sábado, 1 de dezembro de 2018

Conjunto Corona apresentam Santa Rita Lifestyle em Lisboa e Porto


Santa Rita Lifestyle, é este o nome do novo álbum do grupo de hip hop portuense Conjunto Corona. O sucessor de Cimo da Vila Velvet Cantina foi editado novamente pela Meifumado Fonogramas, e é dedicado às pessoas que vão tomar café de Honda Civic às bombas de combustível às 2 da manhã, uma frase que explica perfeitamente toda a estética visual e musical deste conjunto. Ouvir Conjunto Corona é ir à rua de chinelo por cima das meias, é fazer drifts no santuário da Nossa Senhora de Fátima, e é sobretudo sentir a batida lo-fi que invoca nomes da "golden era" do hip hop americano como A Tribe Called Quest e Quasimoto.

Santa Rita Lifestyle foi lançado em finais de outubro, e surge como um disco consistente e bem conseguido dentro do panorama do hip hop português. As primeiras datas de apresentação vão ocorrer no principio deste mês no Musicbox Lisboa (dia 1 de dezembro) e no Hard Club (dia 8 de dezembro). Não percam esta grande festa.


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Reportagem: Fabrika Records Fest [Stereogun, Leiria]


O passado dia 16 de novembro garantiu mais uma das memoráveis noites alternativas do ano, com a aterragem do Fabrika Records Fest em Leiria que, nessa convidativa noite, trazia a palco nacional três grandes nomes dentro do revivalismo das ondas mais negras: She Past Away, Lebanon Hanover e Selofan. Numa Stereogun completamente esgotada, a Fade In garantiu que o último episódio relâmpago do Fade In Festival anunciado para 2018 se tornasse inesquecível, permanecendo nos nossos corações como uma das noites mais quentes deste outono. 

Pelas 22h30 os Selofan (que é como quem diz, os big bosses da Fabrika Records) subiram a palco em apresentação do seu mais recente disco de estúdio Vitrioli (2018). A dupla grega regressava a Portugal, um ano após ter tocado na Igreja da Pena, para nos brindar com um espetáculo que trazia à mistura os habituais elementos cénicos pelo qual Joanna Pavlidou se faz acompanhar, além das sonoridades frias, monótonas, mas altamente dançáveis. Além dos temas mais vibrantes de Vitrioli, como "Black Box" – cujo fim foi utilizado para que Joanna Pavlidou agradecesse à maravilhosa audiência -, "Billie Was a Vampire" e "Give Me a Reason" os Selofan apresentaram uma setlist que foi repescar ainda os temas mais conhecidos como "Shadowmen" e "La Industria del Sexo" e as grandes pérolas como "Masoleum" e "In The Darkness", para uma sala que aquecia a cada minuto que passava. Apesar de se terem notado algumas desafinações ao nível vocal, os Selofan apresentaram uma instrumentação bastante fiel àquela que ouvimos no conforto das nossas casas, mas que na Stereogun se proporcionou num ambiente muito mais apaixonante, altamente festivo e com incontáveis aplausos à mistura. Uma abertura bem à medida. 


Selofan

Com o relógio a marcar as 23h45 já podíamos visualizar "Lebanon Hanover" projetado no ecrã e visualizar a silhueta de Larissa Iceglass, vestida de um negro preto, juntamente com a luz irradiada pelo branco de William Maybelline, numa abertura com o mais recente tema "Alien". Os Lebanon Hanover eram uma das bandas mais aguardadas nesta edição do Fabrika Records. Depois de terem feito a sua estreia no Entremuralhas 2013, a dupla chegou a anunciar dois concertos em Portugal, em maio de 2016, que foram tristemente cancelados. Cinco anos depois da estreia e, com uma história cada vez maior e relevante no panorama da minimal wave, os Lebanon Hanover regressavam a Leiria para apresentar a sua nostalgia poética apresentada em formato áudio.  Já com "Die World II" a fazer escutar-se, rapidamente se percebe que os Lebanon Hanover até podem nem ser a melhor banda ao vivo, mas a mensagem que transmitem é completamente além de uma simples canção. É um antagonismo existencialista, uma cura para a depressão, uma luz ao fundo do poço. Presenciar a mesma sala que alguém que compreende as frustrações, a angústia, a acidez e o conforto da solidão de um ser racional é simplesmente algo magnífico que, mesmo que as tonalidades e os instrumentos ao vivo não tenham dado tréguas, ou inclusivé o resultado tenha diferido do idealizado, o sentimento é igualmente mágico. 


