quinta-feira, 29 de agosto de 2019

EDP Vilar de Mouros 2019 - Visita ao passado com o futuro em mente


O EDP Vilar de Mouros regressou para a sua edição de 2019 nos dias 22, 23 e 24 de agosto, a mais ambiciosa até à data. Na perspectiva de crescer e juntar vários públicos diferentes apresentou um cartaz de alta qualidade mas de fraca coesão, com concertos nem sempre a correr do modo previsto.

Dia 1

Dois anos após se apresentar em Portugal para celebrar os 30 anos do seu magnum opus, George Best, considerado um dos 500 melhores álbuns de sempre pela NME, os The Wedding Present, marcaram presença no EDP Vilar de Mouros para um concerto mais variado. Começando com um dos seus temas mais marcantes, e provavelmente o meu preferido, “My Favourite Dress” não pareceram impressionar os presentes. Prosseguiram com “Brassneck” mas continuaram sem obter grande retorno da parte do público, foi o momento de David Gedge cumprimentar o público e anunciar a sua banda como “nós somos os semi-lendários The Wedding Present” e mostrar o seu agrado por regressar ao festival minhoto onde tocaram na edição de 2005. Apresentaram, também, um novo tema, “Panama”, para o qual o seu mentor ensinou um ritmo de palmas que acabou por não ser utilizado pelo público. O estatuto dos The Wedding Present e do seu disco de estreia são inquestionáveis no Reino Unido porém, em Portugal, para a vasta maioria são apenas mais uma banda no meio de tantas outras, sendo um dos concertos pior recebidos pelo público, em todo o festival.



Se a banda de David Gedge nos fez pensar que a audiência dos concertos era bastante crítica e estanque em relação a bandas que não conheciam, Anna Calvi, mostrou que tal não é verdade. Entrou em palco com a sua guitarra por entre o fumo, iniciando um dos performances mais energéticos de todo o festival e justificando a sua presença na abertura do palco principal.
Como um dos projetos musicais mais recentes do cartaz tinha muito a provar mas cedo os temas de Hunter, disco editado em 2018, impressionaram os presentes que, na sua maioria, não sabiam o que esperar deste concerto. Canções como “As A Man”, “Indies Or Paradise” e “Suzanne & I”, numa revisita ao disco homónimo de 2013, convenceram os presentes da qualidade da artista. Durante cerca de uma hora houve tempo para Anna Calvi mostrar os seus dotes como guitarrista e partir uns quantos corações. No final não faltou a típica cover de “Ghost Rider” dos extintos Suicide, oferecendo uma canção conhecida dos presentes.

Aquando o cancelamento dos The Killing Joke, prontamente, a organização do festival apresentou os irlandeses Therapy? como alternativa, incumbindo-os com a tremenda tarefa de justificarem esta mudança de planos. A banda reúne alguns fãs em Portugal mas aqueles que mal os conhecem ou que apenas ouviram Troublegum, de 1994, não conseguiram aproveitar ou apreciar o seu concerto devido às músicas com um instrumental de cariz bastante genérico dentro do género metal/hard rock. Ainda que a banda estivesse visivelmente feliz por regressar, não foi um concerto que qualquer um apreciasse e um pouco deslocado, até, do restante cartaz. Prova disto foi a pouca afluência que o palco MEO teve enquanto muitos se preparavam para as bandas que realmente queriam ver, Manic Street Preachers e The Cult.



