sábado, 16 de março de 2019

STREAM: Bring Her - Bring Her


Os Bring Her, dupla norte-americana sediada em Pittsburgh, Pennsylvania, estrearam-se esta semana nas edições de estúdio com o disco homónimo Bring Her, reafirmando-se assim como uma das novas bandas a trabalhar numa gama sonora que abrange géneros como a coldwave, darkwave, post-punk e algumas influências do shoegaze. Num total de nove músicas, que incorporam os elementos monocromáticos dos anos 80 às abordagens mais contemporâneas e soturnas dentro do panorama underground, os Bring Her apresentam um disco bastante coeso que se torna facilmente apelativo às primeiras audições.

Deste trabalho já tinha anteriormente sido apresentado o tema de abertura "Curses Not Promises", um daqueles singles incendiários das pistas de dança mais góticas a fazer gerar os primeiros rumores de que os Bring Her tinham qualquer coisa interessante a descobrir. Com o álbum lançado recomenda-se ainda a audição de temas como "Cold Moon", "Arms In This Circle", "Choose Me Move Me", "Eleventh Hour" e o fugaz tema de encerramento "Osiris Temple". Discão.

Bring Her foi editado no passado dia 11 de março pelos selos Black Verb Records Icy Cold Records. Podem ouvir o disco na íntegra ali abaixo.


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Italia 90 em dose tripla por Portugal

© Holly Whitaker

O quarteto londrino Italia 90, cuja sonoridade opera entre as lides dos post-punk e do indie rock, vai regressar ao país dois anos depois de ter tocado no palco Faina do Milhões de Festa, para três datas anunciadas para o final do mês e que acontecem em Lisboa, Aveiro e Guimarães, nos dias 28, 29 e 30 de março, respetivamente.

A banda que já dividiu palcos com nomes como Viagra Boys e Insecure Men, apresentará no país os seus mais recentes singles de estúdio, "New Factory" - aquela malha a trazer a nostalgia do final dos anos 70 inícios de 80, com ritmo, atitude e coordenação - e "Tourist Estate" - um emaranhado de riffs noisy de guitarra, acompanhado de uma bateria minimalista e monolítica, linhas de baixo simples e contagiantes, e ainda por vocais  fervorosos. Além destes temas a setlist apresentará com certeza novidades a integrar um futuro trabalho. As informações adicionais seguem abaixo.




Italia 90 Portuguese Tour Dates:

28/03 - MIL - Lisbon International Music Network, Lisboa (informações adicionais aqui)
29/03 - Associação Cultural Mercado Negro, Aveiro (informações adicionais aqui)
30/03 - Oub'Lá, Guimarães (informações adicionais aqui)



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STREAM: VR SEX - HORSEPLAY EP


VR SEX, o novo projeto colaborativo de Deb Demur (Drab Majesty) com Aaron Montaigne (DBC) e Brian Tarney, prepara-se para lançar o seu LP de estreia no próximo mês de maio mas em antevisão podemos agora ouvir quatro novas faixas que preparam o ouvinte para a personalidade da nova criança musical criada por um dos mais carismáticos músicos da cena underground. Horseplay EP é o título do novo curta-duração do trio que se apresenta como um projeto sonoro-visual que transpõe os identificadores das paisagens sonoras do death rock, synth punk, post-punk, e ethereal wave a uma auditoria sobre tecnologia e a sua marca na psique coletiva.

Este novo projeto incorpora uma tensão extrema que corta o brilho com frequências fétidas, sem estabelecer uma hierarquia auditiva ou urgência. Além dos quatro temas do EP (disponível para audição na íntegra abaixo), podemos ainda ouvir "Surrender", o primeiro avanço do LP de estreia aqui.

Horseplay EP foi editado esta sexta-feira (15 de março) pelo selo Dais Records. Podem ouvir o disco na íntegra ali abaixo.


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Jacco Gardner em entrevista: "Tenho-me sentido mais próximo de mim mesmo, da audiência e do desconhecido"


O mago holandês Jacco Gardner vai marcar presença, pela segunda vez, no Festival açoriano Tremor, onde irá apresentar o seu novo álbum lançado no final de 2018, Somnium, mas antes esteve à conversa com a Threshold Magazine, onde explicou o que podemos esperar dos seus mais recentes espetáculos e ainda nos deixou a salivar com as perspetivas futuras do seu projeto de eletrónica tropical, Bruxas.

