sábado, 23 de fevereiro de 2019

STREAM: trash CAN - DEEPFAKE CIUDAD


A Rotten \ Fresh continua dar bons e largos passos no panorama eletrónico português e a mais recente novidade é a edição de um novo EP de trash CAN, moniker de Luan Bellussi. Dois anos após a edição de Nova Vista (primeira edição do selo Rotten \ Fresh), onde o futuro se mostrava uma psicadélica colegem do urbano com a transcendência, surge agora DEEPFAKE CIUDAD, onde o panorama é outro: a alteração da percepção sensorial é uma caótica justaposição do presente com a máquina, recém-nascida nostalgia comercial em semiautonomia.

DEEPFAKE CIUDAD chegou a 20 de feveiro e apresenta-nos seis faixas crípticas, de texturas hipnagógicas e ritmadas. "giotto 00" foi o single de apresentação e pode ser visto em baixo.



O produtor vai atuar na Galeria Zé dos Bois a 16 de março, ao lado de nomes como Giant Swan e Bonaventure. Podem ouvir na íntegra DEEPFAKE CIUDAD, disponível no Bandcamp da editora.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Reportagem: Yo La Tengo [Capitólio, Lisboa]


Foi no dia 6 de fevereiro que fomos até ao Capitólio para assistir a mais um concerto de Yo La Tengo em terras portuguesas. Aqui vieram outra vez apresentar There’s a Riot Going On, o registo mais recente da banda norte-americana, tendo saído no passado dia 16 de março via Matador Records. Um disco calmo e introspetivo, que segue a formula serena e sónica dos Yo La Tengo na composição de álbuns, mais especificamente como em And Then Nothing Turned Itself Inside-Out e I Can Hear the Heart Beating as One. O ambiente no Capitólio estava calmo, não se tratava de um concerto de black metal que íamos assistir, mas sim embarcar numa viagem pelas estrelas na nave espacial deste trio. A noite estava menos fria do que se tem estado nos últimos tempos, e por isso algumas pessoas aproveitavam para socializar um bocado antes de entrar na sala. Pela hora marcada para o começo do concerto, o Capitólio já se encontrava cheio e pronto para receber a banda nova-iorquina, até que enfim Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew entraram em palco para grande êxtase do público. 




“You Are Here” e “Forever”, do álbum There’s a Riot Going On, foram as malhas que os Yo La Tengo escolheram para começar a noite. Desde logo que eles nos prenderam num sonho com a sua sonoridade estrelar, os olhos das pessoas quase que imediatamente fecharam devido às vibrações pacificas que emanavam daquele palco. Músicas longas e introspetivas inundavam o Capitólio de sorrisos serenos, pois este não se tratava de um concerto para dançar efusivamente, mas sim para (como já dissemos) embarcar na nave espacial dos Yo La Tengo e navegar pelas estrelas. A setlist ia percorrendo um pouco da discografia inteira desta banda, desde os álbuns mais antigos até aos mais recentes, com evidencia obviamente dada ao último registo. Músicas como "Ashes" e "I'll Be Around" puseram as nossas almas completamente a flutuar nas nuvens, num dos sonhos mais calmos e bonitos que possam imaginar.

Uma hora e meia depois do começo desta noite, Ira disse gentilmente que a banda ia fazer uma pausa. As pessoas provavelmente pensavam que ia haver um encore de 2 ou 3 músicas, mas os Yo La Tengo são conhecidos por fazerem concertos longos, e aqui não foi exceção. 



Na segunda parte desta viagem percorreram, novamente, um pouco de toda a sua discografia. Desde President Yo La Tengo a Electr-O-Pura, os pontos altos desta parte da noite foram para “Stockholm Syndrome” e a incrível rendição de “I Heard You Looking”, esta última malha que rebentou completamente com o Capitólio. Uma explosão sónica da guitarra distorcida de Ira Kaplan, da bateria de Georgia Hubley, do baixo de James McNew (embora os 3 fossem sempre trocando de instrumentos ao longo da noite) e de mais uma pessoa extra que trouxeram só para esta música. 

Tendo acabado a segunda parte deste concerto, e com 3 horas de emoções genuínas que os Yo La Tengo nos proporcionaram, ainda houve tempo para um encore. O público aplaudia a este segundo regresso, as pessoas iam gritando alguns nomes de músicas que desejavam ouvir. Até que alguém gritou “NUTRICIA!!!”, a qual Ira alegremente respondeu “Nobody asks songs from that album”, concretizando de seguida o desejo à pessoa que pediu esta música. Seguiram-se mais duas covers para acabar esta incrível noite, “Prisoners of Rock’n’Roll” de Neil Young e "Somebody’s in Love" dos Cosmic Rays. Duas covers extremamente bem conseguidas com o tratamento que os Yo La Tengo lhes deram, fazendo inveja de certeza aos autores originais destas malhas. 