O britpop nunca foi um fenómeno que me agradasse muito, tirando alguns singles, porém, a influencia deste género, em Portugal, ainda é bastante visível desde a popularidade dos irmãos Gallagher, ao sucesso dos Blur e à adesão ao recente concerto dos Suede. Dentro do espectro do britpop estão, também presentes, os galeses Manic Street Preachers, banda marcada pelo desaparecimento do seu guitarrista Richey Edwards, em 1995, que se apresentaram no EDP Vilar de Mouros para celebrar os 20 anos de um dos seus mais conhecidos discos, This Is My Truth Now Tell Me Yours. Muitos eram os fãs da banda ou, pelo menos, dos singles mais conhecidos que marcaram os anos 90 que procuravam esse revivalismo e nostalgia que tanto marca a identidade do festival.
A festa começou com "Motorcycle Emptiness", um dos hinos do britpop e estandarte da banda ao qual a indiferença é impossível. Logo se seguiu “You Stole The Sun From My Heart”. Para quem gosta da banda foi um bom concerto e não é possivel negar a qualidade dos músicos em palco e do amor à sua arte, mas para quem nunca se interessou pelo galeses nada mudou tornando-se um pouco cansativo. Os presentes tiveram também direito a uma cover de “Suicide Is Painless” de Johnny Mandel, tema principal da série televisiva de comédia M*A*S*H.  Um momento que agradou a quase todos foi a cover de "Sweet Child O’Mine" de Guns N’ Roses, completamente deslocada e fora de contexto, mas que animou o ambiente e mostrou que James Dean Bradford tem uma voz, discutivelmente, melhor que Axl Rose. Também "Internation Blue", único tema tocado de Resistance Is Futile, o disco de 2018, foi bastante interessante ao vivo. 



O encerramento do primeiro dia coube aos veteranos The Cult, que marcaram presença em terras minhotas pela primeira vez. Estava previsto um espetaculo focado em A Sonic Temple, de 1989, celebrando o seu 30º aniversário e assim foi: “Sun King” a arrancar e a mostrar que, apesar de os anos pesarem na voz de Ian Astburry não é entrave para dar um bom espetáculo nem retira imponência aos vocais das canções. Ao lado do guitarrista Billy Duffy mantêm ambos a energia de outrora e mostram o que significa carregar e manter o estatuto dos The Cult.
Ainda que muitos fãs preferissem um concerto em formato best of (gritando por “Rain” o concerto todo), a banda preferiu disparar canções do disco que foram recordar. Apenas no final do concerto chegaram os temas incontornáveis como “Love Removal Machine” e “She Sells Sanctuary”, ficando a sensação de que, pela vontade do público, a banda se podia estender por toda a madrugada fora.
Os The Cult e o trabalho que trouxeram consigo têm um género musical totalmente saturado e ultrapassado, porém sabe bem recordar os clássicos e regressar às origens e influências de muitas bandas atuais. É também excelente ver uma banda que reinventa, adapta e molda as suas músicas ao longo dos anos. Ian Astburry não faz com a voz o fazia há 30 anos, quando A Sonic Temple foi lançado, porém, consegue conduzir um espetáculo à sua vontade e mostrar que a qualidade e energia continuam lá provando que a idade pode ser apenas um número. Estava encerrado com a chave de ouro o primeiro dia do festival.




Dia 2

O dia que teve lotação esgotada contando com 18.500 pessoas, recorde absoluto em Vilar de Mouros, começou com o concerto dos Clan Of Xymox. A banda liderada por Roony Moorings tocou os seus temas em formato best of mas cativou apenas um público muito especifico que lá estava exclusivamente para os ver, uma vez que se tratava de um banda bastante deslocada do resto das atuações do dia, “não há mais bandas góticas neste palco, só pop e rock n’ roll”, exclamou Moorings. A banda também sofreu de alguns problemas no microfone, problemas técnicos foram uma constante no palco MEO, mas nem isso abalou o único membro do trio original que culpou os aviões por este problema.
Clan Of Xymox, com quase 40 anos de carreira e aprovados por John Peel aquando o lançamento do seu disco de estreia, já não têm nada a provar e responderam às adversidades com um sorriso e reproduzindo os seus temas da melhor maneira possivel. É bom ouvir darkwave num festival de grande dimensão, porém a sua inclusão deveria ter sido melhor pensada ou deixada para outra edição em que fizesse mais sentido.



Após o concerto de The House Of Love que, infelizmente, apenas ouvi ao longe, os Nitzer Ebb subiram ao palco apanhando, mais uma vez, o público alvo deste dia de surpresa. Sem grande expressão, o género EBM dos ingleses fez muitos dançar, sendo também o concerto de abertura do palco principal com menos audiência. Numa performance enorme de Douglas McCarthy, que em quase 40 anos de carreira nunca abandonou a atitude punk, foi mostrado o expoente máximo do EBM e, para aqueles a quem interessava algo novo e fãs dedicados, houve cerca de uma hora e dez minutos de dança imparável.  
O concerto em que a atitude e energia é que contam teve direito a uma visita a “Join In The Chant” e “Murderous” que, mesmo sendo clássicos da banda, não foram essenciais ao espetáculo. A duração do concerto foi a ideal uma vez que a repetição inerente ao género poderia cansar a plateia e esse limite não foi ultrapassado.



