sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Novo disco de Sydney Valette chega às prateleiras em fevereiro


Sydney Valette lançou em 2018 um novo EP, Space and Time, trabalho que é reeditado em formato longa-duração sob o epíteto How Many Lives já no próximo mês de fevereiro. O novo disco, que será o quinto na discografia do produtor, contará com três músicas inéditas, um cover do grande hit dos Sex Pistols e ainda três faixas bónus, além dos já conhecidos quatro temas do mais recente EP. O disco é o primeiro registo do artista a ter o carimbo da Icy Cold Records, uma das novas labels revolucionárias da cena underground.

Segundo nota de imprensa neste novo trabalho é visível um Sydney Valette a explorar as vertentes mais pecaminosas da EBM com os ritmos monocórdicos do post-punk e as sombras da darkwave, através de canções unificadas por uma produção mais sensata e forte. Do disco já se podem ouvir as quatro faixas integradas em Space and Time.


How Many Lives tem data de lançamento previsto para 15 de fevereiro, em formato CD pelo selo Icy Cold Records.

How Many Lives Tracklist:

01. How Many Lives 
02. I Can't 
03. Lies 
04. Back from Mexico 
05. New Pictures 
06. Space and Time 
07. Anarchy in the UK (cover Sex Pistols) 
08. Rzurekt 
09. My Pride (2014) (Bonus Track) 
10. Polished Mirrors (2013) (Bonus Track) 
11. Some Letters (2013) (Bonus Track)

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Noite dos Reis da Bazuuca este sábado no Lustre, Braga


O Dia de Reis promete ser uma verdadeira celebração da nova cena musical bracarense que tanto se tem destacado nos últimos anos. O Lustre prepara-se para receber uma noite com o carimbo da Bazuuca, numa festa com as nove bandas da agência musical bracarense a fazerem-se ouvir, com concertos-flash, divididos em dois palcos.

No leque de bandas encontram-se os Bed Legs, Grandfather’s House, Máquina del Amor, No!On, Palas, QUADRA, This Penguin Can Fly, The Missing Link e Tundra Fault. O evento tem início às 23h de 5 de janeiro e os bilhtes têm o custo de 5€(+ consumo obrigatório).

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Oiçam: HIFA


Classificados num reino diferentes dos animais, plantas ou bactérias, vivem os fungos. Organismos que têm sido um tema que não só tem fascinado os cientistas, como também todos os entusiastas destes curiosos organismos.

De volta às mesas rectangulares do ensino secundário, sentamo-nos com a devida atenção nesta aula de Biologia onde somos introduzidos a inúmeros conceitos científicos: HIFA, células que permitem a reprodução dos fungos e também o projeto musical criado por Francisco Couto, que mistura eletrónica, techno e ambient. Inspirado pelo ciclo de reprodução dos fungos, HIFA criou este delicioso pedaço de música.

"Plasmogamia", "Cariogamia" e "Meiose" são os diferentes estados da reprodução sexuada que estes seres concluem na germinação e as músicas que fazem parte deste EP e  representam as diferentes fases deste processo. Um ano depois do lançamento do seu primeiro EP, Cu Duro e Dm, HIFA apresenta uma evolução no artista e uma bela prenda de Natal atrasada para todos os que ouvirem a sua música.

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00:NEKYIA apresenta nova compilação HYMN


00:NEKYIA é um colectivo artístico português bem recente fundado por Afonso Arrepia Ferreira, Pedro Menezes e Teresa Cristina, que está a preparar a edição da sua primeira compilação, HYMN. Procuram dar asas ao desenvolvimento de todas as formas de expressão e criação, e um ponto comum entre vários géneros de música, sejam eles ambient, drone ou club. Com lançamento marcado para dia 5 de Janeiro, o álbum contém faixas de artistas nacionais e internacionais - de países como Alemanha, Espanha, França, China, USA, Austrália, Rússia, entre outros. Entre os artistas participantes encontram-se LXVFARWARMTHYikiiBLEIDMomentum IIUNITEDSTATESOFfuncionárioAiresHRNS ou Grasps_, entre outros. 

