sábado, 9 de fevereiro de 2019

[Review] José Valente - Serpente Infinita


Serpente Infinita | Respirar d’Ouvido | novembro de 2018
8.4/10

infinito | adj. | adj. s. m. | s. m. | adv.
in·fi·ni·to 
1. Não finito; sem fim.
2. Ilimitado, eterno.
3. Absoluto.
4. Inumerável.

José Valente, violetista e um dos mais versáteis compositores e autores de música em Portugal, autor de discos como Os Pássaros estão estragados, uma obra magnífica de 2015, capaz de causar as mais diversas sensações no corpo e mente humana. Também é este José Valente, o músico que actuou em locais como o Arquipélago, no extraordinário concerto no Festival Tremor e na Casa da Música, no Porto. O mesmo que nos apresenta Serpente Infinita, ou como, após audição, lhe poderíamos chamar de “o ar que respiramos no dia-a-dia”. É um disco composto por dez faixas, contando com poemas de Ana Hatherly, declamados por Marta Bernardes, ajudando a dar mais magnificência ao disco do compositor.

"Serpente Infinita", primeira faixa, é o início, um acordar tardio, que nos envolve pelo som da viola tocada pelo compositor, como se de uma banda sonora da vida quotidiana se tratasse. Imaginando-nos num filme, em que coube então ao artista musicar o dia desta personagem, que vive num sonho acordado, inebriado pela loucura e rapidez da vida moderna que faz com que vivamos embrenhados e sem tempo.

“Era uma vez uma serpente infinita, como era infinita não havia maneira de saber onde estava a sua cabeça.”


Mais à frente, nesta nossa fita cinematográfica surge-nos “Relações Entre Indivíduos”, uma faixa mais acelerada, como se de uma corrida com o tempo se tratasse, estando o nosso personagem talvez a correr para algo distante e não tendo muito tempo. Ressoam aqui as sonoridades do que poderá ser considerado também free jazz, puro improviso com muita da sabedoria que José Valente transmite ao longo deste Serpente Infinita, que é imagem da sociedade actual. Isso é possível ouvir em “Por mais 50 cêntimos” em que Marta Bernardes descreve um dia de um indíviduo, a sua rotina, entediante, cheia de actos que consideramos iguais todos os dias, como apanhar o metro, acordar, chegar ao trabalho.


É isto que faz com que este seja um disco de essencial audição apesar de lançado tardiamente em 2018. São faixas como “Todos os Dias”, “Laranja Mêcanica” ou até mesmo “Respiração Interrompida” que fazem corroborar todo o que acima foi dito e descrito. A música como meio de expressão dos dias, a música mais clássica que passa por contemporânea, algo que José Valente faz da melhor maneira tentando chegar às pessoas e tendo uma mensagem de que a música considerada clássica sabe reinventar-se, sabe ocupar o seu espaço na actualidade, ocupando cada vez mais espaço fruto do cansaço acentuado de uma sociedade que necessita de algo que expresse o que se sente, o suspense, o caos, o trauma, tudo neste disco como, mais uma vez, de um filme se tratasse e com a banda sonora levada a cabo por José Valente.

É de notar semelhanças a Bohren & Der Club of Gore, Penguin Café Orchestra, o misto do jazz com o ambient. O free jazz pode passar também pela viola, pelo violino ou mesmo pelo violencelo. Por isso, sente-se e acompanhe o filme, desfrute do que a música pode transmitir e pode causar dentro de si. Às vezes não são precisas palavras para demonstrar o que sentimos e é isso o que é feito em Serpente Infinita.

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

STREAM: Nivhek - After its own death / Walking in a spiral towards the house


A música e compositora norte-americana Liz Harris, conhecida na indústria musical como Grouper, lançou hoje um novo álbum duplo sob um novo moniker - Nivhek

Composto por quatro faixas de longa-duração, After its own death / Walking in a spiral towards the house, o nome do disco em questão, junta colagens opacas de mellotron, guitarra, gravações de campo, fitas e pedais FX quebrados, desenvolvidas durante e depois de duas residências contrastantes nos Açores e em Murmansk, na Rússia, combinadas com peças produzidas na sua terra-natal. 

Harris cita ainda Hypnosis Display, filme do realizador Paul Clipson musicado pela norte-americana em 2014, como um ponto de referência composicional, descrevendo as peças como "um réquiem, um ritual para destravar e libertar sentimentos ... uma redução tóxica concentrada em algo muito mais negro que fervilha no fundo". O disco, que recebe edição limitada pela sua editora Yellow Electric, encontra-se agora disponível para audição integral no Bandcamp da artista.