Depois de enormes aplausos e beijinhos, o trio despediu-se extremamente agradecido do palco. Já é normal para os artistas estrangeiros terem aquele amorzinho por Portugal, o qual também se notou nesta banda. Eles proporcionaram-nos aqui mais um concerto incrível, cheio de uma serenidade espacial com algumas explosões sonoras que nos faziam voar se fechássemos os olhos, um sentimento que é difícil explicar para as pessoas que não foram ao Capitólio. Faz tudo parte da experiência que é ouvir esta banda ao vivo, principalmente em sala própria. Até à próxima Yo La Tengo, e por favor, voltem sempre.

Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Ana Pereia (gentilmente cedidas pela Música em DX)

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Sallim apresenta novo álbum em três concertos


Sallim lançou em janeiro, pela Cafetra Records, o seu novo álbum, A Ver o que Acontece. O disco, que inclui os singles "Primavera Nova", "Não Vale a Pena Pensar" e "A Pensar em Ti", será apresentado ao vivo em três concertos a ocorrer no final de fevereiro e início de março.

Dia 28 de fevereiro toca na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Dia 2 de março vai à Casa da Cultura de Setúbal. Estes dois concertos serão com banda, enquanto que no de dia 7 de março, no Maus Hábitos (Porto), será acompanhada apenas por Lourenço Crespo. Jejuno fará a primeira parte no Porto. 

Os bilhetes custam 6€ (8€ no dia) para Lisboa e 4€ para Setúbal. Ainda não foi revelado o preço da entrada no concerto no Porto.

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Ammar 808, Algobabez, Sensible Soccers, entre outros, cantam os parabéns ao gnration

Programa do gnration open day, dia aberto que celebra o aniversário do gnration, convida público a conhecer novas abordagens à música eletrónica e à tecnologia. 



Situado na recentemente intitulada cidade criativa da UNESCO para as Media Arts, que teve como pilar maior da sua candidatura o trabalho realizado pelo gnration nos campos da arte digital e da música contemporânea, o projeto resultante da Braga 2012: Capital Europeia da Juventude assinala em abril seis anos de existência e fá-lo novamente com as portas abertas e um leque variado de iniciativas culturais. A 27 de abril, sábado, o sexto aniversário do creative hub bracarense será celebrado com um conjunto de atividades gratuitas para todas as idades, que se unem por uma curiosa e nova abordagem à eletrónica e à tecnologia.

Entre música, instalações e workshops, a programação do dia preenche-se com a presença de muitos projetos musicais, entre os quais os portugueses Sensible Soccers, que se preparam para lançar o aguardado terceiro longa-duração da sua carreira, desenvolvido em residência artística no gnration. Agora com nova formação, os autores de "Villa Solledad" irão apresentar o novo disco em primeira mão no gnration open day. Ainda no campo nacional, o percussionista João Pais Filipe, conhecido pelas contribuições em projetos como HHY & The Macumbas e Rafael Toral Space Quartet, apresentará o seu primeiro disco a solo, de título homónimo, editado em 2018 pela Lovers & Lollypops.



Ammar 808 (na foto), projeto produzido e desenvolvido pelo aclamado produtor tunisino Sofyann Ben Youssef (Bargou 08, Kel Assouf), também se apresentará no espaço cultural bracarense para uma performance descrita como uma autêntica "viagem pelo Norte de África a bordo da lendária caixa de ritmos TR-808". “Maghreb United”, disco de estreia lançado em 2018 pela Glitterbeat, junta composições eletrónicas a canções dos legados do targ, do gnawa e do raï de modo único e singular. Algobabez, dupla feminina composta por Shelly Knotts e Joanne Armitage, criam música eletrónica a partir de dados. Som sujo, estranho e barulhento mas extremamente aditivo e dançável, produzido por dois cérebros e dois computadores.

