quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A nave espacial dos Kraftwerk pousou em Cascais para dizer 'Fahren'

© Pau Storch
Foi na semana passada que fomos até ao EDP Cool Jazz para assistir a mais uma passagem dos lendários Kraftwerk em Portugal. A histórica banda alemã, composta actualmente por Ralf Hutter (cofundador, o único sobrevivente da formação original de 1970), Fritz Hilpert, Henning Schmitz e Falk Grieffenhagen, voltou a trazer o seu espetáculo 3D a terras lusitanas, depois de o ter feito pela última vez em 2017, no festival Neopop.

Apesar de alguns membros dos Kraftwerk já terem idade avançada, com Rafl Hutter nos seus 72 anos, isso não os tem afastado dos palcos. Só este ano já deram 20 concertos por todo o mundo, levando o seu inovador espectáculo 3D da Europa até ao Oriente, deliciando os ouvidos dos diversos amantes da música electrónica. Foi com o estatuto de pais deste mesmo género que os recebemos em Cascais, na última sessão do EDP Cool Jazz em 2019, que este ano já tinha recebido nomes como Snarky Puppy e Jamie Cullum



À medida que as pessoas iam entrando no Parque Marechal Carmona, recebiam uns óculos com o rótulo “Kraftwerk” para conseguir ver a parte 3D do concerto, uma bela recordação para guardar em casa posteriormente. O ambiente era tranquilo, de longe podíamos ouvir o trio de Carlos Borges a tocar nas Cascais Jazz Sessions, o que tornava a atmosfera a roçar o perfeito. As pessoas estavam descontraídas a socializar com um copo de vinho na mão, e ao aproximar das 22h, este público começou a aglutinar-se para os seus lugares do Hipódromo Manuel Possolo. O recinto já estava bem composto e preparado para receber os Kraftwerk, até que as luzes finalmente apagaram-se e, sob uma música misteriosa, a banda alemã entrou em palco para grande êxtase do público. 



“Numbers” e “Computer World” foram as duas malhas que os Kraftwerk escolheram para começar esta noite, que contou com figuras ilustres como Pete Kember (ex-Spacemen 3) e Rui Reininho (GNR) na audiência. Quase que imediatamente, as pessoas começaram a dançar ao ritmo da música electrónica deste icónico quarteto. Mas ao mesmo tempo que nos apetecia dançar mecanicamente como se não houvesse amanhã, os visuais 3D também nos prendiam ao palco. Uma excelente produção por parte da equipa desta banda, conhecida por ter a capacidade de nos presentear com este tipo de espectáculos audiovisuais. Fazendo uma analogia com o que se passava no ecrã 3D durante “Spacelab”, estar ali no Hipódromo Manuel Possolo foi como entrar numa nave espacial e navegar pelo espaço, ao lado dos alienígenas Kraftwerk e da sua música extraterrestrial. 

A setlist foi composta por alguns dos seus maiores êxitos, como “The Man-Machine” e “Tour de France”, só para não dizer a discografia inteira. Mas se tivéssemos de escolher os pontos altos desta noite, certamente iriam para “Autobahn” e “The Robots”. Duas enormes malhas que receberam uma resposta mais efusiva por parte do público, que ia dançando roboticamente ao som das melodias mecânicas do quarteto alemão. A única coisa que pode ter comprometido um pouco este ambiente foram os lugares sentados. Este concerto pedia lugares em pé para toda a gente, mas isso não estragou de todo esta enorme noite passada em Cascais. 



Duas horas passadas desde o começo da festa, Falk Grieffenhagen, Henning Schmitz, Fritz Hilpert e por último Ralf Hutter despediram-se individualmente sob uma enorme ovação do seu público. Apesar da sua idade avançada, os Kraftwerk souberam dar um grande espectáculo audiovisual para os fãs portugueses, que saíram do Hipódromo Manuel Possolo satisfeitos com o que tinham acabado de presenciar e sentir bem dentro do coração. Só podemos esperar que antes de se reformarem, voltem a Portugal para uma derradeira despedida. Fahren.

Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Pau Storch (podem consultar as restantes fotos aqui)

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