sábado, 9 de março de 2019

Oub'Lá celebra primeiro aniversário com Cosmic Mass, Indignu e Italia 90


O Oub'Lá faz 1 ano em Março e a ideia é festejar de uma maneira inesquecível. O CAAA (Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura), em Guimarães, local conhecido pela realização do festival Mucho Flow, vai receber a 30 de Março esta festarola que conta com os nacionais Cosmic Mass, Indignu e os britânicos Italia 90. O DJ set ficará a cargo de DJ Quesadilla. Os bilhetes têm o custo de 8€ com direito a 1 fino.

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Oiçam: Cacilhas


Cacilhas é o duo luso-escandinavo formado pelo teclista e pianista português Shela (LAmA, Riding Pânico) e o vocalista dinamarquês Casper Clausen (Efterklang, Liima, Captain Casablanca). Nasceram na margem sul, fizeram-se no festival Silêncio, passaram pelas margens do Cávado por alturas do Milhões de Festa e neste inicio de 2019 oferecem-nos o primeiro trabalho conjunto. Quatro músicas feitas na antiga doca de pesca de Ginjal, em Cacilhas, do outro lado do Tejo, olhando e escutando o rio, os locais e a cidade do outro lado.

"Surrender" foi o primeiro avanço deste disco homónimo editado a 28 de janeiro pela Lovers & Lollypops


Cacilhas está disponível no Bandcamp da banda e pode ser escutado na íntegra em baixo.


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MUMA 2019 regressa ao Faial com Joana Barra Vaz, Ricardo Martins e Rui Souza


O MUMA vai voltar ao Faial de 8 a 11 de Maio e vem diferente. Para 2019 o paradigma mudou e preparou-se uma verdadeira festa que envolva a comunidade da ilha, que ultrapasse a lógica de uma mostra de nova música portuguesa e que coloque também em palco os habitantes, as instituições e a paisagem Faialenses, num ambiente de partilha artística e cultural. Joana Barra Vaz, Rui Souza, Ricardo Martins, Grupo Coral da Horta, Filarmónica Nova Artista Flamenguense e a Orquestra Rítmica do Corpo são os primeiros nomes.

O novo MUMA deixa também de estar ancorado no Teatro Faialense e vai espalhar-se pela cidade da Horta, promovendo encontros inusitados entre os músicos que estão de visita e os que lá vivem, através de oficinas e residências, e dando também lugar a um Murmurinho, o pilar central desta nova aventura. Além do Teatro Faialense o MUMA passará ainda pelo novo Mercado Municipal, pelo edifício da Sociedade Amor da Pátria, pela baía de Porto Pim e por outros lugares a ser revelados no futuro.


O Murmurinho é um projecto artístico de comunidade que desenvolverá um espectáculo musical de raiz com grupos locais e músicos que visitam o MUMA, e que marcará a abertura musical desta festa. Para a sua edição zero o compositor e teclista vimaranense Rui Souza virá ao Faial criar em conjunto com a Filarmónica Nova Artista Flamenguense e o Grupo Coral da Horta um espectáculo baseado no conto A Mulher de Porto de Pim, de Antonio Tabucchi. A adaptação do texto ficou a cargo do escritor Urbano Bettencourt, um picaroto exilado em Ponta Delgada há vários anos, e no concerto participará ainda o baterista lisboeta Ricardo Martins. Os trabalhos arrancarão em Fevereiro e culminarão com uma apresentação única, a 9 de Maio, que porá mais de 60 pessoas no palco do Teatro Faialense (o único concerto a ter lugar nesta palco).

Este ano preparou-se também uma oficina pontual que irá construir a Orquestra Rítmica do Corpo. Esta oficina será levada a cabo pelo músico Tiago Marques, um oboísta de formação clássica e orientação vanguardista, que escolheu o Faial como casa e que nos próximos meses trabalhará com um grupo de jovens entre os 12 e os 18 anos para desenvolver um grupo de percussão corporal (body drumming) na ilha. Esta Orquestra será a convidada no concerto da cantora e compositora Joana Barra Vaz que, antes de subir ao palco do Mercado Municipal da Horta no dia 11, fará uma pequena residência no Faial para ultimar o sucessor de Mergulho em Loba (2016).

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STREAM: Tape Junk - Couch Pop


O regresso de Tape Junk às edições discográficas aconteceu a 1 Março de 2019 em formato cassete e em todas as plataformas digitais, com o selo da Pataca Disco. Os nove temas do álbum foram gravados e misturados em casa por João Correia, entre Janeiro de 2016 e Setembro de 2018.

Couch Pop foi escrito sem pressas, fora do ambiente urbano e as músicas estiveram em constante mutação mesmo até ao dia do começo das misturas. Os instrumentos foram todos registados pelo mentor da banda que contou apenas com a participação de António Vasconcelos Dias (Tape Junk, Benjamim, Golden Slumbers) nos sintetizadores. Harry Nilsson, Sly and The Family Stone, Shuggie Ottis e Paul McCartney foram alguns dos nomes que acompanharam o músico no período de criação do terceiro trabalho de originais.

Para além de Tape Junk - que editou The Good & The Mean e um disco homónimo - João Correia fundou os Julie & The Carjackers e os They’re Heading West. Actualmente é baterista de várias bandas independentes, entre as quais Benjamim e Bruno Pernadas.

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Um Corpo Estranho editam Homem-Delírio a 22 de março


Dois anos após o lançamento de Pulso (2016), a dupla Setubalense composta por Pedro Franco e João Mota, Um Corpo Estranho, está de volta com disco novo em 2019. Homem Delírio é o nome desse novo trabalho, que chega às lojas a 22 de março, pelas mãos da Malafamado Records e com o apoio da Fundação GDA. 