Lebanon Hanover

Poetas revolucionários da nova geração, os Lebanon Hanover apresentaram em Leiria, e numa setlist bastante rica, as suas ondas de resistência. De Let Them Be Alien, ouvimos "Gravity Sucks", "Favourite Black Cat" e a poderosa "Petals" - que gerou um surto de aplausos e gritos de felicidade após o seu fim. De Why Not Just Be Solo (2012) deu para relembrar "No One Holds Hands" – cujo fim serviu para que William dissesse um tímido "thank you e "Northern Lights". De Tomb For Two (2013) os Lebanon Hanover tocaram "Hall Of Ice" e "Midnight Creature" e claro está, o hit da carreira "Gallowdance", com a pista de dança completamente ao rubro. A cereja no topo do bolo foi mesmo "Totally Tot", uma das primeiras malhas da carreira dos Lebanon Hanover que fechou em grande a performance dos nossos queridinhos. Uma voz industrial, um ritmo monocórdico, um palco em caus, um público em êxtase e muitos sonhos realizados por volta das 00h30 (obrigada Fade In!). Tudo preto no branco.


Lebanon Hanover

Cerca de 20 minutos para repor as emoções, depois de um concerto em que deu para chorar sem ninguém ver, foi por volta das 00h50 que entrou em palco a banda turca mais conhecida pelo habitual público das noites da Fade In, os She Past Away. A dupla composta por Volkan Caner e Doruk Ozturkcan regressava a Leiria quatro anos depois de ter tocado no Entremuralhas 2014 (e três depois do último concerto em Portugal) para fechar o Fabrika Records com bonitas recordações. Foi com "Belirdi Gece", a fazer escutar-se bem alto para uma audiência de sorriso rasgado, seguido pelos bastante conhecidos "Sanrı" e "Katarsis" que a pista de dança da Stereogun se foi tornando cada vez mais quente e fugosa. Neste cenário, a banda aproveitou para nos dar um carinhoso "thank you", antes de fazer soar as primeiras batidas dos temas que lhes deram o nome que têm dentro do revivalismo de géneros como o post-punk e dark wave: a energética "Asimilasyon", a dançável "Rituel" e a rítmica "Kasvetli Kutlama". 


She Past Away

Com o concerto a aproximar-se a passos largos do fim (para infortúnio da audiência), os She Past Away moldavam naquela noite um concerto que certamente marcará a lista dos melhores do ano. Apresentando ainda temas como "RUH" e já em modo nostalgia do adeus, os She Past Away agradeceram novamente ao público, do qual se despediram com a energia contagiante com que entraram em palco. Sem margem para dúvidas, o melhor concerto desta edição do Fabrika Records em Portugal, que se deu por encerrada por volta das 01h40. 


She Past Away

Pela noite fora ainda nos aguardava um rigoroso DJ set de Carlos Matos onde foi possível dançar ao som de BragolinSextileRendez-VousTRAITRSShe Wants RevengeACTORSBauhausThe CureLight AsylumShortparis, e vários outros nomes. O último episódio do Fade In Festival agendado para 2018 foi mesmo muito bonito e mais uma prova de que a Fade In está um passo à frente e a revolucionar a nova Leiria. Um bem-haja!

FABRIKA RECORDS FEST [Stereogun, Leiria]

Texto: Sónia Felizardo
Fotografias: Miguel Silva

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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Then Comes Silence - "My Name Is Ruin" (single) [Exclusive Threshold Premiere]

© Per Kristiansen

Then Comes Silence is the most recent band to reveal another track from We Are Electric: Gary Numan Revisited, a tribute album signed by the Dutch label Wave Tension Records in order to celebrate the 40th anniversary - as a recording artist - of Gary Numan, the electronic pioneer and founding father of synthpop. In the new theme "My Name Is Ruin", Then Comes Silence explore their gothic-rock vein projecting us into sonorous territories that explore density, in a development drawn in melancholic sensations and a black atmosphere felt in the first person.

