terça-feira, 24 de setembro de 2019

Bragolin regressam a Portugal no Post-Punk Strikes Back Again


Depois da estreia o ano passado em Leiria, num concerto inserido no Festival Extramuralhas 2018, os holandeses BRAGOLIN estão de regresso ao país no próximo mês de dezembro para atuarem na terceira edição do Festival Pos-Punk Strikes Back Again. A dupla constituída por Maria Karssenberg e Edwin van der Velde junta-se assim aos já confirmados NERVES, IST IST e OKANDI num evento que promete ser imperdível para os fãs das sonoridades mais obscuras.

Os Bragolin - que começaram a ganhar destaque no panorama underground com o aclamado disco de estreia I Saw Nothing Good So I Left (2018) - trazem a território nacional o seu segundo disco de estúdio, Let Out The Noise Inside que é também o primeiro trabalho da banda em colaboração com o produtor Adam Tristar. Let Out The Noise Inside é um trabalho que volta a mostrar como o sintetizador com arppegios hipnotizantes, os riffs de guitarra barítonos e a voz melancólica são o core da sua sonoridade extremamente aditiva dos Bragolin. No Porto espera-se um concerto bem suado. 


Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes para este evento que deverão ser postos à venda em outubro. As informações adicionais podem consultar-se na página do Facebook da promotora At The Rollercoaster.

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[Review] Black Bombaim - Black Bombaim


Black Bombaim | Lovers & Lollipops com Cardinal Fuzz | março de 2019
8.0/10

Na música electrónica, o foco que era dedicado à composição e experimentação foi roubado pela produção - cada vez mais existem sons-tipo para cada produtor, altamente derivados de material e diferentes técnicas. No rock, contudo, esta luta dissipou-se - em grande parte substituída por uma sede de intensidade (um fenómeno fundamental para grande parte da música hoje produzida que ficou conhecido como loudness wars), a produção teve cada vez mais um papel menos relevante, levando a uma homogeneização do género e ofuscando as contribuições que nomes enormes como Todd Rundgren e Brian Eno tinham criado.

É por isto que Black Bombaim, o último álbum de estúdio dos barcelenses Black Bombaim é tão importante. Não só é assinado por um dos grupos mais notórios e relevantes da música psicadélica portuguesa como serve de exercício de experimentação e comparação para diferentes estilos de produção no rock: o sexto álbum de estúdio do trio nortenho combina seis faixas gravadas em três locais distintos (um auditório velho, uma sala vazia num posto de correios abandonado e uma sala de reverberação numa universidade de engenharia) e produzidas por três nomes incontornáveis da música portuguesa atual - Pedro Augusto, a figura por detrás de Live Low, um dos projectos mais interessantes em solo nacional da última década, Luís Fernandes, mais conhecido pelo seu papel em peixe:avião mas com colaborações ambiciosas no mundo da música clássica contemporânea com nomes como Joana Gama Rodrigo Leão e Jonathan Uliel Saldanha, o mentor dos HHY & The Macumbas, um projecto que continua, desde a sua concepção, a desafiar os limites da música. Um conceito ambicioso - raras são as vezes em que a coesão de um álbum não é factor decisivo na sua apreciação - mas com resultados que compensam largamente esta aventura na qual os Black Bombaim e três produtores nacionais embarcaram.

É claro que, não obstante ao interesse imediato que estas colaborações suscitam, Black Bombaim continua, intuitivamente, a tratar-se de um álbum de Black Bombaim - o psicadelismo capaz de conjurar montanhas continua lá, a expansividade que colocou Barcelos no mapa do rock nacional está ao virar de cada transição. Entre temas agorafóbicos como "Zone of Resonant Bodies", cuja dimensão e dinâmica deixam o ouvinte desolado numa paisagem sónica eterna, peças mais quintessençais dentro do género psicadélico como "20171216", com a inegável marca da intemporalidade das reverberações e repetiçõees, ou a ginga clássica do rock psicadélico a rasgar de "20180224", Black Bombaim é um disco que existe confortavelmente dentro daquilo a que os barcelenses nos habituaram, mas também cria a vontade inegável de ver estas colaborações únicas concretizadas cada uma no seu próprio álbum. É difícil ter de ficar só pela imaginação de até onde é que o krautrock electrónico de "20180415" podia ir, mas por agora as bençãos ficam-se contidas nestas seis faixas.