Finalistas do Prémio José Afonso em 2015, escrevem em conjunto canções em português e têm vindo a compor para curtas metragens e peças de dança/ teatro físico. Este é o 3º disco de canções de Um Corpo Estranho, 6º no percurso total do duo, que conta já, também, com três bandas sonoras para os bailados, A velha Ampulheta, Qarib e A Almofada da Paula, este último baseado na obra da pintora Paula Rego


Neste novo registo o duo explora um universo mais introspectivo e intimista, apoiando-se numa poética inspirada no surrealismo e no teatro do absurdo, envolvendo os oito temas que o compõem em camadas ambientais mais densas que nos discos anteriores. Conta com a participação de Sérgio Mendes (produção e guitarra, elemento já frequente nos arranjos da banda), Celina da Piedade (acordeão) e Paulo Cavaco (piano) como músicos convidados. Rita Melo foi a artista plástica responsável pela parte visual de Homem Delírio, cujo universo muito próprio casou na perfeição com a sonoridade deste novo trabalho.

“O Estrangeiro”, primeiro single libertado pela dupla, já pode ser visto e ouvido nas plataformas digitais e contou com a realização de António Aleixo e produção da GARAGEM e Souza Fimes.



A apresentação ao vivo, marcada para dia 11 de Maio, no Teatro São João em Palmela, vai ao encontro deste contexto cénico em que a banda se baseou na composição, através de um espectáculo de dança/teatro físico com encenação e interpretação de Ricardo Mondim, bem como de Pedro Franco e João Mota, os elementos que compõem o duo.

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Oiçam: Dullmea

© José Caldeira
Dullmea é o projeto de música a solo de Sofia Faria Fernandes que faz uso da voz e de um circuito electrónico de pedais, improvisando sobre estruturas previamente compostas. A artista formou-se em música como violinista na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, sob a orientação da professora Amandine Beyer e fez parte de várias orquestras clássicas sob a direcção de inúmeros maestros relevantes. A juntar ao seu leque de atividades, Sofia também compõe música para teatro e outros tipos de performance.

Foi em abril de 2016 que Sofia Faria Fernandes criou o pseudónimo Dullmea, tendo produzido e editado nessa mesma altura o seu álbum de estreia, Keter, calorosamente recebido por rádios internacionais (Alemanha, Suíça) e críticos como Jonathan Levitt (Nova Zelândia). Dona de uma sonoridade minimalista e bastante experimental, Dullmea procura envolver os ouvintes numa escuta mais participativa e menos passiva. Em 2018 atuou em vários países como Espanha, Holanda, Brasil, Alemanha e Dinamarca, tendo passado também pelo nosso tão querido ZigurFest (Lamego).



Após dois anos de laboratório, surgiu em janeiro deste ano Hemisphaeria, um mundo que se criou a si próprio e se transformou em narrativa.


Produzido e editado com o apoio da fundação GDA, Hemisphaeria está organizado em dois hemisférios: um políptico de seis andamentos e um tríptico. Composto por camadas e espirais que se acrescentam, se modificam e chegam a um sítio que quer chegar a outro sítio, onde a presença de luz é intermitente. Uma 'canção sem palavras' feita de fragmentos de uma língua perdida, de uma multidão.

Este novo trabalho de Dullmea foi recentemente apresentado em São Paulo e Berlim, e poderá ser escutado em Copenhagajá no próximo dia 18. Entretanto, podem também ouvir na íntegra Hemisphaeria, disponível no Bandcamp da artista.

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[Review] Cosmic Mass - Vice Blooms

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Vice Blooms | edição de autor | março de 2018 
8.5/10 

Estes últimos tempos foram fulcrais para os Cosmic Mass, banda emergente de Aveiro, assentarem a sua posição enquanto sérios contendentes a um lugar no eternamente buliçoso panorama do garage rock psicadélico feito em território lusitano. O jovem conjunto composto por Miguel Menano, António Ventura, André Guimas e Pedro Teixeira passou estes últimos meses a limar o seu craft, tanto nos vários concertos ao vivo que passaram um pouco por todo o país - e para além da fronteira, contando com presenças em Vigo - como em estúdio para gravar o seu primeiro álbum de seu nome Vice Blooms, prestes a ser editado. Restará então tentar concluir se estes meninos provam com as nove faixas que têm a lição bem estudada no que toca a fazer sonoros abundantes de cariz caleidoscópico que ao todo retratam uma odisseia de uma noitada bem regada. 

Vice Blooms aquece então as hostes com a faixa “Mantra I”, que é bastante melódica e etérea com especial ênfase no trabalho vocal e como que ampara a introdução gradual ao imaginário da banda, algo que é repetido na faixa “Mantra II” com ambos a evocar uma certa vibe similar a de bandas como Tame Impala. “Early a Saint” entra em cena, começando com um baixo imensamente estimulante mas não demora a chegar ao cerne da questão, sendo essa uma bela de uma malha, completa com um solo bonitinho. “Desert” revela-se como uma faixa que revela o lado mais pesado dos Cosmic Mass, tendendo para algum headbanging. Depois, surge uma das faixas mais fortes do álbum inteiro, “Starting to Lose My Head”, que garante cativar os ouvintes com o seu groove progressivamente frenético.



