presente, sendo esses "Dance Dance Dance" e "Molokans", que provaram ser adições notáveis ao cancioneiro dos Quadra. O foco voltou entretanto para o álbum Cacau, ao ouvir-se a faixa "Tromba de Água" a demonstrar uma veia mais agressiva em comparação com o resto do alinhamento, "Iberia" mostra um tema mais tropical, "Dança Modular" revela alta vibe mais espacial e determinado, enquanto que a reta final do alinhamento são determinados pelo teor atrevido de "Vendetta" e os dinamismos sóbrios de "Cacau". A banda depois saiu de palco para uma breve pausa, tendo regressado para um breve encore a repetir "Mapa de Fuga", para assim encerrar o concerto com um público em absoluto júbilo. Missão mais que cumprida.

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Conhecer os Sweet William 32 anos depois do início


Os Sweet William formaram-se em outubro de 1986 pelo vocalista Oliver Heuer e, quatro anos depois, estavam a lançar cá para fora o seu disco de estreia, These Monologues (1990). Até ao processo de lançamento de um material corpóreo os Sweet William tiveram cerca de quatro anos de ensaios e de improvisações que deram origem aos primeiros temas de carreira, alguns dos quais nunca chegaram a receber uma edição apropriada. Assim, em modo de celebração de 30 anos de carreira, a banda regressou ao estúdio entre 2016 e 2017 para gravar o seu mais recente disco de estúdio - The Early Days 1986 - 1988 - que conta com onze temas que marcam o início dos inícios da carreira dos Sweet William na música e que, até então, não tinham sido gravadas em estúdio.

Conhecer os Sweet William 32 anos depois da formação inicial é um trabalho hercúleo, dado que a discografia da banda alemã conta com cerca de 30 edições, com selos de editoras como a Hyperium (Rough Trade) e Dion Fortune (SPV), entre outras. Apesar disso, a banda facilita-nos o trabalho com este The Early Days 1986-1988, uma boa forma de explorar o conceito e as ideias iniciais que levaram a que os Sweet William se conseguissem manter no ativo durante tantos anos, mesmo após o auge e a queda dos cenários do rock gótico, new-wave, post-punk e subgéneros. Agora num novo período de ascensão, a banda alemã mostra a sua sonoridade dos anos 80 através de ritmos melancólicos e de músicas inéditas que até então permaneciam fechadas no passado.



Dos membros da formação inicial, o baterista Marius Nigel era o único que tinha tido formação musical, tanto Oliver Heuer (voz, guitarra) como Bodo Rosner (baixo) foram autodidatas neste processo. As versões demo das músicas de The Early Days 1986 - 1988 certamente que eram bem mais lo-fi, mas para já resta-nos criar a imagética resultante desse som, através da audição deste novo disco. As surpresas começam a aparecer logo em temas como "Another Place", a trazer à memória diversas bandas de post-punk que marcaram o período da história dos anos 80, e continuam saga fora com "An Impression of Life" - a chamar ao barulho o rock indie dos The Strokes -, "Four Days", "Coloured Feelings" e "Nailed To The Ground" - a fazer lembrar o experimentalismo de bandas como Bauhaus e The Sound.



Em 32 anos de carreira a sonoridade dos Sweet William foi sofrendo alterações na sua textura e tonalidade. As músicas tornaram-se mais frias, melancólicas, com ritmos menos acelerados, mas ainda assim abertas à luz. O disco de estreia, These Monologues, lançado numa edição bastante limitada em vinil pela Big Noise Rec, foi reeditado um ano mais tarde pela Hyperium, selo através do qual lançariam também Kind Of Strangest Dream (1992) e Development Through The Years (1994), que lhes garantiu várias tours pela Europa. Posteriormente, através da Dion Fortune editam ainda Show (1998) - que recebeu destaque aclamado nos tops da música alternativa alemã - e Dance Classics (1999).