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Suede em Paredes de Coura


Considerados uma das mais populares e importantes bandas do Reino Unido, os Suede foram os responsáveis pelo primeiro passo da revolução da pop britânica dos anos de 1990. A banda inglesa empurrou o indie pop/rock para bem longe de todo o ciclo vicioso de misturas entre shoegazing e dance-pop instauradas pelo movimento Madchester e devolveu a pureza e misticidade ao pop britânico. 
Inspirados pela extravagância de David Bowie e pelo pop romântico dos The Smiths, os Suede criaram melodias com fortes e arrebatadoras guitarras e sonoridades sombrias e descaradamente ambiciosas. O álbum de estreia da banda, Suede (1993), atraiu de imediato a atenção da imprensa especializada, mas foi com o terceiro disco de originais que alcançaram o primeiro sucesso comercial: Coming Up, de 1996, atingiu o número um no Reino Unido. Head Music (1999) e A New Morning (2002), continuaram a afirmar o quinteto como uma das mais importantes bandas da cena musical inglesa. Após muita especulação e uma longa pausa de sete anos, os Suede regressaram aos palcos e editaram Bloodsports (2013), que segundo o vocalista Brett Anderson, resulta de uma mescla de sonoridades presentes em Dog Star Man e Coming Up

Mais recentemente, em Setembro de 2018, os Suede apresentaram o oitavo álbum de estúdio, The Blue Hour, um disco produzido por Alan Moulder que nos transporta até às raízes do rock alternativo.

Os pioneiros do britpop Suede são a mais recente confirmação para o último dia do Vodafone Paredes de Coura, 17 de Agosto. A música está de volta à praia fluvial do Taboão entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow DaysConnan Mockasin,Balthazar, Boogarins, First Breath After Coma, Deerhunter, Jonathan Wilson Alvvays.
Os passes gerais para a 27.ª edição do Vodafone Paredes de Coura podem ser adquiridos em bol.pt, Ticketea, Seetickets, Festicket e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 94€. 

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Daydream - "A Patched Love" (single) [Threshold Premiere]


Daydream is a trio formed in this, the year of our lord 2019, by Enzo Pepi (Guitar, Vocals), Dalila Mammana (Bass) e Stefania Papa (Percussion). Even though they're based in southeast Sicily, their sound brings them closer to western geographies, given their proximity with the likes of Dinosaur Jr.Chapterhouse, and any other band that's on the uncompromising limbo that sits between the universes of shoegaze, dream pop, and noise rock. On the 22nd of March of this year, Daydream is going to release their debut self-titled LP via Noja Recordings. In the meantime, the Italian trio has already released a video for their album closer track, fittingly called "The End". 

Without vocals, this instrumental track is filled with warm layers and minimal sound walls that give us just the right amount of space to wander off to the reminiscence of our most precious summertime memories. It's also a perfect teaser for things to come. 

In the meantime, we'll leave you with Daydream's self-titled LP album cover, tracklist and also with it's opening single, called "A Patched Love". 




Daydream Tracklist:

01. A Patched Love 
02. I Am A Wonderful Mechanism 
03. It Rains On My Soul 
04. I Will Walk The Red Carpet 
05. The Stone Is Radiant 
06. Electric Silence 
07. Plug 
08. The Night Of The Living Dead 
09. I Don't Really Have To Wake Up 
10. My Heart Beats Calmly 
11. End

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Vivarium Festival traz Tim Hecker e Proc Fiskal ao Porto


O Vivarium Festival regressa ao Porto entre os dias 28 e 30 de Março para a sua segunda edição. Com um programa que cruza as áreas da música, performance, dança interativa, artes visuais, new media e pensamento, o evento ambiciona abrir um debate sobre as divergências e convergências entre Inteligência Natural e Inteligência Artificial. Serão três dias de intensa programação que, pela primeira vez, se estenderão à cidade: Passos Manuel, Ateneu Comercial e Reitoria da Universidade do Porto, para além da casa-mãe, o espaço de intervenção cultural Maus Hábitos

Na componente musical, o principal destaque da edição vai para o seminal artista sonoro Tim Hecker, que regressa ao Porto para uma performance única. Konoyo, o seu mais recente disco pela obrigatória Kranky, juntou o produtor canadiano a Kara-Lis Coverdale e ao ensemble gagaku Tokyo Gakusu para um trabalho de proporções épicas sobre, e citando as palavras de Hecker, "o espaço negativo e uma sensação de densidade cada vez mais banal na música". 

