quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A maravilhosa mas despercebida passagem de David J pelo Hard Club



No passado dia 18 de outubro, o lendário David J atuou no Hard Club, Porto, para um público constituído no máximo por 40 pessoas, um espetáculo forçosamente intimista cuja falta de adesão não deixou de fazer sentir um certo desconforto.
Não é novidade que o membro fundador dos Bauhaus e Love & Rockets é mal amado em Portugal e os seus concertos têm fraca afluência, porém, era expectável que o seu espetáculo novo de apresentação de Missive To An Angel From The Halls Of Infamy And Allure, disco cuja data de lançamento coincidiu com a do concerto e que comemora toda a carreira musical do artista, reunisse mais fãs e curiosos e até aqueles com esperança de ouvir clássicos das suas antigas bandas. Esta tour de David J pouco antes do regresso aos palcos (passados 13 anos e um último concerto em Paredes de Coura) dos Bauhaus, provando que o seu novo trabalho e tour advêm do amor à arte de fazer e tocar música.

Acompanhado por um teclista e uma violista, o músico, não pareceu desanimado ou desapontado com a pequena audiência que o esperava. Começou o concerto com a nova versão de “The Author” e fez questão em explicar que esta era uma música nova, do seu novo trabalho, mas também uma musica antiga (do disco The Guitar Man) “é difícil de explicar e confuso”, completou ele e continuou a classificar do mesmo modo alguns outros temas.

Em palco, David J, tem duas personas diferentes, uma mais calma, introspetiva e sentimental, quando tira o chapéu e toca guitarra, e outra mais inspirada em cabarés e teatral, quando põe o seu chapéu. Ambos os momentos foram muito interessantes e fascinante a quantidade de histórias que o músico conta e tem para contar, variando no modo como o faz. Durante cerca de uma hora teve tempo para mostrar o seu novo disco, visitar temas antigos do seu projeto a solo, uma versão de “It Was a Very Good Year” de Ervin Drake e passagens de luxo por Love & Rockets e até Bauhaus. “Shelf Live” e “The Dog-End Of A Day Gone By” não faltaram a par de uma versão extremamente expressiva, mais que emotiva, de “Who Killed Mister Moonlight” que contrastou com o momento mais emocionante do concerto “The Day That David Bowie Died”, tema escrita no dia em que David “Bowie” Jones faleceu.

É louvável o esforço da Lemon Live Entertainment por trazer um músico de tal calibre ao nosso país e um concerto que, certamente, ficará na memória dos (poucos) presentes. É também lamentável a falta de afluência do público mesmo numa numa sala que pode ser considerada pequena para a dimensão do artista.

Texto: Francisco Lobo de Ávila

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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Xenia França prepara tour em Portugal de apresentação de disco "Xenia"


Xenia França é uma cantora baiana que se insere num cenário artístico de resgate e propagação da cultura Afro-Brasileira, transformando-se numa referência de empoderamento e comportamento feminino, principalmente para as mulheres negras.

Depois de sete anos como parte integrante da banda paulistana Aláfia, Xenia França aventurou-se a solo e editou em 2017 o seu disco de estreia, Xenia, o qual lhe valeu uma nomeação para os Grammys latinos em 2018. Xenia reverencia o som que vem da diáspora negra, numa sonoridade essencialmente pop com pitadas de música eletrónica, jazz, samba-reggae, rock e R&B, tendo sido produzido por Lourenço Rebetez, Pipo Pegoraro com co-produção da própria artista. 

"Pra que me chamas?” é o tema mais conhecido do público, tendo direito a videoclipe realizado por Fred Ouro Preto.



Xenia já se apresentou nos principais festivais brasileiros como Recbeat, Coala, Coma, Queremos, entre outros. Em 2018 subiu ao palco do Summerstage no Central Park, em Nova York, um dos mais importantes festivais dos Estados Unidos e foi nomeada no Women Music Award 2018 nas categorias Melhor Videoclipe e também Melhor Concerto. 

A artista encontra-se a preparar a sua tour por Portugal e as datas serão divulgadas em breve.

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Reportagem: Moonspell + Rotting Christ + Silver Dust [Capitólio, Lisboa]


“Diz-me quem é que lá vem...”

