quarta-feira, 22 de maio de 2019

Serralves em Festa anuncia programa completo


Foi revelado, esta terça-feira, o certame que irá compor a 16ª edição do Serralves em Festa, que regressa ao Porto no próximo dia 31 de março para 50 horas de programação. Inserido nas comemorações dos 30 anos da Fundação e dos 20 anos de Museu, a próxima edição do "maior evento de cultura contemporânea em Portugal" volta a integrar um programa extenso e diversificado que vai da música às artes performativas, o teatro e as artes circenses, o cinema, o vídeo e a fotografia. Tudo com entrada gratuita.

Na programação musical, as atenções voltam a centrar-se no Prado, que este ano é encabeçado pela brasileira MC Carol. Nome fundamental da cena baile-funk carioca, a artista e ativista brasileira junta-se a um certame que conta ainda com os noruegueses Elephant 9, trio cuja fusão portentosa entre o jazz e rock recebeu edições pela respeitada editora norueguesa Rune Grammofon, a mesma casa que edita Mats Gustafsson, Colin Stetson ou Deathprod. A estes nomes juntam-se a reformada banda somali Dur Dur Band, as explorações artísticas do artista e performer Paul Soileau (a.k.a Christeene) e holandês Niels Nieuborg, cujo álbum de estreia como Arp Frique conta com a participação de Americo Brito, Ed Motta e Orlando Julius.



Já no Ténis os destaques vão para a música eletrónica, com Clara! Y Maoupa (na foto) a abrir as hostes no arranque do evento. O projeto que junta Clara Sobrino a Maoupa Mazzocchetti promete aquecer o parque da Fundação Serralves com algumas das escolhas mais arrojadas da pista de dança, onde o raggaeton serve como fio condutor para um set sem escrúpulos ou tabus. Meneo é o primeiro 12’’ da dupla e recebeu o selo da Editions Gravats, de Low Jack (o mesmo que editou os vários volumes de Reggaetoneras, mixtapes de culto selecionadas a dedo pela produtora espanhola). A editora britânica The Death of Rave volta a ser bem representada com o regresso de Rian Treanor ao evento, desta feita para apresentar o excelente e mais recente longa-duração Ataxia, que marcou a estreia de Treanor pela Planet Mu. Gabor Lazar é mais um dos nomes que nos chega sob a cinta da editora britânica, cujo mais recente disco, Unfold, valeu ao produtor de origem húngara um muito meritório sétimo lugar no top de melhores do ano para a Fact Magazine.

Já no contingente nacional, a coisa está naturalmente bem servida - HHY & The Macumbas juntam-se a Adrian Sherwood (que atua a solo no Ténis umas horas depois ) para um concerto único, Black Bombaim reúnem-se novamente com o saxofonista lisboeta Pedro Sousa, Corona contam-nos as histórias de Santa Rita Lifestyle, Batida apresenta o novo espetáculo The Almost Perfect DJ, e Nídia volta a mostrar o porquê de ser um dos nomes mais internacionais da atual música de dança com carimbo português. Há ainda Mathilda, Ivy, Sereias, Filho da Mãe, Nu No e muitos, muitos mais. 

Conheçam a restante programação aqui.

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terça-feira, 21 de maio de 2019

Reportagem: Kamasi Washington [Hard Club, Porto]


Foi no passado dia 10 de maio que Kamasi Washington marcou a sua passagem pelo Porto com um esplêndido espetáculo no Hard Club, pela mão da Gig Club. O músico esteve acompanhado de grandes nomes como Brandon Coleman, Miles Mosley, Ryan Porter, Ronald Bruner Jr, Tony Austin e ainda pelo seu pai, Rickey Washington, que entrou em palco em "Vi Lua Vi Sol". Kamasi Washington teve casa cheia, chegando a um público bastante diversificado, abrangendo várias gerações e estilos. Uma causa comum unia centenas de pessoas naquela noite: o interesse por um dos propulsores do jazz moderno.

Em 2016, Kamasi Washington passou pelo Porto (Casa da Música) para apresentar o disco The Epic, que veio revitalizar o jazz com a sua africanidade e trazendo até ao século XXI o formato big band que ditou o arranque do género. Agora Kamasi voltou a terras lusas para a encher o coração dos portugueses com a apresentação de Heaven and Earth. O saxofonista natural de Los Angeles passou por Porto e Lisboa (LAV - Lisboa ao Vivo) num concerto com duração de hora e meia que contou ainda com o tema "Truth" do álbum Harmony of Difference e o original "Abraham" do contrabaixista Miles Mosley.