Já fizeste parte do cartaz do Tremor em 2017, guardas boas memórias deste festival?

Jacco Gardner (JG) - Guardo sim. Adorei explorar o habitat invulgar que é São Miguel, e melhor ainda foi compor música inspirada na ilha e para ela. Esta é a melhor combinação, adorava poder fazer isso o tempo todo!


Para as pessoas que já te viram há dois anos atrás, o que é que podem esperar de diferente neste novo concerto?

JG - Esse foi um dos primeiros concertos em que anunciámos um novo tipo de conceito que eu acabei por adotar para os meus concertos atuais, por isso vão ter bastante em comum de uma certa forma. Ambos vão ser principalmente instrumentais e focados na eletrónica. Apesar do primeiro concerto ter sido com bastante música ambiente e experimental e apontado para uma audiência que caminhava e passeava [pelo local]. Somnium vai ser experienciado num sistema quadrafónico surround, por isso também vai haver oportunidade de explorar o ambiente.

E o Jacco? Como foi o teu crescimento neste tempo?

JG - Não aconteceu muito, para ser sincero. Tenho tido oportunidade para analisar mais profundamente as coisas pelo qual descobri interesse nesse tempo. Também tive oportunidade para experimentar algumas ferramentas ao vivo incríveis e de executar as minhas paixões atuais o mais fielmente possível.

No ano passado lançaste Somnium, como tem sido a sua recepcão?

JG - [O Somnium] tem tipo muitas críticas fantásticas e tenho sentido muito amor e entusiasmo ao longo do tempo, o que é muito bom, uma vez que senti que era um risco seguir esta direção mais instrumental e eletrónica.

Como é que tem sido tocar este álbum ao vivo?

JG - Tem sido uma experiência muito bonita e inspiradora. Mais do que nunca, tenho me sentido mais próximo de mim mesmo, da audiência e do desconhecido e ainda acredito que há muito para explorar nas próximas experiências ao vivo. Estou muito feliz com a configuração atual do meu material, sendo quadrafónica, e com o público sentado à volta do palco, [os concertos] pareçam, não só mais íntimos, mas também mais naturais. Começámos recentemente, por isso ainda foram precisos acontecer alguns concertos para conseguirmos que um conceito ambicioso como este se tornasse o nosso padrão ao vivo.

Para além do teu trabalho a solo, também fundaste uma nova banda com Nic Mauskovic, Bruxas, desta vez com uns ritmos muito mais tropicais e solarengos. Este projeto ainda está ativo? Como está a correr?

JG - Tem corrido bastante bem e estou muito feliz por poder incluir clubes e festivais de música eletrónica aos sítios onde posso atuar. Isto significa um tipo diferente de energia e de audiência, algo que é bastante refrescante e excitante. Acabámos de gravar o nosso novo álbum há pouco tempo e agora está a ser misturado. Estamos bastante animados por trazer esta música para um novo tipo de performance ao vivo também.


Tanto tu como o Nic já atuaram no Tremor, contudo em ocasiões diferentes. Será que teremos a oportunidade de algum dia assistirmos aos dois a tocar juntos neste festival?

JG - Espero que sim! Eu sei que ele também adorou a experiência de ter estado lá, tal como eu. Era muito fixe se Bruxas pudessem estar na próxima edição assim que o álbum estrear.

Já tiveste oportunidade de espreitar o cartaz? Se sim, estás curioso para ver alguma atuação em especifico?

JG - Sim! Gostava de ver Bulimundo, Colin Stetson e Hailu Mergia.



O Tremor regressa a São Miguel, entre os dias 9 e 13 de Abril, para a sua sexta edição, voltando a apostar na criação de uma rota de actividades que, partindo da música, propõe a descoberta da natureza, das tradições e da comunidade local. Colin Stetson, Moon Duo, Pop Dell'Arte, Bulimundo, Haley Heynderickx, Grails, Lafawndah, Vive la Void, Hailu Mergia e ZA! são apenas alguns dos artistas que vão passar pela ilha açoriana. Para mais informações consultem o site do festival

Entrevista por: Hugo Geada

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The Underground Youth lançam novo disco no final do mês


Os britânicos The Underground Youth regressam às edições de estúdio já no final do mês com Montage Images Of Lust & Fear, aquele que será o nono disco longa-duração da banda e que chega dois anos depois de What Kind Of Dystopian Hellhole Is This?. Craig Dyer, o vocalista e mentor da banda, explica o conceito do álbum anvançando que: "Montage Images of Lust & Fear é inspirado na sucessão de experiências a que somos cada vez mais obrigados a lidar pelos media. Sexo, violência, amor, suspeita, desejo, angústia, etc. O álbum funciona como uma montagem em si, o tema de cada música lida com um aspecto de luxúria ou medo. Como folhear os canais de uma televisão. Até que no final você seja superado pelo ruído branco. Estático."