Depois de alguns anos marcados por mudanças de lineup a banda encontra um novo baterista em 2001 e passa por um período de gravação e lançamentos extensivos, através da sua própria editora, a Datakill. Em 2010 os Sweet William juntam-se ao catálogo da editora francesa D-Monic - através da qual têm disponibilizado os seus últimos lançamentos - para editar Brighter Than The Sun um álbum composto por 14 faixas de música eletrónica e rock combinadas com elementos psicadélicos. Em 2012 o baterista da formação original, Marius Nigel, regressa à banda e o resultado surge em 2013 com o disco conceptual Ocean, que na íntegra conduz o ouvinte a águas calmas, águas escuras e todo o cenário de comutação num total de 74 minutos.



Em 2015 os Sweet William tocaram um concerto acústico em Paris que teve um impacto nas novas sonoridades da banda, pelas reações positivas do público. Os alemães começaram assim a explorar e a trabalhar em novos sons acústicos que foram mais tarde editados através do disco Organic Shades (2016). Este trabalho apresenta quatro versões cover, quatro músicas tiradas de álbuns anteriores e uma música nova, todas elas apresentadas em formato acústico. 



No mesmo ano, já no mês de dezembro, a banda edita o bastante aclamado disco de estúdio Time (2016), em celebração dos 30 anos de carreira dos Sweet William. O disco cria uma ponte estética entre a música gótica, psicadélica e rock, apresentando músicas inéditas, além de novos temas que foram gravados entre o período de 2014 a 2016. Este é também o álbum que antecede The Early Days 1986 - 1988, o trabalho que nos levou a querer saber mais sobre os Sweet William, e que apresenta uma vibe completamente diversificada em comparação com os temas de início de carreira. Uma viagem experimental aos campos de bandas como The Doors e The Cure.



Para saberem mais sobre os Sweet William espreitem a página oficial da banda aqui, ou passem pelo Bandcamp da banda e/ou da D-Monic.

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Falta uma semana para Sevdaliza visitar o Capitólio


Depois da passagem pelo Super Bock Super Rock deste ano, onde protagonizou um dos concertos mais elogiados de todo o festival, Sevdaliza volta a território nacional ainda este mês, para um concerto em Lisboa, dia 29 de novembro, no Cineteatro Capitólio. A cantora e artista multidisciplinar holandesa, de origem iraniana, apresenta o EP The Calling, editado este ano, depois do longa duração Ison (2017) que lhe valeu a aclamação mundial. 

No universo único em que se move, a sua figura apresenta-se sempre envolta de uma aura de mistério, poder e fragilidade. As composições que cria fundem eletrónica, trip-hop, grime e avant-garde, sendo sempre complementadas por visuais disruptivos e sedutores. 

A cada aparição, Sevdaliza revela com deslumbramento toda a profundidade da condição que define como “apenas humana” - e esta noite, certamente, não será diferente. Os bilhetes ainda estão disponíveis e podem ser adquiridos nos locais habituais pelo valor de 20 euros. 

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Esta semana: Wire regressam a Portugal para dois concertos


Os Wire regressam esta a semana a Portugal para dois concertos imperdíveis com selo At The Rollercoaster. Precursores do movimento post-punk, a banda britânica conta na sua carreira mais de quatro décadas dedicadas à vertente mais artística do género, dos quais resultaram obras fundamentais como Chairs Missing, 154 e o quintissencial álbum de estreia Pink Flag. Depois de uma década de completa inatividade, a banda regressou às edições no virar do século para, desde então, assegurar um legado mais que justificado que recusa olhar apenas para o passado, mantendo-se ativa e surpreendentemente prolífica desde então (contam-se mais de dez lançamentos de curta e longa-duração desde o regresso em 2000).