O álbum Heaven and Earth foi lançado em junho de 2018, conta com uma avaliação no metacritic de 86/100 e tem vindo a ser alvo de grandes críticas. ”No álbum Heaven and Earth há um equilíbrio entre o conceptualismo de duas obras: A primeira, Earth destina-se a representar preocupações mundanas, enquanto o segundo, Heaven, explora o pensamento utópico e a realidade trabalhista da colaboração. As duas obras não variam significativamente em termos de som, pelo contrário, são um testemunho do sólido relacionamento do conjunto de Washington” – The New York Times.

Depois da receção em extâse pelo publico português, culminada num mar de aplausos, Kamasi Washington prometeu voltar em breve. Para já, segue em digressão pela Europa nos próximos meses, voltando para espetáculos nos Estados Unidos em julho. Por cá, já contamos os dias para o seu regresso ao nosso país.



Texto: Bruna Tavares
Fotografia: David Madeira

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segunda-feira, 20 de maio de 2019

A viagem cíclica dos mitos dos Transnadežnost'

Fotografia dos Transnadežnost' em junho de 2015

Os russos Transnadežnost' apresentaram-se ao vivo pela primeira vez nas regulares festas "Kamennaya Sreda" do clube DaDa, em St. Petersburg. Na altura, em dezembro de 2012, apenas como formato duo, com Alexander Yershov a assumir o papel de guitarrista e Vladimir Gurov responsável pela bateria. Pouco tempo depois, Max Zhuravlyov juntou-se à banda no baixo e nos sintetizadores, e a primeira demo Shamantra/First Arab Astronaut foi gravada. Em 2015 chega às prateleiras pela No name label o primeiro EP da banda, Kailash/Ladoga e a primeira das reformulações de line-up com Natasha Bogulyan na bateria e TaSha no teremim. 

O split Huldra/108 (2017) lançado juntamente com os Ciolkowska, marca o fim da espera pelo álbum de estreia, intitulado Monomyth, que volta a reformular o line-up da banda com David Aaronson a ocupar o lugar de baterista; Nikolay Vladimirovich a coordenar os ritmos no baixo, Alesya Izlesa e Alexander Yershov na condução das guitarras. O álbum marca a também o primeiro trabalho da banda erguido sobre um chão firme, incorporando elementos do rock espacial, psychedelic stoner, space heavy raga-rall e heavy psych, num disco tocado em sete faixas, que é brindado com um trabalho audiovisual disponível abaixo.


Entre uma conjugação de ritmos ora calmos e relaxantes ora mais pesados e bruscos, Monomyth, editado a 23 de setembro de 2018 em formato CD pelo selo [addicted label] apresenta uma banda que gosta de explorar os limites das quebras de ritmo e das mudanças de compasso imersivas. Monomyht pode escutar-se na íntegra abaixo. Podem comprar o disco aqui.

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Lingua Ignota anuncia novo disco, CALIGULA


Lingua Ignota, o projeto artístico de Kristin Hayter, está de regresso às edições de estúdio com CALIGULA, o disco de onze faixas que vem dar sucessão ao bastante aclamado All Bitches Die (2017). O novo trabalho, anunciado esta segunda-feira (20 de maio) chega às prateleiras em julho e vê como primeiro single de avanço "Butcher Of The World", uma das malhas que conjuga o melhor da música experimental eletrónica com o black metal, à semelhança do que já tem sido apresentado em álbuns anteriores. 

Lingua Ignota - e a sua conhecida música para expurgar os demónios e pedir perdão pelos pecados cometidos -, conduz-nos em CALIGULA a uma viagem gratuita ao inferno sem nunca deixar contudo, a sua beleza e aura celestial desvanecerem do pano de fundo. O disco foi produzido por Hayter e Seth Manchester nos estúdios Machines With Magnets. Enquanto ele não chega às prateleiras podem deliciar-se com "Butcher Of The World".



CALIGULA tem data de lançamento prevista para 19 de julho pelo selo Profound Lore Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

CALIGULA Tracklist:

01. Faithful Servant Friend of Christ 
02. Do You Doubt Me Traitor 
03. Butcher Of The World
04. May Failure Be Your Noose 
05. Fragrant Is My Many Flower'd crown 
06. If The Poison Won't Take You My Dogs Will 
07. Day Of Tears And Mourning 
08. Sorrow! Sorrow! Sorrow! 
09. Spite Alone Holds Me Aloft 
10. F*****g Deathdealer 
11. I Am The Beast

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Mr. Gallini lançou hoje The Organist


Já podem ouvir na íntegra The Organist, o segundo disco da trilogia Mr. Gallini’s Amazing Trilogy. O longa duração, que segue Lovely Demos, terá edição em cd e vinil via Lovers & Lollypops e k7 pela Yeah Yeah YeahO disco estará a ser apresentado num ciclo de concertos com início no Porto, a 5 de junho, na Casa da Música e que passará por Ílhavo, a 8 do mesmo mês, e no Sabotage Club, em Lisboa a 9.