Seguiu-se, no palco MEO, a banda pela qual eu mais ansiava, os The Sisters Of Mercy. Por volta das 22:45 já o palco estava a abarrotar devido à má localização e à falta de espaço no mesmo. Quando a banda de Andrew Eldritch entrou em palco para a execução do tema “More”, na zona adjacente à cabine de som, era indistinguível o som dos diversos instrumentos  e a voz de Eldritch soava apenas a ruídos guturais. Para “Ribbons”, segunda música, afastei-me um pouco mais do palco e já era possível distinguir, decentemente, as guitarras mas o esperado verso “flowers on the razor wire” ou não foi cantado ou foi murmurado, a voz não se ouvia e os back vocals estavam com um volume pouco mais elevado que esta. Também houve problemas com um das guitarras durante a atuação e, no meio de toda a desilusão apenas quis escutar um dos meus temas preferidos, “Dominion/Mother Russia”. 
Antes de “Dominion” houve tempo para os grandes singles de First And Last And Always, o single homónimo, “Marian” e “No Time to Cry”, sendo que nenhum deles trouxe o sentimento ou impacto necessários. Finalmente, no tema que eu mais esperava, Eldritch, surge com uma voz fraquíssima fazendo com que desistisse completamente do concerto. Ao longe ainda se ouviu o instrumental de “Lucretia My Reflection” e “Vision Thing”. Pode ser que um regresso à discografia fantástica da banda anule a memória terrível de um concerto que reuniu todas as condições para falhar.



O verdadeiro público alvo do segundo dia eram os saudosistas do rock e punk-rock da segunda metade dos anos 90, para eles o verdadeiro festival iniciou com Skunk Anansie, notando-se uma enorme mudança no ambiente em geral.
Skin entrou em palco com toda a energia para a execução de um dos temas mais conhecidos da banda “Charlie Big Potato” e, assim, iniciou mais um concerto da tour de celebração dos 25 anos da banda. Num alinhamento focado, essencialmente, nos primeiros três discos da banda (lançados ainda na década de 90) agradou aos fãs mais saudosistas assim como convenceu aqueles que não têm nenhuma ligação à banda (como é o meu caso). Sempre perto do público e dos fãs, Skin, aproveitou para deixar algumas mensagens políticas e mostrar o seu descontentamento com os governantes ingleses “a nossa banda é composta por filhos de imigrantes e querem expulsar-nos do nosso país mas vocês não vão deixar. Ajudamo-nos mutuamente”. Mesmo que tenha sentido que o concerto foi um pouco extenso, é impossível não classificá-lo como um bom concerto. Os presentes divertiram-se, cantaram e dançaram, independentemente de gostos, é para isto que serve a música, estão de parabéns os Skunk Anansie.
Para terminar não podia faltar “Little Baby Swastikkka” cantada a partir do corredor de segurança para uma despedida bem próxima de todos.