Depois de terem atuado no Museu de Arte Contemporânea, em Serralves, os Wire regressam ao país, dez anos depois, com três novos álbuns na bagagem - Wire (2015), Nocturnal Koreans (2016) e Silver Lead (2017). Os concertos decorrem dias 23 e 24 deste mês, no Hard Club (Porto) e RCA (Lisboa), respetivamente. A abrir para os britânicos  estão os portugueses Sweet Nico, que trazem ao palco o mais recente disco R EBORN, editado em junho do presente ano.



Os bilhetes para ambos os concertos possuem um preço único de 22€ e estão disponíveis para venda via BOL Online, Fnac, Worten, CTT, El Corte Inglês. 

Abertura de portas e bilheteira: 21h00
Sweet Nico:  22h00
Wire: 23h00 

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STREAM: Jet Plane - Falls Feather


A banda russa Jet Plane editou na semana passada o seu disco de estreia Falls Feather, disco composto por um total de seis canções - situadas entre post-rock fervoroso e o experimentalismo neoclássico - e prontas para se ouvir bem alto. Este quarto trabalho de estúdio chega dois anos depois de Pipe Dream (2016) e mostra um lado equilibrado entre as atmosferas mais pesadas, às mais ligeiras, além de uma evolução na instrumentação envolvente que se apresenta bastante coerente, como um todo.

De Falls Feather já tinha sido anteriormente apresentada a faixa "Ocean", que teve direito a um trabalho audiovisual com o mar como pano de fundo (podem ver aqui) sendo que as restantes faixas podem agora ser reproduzidas na íntegra. Além do já mencionado tema destaque ainda para a obscura, prepotente e hipnotizante "Wildflowers", o início arrepiante e a atmosfera nostálgica de "Morendo" - uma das melhores faixas deste longa-duração - e ainda "Less".

Falls Feather foi editado no passado dia 15 de novembro.


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NONN lançam novo disco em dezembro


Depois de fazer uma tour pela Europa e ter recrutado uma banda completa, NONN, que começou por ser o projeto a solo de coldwave e synth music do sueco Christian Eldefors é agora um trio que se prepara para lançar o segundo disco de estúdio, XVII, já no próximo mês. Este novo disco chega um ano após a edição do disco de estreia homónimo e lida em um som mais completo, refinado e cada vez mais obscuro, com direito a uma percussão mais industrializada entre outros ritmos a situarem-se nos campos da darkwave.

O novo disco foi anunciado a semana passada e juntamente com a notícia foi também apresentado o primeiro tema de avanço "Clear", que segue com direito a um trabalho audiovisual disponível abaixo.  


XVII tem data de lançamento prevista para 7 de dezembro pelo selo Fuzz Club. Podem fazer pre-order do disco aqui.

XVII Tracklist:

01. Pray 
02. Clear 
03. Home 
04. Believe 
05. When 
06. Hide 
07. Reach 
08. Beyond 
09. Past

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HOPE lançam vídeo ao vivo para "Kingdom"


Os alemães HOPE lançaram em outubro do ano passado o seu disco de estreia Hope, o qual continuam a promover, desta feita, através de um vídeo ao vivo para o tema "Kingdom", que foi tocado na edição deste ano do Haldern Pop Festival. Num cenário com o strobe carregado, onde a voz de Christine Börsch-Supan penetra, balanceando para frente e para trás entre ataque e defesa, os HOPE conduzem "Kingdom" até um final frenético. 

O disco de estreia dos HOPE foi gravado por Olaf Opal (The Notwist) e mostra a escuridão pop da banda que vai beber influências a nomes como Portishead e Talk TalkA banda irá lançar o segundo disco de estúdio no primeiro trimestre de 2019. Até lá, fiquem com o vídeo para "Kingdom".


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STREAM: GRANDEUR - Singles Vol. 1: The Great Famine


Os norte-americanos GRANDEUR estiveram a trabalhar em alguns temas durante o presente ano que aproveitaram para reunir num volume singular a que chamaram Singles Vol. 1: The Great Famine e que apresenta um total de onze faixas remixadas e remasterizadas. Situando-se entre os campos do rock gótico e algumas tonalidades do post-punk, The Great Famine é cantado através de uma voz áspera e emotiva e conduzido por um ritmo ora enérgico, ora mais pausado, mas sempre em equilíbrio.