Some singles from We Are Electric: Gary Numan Revisited were already revealed such as "I'm An Agent" (Agent Side Grinder), "Down In The Park" (Ash Code), "Complex" (Box & The Twins) and "Are Friends Electric" (Synths Versus Me). The album also contains work from Shad Shadows and SUIR. You can listen right now the new Then Comes Silence's single, "My Name Is Ruin", below.


We Are Electric: Gary Numan Revisited is due to release on December, 15 through Wave Tension Records. Pre-order it here.


We Are Electric: Gary Numan Revisited Tracklist:

01. Agent Side Grinder - I'm An Agent
02. Ash Code - Down In The Park 
03. Shad Shadows - Metal 
04. Box & The Twins - Complex 
05. SUIR - Cars 
06. Synths Versus Me - Are Friends Electric 
07. Then Comes Silence - My Name Is Ruin

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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Reportagem: Plastic People [Sabotage Club, Lisboa]

João Cordas ©
São os Plastic People e o seu disco de estreia Visions, um dos pretextos de uma descida ao Cais do Sodré no último sábado de Novembro, no Sabotage. Corajosa esta banda portuguesa, de Alcobaça, que em noite de grande movimentação sónica na capital (Super Bock em Stock e, de entre outros, Wire), arrisca um concerto. E... entramos a “medo” do que vamos encontrar a nível de audiência.

E se com efeito as condições climatéricas não eram as melhores com um fim de semana com chuva, e como referi, muitos eventos a decorrer em simultâneo, apesar da concorrência, sentiu-se desde logo um ambiente de confiança no espaço, embora inicialmente quando cheguei só pouco mais de uma dezena de pessoas habitava a pista e o bar do Sabotage. Pela meia-noite já o clube se encontrava bem mais composto no seu interior e apesar do atraso, não foi com pouca energia que estes Plastic People iniciaram o concerto e a entrega. Eram seis músicos em palco e apesar disso, no meio dos amplificadores e dos teclados, encontraram cada um o seu espaço numa interacção cúmplice, contagiando desde logo o público que parecia conhecer muito bem as canções do disco de estreia da banda.


E foram essas canções que foram tocadas na íntegra, com intensa energia, de um som equilibrado e apoiado pela secção rítmica (bateria e um baixo dedilhado com mestria e concentração), e por João Gonçalo, que a pouco e pouco se foi revelando um show man ou frontman mais comunicativo com a audiência, mantendo com o guitarrista André Frutuoso uma animada dança ao ritmo contagiante das canções. O feedback das guitarras, os teclados e a bateria pulsante, nunca abrandaram por um minuto que fosse.

"Riding High On Acid”, foi tocada uma segunda vez no final do concerto, tal como “Running”, opostas na sua construção melódica mas todas elas canções com igual desejo de fazer sentir um imaginário juvenil indie cheio de refrões daqueles que “ficam na cabeça”. 



Com um disco bastante recomendável, melódico, de guitarras e teclas perfeccionistas, notou-se neste concerto um bom entrosamento e ritmos de bateria a elevarem a vontade de dançar. Em uma hora tocaram efusiva e assimetricamente o disco de estreia, com mais uma ou duas canções e tiveram o seu momento de comunhão com o público, que reagiu de forma enfática e demonstrativa à entrega destes músicos em palco.  Espero ver mais deste colectivo, que não se percam no limitado meio indie nacional e mantenham a identidade e sobretudo continuem a construir boas canções. 

Podem ouvir o disco de estreia aqui:



Texto: Lucinda Sebastião

*A foto apresentada neste artigo é relativa à apresentação de Visions no Clinic, Alcobaça, que se realizou a 12 de outubro.

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Car Seat Headrest e Kamaal Williams em Paredes de Coura


Os Car Seat Headrest vão voltar ao Vodafone Paredes de Coura, onde Kamaal Williams marcará presença pela primeira vez. O festival está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 14 a 17 de Agosto.

Car Seat Headrest surgiu inicialmente como um projecto a solo de Will Toledo. Gravações em carros, quartos ou outros espaços solitários, levaram o compositor a produzir mais de uma dezena de álbuns antes de chegar à Matador Records. Em 2015, Car Seat Headrest passa a quarteto e lança, nesse mesmo ano, o primeiro álbum. Teens of Style mostra o equilíbrio perfeito entre melodia e distorção, o que proporcionou inúmeras críticas positivas no panorama musical. O tão aclamado Teens of Denial surge no ano seguinte enquanto 2017 foi escolhido para a re-edição do clássico Twin Fantasy, originalmente lançado em 2011. Em Twin Fantasy (Face to Face) voltamos a sonhar ao som de “Bodys”, “My Boy (Twin Fantasy)” e “Sober to Death”. Um poderoso reencontro para ouvir no dia 15 de Agosto na Praia Fluvial do Taboão.