O Capitólio (Lisboa) foi o cenário escolhido para uma noite sísmica, tendo os Moonspell sido os responsáveis por este abalo sonoro, com réplicas sucessivas numa soirée metálica que marcou o início de Novembro. 

Só uma banda como esta poderia recriar de forma metafórica a tragédia do terramoto de 1755, homónimo do seu último trabalho, tendo como pano de fundo uma tela alusiva às ruínas do Convento do Carmo, detalhe que adensou o ambiente. Na primeira voz, este trabalho é descrito como "um álbum agressivo, dinâmico, melódico, porque também tenta associar a metade do século XVIII, na zona de Lisboa, toda aquela grande fusão musical e linguística que havia".

Ao longo da noite revisitaram vários álbuns, privilegiando temas do seu mais recente disco, dos quais destacamos “In Tremor Dei" (sem Paulo Bragança), "Evento" e "Todos os Santos”, efusivamente acolhidos e participados pelos fãs de Fernando “Moon”, o frontman da banda. Com uma setlist bem recheada, os Moonspell fizeram eco com “Abysmo”, tema retirado de Sin / Pecado, álbum que será reeditado em Dezembro (reedição de luxo em vinil e CD-digipak que inclui o EP 2nd Skin e um booklet de 24 páginas), incluindo também: "Em Nome Do Medo", "Opium", "Night Eternal", "Extinct", "Everything Invaded", "Mephisto", "Vampiria", "Alma Mater", "Full Moon Madness", surpreendendo ainda com "Ataegina".



Apesar da generalidade dos temas serem cantados em inglês, as influências portuguesas estão bem presentes na música dos Moonspell, através dos poemas líricos, nomeadamente de Mário Cesariny (os primeiros quatro versos de “Than the Serpents in my Arms”) e Álvaro de Campos (“Opium” com um verso do Opiário).

Este espectáculo foi o 13º de 50 concertos em 52 dias e vinte países, na maior digressão europeia da história da banda, coadjuvados no start-up da noite pelos gregos Rotting Christ e os suíços Silver Dust, com passagem pela Turquia, países bálticos e Escandinávia. A atuação dos Moonspell ficará bem presente na memória da “alcateia” (como os próprios designaram, com emoção e orgulho, todos os que marcaram presença no Parque Mayer), que não se amedronta e acata o chamamento do “uivo”. 

As cortinas do espectáculo foram abertas pelos Silver Dust, às 19:30, hora pouco apelativa para um público latino, o que poderá justificar uma sala ainda pouco composta. A sonoridade alternativa e um look steampunk desta banda, de origem suíça (liderada Lord Campbell, vocalista/guitarrista) foi um pouco diferente do restante cartaz, com contornos de um metal gótico e industrial onde se notava, por vezes, a influência dos System Of A Down.


Antes dos protagonistas da noite foi a vez dos Rotting Christ subirem ao palco, já com a sala mais preenchida e que aguardava com euforia as duas bandas principais da noite. Com novos elementos em palco (Giannis Kalamatas e Kostas Heliotis), que deixaram transparecer ainda uma certa falta de “à vontade”, os Rotting Christ, tocaram vários temas do agrado dos fãs. Preteriram temas de Theogonia (2007), centrando-se em faixas de Kata Ton Daimona Eaytoy. Ao contrário do que seria de esperar, do álbum lançado em 2019, só tocaram dois temas: "Fire, God and Fear" e "Dies Irae"; de Rituals a tribal "Apage Satana" e na reta final, a cover de "Societas Satanas", a estrondosa "King of a Stellar War" e as já habitués "In Yumen-Xibalba" e "Grandis Spiritus Dia volos".  Terminaram com "Non Serviam" sob fortes aplausos e efusivas manifestações por parte do público.

Em jeito de briefing da noite, é inegável que a banda de Fernando Ribeiro, Ricardo Amorim, Pedro Paixão, Mike Gaspar e Aires Pereira, continua a dar cartas tanto em Portugal como além-fronteiras, sendo considerada (por muitos) a melhor banda nacional. Só temos que os enaltecer pelo seu profissionalismo, entrega e exímia performance.

Resta-nos dizer que a magnitude sonora rebentou a Escala de Richter no Capitólio! Melhor era impossível!