Em estreia nacional teremos Elizabeth Brown, compositora norte-americana cujo trabalho se tem desenvolvido na criação de um espaço de experimentação para o tereminNo campo da música clubbing, Proc Fiskal, produtor irlandês apontado como um dos mais interessantes nomes da nova vida do grime, apresenta-se no Porto com a sua mais recente aventura discográfica. Insula, editado em 2018 sob a cinta da britânica Hyperdub, valeu-lhe elogiosos comentários por parte dos meios especializados, inclusive um merecido 14º lugar na lista dos melhores lançamentos do ano da revista The Wire.



O programa de dança olha com particular detalhe os fios que ligam o “animal e o super-homem”. Confirmadas estão já as performances de Jung in Jung, Poetic Corner(s), uma apresentação multidisciplinar onde a tecnologia serve de impulso à estimulação coreográfica, mediando a relação entre o corpo e o som. Estreia em Portugal também para Nun on the Moonde, de Dasniya Sommer, bailarina e coreógrafa que se tem dedicado a explorar as possibilidades performativas da milenar arte shibari (bondage japonês).  

Nas artes visuais e aproveitando a coincidência com o 18º aniversário do Maus Hábitos, será exibida uma exposição colectiva que revisita e reinterpreta o arquivo fotográfico que a casa tem vindo a acumular ao longo de mais de uma década de actividade. Confirmados estão já os trabalhos de Antoine d’Agata, Justine Emard, Daniel Pires e Isaque Pinheiro.   

O Vivarium Festival contará ainda com um workshop em realidade mista orientado por Isabel Valverde e a conferência de filosofia Criar conceitos - Seguir regras: Um diálogo improvável entre Deleuze e Wittgenstein, mediada por Sofia Miguens Travis. A programação completa do Vivarium Festival será anunciada no final de fevereiro.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sarah Davachi e Eiko Ishibashi na agenda da Galeria Zé dos Bois



A Zé dos Bois anunciou a presença de mais dois nomes de peso para a programação dos próximos meses. São eles Sarah Davachi e Eiko Ishibashi

A primeira apresenta-se no aquário do Bairro Alto em março, dia 13. Com apenas seis anos de carreira, Sarah Davachi conta já nove edições de longa-duração pelos mais diversos selos, mas foi apenas em 2017 que o falatório à volta da música e compositora canadiana se instaurou globalmente. As cinco peças que compõem All My Circles Run, disco editado nesse ano, aproximaram o universo de Davachi a nomes tão conceituados como Pauline Oliveros ou Phil Niblock, valendo-lhe elogiosos comentários por parte dos meios especializados. Let Night Come on Bells End the Day, editado no ano transacto, valeu-lhe um merrecido sexto lugar na lista da Wire dos melhores lançamentos do ano, estabelecendo, assim, a sua posição como uma das figuras abençoadas da composição moderna. Um dia antes, a artista apresenta-se em Coimbra para uma performance no Salão Brazil.


Eiko Ishibashi foi capa da Wire volume do passado mês de dezembro, onde surge acompanhada pelo génio de Jim O'Rourke, que a apadrinhou com a gravação dos seus últimos discos. The Dream My Bones Dream, editado no final do ano passado pela conceituada Drag City, voltou a receber o dedo mágico de Jim O’Rourke e tornou-se num dos mais admiráveis discos do 2018. É com ele que Ishibashi forma também os Kafka's Ibiki, trio instrumental que integra também o japonês Tatsuhisa Yamamoto. O corpo de trabalho da japonesa inclui ainda colaborações com Merzbow, Oren Ambarchi ou Keiji Haino. Em maio, a compositora e multi-instrumentista junta-se ao percussionista australiano Joe Talia para duas datas a ter lugar na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, no dia 16, e em Braga, no dia seguinte, para uma performance no gnration.

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BLOOD BLUSH - "Sea of Doubt" (video) [Threshold Premiere]


"While the instrumentation in Blood Blush is relatively bare bones, its music is haunting and complex. Based out of New York City, Blood Blush is a post-punk, dreamy goth trio with music that washes in and out like a ghost whispering in your ear. Its music pulses and drives you forward while giving a nostalgic feeling of moving backward at the same time, using gory situational imagery to evoke the same feelings within the listener. Blood Blush moves from dark to light, shining through the entire spectrum of human emotion." - Katie Halligan.