Do disco, que pode ser reproduzido na íntegra, abaixo, recomenda-se a audição de temas como "Phases Of The Moon" -  a explorar os campos da darkwave -, "Is This the Elegy of Our Love?" - com aquele início de ritmo marcado a evoluir para as sonoridades de bandas como Fields Of The Nephilim -, "Immaculate" - com o início a trazer à memória as guitarras dos grandiosos The Sound - e ainda "Cloudburst".

Singles Vol. 1: The Great Famine foi editado na passada sexta-feira (16 de novembro).


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STREAM: Kill Shelter - Damage


Kill Shelter, o projeto a solo do multi-instrumentista, produtor e remixer Pete Burns, lança na próxima semana o seu novo disco Damage que conta com uma série de colaborações com nomes relevantes dentro do panorama da música underground. Damage é um disco de tonalidades sombrias, situadas nas paisagens da darkwave e coldwave e a banda sonora perfeita para os dias mais soturnos.

De Damage já tinham anteriormente sido apresentadas as faixas "In Decay ft. Antipole & Delphine Coma", "Bodies ft. Buzz Kull", "Get Down ft. The Shyness of Strangers" e "No Regrets ft. undertheskin". O disco foi disponibilizado para escuta integral esta segunda-feira (19 de novembro) e mostra a veia artística de Kill Shelter dentro dos campos da música eletrónica num registo que, globalmente, é difícil de categorizar. Damage conta ainda com a colaboração do português Pedro Code (IAMTHESHADOW The Dream Collision) na faixa "Hollow". Podem ouvir o resultado abaixo.

Damage é editado na próxima segunda-feira (26 de novembro) pelo selo Unknown Pleasures Records. Podem comprar o disco aqui.


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Vai uma cassete de música ambiente?


The Insincere Sympathy Of The Faraway Stars é o segundo disco de estúdio do produtor Fabrizio Modonese Palumbo sob o seu prórprio nome e nasce do humor negro e do desejo absoluto de curar o glamour. Este novo disco, composto por apenas uma faixa de duração aproximada a 30 minutos, vem dar sucessão a Doropea (2015, Old Bicycle Records) e apresenta-se como uma exploração mono temática, e geralmente mono tom, através de um fluxo de texturas musicais, construído em torno de uma progressão melódica e desenvolvimento arrastado. The Insincere Sympathy Of The Faraway Stars pode ser reproduzido na íntegra abaixo.

Fabrizio Modonese Palumbo é um membro fundador da banda de culto Larsen, bem como de Blind Cave Salamander, Coypu e Almagest!. O artista atua como músico a solo sob o moniker (r). Além destes projetos menção ainda para colaborações com artistas como Xiu Xiu, Ben Chasny, Jochen Arbeit, Annie Little, ZEV, Johann Johannsson, Carla Bozulich, Baby Dee, David J, Peter Murphy entre muitos outros. 

The Insincere Sympathy Of The Faraway Stars foi editado no passado dia 28 de setembro pelo selo Delete Recordings em formato cassete. Podem comprar a cassete aqui.


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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Reportagem: HHY & The Macumbas [Understage, Porto]


