sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

7 ao mês com LUNACY


LUNACY, um dos nomes iminentes no cenário do shoegaze contemporâneo e a figura misteriosa envolta em profundas camadas de ruído e nevoeiro, editou este ano Age Of Truth, o disco de estreia oficial na alçada da sempre atenta Third Coming Records. O registo de oito temas está já a gerar um vasto murmurinho pelo mundo fora muito por conta da sua personalidade abrasiva com foco na estética de imagem e pela abordagem revolucionária que incorpora. 

Entre o caos existencial e o estado de calma efémera, decidimos convidar LUNACY para a última edição do nosso 7 ao mês de 2019, por forma a descobrir mais sobre as raízes do projeto que nasceu em 2016. LUNACY explica-nos, portanto, as principais influências que moldaram a identidade do projeto: 

"Quando o pensamento relativo a LUNACY começou, situava-se algures entre os SWANS + "Janitor of Lunacy" da NICO. É difícil sempre identificar a influência, porque ela rodeia-nos constantemente. Não nos podemos realmente esconder nas obscuridades, uma vez que procurar álbuns interessantes está, para a maioria, a um clique com a ponta dos dedos...

Section 25 - From The Hip (1984) 

Tive a sorte de publicar um stream completo deste álbum, uma vez que é melhor representado desta forma. Este é o terceiro longa-duração da roupagem futurista post-punk embebido numa sonoridade eletrónica / sónico-retro, os Section25. Este é provavelmente o lançamento mais palatável dos Section 25 até à data - está extremamente à frente para a altura que foi lançado e totalmente alinhado com a mesma evolução dos Joy Division // New Order e foi produzido por Bernard Sumner. Este disco encaixa-se perfeitamente na evolução do catálogo extremamente bem organizado da Factory




Modern Art - Circuit Lights (1982 - 1986) 

Esta compilação é um dos trabalhos do multi-instrumentista e diretor da editora de The Color Tapes, o Gary Ramon. Ramon acabou por formar a banda de neo-psych Sun Dial. A banda encaixa-se nas linhas de minimal-synth, post-punk e música psicadélica. O Ramon é responsável pela curadoria do som e a visão da banda de forma minimalista e altamente agradável, tanto para a editora como para a sua própria música. A maioria das reedições dos Modern Art pode ser encontrada em cassete, que é o formato através do qual devem ser ouvidas, mas esta coleção em vinil é um pacote muito bem pensado. 




Skywave - Synthstatic (2004) 

Um dos meus álbuns favoritos do shoegaze de todos os tempos - de uma banda de Fredericksburg, na Virginia. Acho que conheci isto antes de ouvir o Loveless na íntegra pela primeira vez. Estou realmente feliz por ter feito isso, porque além dos Jesus and Mary Chain, eu realmente não tinha mais ninguém com quem os relacionar. O disco em si é pura felicidade sónica - um passeio emocional e melhor experienciado no volume máximo. Eu incluí o vídeo de "Don't Say Slow", uma vez que esta foi a primeira música que eu ouvi deles. A banda separou-se depois deste álbum e passou a formar projetos como A Place To Bury Strangers, Ceremony (da costa leste), Static Daydream etc. O Oliver tem masterizado o material de LUNACY há alguns anos e foi novamente incrível de ter a sua contribuição e toque sonoro neste Age Of Truth




Bowery Electric - Beat (1996) 

Este é o segundo álbum dos frequentemente ignorados, mas incríveis Bowery Electric (BE). Um amigo apresentou-me este disco há alguns anos - eu sempre fui fã das bandas mais atuais da Kranky e nunca pensei em procurar mais, mas acho que certas coisas são trazidas para dentro e para fora das nossas vidas no tempo certo. Felizmente, Beat foi o primeiro gosto que tive dos BE, que é um pouco mais eletrónico que o primeiro lançamento, mas ainda mantém os drones psicadélicos e os elementos krautrock. Este disco é hipnótico e sombrio e é um dos discos que se deve ouvir em dias cinzentos. 




Belong - Common Era (2011) 

Uma vez que não é possível postar o álbum completo, eis uma música do segundo e último álbum da dupla de New Orleans, os Belong, intitulado Common Era. Este é outro álbum da Kranky, desta vez, após a era Deerhunter / Atlas Sound de existência da editora. Este é definitivamente o álbum mais bem distribuído da banda, mas sem dúvida o melhor deles, especialmente entre aqueles que são obstinados pelas lavagens de som e ondas dissonantes. Common Era foi o disco que me introduziu a esta banda e continua a ser o meu favorito. Eu amo não saber que instrumentos são usados para gravar a música, dado que muitos deles situam-se algutrs entre os loops de guitarra, sintetizador e fitas. 




Cabaret Voltaire - Double Vision VHS (1982) 

Eu sinto que há muito para ser dito sobre os Cabaret Voltaire (CV) - eles estavam completamente à frente do seu tempo e são uma influência proeminente na dance music underground e no EBM que é popular hoje em dia. Este EP, que foi eventualmente adicionado como bónus no 12" The Crackdown, de 1984, é a representação perfeita do mundo de LUNACY. The Crackdown foi o meu primeiro sabor dos CV, mas a introdução ao tema "Double Vision" foi o que realmente me fez me apaixonar pela banda. Ter o visual distorcido para acompanhar a música é o acompanhamento perfeito - bonito, mas ainda assim perturbador. 