Numa narrativa diferente, mas com a mesma perseverança surge Kamaal Williams, o projeto do versátil artista Henry Wu. Teclista e produtor traz nas suas raízes influências das fortes sonoridades das rádios pirata de Peckham. Hip-hop, grime e garage são alguns dos estilos musicais que caracterizam Kamaal WilliamsMisturas de jazz repletas de texturas, sons e sinais de uma cidade demasiado saturada é o que se ouve em The Return (2018)o mais recente álbum do visionário compositor. Acompanhado pelos novos temas e os clássicos Kamaal Williams sobe ao palco do Vodafone Paredes de Coura no último dia do festival, 17 de Agosto.  

Os passes gerais podem ser adquiridos em bol.ptticketea e locais habituais(FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 90€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva, está também disponível, por 90€, nas lojas FNAC e em fnac.pt.


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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Giant Sand revisitam álbum de estreia no Auditório de Espinho


Os Giant Sand estão de regresso a Portugal para um concerto único a ter lugar no Auditório de Espinho, dia 30 de novembro. A banda liderada por Howe Gelb apresentará o álbum onde tudo começou, Valley of Rain, lançado em 1985, assim como alguns dos temas que marcaram a carreira dos norte-americanos. Cruzando a americana, o rock e a alt-country, os Giant Sand foram desenvolvendo uma consistente discografia que reescreve a história dos Estados Unidos da América nas últimas décadas, desafiando quaisquer normas e convenções associadas a estes géneros. A última passagem dos Giant Sand por Portugal aconteceu em 2015, primeiro no NOS Primavera Sound, depois no Festival Para Gente Sentada.

Os bilhetes para o concerto no Auditório de Espinho estão à venda por 12 euros, existindo descontos para os detentores do Cartão Amigo AdE.

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Reportagem: Wire + Sweet Nico [Hard Club, Porto]


Foi na passada sexta-feira, dia 23 de novembro, que regressámos ao Hard Club, no Porto, para mais uma noite com chancela At The Rollercoaster. A promotora portuense proporcionou mais um momento memorável para melómanos e saudosistas, desta feita com dois concertos exclusivos de Wire, que regressaram a Portugal para os primeiros concertos em treze anos. Com uma carreira a rondar as quatro décadas de existência, os Wire representam aquela que pode ser descrita como a quintessência do art-punk, abrindo os caminhos para o post-punk numa altura em que o punk ainda vivia os seus tempos de glória. Discos como Pink Flag (1977), Chairs Missing (1978) e 154 (1979) foram pioneiros na implementação de conceitos artísticos à própria linguagem do punk, ensinando toda uma geração de futuros músicos que o punk também podia ser praticado com cabeça.

A sala 2 do espaço portuense apresentava-se bem composta, e por entre a multidão podia-se avistar um balanço curioso entre novos e antigos fãs – os que que  acompanham a banda londrina desde a sua génese, e uma nova geração de seguidores claramente mais jovem. Com três membros da formação original – Colin Newman (na voz e guitarra), Edvard Graham Lewis (no baixo) e Robert ‘Gotobed’ Grey (na bateria) – e ainda uma nova entrada na formação – o guitarrista Matthew Simms – os Wire apresentaram um concerto seguro e assertivo, explorando o extenso catálogo da banda sem nunca se fixarem em glórias passadas. Afinal, estamos a falar de um grupo que se manteve bastante prolífico durante quatro décadas (à exceção da década de 1990, onde iniciaram um hiato indefinido que terminaria com o virar do século), e que viu ganhar uma nova vida no presente século (contam-se mais de dez edições de curta e longa-duração desde o regresso em 1999).



