sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Patti Smith confirmada para o Vodafone Paredes de Coura


Nascida em Chicago, Patti Smith mudou-se para Nova Iorque em 1967, cidade onde conheceu Robert Mapplethorpe o fotógrafo responsável pela capa do icónico Horses. Editado em 1975, é considerado um dos maiores e mais influentes álbuns da história do movimento punk rock americano. A obra que também marcou a transição do clássico rock para o punk é igualmente citada como uma fundamental influência de sucessivos géneros, tais como o punk rock, post-rock e rock alternativo.

A multifacetada artista trilha um sólido caminho em cada vertente cultural que decide experimentar. Poetisa, cantora, fotógrafa, escritora e compositora, Patti Smith ganhou, em 2010, o National Book Award com o aclamado livro de memórias Apenas Miúdos. Além de membro do Rock and Roll Hall of Fame, Patti Smith foi também condecorada com o título Commandeur des Arts et des Lettres pelo Ministério da Cultura Francês. Graças à sua entrega e dedicação ao universo cultural recebeu, ao longo da sua carreira, inúmeros prémios honorários e variadas homenagens.

A poetisa do rock Patti Smith junta-se ao cartaz do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid Arab, Kamaal Williams, Father John Misty, New Order, Mitski, Spiritualized, Parcels, Julien Baker e Alice Phoebe Lou.  

Os passes gerais podem ser adquiridos em bol.ptticketea e locais habituais(FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 90€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva, está também disponível, por 90€, nas lojas FNAC e em fnac.pt.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Vessel e Little Dragon entre as novas confirmações do ID_NoLimits


O ID_NoLimits divulgou a segunda vaga de confirmações. O evento que promete concentrar o melhor da música eletrónica e urbana ao longo de dois dias de festival anunciou mais um apanhado de nomes e curadorias, sendo que o principal destaque vai para os suecos Little Dragon, que regressam novamente ao país para mais um concerto de energia contagiante. Lover Chanting EP é o mais recente trabalho do grupo liderado por Yukimi Nagano.

Quem também estará de regresso ao país será Vessel, o projeto do produtor britânico Serge Gainsborough que se junta novamente ao artista audiovisual Pedro Maia para apresentar o excelente e mais recente disco Queen of Golden Dogs, editado no presente ano pela editora Tri Angle Records. Em mote de promoção do mais recente curta-duração Fever Focus, Jacques Greene, dj e produtor canadiano, irá trazer o seu clubbing de cunho ambiental ao Estoril. Haai, Kerox, Colónia Calúnia e PARKBEAT, que irá juntar num formato de curadoria os djs FABZ, Kwan + Kronic, Glue e Riot, terminam esta segunda vaga de confirmações. 

O Festival acontece no Centro de Congressos do Estoril, a 29 e 30 de março. Os bilhetes podem ser encontrados aqui ao custo promocional de 35€.


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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

WoodRock Festival anuncia as 3 primeiras bandas para a sua 7ª edição


O WoodRock Festival volta em 2019 e já tem três bandas no cartaz. Linda Martini, Church of the Cosmic Skull e Santo Rostro são as primeiras confirmações para o festival que acontecen nos dias 18, 19 e 20 de Julho na Praia de Quiaios (Figueira da Foz). 

Os bilhetes para a 7ª edição do WoodRock custam 21 euros até dia 30 de abril.


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Julien Baker e Alice Phoebe Lou no Vodafone Paredes de Coura



