sábado, 6 de abril de 2019

Vivarium Festival: 5 momentos a reter



O Vivarium Festival regressou ao Porto entre os dias 28 e 30 de março. A segunda edição do novo festival de new media estendeu-se, pela primeira vez, à cidade, levando cerca de 30 propostas e mais de 40 artistas a espaços como o Ateneu Comercial, Passos Manuel, Reitoria da Universidade do Porto e Maus Hábitos, que voltou a receber o evento que partilha com a associação cultural Saco Azul. Sob o título “Inteligência Natural, o que as Inteligências Artificiais (IA) ainda não podem fazer?”, a segunda edição do Vivarium Festival abriu um debate sobre as convergências e divergências entre Inteligência Natural e Inteligência Artificial, cruzando música, performance, dança interativa, artes visuais, pensamento e new media. No ano em que o Maus Hábitos comemora 18 anos, o festival assinalou ainda uma programação especial de celebração do famoso espaço cultural, reúnindo os DJ’s das festas mais emblemáticas da casa para para uma sessão de encerramento do evento que voltou a fazer do Porto um vivário criativo.

Da beleza insustentável do drone ao poder catártico da dança e da performance, passando pelo potencial artístico do shibari, foram muitas as experiências que o Vivarium ofereceu durante três intensos dias de programação. Aqui ficam 5 momentos que consideramos essenciais.


Ricardo Dias Gomes, Maus Hábitos


Ricardo Dias Gomes ficou encarregue de abrir o programa de concertos do festival. O músico e compositor brasileiro regressou aos palcos portugueses para apresentar o seu novo álbum, Aa, depois de ter atuado em Lisboa, na ZDB, no passado mês de novembro. No seu currículo, Ricardo conta 10 anos a tocar ao lado do incontornável Caetano Veloso, com quem formou a Banda Cê, e o segundo e mais recente trabalho a solo do músico residente em Lisboa juntou-o a nomes como Moreno Veloso, Pedro Sá, Joana Queiroz ou o músico e produtor norte-americano Arto Lindsay. 

A performance que deu no Maus Hábitos foi demonstrativa do seu percurso evolutivo enquanto músico e artista, equilibrando o concerto entre os temas que compõem o seu disco de estreia, 11, e as explorações praticadas em Aa. Aqui, Ricardo aplica linhas densas de baixo, que manipula com o baixo e a parafernália electronica que o acompanha, cruzando cancioneiro popular brasileiro com a sujidade do shoegaze e do noise. A atmosfera que carrega ao vivo é tão profunda quanto tranquilizante, equilibrando a densidade dos instrumentais com a ingenuidade das suas letras, que canta numa voz grave e sussurrada. É nesta relação constante entre o erro e a perfeição, a paz e a tensão, que Ricardo encontra o equilíbrio, e são essas relações que fazem dele um músico tão humano e peculiar.


Velvet Carpet, Ateneu Comercial


O Ateneu Comercial do Porto foi espaço para alguns dos mais interessantes momentos do festival. O programa de performances, que se intutulava “Uma corda estendida entre o animal e o super-homem, uma corda sobre o abismo” (em referência a Nietzsche), contou com casa cheia na apresentação de Velvet Carpet, do coreógrafo Pedro Prazeres. Para a performance inaugural do festival, o salão do Ateneu vestiu-se de preto, limitado por quatro cortinas translúcidas de grande dimensão e um tapete negro de veludo que cobria toda a área. A atmosfera era de grande tensão, com drones corpolentos a servir como banda sonora para um momento de emoções à flor da pele. Entre os intervenientes da performance encontravam-se cinco membros: três vultos encapuzados, em posição estática; Julen, o intérprete de Velvet Carpet que se encontra deitado ao centro, e ainda um último elemento, o percussionista Jorge Queijo, que se encarrega da componente sonora. 

Do projector que encima o aparato surge uma luz branca, direcionada ao tronco de Julen, que oscila num “oito” maciço de linhas entreleçadas. O intérprete contorce-se em convulções repetitivas, como quem se tenta levantar num ambiente instável, acompanhando mantras circulares de compasso bem vincando. A luz, que era branca, dá lugar a um azul saturado, o som, que era sintético e encorpado, torna-se agora orgânico e fragmentado, com pratos, gongos e chocalhos a servirem como banda sonora para uma coreografia calculada. Nas cortinas, avistam-se imagens turvas da dança pertubadora de Julen, replicada em pequenos apontamentos projetados que rodam até ao fim da performance. Desconcertante, mas impactante e desafiante, como que num sonho frustrante em que os movimentos nos parecem enferrujados.