Quem passa por Alcobaça não passa sem lá voltar... A não ser que já se seja de lá, e que se saiba que para além da adoração à arte da doçaria conventual, também vai perdurando a veneração por outra arte menos antiga, a de fazer rock n’ roll. Terá sido mais ou menos assim com Mr. Gallini, nascido em Pisões, e a quem os pais deram o nome Bruno Monteiro. E que começou nesta vida rock enquanto baterista de outros irmãos da mesma região, os Stone Dead, com os quais já percorreu palcos por todo esse Portugal fora.

Sem esquecer a casa-mãe mas procurando também encontrar o seu próprio espaço enquanto artista a solo, Gallini lançou já Lovely Demos, o seu álbum de estreia, em 2018, e apresenta agora o seu sucessor – que é, também, o segundo tomo de uma trilogia anteriormente anunciada. The Organist mostra o lado mais pop de Gallini, seguindo um método sempre rock (refrões, juventude, electricidade...), mas deixando espaço para que outras ferramentas mais eletrónicas (teclados, theremins e vocoders...) possam também respirar, num álbum que bebe tanto à brit-pop dos anos 90, como à space erados anos 50, mas que soa vivaço e atual, sem cair nos pantanosos terrenos da mera nostalgia.




O charme de The Organist passa também por essa ideia de intemporalidade. É um disco do presente, a relembrar um passado onde tudo soava ao futuro e alimentava imaginações: carros voadores, robôs, colónias lunares, teletransporte. Faz, portanto, todo o sentido que o primeiro single desta nova aventura de Mr. Gallini seja precisamente "The Future". Um futuro que alimenta não só a chama que persiste dentro de cada um de nós, a mesma que nos faz criar sonhos e projetos para escapar à efemeridade, como também a do próprio músico que o pinta, revelando tanto a evolução sonora que teve ao longo do último ano, como também aquilo que poderemos vir a esperar dele quando esta trilogia conhecer o seu último capítulo. Gallini é o homem de amanhã. E porque haveríamos de recear o amanhã?

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Weyes Blood em Portugal em novembro


Weyes Blood atua em Braga e Lisboa em novembro. A notícia foi avançada pelo jornal Observador, que confirma o regresso da música e compositora norte-americana a Portugal. 

Os concertos, que acontecem dias 5 e 6 de novembro no gnration e B.Leza Clube, respetivamente, têm como mote a apresentação do quarto e mais recente álbum de Natalie Mering - Titanic Rising. Autêntica ópera-pop de arranjos sinfónicos, o disco sucede o excelente Front Row Seat to Earth, de 2016, e marca a estreia de Mering pela editora norte-americana Sub Pop.

A performance no gnration marca também o regresso de Weyes Blood ao creative hub bracarense, onde atuou pela primeira vez em 2015. Desde então, apresentou-se novamente em Lisboa, estreou-se em Guimarães, Vila Real e Porto, no NOS Primavera Sound 2017, e ainda assegurou a abertura do concerto de Father John Misty no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, também em 2017.

Os bilhetes para o concerto em Braga já se encontram disponíveis via bol.pt ao preço de 12 euros.

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Franz Ferdinand, Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, entre outros, na 3ª edição do North Music Festival


É já na próxima sexta-feira que começa a terceira edição do North Music Festival, que pelo segundo ano consecutivo decorre à beira do rio Douro, mais concretamente na Alfândega do Porto. Conhecido como o “primeiro festival de verão do ano”, abre assim em força a época dos festivais e volta a apresentar uma programação para dois dias de animação com uma mistura de nomes consagrados com projetos nacionais emergentes.  

A programação de sexta, dia 24 de maio, é composta por Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, Bush, Expensive Soul, Murmur, Skills and The Bunny Crew, Rich & Mendes e DJ Kitten. No sábado, dia 25 de maio, é a vez de Franz Ferdinand, Bastille, Capitão Fausto, Glockenwise, Stone Dead, Cave Story e Moullinex DJ Set.

Os bilhetes diários têm o preço de 35€ e os passes gerais 59€. Já sabem para onde aponta a bússola, agora é só vocês não perderem o norte. 


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Lazy Sessions Guadalupe regressam a Braga no próximo mês de junho


Depois do sucesso da edição de 2018, as Lazy Sessions Guadalupe regressam em 2019, com mais dias, mais horas, mais música e mais momentos relaxados no Parque de Guadalupe, em Braga. Este ano haverá mais um dia de festival e mais uma hora por dia. Ao todo, serão quatro sábados, à tarde, até ao pôr-do-sol.