A cantora e compositora Julien Baker tem um talento especial para transformar a sua vulnerabilidade em temas carregados de força e emoção. Natural de Memphis, Tennessee, desenvolveu o gosto pela música enquanto criança quando aprendeu a tocar guitarra com a ajuda do seu pai, mas foi enquanto guitarrista da banda Forrister que aperfeiçoou o seu talento. Depois de produzir inúmeras músicas que não se enquadravam com o estilo rock da banda, Julien Baker decidiu vingar numa carreira a solo e em 2015 gravou o disco de estreia Sprained Ankle. Pouco tempo depois, com um som mais expansivo, mas letras igualmente íntimas, surgiu o segundo álbum de originais Turn Out the Lights (2017). Já este ano, a necessidade de afirmar o poder feminino no mundo da música levou Julien Baker a reunir forças com Phoebe Bridgers e Lucy Dacus e juntas criaram boygenius, um supergrupo de rock alternativo que em apenas quatro dias produziu o aclamado EP homónimo. A delicadeza carismática de Julien Baker sobe ao palco do Vodafone Paredes de Coura no dia 16 de Agosto
A feroz e independente abordagem de Alice Phoebe Lou à música transparece na sua criativa e cativante voz. A jovem sul-africana atraiu a atenção de amantes de música em todo o mundo graças às narrativas honestas e às cruas sonoridades musicais que desenvolveu pelas ruas de Berlim. Com o lançamento do novo álbum, previsto para 8 de Março do próximo ano, Paper Castles, a cantora e compositora está confirmada para dia 17 de Agosto. Uma actuação onde sonoridades de soul, blues e jazz se misturam com delicadas harmonias.
As vozes femininas de Julien Baker e Alice Phoebe Lou juntam-se ao cartaz da 27.ª edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized Parcels. 
Os passes gerais podem ser adquiridos em bol.ptticketea e locais habituais(FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 90€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva, está também disponível, por 90€, nas lojas FNAC e em fnac.pt.

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Parcels em Paredes de Coura


Os Parcels foram ontem confirmados para a próxima edição do Vodafone Paredes de Coura. A banda irá tocar no dia 14 de agosto, para o qual também estão confirmados os The National.

Os passes gerais podem ser adquiridos em bol.ptticketea e locais habituais(FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 90€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva, está também disponível, por 90€, nas lojas FNAC e em fnac.pt.

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Novo disco dos Trauma Lips chega às prateleiras em janeiro


O trio lisboeta Trauma Lips estreou-se nos registos em 2017 com o EP Your Ghost e prepara-se para editar o seu sucessor Problems, já no início do próximo ano. Enquanto a edição física não chega às lojas a banda apresentou esta terça-feira (18 de dezembro) o segundo single extraído da colectânea de 10 temas, "Empty Bottle", uma malha de rock potente e incisiva que pode escutar-se abaixo.

A banda formada por Pedro Lourenço (voz/guitarra), Emanuel Severino (bateria) e Inês Vicente (baixo) apresenta em Problems um disco focado na exploração de estilos como o rock'n'roll, o punk e o stoner, sem recorrer à necessidade de "colagens" estéticas. Do disco além deste "Empty Bottle" já tinha sido anteriormente divulgado o tema "The Sign".


Problems tem data de lançamento prevista para 3 de janeiro e o lançamento resulta de uma parceria Trauma/Licked/Diagonal.

Problems Tracklist:

01. Empty Bottle
02. Wild on Fire
03. My Disgrace
04. Cyanide
05. Problems
06. Sugar Lips (Number 1)
07. Dogs
08. The Sign
09. Joke
10. Baby Dead

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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

As 20 revelações nacionais de 2018


2018 foi mais um bom ano para a música portuguesa, com vários projetos nacionais a surgirem e mostrarem o seu talento. 

Aqui ficam, por ordem alfabética, os novos nomes da música portuguesa que mais nos surpreenderam e mais potencial demonstraram ter. São artistas que devem dar que falar no futuro, mas que merecem ser ouvidos desde já.





Vindos da região portuguesa com a reputação de menor entropia, os COMPADRES, colectivo composto pelos DJs/turntablists Dj Sims, Fatinch e Mr. Mendez mostram que o Alentejo não esteve parado. Ao longo de sete temas, tiram o pó ao soul, arrastam o funk do armário dos vinis e numa nova roupagem de hip-hop assentam COMPRADES, EP de estreia auto-intitulado. Este compacto de sons orgânicos foi feito para o Movimento Alentejo Unido, uma plataforma cooperativa de união, promoção e organização de cultura urbana alentejana, mas não só. 