Tim Hecker, Passos Manuel


O concerto de Tim Hecker era um dos momentos mais aguardados do festival. O concerto no auditório do Passos Manuel encontrava-se esgotado dias antes da performance que marcou o regresso do músico e compositor canadiano à Invicta. Depois de se apresentar em Lisboa com o seu konoyo ensemble, Hecker voltou ao país para mais um concerto de apresentação do mais recente álbum Konoyo, de 2018, assim como do vindouro trabalho que chegará no próximo mês de maio. Sozinho em palco, desta vez, esta foi mais oportunidade para experienciar o trabalho de um dos artistas sonoros que melhor concilia a dualidade entre homem e máquina. 

O seu processo de trabalho é dotado de uma grande complexidade. A sua música é, maioritariamente, desprovida de técnicas e instrumentação tradicionais, resultando em experiências que são, no mínimo, transformativas. Mas as suas performances são, também elas, um desafio à atenção. É música ambiente na verdadeira definição de Brian Eno: música ”tão ignorável quanto interessante”. A fotografia para este concerto não foi permitida, e compreende-se. A luz, quase inexistente, era abafada por nuvens densas de fumo artificial, que envolviam a sala numa atmosfera austera e sombria. Ao longo da atuação é possível reconhecer sons e excertos do seu último álbum, desde flautas às cordas gravadas durante as sessões no Japão, mas acima de tudo destacam-se as composições esparsas, as texturas orgânicas e os drones metalizados que Hecker manipula em momentos de ordem dramática. É um jogo de extremos que balança entre a luz e o assombro, o silêncio e o ruído, a vulnerabilidade e o músculo.


Iwa-Kagami, Ateneu Comercial


Escrita e interpretada por Yuko Kominami, Iwa-Kagami é uma peça de dança butoh em homenagem ao seu pai, que faleceu recentemente. Através da dança, inspirada pelas correntes artísticas da vanguarda do século XX, Konami expressa-se em movimentos desfazados da música que a acompanha, num misto entre folclore japonês e improvisação contemporânea. Num olhar constante para o vazio, seja direcionado para o público ou para cima, onde parece procurar seu pai, é possível verificar uma comoção genuína, um choro que sabemos ser verdadeiro, fruto dos acontecimentos da vida da intéprete. Quando o som para, ouvem-se os sons todos em detalhe – os espasmos provocados pelo movimento, os suspiros, as palmas das mãos e dos pés a baterem no chão de madeira. Há um sentimento muito visceral e cru, algo tocante e desconcertante que se intensifica pela expressão de Kominami, que interage com o público ao oferecer-lhes algo inteligível, imaginário, mas que pede para guardarem com o coração. O chapéu que enverga a dado momento é decorado com uma flor japonesa rosa subtil, cujo nome dá título à performance. Nos últimos dias de vida, o seu pai pediu-lhe para escalar uma última vez às montanhas íngremes onde florescem estas flores. A felicidade com que olhou para elas motivou a performance calorosa e emotiva da japonesa, que nos momentos finais desaparece por trás de uma tela branca na vertical, onde é projetada a figura de Kominami num cenário branco e pacífico, como que numa dimensão espiritual onde encontra a paz com o falecido pai.


Nun On The Moon, Maus Hábitos


A presença das práticas BDSM na arte tem vindo a assitir um crescimento nos últimos anos. Nun on the Moonde explora as possibilidades performativas da arte milenar shibari (bondage japonês) de modo libidinoso, aparentemente puro e inocente, mas com um forte cariz sexual, explorando a técnica através de uma dança leve e sedutora, levitando através das cordas que prende em diversos pontos do seu corpo. O cenário é quente, as luzes em tons alaranjados, tal como as vestes de Dasniya Sommer, bailarina e coreógrafa que assinou a última performance do festival. Ao centro, um tronco de bambu verde, onde ata a corda que prende o seu corpo. A performance divide-se em duas partes distintas: a primeira, mais performativa, é exclusivamente praticada por Dasniya. A segunda, mais interativa, alarga-se ao público, que tem a oportunidade de experienciar a prática, mas é na primeira parte que se encontra o verdadeiro encanto. São 15 breves minutos de pura libertação corporal, livre de tabus e preconceito, onde corpo e alma encontram um novo equilíbrio, uma mutação provocada pela própria restrição.