Texto e fotografia: Virgílio Santos

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Bad Pelicans passam esta semana por Portugal


Esta semana os franceses Bad Pelicans regressam a Portugal para uma dose que fornece concertos em quatro cidades portuguesas: Lisboa, Évora, Fafe e Porto. Começam já esta quinta-feira (14 de novembro) e prometem quebrar salas com o seu garage-rock de atitude punk que tem revolucionado a cena parisiense nos últimos anos. Com um estilo irreverente que inclui uma linhagem de autenticidade e raiva os Bad Pelicans trazem a terras lusas novas noções estruturais e novos sabores inteligentes que mantêm o espírito do rock movido a guitarra, verdadeiramente vivo. 

O trio que já editou três discos de estúdio - todos eles edições esgotadas - prepara-se para lançar novo EP e a Portugal traz um mix dos temas mais conceituados e que fazem parte de BEST OF, editado em março do ano passado. As datas podem consultar-se abaixo.



14/11 - Sabotage Club, Lisboa (informações adicionais aqui)
15/11 - SOIR - Joaquim António d’AguiarÉvora (informações adicionais aqui)
16/11 - Café Avenida, Fafe (informações adicionais aqui)
17/11 - Ferro Bar, Porto (informações adicionais aqui)

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terça-feira, 12 de novembro de 2019

A tempestade dos Godspeed You! Black Emperor no Hard Club


Cinco anos após a sua atuação no NOS Primavera Sound, os Godspeed You! Black Emperor regressaram ao Porto para um concerto no Hard Club, organizado pela Amplificasom.

Fundada em 1999, a banda é uma das mais influentes e marcantes no universo do pós-rock, conhecida pelas suas longas composições instrumentais, onde se podem encontrar ambientes apocalípticos, crescendos triunfantes, drones densos e sinistros. E foi com o famoso “Hope Drone” que abriram a setlist. Os oito músicos em palco (três guitarristas, dois baixistas, dois bateristas, uma violinista) foram entrando ao longo da sua duração, acrescentando-lhe camadas e subindo a intensidade gradualmente.

Finalizada a introdução, começaram a tocar “Mladic”, uma das músicas mais intensas e poderosas da sua discografia. Uma montanha-russa de 20 minutos que começa com violinos e um drone ameaçador e acaba num clímax épico, repleto de distorção. Foi fantástico sentir todas as suas dinâmicas ao vivo, ficando instaurado desde cedo um clima soturno na sala.

Ouviu-se depois algum do trabalho mais recente da banda. Tocaram “Anthem for No State”, do seu último álbum, Luciferian Towers, e também duas músicas novas, atualmente conhecidas por “Glacier” e “Cliff”. Destacou-se especialmente a segunda, com os seus crescendos felizes e esperançosos a contrastar com a atmosfera sombria mais habitual.

Para grande satisfação dos fãs do álbum F♯ A♯ , de 1997, concluíram o espetáculo com “The Sad Mafioso”, um dos movimentos da faixa “East Hasting”. Os membros da banda abandonaram o palco um a um, deixando o público mergulhado em feedback e efeitos durante mais alguns minutos.

Todo o concerto foi acompanhado por projeções de vídeo analógico controladas ao vivo, com imagens de paisagens, edifícios abandonados, protestos políticos e alguns efeitos visuais.


A primeira parte esteve a cargo dos Light Conductor, que, tal como os GY!BE, integram a Constellation Records. A sua performance foi composta maioritariamente por ambientes eletrónicos que se transformavam lentamente, com melodias e texturas a surgir e desaparecer ao longo de cada faixa. Para terminar o concerto, os membros da banda deixaram os sintetizadores a tocar em loop, pegaram nas guitarras e aproximaram-se dos microfones. Finalizaram a atuação de forma dececionante, com uma simples música de rock, bastante diferente de tudo o que apresentaram anteriormente.


Texto: Rui Santos
Fotografia: David Madeira

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STREAM: Black Bombaim & João Pais Filipe - Dragonflies with Birds and Snake


Em 2018, Black Bombaim e João Pais Filipe juntaram-se para um trabalho conjunto em torno do filme Dragonflies with Birds and Snake do realizador alemão Wolfgang Lehmann, na sequência de um desafio lançado pelo Curtas de Vila do Conde. O inebriante resultado, é agora editado em disco pela Lovers & Lollypops.

