sábado, 16 de março de 2019

[Review] Structures - Long Life


Long LifeRockerill Records | setembro de 2018
8.0/10

Oriundos de Amiens, na França, os Structures estrearam-se nas edições de estúdio o ano passado com Long Life, disco editado em CD, vinil e cassete (já esgotada) que os conduz à conquista dos palcos europeus com o seu post-punk hipnótico de tonalidades melancólicas e altamente dançantes. Através de um universo sonoro que inclui uma série de emoções fortes e divergentes, Adrien Berthe (guitarra/sintetizadores), Marvin Borges-Soares (baixo), Pierre Seguin (guitarra/voz) e Oscar Siffrirt (bateria) conduzem uma instrumentação altamente contagiante à qual é impossível ficar indiferente. 

O EP de estreia, composto por um total de seis canções, é iniciado com o tema homónimo, "Long Life", single que também serviu como o primeiro avanço do curta-duração, lançado há cerca de seis meses atrás. Usando como base uma percussão ritmada, linhas de baixo ora marcantes, ora discretas, sintetizadores altamente incendiários e guitarras latejantes, os Structures começam por apresentar os caminhos sonoros que os identificam e, ainda, preparar o ouvinte para um momento reflexivo comunicado por mensagem verbal: "First thing // no surprise, it's been a long way to mankind". Efetivamente a humanidade tem percorrido um longo caminho ao longo dos anos, contudo, algumas questões existencialistas aparentam continuar as mesmas e os Structures deixam isso bem claro quando se referem a uma longa vida: "Thinking, // wasted time to find a decent compromisse. // Disappointed? Unsatisfied? // Tired of making every choices by spite? (…) Or leave, before I step inside?". O quarto de Amiens, cuja sonoridade cativa às primeiras audições, apresenta ainda uma lírica ampla e curiosa que se sobrepõe à vontade de fazerem música para distrair a cabeça e irradiar as pistas de dança mais underground



Ainda antes de editar em formato físico Long Life, o quarteto francês mostrou ainda o segundo tema de avanço do EP, o pirómano "Dancers". Um single que, segundo a própria banda, se foca nos divergentes tipos de dança a dois, onde a conquista é o principal motor. "Dancers" é o terceiro tema do disco e o single que encerra o lado A do disco de vinil. "Dancers" apresenta uma atmosfera que vai beber influências ao indie-rock dos anos 2000 e lhe acrescenta as linhas de baixo e uma voz que se encaixam no revivalismo post-punk. Com quebras no ritmo, espaço para uma exploração focada na bateria e sintetizadores e um belíssimo encaixe entre guitarras e voz, os Structures começam a finalizar o conceito do tema com aquela frase muito direta sobre o resultado deste jogo de conquista: "Too many dancers on their way to die", à qual se vão sobrepondo guitarras arrojadas e uma atmosfera fogosa e cada vez mais brutal. 

A estrutura musical dos Structures é bastante simples (embora emotivamente forte) e as próprias melodias criadas resultam de uma sublime conjugação entre os simples instrumentos a que fazem recurso. Exemplos disso encontram-se em temas como "Pyramids" – onde um simples sintetizador colocado no momento certo incute toda uma nova aura hipnótica e psicadélica aos ritmos monocromáticos da bateria – ou ainda "Embassy" - single que se inicia e desenvolve num ritmo mais calmo, ao qual os Structures pronta e, inesperadamente, injetam uma parafernália de guitarras abrasivas, voltando a reconstruir o ambiente sereno e encerrando o tema com uma percussão agitada e aquele mini riff, a fazer a assinatura do adeus. 


Já a chegar ao fim do vinil, encontramos ainda no lado B "Satellite", uma das faixas mais desafiantes deste EP, não só pelo seu cariz aditivo de início – com aquela linha de baixo a marcar pontos bem altos -, mas essencialmente pela mudança drástica que sofre no seu desenvolvimento e que certamente não é previsível nem tão pouco expectável para quem a está a ouvir. "You are lost now", dizem eles, será que estamos mesmo? 

O adeus "à" Long Life é feito em cerca de cinco minutos e através do single "Arabian Knights Club", um tesouro musical que só vai ser descoberto por aqueles que se derem ao trabalho de ouvir este disco até ao fim. As guitarras alinham-se numa camada de som contida, sem abafar a percussão e sem serem abafadas por esta, construindo um ritmo tenso mas inegavelmente sedutor. 

Em seis cações os Structures deixam extrínsecas uma série de características: têm uma lírica algures metafórica, profunda e desafiante, um gosto musical altamente requintado e uma qualidade instrumental que apresenta uma certa maturidade para uma banda que só começa agora a dar grandes passos à conquista da Europa. Além disso, a voz de Pierre Seguin é a cereja no topo do bolo, meio rouca, meio pura, meio agressiva, mas claramente única. Um grande pontapé de início numa discografia que se espera extensa e altamente qualitativa.


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