A curadoria do primeiro sábado de junho (dia 1) cabe à própria organização, seguindo-se o músico e produtor PZ (dia 8); na terceira sessão, a curadoria fica a cargo do músico JP Simões (dia 15) e, por fim, no dia 22 de junho, o encerramento das Lazy Sessions Guadalupe é da responsabilidade da Rádio Universitária do Minho, que comemora 30 anos de existência, em 2019. Ruído Vário (Ana Deus e Luca Argel), Surma, Keso, Minus, Memória de Peixe, Bloom, Grandfather´s House e Palas (além de dj sets dos curadores) são os músicos que vão actuar no Parque de Guadalupe.

O conceito das Lazy Sessions Guadalupe é propor a personalidades e/ ou entidades de relevância da cena musical portuguesa a curadoria de uma tarde, no Parque de Guadalupe, convidando bandas e DJs com os quais se identifiquem e considerem projetos a ter em contra no futuro. O cartaz completo e o horário por dias já podem ser consultados.






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Alinhamento por dias do Sonic Blast'19 anunciado


Os últimos passes gerais para a edição de 2019 do Sonic Blast encontram-se praticamente esgotados, sendo que a organização acaba de disponibilizar os bilhetes diários e anunciar o alinhamento por dias. Afirmando-se como um encontro perfeito entre praia, piscina sufr e muito rock, o Sonic Blast acontece de 8 a 10 de agosto de 2019 em Moledo, no concelho de Caminha.

O primeiro dia do festival é encabeçado por bandas como Graveyard, Earthless e Monolord, já o segundo por Orange Goblin, My Sleeping Karma e The Obsessed. O último dia está a carga de bandas como OM, Eyehategod e Windhand. O festival ainda confirmou que têm 5 nomes de artistas por anunciar.

Este é o primeiro ano que o Festival conta com 3 dias de programação, uma escolha da organização face ao crescimento do Sonic Blast nas últimas edições, em que os passes diários e gerais esgotam com algumas semanas de antecedência ao Festival.

Este anúncio coincide com a colocação dos bilhetes diários à venda para público, sendo que cada bilhete tem um custo de 35€. Estes bilhetes estão à venda em toda a Rede BOL e podem ser consultados aqui. Os últimos passes gerais disponíveis custam 70€ até ao dia 30 de junho, atualizando o preço no mês seguinte.


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STREAM: Conjecture - V


O projeto de música eletrónica de Vasilis A. influenciado pelas correntes do post-industrial Conjecture - lançou no presente mês de maio o seu novo EP de carreira, V que funciona como uma declaração anticorpo. O disco de seis faixas aborda a temática do descomprometimento individual do corpo humano e de todos os tipos de hipóstases físicas, sendo retratado através de formas sonoras industriais e não convencionais. O conceito do álbum é assim dedicado ao processo de procura da existência individual, que é capaz de ocorrer além das barreiras da vida, morte ou criação. Cada faixa do álbum reflete um fragmento de uma entidade maior, que ao final se torna completa. 

Apresentando-se como um manifesto obsessivo e um hino para a consciência, V é um disco de música psicologicamente densa, feita a partir da conjugação de diferentes camadas e texturas da música eletrónica com altas influências do dark ambient e da música drone. Logo na faixa de avanço "Ύπνος" - um autêntico camaleão sonoro a explorar diferentes ritmos sonoros e pitchs - Conjecture aborda a sua veia artística já presente nos anteriores trabalhos, mas aqui claramente mais afincada. Ao longo do trabalho o produtor conduz-nos para territórios ora sinistros (ouvir "Σώμα" e "Τέφρα"), ora obscuros e altamente imersivos (como é o caso de "Κρόνος") ora mais industrial-inspired (ouvir "Tύρβη"). 

V foi editado no passado dia 10 de maio em formato vinil e digital pelo selo búlgaro Amek Collective. Podem comprar o disco aqui.

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domingo, 19 de maio de 2019

Os anos 80 são revisitados no novo álbum dos The Rope


Os The Rope, banda formada por Jesse Hagon (voz), Michael Browning (guitarra), Sam Richardson (baixo elétrico) e Ben Rickel (bateria) regressaram este ano às edições de estúdio com Lillian, o primeiro longa-duração de estúdio a chegar quatro anos depois de EP Waters Rising (2015). Ao longo de dez temas fortemente influenciados pelas vagas do rock-gótico e do post-punk mais melódico dos anos 80 - com nomes com Chameleons, Killing Joke, The Sound e Sisters of Mercy a serem referidos como principal influência - os The Rope apresentam em Lillian uma sonoridade cativante e altamente melancólica.