O tema-título “Vice Blooms” é provavelmente a faixa mais catártica no álbum, tendo um desalento discreto e intercalado com mudanças mais agitadas. O single “I’ve Become the Sun” é outra faixa a destacar, pela sensibilidade arrebitada, mais vivaça e direta ao assunto. Falando em destaques, “Finally Lost My Head”... bem, este mastodonte sonoro em particular tem este riff distorcido gostoso que serve como uma linha mestra a que o resto do instrumental se adapta. Por fim, temos a faixa “Burnt Out”, que como o nome revela, envolve os músicos a queimar os últimos cartuchos para fechar este festim de rock jovem e a fazê-lo com potência e irreverência. 

Com Vice Blooms, estes rapazes demonstram saber exatamente como meter o público em ebulição por via de hinos arrebatadores de peito cheio. Admitidamente, o único senão é a questão do espectro das suas influências denotar-se aqui e ali com certa intensidade em algumas passagens, mas felizmente não é grave ao ponto de distrair o ouvinte da experiência geral que os Cosmic Mass proporcionam, experiência essa que revela um potencial que ainda não foi totalmente espremido. Mas é seguro dizer aqui e agora que este é um dos mais tremendos álbuns de estreia lançados em território nacional em recente memória, e no caso de manterem esta pedalada a longo prazo, a banda conseguirá, porque não, reunir argumentos para se manterem como um dos porta-estandartes da psicadélia atual made in Portugal.


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quinta-feira, 7 de março de 2019

Tremor encerra cartaz com Hailu Mergia, Fumaça Preta, entre outros



Está fechado o cartaz para a sexta edição do Tremor. O festival açoriano que regressa a São Miguel, entre os dias 9 e 13 de Abril, volta a apostar na criação de uma rota de actividades que, partindo da música, propõe a descoberta da natureza, das tradições e da comunidade local. A fechar as contas no plano dos concertos, confirmações finais para Hailu Mergia (na foto),Yin Yin e Fumaça Preta. Nas residências artísticas, inauguração da exposição que sumariza o trabalho realizado por Renato Cruz Santos e Duarte Ferreira: Sístole será composta por um conjunto de instalações que juntando imagem e som constroem uma viagem imersiva ao encontro da ilha do Tremor, pautada pelos ritmos da paisagem.

Apostando na criação de experiências únicas, o Tremor convida ainda a companhia polaca Instytut B61 para a apresentação de uma peça-performance imersiva que ocupará um espaço mistério da ilha de São Miguel. Na secção dedicada ao público infanto-juvenil e familiar, o Mini-Tremor, o Estúdio 13, o novo espaço de indústrias criativas de Ponta Delgada, torna-se a casa de miúdos e graúdos com um programa de workshops, concertos, mini-disco e brincadeiras. E porque o cartaz de um festival não se faz sem dança e festa, as noites do evento estarão entregues às mão de Odete, MCZO & DUKE, La Flama Blanca feat. ZÉFYRE, Black vs DJ FITZ, Zuga 73 + Tape + Nex e DJ Milhafre b2b DJ Fellini.




A programação deste Tremor 2019 integra ainda o percurso programático The Future is Female, que pretende olhar, debater e pensar o papel da mulher nas indústrias criativas e musicais europeias e dos Estados Unidos. A par de um ciclo de conversa com artistas como Instytut B61, Odete, Lafawndah, Laura Diaz (Teto Preto), fazem parte deste circuito os concertos de Lula Pena, Odete, Hayley Heynderickx, Moon Duo e Vive La Void. Este ciclo conta com o apoio da FLAD e Embaixada dos Estados Unidos da América.  

Juntando mais de 40 artistas, o Tremor apresentará uma vasta programação que ocupa salas de espectáculo e espaços informais de Ponta Delgada e Ribeira Grande. A par dos concertos, a edição 2019 apresenta também aquele que será, porventura, o cartaz mais ambicioso de residências artísticas desde a sua formação. Do espectáculo de abertura, a ser desenvolvido entre o colectivo ondamarela com a Es.Música.RP e a Associação de Surdos da Ilha de São Miguel até ao diálogo entre as tradicionais danças das Despensas de Rabo de Peixe e os ZA! (a ser também documentado em fotografia por Rúben Monfort), passando pelos trabalhos site specificde Natalie Sharp para o Tremor Todo-o-Terreno e pelos encontros diversos entre músicos. Para ver em Abril, o segundo episódio do trabalho de Rafael Carvalho e FLiP em torno da viola da terra, e os diálogos entre Balada Brassado e dB; Cristóvão Ferreira e a dupla espanhola Tupperwear; Pedro Lucas e os We Sea e o rapper LBC e o realizador Diogo Lima. Destaque especial ainda para o regresso de Lieven Martens ao arquipélago, para uma recriação da sonata The Cow Herder, um retrato sonoro da vida de um guardador de vacas da Ilha do Corvo.

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IVY, vocalista dos GrandFather’s House, apresenta álbum de estreia a 13 de março

© Tiago da Cunha
IVY surge, em 2019, como o novo projeto a solo e nome artístico de Rita Sampaio, a vocalista dos GrandFather’s House. A música de IVY é sombria, introspectiva, catártica e íntima. Fechada num mundo ao qual a própria já não consegue aceder, como representação de um ciclo que se fechou, uma metamorfose. O álbum de estreia, Over and Out, assume-se como uma obra autobiográfica e extremamente íntima da artista e chega já no próximo dia 13 de março, com o sela da Cosmic Burger.

"I Miss Myself" é o single de avanço do disco, produzido e gravado por Rita Sampaio, João Figueiredo e CASOTA Collective.


