domingo, 21 de julho de 2019

Quatro artistas a descobrir no Vodafone Paredes de Coura



O Vodafone Paredes de Coura regressa para mais uma edição entre os dias 14 a 17 de agosto. O festival apresenta gigantes que dispensam apresentações como New Order, Patti Smith, The National e Spiritualized, mas também uma série de nomes menos conhecidos que prometem marcar o panorama da música alternativa. Para os quatro dias de festival destacamos quatro artistas que têm provado o seu talento em lançamentos recentes e que vão conquistar novos fãs em Paredes de Coura.

Originários do Congo, os KOKOKO! não descartam os ritmos mais tradicionais do seu país, mas utilizam-nos apenas como base para uma sonoridade original e diversa. Servindo-se de sintetizadores, guitarras e instrumentos de percussão feitos em casa a partir de lixo encontrado na rua, criam músicas dançáveis e energéticas com elementos de dance-punk e electro. Lançaram o seu primeiro álbum, Fongola, pela Transgressive (editora de artistas como Alvvays, SOPHIE, Flume e Foals) e já estiveram em digressões por todo o mundo, passando em Portugal no NOS Alive 2018. Têm dado que falar e são uma das apostas mais peculiares, mas seguras, do primeiro dia do Paredes de Coura. Não há como resistir a canções como “Likolo” e “Buka Dansa”, portanto preparem-se para dançar.


Os Khruangbin estreiam-se em Portugal no segundo dia do festival, a 15 de agosto. O trio americano nasceu em Burton, uma pequena localidade do Texas, mas as suas influências espalham-se pelo globo inteiro. Durante a criação de The Universe Smiles Upon You (2015) foram inspirados pela música tailandesa dos anos 60 e 70, enquanto que em Con Todo el Mundo (2018) as referências alargaram-se para o funk e soul do Mediterrâneo e do Médio Oriente. Técnicas e escalas presentes nestas fontes de inspiração são reunidas em músicas calmas, psicadélicas e exóticas, maioritariamente instrumentais. São a banda sonora ideal para um fim de tarde calorento passado na relva e vão dar um concerto a não perder.


Uma banda em rápida ascensão, mesmo antes do lançamento do seu álbum de estreia, os Black Midi voltam a Portugal com um dos discos de rock mais empolgantes de 2019. Formados em 2017, após os seus integrantes se conhecerem na BRIT School for Performing Arts and Technology, não perderam tempo e já lançaram um EP com Damo Suzuki, dos Can, e impressionaram a internet com uma sessão ao vivo na KEXP. As suas músicas contêm momentos de caos controlado, ritmos complexos e vocais excêntricos e teatrais. Podem ser comparados a Swans, Battles, Devo e outros nomes do rock e punk mais alternativo, mas têm uma sonoridade própria. Dominam os seus instrumentos com talento e compõem faixas imprevisíveis, juntando ideias variadas num caldeirão de experimentação que apraz os ouvidos mais exigentes. Sobem ao palco no dia 15, no que será um dos concertos mais explosivos e barulhentos do Paredes de Coura.


Kamaal Williams, também conhecido por Henry Wu, estará de regresso ao nosso país no último dia do festival. O teclista britânico traz na bagagem dois álbuns de jazz fusion e jazz-funk, um deles em colaboração com o baterista Yussef Dayes. No mais recente LP, The Return (2018), a banda que o acompanha não é a de anteriormente, mas a sonoridade aponta para a mesma direção e o talento de Kamaal Williams sobressai novamente. O músico tocava bateria em jovem, antes de se mudar para o teclado, e nota-se que essas bases não ficaram esquecidas. O seu modo de tocar baseia-se muitas vezes em ritmos repetitivos que servem de acompanhamento para solos improvisados por outros membros do grupo. Em 2017 os BADBADNOTGOOD deram um concerto memorável no anfiteatro natural mais frequentado do norte do país; esperemos que o regresso do jazz ao recinto do Paredes de Coura seja igualmente delicioso.

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