Músico e artista autodidata, o britânico Graham Dunning é mais um dos destaques da noite. O músico explora o som como textura, timbre e ainda como algo táctil. Recorrendo ao vinil enquanto matéria sonora, Duning apresentará “Mechanical Techno”, projeto mais recente que apresentou já no Boiler Room Londres. A juntar ao cardápio de nomes internacionais estará também o icónico DJ K-Sets, encarregue de encerrar a festa de aniversário do gnration e de regresso ao nosso país após uma passagem pelo festival Milhões de Festa, em Barcelos. A terminar o programa de música, a Escola do Rock Paredes de Coura, iniciativa da Câmara Municipal de Paredes de Coura e dirigida pelo Space Ensemble, viaja até Braga para apresentar um espetáculo que contará com a comunidade de jovens músicos bracarenses,




No programa de instalações, que estarão disponíveis para visita apenas até à uma da manhã, o artista digital francês Maotik dará a conhecer Wavelenghts of Light, uma instalação audiovisual baseada em nanotecnologia e resultante do Scale Travels. Na galeria gnration, e em parceria com a BoCA - Bienal de Arte Contemporânea, a artista visual e compositora portuguesa Diana Policarpo mostra Total Eclipse, uma instalação sonora e performance audiovisual criada com base na partitura original e incompleta de Status Quo/Music of the Spheres, da alemã Johanna Magdalena Beyer.

O programa do gnration open day integra o programação cultural para o trimestre  de abr-jun do gnration, onde consta já um nome anunciado - a compositora e multi- instrumentista japonesa Eiko Ishibashi que se apresenta a 17 de maio para um  espetáculo focado nos trabalhos lançados ao longo dos últimos anos. Com entrada livre, o programa do gnration open day arrancará pelas dez da manhã e encerrará às quatro da manhã, dividindo-se por vários espaços do edifício.

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Khruangbin em Paredes de Coura


Khruangbin é uma palavra tailandesa que se pode traduzir em “avião” ou “engenho voador”. Este é o complexo nome de um trio que nasceu em Burton, uma pequena localidade do Texas que conta com pouco mais de 300 habitantes. Sonoridades suaves de temas principalmente instrumentais são fortemente inspiradas no rock e no funk. Mas como o nome leva a crer, a música de Khruangbin não podia ser assim tão fácil de caracterizar, as influências viajam por locais e culturas como o funk Tailandês de 1960, o rock Persa de 1970 e a sinfonia da Argélia de 1980, com uma pitada de disco e soul.
O álbum de estreia The Universe Smiles Upon You (2015) foi rapidamente seguido por Con Todo El Mundo (2018). Amplamente aclamado pela crítica, o segundo disco apresenta-nos uma singular paisagem sonora em que viajamos entre instrumentais donos de vibrações únicas a pairar por diferentes continentes e diferentes épocas.
A exótica música de Khruangbin estreia no habitat natural da música no segundo dia do festival, 15 de Agosto. O Vodafone Paredes de Coura está de regressoentre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, Mitski,Spiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow DaysConnan Mockasin, Balthazar,Boogarins, First Breath After Coma, Deerhunter, Jonathan Wilson, Alvvays,SuedePeaking LightsJayda GBlack Midi e Cave Story. 
Os passes gerais para a 27.ª edição do Vodafone Paredes de Coura podem ser adquiridos em bol.pt, Ticketea, Seetickets, Festicket e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 94€. 

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Molly Burch em dose dupla em Portugal


Molly Burch é a mais recente adição na agenda do Gig Club. A cantautora norte-americana era um dos nomes mais requisitados pelos membros do clube, que a poderão ver no próximo mês de julho, no Porto e em Lisboa.

Depois de uma aclamada estreia pela editora Captured Tracks (casa-mãe para artistas como Beach Fossils, Wild Nothing ou Mac DeMarco), que editou o belíssimo Please Be Mine em 2017, a música e compositora natural de Austin, Texas regressou às edições para o aguardado segundo disco, First Flower. Novamente sob a chancela da editora nova-iorquina, First Flower serve como sequela perfeita para um estilo cada vez mais próprio e aprimorado, uma fusão intimista das influências que compõem o folclore norte-americano com melodias adocicadas e sonhadoras, que envolvem uma lírica melancólica e apaixonante.


Os concertos decorrem dias 2 e 3 de julho, no Pérola Negra (Porto) e Musicbox (Lisboa), respetivamente. Os bilhetes para os membros do clube já se encontram disponíveis ao preço de 10€, sendo que mais próximo da data se encontrarão disponíveis ao preço de 15€ para não-membros. Nos planos do Gig Club estão ainda concertos de Kamasi Washington, Toro Y Moi e muitos outros por anunciar.