A artista vai apresentar o disco em quatro concertos espalhados pelo país:

15 de Março - Zet Gallery, Braga | 10€ (c/ CD) | 22h30
22 de Março - Atlas, Leiria | Entrada Livre | 22h30
23 de Março - Musicbox, Lisboa | 5€ | 22h00
10 de Abril - Maus Hábitos, Porto | 5€ | 22h00     

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Falta uma semana para A Monumental Bergadela


É já no dia 14 de março, quinta-feira, que O Bergado invade o Passos Manuel com A Monumental Bergadela, evento que contará com dois concertos e um DJ set.

A música começa às 23h, com os Terebentina a apresentarem o seu primeiro EP, lançado no início do mês. O disco, homónimo no título, é composto por cinco portentosas peças de pura exploração libertária, uma manifestação criativa que materializa a angústia e a frustração num organismo vivo e impetuoso de enorme abrasividade, cruzando fúria punk com sopros embriagados de saxofone, eletrónicas efervescentes e uma lírica aguçada regurgitada em gritos rasgados. 

Uma hora depois toca o duo Conferência InfernoA banda portuense lançou recentemente uma demo da música "Cetim" e promete novidades para breve. Vão lançar um EP pelo Coletivo FARRA

Começa à uma da manhã o DJ set de Placenta Futura, que não pára antes das 4h.

Os bilhetes já podem ser comprados no Passos Manuel e no Taskinha. Custam 7€ e incluem o EP dos Terebentina. No dia, à porta, custarão 5€ sem EP.

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quarta-feira, 6 de março de 2019

Punch Sessions celebram o Dia da Mulher no Titanic Sur Mer


As Punch Sessions têm como mote a curadoria de noites de música com selo Punch e como intenção a divulgação de artistas emergentes do panorama nacional. Depois de terem passado pelo Cinema Mundial e pelo Musicbox Lisboa, as últimas edições das Punch Sessions têm chamado casa ao Titanic Sur Mer. 

Em particular, 2019 já assistiu a duas edições, cada uma com quatro concertos, que proporcionaram viagens alucinantes entre momentos de introspeção e de euforia total. Março traz consigo um dia muito especial, o dia 8, dia internacional da Mulher. Para o celebrar da melhor forma, a Punch Sessions #6 leva cinco nomes unidos pelo género ao palco do Titanic Sur Mer, numa noite que se dividirá entre o embalo da folk e as viagens da electro pop. O encanto, esse, é comum a todas as artistas que compõem esta noite: Sequin, Lince, Monday, Marinho e April Marmara. As entradas têm o preço de 10€.

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Jacco Gardner, Tashi Wada Group e Julia Holter na sexta edição do Westway LAB


Pelo sexto ano consecutivo, de 10 a 13 de abril, Guimarães converte-se em cidade da música, ao conjugar de forma inovadora a realização de um evento assente em 3 dimensões: Processo (residências artísticas), Pensamento (Conferências PRO) e Produto (concertos).  

Para a sua sexta edição, o Westway LAB expande-se até ao outro lado do atlântico, apresentando o Canadá como país em destaque para esta edição. A 12 de abril, a representação canadiana no Westway LAB2019 será alimentada pelas vozes femininas das cantautoras Sarah MacDougall e Megan Nash, pelos The East Pointers, os Tribe Royal e, ainda, a dupla Les Deuxluxes. Na mesma noite, e à semelhança do ano passado, o Westway LAB volta a receber um dos eventos de divulgação da mais recente música nacional promovida pelo gabinete de internacionalização da música portuguesa, Why Portugal, que este ano convida Neev, Marta Pereira da Costa e Vaarwell.  

Tendo o Centro Cultural Vila Flor como base de operações, a 6ª edição do evento irá novamente alastrar-se para diversos locais da cidade, através dos city showcases que irão converter Guimarães num grande palco tomado por artistas e público. Durante a tarde de sábado, 13 de abril, vai ser possível encontrar o duo austríaco Mickey, a sueca Elin Namnieks ou os polacos Izzy and the Black Trees, três projetos que integram parte da seleção da rede INES para 2019. Da Grécia chega-nos o multinstrumentista e compositor Theodore. O cartaz compõem-se ainda pelo músico e compositor holandês Jacco Gardner, que apresenta o seu mais recente disco, Somnium, no dia 10 de abril, assim como a cantautora italiana Violetta Zironi, que atua no dia seguinte.  

A representação nacional está entregue aos Holy NothingFrancisco Sales, Beatriz Nunes e o quarteto vimaranense Smartini.  

Na última noite do festival, a música alastra-se pelo CCVF numa grande celebração. Através de um passe geral, pelo valor de 20 euros, vai ser possível assistir aos concertos dos The Black Mamba, Tashi Wada Group feat. Julia Holter, Batida presents The Almost Perfect DJ, Captain Boy, Mister Roland, Paraguaii e Whales. Os primeiros 150 passes dão, ainda, acesso exclusivo ao concerto de abertura com Jacco Gardner.

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terça-feira, 5 de março de 2019

Laura Gibson apresenta novo disco no Auditório de Espinho


A música e compositora norte-americana Laura Gibson apresenta-se esta semana em Espinho para uma performance de apresentação do seu mais recente disco, Goners. Lançado no final de 2018, o quinto álbum da artista folk materializa o mesmo desejo de sempre: retratar os temas da dor, do sofrimento e da tristeza. Nas palavras da própria, "todos os temas circulam à volta do luto e da intimidade da perda compartilhada". Ao longo das suas canções encontram-se assombrações e transformações - mulheres tornam-se lobos, homens sofrem processos de metamorfose, crianças-fantasma acenam em retrovisores e cicatrizes representam reservatórios de memórias. Para o concerto a solo de Laura Gibson espera-se um espectáculo pleno de intimismo.

