sábado, 2 de fevereiro de 2019

Darkswoon - "Red Ferrari" (video) [Threshold Premiere]


Darkswoon is an electronic shoegaze band from Portland, OR. Originating as the bedroom project and primary creative outlet of Jana Cushman, Darkswoon has since evolved into an energetic trio, with Cushman crooning on vocals and guitar, Rachel Ellis stacking the electronic backbone of danceable beats and haunting synth lines, and all of it punctuated by the intelligent, rhythmic bass lines of Andrew Michael Potter. The band evokes old school goth and post punk of early 4AD label darlings, but maintains a modern edge and originality. 

Their first full length album, Bind, is expected in the 2nd of February 2019 on Icy Cold Records, an independent label in cooperation with Manic Depression Records. The album will be released on CD in february and on vinyl in march. They released today the video for the first single of the album. It was directed by Julia Calabrese.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Reportagem: Sevdaliza [Capitólio, Lisboa]


Hoje recordamos um dos concertos que mais nos marcou no transato ano de 2018. No passado dia 29 de novembro, o Capitólio, em Lisboa, recebia, no que foi sentido como pura aparição sobrenatural, a figura de Sevdaliza, cantora e artista holandesa já querida do público português, depois de por cá passar na última edição do Super Bock Super Rock. 

O concerto foi obra de arte total, reiterando a imagem que a artista já detinha - de multidisciplinaridade, com uso de uma forte componente visual e um impressionante jogo de meios, presenças e ausências em palco. A cada música apresentada a sua performance renovava-se, transmutando-se para algo completamente único e diferente do anteriormente exibido. Os meios, os modos, a sua postura – ora vulnerável, ora inquebrável; ora etérea, ora tangível -, os instrumentos visuais e virtuais utilizados atualizavam progressivamente a conceção que tínhamos do concerto, adicionando-lhe novas vertentes, novas formas de ver e sentir a corporização de uma música ao vivo. Era como se um plano se extravasasse da sua natureza rasa para se transfigurar num prisma em que cada nova face concorre para a extravagância, monumentalidade e originalidade do todo. Já nos era conhecida toda a elaboração e atenção estética com que a artista acompanha os seus trabalhos musicais, através dos criativos e disruptivos videoclips que foi lançando ao longo da sua ainda curta, mas já muito prolífera, carreira musical. Talvez por isso permanecesse a questão de como seria essa indissociável componente visual transmitida para uma apresentação ao vivo. Sevdaliza conduziu um concerto como quem cria de raiz a exposição de uma inteira coleção de obras visuais. Desde a elaboração de cada peça à conceptualização do todo e sua apresentação no espaço e tempo. O resultado excedeu qualquer idealização.



Mas tornemos a coisas mais tangíveis: ainda antes das 21h a artista era ansiosamente esperada pela devoção gritante de um público que tinha tanto de híbrido como peculiar, uno apenas na agitação e veneração evidente pelo que se adivinhava. O volume de corpos que faltava para esgotar o espaço foi bem compensado pelo mar de aplausos frenéticos e gritos de amor com que se brindou o simples apagar de luzes. Soavam os primeiros acordes de "Voodoov" enquanto o palco se envolvia em penumbra, dados pelos já presentes membros da banda que a acompanhou em palco. A artista chegaria só mais tarde, causando de novo grande comoção, após os primeiros versos de "Libertine", que foram ainda lançados do além por uma voz cristalina, acompanhada de projeções em direto de fios e material no backstage. 