HYMN será apresentado ao vivo num evento a decorrer na Rua das Gaivotas 6, Lisboa, também marcado para dia 5 de Janeiro, onde será possível ouvir a compilação na sua totalidade, em loop durante todo o dia, e onde será exibida uma peça do artista plástico Pedro Gramaxo criada para a apresentação do álbum. A entrada é livre, e o ouvinte pode permanecer no espaço o tempo que desejar. um espaço comum para nos perdermos no som, no tempo e numa forma de audição colectiva. 

A 12 de janeiro, 00:NEKYIA leva até ao Damas Concrete Fantasies, HRNS + Swan Palace e DRVGジラ (Drvgzila), num evento com entrada livre.

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

[Review] LOBBY - Fragrance


Fragrance | Solange Endormie Records | dezembro de 2018
9.0/10

Os LOBBY estrearam-se no último mês do ano com um dos mais brilhantes discos de post-punk de 2018, Fragrance. Chegaram tarde mas ainda a tempo de conquistar o pódio para o melhor disco de estreia dentro das estéticas mais sonhadoras e nostálgicas. O quarteto francês, nascido em Pessac e atualmente sediado entre Lyon e Paris, formou-se em maio de 2017 e desde então tem trabalhado num objetivo simples: sintetizar o rock dos anos 2000 - que os acompanhou no ensino médio - com as sonoridades marcantes dos anos 80, que eles descobriram no ensino secundário. O resultado é um disco que reflete a melancolia de uma era que a banda não viveu, mas que ainda assim idealiza e muito bem. 

O primeiro tema de avanço "Collapse" surgiu em fevereiro de 2018 e é entre o ritmo marcado do baixo de Tom Déjeans, a potência dos sintetizadores de Nabil Bourdareau, a guitarra estridente de Lino Etchegaray e a voz doce, carinhosa e reverberada de Timothée Roze Des Ordons, que a fórmula de sucesso deste novo Fragrance começa a ganhar forma. É impossível não ficar colado e surpreendentemente entusiasmado com o poder que os LOBBY emanam. 


Nove meses depois surge cá para fora o segundo tema de avanço, "Violence In You Eyes" e a notícia de que vamos poder finalmente ver a obra dos LOBBY materializada em formato CD e vinil pelo novo selo do movimento underground, a Solange Endormie Records. Se em "Collapse" o resultado era uma faixa altamente aditiva e dançável, em "Violence In Your Eyes" os LOBBY mostram que conseguem ir mais além, explorando sonoridades que rejuvenescem a aura de quem as ouve. 

A 17 de dezembro de 2018 é editado para todo o mundo o disco de estreia da banda, um conjunto de 10 canções altamente mágicas, belas, profundas e deliciosas. A abrir com a faixa homónima "Fragrance", os franceses mostram uma emotividade intangível mas altamente experienciada e sentida. É como se voltássemos atrás no tempo e todas aquelas sensações da adolescência e as borboletas na barriga fossem reais. Além disso, a constante "I need someone to move it in", volta a renovar a visão utópica e altamente apaixonada sobre o amor. Destaque logo à primeira vista para o tema "Your Jail" - a fazer lembrar as paisagens de bandas como The Strokes - e claro está, para o grande hino do disco, "Chimeras". "Chimeras" é definitivamente uma das melhores malhas a ser descoberta neste trabalho. Há um poder absoluto neste tema, uma hipnotização do ouvinte, uma angústia contida pelos sintetizadores cintilantes, mas rebuscada nas guitarras frutíferas. Há a mudança de ritmos, sons e sensações e toda uma confusão que se instala de início ao fim. (Ao tempo que um single não se entranhava tão bem como este!) 



Antes de rodar o disco, tempo ainda para conhecer uma faceta mais melancólica dos LOBBY com "Heat", tema que também se destaca pela mudança de génio que acontece por volta dos três minutos de avanço. Os LOBBY até podem ser novitos de idade mas não são uns meninos a fazer música. 