Num disco onde o tema de abertura "Eyes" se destingue logo pelo forte capricho nas guitarras saudosistas dos 80's, os The Rope vão conduzindo o ouvinte pelos terrenos mais negros do rock - com "Terminus", "Given To The Gun" e "Lillian" a trazer à memória os conterrâneos Fields of the Nephilim - abrindo ainda espaço para o para territórios mais cintilantes, suaves e rítmico, presentes em temas como "Gravity" e "Bridge" (este último a trazer à memória os saudosos The Sound). Nos contrastes mais obscuros e dançantes integram o alinhamento faixas como "Dying Days" e "Now You Know". 

Lillian foi editado no passado dia 21 de abril em formato CD e vinil. Podem comprar o disco aqui.


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A eletrónica negra figura no Nonsense de MANDIVULA


MANDIVULA, o projeto nascido com foco no anonimato e independência, editou no passado mês de fevereiro o seu novo EP intitulado de Nonsense, um disco de sete malhas que conjugam os sons mais obscuros com base numa eletrónica orgânica, ritmos poderosos e um baixo orçamento. O resultado: um disco altamente aditivo e a provocar aquela vontade imersiva e instantânea de dançar ou abanar a cabeça só porque sim. Com base na darkwave, à qual MANDIVULA acrescenta alguns elementos do krautrock, EBM e do post-punk, Nonsense é um disco que, bem ouvido, até faz algum sentido.

Em Nonsense a eletrónica de MANDIVULA, começa por se apresentar bastante estridente e noisy, nos primeiros segundos de "Disease" - felizmente são apenas 27 segundos de uma confusão muito sem sentido antes de MANDIVULA mostrar-nos, efetivamente, onde é que ele quer chegar. Com base em ambientes de escuridão rítmica, Nonsense vai apresentando uma evolução ao longo do seu desenvolvimento, iniciando em ambientes mais psych-rock e progredindo, de maneira calma e eficaz, para as tonalidades dançantes da darkwave, do industrial e do post-punk eletrónico. 



Do disco, que pode ouvir-se na íntegra abaixo, recomenda-se fortemente a audição de temas como o poderoso "Void", o cadavérico mas altamente estimulante "Glass bones" e a carga industrial de "Grey". Um disco altamente recomendado aos fãs de nomes como: The KVB, Neu!, Ritual Howls, Trentemøller, The Soft Moon e/ou Cold Cave.

Nonsense foi editado no passado dia 27 de fevereiro de 2019. Podem comprar o disco, em formato CD e/ou digital aqui.


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STREAM: Second Still - Violet Phase


Depois de terem visto o seu álbum de estreia homónimo mencionado como um dos melhores álbuns de post-punk do ano de 2017 os norte-americanos Second Still regressaram esta semana aos trabalhos de estúdio com Violet Phase. O disco, que apresenta um total de oito faixas inéditas, marca também uma evolução na sonoridade apresentada anteriormente em Second Still (2017) e Equals EP (2018), sem contudo deixar de lado as características que elevaram os Second Still a uma das bandas emergentes dentro da vaga da música uderground.

A banda composta por Alex Hartman, Ryan Walker e Suki Kwan escreveu este novo trabalho durante o inverno passado com base em padrões sonoros graves e pulsantes, ambientes atmosféricos negros e a decadência típica do post-punk. Deste novo trabalho já tinham sido anteriormente apresentados os temas "New Violet", "Double Negative" e "The Future". Além destes recomenda-se ainda a audição de "Mouse", "Eternal Love" e "Idyll".

Violet Fase foi editado na passada sexta-feira, 17 de maio, em formato vinil e CD pela Fabrika Records (podem comprar aqui) e em formato cassete pela sentimental (podem comprar aqui).


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STREAM: Institute - Readjusting the Locks


Os Institute lançaram no final da semana o seu terceiro disco longa-duração de carreira, Readjusting the Locks. O novo disco, que chega às prateleiras dois anos depois de Subordination (2017), é o primeiro disco a ser produzido com metade da banda a viver em cidades distantes. Essa distância não afeta, contudo, a sonoridade resultante, tal como já se tinha previamente comprovado com os já lançados temas "Dazzle Paint" e "Anxiety", ambos a repescarem a energia bruta do punk que tem caracterizado os últimos trabalhos dos Institute.

Agora numa vibe mais rock'n'roll com um q.b. da decadência do post-punk e numa duração comprimida a 29 minutos, os Institute pintam em Readjusting the Locks a atmosfera social da existência. O disco foi gravado em dezembro de 2018 com o produtor Ben Greenberg (Uniform) e pode agora ouvir-se na íntegra abaixo.

Readjusting the Locks foi editado esta sexta-feira (17 de maio) pelo selo Sacred Bones Records. Podem comprar o disco aqui.