Ao longo do concerto vimos a sua figura passar de um registo cru e imponente, acompanhando o hino "Human" com uma coreografia e postura que prostrariam qualquer diva pop, passando por uma intimista reprodução de "Shahmaran", com a artista sentada ao piano, para uma ainda não editada "Kalim" onde vemos pela primeira vez uma métrica muito próxima do rap. Vemos os rasgos habituais de trip-hop serem transpassados numa também nova "Rhode" para um registo mais pesado, onde se misturavam registos eletrónicos agressivos, intensificados por um violento strobe enquanto uma operadora de camera captava em direto um close up do seu rosto, em palco, sempre variante, sempre transfigurado para emoções e sensações diferentes. A progressão performática deu ainda lugar à presença de uma bailarina de figurino discreto, que oscilava entre movimentos clássicos, apresentando-se em pontas, ou contemporâneos, interagindo em vários momentos com Sevdaliza. Momentos de uma sensibilidade e beleza extrema, sempre imensos em significado, numa dança de poder, devoção e prostração que podiam muitas vezes ser descritos como maternais.



O seu corpo, em palco, tornava-se muito mais do que veículo material da sua pessoa. Tornava-se parte integrante de uma composição total, emanando uma força intensa e variante, plena de um sentimento profundamente humano, mas ainda de uma certa emoção estética, quase sobrenatural. No fundo, era essa dicotomia e assombro que mantinha todos os olhos lacrimejantes e vidrados na sua figura, sentindo que tudo aquilo era demasiado para absorver e processar humanamente.

A fotogaleria do evento promovido pela Sons em Trânsito pode ser consultada abaixo.


Texto: Carolina Couto
Fotografia: Virgílio Santos

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Mais duas mãos cheias de nomes para o Tremor


Hoje foi dia de mais uma ronda de confirmações para a próxima edição do Tremor. O festival açoriano vai contar com as actuações dos brasileiros TETO PRETO e Maria Beraldo, a festa de Za!, Chupame El Dedo, Free Love e Vive la Void, as residências artísticas de Lieven Martens, Edições CN, Rafael Carvalho + FLiP + Convidados e ainda Natalie Sharp's Earthly Delights.

O Tremor regressa à ilha de São Miguel entre 9 e 13 de Abril. Os bilhetes podem ser adquiridos nos locais habituais.

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Deerhunter vão a Paredes de Coura


Liderados pelo carismático frontman Bradford Cox, os Deerhunter apresentaram-se em 2001 com singulares misturas de sonoridades experimentais e de pop melancólico. Com o indie rock e o rock experimental de Turn It Up Faggot (2005) e Cryptograms (2007), os Deerhunter atraíram a atenção da indústria musical, mas foi o exuberante Microcastle (2008) que marcou o rumo da banda norte-americana. Apesar do sucesso rapidamente atingido o quarteto continuou a desafiar-se e a procurar novos estilos. Reflexo desse novo percurso são as sonoridades cruas que ouvimos em Monomania (2013) e a delicadeza, porém assertiva, do mais recente álbum Why Hasn’t Everything Already Disappeared?. O oitavo disco de estúdio foilançado no início deste ano e já conta com temas que, segundo a crítica, entram directamente no catálogo de músicas essenciais de 2019, como é o caso de “No One's Sleeping”, “Element” e “Death in the Midsummer”. 
O indie rock experimental dos Deerhunter é a mais recente confirmação para o terceiro dia do festival, 16 de Agosto. O Vodafone Paredes de Coura está de regresso à Praia Fluvial do Taboão entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow Days,Connan Mockasin, Balthazar, Boogarins e First Breath After Coma
Hoje é o último dia para adquirir os passes gerais para a 27.ª edição do festivalpelo preço especial de 84€, a partir de amanhã, dia 1 de Fevereiro, passam a custar94€. Os pontos de venda são bol.pt, Ticketea, See Tickets e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...).

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Reportagem: Preoccupations [Hard Club, Porto]


No passado sábado os Preoccupations tocaram no Hard Club, sendo esta a segunda data da sua tour europeia que começou na sexta-feira anterior em Lisboa. Ambos os concertos contaram com a assinatura da At The Rollercoaster. A última vez que os Preoccupations nos visitaram foi por ocasião do décimo aniversário do Musicbox.

