terça-feira, 12 de novembro de 2019

A tempestade dos Godspeed You! Black Emperor no Hard Club


Cinco anos após a sua atuação no NOS Primavera Sound, os Godspeed You! Black Emperor regressaram ao Porto para um concerto no Hard Club, organizado pela Amplificasom.

Fundada em 1999, a banda é uma das mais influentes e marcantes no universo do pós-rock, conhecida pelas suas longas composições instrumentais, onde se podem encontrar ambientes apocalípticos, crescendos triunfantes, drones densos e sinistros. E foi com o famoso “Hope Drone” que abriram a setlist. Os oito músicos em palco (três guitarristas, dois baixistas, dois bateristas, uma violinista) foram entrando ao longo da sua duração, acrescentando-lhe camadas e subindo a intensidade gradualmente.

Finalizada a introdução, começaram a tocar “Mladic”, uma das músicas mais intensas e poderosas da sua discografia. Uma montanha-russa de 20 minutos que começa com violinos e um drone ameaçador e acaba num clímax épico, repleto de distorção. Foi fantástico sentir todas as suas dinâmicas ao vivo, ficando instaurado desde cedo um clima soturno na sala.

Ouviu-se depois algum do trabalho mais recente da banda. Tocaram “Anthem for No State”, do seu último álbum, Luciferian Towers, e também duas músicas novas, atualmente conhecidas por “Glacier” e “Cliff”. Destacou-se especialmente a segunda, com os seus crescendos felizes e esperançosos a contrastar com a atmosfera sombria mais habitual.

Para grande satisfação dos fãs do álbum F♯ A♯ , de 1997, concluíram o espetáculo com “The Sad Mafioso”, um dos movimentos da faixa “East Hasting”. Os membros da banda abandonaram o palco um a um, deixando o público mergulhado em feedback e efeitos durante mais alguns minutos.

Todo o concerto foi acompanhado por projeções de vídeo analógico controladas ao vivo, com imagens de paisagens, edifícios abandonados, protestos políticos e alguns efeitos visuais.


A primeira parte esteve a cargo dos Light Conductor, que, tal como os GY!BE, integram a Constellation Records. A sua performance foi composta maioritariamente por ambientes eletrónicos que se transformavam lentamente, com melodias e texturas a surgir e desaparecer ao longo de cada faixa. Para terminar o concerto, os membros da banda deixaram os sintetizadores a tocar em loop, pegaram nas guitarras e aproximaram-se dos microfones. Finalizaram a atuação de forma dececionante, com uma simples música de rock, bastante diferente de tudo o que apresentaram anteriormente.


Texto: Rui Santos
Fotografia: David Madeira

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