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Black Midi e Cave Story confirmados no Vodafone Paredes de Coura


O enigmático quarteto, Black Midi, rapidamente se tornou uma das grandes apostas da música underground londrina. Apesar da escassa, quase inexistente, presença digital, o rock de Black Midi ganha história graças ao impacto das suas actuações ao vivo. 
A banda composta pelo vocalista/guitarrista Geordie Greep, o guitarrista Matt Kelvin, o baixista Cameron Picton e o baterista Morgan Simpson surgiu em 2017, após estudarem juntos na Brit School. A escola que outrora recebeu músicos mais tradicionais como Adele, Amy Winehouse e The Kooks, assistiu ao nascimento do pós-punk experimental de Black Midi.  Apesar da sua rápida ascensão, os músicos mantiveram o ar misterioso, longe das redes sociais e dos meios de comunicação social. Donos de um som frenético, acompanhado de ritmos crus e agitados Black Midi tem concerto marcado para o dia 16 de Agosto no Vodafone Paredes de Coura. 
Cave Story, o trio das Caldas da Rainha, que se tornou um quarteto durante a tour de lançamento do seu primeiro LP West (2016), voltaram ao estúdio para a gravação do segundo álbum Punk Academics (2018). O mais recente disco dos Cave Story nasce a partir de uma celebração do punk: de todas as influências, das bandas e dos artistas que inspiraram o grupo português ao longo dos anos. Gonçalo Formiga, Ricardo Mendes, Pedro Zina e Zé Maldito regressam ao habitat natural da música no dia 15 de Agosto.
A força do rock invade as margens da Praia Fluvial do Taboão com os britânicos Black Midi e os portugueses Cave Story. O Vodafone Paredes de Coura está de regresso entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow DaysConnan Mockasin,Balthazar, Boogarins, First Breath After Coma, Deerhunter, Jonathan Wilson,Alvvays, SuedePeaking Lights e Jayda G 
Os passes gerais para a 27.ª edição do Vodafone Paredes de Coura podem ser adquiridos em bol.pt, Ticketea, Seetickets, Festicket e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 94€.  

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Swallow the Sun com duas datas em Portugal


Os Swallow the Sun irão regressar a Portugal no próximo mês de maio para apresentar o seu novo disco When a Shadow Is Forced Into the Light, editado em janeiro pela Century Media. Os finlandeses, que não atuam em Portugal desde 2015, terão como bandas de abertura os Oceans of Slumber e Aeonian Sorrow, ambas com novos trabalhos editados em 2018.



Os concertos, organizados pela Notredame Productions, irão decorrer no Hard Club (Porto) e RCA Club (Lisboa) nos dias 1 e 2 de maio, respectivamente. Os bilhetes terão o preço de 20€ (23€ no dia) e estarão à venda a partir da próxima segunda-feira (25 de fevereiro) na Carbono (Amadora), Glam-O-Rama Rock Shop (Lisboa), Side B Rocks (Alenquer) e online em unkind.pt e letsgo.pt, havendo também 30 bilhetes promocionais a 18€ já disponíveis através de Notredame.promo@gmail.com.

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NOS Primavera Sound. Sai Lizzo, entra Built to Spill


Há novidades no cartaz da próxima edição do NOS Primavera Sound. Lizzo, a cantora e rapper sensação de Detroit, Minneapolis, cancelou aquela que seria a sua estreia em palcos nacionais. A passagem da autora de "Juice", um dos temas mais viciantes do corrente ano, estava marcada para o primeiro dia de festival, dia 6 de junho. No lugar da norte-americana entram os veteranos Built to Spill, nome maior do cancioneiro independente norte-americano da década de 1990, cuja discografia conta trabalhos tão importantes como There's Nothing Wrong With Love (1994), Perfect From Now On (1997) e Keep It Like Secret (1999). É sob o pretexto de apresentar o último que a banda de Doug Martsch regressa a Portugal, inserido na tour de comemoração dos 20 anos do disco. A última passagem dos Built to Spill por Portugal aconteceu em 2013, no Lux Frágil.

O NOS Primavera Sound decorre de 6 a 8 de junho no Parque da Cidade do Porto.


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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A Dream of Poe lançam The Wraith Uncrowned em abril


Os açoreanos A Dream of Poe anunciaram o lançamento do seu quarto longa-duração The Wraith Uncrowned, que chega três anos após a edição de A Waltz for Apophenia. O projeto, formado por Miguel Santos e Paulo Pacheco em 2005mantém a sua base death doom com fortes influências góticas, devendo agradar a fãs de My Dying Bride e dos primeiros álbuns de Anathema. De notar ainda a inclusão de uma cover do tema "Punished" do grupo açoreano Prophecy of Death, um dos grandes tesouros da cena metal portuguesa.