De olhos virados para o presente, o alinhamento contemplou, na sua grande maioria, temas que representam o percurso atual dos Wire como banda, desde o rock limpo e direto de “Playing Harp for the Fishes” e “Short Elevated Period”, do mais recente Silver/Head (2017),  às estruturas mais complexas e volumosas de “Art of Persistance” e “Red Barked Trees”, do qual se aponta um crescendo delicioso nos minutos finais. Para os mais românticos houve “Three Girl Rumba”, do essencial Pink Flag, o nervosismo endiabrado de “Underwater Experiences” e a incendiária “Two People In a Room”, que surgiu já durante o encore. Nota ainda para alguns momentos de maior exploração sonora, que vêm a banda no seu estado mais experimental e libertário, apostando em composições consideravelmente mais longas e repetitivas que os demais temas de breve duração.

Acima de tudo, constata-se a calma e elegância inerente a quem acaba de entrar na sua quinta década de existência. Com um percurso que é, no mínimo, histórico, é de louvar a qualidade com que os britânicos se continuam a apresentar ano após ano, disco após disco, sem nunca cair no erro da repetição e da previsibilidade. A máquina dos Wire encontra-se bem oleada, e o concerto de sexta-feira foi a prova viva de que o legado perdurará por muitos e merecidos anos.

Antes, o duo lisboeta Sweet Nico abriu as hostilidades da noite. Ainda com o LP R EBORN quentinho a sair das prensas (o disco foi editado em junho deste ano), a noite serviu para apresentar este novo álbum de canções pop sonhadoras e radiantes, um registo que se encontra em linha com a restante discografia da banda. Ainda que o nome da banda seja uma homenagem a Nico, a noite foi de reverência a Hope Sandoval e aos seus Mazzy Star, com a dupla a fazer uma cover da imortal “Fade Into You”.


Wire + Sweet Nico [Hard Club, Porto]

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Eduardo Silva

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Boy Pablo e Acid Arab vão ao Vodafone Paredes de Coura em 2019


O chill pop do norueguês Boy Pablo, pela primeira vez em Portugal, e o duo parisiense Acid Arab juntam-se a The National nos nomes confirmados para a 27.ª edição do Vodafone Paredes de Coura. Ambos sobem ao palco no dia 15 de agosto, quinta-feira.
O festival está de regresso à Praia Fluvial do Taboão nos dias 14, 15, 16 e 17 de Agosto.
Os passes gerais podem ser adquiridos em bol.pt, ticketea e locais habituais(FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 90€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva, está também disponível, por 90€, nas lojas FNAC e em fnac.pt.

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terça-feira, 27 de novembro de 2018

Reportagem: James Holden & The Animal Spirits [gnration, Braga]


Poucos dias depois do seu último álbum, The Animal Spirits, ter feito um ano de lançamento, James Holden voltou novamente a Portugal, muito pouco tempo depois de se ter apresentado na última edição do festival Neopop, no âmbito da programação Red Bull Music. Voltou novamente acompanhado com os seus The Animal Spirits para apresentar o último disco, primeiro, no dia 7 de novembro no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, e no dia seguinte, na Blackbox do gnration, em Braga. Concertos esses aguardados com expectativa pelos fãs. Afinal de contas, James Holden, há um ano, surpreendeu fãs e críticos especializados ao pegar na música electrónica e ao unir em perfeita harmonia com o free jazz, o krautrock, o post-rock e músicas africanas (influências da música marroquina gnawa). Tendo em conta estas influências, segundo James Holden, este álbum é de folk-trance. Quem somos nós para duvidar?

Numa noite fria, rapidamente a sala da Blackbox começou a aquecer consoante a moldura humana ia aumentando. O concerto não esgotou, mas esteve perto disso. Nada mau para um evento a decorrer numa noite de quinta de um nome que ainda não é amplamente conhecido pelos fãs de música electrónica.  O palco estava perfeitamente organizado numa Blackbox ainda na ressaca do festival Semibreve e com um novo PA para Holden e companhia estrearem. Ao centro encontravam-se dois estrados, um na parte de trás para James Holden (sintetizadores) e outro na parte da frente para Camilo Tirado (percussão). À direita destes estava Tom Page (bateria) e do lado esquerdo encontravam-se Etienne Jaumet (saxofone), Liza Bec (saxofone e clarinete) e Dan Tombs (visuais). A adornar o palco tinham um arranjo floral pousado no estrado de James e várias fitas idênticas às que aparecem na capa do último álbum, espalhadas por vários pontos do palco. O ambiente estava criado e o clima era acolhedor. 