Em completa verdade, é impossível, não importa a extensão, cobrir tudo aquilo que Black Bombaim pode representar e aquilo que é - apesar de ter escutado o álbum incontáveis vezes desde que saiu, em parte concentrado naquilo que podia dizer sobre ele, continuo sem conseguir particularmente concretizar em palavras o que acho sobre o álbum, daí ter escolhido a brevidade. Black Bombaim neste disco apresentam-se tão refinados como crus, criativos como sempre e tão indesculpavelmente iguais a si próprios como nunca. Ao convidarem três novos produtores para a sua casa, abriram alas a um tornado refrescante num género que, quer queiramos quer não, já foi batido e recaldado vezes sem conta. Para o futuro fica a esperança de que mais deste género se faça, que mais se experimente. Para já, contudo, fica a marca e o corpo cansado deixados por Black Bombaim.

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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Crushed Beaks abrem os concertos de RIDE em Portugal


Os Crushed Beaks - um trio londrino que define o seu espetro sonoro como noisy pop - vão fazer a sua estreia em Portugal em fevereiro de 2020 para um evento que certamente será um marco de carreira para a banda: abrir os concerto dos shoegazers RIDEA banda apresenta em território nacional o mais recente disco de estúdio The Other Room, editado em agosto deste ano pela Clue Records.

Com uma sonoridade a trazer à memória nomes mais clássicos como Sonic Youth, ou mais contemporâneos como Ought, mas numa roupagem bem própria e altamente tingida por uma vibe mais happy lo-fi, os Crushed Beaks deixam expectativas para um concerto que poderá muito bem surpreeneder. Desde 2011, a banda de Matthew Poile, Alex Morris e Scott Bowley (originalmente um duo) já lançou uma séries de discos, EP's e singles que podem encontrar pelo seu Bandcamp, clicando aqui.


Os bilhetes para os concertos dos RIDE e Crushed Beaks marcados para 10 e 11 de fevereiro em Lisboa e Porto, respetivamente, já se encontram à venda e custam 25€. Informações adicionais do concerto em Lisboa aqui e do concerto no Porto, aqui.


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STREAM: NNHMN - church of no religion



Os NNHMN (Non-Human) regressam hoje aos destaques na imprensa internacional com a edição do seu segundo disco de estúdio, Church Of No Religion, disco que chega às prateleiras uns meses após a estreia com second castleLee e Michal Laudarg, os mentores do projeto NNHMN mostram que a sua eletrónica estóica e efémera surge este ano para se enraizar entre as playlists dos DJ's mais arrojados. Num clima hipnótico onde a poesia e as lamentações do purgatório se encontram de mãos dadas, os NNHMN constroem o seu mundo tão único: o amor pelo espectro frio dos sintetizadores, bem como o caminho pessoal da espiritualidade, solidão, obsessões, abismos e o desejo de imortalidade. 

De Church Of No Religion já tinham anteriormente sido divulgados os temas "Shulamite Woman" - uma malha vigorosa a embrenhar-se nas paisagens da música ambiente em conjugação com a minimal-wave, dark electronics e uma onda experimental - e ainda o tema de abertura "Kedar", a trabalhar em tonalidades e ritmos altamente monocromáticos onde a voz, fortemente processada, forma uma espécie de transe, um ponto de passagem para outra realidade. Além das referidas faixas recomenda-se vivamente a reprodução de  temas como "Häxan", "Army Of Mary", "Ariel" ou "Crawling". Podem agora ouvir o disco na íntegra abaixo.

Church Of No Religion é editado esta segunda-feira (23 de setembro) em formato cassete e digital pelo selo K Dreams (disponível aqui) e em CD pelo selo Zoharum (disponível aqui).




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Esqueça Benidorm: David Bruno apresenta Miramar Confidencial no próximo mês de outubro


Depois do enorme sucesso de O Último Tango em Mafamude, David Bruno está de regresso aos álbuns com o muito aguardado Miramar Confidencial, que foi lançado no passado dia 20 num formato deveras original: em DVD pirata.

Neste álbum somos convidados a entrar num universo imaginário luso-kitsch à moda de Vila Nova de Gaia que cruza a realidade e a ficção, os empreiteiros e os filmes de acção da década de 90, a praia de Miramar e a praia de Benidorm, Steven Seagal e Adriano Malheiro. Miramar Confidencial é isso tudo, deixando ao mesmo tempo espaço na imaginação de cada ouvinte.