A data, única em Portugal, decorre esta sexta-feira, dia 9 de março, no Auditório de Espinho - Academia, que este ano já recebeu nomes como Enrico Rava ou Eduardo Cardinho e conta Marc Ribot, Jospehine Foster e muito mais na programação dos próximos meses. Os bilhetes estão à venda por 8 euros, aplicando-se os habituais descontos para os detentores do Cartão Amigo AdE.


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Siglo XX estreiam-se em Portugal no Extramuralhas


A banda de culto belga Siglo XX vai marcar passagem pelo nosso país, em data única, no próximo dia 29 de agosto para um concerto inserido na décima edição do festival gótico Extramuralhas. Este é também o primeiro concerto do atual sexteto belga por palcos nacionais e acontece 41 anos depois da formação original da banda, sendo portanto um acontecimento altamente histórico. Além disso este será também, em definitivo, o último concerto da banda por palcos nacionais, o que torna este evento ainda mais especial e único.

Os Siglo XX formaram-se em Genk em 1978, tendo-se mantido ativos até 1991. Neste período de tempo editaram na primeira metade dos anos 80 vários trabalhos na Antler Records e, na segunda metade, igualmente conceituada Play It Again Sam Records, editora que colocou no mercado três dos seus mais emblemáticos álbuns: Flowers For The Rebels (1987), Fear And Desire (1988) e Under A Purple Sky (1989). Reconhecidos em 2010 como a banda mais influente na abundante e qualitativa cena musical belga, foi em 2018 que os Siglo XX se juntaram para uma digressão a assinalar os 40 anos da sua fundação e também os 25 anos desde a última vez que pisaram um palco. A despedida acontece em Leiria, a 29 de agosto no Teatro José Lúcio da Silva.


Os Siglo XX juntam-se assim aos já confirmados ACTORS (que tocam a 29 de agosto), Henric de la Cour e Light Asylum (que tocam a 30 de agosto), She Wants Revenge, TRAITRSBlack Nail Cabaret (que tocam a 31 de agosto). Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

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Sólveig Matthildur lança novo disco em abril


Sólveig Matthildur, a teclista e voz back-up das Kælan Mikla, regressa este ano às edições de estúdio a solo com Constantly in Love, aquele que vem a ser o seu segundo disco de estúdio e que chega dois anos depois de Unexplained miseries & the acceptance of sorrow (Artoffact Records, 2016). Juntamente com o anúncio do disco a islandesa avançou com o primeiro tema de avanço, "Dystopian Boy" tema que tinha anteriormente sido lançado em formato digital e que contou com a participação de Deb Demure dos Drab Majesty.

Segundo a nota de imprensa neste novo trabalho é uma criação emocional e poética que canaliza influências tão variadas como trip-hop, post-punk, darkwave e downtempo. Além de Deb DemureConstantly in Love contou ainda com a participação de Some Ember (artista que esteve recentemente em tour com as Kælan Mikla), e a versão digital do álbum inclui uma faixa bónus,"Your Desperation", com remix assinado por Hante..


Constantly in Love tem data de lançamento prevista para 19 de abril de 2019 pelo selo Artoffact Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Constantly in Love Tracklist:

01. Constantly In Love 
02. My Desperation 
03. Your Desperation 
04. Tómas 
05. My Father Taught Me How to Cry 
06. Constantly Heartbroken 
07. Dystopian Boy 
08. Utopian Girl 
09. I'm OK 
10. The End 
11. Your Desperation (Hante. remix)

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STREAM: IV Horsemen - Dies Irae


IV Horsemen, o projeto a solo de Timothée Gainet (Poison Point), viu surgir no final da semana passada o seu segundo rebento curta-duração, Dies Irae, um disco de cinco temas que vem afirmar o seu nome na exploração de uma linha de géneros como o industrial e o techno e colocá-lo nos tops dos novos artistas a ter em atenção num futuro próximo. Através de uma abordagem a explorar a eletrónica mais obscura, IV Horsemen apresenta um disco que incorpora os mais diversos elementos da onda minimal e contrói os ritmos e efeitos de voz de forma imprevista e surpreendente.

Deste trabalho tinha já anteriormente sido revelado o incendiário "Judex" (cujo trabalho audiovisual pode ser consultado aqui). Além desta faixa recomenda-se ainda a audição de temas como "Judicánti Responsura" (que certamente agradrá os fãs de nomes como The Soft Moon), "In Favilla" - que segue estruturas semelhantes ao tema de avanço, num desenvolvimento ainda mais poderoso - e "Cor Contrítum", a viajar por territórios mais góticos. O EP pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Dies Irae foi editado no passado dia 1 de março pelo selo aufnahme + wiedergabe. Podem comprar o disco aqui.


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Black Nail Cabaret com concerto gratuito no Extramuralhas


Depois de se terem estreado no palco da Stereogun, na terceira edição do Festival MONITOR, em 2018, os Black Nail Cabaret regressam a Portugal para mais um evento com o carimbo da Fade In, desta feita incorporado na décima edição do festival gótico Extramuralhas. A dupla formada em 2008 e atualmente composta por Emese Arvai-Illes e Krisztian Arvai atuará no palco Jardim Luís de Camões, a 31 de agosto, num concerto de entrada gratuita. Em foco, no palco de Leiria estará o mais recente disco da banda, Pseudopop, editado o ano passado pela Dichronaut Records.