Oriundos de Aveiro e com o rock como segunda natureza, os Cosmic Mass emergem com doses substanciais de psicadélia a rasgar, por via de, segundo os próprios, "riffs pesados e melodias hipnotizantes". Para além das influências que partem tanto da golden age do rock psicadélico (Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Cream), como da "nova" guarda (Queens of the Stone Age, King Gizzard and The Lizard Wizard), os membros da banda também possuem uma destreza instrumental que resulta em trips sonoras igualmente alucinantes e cativantes, e uma química significativa entre os mesmos. O álbum de estreia, Vice Blooms, está mesmo aí à porta.






Formados em 2015, os portuenses FERE são um coletivo que conta com Jaime Manso (baixo), João Pedro Amorim (guitarra), Pedro Alves (baixo) e José Pedro Alves (bateria) nas suas fileiras, nomes já conhecidos da cena nacional de post-rock. Em 2016, o grupo foi convidado pelo Teatro Experimental do Porto a compor a banda sonora da peça de teatro Nunca Mates o Mandarim tendo sido interpretada ao vivo durante as apresentações da peça no Teatro Nacional São João. No ano passado, a banda estreou-se finalmente ao vivo, apresentando composições baseadas no post-rock mas com momentos mais pesados que se aproximam da sonoridade de grupos como Isis ou Sumac e já em 2018 editaram o seu primeiro álbum, Montedor, com o selo da Raging Planet.






HRNS é o duo composto por Afonso Arrepia Ferreira (FARWARMTH) e Rui P. Andrade, dois jovens músicos e produtores que exploram a beleza insustentável do drone, presente nas suas composições frias e lascivas carregadas de emoção. Aquando de um encontro em Lisboa e de uma atuação no EKA Palace, os dois produtores juntaram esforços para a elaboração de um novo projeto, sendo After the Angels o resultado dessa junção. Composto por três faixas originais, o EP de estreia foi editado pela britânica ACR, que editou também os mais recentes trabalhos de Rui P. Andrade e FARWARMTH.






O techno está a ganhar mais vida e os Judas Triste, banda sediada no Porto e fundada por David Machado, Dora Vieira e Nuno Oliveira, anunciam ao planeta uma nova era de escuridão embevecida pelos experimentalismos eletrónicos que lhe dão origem. Os Judas Triste estreiam-se nas edições com o novo disco homónimo, na casa Favela Discos e é entre descargas explosivas de distorção, atmosferas misteriosas e um ambiente áspero e fortemente inspirado na improvisação que o trio apresenta um disco coerente e conciso, claramente a demarcá-los como uma das bandas revelação do ano. Num total de seis canções que espelham o seu metatechno profético, os Judas Triste registam as suas incursões às profundezas da imaginação e todo este disco funciona como uma viagem explorativa ao seu mundo singular. 






Killian resulta da união de Diogo Sanches e Bruno Gonçalves. Este é um dos projetos da Troublemaker Records, editora que aposta no melhor R&B contemporâneo e nacional. Em 2017 estiveram presentes no Festival Termómetro, mas foi em 2018 que o falatório se intensificou com várias atuações na capital. Foi prometido ainda este ano o lançamento do seu álbum de estreia, Flawed Ego, no entanto apenas nos chegaram aos ouvidos os singles “Good Habits” e “Let Me In”, onde é um notória uma excelente produção, deixando-nos certamente com água na boca para mais novidades.







Para os bons conhecedores de música nacional, Mathilda já não é um nome estranho. O projeto a que cantautora vimaranense Mafalda Costa dá a cara editou no final do ano passado o seu primeiro single, “Lost Between Self Expression and Self Destruction”, mas foi em 2018 que embarcou numa série de aventuras pelo nosso país, encantando tudo e todos com a sua voz doce e suave, em atuações de cariz bem intimista (nós que o digamos no ZigurFest). Ora com ukulele ora com guitarra elétrica, consegue aquecer corações com as suas canções de filigrana e veludo, onde retrata e suporta as fragilidades de uma artista bastante madura, mas que ainda só tem 18 anos.