As apresentações ao vivo de Miramar Confidencial estão marcadas para os dias 12 de Outubro, no Musicbox, e 25 de Outubro, no Hard Club. Os bilhetes já se encontram à venda.

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Otim Alpha estreia-se em Portugal esta semana



Otim Alpha estreia-se em Portugal esta semana. Depois do convite da Capivara Azul – Associação Cultural para integrar a programação do ciclo de música do mundo ‘Terra’, dia 28 de setembro no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), o músico fechou também um acordo que o levará a tocar antes em Lisboa, dia 26 de setembro na ZDB, e em Coimbra, um dia depois no Salão Brazil.

Desde os anos 1980 que Otim Alpha tocava em casamentos no norte do Uganda, na região Acholi, começando por interpretar as canções Larakaraka dessas cerimónias com a ajuda de um computador. As possibilidades eletrónicas e de produção digital dos controladores MIDI foi acrescentada pelo colaborador e cúmplice parceiro Leo Palayeng, com quem construiu um novo género musical que veio ser apelidado de "acholitronix", uma expressão musical frenética e polirrítmica que cruza percussão eletrónica e instrumentação tradicional, com a voz e o canto típicos da música do norte do Uganda.

Em disco, Otim Alpha apresentou-se pela primeira vez em 2016, com Gulu City Anthems, um conjunto de canções escritas e gravadas ao longo de 11 anos – entre 2004 e 2015 – lançado pela Nyege Nyege Tapes, uma das editoras mais inquietantes da nova música africana. 



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domingo, 22 de setembro de 2019

Soho Rezanejad anuncia novo álbum, Honesty Without Compassion is Brutality



Soho Rezanejad anunciou o regresso às edições esta semana com o lançamento do seu segundo álbum de longa-duração, Honesty Without Compassion is Brutality. O disco, que chega um ano depois do excelente disco de estreia Six Archetypes, volta a contar com o selo da sua Sillicone Records, e tem data de lançamento prevista para outubro. 

A cantora e compositora novaiorquina, que se encontra a residir atualmente em Copenhaga, onde foi criada, é voz frequente nos trabalhos de Lust For Youth, e participa nos últimos trabalhos de Croatian Amor e CTM. Em julho deste ano, Rezanejad integrou ainda a nova compilação da editora escandinava Posh Isolation, juntando-se a um compêndio com mais de 20 músicas e contibuições de artistas como Astrid Sonne, Varg, Puce Mary ou Jonatan Leandoer127, aka Yung Lean.

"Love's a Raging Prey" é o primeiro avanço do novo disco, uma performance poderosa de sete minutos que resiste definição. Num post publicado na sua página de Facebook, Rezanejad descreve "a experiência mística de se apaixonar por Deus", que compara à atração da mariposa pela chama. O tema vem acompanhado de suporte audiovisual e encontra-se agora disponível para escuta.





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sábado, 21 de setembro de 2019

VNV Nation e EISBRECHER nos cabeças de cartaz do Amphi Festival 2020


O Amphi Festival regressa a Köln em 2020 nos dias 25 e 26 de julho e já há uma série de nomes adicionados ao cartaz. A encabeçar o primeiro dia de festival encontram-se VNV Nation - o um projeto de EBM/futurepop liderado por Ronan Harris nos papéis de cantor, compositor e produtor - e no segundo dia as luzes brilham para os alemães EISBRECHER numa sonoridade que combina a Neue Deutsche Härte ao metal industrial.


Na nova vaga de confirmações e entre os nomes que prometem incendiar a pista de dança encontram-se ainda The Birthday Massacre, Diary of Dreams e Suicide Commando. As confirmações que abrangem a minimal-wave, eletrónica alternativa e post-punk incluem nomes como She Past Away, In Strict Confidence, Rome e Heldmaschine


Entre os nomes que se estreiam pela primeira vez no Tanzbrunnen encontramos Sono, Minuit Machine, Scarlet Dorn, Wisborg, Chemical Sweet Kid, Johnny Deathdhadow, Schwarzschild, Bragolin e AlienareTodas as bandas já confirmadas para a edição de 2020 do Amphi Festival podem ser consultadas aqui (em atualização).


Os bilhetes para a edição de 2020 do Amphi Festival já se encontram à venda e custam 62€ (bilhete diário) e 87€ (bilhete geral). Podem comparar os vossos ingressos aqui.