O Understage do Teatro Municipal Rivoli recebeu, esta sexta-feira, o ensemble portuense HHY & The Macumbas, que trouxe ao palco o segundo e mais recente longa-duração do grupo, Beheaded Totem, editado em setembro pela britânica House of Mythology (Ulver, David Tibet, Zu). Formado em 2009 pelo produtor e artista multidisciplinar Jonathan Uliel Saldanha, membro dos colectivos SOOPA e Faca Monstro, este fantasmagórico coletivo tem no seu núcleo alguns dos músicos fundamentais da cena musical portuense, reunindo ao longo dos seus quase dez anos de carreira um culto e admiração mais que justificado por parte do público e meios de comunicação especializados. Auto-descrito como sendo uma banda de voodoo dub cibernético, os HHY & The Macumbas assumem-se como exploradores incessantes da música eletrónica de dança, desconstruíndo ritmos e cruzando-os com os fascínios da dub, do jazz e da cultura soundsystem. A tudo isto junta-se uma atração inerente pelo eco e pela astrofísica, ganchos que alimentam este segundo capítulo dos Macumbas como investigadores da matéria oculta. 

A performance efetuada no subterrâneo do Rivoli foi recebida com pompa e circunstância, já que o evento se encontrava totalmente lotado dias antes do acontecimento. Sala cheia, portanto, aos quais se juntou o calor e um intenso jogo de luzes vermelhas, envolto numa nuvem densa de fumo artificial. Já com os seis elementos do coletivo em palco, ouvem-se os primeiros sons das fanfarras presentes no tema de abertura de Beheaded Totem, aqui introduzidas através de samples pré-gravados que Jonathan implementa através da sua mesa de mistura. É com o trompete de André Rocha que ouvimos o primeiro instrumento de facto. No entanto, é possível notar uma certa deformação no seu sopro, uma anomalia comum nesta nova etapa do coletivo que enfrenta assim os fantasmas dos próprios sons. Tal como o eco, o coletivo projeta partículas no tempo que se prolongam em timbres desfasados da realidade, aos quais se junta uma secção rítmica pujante e ininterrupta, potenciada por quatro percussionistas exímios - João Pais Filipe, Brendan Hemsworth, Frankão e o sempre mascarado Filipe Silva - que nos devoram em padrões circulares e hipnotizantes. 



Estamos perante um exercício desconcertante que desafia as concepções do próprio tempo, envolvendo o público num ambiente de transe que, progressivamente, evolui para um cenário de rave pós-tribal. É nesta fase que se começa a avistar uma tímida agitação entre o público, proporcionada por ritmos repetitivos e arredondados que marcam uma espécie de ciclo vicioso que é tão assombroso quanto transcendente. A marcha embriagada da fanfarra alimenta um sentimento angustiante e visceral que nos leva ao limiar da vertigem, sincopado por linhas militares de bateria e percussão que marcam o ritmo de forma holística. O derradeiro fim surgiria uns bons minutos depois da primeira hora de concerto, mas as mentes dos presentes ainda se encontravam dentro daquela que foi, seguramente, uma das mais poderosas experiências do ano. Entre a introspecção e a euforia, a luz e o assombro, os HHY & The Macumbas encerraram assim mais uma autêntica viagem pelos campos mais libertários da música de dança.

HHY & The Macumbas [Understage, Porto]

Texto: Filipe Costa 
Fotografia: David Madeira

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STREAM: The Pool - Year Of The Dog


Depois de dois EPs que chegaram cá fora ainda no ano presente, os The Pool, estão de regresso com o terceiro curta duração de estúdio Year Of The Dog, que à semelhança dos anteriores trabalhos, é resultado de improvisações sonoras de onda minimal e textura monocromática. Os três temas que incorporam o disco são uma homenagem à mãe do compositor e vocalista Martin Bernt, que faleceu na véspera do ano novo chinês quando estavam entrando no ano do cão. Daí o título do disco. Ela não era uma pessoa sentimental, mas uma força de poder com opiniões e uma artista na sua verdadeira forma. Então, a partir desse ponto inicial, o EP foi feito.

Os The Pool começaram por ser o projeto a solo de Martin Bernt que acabou por se transformar num trio atualmente sediado entre Copenhaga e Berlim. O disco de estreia We Will Never Be As Young As We Are Tonight, chegou às prateleiras me formato self-released, por volta de 2011. Em 2015 a Drone Recs editou o segundo disco de estúdio, Repetitions. Para 2018 a banda tinha previsto lançar um total de cinco EP's, talvez lançem apenas quatro, mas pelo menos já podemos ouvir três: Smokescreen, Talking Ghosts e agora, Year Of the Dog.