O quarteto que se divide entre Lisboa e Beja é formado por Afonso Serro (teclas), Vicente Booth (guitarra), João Spencer (baixo) e João Romão (bateria). Influenciados pelos valores de BADBADNOTGOOD, Kamasi Washington, J Dilla, Yussef Kamaal, Bruno Pernadas, entre outros, editaram em maio o seu EP de estreia homónimo, composto por cinco canções instrumentais deveras orelhudas e pegajosas onde fundem o hip-hop com o jazz. É sempre bom ver que há espaço para o jazz de fusão continuar a evoluir no nosso país, como também são exemplo os Bruma.






Os Melquiades são uma banda de rock experimental lisboeta formados por António Agostinho (guitarra), Diogo Sousa (bateria), Luís Lucena (baixo) e João Nascimento (sintetizadores). O quarteto, que adota ritmos e harmonias latinas na sua sonoridade, diz-se influenciado por Bruno Pernadas, Mars Volta e até pelos seus desenhos animados de infância favoritos. Compostos por membros dos Moullinex e QuartoQuarto, os Melquiades são capazes de criar sons particularmente únicos. Editaram em setembro o seu EP de estreia, Oyster Eggs, onde os trocadilhos, desenhos animados e boa onda se misturam e invadem tanto os nomes das músicas como o nome do próprio EP.






A Troublemaker Records continua a dar cartas, e a Killian junta-se NESS. Alter ego que nasceu nas ruas de Sintra, NESS conta-nos a sua perspectiva sobre o que é viver num mundo onde desde pequena teve que aprender a definição de auto-reflexão, independência e perdão. NESS apresentou em 2018 o seu primeiro single, “Karma”, de influências R&B, soul e eletrónica, afirmando a sua inquietação lírica e graciosidade pela melodia. Já com várias músicas produzidas (como se poder ver na setlist de um concerto que a artista deu no Musicbox em julho), espera-se ansiosamente pelo seu EP de estreia, MESS.






ORLA é o primeiro trabalho a solo de João Pedro Amorim (FERE, Memoirs of a Secret Empire). Mass trata-se de uma viagem cíclica e exploratória pelo universo vizinho, de onde se vê a orla daquele em que julgamos estar. Entre o uso ocasional de instrumentos como o trompete e a guitarra eléctrica, os sintetizadores representam o espaço, ao mesmo tempo que o ocupam e a massa aumenta. Já o tempo, por si só não existe, logo a viagem nunca acaba.






Tomás Frazer é um produtor lisboeta conhecido no mundo da música sob o moniker de Oströl. Com raízes no classicismo, foi pianista e conviveu com a música de Bach, Mozart e Schubert, algo que não o impediu de apostar em sonoridades eletrónica de ritmos mais hipnóticos e densos. Editou em fevereiro o seu álbum de estreia Austral Sounds, pela lisboeta Rotten \\ Fresh, onde é bem audível o uso recorrente de samples, texturas sintéticas e atmosféricas, intercaladas com momentos mais dançáveis, havendo ainda algum espaço para sons de cariz oriental envolvidos em negrume (oiça-se a faixa que título).  






O Álbum Desconhecido de P. ADRIX junta-se ao longo catálogo da Princípe Discos de estreias absolutamente avassaladoras. Por entre os ritmos de batida, com um forte ênfase em síncopes reminescentes de DJ NIGGA FOX e uma certa densidade psicológica que DJ FIRMEZA trouxe com Alma Do Meu Pai, P. ADRIX navega habilmente como um conjurador de ritmos de dança aparentemente desconectados. Nascido em Lisboa e com ascendência angolana, encontrou casa em Manchester há 3 anos, algo que se faz sentir ao longo de Álbum Desconhecido - ora ubíquos, ora distantes, ritmos da club scene britânica intrometem-se no pós-kuduro do produtor lisboeta. Neste registo, batida angolana é produzida sublimemente e encharcada de grime e jungle, transportando o ouvinte para a selva urbana de P. ADRIX