Com concerto marcado para as 22h, a sala 2 do Hard Club estava a essa hora meio cheia, mas com uma plateia colada às grades (eu incluído) e ansiosa para os ver/rever (conforme o caso). “Os”,  que neste caso, são a banda anteriormente conhecida por Viet Cong. E a verdade é que muito mudou desde que os vi. A começar pelo seu nome

Conhecidos desde 2012 como Viet Cong, o seu nome é também sinónimo d’A Frente Nacional para a Libertação do Vietname. Este grupo surgiu antes da guerra do Vietname, e os seus integrantes eram designados por vietcongues AKA Victor Charlie (VC’s) pelas tropas norte-americanas. Para simplificar a equação, digamos que eles ficaram nos anais da história como o inimigo a abater na guerra do Vietname, sendo que os EUA e o Vietname do Sul eram os bons da fita. E o facto de quatro gajos brancos do Canadá terem adoptado este nome foi para alguns membros da comunidade internáutica um insulto (leiam comentários de gente ofendida aqui e aqui). A polémica atingiu proporções tais que a banda viu-se obrigada a lançar uma série de statements públicos para se desculpar do sucedido e anunciar a mudança de nome. É curioso pensar que quando há 40 e tal anos, quando quatro gajos de Salford decidiram adoptar para o seu colectivo o nome dos grupos das mulheres judias que, durante o holocausto, eram mantidas em campos de concentração para satisfação sexual dos nazis, este grupo se tornaria numa das mais celebradas, copiadas e mediatizadas bandas de todos os tempos. 


Sobre esta questão, o Andy Gill dos Gang of Four saiu em defesa dos canadianos:

It's a little ridiculous to ban bands for their name. We can all think of dozens of bands with really quite offensive names and as soon as you get into being the guardian of public morality, taking it upon yourself to decide what's OK and what is not, you are acting in an illiberal, undemocratic and anti-progressive way. People should be treated as grown ups, capable of making their own decisions. We should not be deciding for people what we think they are capable of understanding or not. Artists; film-makers, writers, musicians need to be un-censored so they can make their point, political or otherwise. (origem)

Questões políticas, liberdades de expressão e mudanças de nome à parte, a verdade é que eis que das cinzas dos Women se ergueu um dos mais complexos fenómenos do post-punk contemporâneo. Com raízes nos Birthday Party e na fase negra dos Bauhaus, os Preoccupations bebem também inspiração de grupos como os Rallizes Dénudés e This Heat. Enquanto que o Cassette e Viet Cong eram trabalhos mais crus e exploratórios, os dois últimos álbuns, Preoccupations e New Material são esforços mais estruturados. Os vocais estão mais presentes e as semelhanças com os Teardrop Explodes tornam-se mais aparentes. Estas mudanças resultam numa clara maturação da sonoridade dos Preoccupations. Está mais estruturada, mas um pouco mais contida do que nas suas primeiras incursões. Ouça-se por exemplo os temas "March of Progress" ou a "Death". Agora comparem estes temas com "Disarray" ou "Anxiety" e observem como a sua faceta expansiva assente no noise se perdeu algures pelo caminho, privilegiando a repetição, as vozes e os teclados. Para os Preoccupations, esta necessidade de se reinventarem será possivelmente uma questão de sobrevivência artística e/ou uma vontade de trabalhar sobre novas linhas estéticas. Se a mudança é benéfica ou maléfica acaba por ser uma questão de gosto pessoal. Por um lado, temos direito a um produto final mais complexo em termos de camadas sonoras e, ainda assim, mais definido. Por outro lado, é possível que o estado de indefinição não-convencional dos seus esforços iniciais fosse a marca mais forte da sua identidade.  

Estas questões, porém, não se colocam quando falamos de performances ao vivo. 
No Hard Club, os Preoccupations interpretaram uma setlist de luxo. Tocaram o Viet Cong na integra, dois temos do Preoccupations e 3 temas do New Material, com o momento alto desta montra fresca a acontecer com a interpretação de "Disarray", um dos novos singles dos canadianos. E mais do que uma setlist de luxo, teve lugar naquela noite uma performance de excelência.  A sinergia entre todos os elementos é sublime – o alinhamento dos Preoccupations é o mesmo que sempre foi e a cumplicidade dentro e fora de palco é evidente — e a sua faceta expansiva continua presente, amplificada pelo êxtase de uma performance ao vivo.