O Lado B do disco, que explora uma atmosfera de sintetizadores mais densos, é inaugurado pelo tema "Taking Down" que, juntamente com "1881" e "Somewhere", se apresentam como as faixas de ritmo mais lento e prolongado do disco, a explorarem diversos elementos da synth-wave, dream-pop e shoegaze e a mostrarem que os LOBBY também sabem fazer baladas. Integram ainda o alinhamento a já referida "Violence In Your Eyes" e "Upside Down", tema que encerra o disco. 

Com as audições repetidas de Fragrance algo que se torna evidente é que são claras as influências que contribuem para a sonoridade resultante desta estreia, mas também é óbvio que as experimentações de áudio deste grandioso disco são muito próprias e exclusivas, além de juntarem uma aura mais fofinha e colorida às tendências monocromáticas a que o post-punk, coldwave e a darkwave estão associadas. Os LOBBY foram definitivamente uma das melhores descobertas do ano de 2018: uma banda jovem, ambiciosa, apaixonada, muito madura e cheia de potencial para conquistar o mundo. Fragrance é um disco de excelência para inaugurar a discografia de uma banda que tem tudo para se tornar um ícone dos atos post-punk da nova geração.


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Fausto Bordalo Dias leva A Trilogia até Coimbra


A Trilogia de Fausto Bordalo Dias, composta por Por este rio acima, Crónicas da Terra Ardente e Em Busca das Montanhas Azuis, será apresentada dia 5 de Janeiro no Convento de São Francisco, em Coimbra, com organização da Ao Sul do Mundo.

Fausto Bordalo Dias é um nome que dispensa apresentações no panorama português. Tal como muitos cantautores portugueses da década de 70, inicia a carreira algures entre o pop e a música de intervenção, contando com colaborações com José Mário Branco e Sérgio Godinho. No entanto, foi em 1982 que Fausto começa uma viagem de redescoberta dos descobrimentos em três atos. 

Em 1982, Por este rio acima, o primeiro testemunho desta demanda inspirado pela Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, é editado. Nele, Fausto reafirma-se como uma espécie de Fabrizio de André português, um Chico Buarque lusitano. Neste registo, a capacidade lírica e musical de Fausto é coberta com um camada de música popular portuguesa sem perder o seu encanto. 

A viagem tardou em ser concluída, mas em 1994, passa pelo nascer das Crónicas da Terra Ardente, o segundo ato, desta vez sobre as viagens dos navegadores portugueses. É neste registo que nos apercebemos que esta trilogia não nos carrega apenas pelo caminho dos navegadores portugueses: o progresso pelo estado da música contemporânea também se faz sentir nas composições de Fausto. Sintetizadores e guitarras electro-acústicas fazem-se ouvir ao longo destas Crónicas, mantendo ainda assim a música popular portuguesa e a voz de Fausto como porta-estandarte. 

Em 2011 a viagem termina com Em Busca das Montanhas Azuis, quase 30 anos depois da partida. Agora, Fausto relembra a viagem. O terceiro concerto desta tour portuguesa que já passou pelo Porto e Lisboa, será no Convento de São Francisco, em Coimbra, no dia 5 de janeiro, onde Fausto irá com certeza provar a intemporalidade da sua Trilogia.

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Os melhores álbuns nacionais de 2018


Em 2018 a matriz do talento nacional não sofreu mutações significativas e a receita continua a ser a mesma dos anos anteriores: ecletismo musical. Fomos brindados com a experimentalidade ritualística dos HHY & The Macumbas, o hip-hop nortenho e jocoso do Conjunto Corona, a portugalidade e o romantismo contemporâneo embebidos nos beats de David Bruno, o minimalismo melancólico de Francisco Oliveira e as baladas insulares de MEDEIROS/LUCAS. Fiquem a conhecer os 30 melhores álbuns nacionais que se destacaram este ano.