Texto: 
Filipe Costa

Fotografia:
Carolina Martins
João Pádua

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quinta-feira, 4 de abril de 2019

O Party Sleep Repeat regressa no final do mês para a sua 7ª edição


A 27 de abril irá acontecer a 7ª edição do Party Sleep Repeat na Oliva Creative Factory, em S. João da Madeira. Dead Combo, Glockenwise, Conjunto Corona, The Parkinsons, Jibóia, Galo Cant’Às Duas, Astrodome, Melquíades, Cumbadélica e os italianos Go!zilla dão forma ao cartaz já fechado.

O Party Sleep Repeat é um festival de música e cultura que nasceu em 2013 como um tributo a Luís Lima, um jovem sanjoanense falecido em 2012 que, entre muitos atributos, tinha um grande interesse por música e enorme consciência social. Esta iniciativa partiu de um grupo de amigos e dos pais do Luís que, juntamente com o apoio de parceiros locais, tornaram esta homenagem uma celebração à vida e amizade e um momento único na cidade. Motivados pelo adesão e pelo próprio público, o festival cumpriu a promessa de voltar e, hoje, encontra-se na 7ª edição sendo considerada "a maior promessa cultural da cidade".

Considerado pelos Iberian Festival Awards o "Melhor Festival Indoor da Península Ibérica" (2016), o "Melhor Festival de Pequena Dimensão de Portugal" (2017) e o "Melhor Festival Ibérico de Pequena Dimensão" (2018), o Party Sleep Repeat volta a ser nomeado para várias categorias em 2019.

Como aconteceu nas edições anteriores, as receitas da bilheteira revertem para causas sociais. Os bilhetes custam 10€ e estão à venda online. Estes bilhetes a preço reduzido estão limitados ao stock existente e, esgotado o número de unidades da 1ª fase, passa a vigorar o valor da 2ª fase, 15€. A bilheteira online é o único canal de venda até dia 27 de abril, altura em que se venderão bilhetes no local do evento, caso não esgotem até à data. A organização garante ainda o já habitual transporte entre o Porto e S. João da Madeira. Do Porto o transporte parte a meio e ao fim da tarde, e da Oliva Creative Factory há dois horários disponibilizados durante a madrugada.


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quarta-feira, 3 de abril de 2019

[Review] Robert Forster - Inferno


Inferno | Tapete Records | março de 2019
8.0/10

Ponho a tocar para ouvir o novo disco de Robert Forster, um dos fundadores dos The Go-Betweens, com a ideia de que vou entrar numa viagem nostálgica pela pop de travo indie. Mas, ao ouvir a primeira canção de Inferno, de ritmo lento e voz pausada, a cantar versos de W.B. Yeats e uma segunda voz feminina a entoar ao fundo harmonias, percebi que não seria esse, o mote. É o novo disco de Robert Forster e não cabe portanto na prateleira dos discos a solo de elementos de bandas que conheceram a fama nos anos 80 e que depois viram traduzidos os seus esforços em tímidas recreações do passado.

À primeira audição de Inferno, há pouco, muito pouco dos The Go-Betweens - Grant McLean, juntamente com  Robert Forster foi também figura principal da banda, repartindo maioritariamente entre ambos as vozes e a escrita das canções. Agora a solo, e já no gira-discos, entramos por territórios que relembram ao de leve outro grande escritor de canções, e falo de Nick Cave e quando me lembro da Austrália, neste registo, há mais contemplação e extroversão contida ao jeito do que os The Bad Seeds fizeram.

Encontramos também uma escolha minimal no arranjo das canções e talvez por ter sido gravado por Victor Van Vugt, um alemão que já trabalhou com The Bad Seeds, e… foi ou não por acaso que o primeiro disco da carreira a solo de Forster teve a colaboração de Mick Harvey? …Começa então a fazer sentido esta constatação: vai para além do facto de ter sido gravado em Berlim, território favorito de escritores australianos de grandes canções, onde a energia das guitarras acústicas e eléctricas e dos pianos está habitualmente presente. Depois de “Crazy Jane on the Day of Judgement”, ouvimos em “No Fame” essa característica desiludida e ao mesmo tempo ensolarada que reconhecemos na música vinda da Australia, não tão negro como Nick Cave consegue ser por vezes, mas elegante na mesma.