Deste nono trabalho de carreira - que é também o primeiro onde todos os membros da banda participaram ativamente no processo de composição das músicas - os The Underground Youth já mostraram antecipadamente "Last Exit To Nowhere" e "The Death Of The Author", temas que podem ser escutados abaixo.


Montage Images Of Lust & Fear tem data de lançamento previsto para o próximo dia 29 de março pelo selo Fuzz Club Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Montage Images Of Lust & Fear Tracklist:

01. Sins 
02. Last Exit To Nowhere 
03. The Death Of The Author 
04. This Is But A Dream 
05. Too Innocent To Be True 
06. Blind 
07. Blind II 
08. I Can't Resist 
09. This Anaesthetised

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[Review] Structures - Long Life


Long LifeRockerill Records | setembro de 2018
8.0/10

Oriundos de Amiens, na França, os Structures estrearam-se nas edições de estúdio o ano passado com Long Life, disco editado em CD, vinil e cassete (já esgotada) que os conduz à conquista dos palcos europeus com o seu post-punk hipnótico de tonalidades melancólicas e altamente dançantes. Através de um universo sonoro que inclui uma série de emoções fortes e divergentes, Adrien Berthe (guitarra/sintetizadores), Marvin Borges-Soares (baixo), Pierre Seguin (guitarra/voz) e Oscar Siffrirt (bateria) conduzem uma instrumentação altamente contagiante à qual é impossível ficar indiferente. 

O EP de estreia, composto por um total de seis canções, é iniciado com o tema homónimo, "Long Life", single que também serviu como o primeiro avanço do curta-duração, lançado há cerca de seis meses atrás. Usando como base uma percussão ritmada, linhas de baixo ora marcantes, ora discretas, sintetizadores altamente incendiários e guitarras latejantes, os Structures começam por apresentar os caminhos sonoros que os identificam e, ainda, preparar o ouvinte para um momento reflexivo comunicado por mensagem verbal: "First thing // no surprise, it's been a long way to mankind". Efetivamente a humanidade tem percorrido um longo caminho ao longo dos anos, contudo, algumas questões existencialistas aparentam continuar as mesmas e os Structures deixam isso bem claro quando se referem a uma longa vida: "Thinking, // wasted time to find a decent compromisse. // Disappointed? Unsatisfied? // Tired of making every choices by spite? (…) Or leave, before I step inside?". O quarto de Amiens, cuja sonoridade cativa às primeiras audições, apresenta ainda uma lírica ampla e curiosa que se sobrepõe à vontade de fazerem música para distrair a cabeça e irradiar as pistas de dança mais underground



Ainda antes de editar em formato físico Long Life, o quarteto francês mostrou ainda o segundo tema de avanço do EP, o pirómano "Dancers". Um single que, segundo a própria banda, se foca nos divergentes tipos de dança a dois, onde a conquista é o principal motor. "Dancers" é o terceiro tema do disco e o single que encerra o lado A do disco de vinil. "Dancers" apresenta uma atmosfera que vai beber influências ao indie-rock dos anos 2000 e lhe acrescenta as linhas de baixo e uma voz que se encaixam no revivalismo post-punk. Com quebras no ritmo, espaço para uma exploração focada na bateria e sintetizadores e um belíssimo encaixe entre guitarras e voz, os Structures começam a finalizar o conceito do tema com aquela frase muito direta sobre o resultado deste jogo de conquista: "Too many dancers on their way to die", à qual se vão sobrepondo guitarras arrojadas e uma atmosfera fogosa e cada vez mais brutal. 