O trabalho será apresentado, ao vivo, ainda este mês em Guimarães, CCVF (22 de novembro), Lisboa, ZDB (23 de novembro) e no Porto, Auditório de Serralves (24 de novembro). Caso não consigam ir a qualquer data, é possível ouvir o disco na sua íntegra abaixo.


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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Holly Herndon mostra o lado humano da tecnologia na Culturgest


Holly Herndon, que atuou em Portugal pela última vez em 2016, aquando da 5ª edição dos festival NOS Primavera Sound, regressa ao país esta semana para apresentar Proto, o terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora-compositora americana que vê na tecnologia uma forma de nos tornarmos mais humanos.

O seu disco anterior, Platform, explorou os limites da voz humana através de uma manipulação digital maximalista, que toma novas proporções com o lançamento do seu sucessor, editado novamente sob a alçada do histórico selo britânico 4AD. Produzido com o auxílio de um ensemble sem fim de vozes e um software IA em desenvolvimento, que a artista baseada em Berlim apelidou de Spawn, Proto medita sob as temáticas do amor comunal, a tecnologia e o futuro da espécie humana. 

Ao vivo, a produtora apresenta-se ao lado de Mat Dryhurst, que a auxilia na construção visual do espetáculo, e de um grupo variável de vozes.

O concerto acontece na Culturgest, em Lisboa, no dia 14 de novembro e os bilhetes encontram-se disponíveis a custos que vão dos 8 aos 16 euros.

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[Review] Wildnorthe - Murmur


Murmur | Regulator Records / Raging Planet | outubro de 2019
8.0/10

Os Wildnorthe estrearam-se no mercado da música em 2015 com AWE, o EP de estreia que os levou a uma incorporação relevante no escasso cenário da música nacional de traços negros. Composto por seis malhas onde os sintetizadores mais obscuros combinavam em harmonia com as guitarras poderosas, o disco mostrou-se uma boa surpresa em 2015 mas a revelação estava guardada para 2019, ano em que editam o seu primeiro longa-duração Murmur. Quatro anos que serviram para um processo de maturação altamente refinado que rendeu a produção de um disco que mostra que a darkwave não está assim tão morta em Portugal. 

Murmur não trouxe apenas uma sonoridade requintada e pronta para ouvir em repetição constante, trouxe também um novo membro ao alinhamento da banda ao vivo, com um dos maiores bateristas do panorama português, João Vairinhos (The Youths, LÖBO, Ricardo Remédio) a trazer toda uma nova atmosfera "analógica" ao som amplamente eletrónico criado por Sara Inglês e Pedro Ferreira. As ambiências obscuras estão presentes tal como outrora, mas há uma aposta mais forte na imersão do ouvinte e na apropriação de ritmos altamente hipnóticos. Este efeito é logo experienciado com a reprodução de "Descend", faixa que abre Murmur e que explora desde as camadas mais melancólicas aos ritmos energéticos, com uma astúcia surpreendente na transição de ritmos. Já está muito bom e ainda só estamos a começar. 



O trabalho de estreia, que foi anunciado em outubro, começou por ser apresentado através da faixa "Howler", um cocktail de synthpop incendiário com componentes da darkwave e uma voz masculina a cruzar elegância com poder. Estava ali o primeiro foco de atenção para aquele que viria a ser um disco altamente diversificado e por si só, estimulante. Murmur saiu a 21 de outubro na alçada da portuguesa Regulator Records em co-edição com a Raging Planet (com quem já tinham editado anteriormente AWE) e traz-nos nove faixas que enriquecem a história da música gótica em Portugal. Há elementos únicos que marcam, como é o caso daquele riff de guitarra à post-rock por volta do primeiro minutos e 20 segundos no tema "Death Is Precious"; ou da própria voz de Sara Inglês nos temas "Savage Eyes" ou "Passage" que nos traz à memória o tom vocal de Alison Lewis (Linea Aspera, Keluar, Zanias) e as próprias atmosferas sintetizadas da produtora: poder e fragilidade unidos numa só faixa. 