The Wraith Uncrowned terá artwork de Augusto Peixoto, habitual colaborador da banda, e deverá ser lançado digitalmente no início de abril. Até lá podem ir escutando o tema "The Bringer of Dawn":



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A força da música de protesto: Marc Ribot's Ceramic Dog em Braga


Domingo foi um dia especial. Em jeito de matinée, o gnration convidou o notável guitarrista e compositor nova-iorquino Marc Ribot para uma sessão única no país, onde a música de protesto recebeu especial atenção. 

No advento da eleição presidencial de Donald Trump, Marc Ribot sentiu a necessidade de agir, e essa ação manifestou-se em formato canção. Songs of Resistance 1942-2018 e YRU Still Here? surgiram ambos em 2018, e revelam mais do que nunca a faceta revoltada do veterano. O primeiro compila uma série de canções ativistas que Ribot recriou, assim como alguns inéditos com assinatura do próprio; o segundo juntou o guitarrista a Shahzad Ismaily, multi-instrumentista conhecido pelas suas colaborações com John Zorn, Laurie Anderson, Lou Reed ou Colin Stetson, e Ches Smith, exímio baterista norte-americano que colaborou com Mr. Bungle, John Zorn, Xiu Xiu ou Carla Bozulich. Foi com esta formação que Ribot se apresentou em Braga, como Ceramic Dog (projeto que leva a cabo desde 2007),  para uma performance crua e sem travão na língua. 

De um modo sumário, YRU Still Here? destaca-se como o álbum mais despido e convencional de Ribot até à data, uma manifestação de rock n’ roll no seu estado mais puro, mas também libertário, simples mas de mensagem forte. É um álbum que grita, que toca em pontos sensíveis e que reflete o estado político e social norte-americano de agora. Feitas as apresentações, chegava a hora de experienciar esta instituição da música contemporânea ao vivo e a cores, em volume justificadamente alto.



A sala do gnration encontrava-se lotadíssima, com um mar de gente em notório entusiasmo. O concerto, extenso na sua duração, refletiu um pouco do incrível repertório do músico norte-americano, cuja carreira conta quase quatro décadas dedicadas ao desbravamento das barreiras que limitam a exploração sónica, com colaborações com John Zorn, Caetano Veloso ou Tom Waits a compor um invejável currículo. “We Are Soldiers In The Army” foi o tema escolhido para abertura do concerto, uma interpretação de um tema do movimento dos direitos civis americanos que recebeu aqui um toque mais sujo, lento e moroso, com um crescendo deliciosamente dramático e compassos arrítmicos a fazer lembrar a dinâmica Corsano/Orcutt . Início ideal e prova mais que dada de que a máquina se encontra bem oleada.

Mantendo a ordem de protesto, seguem-se temas como “Acute (I Refuse, I Resist)” e “The Big Fool”, que trazem maior explosividade e garra à performance. Ouvem-se máximas de revolução e apelos à resiliência, e o público reage efusivamente. Da sujidade e distorção passamos para uma abordagem mais descontraída, com uma linha de baixo bamboleante e sedutora a introduzir uma trajetória mais jazzística e de pitada latina. Chad Taylor deixa a bateria por momentos para uma interpretação de “Pennsylvania 6 6666”, do mais recente álbum de Ceramic Dog, onde o elemento percussivo se junta à lírica sarcástica de humor aguçado de Ismaily. Espaço ainda para um momento à la Kozelek, onde Ribot desabafa um aparente desagrado para com a comunidade hippie, cada vez mais yuppie, empreendedora e negligente.

“Muslim Jewish Resistance”, peça central de YRU Still Here?, surgiu já durante o encore, antecedida apenas por um breve interlúdio instrumental (também este peça integrante do disco). Mais pausada e demorada que a original, mas sem nunca perder intensidade, a canção maior do disco, verdadeira canção-combate de apelo à revolução, foi cantada em uníssono com a ajuda de alguns membros da plateia. Adaptada para “Braga Portugal Resistance”, esta expôs mais do que nunca a realidade sufocante de um país corrupto inundado em racismo, xenofobia e tirania, com trio e público em comunhão inspiradora. Durante 90 minutos, qual jogo de futebol, Ribot e companhia proporcionaram uma valente lição do bom e velho rock n’ roll, onde a união foi palavra de ordem. Respeito enorme, portanto.