30- Beautify Junkyards - The Invisible World of Beautify Junkyards




29- Buhnnun - buhnnun




28- Cave Story - Punk Academics




27- RS Produções - Bagdad Style




26- Quadra - Cacau




25- dreamweapon - SOL





24- NERVE - Auto-sabotagem




23- Linda Martini - Linda Martini




22- Joana Gama e Luís Fernandes - At The Still Point Of The Turning World




21- Colónia Calúnia - [caixa]




20- Momentum II - Impatience door




19- Astrodome - II




18- Baleia Baleia Baleia - Baleia Baleia Baleia




17- Filipe Sambado - Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo




16- ZGAXDEL - Directrizes e Métodos de Transcendência




15- P. Adrix - Álbum desconhecido



14- João Pais Filipe - João Pais Filipe




13- UNITEDSTATESOF - Selections 0




12- indignu - umbra




11- Iguanas - Lua Cheia




10- Norberto Lobo - Estrela




9- Niagara - Apologia




8- FERE - Montedor




7- FARWARMTH - IMMEASURABLE HEAVEN





6- Filho da Mãe - Água-Má




5- MEDEIROS/LUCAS - Sol de Março


MEDEIROS/LUCAS são uma dupla formada por Pedro Lucas (Lisboa) e Carlos Medeiros (São Miguel) e com o disco Sol de Março deram fim à trilogia iniciada com Mar Aberto (2015) e Terra do Corpo (2016). O álbum lançado em março pela Lovers & Lollypops é composto por doze canções que abordam a parte da razão e do pensamento e brincam com as relações entre a luz e a sombra, mantendo o habitual tom melancólico e de balada em temas como "Podre Poder" e "Elena Poena". Neste novo trabalho os caminhos fazem-se conduzidos pela voz de Medeiros que nos mostra agora novas facetas, com melodias mais vincadas e com maior alcance. As canções essas, continuam a ser escritas sobretudo por Pedro Lucas, a partir das letras do escritor açoriano João Pedro Porto, explorando ao mesmo tempo um novo território sonoro, do blues ao jazz e à eletrónica. 



4- Francisco Oliveira - On the Act of Reminding


A pegada musical do artista pluridiscplinar Francisco Oliveira espalha-se por projetos como Deepbreathers, Terebentina ou Holoscene 85', mas também sob uma vertente mais íntima e pessoal que explorou pela primeira vez, este ano, em nome próprio. On the Act Of Reminding, o primeiro registo de Francisco sob este novo formato, vê o músico e produtor sediado no Porto enveredar pelos caminhos de um minimalismo puro e bucólico. Em jeito de carta de amor, Francisco explora as potencialidades do tempo e da memória, sua e dos seus antepassados. Foi, aliás, no piano de casa de sua avó que o músico construiu cuidadosamente as cinco peças que compõe este trabalho, apropriando-se do estado de uso e desuso do instrumento para uma obra despojada e visceral que tem tanto de cru quanto de delicado.



3- David Bruno - O Último Tango em Mafamude


Vila Nova de Gaia é a temática de estudo deste novo álbum de David Bruno, mais conhecido por estas andanças por dB, membro integrante do Conjunto Corona. O Último Tango em Mafamude, lançado pela 1980, sucede então a 4400 OG de 2016, sendo um álbum mais acutilante que se dedica a contar o amor não correspondido pelo artista à sua cidade Vila Nova de Gaia. 

Um álbum com cheiro a "Novycera" ou aquele Alfa Romeu Julietta, tema da primeira canção, daquele tio ou avô de amigo que usa cuidadosamente desde a sua compra nos anos 70 ou 80 quiçá. É mesmo isso que David Bruno pretende, mostrar através também de vídeo o bom ou o que fica dos anos 90. Carros com design que actualmente estão "out" em termos de "fashionismo", anúncios televisivos com cores berrantes, restaurantes ou "snack-bars" icónicos de Gaia, que poderiam ser da cidade de qualquer um dos ouvintes. 