Year Of The Dog foi lançado no passado dia 16 de novembro.


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The Walks em entrevista: "Continuamos as mesmas pessoas mas há uma constante evolução"

Ana Cláudia Silva ©
Estivemos à conversa com Gonçalo Carvalheiro e Nelson Matias, baixista e guitarrista da banda de Coimbra The Walks, onde falámos sobre o seu novo álbum Opacity, editado a 9 de novembro pela Lux Records, sobre a cena musical da cidade onde vivem e sobre as suas expetativas para o futuro da banda.

Threshold Magazine (TM) - Quem são os The Walks?

Gonçalo Carvalheiro (GC) -  Os The Walks são uma banda constituída por 5 elementos, que nutrem uma amizade e um respeito mútuo. Já existimos há alguns anos, a formação alterou um pouco com a entrada do Tiago Vaz (baterista), mas acima de tudo somos um conjunto de pessoas que gosta de fazer música, apesar de não conseguir fazer a tempo inteiro, uma vez que temos outras atividades profissionais, mas que acaba por ser o ponto comum entre todos.

TM - Vocês estão em Lisboa para apresentar o vosso novo segundo álbum Opacity, o que mudou para a banda desde o lançamento do vosso primeiro disco em 2015?

GC - Acima de tudo a banda tem mais maturidade na forma como vê e cria os temas. O primeiro álbum é muito mais “urgente” no sentido em que nós tecnicamente não estávamos tão desenvolvidos como agora, então o processo era mais rápido e a estrutura das músicas era mais simples e regular. Houve bastantes mudanças pessoais nos membros da banda, o que trouxe algum crescimento pessoal que depois se repercutiu a nível musical. Continuamos as mesmas pessoas mas há uma constante evolução e isso reflete-se na nossa música.



TM - E em termos sonoros? Que diferenças encontramos em Opacity quando comparado a Fool’s Gold?

GC - A principal diferença acaba por estar não no conteúdo, mas na forma como as coisas são apresentadas. O primeiro disco é mais direto e apesar de também ter uma palavra e um significado forte, Opacity é posto em prática de uma forma mais trabalhada e refletida, os temas têm tempo, respiram mais, as estruturas já não são tão convencionais e há uma perspetiva de brilho nas músicas que não acontecia no primeiro disco. Por outro lado, há algumas músicas com mais densidade e uma escuridão que não existia no primeiro álbum. Este era um pouco mais uniforme esteticamente e com mais “momentos”, por assim dizer.

TM - Houve alguma diferença na receção deste álbum?

GC - Ainda estamos a testar a recetividade deste álbum, porque ainda não fizemos muitas apresentações ao vivo.

Nelson Matias (NM) - Se calhar de amigos mais próximos, houve aqueles que gostaram mais desta nova abordagem. Poderão haver outros que gostavam mais daquela urgência, do rock and roll mais direto, mas para já a recetividade tem sido boa. Mas como disse o Gonçalo, o disco só sai hoje (9 de novembro) portanto ainda estamos a tentar ver qual é que vai ser a recetividade, mas esperemos que seja tão boa ou melhor que a do anterior.

TM - Em entrevistas que deram na apresentação do vosso primeiro álbum disseram que não estavam à procura de se fecharem num género em concreto. Sentem que agora, mais maduros, têm este som mais definido e com uma identidade própria?

GC - Acho que sim, nós agora quando entramos num processo criativo já há uma identidade individual. Há jeitos e maneiras que tu ganhas de tocar e começas a desenvolver um estilo pessoal. Depois isso tem uma implicação bastante prática e global. O que define o estilo de uma banda com o passar do tempo são os vícios em que acabas por cair, tu desenvolves uma forma de abordar as coisas, podes virar completamente as costas a isso e experimentar novas abordagens. Acho que nós o fizemos de certa forma a nível musical, mas a forma de tocar acho que se reafirma mais agora uma vez que em termos de técnica individual estamos mais desenvolvidos do que há uns anos atrás.