Os Black Nail Cabaret juntam-se assim aos já confirmados ACTORS (que tocam a 29 de agosto), Henric de la Cour e Light Asylum (que tocam a 30 de agosto), She Wants Revenge e TRAITRS (que tocam a 31 de agosto). Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

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[Review] Isolated Youth - Warfare


Warfare | Fabrika Records | fevereiro de 2019
9.5/10


Aqui está uma das mais bonitas obras de arte que o post-punk contemporâneo se pode orgulhado de ter recebido nas últimas décadas. Trata-se de Warfare, o EP de estreia do quarteto sueco sediado em Estocolmo, Isolated Youth. A banda –  cuja existência chegou ao radar dos ouvintes mais atentos há cerca de nove meses atrás, quando QUAL (o projeto a solo de William Maybelline, metade do corpo Lebanon Hanover) se dedicou a fazer um remistura do primeiro tema de apresentação deste Warfare, "Safety" (podem ouvir o remix aqui) – vê agora o seu nome surgir na listas dos melhores novos atos do panorama post-punk, pela sua sonoridade inovadora, distinta e de vanguarda.

Os Isolated Youth nasceram no primeiro dia de março de 2017 como um projeto colaborativo entre os irmãos William Mårdberg (guitarra) e Axel Mårdberg (voz) aos quais se juntaram Egon Westberg Larsson (baixo) e Andreas Geidemark (bateria). Cerca de dois anos depois do início, a banda sueca começou a crescer não só pelas suas performances intensas e de beleza singular, mas cada vez mais por Warfare - o EP de estreia - e todos os elementos estruturais, rítmicos e líricos que o compõem. Através de um som reminiscente entre o post-punk e o panorama do art-rock, uma abordagem original e a plena juventude em pele (uma das alturas mais conturbadas de se ser humano) os Isolated Youth criam cinco músicas completamente aliciantes que se destacam essencialmente pela vulnerabilidade com que são cantadas, a mensagem e o contraste entre a batida monocromática, as guitarras reluzentes e a condução das linhas de baixo.


O EP abre com "Oath", o segundo tema extraído deste novo disco que é sem margem de dúvidas uma das melhores canções deste Warfare. A abrir com uma batida crescente no compasso, uma guitarra rasgada a pintar momentos distintos na música e uma linha de baixo extremamente melancólica, os Isolated Youth criam um som extremamente cativante e poderoso, emaranhado pelos pensamentos mais obscuros, mais ainda assim prontos para abraçar a luz ("I won’t fall in soil // I won’t be scared by tears // love won’t be sold // oh, the devil will fold" (…) "A cascade of blue // my eyes seem dark // but my harms are steady // ready to hold"). Esta estrutura de pensamentos volta a surgir mais tarde com o tema "Safety". Reconhecer que "There is no safety // for neither you nor me // there are no trains waiting for us // I’m alone // there is no safety // until I hunt you down // and take you home", numa sociedade onde a solidão parece denegrir a alma de qualquer humano, transmite essa fragilidade de se ser racional sem o dizer de forma direta.

Num registo mais calmo, embora com uma letra pesada, surge "Warfare", tema que dá título ao EP e que é marcado pelo início com um sample áudio de uma criança a rir-se. A capa do EP, também ela o retrato de uma criança, inocente, junto a flores e, nos versos da letra ouve-se "Boy soldiers (…) some are here to conquer // but most will fall // but none will flinch". Enquanto isso William, Egon e Andreas apresentam um som imersivo e altamente acolhedor, como uma fuga do mundo cruel. Apesar da tenra idade os Isolated Youth primam nesta estreia com Axel Mårdberg a destacar-se em pleno pelo profissionalismo que apresenta na vociferação das letras de Warfare – acrescentando-lhe uma emoção distinta e frágil, o que não é comum dentro da nova vaga do post-punk - e claramente pela sua imagem como artista, o que conduz o ouvinte a fazer um parêntesis entre a sua persona e Brian Molko dos Placebo. Já relativamente à sonoridade, imune de voz, este novo disco dos Isolated Youth chega às prateleiras para encher o coração dos saudosos fãs de Iceage na época de Plowing Into the Field of Love, essencialmente em temas como "Oath", "Safety" e os últimos minutos de "Gold Lane".

"Gold Lane” é o tema que inicia o lado B da edição em vinil que conta com o selo da muitíssimo renomada Fabrika Records. Num tema com uma introdução mais prolongada os Isolated Youth vão construindo pouco a pouco o seu caminho na música e os ritmos por onde querem trabalhar. Este é um dos singles mais experimentais do registo, a apresentar um desenvolvimento altamente imersivo e uma mudança estrutural já antecipada, mas não prevista. A fechar com "Seasons" - outro dos singles a apostar forte numa letra melancólica e nos laços emocionais que fazem crescer o desejo de proteger quem amamos – os Isolated Youth deixam em aberto uma temporada de espera para o agora já muito aguardado disco de estreia longa-duração. Como eles dizem, "A season too far // a wish too much".

Escutar este disco numa primeira vez pode surtir no ouvinte alguma dúvida inicial pela já referida fragilidade evocada pela voz doce de Axel (que foge à regra nestas andanças mais dark), contudo, quando ouvida no seu todo, contextualizada e com uma perspetiva de abertura à novidade, esta obra torna-se claramente um marco no novo revivalismo post-punk por fugir ao rumo da eletrónica que se está a experienciar na atualidade e por ser bastante distinto do período vivenciado nos anos 80. Warfare não é só o EP de estreia dos Isolated Youth, mas é definitivamente uma obra-prima que chegou para projetar os meninos de Estocolmo como os novos queridinhos do movimento post-punk underground

Banda internacional revelação do ano. 
Melhor EP de estreia post-punk do ano. 
Melhor nova banda. 