Em “Inferno (Brisbane in Summer)”, escutamos Forster num registo pop rock animado, com teclados e guitarras e a voz entusiasmada, ou, se preferirem, com a métrica enérgica do nosso cantor a contar uma história de uma noite infernal na sua cidade… e, até poderia ser um dos melhores singles dos R.E.M, por exemplo, mas não. Tem a vocalização distinta deste artista australiano, e deverá funcionar muito bem numa pista de dança com sons indie para os DJs mais atentos. Reconhecemos em Robert Forster, a meio deste disco de canções curtas e elegantes, uma distinta capacidade de fazer canções sucintas e de carácter mais ritmado como “Inferno in Brisbane”, e ao mesmo tempo entreter os seus ouvintes com canções melodiosas como “The Morning” ou “Life Has Turned a Page”.


“Remain” é mais uma dessas canções curtas com guitarras mesmo muito bonitas. Nostálgica, mas não em demasia, com letras com sentimento sem serem sentimentais, no sentido mais deselegante da palavra aplicada à música. No que diz respeito a uma estética indie cuidada e aprumada, Robert Forster apresenta-se com elegância, a folk está presente mas não de forma arrastada e demorada. Leva-nos com a sua guitarra e a sua banda numa viagem com paragens curtas em pequenos apeadeiros e as canções são um retrato bonito e rápido de cada um deles, são postais de Brisbane ou de outras localidades imaginadas por quem as ouve. São pequenos relatos e histórias de vida deste compositor.

Depois de “I'll Look After You”, com o disco quase a chegar ao fim, ouvimos Robert Forster em “I'm Gonna Tell It” entrar com uma guitarra estranhamente próxima de “Cocaine”, um tema clássico de JJ Cale. E nem por isso é de estranhar que este seja o momento mais rock do disco. Disco esse que encerra bonito e de forma majestosa com “One Bird In The Sky”, uma balada de acordes melancólicos, ideal, talvez, para anunciar o fim desta viagem pelo continente australiano, ideal também e porventura para ouvir numa qualquer hora, e de preferência que seja ao pôr-do-sol.


Texto: Lucinda Sebastião

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Os 40 anos do GrETUA começam na Casa do Estudante (Aveiro) com um banquete musical

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O "velhinho" GrETUA chega aos 40 anos sem qualquer crise de meia-idade e com a mesma pica de sempre.

A mesma? Ou talvez não.


O Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro festeja à luz de quarenta velas e dezenas de eventos que engolem a cidade de Aveiro entre - 4 e 13 de Abril – num festival, que contempla inúmeras atividades - desde o Teatro à Dança.

Com vários momentos culturais para todos os paladares, o GrETUA dá o mote no lar de quem mais os acompanha – a Casa do Estudante da Universidade de Aveiro – e com um cartaz de peso.

Não fossem 40 anos de vida o mote mais do que suficiente para pensar o primeiro dia de festa como se fosse o ultimo, a festa de abertura consegue levar à mesa diversas sonoridades, contempladas entre concertos e dj set’s.



Na ementa? Os rockers aveirenses Cosmic Mass juntam-se aos finlandeses NYOS e ao tropicalismo de Quelle Dead Gazelle, num serão que termina a ferros e fogo com os sets de Venga! Venga!, Marcos 3000 e Dj Ripas.

Uma festa que não vais querer perder.

Pulseiras a 4€ à venda no GrETUA, Casa do Estudante, Associação Cultural Mercado Negro e junto dos teu núcleo.

+ info aqui.

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Está fechado o cartaz do Impulso 2019


Está fechado o cartaz para a segunda edição do Impulso. O cartaz fica selado com as confirmações de Conan OsirisLinda MartiniDJ Marfoxa lake by the moonÂngela PolíciaDAKOI.MOONJUICE e Nádia Schilling. A organização anuncia ainda uma parceria com o DocLisboa — durante os dias do festival, serão exibidos na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, vários filmes premiados das últimas edições do que é único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao documentário.