António M. Silva apresenta-se ao mundo como Sal Grosso e editou em outubro o seu álbum de estreia através da recém-fundada combustão lenta records. Gravado em casa do próprio durante o inverno de 2017 e o verão de 2018, Lets all just go wild and put our hands in the air a bit é o resultado humilde de uma série de ensaios improvisados com teclados obsoletos, máquinas ruidosas e vários pedais e processadores de efeitos. No seu primeiro registo de longa-duração, o produtor propõe um trabalho criterioso de música sonhadora e desacelerada que vive nos (e dos) territórios comuns ao ambient, noise e minimalismo.






Caracterizam-se como jazz-punk pós-aquático e são formados pelo poeta António Pedro Ribeiro (voz) , Sérgio Rocha (guitarra), João Pires (bateria), Nils Meisel (sintetizadores) e Tommy Luther (baixo). Vêm do Porto com as suas músicas longas movidas a noise rock e no wave irregular. No meio de todo este caos cacofónico, António Pedro Ribeiro declama ferozmente os seus poemas, sendo acompanhado nas performances ao vivo por Kenneth Stitt, homem de speedo que dança livremente com os seus longos braços e pernas, vociferando por vezes algo indecifrável ao microfone. 





Simão Simões lançou pela Rotten \\ Fresh o álbum strel, onde apresenta uma sonoridade marcada pela IDM e pelo Glitch. É um disco constantemente interessante, onde sons são cortados, repetidos e manipulados de forma a criar ritmos complexos e dinâmicos em conjunto com ambientes sonoros atmosféricos. Há momentos relaxantes, outros dançáveis e outros que pedem toda a nossa atenção para apreciar a sobreposição e mistura de várias texturas. Não faltam também boas melodias e samples, assim como sons sintetizados que nos puxam para o mundo digital criado pelo artista de Setúbal. strel está entre o melhor da música eletrónica portuguesa.






Nihilus é o disco de estreia de Bruno Costa sob o moniker Spiralist, editado em maio pelo selo Microfome. Criado tanto como uma reação à morte de projetos musicais e bandas anteriores, como devido à necessidade de materializar a sua visão artística, Nihilus conta a história de um personagem sem nome que é gradualmente corrompido pela entidade epónima do álbum, a nível físico, psicológico e até mesmo moral, num conto metafórico que espelha os efeitos da depressão em si. Para fãs do black-metal e de elementos da música doom, hardcore-punk e ambient. 






Os Terebentina, sexteto com base no Porto, têm vindo a agitar o cenário independente da Invicta com algumas das performances mais abrasivas que nos recordamos de assistir nos últimos tempos, delineando os limites da experimentação com um som que tem tanto de refrescante como de familiar. Influenciados pela corrente exploratória e subversiva da América dos anos 1970, de Glenn Branca a DNA, os Terebentina apresentam um conjunto portentoso de canções de difícil categorização, uma exploração expressiva e visceral que só sente o conforto na vertigem.






Em 2007, o harpista Eduardo Raon, a pianista Joana Sá e o violoncelista Luís André Ferreira criaram um ensemble de música improvisada que dá pelo nome de Powertrio. Agora em 2018 foi a vez de Luís José Martins, na guitarra clássica, e Nuno Aroso, percussionista, se juntarem a este trio e formarem o coletivo Turbamulta. Estes cinco músicos são responsáveis por uma sonoridade clássica contemporânea e minimalista, e editaram em março o seu disco de estreia homónimo, com o selo da Clean Feed. Neste último podemos encontrar melodias oníricas e delicadas, texturas enigmáticas e articuladas, tudo com base no improviso.






vau é o projeto onde Nuno Craveiro revela uma faceta completamente oposta à do seu outro projeto Névoa, com seis composições ambiente/drone cuidadosamente trabalhadas durante os últimos quatro anos.  ways of stilness é o seu primeiro lançamento a solo e um disco bastante pessoal, atingindo o seu objetivo de imergir o ouvinte num espaço de tranquilidade onde o tempo parece ter abrandado através, especialmente, dos inúmeros field recordings utilizados. ways of stilness foi editado no passado mês de novembro pela britânica Whitelabrecs.