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segunda-feira, 4 de março de 2019

HAARM com concerto no Hard Club


No dia 31 de Março, pelas 21.30h, o Hard Club vai receber, vindos de Liverpool e em estreia nacional, o trio de indietronica HAARM. Findo o concerto, o registo muda para «DJ Set» pelos próprios HAARM.

HAARM é um trio composto por Chris McIntosh, Jen Davies e um dos dois irmãos Gorman que faziam parte do quarteto inicial. Formados em Liverpool, em 2016, têm brilhado no meio onde reina a sonoridade electrónica de características alternativas. Singles como “Foxglove” e “Valentine” conseguiram com que a banda atingisse mais de 400.000 streamings no Spotify, tendo as suas composições sido escolhidas para aparecerem em séries e anúncios de televisão como “The Grand Tour”, “The Rugby World Cup” e “Made No Chelsea”.

A banda fez as primeiras partes de nomes como Bloc Party, Dream Wife, Let’s Eat Grandma e Ladytron. Em Setembro de 2018 lançou o EP Better Friend que recebeu os maiores elogios da crítica especializada. O The Independent considerou que HAARM é “uma banda repleta de ideias inteligentes” enquanto a Clash rotulava de “brilhante” a escrita de canções da banda.

Encontrem aqui mais informações sobre o concerto.


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Na próxima semana vamos ter dose tripla de Ólafur Arnalds


Ólafur Arnalds, artista, compositor, músico e produtor já distinguido com um BAFTA, regressa a Portugal já na próxima semana para três concertos.

Depois de uma secção europeia da digressão completamente esgotada, incluindo uma apresentação no prestigiado Royal Albert Hall, em Londres, Ólafur anunciou um novo álbum, re:member, editado em agosto do ano passado, com selo da Mercury KX. Os primeiros dois singles do álbum, a faixa título "re:member" e o tema "unfold" apaixonaram fãs por todo o globo. E agora, Ólafur e a sua equipa de artesãos e músicos estão de regresso à estrada com um novo espectáculo. 

A digressão inclui um quarteto de cordas muito singular, um baterista/percussionista e Ólafur numa panóplia de pianos e sintetizadores. No centro do espectáculo estão dois pianos semi-generativos que se tocam a si mesmos que Ólafur e a sua equipa demoraram dois anos a desenvolver. Eles são simultaneamente uma ferramenta de composição e uma parte integral da performance graças à sua natureza generativa. De cada vez que são tocados soam um pouco diferentes conferindo a cada espectáculo um carácter único.

Os bilhete para o Porto (Casa da Música - 11 de março) e Braga (Theatro Circo - 10 de março) já se encontram esgotados, havendo ainda bilhetes para Lisboa (Coliseu dos Recreios - 13 de março).



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domingo, 3 de março de 2019

Cinco Discos, Cinco Críticas #43


De regresso a mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas desta feita com análises aos mais recentes discos dos norte-americanos Conduit, com o seu Drowning World (Kitschy Spirit, 2018); ao britânico QUAL com o EP Cyber Care (Avant! Records, 2019); ao norte-americano Panda Bear com o mais recente Buoys (Domino Records, 2019); aos estado-unidenses Monobody com o disco Raytracing (Soft Greens Music/ASCAP, 2018) e, para finalizar ao split entre Hirotika e Das Monstrvm - Sound Ov Machinas (Favela Discos, 2019). As críticas às referidas edições podem ler-se abaixo.


Drowning World | Kitschy Spirit | setembro de 2018 
8.5/10 

Os Conduit são um quarteto baseado em Nova Iorque, composto por membros e ex-membros dos Twin Stumps, Pop. 1280, White Suns, e Squad Car e, no ano passado lançaram o seu LP de estreia, o Drowning. A carreira discográfica dos Conduit é ainda marcada por um álbum gravado durante uma atuação ao vivo na estação de rádio WFMU e pela sua Demo (ambos estes trabalhos são de 2016). Destes dois trabalhos prévios, sobreviveram os temas "Hypnagog", "End Times" e "Reducer", sendo que estes dois se encontram em Drowning World na mesma sequência em que na Demo - o trabalho de onde foram resgatados/repescados. Em dois anos, é visível a maturação do projeto. Os Conduit saíram da garagem e poliram a sua sonoridade, mantendo-se ainda assim dedicados à exploração das fronteiras do noise experimental e da sua intersecção com o universo do punk visceral e sujo, o que os enquadra no mesmo plano sonoro dos Anxiety e dos Uniform. É também notável a melhoria substancial dos valores de produção em Drowning World quando comparado com os esforços anteriores da banda. O tempo dispendido na produção do disco traduz-se num output nítido que acrescenta definição (podemos discerner as várias camadas de vocais e instrumentação) sem retirar força à parede sonora que por vezes se abate sobre nós (basta compararem as versões mais datadas de "Reducer" e "End Times" com as versões do Drowning World). 
Em todos os sentidos, este é o primeiro disco "a sério" dos Conduit. Um testemunho do quanto a banda evoluiu e mais uma prova (como se fossem precisas mais) de que a música niilista feita com guitarras está viva. Para fãs dos Anxiety e dos Uniform.
Edu Silva