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STREAM: Paolo Spaccamonti - Volume Quattro


O compositor italiano Paolo Spaccamonti regressou este mês de setembro às edições de estúdio com um novo longa-duração, Volume Quattro, aquele que é o 11º registo de estúdio numa carreira musical bastante eclética. Volume Quattro vem dar sucessão a Young Till I Die (2019, Escape From Today), o LP colaborativo com Roberto Tax Farano e mostra mais um dos traços do vanguardismo que caracteriza as construções sonoras de Paolo Spaccamonti: a sua sensibilidade com a guitarra e a sua visão artística ao nível da composição. 

Tão relaxante quanto explorativo e vigorso, o novo disco apresenta um total de onze faixas que facilmente confrontam o ouvinte num mundo tão característico e emotivo que Paolo Spaccamonti esculpe na perfeição. De Volume Quattro já tinha anteriormente sido divulgado o single "Ablazioni". Além desta faixa recomenda-se ainda a audição de "Nessun Codardo Tranne Voi" - a apresentar tonalidades mais negras - e ainda "Fumo Negli Occhi" e "Tutto Bene Quel Che Finisce" - a projetarem-nos para ambientes mais sinistros. Um disco peculiar e marcante que pode ouvir-se agora na íntegra, abaixo.

Volume Quattro foi editado na passada sexta-feira (20 de setembro) em formato digital e disco de vinil pelos selos Escape From Today e Dunque.

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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

STREAM: Josiah Konder - Through The Stutter


Quatro meses após a re-edição de Songs For The Stunner em formato LP, pela Third Coming Records, os dinamarqueses Josiah Konder estão de regresso aos discos com Through The Stutter, o segundo disco que os coloca no patamar de uma das novas bandas com uma sonoridade cativante e uma veia promissora que certamente será do agrado de fãs de nomes como Nick Cave ou And Also The Trees.

Através de uma narrativa sonora que viaja do sul da Europa para o frígido bosque da melancolia urbana os Josiah Konder mostram toda um novo sentido de quebra de ritmos, construções frásicas altamente acolhedoras, e um sentido artístico claramente característico. De Through The Stutter já tinham anteriormente sido divulgados os temas "Fall Away" e "Out Of The Hazard". Além destes recomenda-se fortemente a audição de "Hold Me" (uma das grandes malhas do disco), "Bullet" e "Kissed In Dreams Yearning". Um disco com uma maturidade incrível que pode agora escutar-se na íntegra abaixo.

Through The Stutter foi editado esta sexta-feira (20 de setembro) em formato LP pelo selo Third Coming Records. Podem comprar o vosso disco aqui.




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The King Cross Tour de Jay-Jay Johanson está quase em Portugal


Era para ser apenas um ato único em Portugal - agendado na capital a 28 de setembro - mas são agora dois os concertos da The King Cross Tour de Jay-Jay Johanson pelo país. A fazerem dois anos depois da passagem do sueco pelo país com cinco concertos na celebração dos 20 anos do aclamado disco de estúdio Whiskey (1996), o músico regressa agora a Lisboa e Espinho na apresentação do mais recente disco de estúdio e décimo na carreira, Kings Kross (2019, 29 MUSIC).

Desde Whiskey, o seu primeiro disco, Jay-Jay Johanson tem conseguido desenvolver um estilo inconfundível. Com uma história consagrada no cenário do indie-pop/trip hop - que contempla mais de 20 anos de carreira - Jay-Jay Johanson apresenta neste novo trabalho, conjunto de canções tão harmoniosas, quanto melancólicas, características que tem aprimorado desde o início da carreira. 

O músico toca a 28 de setembro no Lisboa ao Vivo (pela mão do Grupo Chiado) - bilhetes a 20€ disponíveis aqui - e a 12 de outubro no Auditório de Espinho num concerto organizado pelo Festival Internacional de Música de Espinho - bilhetes a partir de 6,5€ aqui.


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Maria W Horn anuncia novo álbum, Epistasis



A música e compositora sueca Maria W Horn anunciou novo disco. O segundo álbum da co-fundadora da XKatedral chega em outubro e marca a estreia de Horn pela editora suíça Hallow Ground.  Epistasis surge um ano após Kontrapoetik, o assombroso disco de estreia lançado pela sua XKatedral em parceria com a Berlin’s Portals Editions.  