Blonde Redhead - Fake Can Be Just as Good (1997) 

Misturada no mundo do grunge e do shoegaze dos anos 90, havia uma visão diferente dos Sonic Youth + the Swirlies. Quando fui introduzido a este álbum pela primeira vez, a minha mente ficou impressionada, especialmente quando percebi que, mesmo na época em que vivemos, muitos álbuns podem ser ignorados ou podem, ainda, ser redescobertos. As composições deste álbum sempre se destacaram para mim; o facto de que tu não precisas ser tradicional, mesmo quando estás preso a um determinado grupo ou género. Este álbum também se destaca, já que tem a Vern Rumsey dos UNWOUND no baixo. 




Para ficarem a saber mais sobre LUNACY, aproveitem para seguir o projeto no Facebook ou no Bandcamp, onde podem comprar o seu trabalho. Por favor, atentem que Age Of Truth, o novo álbum está quase esgotado. Comprem a vossa cópia aqui antes que seja tarde demais. 



--------------- ENGLISH VERSION ---------------


LUNACY - one of the imminent names on the contemporary shoegaze scene and the mysterious figure shrouded in deep layers of noise and fog - release this year its official debut album Age Of Truth, under the ever-attentive Third Coming Records. The record of eight themes is already generating a vast murmur around the world, largely because of its abrasive personality focused on image aesthetics, besides the entire revolutionary approach it incorporates. 

Between the existential chaos and the ephemeral state of calm, we decided to invite LUNACY to the last edition of our 7 ao mês of 2019, in order to discover more about the roots of the project that was born in 2016. LUNACY explains to us, therefore, the main influences that shaped the identity of the project:

"When the thought of LUNACY began it was found somewhere between SWANS + Nico's Janitor of Lunacy. It’s hard to always pinpoint influence because it constantly surrounds us. We cannot really hide from the obscurities anymore as crate-digging is, for most, a click of the fingertips…"

Section 25 - From The Hip (1984)

I was lucky enough to post a full stream of this album, as it is best represented that way. This is the third full length from post-punk turned electronic // sonic retro futuristic outfit, Section 25. This is probably the most palatable release from section 25 so far - it’s extremely ahead of its time, and is right in line with the same evolution of Joy Division // New Order and was actually produced by Bernard Sumner. The record fits perfectly in the evolution of the extremely well-curated Factory catalog. 




Modern Art - Circuit Lights (1982 - 1986) 

This compilation record is of the works of multi-instrumentalist and The Color Tapes label runner Gary Ramon. Ramon eventually went on to form the neo-psychedelic band Sun Dial. The band fits within the lines of minimal synth, post-punk and psychedelic tape music. Ramon is responsible for curating sound and vision minimally and tastefully both for the label and in his own music. Most of the Modern Art re-issues can be found on cassette, which is how they were intended to be heard, but this collection on vinyl is a beautifully well thought-out package. 




Skywave - Synthstatic (2004) 

One of my favorite shoegaze albums of all time - from a band based out of Fredericksburg, Virginia. I think I was introduced to this before I heard Loveless in full for the first time. I’m actually glad that I did because, besides the Mary Chain, I really had no one else to really relate them to. The record itself is pure sonic bliss - an emotional ride and best experienced at full volume. I included the video for "Don’t Say Slow" as it is the first song I was introduced to from the band. The band split up after this record and went on to form projects like A Place To Bury Strangers, Ceremony (east coast), Static Daydream etc.. Oliver actually has been mastering the LUNACY material for a few years now and it has been great getting his input and sonic touch on Age Of Truth



Bowery Electric - Beat (1996) 

This is the second album from the often overlooked, but incredible Bowery Electric (BE). I was introduced to this record from a friend a few years ago - I had always been a fan of more current bands on Kranky records and never really thought to look further, but I guess certain things are brought in and out of our lives at the right time. Luckily, Beat was the first taste I had of BE, which is a bit more electronic than the first release, but still retains the psychedelic drones and krautrock elements. This record is hypnotic and moody and is a go-to on cold grey days. 




Belong - Common Era (2011) 

Unable to post the full album, here is a song from the New Orleans based duo, Belong's second and final album Common Era. This is another album from the Kranky label and this time coming after the Deerhunter/Atlas Sound era of the label's existence. This is definitely the band’s most well-distributed album, but arguably their best especially amongst those who are die-hards for the washes of sound and dissonant waves. Common Era was my introduction to the band and remains a favorite. I love not knowing what instruments are used to record the music, as a lot of it sits somewhere between guitar, synth and tape loops. 




Cabaret Voltaire - Double Vision VHS (1982) 

I feel like there is a lot to be said about Cabaret Voltaire (CV) - they were completely ahead of their time and they are a prominent influence on underground dance music and EBM that is popular today. This EP, which was eventually added as a bonus 12'' to 1984's The Crackdown, is the perfect representation of the world of LUNACY. The Crackdown was my first taste of CV - but the intro to "Double Vision" is what really made me fall in love with the band. Having the warped visuals to go with the music is the perfect accompaniment - beautiful, yet disturbing.




Blonde Redhead - Fake Can Be Just as Good (1997) 

Mixed in the world of 90's grunge and shoegaze was a different take on Sonic Youth + the Swirlies. When I was first introduced to this album, my mind was blown away, especially coming to the realization that even in the age we’re living in, that a lot of albums can be overlooked or can still be rediscovered. The songwriting on this album always stuck out to me; that you don’t have to be traditional even when pinned to a certain group or genre. This album also sticks out as it has UNWOUND's Vern Rumsey on bass.



If you want to know more about LUNACY make sure you follow the project on Facebook or Bandcamp page where you can buy their work. Please note that Age Of Truth, the new album is almost sold out. Grab your copy here before it's too late.



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