Os artistas da noite eram, sem dúvida, os californianos The Offspring. A banda de Dexter Holland regressava ao nosso país passados 7 anos, que parecem ter sido demasiado longos para os fãs. Sem grandes demoras abriram o concerto com “Americana”, tema homónimo a um dos discos com mais sucesso, e prontamente começou mosh em vários pontos do palco principal do Vilar de Mouros, primeira vez que este fenómeno acontece nos últimos 4 anos de festival. Seguiu-se “All I Want” com uma cortina de pó já levantada e Dexter cumprimentou os presentes, mostrando-se satisfeito por regressar a Portugal e pela receção inicial. É certo que desde o lançamento de Smash e Americana já passaram mais de 20 anos e que o seu vocalista já não é o quebra-corações de outrora mas os temas continuam a ser executados de forma muito semelhante aos discos num verdadeiro regresso ao fim da década de 90 e inícios de 2000. Fizeram uma breve passagem por AC/DC (para meu agrado) com “Whole Lotta Rosie” que deixaria os próprios irmãos Young orgulhosos.
Perto do final Dexter e o guitarrista Noodles mostraram-se extremamente contentes e impressionados com a quantidade de mosh e forte receção portuguesa “daqui conto tipo mil mosh pits, na Bélgica isto não foi assim”, exclamou o vocalista, “são mil e seis” respondeu-lhe Noodles. Durante “Pretty Fly (For A White Guy)” houve bolas insufláveis gigantes a voar pelo recinto. No final ainda regressaram para um encore com os clássicos que faltava “You’re Gonna Go Far Kid” e finalizando em beleza com “Self-Esteem”.
Para mim, é complicado dissociar a banda de filmes como a saga American Pie, a qual nunca gostei, gerando um certo preconceito para com a mesma, mas penso que o concerto super competente, energético e divertido tenha ajudado a quebrá-lo.



Dia 3

À banda de Viana do Castelo, Jarojupe, foi incumbida a tarefa de começar os concertos do último dia do festival. Celebrando mais de 35 anos de carreira e tocando, sobretudo, entre amigos, a banda de metal, um pouco deslocada do resto dos concertos do dia aproveitou para mostrar o seu último trabalho, Crimson, editado no ano transato.



Apenas com Andy Gill como membro original presente, os Gang Of Four, continuam a lançar discos, ainda que sem grande sucesso comercial e crítico. No palco MEO a banda de Leeds, em detrimento de apresentar Happy Now, felizmente, revisitou Entertainment!, disco de estreia de 1979 , considerado o melhor trabalho de Gang Of Four. Após o abandono do vocalista original, Jon King, em 2012,  John “Gaoler” Sterry juntou-se à banda e, em concerto, a sua jovialidade e voz são uma mais valia, consegue representar fielmente o espírito da formação original.
O início do concerto foi marcado por problemas técnicos e os primeiros temas “Love Like Anthrax” e “Not Great Man” sofreram com a falta de guitarra de Andy Gill, que no fim destes dois temas e com os problemas a persistir se mostrou visivelmente chateado com o sucedido.
Gaoler tem todas as caraterísticas e carisma de um grande vocalista e, ao mesmo tempo, consegue não ofuscar Andy Gill passando-lhe as “rédeas” do espetáculo sempre que é pertinente. “Damaged Goods” ao vivo era a prova que os fãs dos tempos primitivos da banda precisavam para aceitar totalmente o novo vocalista. Com esta prova passada com distinção e um final brilhante com “To Hell With Poverty” mostram que, embora em estúdio sejam desapontantes, os Gang Of Four continuam a dar enormes espetáculos ao vivo. Foram prejudicados com a hora, palco e equipa de palco mas nada os impediu de brilhar e ficar gravados na memória dos presentes.

Passados 3 anos os Linda Martini regressaram a Vilar de Mouros, desta vez, a uma hora mais tardia e com um novo trabalho, o disco homónimo. Num dos concertos mais desinteressantes do palco principal mostraram, essencialmente, temas recentes com uma feliz passagem por “Amor Combate” e até um cover de “Frágil” de Jorge Palma. Terminaram o seu concerto com a habitual “100 Metros Sereia” mas não foram brilhantes nem conseguiram superar a memória do seu concerto anterior.



O último concerto do palco MEO esteve ao encargo dos Fischer-Z, banda do simpático John Watts. Mostrando que a sua banda não ficou parada na década de 80, começam o concerto com um tema do seu novo disco a ser lançado em setembro deste ano. Logo se seguiu “Room Service”, tema de abertura de Going Deaf For A Living de 1980, sempre com um sorriso na cara do vocalista e mentor deste projeto.
Ao longo de cerca de uma hora ouviram-se temas novos, é exemplo a estreia absoluta de “Love Train Drama” que foi muito bem recebido, misturados com os temas mais clássicos “So Long” e “The Worker”. O público pediu para ouvir “Limbo” e John Watts acedeu ao pedido “não estamos a tocar a Limbo este ano mas podemos tocá-la depressa”. A aceitação por parte do público de todos os temas tocados e parte do prazer que dá assistir a Fischer-Z vem do carisma e simpatia do seu vocalista que está sempre pronto para se entregar aos seus fãs. “Batalions Of Strangers” terminou o concerto e só deixa a desejar ver a banda mais vezes em espetáculos com maior duração. John Watts sempre irrepreensível em palco e sem medo de apresentar os seus novos temas em detrimento de alguns clássicos.