TM - Quais foram as maiores influências de Opacity?

GC - Acho que é a vida em geral, eu não me cinjo apenas à música como influência. Óbvio que há discos e coisas que te vão influenciando mas eu não gosto de restringir as influências só aquilo que pode ser ouvido. Pode ser um livro, uma viagem. Honestamente, e vou-te dar a minha opinião, o Nelson pode dar-te a dele, eu tive muitas experiências pelas quais passei, outras positivais outras negativas, que não tenho a mínima dúvida que tiveram influência na forma como depois eu contribuí para a composição dos temas. Obviamente que alguns discos que foram saíndo e outros que estão connosco há mais tempo e que encontrando pontos comuns com aquilo que estás a fazer vais redescobrir, reouvir também tem influência no que estás a fazer.

TM - Vocês vêm de Coimbra, um habitat musical diferente dos grandes centros como Porto ou Lisboa, sentem que a vossa cidade influencia o vosso trabalho como músicos?

NM - Numa fase inicial do projeto acho que sim, influenciou bastante. Nesta fase já não influencia tanto. Grande parte dessas pessoas que contribuíram para que se criasse todo este misticismo à volta de Coimbra, que nós refutamos, não no sentido que essas bandas não tenham importância, claro que sim, os Tédio Boys, os Parkinsons e por aí fora, mas uma grande parte deles, que são nossos amigos, acabaram por sair de Coimbra e agora não se passa tanta coisa na cidade quanto isso. De certa forma no inicío fomos beber o espirito de rock and roll, mas nesta fase já não nos influencia assim tanto. Obviamente que continuamos a gostar desses músicos e são músicos fantásticos, que marcaram gerações em Coimbra e não só, por exemplo o (Legendary) Tigerman que é um músico de uma abrangência nacional e até internacional. Mas obviamente que nesta fase já não faz sentido olharmos só para Coimbra, muito pelo contrário dois dos nossos elementos até estão a viver em Lisboa, o que nós andamos a ouvir e a consumir já não tem tanta a ver com Coimbra. 



TM - No vosso álbum tem uma contribuição dos Ghost Hunt. Como é que isto aconteceu?

NM - Em primeiro lugar, porque são nossos amigos, já os conhecemos há imenso tempo, nomeadamente o Pedro Chau (membro fundador e atual dos The Parkinsons), que até convidamos para fazer um DJ set no nosso primeiro concerto em 2013. Somos amigos de longa data. Mas acima de tudo porque o projeto dele é algo com que nos identificamos bastante, apesar de não nos identificarmos tanto com a abordagem eletrónica, mas gostamos e acompanhamos bastante o seu trabalho. Aliás este ano o Tiago tinha uma frase muito curiosa que dizia que já via mais vezes os Ghost Hunt do que a sua avó. Nós gostamos bastante do trabalho deles e numa fase em que começamos a estudar a criação do Opacity, ponderamos possíveis colaborações. Achámos que havia espaço para um tema mais eletrónico e quando assim é o nosso primeiro pensamento foi logo para os Ghost Hunt.

TM - Voltando a Coimbra, acham que vai haver uma nova vaga de bandas jovens que podem trazer uma lufada de ar fresco à cidade?

