quarta-feira, 10 de julho de 2019

Walking In The Opposite Direction, In2TheSound: Na direção certa rumo ao coração de Adrian Borland


Os The Sound foram para muitos uma referência da música indie post-punk que surgiu no Reino Unido na década de 80, o clássico disco From The Lions Mouth cimenta bem aquilo que foi (e, é) a música dos The Sound, e falar de The Sound é falar de Adrian Borland. Walking In The Opposite Direction é inteiramente dedicado a Adrian Borland, e falar de ascensão e queda não é de maneira nenhuma um resumo apropriado, mas é assim um pouco este o retrato a que assistimos no Estúdio Time Out, decorado com as sombras dos espectadores sentados em modo compenetrado assistindo ao documentário da curta mas prolífera vida do cantor dos The Sound

A seguir, assistimos a um concerto dos In2TheSound, que com graça e agilidade tomaram de assalto o espaçoso palco da sala, composta de um público venerador e suficiente para celebrar as quase vinte canções que Mike Dudley, o baterista original dos The Sound e restantes músicos liderados pela presença de Carlo Van Putten com a sua voz a planar pela mesma oitava de Adrian Borland, com magníficas interpretações de canções como "Barrea Alta”, “Winter", "Winning”, "New Dark Age”, e claro "I Can't Escape Myself” (de entre muitas outras), ainda assim, a perfilharem os diamantes desta performance, numa actuação entusiasmada e entusiasmante para um público adorador dos The Sound


E a audiência esteve à altura do que se esperava, participou a viva voz quando lhe era chegada a vez de entoar refrões dos sucessos mais conhecidos dos The Sound, e respondeu em coro com fortes aplausos e sorrisos transversais em toda a plateia face à escolha do alinhamento interpretado por estes músicos. O claro clima de amizade e cumplicidade entre eles que partilham outras aventuras de estúdio com os seus projectos em comum, estiveram unidos neste palco pelo amor e respeito pela música dos The Sound, transpareceram neste evento com os olhares cúmplices trocados entre JoJo Brandt (guitarra), Carsten Lienke (baixo), Stefan Bornhorst (teclados), a adornarem a voz capaz em certas canções épicas de emoção de Carlo Van Putten e a bateria fortemente marcada de Mike Dudley

E fizeram dois encores e terminaram quase tão depressa como pontualmente começaram (o tempo voa nos bons concertos), e despediram-se com o poderoso “Heartland”. E pouco mais há a dizer  nestas ocasiões, numa noite tão original e fora do vulgar e onde se fez uma viagem ao passado. Nostálgica, é certo, com uma clara vontade de trazer à vida em palco estas canções únicas e tão singulares -, um alinhamento perfeito. Foi assim uma noite inesquecível para os fans dos The Sound, e uma genuína celebração da vida de Adrian Borland que certamente estará a sorrir no céu reservado aos músicos com alma.



Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Virgílio Santos

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