A encabeçar o palco principal, no último dia, estavam os Prophets of Rage, banda que retira o seu nome de uma das canções de Public Enemy e conta com membros de Rage Against The Machine, Public Enemy e Cypress Hill. Eram esperadas versões dos temas bandas antigas dos integrantes assim como  alguns temas do disco editado pela banda em 2017 mas nada fazia prever a explosão de energia que se seguiu.
Os músicos entraram em palco ao som do tema homónimo à banda e logo começou mais uma tempestade de pó dentro do recinto. Nos primeiros dois temas a mistura de som estava estranha e pouco se percebia as vozes mas, mal o problema foi resolvido, os rappers B-Real e Chuck D entoavam as canções, na sua maioria de Rage Against The Machine, do modo como elas foram criadas para entoar, bem alto e com toda a raiva e rebeldia contra o sistema. Tom Morello aproveitou para mostrar todos os seus conhecimentos e mestria da guitarra e da arte de tocar guitarra, tocou guitarra com a língua, tocou guitarra com duplo braço (6 e 12 cordas), fez tudo o possível na boa arte de “show-off” de guitarrista.
A mensagem que passavam era sobretudo política com o objetivo de incitar ao pensamento próprio e ao não conformismo passando em palco a mensagem “Façam Portugal Enraivecer Novamente”. Houve também tempo para uma homenagem sentida a Chris Cornell, ex-colega de banda de Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk em Audioslave, numa versão instrumental de “Cochise” com apenas um foco de luz a incidir num microfone vazio. Houve também tempo para hip-hop oldschool com “Hand on The Pump”, “Can’t Truss It”, “Insane in the Brain” e “Jump Around”. Os Prophets Of Rage conseguiram trazer de volta a Portugal todo o sentimento por trás das origens do rap-rock  e deixaram ideias e um concerto que perdurará na memória de todos os presentes.


Na sua edição de 2019 o EDP Vilar de Mouros teve um crescimento enorme e repentino para o qual não estava preparado. Apesar de quase todos os concertos terem sido excelentes, em termos de organização deixou bastante a desejar. O parque de campismo, para um número muito maior de campistas, manteve ou até reduziu o número de casas de banho, reduzindo drasticamente o conforto em geral. Também a expansão do campismo e parque de estacionamento durante o segundo dia foi uma falha grave pois algo dessa ordem, e esperada a enchente para ver The Offspring, deveria ter sido tratado com antecedência e não “em cima do joelho”. A presença do “sê-lo verde” é anunciada em todo o lado porém poucos são os caixotes do lixo que se encontram no recinto.

Uma mudança menos feliz foi a cessação de existência de pulseiras diárias, para alguns por motivos estéticos, para outros por implicar a obrigatoriedade de permanência no recinto durante todo o dia após a entrada. Alguns efeitos desta medida foram amenizados pela completa e expandida zona de restauração.

Quanto ao palco MEO foi uma má adição ao festival, a sua localização é má, tem pouco espaço para concertos a começar por volta das 23 e teve inúmeros problemas técnicos. Nas ultimas 3 edições, com 6 bandas por dia, o palco principal tem sido suficiente e cómodo para todos. Nota positiva para a iniciativa de colocar um DJ a passar musica após o término dos concertos.

Em termos de concertos é provável que esta tenha sido a melhor edição do EDP Vilar de Mouros porém um festival não sobrevive só com um bom cartaz e a organização e logística são de extrema importância. O EDP Vilar de Mouros pode estar a dar um passo maior que a perna e na próxima edição deve atender às questões em que falhou nesta.



Texto: Francisco Lobo de Ávila
Fotografia: Virgílio Santos

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