Entre as últimas conversas do público, as deslocações ao bar para finos e o fim do compasso de espera para o início do concerto, ouve-se a "Sexy Boy" dos AIR vinda das colunas. Melhor aviso de que o concerto ia começar. Afinal de contas, o músico de grandes cabelos, sorriso contagiante, voz simpática e que se gosta de se vestir com fatos-macaco está prestes a subir ao palco.

James Holden & The Animal Spirits

Começaram o concerto da mesma forma que abre o disco The Animal Spirits, com “Incantation for Inanimate Object” a ecoar num coro suave de voz processada, a fazer um chamamento para o público num modo perfeitamente ritualístico. Rapidamente transitaram para a faixa homónima “The Animal Spirits”, como se de um ritual religioso pagão de culto à mãe terra se tratasse, fazendo com que o público ficasse cada vez mais imerso no concerto. Numa espiral cada vez mais a caminhar para o frenesim dançável, fazem a transição para “Spinning Dance”, com uma flauta e uma bateria que progridem cada vez mais para a contemplação através dos ritmos que fazem o corpo movimentar, como se fossemos serpentes a sermos encantados pela flauta. Começavam assim os primeiros momentos de completa absorção musical, perfeitamente conjugada com os visuais manipulados ao vivo que acompanhavam o concerto, fazendo com que um mundo de cores e formas se abrisse diante dos nossos olhos e contribuísse ainda mais  para o estado de transe geral. 

A incendiária “Pass Through The Fire” continuou na linha da atmosfera já criada, graças aos sintetizadores e percussão em uníssono, para de seguida se intensificar com a junção do saxofone. De seguida, “Each Moment Like The First”, a música do novo álbum com mais parecenças com o The Inheritors. Quase dois minutos depois de começarem a tocar, o sistema "crashou". Rapidamente deram conta do problema e voltaram a tocar. Um mal menor que até soube bem. Como não ficar a suspirar pela continuação dos ritmos catchy desta música vindos dos sintetizadores?   

Com o esquema tático novamente composto, começam a apresentar músicas do The Inheritors, iniciando ao som da contemplativa “Blackpool Late Eighties”, de techno repetitivo cheio de melancolismo, para logo a seguir lançarem a visceral “Gone Feral”, a progredir para os ritmos de sintetizadores e batidas formulados a criar tensão, como se estivéssemos a cair no abismo. A faixa homónima do álbum, “The Inheritors” foi a que se seguiu, cheia de energia e velocidade de ritmo, como se de uma corrida contra o tempo se tratasse.  

Depois de três músicas de The Inheritors, vieram mais três músicas de The Animal Spirits. A primeira foi a xamânica "Thunder Moon Gathering" para subirmos aos céus. Sem nunca abandonarem a espiritualidade dos sons, voltamos a descer à terra com a pacífica "Go Gladly Into the Earth". O ritmo calmo continuou com a "The Neverending". Para o fim guardaram “Renata”, possivelmente a música mais acessível de The Inheritors, com batidas e ritmos intensos, mais apropriados para a pista de dança, fazendo com que no fim desta o público ficasse ansioso por mais, aplaudindo entusiasticamente para um encore. Voltaram para tocar apenas uma única música, finalizando o concerto em todo o esplendor ao som da intensidade de “Caterpillar`s Intervention”, também do The Inheritors.

James Holden & The Animal Spirits [gnration, Braga]
Fotogaleria do evento aqui.
Texto: Óscar Santos
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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Slovenska Televiza têm novo vídeo


Os Slovenska Televiza continuam em promoção do seu EP de estreia Documento, desta feita com um novo trabalho audiovisual para a faixa instrumental "Slovenska televiza", o tema que encerra o EP de cinco músicas. Este tema foi selecionado tendo em conta que é o que melhor coleciona e traduz o espírito do projeto: um estudo sobre a nostalgia e aquela estranha melancolia de origem desconhecida que habita em todos nós e que remonta ao advento dessas sensações de infância.

O vídeo foi produzido pela argentina Yannet Briggiler, ilustradora e diretora de animação que para o tema "Slovenska televiza" constrói uma narrativa audiovisual com base em elipses. Há elementos que causam uma impressão estranha, ao convidarem a viajar por territórios ambivalentes. A montagem do vídeo animado tem base na intuição e no deslocamento de padrões cognitivos através da ilusão da animação 2D. O resultado do trabalho pode ser visualizado abaixo.