Este trabalho explora as mais diversas sonoridades, do soul e R&B ao psych rock e early hip hop, acompanhados por vezes de uma guitarra vibrante. Não esquecer também Marante, inspiração para a capa e para a mística do álbum e Toy, famoso e prodigioso cantor de baladas de amor. É mesmo esse hook "Romântico como o Marante, apaixonado como o Toy", que faz a música “Amor Anónimo”, a par da forte guitarra eléctrica como nos filmes eróticos do antigamente.



2- Conjunto Corona - Santa Rita Lifestyle


Fazer um álbum sobre a religião das bombas de gasolina e receber uma aclamação positiva geral por parte da crítica e dos fãs é uma obra incrível. Logos e dB (que não se dá por satisfeito ao participar em apenas um dos melhores álbuns do ano) escreveram mais um capítulo na conturbada vida de Corona, que depois do falhanço do negócio de Cima de Vila Velvet decide virar-se para a religião e a espiritualidade.

Santa Rita Lifestyle trás algumas mudanças neste novo álbum, nomeadamente músicas mais curtas e com menos letras, contudo a identidade e espírito permanecem intactos com a referência a inúmeros regionalismos da zona do Porto, Gaia e arredores e com a utilização de samples tão inacreditáveis que nos deixam a pensar se o David Bruno não deveria passar menos tempo na internet e ir passear para um sítio verde enquanto refresca os pulmões com um pouco de ar puro.

As músicas continuam icónicas e memoráveis, de salientar a faixa que partilha nome com o álbum, “Eu Não Bebo Cola Cola eu Snifo”, “Perdido na Variante” com a contribuição do incomparável PZ e “Dali Somali”, pessoalmente, a que tem a melhor sample e que dá uma enorme vontade de encher umas flexões na pista do Rock’s.



1- HHY & The Macumbas - Beheaded Totem


Há álbuns que nos fazem questionar a própria definição de jazz. Outros, aquilo que é esse chavão distante e impossível de concretizar que é a música do mundo. Ainda outros ousam em quebrar para lá das barreiras da conotação experimental. Beheaded Totem, novo álbum dos HHY & The Macumbas editado pela House of Mythology, é um compacto vitamínico que praticamente sem se esforçar expande o conceito da música de dança experimental do século XXI. A verdade, é que os rótulos existentes não chegam para enquadrar este trabalho no panorama da arte sonora contemporânea. 

Enquanto que muitos dos trabalhos que têm saído dentro do mundo do jazz de fusão ou de forma livre são edificados nos moldes que já tinham sido construídos, o grupo liderado por Jonathan Uliel Saldanha - discutivelmente um dos artistas portugueses mais interessantes da atualidade - desconstrói o jazz, a música electrónica, a "world music" e a música de dança e a partir destes destroços edifica um ritual único e estranhamente dissociado das suas origens. Beheaded Totem existe não só enquanto álbum, mas também como um exercício de arte pós-moderna bem sucedido.

As secções de sopro são quase nobres e sacrilégios em simultâneo. Os ritmos de dança latinos e africanos preenchem o espaço que rodeia a improvisação e condução de Jonathan Uliel Saldanha graças aos quatro percussionistas que integram a banda. Nos intervalos desta sonoridade e graças ao mesmo quarteto, faixas como "Deep Sleep Routine", "Ergot Glitter" e "Swisid Mekanize Rejiman" reformulam a música electrónica de club numa versão electro-acústica pós-tribal. 

Talvez o melhor ponto de equivalência para este álbum será um intermédio entre o seminal Bitches Brew de Miles Davis, um álbum que ficou conhecido pela maneira como revolucionou o jazz ao integrar ritmos repetitivos facilmente associados a processos ritualísticos e instrumentos eléctricos neste cenário, e os ritmos electrónicos de editoras como a Príncipe Discos. É óbvio que HHY & The Macumbas não é igual a Miles Davis, Chick Corea ou Dave Holland, tal como não é DJ Nigga Fox ou Niagara; é apenas o produto de séculos de música a convergirem num transe ritualístico de jazz de dança. É só, e apenas isso.

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