"Epistasis", a faixa-título que serve de primeiro avanço do disco, já se encontra disponível para escuta e foi composta para um quarteto de oito vozes com cordas duplas, baseando-se nas progressões e estruturas harmónicas do doom e black metal do início da década de 1990. Horn explora ainda técnicas e ferramentas formais como o método Tintinnabuli de Arvo Pärt, utilizando para isso um piano vertical controlado por computador, uma estrutura de Supercollider e uma série de músicos convidados que a auxiliam com arranjos de violino, viola, violoncelo, guitarra e órgão.

Epistasis tem data de lançamento agendada para 25 de outubro e já se encontra disponível em pré-venda. Em baixo, conheçam a capa e respetiva tracklist do álbum.





Tracklist: 

01. Interlocked Cycles I 
02. Epistatis 
03. Konvektion 
04. Interlocked Cycles II 

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STREAM: PISTA - Ocreza


Ocreza é um afluente do rio Tejo. É também o segundo disco dos PISTA e, acima de tudo, é o final de um deserto caminhado por quem tem muita sede de dançar. Ocreza será apresentado ao vivo em Lisboa, no Musicbox, no dia 27 de Setembro, às 22:30, e no Porto, no Maus Hábitos, no dia 3 de Outubro, às 22:00.
Após o lançamento de Bamboleio, em 2015 – álbum de estreia do trio composto por Bruno Afonso, Claudio Fernandes e Ernesto Vitali - Ocreza é um disco que não tem vergonha em acordar na mais tropical praia e desatar a bailar ao ritmo de um quase folclore familiar, para logo a seguir se deitar nos rochedos mais duros de um certo rock que faz apertar as mandíbulas, sempre sem perder a pedalada que tem vindo a ser um hábito da banda.
O álbum já está disponível em formato digital e em vinil.

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Inutili - "Space Time Bubble" (video) [Threshold Premiere]


Os Inutili são uma banda baseada na comuna de Téramo, Itália. Se tivéssemos que os definir em termos da sua sonoridade, poderíamos dizer que eles se encontram algures entre os Butthole Surfers, os Ween e os Flipper. Tão dissonantes quanto explosivos sem nunca se levarem demasiado a sério. E depois do LP Elves, Red Sprites, Blues Jets (2016) e do split Defects / We Don't Play que partilharam com os seus conterrâneos HALLELUJAH! (2017), eis que os Inutili regressam às edições com o longa-duração New Sex Society, o seu mais trabalho que saí hoje mesmo em formato digital, CD e LP, e conta com edição da norte-americana Aagoo Records

O tema que avança o disco chama-se "Space Time Bubble" e discursa sobre a natureza das relações amorosas. Este tema teve ainda direito a uma rendição audiovisual completamente NSFW que simultaneamente repudia os bombardeamentos de anúncios e entretenimento estéril que todos sofremos diariamente e promove a luta pela defesa das liberdades individuais de cada um de nós nestes tempos de ódio, fobia e apatia pelo próximo em que vivemos. 

Abaixo fica o vídeo de "Space Time Bubble". 
Podem encontrar o link para adquirir New Sex Society AQUI.



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OKANDI (O.Children) junta-se ao cartaz do Post-Punk Strikes Back Again


OKANDI, o projeto a solo de Tobias O'Kandi, mais conhecido pelo seu trabalho sob a insígnia O.Children é mais uma das estreias em território nacional, inseridas na terceira edição do festival Post-Punk Strikes Back Again, agendada para o próximo dia 7 de dezembro no Hard Club, Porto. Tobias O'Kandi regressa ao Porto três anos depois da última passagem com os O. Children, em março de 2016, num concerto agenciado pela At The Rollercoaster que podem revisitar aqui.

Depois do afastamento do mundo da música por motivos de saúde e infortúnios pessoais, OKANDI encontrou na sua filha uma nova fonte de inspiração e lançou-se a solo com um novo projeto no início deste ano. De OKANDI ainda não se conhece qualquer disco, mas há pelo menos três singles disponíveis no canal do Youtube do músico (aqui) e que, certamente se farão escutar no Porto: "Blessed", "WTMR" e "USED ME".