Em destaque, fora os ritmos soturnos que envolvem todo este murmúrio, encontram-se as faixas mais ritmadas como "Sour" e a homónima "Murmur" (esta última a beber influências à EBM e techno) ou mesmo as mais desafiantes "Branch" e "Passage" - a englobar aquele som trágico altamente estimulante e a colocar em altas o interesse da dupla por temas como a natureza, morte e pela beleza que os sítios mais negros e improváveis aportam. E Murmur é isso mesmo, um retrato da decadência existencial e o próprio resultado dessa decadência como forma de expressão artística e da contemplação do negro como uma filosofia de vida. Um disco desafiador e prospeto para emergir como uma boa surpresa na cena underground que mora em força no panorama da música atual. 

Definitivamente os Wildnorthe chegaram para pôr a mexer o cenário mais gótico em território português e trazem consigo um disco que tem tudo para os levar a tocar nas salas e festivais mais underground da Europa. Há a presença dos elementos que estão em altas no revivalismo gótico mundo fora e uma clara veia portuguesa que é sua e que traz alguns elementos inventivos face ao que se tem produzido na cena ao longo da última década. Murmur é um disco altamente dinâmico que consegue ser emotivo, poderoso, conquistador e acima de tudo, imersivo. Definitivamente um dos álbuns nacionais a ter em consideração nas listas dos melhores de 2019.


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domingo, 10 de novembro de 2019

Kelsey Lu, Coucou Chloe e Ezra Collective entre as primeiras confirmações do festival ID



O Festival ID está de regresso. A segunda edição do festival que levou nomes como Arca, Vessel, Madlib ou IAMDDB ao Centro de Congressos do Estoril acontece nos dias 3 e 4 de abril e os primeiros nomes do cartaz já são conhecidos.

Do lote das primeiras confirmações, anunciado no passado dia 22 de outubro, destaque para a produtora francesa Coucou Chloe, cabecilha do coletivo multidisciplinar NUXXE e autora de alguns dos mais sagazes temas da música post-club, os regressos do rapper irlandês Rejjie Snow, que atuou na última edição do Super Bock em Stock, e do produtor-cantor alemão Kindness, que este ano lançou o terceiro álbum de estúdio Something Like a War. Também de regresso a Portugal estará o novo jazz dos britânicos Ezra Collective, que proporcionaram uma das performances mais impressionantes do último Super Bock Super Rock, e do baterista Moses Boyd, que marca assim a sua estreia no país.

A estes nomes juntam-se agora mais seis artistas para a edição de 2020. A cantora e violoncelista Kelsey Lu, que atuou no Musicbox no passado mês de outubro, regressa a Portugal para mais uma data de apresentação do seu mais recente disco, Blood, que marcou a estreia da norte-americana nos longa-duração. Com co-produção de Skrillex, e Jamie xx, Blood destaca-se pelo arrojo e requinte com que a americana se entrega aos terrenos híbridos da pop mais artística, deambulando entre as paisagens urbanas do R&B e os arranjos ornamentados da música de câmara.

Rakei, multi-instrumentista que marcou presença no EDP Cool Jazz, em 2018, e no Nova Batida, em 2019, é mais um dos regressos que marcam a próxima edição do ID. Os portugueses Lhast, PEDROBiig Piig e Carla Prata encerram o segundo leque de confirmações.

Os bilhetes para o ID encontram-se disponíveis para compra em blueticket.pt ao preço promocional de 25 euros. Também disponíveis estão os bilhetes diários ao custo único de 40 euros.


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Taïs Reganelli lança single em homenagem ao grupo Madredeus


A cantora e compositora Taïs Reganelli lançou no passado mês de outubro o seu mais recente single “Vem (Além de toda solidão)”.  Este single é uma reinterpretação de um dos temas de Madredeus, composto por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes

Taïs Reganelli é considerada uma das intérpretes mais importantes de sua geração, tendo dividido o palco com grandes nomes da música popular brasileira e lançado quatro álbuns de estúdio, com o maior destaque a ir para Leve (2011), disco muito aclamado pela crítica. A artista brasileira mudou-se recentemente para Lisboa, cidade pela qual se apaixonou, numa constante busca da ampliação dos seus horizontes culturais e de um contato mais próximo com a música portuguesa, 

Sob a produção do pianista e compositor Pablo Lapidusas, Taïs deu uma nova roupagem ao tema dos Madredeus: "Os Madredeus influenciaram muito a minha carreira e sempre incluí suas músicas em meus concertos no Brasil. Quando cheguei aqui (em Lisboa) quis gravar uma canção deles e de que gostava imenso, em homenagem ao país que estava me recebendo".

