quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O frio que veio incendiar a noite de Lisboa - Mão Morta no LAV


No Fim era o Frio.

Mas calor foi o que se fez sentir neste encontro no Lisboa ao Vivo, no passado dia 11 de outubro.

Os Mão Morta fizeram o “chamamento” e, como sempre, foi fortemente respondido pelos seus fiéis seguidores. O mote foi a apresentação do novo álbum No Fim era o Frio e os fãs acataram, também na esperança de ouvirem os antigos temas e hits de sempre.

A cerimónia, como se de um culto se tratasse, aconteceu em duas partes distintas. A primeira foi dedicada à apresentação do novo álbum na íntegra. Exatamente igual, mas com a intensidade e a atmosfera de um concerto dos Mão Morta. O palco desprovido de qualquer cenário, convidava a focar e a escutar com atenção o que Adolfo Luxúria Canibal tinha para dizer. Os diferentes ambientes que se fizeram sentir foram magnéticos e criaram o equilíbrio certo para que se tocasse durante uma hora e se tivesse o público com a atenção de quem estava na sua aula favorita. Durante esta hora foram apenas as palavras do disco que se ouviram, e bastaram!

Terminada a apresentação do novo álbum, chegou um “nervoso” intervalo de 15 minutos; nervoso porque o que ainda estava para vir era o que tinha levado todos os presentes até ao LAV.

A banda regressou e foi então apresentada a tela que fez de cenário à segunda parte do concerto. A tela era incrivelmente composta por um conjunto de caretos da autoria da Oficina Arara, fundada por um coletivo de artistas do Porto. Os Caretos que compunham a tela eram vendidos individualmente, tal como foi também informado.

Feita a apresentação, começa o rock n' roll à maneira dos Mão Morta“Pássaros a Esvoaçar” abriu as hostilidades e a partir daí, a intensidade foi crescendo e crescendo em apoteose.

“Sitiados”, “Hipótese de Suicídio”, “Tu Disseste”, “Em Directo (para A Teelvisão)”, “Barcelona (encontrei-a na Plaza Real)”, “Vamos Fugir”, “E se Depois”, “Bófia”, “1º de Novembro”. Nesse momento, respirava-se a humidade, fruto da exaltação dos corpos que se mexiam como podiam, cantavam, gritavam e acompanhavam Adolfo na sua ímpar e incrível atuação. Viam-se pés no ar, tendo mesmo um elemento do público conseguido subir para o palco e fumar de braços abertos até chegar o segurança, que foi elegantemente impedido por Adolfo que não parou a sua performance.

Em jeito falsete de encore, a banda junta-se para agradecer e seria o fim daquilo que não se queria ver como terminado. Para êxtase de todos, Adolfo presenteia o público com um crowd surfing, volta ao palco e saem todos. Todos, menos o público que ainda não estava preparado para o fim daquela noite.

Regressaram para o verdadeiro encore e ouve-se um pedido vindo do público: “Canta Lisboa!”. E assim foi! “Lisboa (Por Entre As Sombras E O Lixo)” voltou a incendiar o LAV logo seguido de “Anarquista Duval”. O final apoteótico ficará na memória de todos os que lá estiveram.

Para quem levou tempo a sair, porque bebeu mais um copo ou esteve no merchandising a comprar algo para avivar mais ainda o que ali se passou, pôde ver a banda descontraída, simpática, sorridente a assinar discos e a cumprimentar quem por lá passou.

A noite foi perfeita!

A banda mais do que cumpriu o que era esperado. Os Mão Morta superam-se e continuam a surpreender. O Adolfo não envelhece e a sua prestação em palco é sempre demolidora. O público fez o ambiente ferver. No Fim era o Frio só se aplica ao nome do novo álbum dos Mão Morta. Tudo o resto foi calor, transpiração, pulmões nas gargantas.

Tudo o resto foi Mão Morta.


Texto: Patrícia Ameixial
Fotografia: Virgílio Santos

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