OKANDI junta-se assim aos já anunciados NERVES e IST IST. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes para este evento. As informações adicionais podem consultar-se na página do Facebook da promotora At The Rollercoaster.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Música portuguesa em destaque no festival Portugal Alive



Pelo sexto ano consecutivo, a nova e a melhor música portuguesa da atualidade faz-se ouvir este fim-de-semana em terras de Espanha. Durante dois dias, o festival Portugal Alive leva até às cidades de Barcelona (na sexta) e Madrid (no sábado) as músicas de Conan Osiris, autor de Adoro Bolos e representante de Portugal na última edição da Eurovisão, o trio natural de Leiria Whales e a nova sensação rock lisboeta Reis da República. O festival tem por objetivo a promoção da cultura portuguesa contemporânea junto do público espanhol e ainda a aproximação à comunidade portuguesa residente em Espanha. A entrada é gratuita para todos os concertos. 

O Portugal Alive, uma iniciativa do Consulado-Geral de Portugal em Espanha, estreou-se em 2014 e levou já mais de uma dezena de artistas portugueses a atuar em Espanha. Dead Combo e B Fachada abriram as hostes para a primeira conquista sonora portuguesa. Seguiram-se Linda Martini, Noiserv e Capicua em 2015, peixe:avião, Da Chick e X-Wife em 2016, Gala Drop, Sensible Soccers e Pega Monstro em 2017, e Capicua, Best Youth, Surma e Bruno Pernadas no ano passado. Apresentando-se sempre em duas cidades espanholas, Madrid e Barcelona, o festival proporciona uma dupla oportunidade a artistas portugueses para se darem a conhecer ao público espanhol e atuarem perante milhares de pessoas. 



PROGRAMA PORTUGAL ALIVE 2019 

Conan Osiris, Whales e Reis da República 
Barcelona, no BAM – Barcelona Áccio Musical, Plaza Joan Coromnes – 20 de setembro 
Madrid, no Shôko – 21 de setembro 

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[Review] Buda XL - Arte de Propósito


Arte de Propósito | Contentor Records | maio de 2019
7.5/10

Numa espécie de reinvenção do homem do renascimento musical temos João Conde, um nome que é difícil de igualar no panorama do hip hop nacional - multi-instrumentalista com participações alargadas na Contentor Records e um aparente acesso a um sem fim de anacronismos musicais. No seu álbum a solo de estreia, Arte de Propósito, João Conde veste a sua pele de Buda XL, nome artístico que empunha e que tem usado para os projectos que incorpora. 
Arte de Propósito é um álbum que no enquadramento atual do hip hop tuga é raro. Instrumentalmente, há uma larga derivação de uma compreensível veneração dos anos 70, traduzida num calor que está presente ao longo de todo o disco - samples existem envolvidas de uma qualquer saturação ou ruído orgânico, numa emulação da produção que seria esperada num Pieces of a Man de Gil Scott Heron. As letras, para destoar do instrumental, não soam a velho - têm uma certa frescura que a voz compassada e quase rouca de Buda XL ajusta ao instrumental. 
Apesar de haver uma certa coesão na qualidade ao longo de todo o disco, é impossível não fazer o ocasional destaque de algumas faixas, em particular algumas que contam com a participação de Ricardo Pereira - Mano Hugo (com produção de spock) e Lugar Comum. A voz fora do comum usada num registo quase expectável cria a estranheza cativante que, apesar de presente ao longo de todo o álbum, realmente solidifica o álbum numa peça única. Noutra direção, HOPA combina Mr. Papz e Miguel Ablaira na produção numa ensemble de revivalismo psicadélico e reverberações, terminando num misto de krautrock e trip-hop. O Velho destaca-se por uma razão muito peculiar - não dava para esperar que um instrumental de grunge combina-se tão bem com um tema de hip hop, mas nesta curta viagem já devia ter percebido que Buda XL transita facilmente entre o previsível e o inesperado, operando nos espaços vazios que muitos músicos deixam por encher. 
O disco acaba com Reborn, uma sensação com a qual nos conseguimos identificar depois de ouvir este disco. Como um passeio por uma floresta, temos elementos que são velhos mas que não deixaram de crescer, e Buda XL construiu a sua própria floresta, não deixando que ela perdesse o seu carácter orgânico. A Arte é de propósito, mas não é por isso que perde o encanto.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