Texto: Filipe Costa
Fotografia: Hugo Sousa/gnration

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Reportagem: Kælan Mikla + Some Ember [Wurlitzer Balroom, Madrid]


"Is this Wurlitzer Ballroom?" perguntámos nós ao porteiro já com um certo nível de ansiedade quando percebemos que não havia nenhum dístico na rua a indicar o local onde as nossas princesinhas góticas – que é como quem diz, as Kaelan Mikla – iriam apresentar uma das grandes edições obscuras do transato ano, Nótt Eftir Nótt. Com abertura de portas marcada para as 21h00 e início de concertos com arranque pelas 21h30, ficámos um pouco surpresas quando chegámos à sala pelas 21h40 já com Some Ember (atualmente o projeto a solo do californiano Dylan Travis), a fazer a sua música irradiar pela sala tipicamente negra, mas bastante composta. 

Com "Revelation" - retirado de Asleep in the Ice Palace (2013) - a fazer escutar-se bem alto e como pano de fundo, fomos lentamente aproximando-nos das filas da frente para ver mais de perto os contrastes entre performer e a música resultante. Para quem não conhece a discografia de Some Ember (inicialmente o projeto colaborativo de Dylan Travis e Nina Chase), esta incorpora elementos da música darkwave, post-punk e coldwave, situando-se atualmente no campo da synthpop experimental e EBM. No curto concerto de abertura em Madrid pudemos comprovar isso mesmo, com temas mais recentes como "Revealed" (retirado do mais recente EP Submerged) a deixar clara a sua carismática presença em palco. Apesar disso, com os mais recentes discos, Dylan Travis tem mostrado uma fase mais melancólica o que ao vivo, e antes de Kælan Mikla, acabou por perder um pouco de luz. Isso não impediu contudo que, Dylan Travis, sentisse o seu trabalho como produtor da obra, além de se dirigir ao público para perguntar se eles estavam a disfrutar do concerto. Já a apontar para o fim de espetáculo - que aconteceu três músicas depois desta intervenção, por volta das 22h03 - Some Ember despediu-se de palco entre sorrisos. 



Cerca de 20 minutos depois, por volta das 22h22, o público do Wurlitzer Balroom via as Kælan Mikla subirem a palco para iniciarem concerto com o tema de abertura de abertura de Nótt eftir nótt, "Gandreið", enquanto a vocalista Laufey Soffía Þórsdóttir, em vestes brancas e com um véu negro por sobre a cara, fazia arder um incenso bastante peculiar cujo cheiro se emanou sala fora enquanto Margrét Rósa Dóru-Harrysdóttir marcava o ritmo no baixo e Solveig Matthildur nos fazia entrar no espírito das bruxarias negras com os sintetizadores hipnotizantes a sua voz de ninfa. À semelhança do álbum, também o concerto prosseguiu com "Nornalagið" – tema ainda marcado pelo pedido das artistas na melhoria de som – tendo avançado para "Óráð" (Kælan Mikla, 2016), o primeiro tema da noite a desinibir grande parte do público e a receber fortíssimos aplausos após o seu fim. 


Algo que se tornou notório com o desenvolvimento do concerto foi que, mesmo sem se tratar da língua materna da maioria do público, os espetadores cantavam e gritavam quase que com a mesma emoção que Laufey Soffía fazia ecoar no microfone. Em Madrid não nos podemos queixar, houve muito amor em sala. E conseguimos ainda ouvir Nótt eftir nótt quase na íntegra, além daqueles temas obrigatórios na playlist, como é o caso de "Kalt" ou "Upphaf". Um dos grandes momentos da noite aconteceu durante a performance de "Skuggadans", uma das mais marcantes faixas do novo disco que no Wurlitzer Balroom deixou o público em êxtase e completamente em modo "pista de dança oficialmente aberta". Que malha! 

Sair de Portugal para ir ver as Kælan Mikla a Madrid, ao invés de ficar tempos na incerteza à espera de saber quando seria a próxima vez que as bonecas gélidas da Islândia voltariam ao país foi uma escolha bastante fundamentada no selo de qualidade a que as Kælan Mikla se têm visto a ser rotuladas desde os primeiros registos com Manádans (2013-2014) e foi uma escolha que como já era previsto não desiludiu, pelo menos não para os fãs da nova onda de música gótica, como nós. As Kælan Mikla são demasiado fofas para quem utiliza como principal linguagem de comunicação a imagética obscura e sinistra, mas foi assim que as conhecemos depois do concerto e sempre que ouvíamos Laufey Soffía a agradecer após as últimas músicas. Depois de "Andaka" a vocalista advertiu o público de que tinham apenas mais duas músicas antes do finalizar do concerto, "Nótt eftir nótt" – para dar aqueles gritos de despedida - e "Glimmer og Aska", a deixar o público em aplausos frutíferos e claramente a pedir um regresso ao palco para encore



Pedido ouvido e para se fechar a noite com apenas mais uma música, "Dáið er allt án drauma", tema de encerramento do mais recente disco da banda e música a deixar claro que as Kælan Mikla são um autêntico furacão da nova geração da música obscura. Um concerto a ficar na lista dos melhores do ano e que teve fim por volta das 23h20. Antes de finalizar apenas deixar um grande agradecimento à promotora Indypendientes pela fantástica noite proporcionada e pela programação de luxo que tem trazido a Madrid nos últimos tempos. Até breve.


