sábado, 9 de março de 2019

[Review] Cosmic Mass - Vice Blooms

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Vice Blooms | edição de autor | março de 2018 
8.5/10 

Estes últimos tempos foram fulcrais para os Cosmic Mass, banda emergente de Aveiro, assentarem a sua posição enquanto sérios contendentes a um lugar no eternamente buliçoso panorama do garage rock psicadélico feito em território lusitano. O jovem conjunto composto por Miguel Menano, António Ventura, André Guimas e Pedro Teixeira passou estes últimos meses a limar o seu craft, tanto nos vários concertos ao vivo que passaram um pouco por todo o país - e para além da fronteira, contando com presenças em Vigo - como em estúdio para gravar o seu primeiro álbum de seu nome Vice Blooms, prestes a ser editado. Restará então tentar concluir se estes meninos provam com as nove faixas que têm a lição bem estudada no que toca a fazer sonoros abundantes de cariz caleidoscópico que ao todo retratam uma odisseia de uma noitada bem regada. 

Vice Blooms aquece então as hostes com a faixa “Mantra I”, que é bastante melódica e etérea com especial ênfase no trabalho vocal e como que ampara a introdução gradual ao imaginário da banda, algo que é repetido na faixa “Mantra II” com ambos a evocar uma certa vibe similar a de bandas como Tame Impala. “Early a Saint” entra em cena, começando com um baixo imensamente estimulante mas não demora a chegar ao cerne da questão, sendo essa uma bela de uma malha, completa com um solo bonitinho. “Desert” revela-se como uma faixa que revela o lado mais pesado dos Cosmic Mass, tendendo para algum headbanging. Depois, surge uma das faixas mais fortes do álbum inteiro, “Starting to Lose My Head”, que garante cativar os ouvintes com o seu groove progressivamente frenético.



O tema-título “Vice Blooms” é provavelmente a faixa mais catártica no álbum, tendo um desalento discreto e intercalado com mudanças mais agitadas. O single “I’ve Become the Sun” é outra faixa a destacar, pela sensibilidade arrebitada, mais vivaça e direta ao assunto. Falando em destaques, “Finally Lost My Head”... bem, este mastodonte sonoro em particular tem este riff distorcido gostoso que serve como uma linha mestra a que o resto do instrumental se adapta. Por fim, temos a faixa “Burnt Out”, que como o nome revela, envolve os músicos a queimar os últimos cartuchos para fechar este festim de rock jovem e a fazê-lo com potência e irreverência. 

Com Vice Blooms, estes rapazes demonstram saber exatamente como meter o público em ebulição por via de hinos arrebatadores de peito cheio. Admitidamente, o único senão é a questão do espectro das suas influências denotar-se aqui e ali com certa intensidade em algumas passagens, mas felizmente não é grave ao ponto de distrair o ouvinte da experiência geral que os Cosmic Mass proporcionam, experiência essa que revela um potencial que ainda não foi totalmente espremido. Mas é seguro dizer aqui e agora que este é um dos mais tremendos álbuns de estreia lançados em território nacional em recente memória, e no caso de manterem esta pedalada a longo prazo, a banda conseguirá, porque não, reunir argumentos para se manterem como um dos porta-estandartes da psicadélia atual made in Portugal.


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