O single teve também direito a um trabalho audivisual, inspirado na verdade e crueza da interpretação de Jacques Brel no videoclipe da canção “Ne me quitte pas”. O vídeo de “Vem (Além de toda solidão)” mescla imagens de sítios icónicos de Lisboa com cenas de um corpo feminino, acentuando o contraste entre o macro (a imponente arquitetura lisboeta, o mar...) e o micro (o umbigo, uma lágrima que cai...). A ideia, segundo o realizador Juliano Luccas era "escancarar a solidão com imensidões e fragmentos do corpo e fazer com que Taïs trouxesse à tona uma carga grande de emoção”.



Depois do lançamento de “Vem (Além de toda solidão)”, Taïs Reganelli prepara a gravação de mais dois singles e videoclipes, que serão lançados em breve. Enquanto isso não acontece, o público português terá a oportunidade de conhecer o trabalho da cantautora no Casino Estoril, no dia 21 de Novembro, às 22h.

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[Review] Charli XCX - Charli




Charli | Asylum Records | setembro de 2019 
8.3/10


Num tweet partilhado em agosto deste ano, Charlotte Aitchison, cantora e compositora britânica que se dá pelo nome de Charli XCX, afirmou ser um “chart flop”, referindo-se à sua dificuldade em penetrar o topo das tabelas americanas nos últimos anos. Mas Charli não quer saber: “lol se acham que eu me importo, honestamente”, pode ler-se no mesmo tweet. Mais do que um desabafo, esta afirmação representa a dualidade de uma das artistas que melhor soube conjugar vanguarda e sensibilidade pop ao longo da última década.

Podemos escutar a sua voz em singles tão badalados como “I Love It”, do duo electropop sueco Icona Pop, ou no refrão de “Fancy”, single que catapultou a carreira da cantora e MC australiana Iggy Azalea e que lhe valeu o primeiro lugar nas tabelas americanas, mas no que diz respeito ao seu trabalho a solo, apenas “Boom Clap” conseguiu atingir o top 10 da Billboard.

Se os dois primeiros discos propriamente ditos, True Romance (2013) e SUCKER (2014), lançados sob a alçada de editoras grandes, serviram um propósito mais comercial e acessível aos ouvidos menos exigentes (ainda que com alguns momentos preciosos no disco de estreia), as suas últimas mixtapes, Number 1 Angel  e Pop 2, ambas lançadas em 2017, serviram um propósito mais libertário e criativo, livre de pressões por parte da indústria. Como resultado, a autora de “Boys” produziu dois dos documentos mais vitais para a música pop do século. Ao juntar-se ao músico e produtor britânico A.G. Cook, cabecilha do coletivo pop futurista PC Music, e antes à produtora escocesa Sophie, com quem lançou o tranformador EP Vroom Vroom em 2016, Charli alargou horizontes e introduziu as produções mutantes dos britânicos à sua voz caprichosa e altamente maleável.

Charli, o aguardado terceiro álbum de estúdio, nasce do esforço exaustivo de unir estes dois mundos. É o seu trabalho mais pessoal, focando-se nos seus relacionamentos amorosos e na tristeza que advém dos mesmos, na vendeta pessoal da indústria para com a própria e, pela primeira vez, na sua saúde mental, mas também nos temas mais hedonistas e na importância de celebrar a vida de modo alarve. Workaholic assumida, Charli vê nas festas que frequenta com os amigos o escapismo necessário para se distanciar dos assuntos que que percorrem a sua mente – as canções, as digressões, os telediscos que a própria dirige.




À semelhança de Pop 2Charli é um disco extremamente colaborativo. A sua voz é extremamente versátil e adapta-se naturalmente aos diferentes convidados – Sky FerreiraClairo e até o bocejo das irmãs Haim soa em perfeita sintonia com a voz carismática de Charli, que volta a unir esforços com as caras familiares de Tommy CashBrooke CandyKim Petras e Cupcakke nalguns dos temas mais sagazes do disco (escute-se  “Click” ou “Shake It”).