NM - De certa forma já há, o Tiago faz parte de uma nova geração, nós fomos buscá-lo aos Red Italian Hunter que ainda existem e que estão para lançar um segundo disco. É uma geração de músicos mais novos, onde também existem os Flying Cages que são mais novos que nós, mas que não são propriamente novatos, já têm dois discos e pelo que sei já estão a trabalhar num terceiro. E com certeza que irão surgir mais bandas, agora também estão criadas as condições, a Lux Records está a voltar ao ativo, que é a nossa editora.
Na altura do nosso primeiro EP e álbum, o Rui Ferreira, dono da editora, conciliava com a sua atividade profissional bastante exigente de enfermeiro, e agora dedica-se inteiramente à loja de discos e à editora. Está mais pró-ativo na edição de bandas de Coimbra. Há também agora uma agência nova, Blue House, que está a trazer muita gente nova. Há também um projeto novo em Coimbra que é o Spicy Noodles, de musica eletrónica. Portanto acho que estão a surgir novos projetos e que estão a fugir ao espectro do rock de Coimbra, pelo menos o que nós conhecíamos, que era mais rockablilly, garage. A música em Coimbra está a tornar-se mais eclética.

TM - Qual é o vosso maior receio quanto ao que pode acontecer aos The Walks?

NM - Neste momento já não temos receios (risos)

GC - Acabar. Este foi um processo longo e, efetivamente, como o Miguel (Martins, guitarrista) dizia aqui há uns tempos numa entrevista “houve alturas em que o pessoal bateu com a porta”, eu fui um deles e ele foi outro. Mas chega a uma altura em que tens que pensar “ok gostamos disto e porquê é que gostamos disto”. Depois chegas à conclusão de que mais do que o projeto, gostas das pessoas, e se elas não se estiverem a sentir bem continuar não faz sentido. Cada um, há sua maneira, teve que abrir as portas que se estavam a querer fechar e tentar acima de tudo que todos se sentissem bem. 
Eu quando digo que o maior receio é acabar não é acabar a banda, isso pode ser uma solução se as coisas não estiverem bem. Acima de tudo é acabar as nossas relações de amizade e eu tenho a certeza que isso não vai acontecer, porque que toda a gente sabe que isto é difícil uma vez que não o fazemos a tempo inteiro e já pusemos essa questão de parte. Por isso, as prioridades tem de ser criar uma sensibilidade da nossa parte e perceber com algum tempo de antecedência quando alguém não está bem, tentarmos redefinir prazos, porque mais vale chegarmos uma hora depois à linha da meta, mas chegarmos todos, do que chegarmos às partes ou haver pessoas que desistem pelo caminho.

TM - Agora com o álbum cá fora, quais são as vossas expetativas para o futuro da banda?

GC - A expetativa é acima de tudo ter uma boa recetividade, que vai depender muito de nós, temos que nos sentir confortáveis com o que vamos fazer nos próximos tempos. Acho que ajuda o facto de nos sentirmos satisfeitos com o resultado final do disco. Nós gostávamos de ter uma abrangência e uma visibilidade maior em alguns meios que não temos e acho que temos que fazer alguma mea culpa porque o nosso tempo não permite e não podemos estar a exigir isso de nós mesmos. Além disso é continuar a crescer, a ter mais visibilidade, continuar a ter motivação e conforto naquilo que estamos a fazer.

TM - Para além da música, que atividades profissionais é que ocupam?

GC -  Todos nós temos atividades profissionais diferentes. O Tiago é o único que está ligado à música, dá aulas de bateria. Eu sou formador na área de cozinha e pastelaria. Estudei Ciências da Educação com o Nelson e trabalhei na área dele. No caso do Nelson em específico ele trabalha com cidadãos com deficiência. O John (Silva, Vocalista) está ligada à área de saúde, é enfermeiro na área de cuidados neonatais, um trabalho muito pesado a nível emocional e de horários, e o Miguel é engenheiro informático.

TM - Querem deixar alguma mensagem aos nossos leitores?

GC - Sim, deem-nos uma oportunidade e ouçam o nosso álbum, tentem acompanhar o nosso trabalho e estejam à vontade para virem aos nossos concertos e entrarem em contacto connosco.


Podem ouvir aqui em baixo Opacity, o novo álbum dos The Walks.




Entrevista por: Hugo Geada

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