A estrutura musical dos Structures é bastante simples (embora emotivamente forte) e as próprias melodias criadas resultam de uma sublime conjugação entre os simples instrumentos a que fazem recurso. Exemplos disso encontram-se em temas como "Pyramids" – onde um simples sintetizador colocado no momento certo incute toda uma nova aura hipnótica e psicadélica aos ritmos monocromáticos da bateria – ou ainda "Embassy" - single que se inicia e desenvolve num ritmo mais calmo, ao qual os Structures pronta e, inesperadamente, injetam uma parafernália de guitarras abrasivas, voltando a reconstruir o ambiente sereno e encerrando o tema com uma percussão agitada e aquele mini riff, a fazer a assinatura do adeus. 



Já a chegar ao fim do vinil, encontramos ainda no lado B "Satellite", uma das faixas mais desafiantes deste EP, não só pelo seu cariz aditivo de início – com aquela linha de baixo a marcar pontos bem altos -, mas essencialmente pela mudança drástica que sofre no seu desenvolvimento e que certamente não é previsível nem tão pouco expectável para quem a está a ouvir. "You are lost now", dizem eles, será que estamos mesmo? 

O adeus "à" Long Life é feito em cerca de cinco minutos e através do single "Arabian Knights Club", um tesouro musical que só vai ser descoberto por aqueles que se derem ao trabalho de ouvir este disco até ao fim. As guitarras alinham-se numa camada de som contida, sem abafar a percussão e sem serem abafadas por esta, construindo um ritmo tenso mas inegavelmente sedutor. 

Em seis canções os Structures deixam extrínsecas uma série de características: têm uma lírica algures metafórica, profunda e desafiante, um gosto musical altamente requintado e uma qualidade instrumental que apresenta uma certa maturidade para uma banda que só começa agora a dar grandes passos à conquista da Europa. Além disso, a voz de Pierre Seguin é a cereja no topo do bolo, meio rouca, meio pura, meio agressiva, mas claramente única. Um grande pontapé de início numa discografia que se espera extensa e altamente qualitativa.


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Fotogaleria: First Breath After Coma [Estúdio Time Out, Lisboa]

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No passado dia 7 de março fomos até ao Estúdio Time Out, Lisboa, para assistir ao concerto de apresentação de NU, novo e terceiro disco de originais dos leirienses First Breath After Coma, editado no início do mês com o selo da Omnichord Records

Podem recordar a noite com as fotografias de Virgílio Santos, que se encontram na fotogaleria abaixo.

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STREAM: Capitão Fausto - A Invenção do Dia Claro


Os Capitão Fausto editaram ontem (15 de março) o seu quarto e novo álbum de estúdio. A Invenção do Dia Claro é o sucessor de Capitão Fausto Têm os Dias Contados (2016) e foi gravado nos Red Bull Studios São Paulo por Rodrigo "Funai" Costa, assistido por Alejandra Luciani e Fernando Ianni, sendo produzido e misturado em Alvalade pela própria banda.

São temas como “Sempre Bem”, “Faço As Vontades”, “Amor, a nossa vida” e o mais recente “Boa Memória”, que mostram uma banda que renasce a cada disco, que se renova com o cuidado de quem quer construir uma carreira sólida, de uma forma aparentemente galopante mas sem o torpor do deslumbramento. Apaixonados por Cartola, samba e choro, foram ao Brasil apostados em reinventar-se.

Juntamente com o lançamento de A Invenção do Dia Claro, a banda partilhou o vídeo para o novo single "Boa Memória", o qual pode ser visto em baixo.


O quinteto vai apresentar o novo trabalho a 4 de abril na Casa da Música, Porto, e a 6 de abril no Capitólio, Lisboa. Podem ouvir em baixo A Invenção do Dia Claro.

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Fotogaleria: Punch Sessions #6 - Dia da Mulher [Titanic Sur Mer, Lisboa]


No passado dia 8 de março, dia da Mulher, estivemos presentes em mais uma das Punch Sessions que têm ocasionalmente tomado conta do Titanic Sur Mer. Esta sessão, a sexta, foi dedicada a projetos femininos, e sendo este o dia da Mulher, fez todo o sentido que assim o fosse. Fiquem com as fotografias de Virgílio Santos para recordar as atuações de April Marmara, Marinho, MONDAY, Lince e Sequin


April Marmara


Marinho


MONDAY


Lince


Sequin


A fotogaleria completa do evento pode ser vista em baixo.

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