ÀIYÉ anuncia Gratitrevas, EP de estreia com edição em outubro


Larissa Conforto é uma compositora brasileira que já trabalhou com Chico Buarque, Gilberto Gil, Alceu Valença e Karol Conká, e fixou residência em Lisboa no mês de maio. Depois de anos como baterista na banda Ventre, Larissa reinventou-se no seu novo projeto ÀIYÉ, experimentando novos caminhos sonoros e artísticos. ÀIYÉ conjuga o futurismo ancestral, tarot e arte-ativismo em Gratitrevas, EP de estreia com edição agendada para outubro pela Balaclava Records

A capa de Gratitrevas (imagem em cima) traz uma atmosfera alinhada ao sentimento que a artista transmite nas músicas. Sobre como ela se vê hoje a artista afirma: 
A Larissa de hoje entende o poder de cura da música pelo seu próprio processo, e está mais aberta para experimentar. Confio no caminho e só quero caminhar mais, desfrutando do percurso. Por isso a escolha de fazer só: eu vou transformando a solidão em solitude, e ganhando espaço pra caber mais gente, mais formas, mais colaborações e trocas.  
O primeiro single, Pulmão, já está disponível nas várias plataformas de streaming desde 30 de agosto e pode ser ouvido em baixo: 


Gratitrevas irá ser apresentado também no mês de outubro com duas datas no Brasil, em São Paulo e Belo Horizonte, depois de passagens por Lisboa e Nova Iorque.

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Cinco nomes a não perder no Amplifest 2019


Já falta menos de um mês para todos os caminhos irem dar ao Hard Club. O Amplifest regressa nos dias 12 e 13 de outubro e já se encontra esgotadíssimo, depois dos últimos bilhetes diários terem voado numa manhã.

Assim que se abrirem as portas do próxima edição do Amplifest, terão passado pouco mais de três anos desde a última edição. Mais do que um festival, o Amplifest é o evento que reune toda a filosofia da Amplificasom num fim-de-semana que se pretende único e irrepetível; onde é assumido um compromisso inquebrável com a arte e com o enriquecimento cultural, sendo todo o alinhamento seleccionado nesse sentido: eliminando o que é supérfluo e exaltando o ecletismo, a vanguarda e o talento num fim-de-semana onde todos são cabeças-de-cartaz.

Em jeito de antevisão e apesar de considerarmos que todos os concertos desta edição são imperdíveis, iremos falar sobre cinco nomes que vão ajudar a tornar esta edição do Amplifest um dos melhores eventos do ano.


Amenra

Os belgas Amenra já são bem conhecidos para quem segue o Amplifest desde a sua origem. Depois de terem participado nas edições de 2012 e 2015, eis que a banda de Colin H. van Eeckhout, Mathieu Vandekerckhove, Bjorn Lebon, Lennart Bossu e Levy Seynaeve regressa uma vez mais para nos trazer a sua missa, onde a liturgia é acompanhada por um sludge/doom inigualável, caracterizado por atmosferas sombrias e intensidade espiritual. Fundadores do colectivo Church of Ra (onde também se incluem os Oathbreaker ou os The Black Heart Rebellion, bandas conhecidas pelos seguidores do festival), os Amenra são liderados por Colin H. van Eeckhout (que também já passou pelo Amplifest com o seu projeto a solo - CHVE) que, juntamente com as projeções e os sons em seu redor, criam uma experiência de uma intensidade imensurável, enfiando os seus tentáculos na alma de quem presenceia, quase forçando um qualquer tipo de emoção coletiva e incapacidade de desviar o olhar do desespero no palco. 

Um ponto importante para a banda foi o seu ingresso na Neurot Records, uma editora fundada por membros de Neurosis, onde lançaram o seu álbum Mass V. Agora, celebrando os vinte anos como banda e apresentando pela primeira vez em Portugal o aclamado Mass VI, os Amenra têm regresso marcado ao Amplifest, o seu lar espiritual no nosso país, no dia 12 de outubro.




Deafheaven

Os americanos Deafheaven foram, nesta década, a banda mais popular do blackgaze. Misturando elementos de black metal com as texturas etéreas do shoegaze e do pós-rock, alcançaram uma grande popularidade dentro dos fãs de música alternativa com o seu segundo álbum, Sunbather. Foram e ainda são alvo de alguma controvérsia por não abraçarem completamente o metal, mas ao mesmo tempo é isso que atrai os seus fãs.