Cyber Care | Avant! Records | fevereiro de 2019 
8.0/10 

Cerca de um ano após a edição do EP Cupio Dissolvi e do vanguardismo estético do segundo longa-duração The Ultimate Climax, QUAL está de regresso às edições de estúdio com Cyber Care EP, o novo rebento de William Maybelline (Lebanon Hanover) que se estrutura ao redor de quatro potentes faixas. Se já nas edições anteriores QUAL se mostrava cada vez mais distante de géneros como o post-punk ou a coldwave, neste Cyber Care o produtor abraça em finito géneros como a EBM, o techno e a eletrónica mais obscura. É a nova evolução do ressuscitado movimento gótico que se está a fazer ouvir cada vez forte nas tendências. Num registo completamente incendiário QUAL inaugura o conceito deste novo EP através do tema homónimo "Cyber Care", um reflexo poderoso sobre a nova era digital e os contratempos associados, a funcionar como uma descarga rítmica de música altamente cybergoth. A estagnação significa a morte para William Maybelline e é por isso que a cada disco lançado, surge associada uma nova perspetiva musical. Agora a explorar bem forte o techno e a música industrial QUAL mostra ainda a ironia da vida contemporânea com a necro "Inject Your Mind" e, essencialmente, com os versos e a voz de "I Have To Return Some Video Tapes". A fechar com "Motherblood" (que vem retomar a estética musical de temas como “Rape Me On The Parthenon”) QUAL apresenta mais um trabalho que prima pelo resultado final.
Sónia Felizardo


Buoys | Domino Records | fevereiro de 2019
7.0/10

O regresso de Panda Bear às edições vem na forma de Buoys, o quinto (sexto se contarmos o disco homónimo, de 1999) longa-duração a solo do percussionista/ teclista/guitarrista dos norte-americanos Animal Collective. O sucessor do excelente Panda Bear Meets the Grim Reaper volta a contar com a produção de Rusty Santos, o mesmo que produziu Person Pitch no já distante ano de 2007 e que levou Noah Lennox para o estrelato da esfera indie
Naquele que pode ser considerado o seu álbum mais despido até à data, o músico residente em Lisboa explora novas estratégias formais num exercício de constante exploração que é tão satisfatório quanto polémico e divisivo. Como que uma versão moderna de Young Prayer, menos cacofónica é certo, Buoys aproxima-se das propriedades pastorais do disco de 2004. Menos cru e rudimentar que o supracitado, Buoys apoia-se numa forte componente instrumental, rica em texturas e efeitos subaquáticos que se complementam por uma forte linha de sub-graves. O fascínio de Noah pelas produções da música dub e, mais recentemente, do trap, levaram-no a explorar o potencial dos sons de baixa frequência, assim como o uso invulgar de auto-tune que lhe traz um caracter versátil e de grande plasticidade vocal. A tudo isto junta-se a constante dos acordes de guitarra, em repetições circulares e hipnóticas que são tão puras quanto alienadas. Acima de tudo, há uma sensação de conforto e de regresso a um porto que nos é, e sempre será, familiar e seguro.
Filipe Costa



Raytracing | Soft Greens Music/ASCAP | novembro de 2018 
8.4/10 

O segundo álbum da banda de Chicago Monobody é seguramente interessante, sinceramente até dir-se-ia mesmo que o registo - ou porque não, até mesmo a banda em si - é um hidden gem negligenciado por vários audiófilos no decorrer da reta final do ano que findou. A direção sonora da banda é de certo modo ambiciosa, nem que seja só no que toca a termos técnicos, pois propõe-se a cruzar o minimalismo provocador do math rock com a vivacidade contagiosa do jazz de fusão, duas estéticas tão díspares e que ao mesmo tempo, mantêm alguma similaridade devido ao facto de que partilham a tendência insistente em enveredar por riffs desafiantes e cativantes e por ritmos propícios a mudanças abruptas e alucinantes. Então conclui-se de que falamos aqui essencialmente de um pequeno behemoth que tanto bebe influências de bandas como Weather Report como de Don Caballero, e os resultados têm sido gradualmente estimulantes devido à mestria notável dos instrumentistas da banda e às imensas camadas sonoras dispostas de forma bem executada e bastante complexo. O tema-título, "Former Islands" e "Opalescent Edges" são exemplos do espírito aventureiro refletido no ADN musical destes meninos.
Ruben Leite



Sovnd ov Machinas | Favela Discos | janeiro de 2019 
6.5/10 

Sovnd ov Machinas é o primeiro lançamento do ano com o selo da portuguesa Favela Discos e surge da colaboração entre o português Das Monstrvm (um entusiasta dos campos D.I.Y.) e o artista japonês Hirotika (um anarquista autoproclamado). O disco surgiu devido ao grupo de Facebook Synthesizers and Drum Machines e conta com um total de nove faixas, cinco de Hirotika e quatro de Das Monstrvm, onde ambos partilham os mesmos métodos de produção e a visão de uma pista de dança a sentir forte e feio. Este split, que trabalha ao redor de géneros como o techno, a eletrónica e/ou industrial, foca-se numa música inibida de voz, a qual conduz o ouvinte a viajar pelas intermitências do seu pensamento e o convida a pensar na possibilidade de humanização das máquinas. De Hirotika os grandes destaques vão para temas como "Mundus Imaginalis" – com os sintetizadores iniciais a soar em jeito darkwave e posteriormente a avançar para territórios mais retro e techno - e ainda para a chapada sonora experimental "The Needle". Já de Das Monstrvm, as "jams" mais apelativas encontram-se em "What is left after" e no witch-house experimental de "and decadence". 
Em suma Sovnd ov Machinas é um disco que peca pelas suas músicas de desenvolvimento extremamente extenso mas que, contudo, surpreende pela imagética, conceito e história envolventes. Para os fãs destas andanças eletrónicas, o resultado será certamente positivo.
Sónia Felizardo

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