The band is releasing their new video, for "Sea of Doubt". This song is about being around a person that will ultimately lead to your own personal demise. Trying to get away from bad people is a simple theme of the song. "Sea of Doubt" is from the upcoming EP Doubts and is to be released on April 2nd, 2019 by Rock Hand Records

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Alvvays vão a Paredes de Coura


Misturas de segmentos pop, como o indie pop, dream pop e twee pop formam as melodias rítmicas de Alvvays. A banda natural de Toronto nasceu da vontade de Molly Rankin em seguir as pisadas do pai - filha de John Morris Rankin, membro da popular banda canadense The Rankin Family - e com a ajuda da amiga de infância, Kerri MacLellan, em 2010 editou o primeiro EP a solo She. Mas rapidamente, Rankin transformou a sua visão musical num quinteto, ao qual se junta Kerri MacLellan, Alec O’Hanley, Brian Murphy e Phil Maclsaac.  
O furor que o tema “Adult Diversion” causou nas plataformas online atraiu a atenção da editora Polyvinyl Records e garantiu à banda o lançamento do disco de estreia, Alvvays (2014). Amplamente aclamado pela crítica, o álbum homónimo, proporcionou a Alvvays inúmeros concertos, inclusive a passagem por alguns dos maiores festivais de verão como o Glastonbury em 2015 e o Coachella em 2016. Entre apresentações, a banda continuou a desenvolver novos temas, mas foi Rankin que acabou por escrever o segundo álbum de originais quando se isolou numa escola abandonada nas Ilhas de Toronto. Gravado entre Los Angeles e Toronto o resultado pode ser ouvido em Antisocialites, lançado em Setembro de 2017. 
Alvvays são a mais recente confirmação para a 27.ª edição do Vodafone Paredes de Coura, o quinteto actuará no dia 15 de Agosto. O Vodafone Paredes de Coura está de regresso entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow DaysConnan Mockasin,Balthazar, Boogarins, First Breath After Coma, Deerhunter e Jonathan Wilson. 
Os passes gerais para a 27.ª edição do festival podem ser adquiridos em bol.pt, Ticketea, Seetickets, Festicket e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 94€.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Jonathan Wilson confirmado no Vodafone Paredes de Coura


Jonathan Wilson nasceu em 1974, mas a sua música transporta-nos para um período anterior ao seu nascimento. Sonoridades profundas e ao mesmo tempo suaves relembram-nos o período rock do final de 1960 e do início de 1970. O primeiro projecto a solo, intitulado Frankie Ray, foi editado em 2007 e Jonathan Wilson decidiu liderar todos os instrumentos presentes em cada tema, mas em 2011, o segundo disco, Gentle Spirit, já conta com a participação de vários músicos como Gary Louris, Chris Robinson, Barry Goldberg e Gary Mallaber. Mais recentemente e após acompanhar Roger Waters e Meshell Ndegeocello em digressão, Jonathan Wilson está de regresso com Rare Birds, o ambicioso quarto álbum de estúdio que conta com a colaboração de Father John Misty e Lana Del Rey
Pela primeira vez na Praia Fluvial do Taboão, o soft rock de Jonathan Wilson está agendado para o terceiro dia do festival, 16 de Agosto. O Vodafone Paredes de Coura está de regresso entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow DaysConnan Mockasin, Balthazar, Boogarins, First Breath After Coma e Deerhunter.
Os passes gerais para a 27.ª edição do festival podem ser adquiridos em bol.pt, Ticketea, See Tickets e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 94€. 

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Montanhas Azuis apresentam Ilha de Plástico na Culturgest


Chega em Fevereiro às lojas e aos palcos o disco que junta Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas. Ilha de Plástico, o longa duração a ser editado pela Revolve, sela a colaboração que os três músicos iniciaram no ano passado sob o nome Montanhas Azuis. A primeira oportunidade para o ver ao vivo já está marcada: dia 15 de Fevereiro na Culturgest, em Lisboa. O single de avanço "Faz Faz" já se encontra disponível.   
O combo de Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas remete-nos para sul, para um continente isolado, e para paisagens desconhecidas nos caminhos trilhados pelos três virtuosos. Assim, o grupo cruza os rendilhados bucólicos de Lobo, o expressionismo de Franco e a desenvoltura harmónica de Pernadas num exercício geográfico novo para os membros desta contração de paragens tão distintas. Sintetizadores e guitarras colidem, lentamente, em camadas texturizadas com rugosidade analógica. O que acontece em concerto às mãos deste trio de luxo é perene, e habita esse espaço plena e singularmente. As imagens também estão presentes pelas mãos de Pedro Maia, o guia cinemático desta aventura excursionista.  
Os bilhetes para o concerto de apresentação do álbum custam entre 6€ (com descontos) a 12€ e estão à venda nas bilheteiras da Culturgest e online.