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À conversa com: Resina


O violoncelo. A Karolina, a aprendizagem e a importância que o mesmo assume no seu trabalho. As imagens. O Mateusz e como as molda. A natureza e a humanidade. Longe de constituírem dicotomias, compreender como ambos foram capazes de incorporar temas, métodos e instrumentos no trabalho que desenvolvem enquanto Resina. A conversa antes do concerto no passado dia 28 de novembro, nas Damas - Lisboa, com Karolina Rec a.k.a. Resina.


O VIOLONCELO

É uma estória bonita, acho. O primeiro instrumento que aprendi a tocar foi o piano. Queria ser pianista. Era uma vontade muito profunda. Comecei a estudar piano aos oito. A minha professora da altura convenceu-me a ir estudar para uma escola. Passei nos exames, mas disseram-me que já era demasiado velha para tocar piano. Eles estavam disponíveis para acolher crianças que tocavam piano e violino, mas só até aos sete anos. Disseram-me que poderia escolher outro instrumento - violoncelo, flauta e guitarra. Não queria tocar guitarra e flauta pareceu-me, à época, demasiado suave. O violoncelo por curiosidade - não sabia como seria tocá-lo e como soaria. Estava super curiosa e então decidi experimentar. Durante a primeira aula, com o toque, a vibração do instrumento no meu corpo. Aí definitivamente eu soube - o violoncelo vai ser o meu instrumento. Na Polónia as crianças não são obrigadas a aprender música. Simplesmente, quando ouvi uma rapariga a tocar o piano, senti-me imediatamente sob um feitiço. Foi uma força constante, quase como magia. Nasci numa cidade pequena e, como acontece muitas vezes, o apoio dos pais foi fundamental. Eles sempre me incentivaram.

OS PRIMEIROS PASSOS COM O VIOLONCELO

Na Polónia, e àquela época, havia só uma forma e muito clássica de se aprender este tipo de instrumentos. Não havia escolas públicas que suscitassem o interesse para outras formas de aprendizagem, mais diretamente relacionadas com a improvisação. Há caminhos que se vão cruzando. Tive a felicidade de conhecer um músico que me deu a ver um outro universo, mais relacionado com a improvisação e longe das estruturas rígidas e clássicas. Era minha vontade não estar só a tocar músicas de outros autores e feitas numa época que não a minha. Foi então que decidi envolver-me com todas estas bandas de Varsóvia. Este encontro foi fundamental na minha descoberta da cena mais underground. Ele não só foi o produtor dos meus discos, como também me deu a conhecer muitas das bandas mais importantes daquela altura, até porque tinha uma relação muito estreita com praticamente todos os músicos.



O VIOLONCELO E OS OUTROS

Para mim o violoncelo nunca se deve assumir como a parte melodiosa de uma banda. Não tem porque ser assim. Além disso, o violoncelo tem um potencial enorme. Para mim foi fundamental encontrar-me com o Colin Stetson e com os músicos do seu grupo. Antes de o conhecer não era grande entusiasta do saxofone, mas depois compreendi realmente que se pode utilizar um instrumento numa perspetiva muito pessoal e que pode modificar a visão que se tem sobre o mesmo. Transformá-lo de forma a que se enquadre na tua linguagem. Esse é o meu grande objetivo.