Texto: Sónia Felizardo
Fotografias: Francisca Campos

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Le Mystère des Voix Bulgares e Lisa Gerrard em Portugal para três datas


O coletivo búlgaro Le Mystère des Voix Bulgares (ou The Mystery of the Bulgarian Voices) vai passar por Portugal, em junho, para três datas na companhia de Lisa Gerrard, vocalista dos australianos Dead Can Dance. Lisboa, Porto e Braga são as cidades escolhidas para o acontecimento.

Com mais de seis décadas de existência, o coro atualmente regido por Dora Hristova recebeu especial atenção com Le mystère des voix bulgares : volume 1, obra quitessencial do grupo que cruza cancioneiro folclore búlgaro com arranjos da música moderna e a capella. O disco, que data de 1975, viria a receber maior falatório 11 anos depois, em 1986, aquando de uma reedição pela editora britânica 4AD, casa-mãe para nomes como Cocteau Twins, This Mortal Coil ou Dead Can Dance. É com a vocalista dos últimos que o coro búlgaro se irá apresentar em Portugal. BoocheMish, disco que junta o coro à música e compositora australiana, é o mote para as três apresentações a ter lugar dia 4 de junho na Casa da Música, no Porto, dia 5 de junho na Aula Magna, em Lisboa, e dia 6 de junho no Theatro Circo, em Braga. Em palco espera-se um coro de 20 cantoras e seis músicos.

Antes, Lisa Gerrard apresenta-se ao lado de Brendan Perry para duas datas em maio, em jeito de apresentação do mais recente trabalho dos Dead Can Dance, Dionysus.

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Underworld, Amelie Lens e Richie Hawtin entre as primeiras confirmações do NEOPOP 2019


De 7 a 10 de Agosto, o maior festival de música electrónica do país regressa a Viana do Castelo para a sua 14ª edição, fazendo novamente da cidade minhota a capital nacional do techno. Ao longo de 4 dias e distribuído por entre 4 palcos (Neostage, Antistage, Teatro Sá de Mirada e Parque Campismo), alguns dos nomes mais importantes da música de dança atual irão visitar o concelho minhoto. 

O primeiro e grande destaque desta primeira vaga de confirmações vai para os Underworld, a dupla britânica composta por Karl Hyde e Rick Smith que regressa ao país onde atuaram pela última vez em 2015, aquando da quarta edição do NOS Primavera Sound. Desde cedo na vanguarda techno dos anos 1990, os Underworld despontaram definitivamente em 1996 com a gloriosa “Born Slippy (Nuxx)”, que se tornou a banda sonora de uma geração após ter corrido o mundo nas telas de Trainspotting. Nas décadas seguintes vimos-lhes reforçar o estatuto de banda incontornável, cuja sonoridade atingia então uma escala global: milhões de álbuns vendidos, concertos esgotados, criação de temas para realizadores premiados pela Academia de Hollywood (Anthony Minghella e Danny Boyle), exposições em galerias de arte, ou a composição musical para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Barbara Barbara, we face a shining future, editado em 2016, é o mais recente trabalho de longa-duração dos rapazes de Essex, que colaboraram ainda com Iggy Pop no ano transacto para um triunfal registo de curta-duração.


2Jack4U (live), Amelie Lens, Ben Klock, DVS1, John Digweed, Lokier, Maceo Plex, Rebekah (live), Richie Hawtin, Surgeon (live) e The Advent (live 90's set) completam o leque de confirmações. Os passes de 4 dias já se encontram disponíveis ao preço inicial de 85 euros, podendo ser adquiridos via madeofyoutickets.com.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A eternidade dos JOY/DISASTER em novo LP


Depois de terem lançado no passado ano Ressurection (Manic Depression Records, 2018), os franceses JOY/DISASTER estão de regresso às edições com o mais recente disco de estúdio ÆTERNUM, o sétimo na carreira da banda, que chegou às prateleiras no passado mês de janeiro. O novo disco, à semelhança do que já tem vindo sido mostrado em trabalhos anteriores, explora as vertentes do rock, post-punk, coldwave e subgéneros envoltos ao tema da eternidade.