Documento foi editado no passado dia 7 de setembro pelo selo Peripheral Minimal. Podem ouvir o disco na íntegra aqui.


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The National são o primeiro nome confirmado para o Vodafone Paredes de Coura


No início da carreira internacional, os The National actuaram pela primeira vez no palco do Vodafone Paredes de Coura, em 2005, ao som do recém lançado Alligator. Espetáculo intenso caracterizado pela melancolia que transpareceu na voz de Matt Berninger. Foi ao som de “Mr. November”, “Secret Meeting” e “Lit Up” que Matt Berninger, Aaron Dessner, Bryce Dessner, Scott Devendorf e Bryan Devendorf se consagraram como uma das futuras promessas do indie rock. O tão aguardado regresso ao habitat natural da música está marcado para o primeiro dia desta 27.ª edição, dia 14 de Agosto. 
Misturas de elementos do country-rock alternativo, chamber pop, bem como post-punk e o rock, fizeram os primeiros álbuns ganhar um pequeno clube de fãs e elogios da crítica no mundo da música, mas foi com o LP Boxer (2007) que a banda natural de Ohio, fez história. O quarto disco de estúdio marcou a mudança nas influências da banda com um som expansivo e orquestral a completar as letras mais líricas e introspectivas do vocalista e compositor.  
Vencedor do National Grammy Award na categoria de Melhor Álbum de Música Alternativa, Sleep Well Beast (2017), o mais recente disco dos norte-americanos, continua a navegar em vastas e instrumentais paisagens sonoras. “The System Only Dreams In Total Darkness”, “Day I Die” e “Nobody Else Will Be There” são alguns dos temas que vão ecoar no anfiteatro natural da música. 
Depois de um ano que ficou marcado na memória das mais de 100.000 pessoas presentes na Praia Fluvial do Taboão, nos dias 14, 15, 16 e 17 de Agosto de 2019 Vodafone Paredes de Coura está de regresso para mais uma histórica edição. 
Os passes gerais podem ser adquiridos em bol.pt, ticketea e locais habituais(FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 90€. 
O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva, está igualmente disponível, em exclusivo, naslojas FNAC e em fnac.pt, por 90€.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

MadeiraDig regressa esta semana com Amnesia Scanner, Damien Dubrovnik e muito mais


Encontrámo-nos a dias do MadeiraDig, o festival madeirense dedicado à melhor produção artística digital, que regressa este sábado para quatro dias recheados de música e novidades. Realizado desde 2004, todos os anos na primeira semana de dezembro, o festival tem o seu epicentro no Centro das Artes/Casa das Mudas, na Calheta, por onde passaram alguns dos mais respeitados nomes da música exploratória (Cluster, Oval, Fennesz, Grouper, William Basinski, Tim Hecker, Ben Frost, etc.).

Na sua 15ª edição, o Madeiradig volta a apostar num cartaz forte e emergente, dos quais se destaca a estreia nacional do duo sensação finlandês Amnesia Scanner. Sediado em Berlim, este entusiasmante projeto composto por Ville Haimala e Martti Kalliala (ex-Renaissance Man) tem vindo a produzir alguns dos temas mais arrojadas da nova cena musical de club, desconstruíndo qualquer norma estabelecida ao implementar uma gama variada de estilos e texturas fora da caixa. Depois de uma série de EPs pela Young Turks, o duo estreia-se no formato longa-duração com o aguardado Another Life, uma epopeia pelo apocalítico mundo digital que recebe a sua primeira edição pela editora germânica PAN.



Para além dos finlandeses, o Madeiradig contará ainda com uma apresentação exclusiva dos Damien Dubrovnik, duo dinamarquês composto por Loke Rhabek (Croatian Amor, Body Sculptures) e  Christian Stadsgaard (Vanity Productions). Co-fundadores da Posh Isolation, esta dupla de produtores prolíficos juntou-se pela primeira vez em 2009, tendo vindo a editar seis portentosos discos de longa-duração. Great Many Arrows, editado no ano transacto, pode ser descrito como poesia eletrónica no seu estado mais puro, onde o drama e o romance se juntam às composições frias de um pós-industrialismo cru mas apaixonante.