A parceria com a estrela queer sul-africana Troye Sivan deu frutos em dois temas essenciais: primeiro com "1999", o primeiro avanço de Charli e uma ode à nostalgia dos anos 90, e depois com a sua sequela inevitável, “2099”, um hino anti-totalitarista, direcionado a uma indústria castradora, e a resposta mais próxima a o que poderá soar a música do próximo século. Mas é com a francesa Héloïse Letissier, que se dá pelo nome artístico de Christine and the Queens que se assiste à maior química. “Gone” é uma canção maior que a vida, de produção grande e refrão orelhudo e que ganhou maior projeção com o lançamento do demolidor vídeo que o acompanha, onde as duas se livram das suas algemas (mais um aceno à hipocrisia da indústria) para dançar sob uma tempestade de chuva, fogo e faíscas elétricas.

"Official" é o melhor esforço a solo a seguir ao estonteante tema de abertura, "Next Level Charli", com melodias caprichosamente doces a servir uma produção pristina de groove bem vincado. “Blame It On Your Love” é um dos poucos pontos menos fortes do disco, uma versão polida e sem sabor de um tema outrora radical (e central para a construção de Pop 2) e que nada mais acrescenta para além da parceria com a cantora e MC Lizzo.

Charli pode não ser o seu melhor disco, esse prémio vai para Pop 2, mas é o que melhor balança a visão futurista da cantora britânica com a necessidade de apelar a um público mais abrangente. Se Billie Eilish provou que a música pop pode ser minimalista e Lana Del Rey nos mostrou o seu lado mais glamoroso, Charli prova que esta também pode (e deve) ser orgulhosamente maximalista.


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Whirr regressam e lançam novo álbum


Depois de uma polémica que os afastou dos holofotes durante 4 anos, os 'shoegazers' americanos Whirr estão de volta com o terceiro e possivelmente último álbum da sua carreira, Feels Like You. A banda composta por Nick Bassett (ex-Deafheaven), Loren Rivera, Joseph Bautista, Eddie Salgado e Devin Nunes trabalhou neste álbum durante 4 anos, indo ao pormenor mais ínfimo no que toca à composição, não esquecendo a produção e masterização feita por Zac Montez no estúdio Time Well Recordings. O resultado deste trabalho pode ser escutado em baixo.


Feels Like You acaba por seguir a formula dos discos anteriores dos Whirr, uma sonoridade espacial e carregada de fuzz que os caracteriza como uma das grandes bandas no shoegaze underground, apesar de terem perdido popularidade nos últimos anos devido às polémicas que assombraram a banda. É verdade que este disco acaba por não ser tão bom como Sway, mas se conseguirem separar a arte do artista, não deixa de ser um trabalho bem sucedido dos Whirr. 

O álbum está disponível para venda digital no Bandcamp, tendo já esgotado a sua edição física e limitada.

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Os CHICKN apresentam um espírito divertido no novo disco

© George Adamos
Os gregos CHICKIN editaram o mês passado o seu novo registo de estúdio Bel Espirit, uma coleção de nove temas a explorar uma variedade de estilos diferentes que incorporam elementos do art-rock ao synth-pop, passando pela aura psych e uma vibe por vezes pop. Em promoção do mais recente registo de estúdio a banda avançou com um vídeo para o tema "She'll Be Apples", filmado em Atenas e dirigido por Alex Brack. "She'll Be Apples" é uma música pop psicadélica disfarçada pelas águas do amor e ambiguidades que escorrem das profundezas.



Formados em 2012 e compostos por Angelos Krallis, Pantelis Karasevdas, Chris Bkrs, Axios Zafeirakos e Don Stavrinos, a música dos CHICKN é composta numa base de improvisação e de tendência a abraçar o inesperado. Eles desenvolveram um grande número de artistas com quem trabalham e, como resultado, sua formação líquida é temporariamente solidificada pelas necessidades expressivas atuais.