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sábado, 18 de maio de 2019

André Carvalho em entrevista: "Em Nova Iorque há espaço para qualquer estilo e corrente de música"

© Clara Pereira 
André Carvalho é um contrabaixista e compositor lisboeta que se encontra a residir em Nova Iorque desde 2014. O seu currículo é vasto, precioso e invejável, tendo colaborado com muitos músicos de várias nacionalidades e tocado intensivamente pela Europa, Estados Unidos e Egipto. Nos dois primeiros álbuns, Hajime e Memória de Amiba, o artista apresentou-nos uma mistura original de jazz contemporâneo com elementos de música portuguesa, tendo recebido muitos elogios da crítica nacional e internacional.

The Garden of Earthly Delights é o seu terceiro álbum e chega às lojas em maio deste ano. Inspirado na enigmática obra de Hieronymus Bosch, particularmente no quadro The Garden of Earthly Delights (1490-1510, Museu do Prado, Madrid), este trabalho conta com a participação de famosos músicos internacionais como Jeremy Powell, Eitan Gofman, Oskar Stenmark, André Matos e Rodrigo Recabarren, tendo sido gravado em Abril de 2018 no The Bunker Studio em Brooklyn, Nova Iorque.

A Threshold Magazine esteve à conversa com André Carvalho sobre o novo disco The Garden of Earthly Delights, a obra de Hieronymus Bosch, a sua vida em Nova Iorque e muito mais. Leiam a entrevista completa em baixo.

Podes-nos contar como é a experiência de viver em Nova Iorque como músico?

André Carvalho (AC) - Já vivo em Nova Iorque há quase 5 anos. Durante este tempo a minha relação com a cidade foi-se alterando. Mudei-me para cá inicialmente para fazer mestrado na Manhattan School of Music, que durou 2 anos. Tinha muito pouco tempo para fazer coisas para além do mestrado, porque este era muito intenso. Foi óptimo, fiz imensos amigos e estabeleci imensas relações musicais e, do pouco tempo que ia sobrando, tentei ao máximo ver concertos, ir a jam sessions e ter algumas aulas fora da universidade. Após este período, as coisas mudaram bastante. De repente, fiquei com muito mais tempo livre mas também tinha de arranjar soluções para viver. Comecei a dar aulas e a fazer muitas sessões com músicos que fui conhecendo ou através de outros amigos músicos ou em jam sessions. Sinto que neste período fui começando progressivamente a usufruir mais da cidade e da sua vida. Nova Iorque é uma cidade incrível, tem imensos músicos e o nível é realmente muito alto. Para mim, isto é um estímulo muito grande, apesar de por vezes haver momentos de cansaço absoluto. Temos de fazer um pouco de tudo, tocar, escrever música, dar aulas, para além de tudo o que uma vida normal envolve, como família, amigos, etc. Para além disto, acontece um pouco de tudo e terás certamente sempre alguém com os mesmos interesses que os teus e há sempre muita coisa nova a acontecer. Por vezes, o difícil é escolher, ter tempo e dinheiro para tudo.

Olhando para trás, mais concretamente para os álbuns Hajime e Memória de Amiba, de 2011 e 2013, respetivamente, e para o mais recente The Garden of Earthly Delights, sentes que o processo de composição se modificou ao longo da tua carreira?

AC - Sim, sem dúvida. Acho que isso é normal que aconteça e se não acontecer é porque algo está errado. É suposto irmos evoluindo na composição, como em qualquer outra faceta musical. Não só porque vamos ficando mais maduros, como também estamos sujeitos a coisas novas, influências, experiencias e pessoas. Acho também que o passar do tempo e quanto mais compomos, que temos uma maior capacidade de desapego em relação ao que escrevemos, não só porque conseguimos ver as coisas com um olhar mais astuto, como também por compreendermos que passamos por fases e estamos em constante evolução. No caso específico deste novo disco, o processo foi ainda mais diferente do que fiz anteriormente, porque parti de um quadro. Comecei por selecionar determinadas partes que achei interessantes, capturar e transmitir a sua essência através da minha música.

© Clara Pereira 
The Garden of Earthly Delights foi o primeiro disco que gravaste fora de Portugal, no The Bunker Studio em Brooklyn, Nova Iorque. A cidade de Nova Iorque é uma influência notória no disco?

AC - Sim, sem dúvida. Primeiro, os músicos que tocam no disco vivem cá e foi cá, em Nova Iorque, que os conheci. Além disso, tenho a certeza de que a forma como escrevi esta música e a forma como toco foi influenciada por estes anos que tenho cá estado. Foi em Nova Iorque que tive contacto com músicos e compositores que me influenciaram nos últimos tempos, onde toquei muitas horas com muitos músicos, incluindo os que fazem parte do disco e onde tive também aulas com algumas pessoas determinantes no meu percurso.

TM - Como foi a experiência de gravação em estúdio e como foram escolhidos os músicos com quem decidiste gravar o disco?