A representar a canadiana Constellation Records estarão Jessica Moss e Eric Chenaux. A primeira integra o alinhamento dos A Silver Mt. Zion, onde é violinista, e prepara-se para uma mini digressão de três datas pelo país (Braga, Lisboa e Madeira). Entanglement, o segundo álbum da canadiana editado em outubro, é o mote da apresentação. Eric Chenaux é mais um dos nomes fortes da editora, sendo fiel à mesma desde a sua primeira edição, em 2008. Slowly Paradise, editado em março deste ano, deverá ser apresentado na sua passagem pelo festival.

Maja Osojnik, Ana da Silva (The Raincoats) & Phew, Resina, e os madeirenses Rui P. Andrade e Aires completam a restante programação. O Madeiradig decorre de 30 de novembro a 3 de dezembro e os bilhetes encontram-se disponíveis a preços que variam entre os 12€ e os 65€.






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Fausto com Diáspora Lusitana no Porto

fausto-com-diaspora-lusitana-porto

O celebrado cantautor Fausto Bordalo Dias vai marcar presença na Casa da Música no próximo dia 1 de dezembro, sendo a última de várias datas cujo propósito é a sua famosa trilogia da Diáspora Lusitana, que também passou por Lisboa e Sever do Vouga. 


O concerto, desde há muito esgotadíssimo, contará com os discos Por Este Rio Acima (1982), Crónicas da Terra Ardente (1994) e Em Busca das Montanhas Azuis (2011), e foram fulcrais em revolucionar a música popular portuguesa, pelas temáticas escolhidas, sendo uma das mais presentes a política, mais notavelmente o período salazarista. Também se poderá contar com a presença do disco mais recente A Ópera Mágica do Cantor Maldito, que aborda esse tema, tendo como alvo o panorama político que se vive atualmente em Portugal e na Europa.

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domingo, 25 de novembro de 2018

TALEA JACTA EST: conheçam o programa de residências no Maus Hábitos


Uma talea é um padrão rítmico usado (lançado?) em isorrítmos que se repete ao longo de uma peça musical em pelo menos uma das vozes.

Talea Jacta são Pedro Pestana (10000 Russos, Tren Go! Sound System) e João Pais Filipe (Paisiel, HHY & The Macumbas, Sektor 304), que se juntaram em concerto no ano de 2016 a convite da Favela Discos, iniciando um trabalho em conjunto de exploração e reflexão sobre a música e também de experimentação de linguagens e respetivas técnicas que ainda não tinham utilizado noutros projetos. Os primeiros resultados deste encontro deram origem a “I”, lançado no início deste ano e disponível no Bandcamp da banda. Do convívio e do trabalho desenvolvido, surgiram mais ideias e a vontade de alargar este universo musical colaborando com outros pensadores e argonautas contemporâneos. 

No início de 2018, o projecto foi selecionado no âmbito do Criatório, programa de apoio à criação artística contemporânea na cidade do Porto. É graças a este apoio que nasce TALEA JACTA EST, um projecto multidisciplinar que envolve residências artísticas com Rafael Toral, Wendy Mulder, Julius Gabriel e André Couto, cujo resultado será gravado ao vivo e posteriormente editado em vinil através do selo A Bone For Tuna Records

Entre os vários parceiros estão a associação cultural Maus Hábitos – que acolhe todas as apresentações ao vivo do resultado de cada uma das residências – e a Matéria Prima, que assegura a distribuição do vinil duplo. Será igualmente produzido um documentário – realizado por Vanessa Fernandes – acerca do processo criativo que aponta a uma reflexão acerca do encontro entre as diferentes linguagens musicais presentes no projeto. 

A primeira apresentação, com o saxofonista e compositor alemão Julius Gabriel, decorreu dia 23 de Outubro. A segunda apresentação decorre já esta semana, dia 29, com a música e compositora belga Wendy Mulder. Um dos motores do agora lendário club DIY Ciné Palace Kortrij, Mulder foi apontada pelas lendas do postpunk Wire como a nova geração de música eletrónica, incorporando nas suas composições uma ligação curiosa entre ritmos industriais dos anos 80, techno underground dos anos 90 e os drones mais psicóticos dos anos 00.


Abaixo, fiquem a programação completa:  

Talea Jacta + Julius Gabriel: 23 de Outubro
Talea Jacta + Wendy Mulder: 29 de Novembro 
Talea Jacta + Rafael Toral: 6 de Dezembro 
Talea Jacta + André Couto: 17 de Janeiro 

Todos os eventos são de entrada livre.


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