Fotografia capturada durante a performance dos Viet Cong no NOS Primavera Sound 2015.

Foi em 2015 que nos deslocámos de propósito ao Primavera para assistir à estreia ao vivo dos então Viet Cong em Portugal. E desde essa ocasião (a única em que os vi), muito mudou. Mas julgando por aquilo que testemunhei no passado sábado no Hard Club, as coisas para os Preoccupations mudaram para melhor. 

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A festa dos 10 anos do Blog BranMorrighan continua esta semana no Maus Hábitos


Depois de uma festa vibrante e cheia de ecos bonitos em Lisboa, as comemorações dos 10 anos do blog BranMorrighan chegam ao Porto já daqui na próxima sexta-feira, dia 1 de Fevereiro, ao icónico Maus Hábitos. À semelhança do que aconteceu em Lisboa, o cartaz do Porto revela um espectro eclético de sonoridades, reflectindo assim a riqueza sonora da música portuguesa. 

Nesta noite será possível ver Algumacena (novo projeto de Ricardo Martins e Alex D'Alva Teixeira), Galo Cant'Às Duas e Whales (com convidados de First Breath After Coma), tanto em banda como em dj-set.

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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O fim de semana do Mercado Negro faz-se de Punk-Rock e Acid-Techno

fim-de-semana-mercado-negro-punk-rock-acid-techno

A Associação Mercado Mercado Negro, em Aveiro, continua a senda de internacionalização e diversificação que tem pautado os eventos de 2019.

Depois dos concertos dos lisboetas Sun Blossoms, The Twin Stoners (França) e de Tamar Aphek (Israel), o próximo fim de semana mantém a lógica plural que envolve vários públicos, origens e sonoridades.

A acabar um Janeiro pautado por vários derivados do rock, o último dia do mês traz-nos FAVX, trio de Madrid que regressa a Portugal numa tournée com início na cidade dos canais.

A banda, que conta com presenças em palcos como o Monkey Week , na Andaluzia, ou o mítico SXSW em Austin, Texas, acaba de lançar o EP de estreia com o nome - Welfare – a fazer jus ao arsenal de influências que têm um único denominador comum: o caos e o ruído frenético.

Num grunge que não é bem grunge, ou num punk que não pode ser bem punk, FAVX são a aposta de mais um serão no Mercado Negro rock, numa onde os fãs de Nirvana e Parquet Courts bem podiam saltitar juntos na plateia.


Já na noite de Sábado, tida como o coração do fim de semana, a cabeça torna-se o órgão vital com Ernesto Gonzales, ou melhor, Bear Bones, Lay Low: alter-ego do músico e produtor venezuelano tido como uma das figuras incontornáveis da cena psicadélica/experimental entre Flamengos e Valões.

Residente na Bélgica a mais de uma década, o Ernesto destaca-se pelos diversos projectos com que bombardeou a cena belga, desde o krautrock obscuro dos Silvester Anfang ao drone profundo da dupla Steenkiste / Gonzales e chega agora a Portugal – e ao Mercado Negro – com um verdadeiro estatuto de ‘wunderkid” (prodígio) a Norte de Estrasburgo.

Sendo o seu projecto mais recente, Bear Bones, Lay Low mostra a veia mais experimental sob a conjunção abrupta entre o analógico, o ecstasy e o digital. 