AC - A experiência foi óptima e relaxada. Já tínhamos tocado a música em 2 ou 3 concertos antes de irmos para o estúdio, por isso as coisas já estavam alinhadas, sendo que há sempre alterações que se fazem à última hora. Reservei o estúdio por um dia e meio de gravação e, após o primeiro dia, ficámos com tudo praticamente gravado, sobrando o outro meio dia que aproveitámos para fazer alguns takes extra e gravar alguns overdubs. O estúdio é muito bom e tem um ambiente descontraído. Os músicos conheci em momentos e sítios diferentes. O Eitan Gofman (saxofone) foi meu colega na universidade e ficámos muito amigos desde que nos conhecemos. Passávamos horas a tocar juntos e é um músicos extremamente talentoso e inteligente, toca muito bem vários instrumentos e é muito espontâneo. O Oskar Stenmark (trompete) já conhecia antes de vir para Nova Iorque, porque ambos participámos num concurso em Bucareste, ele com uma banda dele e eu com a minha. Por mero acaso, voltámos a encontrar-nos na universidade porque fomos colegas, assim como o Eitan. Adoro o som do Oskar e sabia que ele traria algo de especial ao som do grupo. Já conhecia o André Matos (guitarra) de Portugal, sendo que não éramos muito próximos na altura. Quando vim para cá aproximamo-nos e hoje em dia tocamos bastante juntos, no meu projecto assim como noutros projectos paralelos. Tem um som muito especial, para além de contribuir sempre com boas ideias, críticas e sugestões. O Jeremy Powell (saxofone) e o Rodrigo Recabarren (bateria) conheci há cerca de dois anos julgo eu, fazendo sessões em casa de outros músicos. O Jeremy é um autêntico craque, tem um som incrível e sei que lhe posso dar qualquer coisa para tocar que ele vai soar sempre bem. O Rodrigo toca muito bem também, para além de se ter tornado um verdadeiro amigo. Gosto do som dele, a abertura de espírito e interacção.


O quadro The Garden of Earthly Delights de Hieronymus Bosch foi a principal inspiração deste novo trabalho. Porquê a escolha deste quadro em específico?

AC - São várias as razões. Para começar, este quadro é uma autêntica obra-prima. O seu criador era um visionário, tendo uma abordagem muito à frente do seu tempo. Além disso, este quadro, assim como outros que Bosch pintou, é muito controverso. Não há unanimidade em relação a muitas das coisas que nos são apresentadas, há muito mistério e simbolismo por trás de cada detalhe. Para mim o quadro conta uma história e isso era algo que queria para o género de música que queria escrever. O quadro fala também sobre várias questões relacionadas com a condição Humana, as nossas acções enquanto Seres Humanos e, para mim, o nosso papel no Mundo.

Além da interpretação detalhada da obra de Hieronymus Bosch, há alguma temática pessoal neste disco que gostarias de partilhar?

AC - Para mim, Bosch retrata a sua visão da Humanidade. Nem sempre é a que partilho, mas também o quadro foi pintado há 500 anos, por isso é normal que isto aconteça. No entanto, o quadro põe-me a pensar sobre o nosso papel enquanto habitantes do nosso planeta, enquanto membros da sociedade e nas nossas responsabilidades. Para além disto, o quadro é um tríptico que tem três painéis interiores e um painel exterior. É comum achar-se que Bosch apresenta-nos uma narrativa que começa com o quadro fechado passando para o interior que segue da esquerda para a direita. Para mim, esta história que nos é contada é um eterno retorno, as nossas acções repetem-se, assim como o quadro fecha-se e abre-se. Para quebrar este ciclo, temos de ser conscientes de nós próprios, dos outros e do mundo em que vivemos. Por isso, a suite que escrevi começa e acaba de forma semelhante, para além de todos os outros elementos que vão sendo revisitados ao longo da obra. Por isso também decidi dar o nome de "Phowa" ao último movimento da suite, que se refere a uma prática meditativa Tibetana que consiste na transferência da consciência aquando da morte.

A capa de The Garden of Earthly Delights parece ter uma atitude mais otimista, exótica, espacial, e, diga-se até, New Age, face à pintura de Hieronymus Bosch. Como é que surgiu a ideia para esta capa?

AC - A ideia inicial que tive era pegar em emoções, símbolos, conceitos que são apresentados no quadro e apresentá-los de uma forma diferente mas tentar que fosse igualmente forte e visualmente impressionante. Não queria que o artwork fosse uma interpretação do quadro ou algo do género. Depois disto, tentei imaginar o meio em que imaginava o artwork e rapidamente fui parar ao mundo da colagem. Depois, soube da Margarida Girão e do seu trabalho e entrei em contacto com ela. É uma artística incrível e queria que ela trabalhasse comigo. Ela gostou muito do projecto e atirou-se de cabeça. Fomos falando sobre as nossas ideias e conceitos. Começámos com um brainstorming com palavras/conceitos que achávamos que deviam ser retratados e depois a Margarida foi apresentando várias versões, que na verdade até não foram muitas, até chegarmos à versão final. Para além de todo o trabalho que a Margarida fez, decidimos também brincar com formato do disco, escolhendo um formado em três faces interiores e exteriores como um tríptico. Aberto temos um ambiente muito diferente do seu interior, que é mais íntimo e calmo.