VARSÓVIA E O UNDERGROUND 

Atualmente, e mesmo na geração anterior, tem-se notado uma grande apetência para se experimentarem novas sonoridades. As pessoas estão ávidas por experimentar. Há uma grande abertura para se cruzarem géneros musicais. Já não há aquela ideia de se fechar exclusivamente num género. Querem-se cruzar linguagens. Há uma excelente mistura entre o que se edita, aquilo que é editado e remisturado por outros, uma excelente qualidade dos músicos, muito boas escolas e em que estão representados os mais variados géneros. Sinceramente, penso que há algo de único na cena polaca e de Varsóvia em particular. Simultaneamente, somos como que outsiders, mas também é o momento em que tomamos consciência de que não somos piores que os nossos vizinhos. É certo que Varsóvia continua a ser o grande centro de produção musical polaco, no entanto há um entusiamo, se quisermos, por estas linguagens que se estende um pouco por todo o país, tanto na área mais experimental, no jazz, na eletrónica ou mesmo no rock ou música clássica há uma procura por novas linguagens. Katovice com o Off-Festival e com uma escola de jazz muito interessante, por exemplo, ou o Unsound em Cracóvia. Centrado em Varsóvia, mas com muitas ramificações e isso é, naturalmente, muito estimulante.

O PERCURSO A SOLO

Depois de ter tocado em diferentes grupos fui convencida a tocar a solo, porque finalmente tinha encontrado as ideias que me permitiam sustentar e estruturar um trabalho a solo. Compreendi então, por serem matérias tão pessoais e nas quais estava tão envolvida que a melhor opção seria tocar a solo.


OS ÁLBUNS E A TRANSIÇÃO ENTRE AMBOS

O primeiro trabalho (Resina - 2016) foi mais um exercício em torno de ideias, sensações que não são imediatamente percetíveis. Muito difíceis de catalogar, muito sensitivas, debaixo da pele. Nada de concreto. O segundo (Traces - 2018) é muito mais sobre ideias claras, mais concretas. São ideias muito palpáveis, muito claras sobre mim, sobre a minha família e o tempo da guerra. Em termos musicais também senti que deveria alterar alguns aspetos. A passagem de algo debaixo da pele, para algo mais forte, carregado de som. As mudanças devem-se a estes dois aspetos - as temáticas a explorar e a necessidade de um outro tipo de sonoridade.


O VIOLONCELO E OS ELEMENTOS QUE SE INCORPORAM

O violoncelo por si só já é um instrumento autossuficiente. Não necessitaria, à partida, da incorporação de pedais, mini Korg e outros instrumentos que utilizo. Quando uso os loops, por exemplo, é para reforçar o poder do violoncelo. Ou seja, a fonte continua pura, é o som do violoncelo que se ouve, mas permite-me criar camadas, outras formas de leitura e intensificar o som do instrumento. 

AS IMAGENS E A MÚSICA

Nos concertos as imagens de Mateusz Jarmulski são parte indissociável da música, isso só acontece porque parte de uma relação muito pessoal. Seria muito relutante em introduzir projeções nos meus concertos se não fossem trabalhadas pelo Mateusz. Ele conhece ao detalhe o meu processo de composição, ele sabe os filmes que estava a ver na altura, o que eu penso em cada momento, os sons que tento captar e trabalhar. A criação destas imagens é feita de uma forma muito orgânica e não tenho mesmo a certeza se poderia trabalhar com outra pessoa. Seria muito difícil. Não só está muito envolvido em todo o processo como esta relação se intensifica à medida que vamos trabalhando.

A NATUREZA E A HISTÓRIA 

Os dois álbuns são a face da mesma moeda, pelo menos é assim que os entendo. O primeiro trabalho tem esta ligação muito forte à natureza e aos seus elementos. A preocupação em relação a esta falta de ligação à natureza e como ela está a aumentar. O segundo está relacionado com a humanidade e a incapacidade de aprendermos com o passado, com a história e as suas falhas. Este distanciamento face à natureza, por um lado, e face à nossa história em comum, por outro, faz com que tenhamos cada vez menos ligações com o que nos rodeia. Isso preocupa-me. É algo que tento refletir nos meus trabalhos. O facto de tocar um instrumento feito de madeira também é muito importante para mim, traz-me à terra.


Entrevista: Gil Simão
Fotografia: Virgílio Santos

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