A banda tem vindo a desenvolver a sua sonoridade ao longo dos anos e o álbum mais recente, Ordinary Corrupt Human Love, é aquele em que mais se afastam das convenções do black metal. A voz continua agressiva e a bateria rápida e explosiva, mas são integrados melodias e solos de guitarra que parecem saídos do rock alternativo dos anos 90. Surge uma mistura de géneros musicais surpreendente, mas eficaz, como se pode notar nos singles “Honeycomb” e “Canary Yellow”. Em contrapartida, o seu lançamento mais recente, o single “Black Brick”, é provavelmente a música mais pesada e direta da sua discografia. Uma faixa de black metal opressivo e brutal que revela uma nova faceta da banda.

Os Deafheaven vão tocar pela terceira vez no Hard Club no dia 13 de outubro. Será a sua segunda passagem pelo Amplifest, após a estreia na edição de 2013.



Touché Amoré

Oriundos da sempre diversa cena de Los Angeles, California, a banda Touché Amoré, acarinhada pelos fãs das sonoridades post-hardcore e screamo, não é estranha do público português. Com um culto intenso ao redor da banda desde a estreia da banda, e depois de há dois anos terem vindo em conjunto com outro nome grande desta mais recente vaga americana de sonoridades agressivas, Code Orange, ao RCA Club em Lisboa e ao Hard Club no Porto, os Touché Amoré regressam para se juntarem aos flancos da mais recente edição do Amplifest, trazendo a sua sonoridade sempre emergente de riffs dissonantes, vocais emocionais e ritmos angulares. 

Na mala, trazem motivos de celebração, devido ao primeiro álbum de estúdio ...To the Beat a Dead Horse contar dez anos de existência em 2019 e servir de mote para a regravação do mesmo com nova roupagem e uma produção mais atual (apropriadamente chamado Dead Horse X), mas certamente também se pode esperar a presença do resto da discografia no alinhamento. Os Touché Amoré marcarão presença no Hard Club no dia 13 de outubro.



Bliss Signal

Bliss Signal é o resultado da comunhão entre James Kelly e Jack Adams. O primeiro, figura conhecida nas lides da música de extrema com os saudosos Altar of Plagues, é também um agitador das tendências electrónicas enquanto WIFE, o seu projeto a solo com um foco nos subs e nas batidas. Já o segundo assina produções enquanto Mumdance, que ao lado do conterrâneo Logos se assume como nome charneira do weightless, estilo musical desenvolvido durante o início da presente década que interseta as batidas viperinas do grime com as texturas envolventes da música ambiente. Juntos, ladeiam uma cúmplice relação de companheirismo, conciliando peso e atmosfera em igual medida. Drift, primeiro, e o álbum de estreia homónimo, logo depois, marcaram os primeiros trabalhos dos britânicos enquanto duo, forjando um interessante meio termo entre o shoegaze o black metal. Os elementos estão todos lá: paredes opulentas de som implacável, ambientes cintilantes e riffs crus de baixa fidelidade, tudo envolto numa nuvem de texturas atmosféricas. As suas composições são ruídosas, mas a progressão dos acordes é leve e inspiradora, balançando entre o lúgubre e o eufórico, o caos e o assombro.

A estreia em Portugal acontece no dia 12 de outubro, esperando-se um espetáculo intenso, cáustico e inebriante por parte desta dupla imporvável. 



Daughters

Oito anos após o seu último lançamento, os experimentalistas post-hardcore Daughters regressaram com um novo disco, You Won’t Get What You Want (considerado pela equipa da Threshold Magazine como o melhor álbum do ano passado), que desconstrói o seu próprio som e o reanima num novo “monstro” sonoro. Partindo do seu autointitulado álbum de 2010, o quarteto liderado por Alexis S.F. Marshall expande e escurece a tonalidade, utilizando efeitos de guitarra e teclados que soam ainda mais esquizofrénicos do que antes.
O ritmo desenfreado continua a ser um elemento comum, conseguindo mesmo assim obter alguns ritmos mais moderados, uma instrumentação industrial minimalista e um trabalho de bateria inigualável. Os sons que o guitarrista Nicholas Andrew Sadler tira dos seus instrumentos são incomparáveis, e o seu estilo frenético tem poucos contemporâneos. 


Os americanos ainda se mantêm difíceis de definir, mas com You Won’t Get What You Want reinventaram-se e passaram para algo mais inquietante e catártico, porém mais arrebatador e brilhante que nunca. Para a sua muito aguardada estreia em Portugal, a banda promete trazer o seu caos controlado ao Amplifest no dia 12 de outubro.


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