Já tocaste com nomes do jazz, música clássica e fado como Maria João, Mário Laginha Carlos do Carmo e Cristina Branco. Com que outros músicos nacionais gostarias de colaborar?

AC - Há muitos nomes que gostaria de colaborar, não só de Jazz como eventualmente de outros géneros musicais, tanto lendas da música portuguesa como também novos talentos. Em relação a estes últimos, gosto sempre de ir conhecendo músicos mais novos e aprender com eles. Felizmente, na área do Jazz têm havido imensos novos músicos a aparecer e isso é óptimo! Quando vou a Portugal, acabo por conhecer sempre alguém novo que toca bem. Em relação às parcerias e colaborações seria fantástico, mas sei que estar em Nova Iorque pode dificultar as coisas.

Foste escolhido pelo consulado português para representar Portugal no European Sounds Festival, no Blue Note, NY, a 30 de junho. Como é ser reconhecido e ter a honra de representar o nosso país lá fora?

AC - É fantástico! A Blue Note é um dos clubes com mais nome do mundo e será óptimo apresentar o novo disco lá. Estou muito orgulhoso e feliz por ter o apoio do consulado. Conheço alguns outros músicos que estarão a participar no European Sound Festival, representando os seus países, por isso será ainda melhor porque estarei com vários amigos! O consulado português ajudou imenso e estou imensamente grato pelo apoio!

Que diferenças notas entre tocar em Nova Iorque e Portugal, em termos de público e espaços para concertos?

AC - Em Nova Iorque há muitos mais sítios para tocar, mas ao mesmo tempo também há muitos mais músicos e a competição é feroz. Há espaço para qualquer estilo e corrente de música. Isso é óptimo, porque significa que também há público para isso. Em relação ao Jazz, esta é a capital deste estilo. Nos clubes mais centrais, há sempre imensa gente a ver concertos, muitos turistas mas também muitos Nova Iorquinos.
Em relação a Portugal, tenho mais dificuldades em ter uma opinião fundamentada, visto que já não estou aí a viver e geralmente só aí vou no Verão e Natal, que por vezes são épocas mais difíceis de programar. No entanto, das últimas vezes que toquei em Portugal, nomeadamente no Hot Clube em Lisboa, senti que havia muito interesse e muito público, para além da comunidade de músicos que acaba por estar sempre presente. Em Lisboa, sinto que há muito público estrangeiro. Acho que fora dos grandes centros é ainda difícil tocar e quando se trata de organizar uma tour que passe por vários sítios com vários concertos de seguida sem dias “mortos” mais difícil ainda.

Equacionas um regresso a Portugal nos próximos anos ou sentes que encontraste a “tua casa” em Nova Iorque?

AC - Gosto muito de estar em Nova Iorque e consigo imaginar-me aqui, mas um regresso a Portugal não está posto de parte. O ideal talvez fosse ter um pé em cada lado do oceano. A cena em Nova Iorque é realmente estimulante, mas eu tenho parte da minha família em Portugal e isso também conta muito.



Entrevista: Rui Gameiro

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Os Dream People lançaram hoje o seu single de apresentação


Os Dream People são Francisco, Bernardo, Nuno, Chris e Bóris. Todos partilham de um gosto semelhante e de uma vontade de refrescar o panorama musical português. Entre synths que nos levam ao etéreo universo do dream pop - onde são influências Cigarretes After Sex ou Rhye – e poderosas guitarradas que nos envolvem numa espécie de synth rock psicadélico, a música dos Dream People é uma saudável amálgama de sons e influências.

Durante o ano de 2018, os Dream People venceram o concurso promovido pelos históricos estúdios Namouche do qual resultou a gravação de um EP, Softviolence, a ser editado ainda antes do Verão. Em Dezembro ganharam também o concurso promovido pela Escola do Rock de Paredes de Coura e pela Antena 3. Passaram uma semana em residência artística naquela vila, onde gravaram o seu single de apresentação, "Forever, Too Long" e deram um concerto na Caixa da Música de Paredes de Coura.

Até ao fim do ano os Dream People pretendem lançar um segundo EP, já em fase de pré-produção. Para já, podem ouvir "Forever, Too Long" que saiu hoje em todas as plataformas.


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