Bel Espirit foi editado a 18 de outubro em formato CD, vinil e digital pelo selo Inner Ear Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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O mundo de Nao Katafuchi passa pela eletrónica minimal e escura


Nao Katafuchi nasceu em Tóquio, morou em Nova Iorque e mudou-se recentemente para a Alemanha, onde vive, para culminar o processo de absorção das diferentes culturas continentais na produção de um novo registo de estúdio. Desse processo de aprendizagem surge uma dicotomia de batidas staccato sobrepostas a melodias gestuais, onde Nao Katafuchi aposta em sintetizadores enriquecidos por uma sensibilidade romântica expansiva, num álbum onde o nome pode traduzir-se como aço cinza, em português.

Através de uma forte aposta na eletrónica minimal Nao Katafuchi mostra-se influenciado por todo o novo ambiente europeu que o rodeia, sem nunca esquecer o período em Nova Iorque que o levou a entrar no panorama da synthwave, expressando a sua identidade em atmosferas sombrias criadas com recurso a sintetizadores analógicos antigos. Em Stahlgrau participaram ainda alguns músicos relevantes do panorama underground gótico como  Joanna Badtrip (Selofan) - a dar voz à faixa "Inishie" -;  Violet Candide (Mitra Mitra) - também a fazer ecoar as cordas vocais em "Tamayura" -; Máté Tulipán (Carla Under Water)  - como saxofonista na faixa "Stahlgrau" -; e  ainda Rinko (The Future Eve) - a dar voz a "Red Planets Waltz". O disco pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Stahlgrau foi editado a 7 de outubro em formato vinil e digital. Podem comprar a vossa cópia aqui e aqui.


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sábado, 9 de novembro de 2019

Rain To Rust em estreia no post-punk com Flowers of Doubt


Em 2018 o turco Mert Yıldız uniu-se a Erhan Sazlı para criarem o projeto Rain To Rust, a explorar como base uma sonoridade tingida de negro e altamente influenciada pela sensação de como a facilidade de acesso à informação e à sua abundância  tornou a arte como um produto em segundo foco. Inspirados pelas correntes do post-punk e rock gótico dos anos 80, os Rain To Rust estreiam-se agora nos discos com Flowers of Doubt, apresentando melodias familiares, mas que ainda assim conseguem tecer algumas surpresas, como é o caso da faixa "Time And Time Again", a trazer um final altamente imprevisível.

Rain To Rust - projeto a que Mert Yıldız dá voz e alma, sendo ainda responsável por toda a instrumentação criada - apresenta em Flowers of Doubt um total de oito faixas que são o culminar dos seus 20 anos de experiência no panorama da música underground. Há espaço para manusear os feitos criados por grandes bandas influentes do cenário post-punk dos anos 80, mas também um grande espaço aberto à criação de novas camadas e paisagens experimentais. Desta estreia recomenda-se a audição de temas como o já referido "Time And Time Again", "Burnt To Light" e o tema de encerramento "For When It Hurts".

Flowers Of Doubt foi editado no passado dia 2 de outubro em formato cassete e digital. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Já há 36 nomes no cartaz do Amphi 2020


O Amphi continua a bombar nas confirmações para 2020 e conta já com 36 nomes confirmados. Às primeiras duas vagas artistas divulgados - que incluiram como cabeças de cartaz VNV Nation e Eisbrecher - juntam-se agora mais quase uma dúzia de nomes prontos para incendiarem de negro os vários palcos que integram o certame do festival mais gótico da Colónia. 

Nas novas confirmações encontram-se um total de 10 nomes que nunca pisaram palco no Amphi e que se apresentarão pela primeira vez ao habitual público entre os dias 25 e 26 de julho de 2020. São eles:  MESH; ZEROMANCER; NACHTBLUT; FROZEN PLASMA; CAT RAPES DOG; DUPONT; STURM CAFÉ; THE FOREIGN RESORT; DER FLUCH e PERFECTION DOLL.

O alinhamento do festival por dias já se encontra disponível e podem encontrar todas as informações adicionais aqui. Aproveitem ainda para relembrar a edição passada do Amphi através da nossa fotogaleria clicando aqui, ou através do aftermovie disponibilizado pela organização do festival abaixo.


A edição de 2020 do Amphi Festival decorre nos dias 25 e 26 de julho em Tanzbrunnen, em Köln, na Alemanha. Os passes para os dois dias têm um preço de 87€ e os bilhetes individuais têm um preço de 62€, podendo ser adquiridos aqui. Todas as informações adicionais relativas ao festival podem ser encontradas aqui.



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