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MUPA - Música na Planície acontece em Maio e já tem nomes


De uma colaboração entre a Associação CulturMais e a Câmara Municipal de Beja, nasce um novo festival que procura integrar um amplo universo musical no centro histórico da cidade de Beja. É entre a Praça da República e igrejas, restaurantes e bares bem presentes na memória coletiva da cidade, que acontece o MUPA - Música na Planície, onde se cruzam gerações de artistas que procuram transgredir barreiras e costumes e se fundem várias escolas e géneros musicais. 

Os primeiros nomes que se juntam ao festival são certeiros: Lena D’Água volta a partilhar palco com o guitarrista Tahina Rahary, Norberto Lobo faz-nos mergulhar na sua avalanche de melodias na capela do Museu Regional de Beja, o rap crioulo mostra a sua mais recente e audaz cara com Mynda Guevara e, por fim, é possível dançar noite dentro com o espírito indomável que é Caroline Lethô

Os bilhetes estarão à venda em breve e estão disponíveis, também, à porta, no próprio dia.



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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Esta semana: Irreversible Entanglements em Portugal para três datas



O paradeiro de Camae Ayewa começou a ser globalizado no ano de 2016, aquando do falatório criado por Fetish Bones, disco que a apresentava sob o pseudónimo Moor Mother  e que recolhia excelentes críticas dos meios especializados. Poeta da presente geração negra da América, voz do seu passado, afro-futurista, feminista, revolucionária, punk, descobrimo-la também em Black Quantum Futurism, coletivo artístico e literário que constitui com Rasheedah Phillips, onde promovem a exploração D.I.Y. da arte em comunidades marginalizadas.    

A temática das comunidades marginalizadas, aliada à brutalidade e perseguição policial de que são vítimas, está na origem dos Irreversible Entaglements, coletivo onde Camae deixa cair palavras de protesto e de libertação em cima de um manto free-jazz. O grupo formou-se no início de 2015, ano de estreia discográfica para Moor Mother com a cassete Moor Mother Goddess, para participar no Musicians Against Police Brutality, ação artística despontada pelo homicídio de Akai Gurley, afro-americano de 28 anos morto a tiro por um polícia nova-iorquino. Nessa estreia ao vivo, Camae contava com o saxofonista Keir Neuringer e o baixista Luke Stewart. Meses mais tarde, o trompetista Aquiles Navarro e o baterista Tcheser Holmes juntavam-se à formação pela primeira vez para o primeiro registo em estúdio, que originaria o disco de estreia, homónimo, editado em 2017.   

Dias 4, 5 e 6 de fevereiro, o grupo apresenta-se em Portugal para três concertos a ter lugar no Salão Brazil (Coimbra), Galeria Zé Dos Bois (Lisboa) e gnration (Braga), respectivamente.    



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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Waking Life. Four Tet, Oren Ambarchi e muito mais na segunda vaga de confirmações


O Waking Life está de regresso ao Crato. De 14 a 19 de agosto, o festival alentejano celebrará mais uma edição dedicada ao melhor da música eletrónica atual, com um cartaz que prima pela qualidade e diversidade. Depois de uma primeira vaga de confirmações de luxo, onde se encontram, entre outros, nomes como Aleksi Perälä, Masayoshi Fujita,  Roman Flügel e Yussef Dayes, foi revelada esta semana a segunda vaga que irá compor o cartaz da terceira edição do festival.

Entre os destaques apontam-se os regressos de Four Tet e Nathan Fake a Portugal, assim como o regresso do britânico Ben UFO ao festival. O músico e escultor sonoro Oren Ambarchi, que nos visitou pela última vez em 2017 para uma sessão conjunta com o baterista australiano Will Guthrie, aquando do Serralves em Festa, também integra o cardápio da segunda vaga de confirmações. Figura familiar da movida portuguesa, Levon Vincent volta a marcar o calendário nacional com a sua primeira passagem pelo festival alentejano. A. Brehme, Ateq, BeatPete, Berllioz, Bruno Pronsato, Dbridge, Deadbeat, DJ Dustin, DJ SO, E/Tape Efdemin, Enkō, Forest Drive West, Funkamente, Gems Under The Horizon, Gigi Masin, Leafar Legov, Move D, Nosedrip, Pandilla Ltd, Paquita Gordon, RAMZi, Rasmus Fisker, Re:ni, Robohands, Seth Troxler, Stavroz, Tren Go! Sound System, V.I.V.E.K, Wata Igarashi Young e Warrior ZoZo completam as restantes confirmações.  

A terceira fase de ingressos já se encontra disponível e pode ser encontrada em wakinglife.pt ao preço de 115 euros.




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