segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

She Pleasures HerSelf e Bragolin passaram pelo Sabotage no início de dezembro


“Céu azul, mas pouco cintilante”

A noite abre com Bragolin, banda holandesa de pós-punk/new wave (cujo nome é inspirado no pintor Giovanni Bragolin), formada por Edwin van der Velde (vocals, synths, guitars) e Maria Karssenberg (guitar e synths). Com uma sonoridade influenciada por um mix das guitarras barítonas do new wave dos anos 80 e das guitarras shoegaze carregadas de reverberação dos anos 90, os holandeses criam uma sensação subtil e perturbadora, alimentada por vocais tocantes e evocativos que resultam num som épico, sombrio, mas extremamente persuasivo e imprevisível. 

A sua atuação foi alinhada pela alternância entre os dois álbuns editados I Saw Nothing Good So I Left (2018) e Let Out The Noise Inside (2019), numa envolvência musical que variou entre a atmosfera enigmática de “In Our Fields Of Oaks” até aos riffs pulsantes e viciantes como “Into Those Woods”.  


Adam Tristar, que esteve na génese do último álbum, passou também pelo palco para os acompanhar em temas deste disco, criando uma ambiência mais atmosférica e dançante. Numa sala bastante preenchida e animada, a banda despede-se do público com “Hate Close To Love” que lhes retribui com fortes aplausos. 



“Império dos Sentidos” 

O testemunho é passado aos “protagonistas” da noite, She Pleasures HerSelf (SPHS), banda do nosso coração, não só pela origem lisboeta, mas, acima de tudo, pela excelência do seu projeto. Formada em 2016 e composta por Nuno Varudo (vocals), David Francisco (guitars / synths), Nuno Francisco (drums, percussion) e Letícia Contreiras (synths), os SPHS apresentam um estilo musical difícil de balizar num único género, remetendo para as tonalidades da darkwave, electro, goth e post-punk da década de 80. Tudo isso misturado numa imagem de “luxuria” e prazer sonoro que convida à dança, entre a decadência punk e o mundo fetishista. 

A banda apresenta uma sonoridade provocante que mexe com todos os sentidos, tendo na sua bagagem musical 2 álbuns, Fetish (2017) e XXX (2019), ambos com label da Manic Depression RecordsA noite veste-se de vermelho quando os SPHS entram em palco, envolvendo-nos numa ilusão e num encantamento sensorial de intensidade extrema. 


Nada é deixado ao acaso. Vestidos a rigor tomam posição, dando início a uma exímia performance. A encenação, a sincronização entre os videclips (repletos de sensualidade e voluptuosidade) e os vários temas, são verdadeiros deleites sensoriais, que nos mostram visual e sonoramente “o fruto do pecado” e nos impelem ao agitar dos corpos.

Durante mais de 1 hora foram dissecando temas dos 2 álbuns abrindo as hostes com “Ich Bin Dead”, seguida de “Fake”, “Private Hell”, “Ghost Wave”, “Disposable”, “Trust”, “Obscure”, “Cant Live” (cover de Red Zebra) “Boy Pleasures - Pain” (cover de Boy Harsher).... terminando com a tão aplaudida “Visions”. 


Com rushes, entre clips e as músicas, os She Pleasure HerSelf trouxeram-nos layers de sintetizadores que sobressaem e nos impelem ao movimento. Trouxeram-nos uma sensualidade muito próxima do erotismo. Mostraram-nos que há todo um conceito bem pensado a alicerçar o seu projeto musical, desde a forma como se apresentam em palco, entre néones e projeções background, até ao exuberante espólio que exibem como merchandising

Foi uma noite intensa, que nos algemou numa vaga de desejo, com fortes apelos à lascívia e ao exacerbar dos sentidos.



Texto: Armandina Heleno
Fotografia e vídeo: Virgílio Santos

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