Vodafone Paredes de Coura – 17 de agosto: União e liberdade no espetáculo de Patti Smith

Vodafone Paredes de Coura – 17 de agosto: União e liberdade no espetáculo de Patti Smith

| Agosto 27, 2019 5:39 pm

Vodafone Paredes de Coura – 17 de agosto: União e liberdade no espetáculo de Patti Smith

| Agosto 27, 2019 5:39 pm
Sábado, dia 17 de agosto, foi o último dos quatro dias do Vodafone Paredes de Coura. A tarde no recinto começou ao som da cantautora sul-africana
Alice Phoebe Lou que, aproveitando um pouco de cada subgénero da música
pop, apresentou as suas composições charmosas, suaves e dançáveis a um público
curioso. A sua atuação no final da tarde, um horário muitas vezes ingrato para
artistas menos conhecidos, encontrou ainda algumas dificuldades devido a
problemas técnicos que resultaram num som mais baixo que o esperado, deixando
que os portugueses Ganso, que tocavam no palco principal, abafassem a
sua performance. Quando o problema foi corrigido, uns minutos após o princípio
do concerto, o público bateu palmas de alívio e satisfação. Doente, mas bem-disposta,
Alice trouxe na bagagem o seu novo álbum, Paper Castles, num dos
melhores e mais alegres concertos do dia. Ouviram-se canções como “Girl on
an Island”, “Nostalgia” e “Skin Crawl” e houve até
tempo para uma versão de “Want Me”, do britânico Puma Blue. “Sinto-me
como uma rockstar pela primeira vez na minha vida”, disse Alice a certa
altura. O público chegou ao fim do concerto tão satisfeito como ela.
Após a surpresa que foi o primeiro concerto do dia, Mitski, num dos concertos mais aguardados do dia, desiludiu. As suas músicas não
estiveram ao nível das versões em estúdio e a coreografia que esta fez ao longo
de todo o concerto, com uma mesa e uma cadeira, foi confusa e criou alguma
distância entre ela e o público. Faltou a produção e dinâmica do seu último
álbum, Be the Cowb
oy, cujas canções não se traduziram de forma eficaz
para uma performance ao vivo.

Após uma breve passagem pelo palco secundário, onde os Sensible Soccers exibiam as suas texturas eletrónicas e ritmos dançáveis, presenciámos
o regresso de Patti Smith a Portugal. Em 2015, a consagrada música e
poetisa veio brindar o público com uma performance na íntegra do seu icónico
álbum Horses; desta vez, no entanto, a setlist foi completamente diferente.
Começou de forma estrondosa, com a conhecida “People Have the Power”, e tocou
versões de variados artistas, desde Jimi Hendrix Experience a Neil
Young
, intercaladas com canções dos seus próprios discos. Entre as músicas
transmitiu mensagens de liberdade e o público respondeu com entusiasmo. A certa
altura saiu de palco e a banda tocou um medley de “I’m Free”, dos Rolling
Stones
, misturada com “Walk on the Wild Side”, de Lou Reed.
Patti Smith regressou a tempo de cantar o fim da música e quando esta
terminou a assistência gritou o nome dela incessantemente. O melhor sobrou para
o fim, quando ouvimos uma longa e épica versão de “Gloria”, que gerou uma
explosão de aplausos.

A música de Kamaal
Williams
deambula entre o jazz e diversos tipos de música de
dança. O modo de tocar do teclista baseia-se muitas vezes em ritmos repetitivos
que fazem surgir secções mais dançáveis e servem de acompanhamento para solos
improvisados por outros membros do grupo. Assistimos apenas a parte do seu
concerto, mas gostámos do que ouvimos.

No único concerto de hip hop do festival, Freddie Gibbs
& Madlib
não conquistaram uma grande parte do público, mas deixaram os
seus maiores fãs em êxtase. Madlib encarou o papel de DJ e encarregou-se
das alterações de volume e equalização dos beats, cuja mistura original foi
arruinada por um exagero das frequências mais graves. Freddie Gibbs mostrou
todo o seu talento como rapper, correu e brincou em palco, puxando pelo
público. O rapper elogiou o festival, chegando a compará-lo ao Super Bowl, e
incentivou muitas vezes os seus fãs a fazer barulho ou a gritar “fuck police”.
As primeiras filas levantaram poeira e mostraram-se muito recetivas aos beats
de Madlib e versos e humor de Gibbs, mas a maior parte do público
pouco reagiu a um concerto que esteve algo desenquadrado do resto do cartaz do
festival.


Os Suede são uma das maiores bandas de britpop, mas
foram uma escolha estranha para fechar o festival. Não são tão populares como
outros cabeças de cartaz do festival e isso refletiu-se no número de pessoas
que restou para ver a sua atuação. Ficaram aquém da sua última vinda a
Portugal, em 2013, por muito que o vocalista Brett Anderson se tenha esforçado
em palco. Deu tudo o que tinha, foi ao chão inúmeras vezes, pegou numa das
câmaras ligadas aos ecrãs do palco e chegou a cantar do outro lado das grades,
entre os seus fãs, mas a música dos Suede esteve longe de ter o impacto
ao vivo que se esperaria depois de ouvir os seus álbuns. A setlist foi um best
of
da sua discografia, tendo-se ouvido músicas como “Metal
Mickey”, “Trash”, “Animal Nitrate”, “The Wild
Ones” (numa versão acústica que removeu as melhores frases de guitarra),
“Beautiful Ones” e “She’s in Fashion”, mas a energia da
banda não passou para o nosso lado: as músicas foram pouco dinâmicas, ou talvez
o equilíbrio do som não fosse o melhor. Não era o final que esta excelente
edição do Paredes de Coura merecia. Felizmente, no último After Hours, JaydaG esteve ao comando de um excelente DJ set que agitou os festivaleiros até às
últimas horas da madrugada.
O Vodafone Paredes de Coura regressa em 2020, nos
dias 19, 20, 21 e 22 de agosto. 

Texto: Rui Santos
Fotografia: Hugo Lima
FacebookTwitter