Ambos os concertos valem 4€ com reserva (5€ no dia)- 
Reservas de FAVX aqui
Reservas de Bear Bones, Lay Low aqui.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Reportagem: Jessy Lanza [Pérola Negra, Porto]


A agenda musical do recém-criado Gig Club arrancou oficialmente. A promotora que é também um clube promete revolucionar a indústria dos concertos nacionais e além fronteiras através de eventos à subscrição, e assinou na semana passada os primeiros eventos de música ao vivo com a música e produtora canadiana Jessy Lanza, que se apresentou pela primeira vez no país em nome próprio para duas datas a ter lugar no Porto, no Pérola Negra (dia 23), e em Lisboa, no dia seguinte, para uma performance no Lux Frágil.

O concerto de dia 23 marcou um dos muitos momentos excitantes do Gig Club. À premissa inovadora e refrescante da promotora juntou-se um dos espaços icónicos da movida portuense - o renovado Pérola Negra que, nas últimas semanas, tem vindo a agitar a atividade noturna da cidade com alguma da melhor oferta musical praticada de momento (The Field, Pional Niagara foram alguns dos muitos nomes que animaram a programação do espaço).

Depois de ter marcado o circuito festivaleiro português em 2017 com três datas divididas entre o aquecimento do NOS Primavera Sound, o Lisboa Dance Festival e o NOS Alive, Jessy Lanza regressou ao país para apresentar os temas que compõem o curto mas aclamado corpo de trabalho da produtora. No ativo desde 2013, o percurso musical da canadiana é pautado por uma constante exploração dos quadrantes que marcam o vasto e sempre imprevisível universo da música pop. Oh No, o segundo e mais recente álbum de Lanza, recebeu novamente edição pela britânica Hyperdub, de Steve Goodman (aka Kode 9) e que nos ofereceu discos tão importantes como Untrue, de Burial, ou Quarantine, de Laurel Halo. Na segunda aventura da canadiana pelos longa-duração, assistimos ao aperfeiçoamento das caraterísticas apuradas no seu álbum de estreia: linhas de baixo sedutoras, batimentos pautados pela cultura club (do bass ao footwork) e uma sensibilidade pop bem delineada. A promessa de nova música já está anunciada, e um terceiro lançamento poderá estar à espreita.



O alinhamento da noite de quinta-feira debateu-se sobretudo nas músicas que compõem os seus dois discos de estúdio, iniciando o concerto ao som da discreta mas sensual “I Talk BB” para uma plateia algo inibida. Atrás da produtora avistam-se imagens que alternam entre o quotidiano pacato da sua terra-natal, Hamilton, e cornucópias de cores múltiplas, assim como algum do trabalho audiovisual presente nos seus telediscos. Seguem-se as linhas de sequenciador marcantes de “New Ogi” e o hook viciante de “Kathy Lee”, que é já uma das trademarks do catálogo da produtora. Os ânimos tomariam outro nível quando, em “Never Enough”, a produtora ultrapassa a barreira fria entre palco e plateia.  A partir daí, não tardaram em surgir os temas mais agitados da canadiana, desde o frenesim house de “VV Violence” à batida arritmada de “It Means I Love You”. O trabalho produzido durante a sua residência artística, realizada no ano passado a convite da BBC Radio One, também parece ter circulado durante o alinhamento. Essencialmente instrumental e mais liberta que nunca, este tema inédito serviu de interlúdio perfeito para um trabalho que se aparenta cada vez mais eminente.

A reta final do concerto guardou-nos a belíssima rendição de Lanza em “Oh No”, o tema que dá título ao mais recente álbum da canadiana e que melhor salienta as capacidades da produtora como criadora de atmosferas densas e sumptuosas. Já no encore, Lanza regressa ao palco para mais um tema, desta feita para uma performance de “You Never Show Your Love”, o single editado pela Hyperdub em 2017 que a juntou a duas lendas do footwork de Chicago – Taso e DJ Spinn, duas das maiores influências da canadiana juntamente com o saudoso DJ Rashad. O equilíbrio entre as propriedades cristalinas da voz da canadiana com as produções esparsas e assertivas dos produtores serviram como epílogo perfeito para uma noite onde ritmo e sensualidade tiveram especial relevo.

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