Do novo trabalho já tinham sido mostradas anteriormente as faixas "Dealer Of Life", "Cradle Of Denial", "This Morning" e "Believe". Além destas recomenda-se ainda a audição de temas como "Fall" e "Velvety". O disco pode ser reproduzido na íntegra abaixo.

ÆTERNUM foi editado no passado dia 26 de janeiro pelo selo Icy Cold Records. Podem comprar o disco aqui.


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Gnod e João Pais Filipe juntos em performance no Maus Hábitos


Está marcado o regresso dos Gnod a Portugal. O coletivo britânico, que integra na sua formação a portuguesa Marlene Ribeiro (Negra Branca), irá juntar-se ao percussionista e artesão portuense João Pais Filipe (HHY& The Macumbas, Paisiel) para uma performance a ter lugar no Maus Hábitos, dia 9 de março. Como mote para a apresentação estará um novo projeto a ser cozinhado nas próximas semanas, algures numa sala pelas ruas de Campanhã.

Just Say No to the Psycho Right-Wing Capitalist Fascist Industrial Death Machine (2017) e Chapel Perilous (2018) são as mais recentes adições à extensa e sempre imprevisível discografia dos Gnod, cujo corpo de trabalho se tem vindo a assumir como um dos mais camaleónicos a sair da nova Inglaterra bizarra (à falta de melhor tradução para "new weird britain"). A sua música de difícil categorização cruza os terrenos do drone, da nova psicadélia e do noise rock num organismo bruto, intenso e fortemente politizado.



João Pais Filipe teve um ano de 2018 agitado. O músico português manteve-se extremamente prolífico ao longo do ano, contribuindo para discos tão aclamados como Beheaded Totem, dos magníficos HHY & The Macumbas, estreando-se nas edições como Paisiel (duo que partilha com o saxofonista alemão Julius Gabriel) e CZN (ao lado da italiana Valentina Magaletti), e ainda com o aguardado disco de estreia em nome próprio. Para além disto, João Pais Filipe integrou uma residência artística promovida pelo Criatório, que juntou Talea Jacta (projeto que junta Filipe e Pedro Pestana) a músicos tão notáveis como Rafael Toral, Wendy Mulder ou André Couto.



Os bilhetes para o concerto já se encontram disponíveis ao preço único de 8 euros, podendo ser adquiridos via bol.pt.

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HYSTERIA: um ciclo de residências para ver a criação de perto


Arranca em Março o primeiro momento de contacto da Hysteria. A ter lugar entre 3 a 6 de Março, no ACE Teatro do Bolhão, o encontro promoverá o diálogo entre os trabalhos que Ana Deus e Heloise Tunstall-Behrens. De um lado, a abordagem singular de uma voz que marca a história da música nacional dos últimos 20 anos, dooutro a exploração dos potencialidades da música coral, enquanto mimetização de problemáticas entre a relação do indivíduo e das estruturas colectivas que o rodeiam. A encerrar o ciclo de trabalho, a dupla de artistas realizará uma sessão aberta ao público, onde apresentará o resultado do ciclo de trabalho. O formato desta sessão, dedicada à partilha com o público, será definido por ambas no decurso da residência. 

Estruturada em quatro tempo, a Hysteria irá ainda colocar em contexto de trabalho comum, Marlene Ribeiro e Valentina Magaletti (Maio, na Sonoscopia), Natalie Sharp e Marta Ângela (Julho, no ACE Teatro do Bolhão); e Adriana Sá e Anna Homler (Outubro, na Sonoscopia). Tendo por base a ideia de que a criação cultural se enriquece pela troca de conhecimentos e o cruzamento de ideias, o projecto pretende criar um espaço de discussão entre as artistas envolvidas, num primeiro plano, e entre estas e o público. Para tal todos os momentos de contacto serão acompanhados e habitados por um grupo de artistas e curiosos que, através da candidatura, mostraram a vontade de contribuir e observar o processo de criação. Os participantes terão, assim, a oportunidade de ver de perto os detalhes com que as artistas em residência moldam o objecto final e de compreenderem as estratégias utilizadas para estabelecerem um diálogo criativo.

A par da criação de um espaço de contacto entre o criador e o público, a Hysteria propõe um olhar sobre a produção e criação feminina no universo musical de hoje, em quatro eixos fundamentais, da interpretação à criação.

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