O programa das residências artísticas — uma das novidades da segunda edição do Impulso — fica também encerrado com Fred Ferreira + Igor Jesus + João Pimenta Gomes + Pedro Geraldes com uma apresentação extraordinária a acontecer logo no primeiro dia de festival. No total são três residências artísticas, três apresentações únicas para ver nesta edição do Impulso (Surma + Tomara + Tiago Bettencourt e Filho da Mãe + Miguel Nicolau + EGBO + LAmA).

Juntando mais de 50 artistas nacionais, e com uma organização colaborativa entre alunos e professores da Escola Superior de Artes e Design (Instituto Politécnico de Leiria) com a co-produção da Licenciatura em Som e Imagem e a Associação da Juventude da cidade (ADJ CR), o Impulso apresenta uma vasta programação que ocupará diversos espaços da cidade das Caldas da Rainha durante os três dias de festival. Três palcos e três dias repletos de música, conferências, exposições e cinema, privilegiando a mostra de projectos ora estabelecidos, ora emergentes, abrindo portas à colaboração e partilha artística, envolvendo a comunidade local e todos os estudantes que fazem desta cidade a sua casa.

Mas antes e em jeito de aquecimento acontece no dia 13 de Abril o primeiro Warmup Impulso, na Stereogun em Leiria com actuações de Memória de PeixeHangloserRakuun STRAYCAT vs STRANGE (djset). Anunciar-se-ão ainda outros eventos a acontecer em Lisboa e nas Caldas da Rainha.

Dias 23, 24 e 25 de Maio, nas Caldas da Rainha com: Allen Halloween, a lake by the moon, Ângela Polícia, Aurora Pinho, BATIDA DJ, Beautify Junkyards, Bruno Pernadas, COLÓNIA CALÚNIA, Cometa Olímpico, Conan Osíris, DAKOI., DJ Marfox, DON PIE PIE, EGBO, Filho da Mãe, First Breath After Coma, Fred Ferreira, Hangloser, HHY & the Macumbas, marum, Igor Jesus, Iguana Garcia, Jasmim, João Pais Filipe, João Pimenta Gomes, Kara Konchar, LAmA, Lavoisier, Linda Martini, MAZARIN, Melquiades, Miguel Nicolau, MONDAY, MOONJUICE, Nádia Schilling, Neurodancer (DJset), Pedro Geraldes, Pedro Mafama, Riding Pânico, Sallim, Sensible Soccers, Surma, Tiago Bettencourt, Tomara, UBU, Unsafe Space Garden, Violeta Azevedo, Violet, Whales e ZA!.

Os bilhetes diários (15€) estão agora disponíveis bem como o passe para os três dias (40€), ambos podem ser adquiridos na Bilheteira Online (BOL), FNAC, Worten, CTT e restantes pontos aderentes. 





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Freddie Gibbs & Madlib fecham o cartaz do Paredes de Coura


Existem poucas coisas no universo musical tão coerentes e consistentes como a música de Freddie Gibbs & Madlib. Os introspectivos e profundos raps de Freddie Gibbs misturados com a crua, e levemente jazzy, produção de Madlib garantem não decepcionar. 
Amplamente aclamado pela sua destreza e pelas provocativas letras, Freddie Gibbs conquistou um público que vai desde os fãs de gangsta rap aos do underground do hip-hop. A história do rapper norte-americano nasceu nas ruas de Gary, Indiana, onde produziu uma série de mixtapes tão complexas quanto difíceis. Influenciado pelos lendários 2Pac, The Notorious B.I.G., UGK e Bone Thugs-n-Harmony, Gibbs encheu as suas letras com honestas histórias que retratam a morte da sua cidade natal e o declínio constante marcado pelo tráfico de drogas. O lançamento do álbum de estreia ESGN aconteceu em 2013 e pouco tempo depois surge a parceria com o produtor Madlib. Em 2014, a dupla lançou Piñata, um longa-duração com sabor a clássico que contou com colaborações de Raekwon, Earl Sweatshirt, Danny Brown, Meechy Darko, Scarface ou Ab-Soul.
Apesar de ainda não ter data oficial de lançamento, Freddie Gibbs & Madlib já prenderam a atenção do universo musical com a partilha dos dois primeiros singles do segundo álbum Bandana: “Flat Tummy Tea” e “Bandana”. Freddie Gibbs & Madlib pela primeira vez no Vodafone Paredes de Coura no dia 17 de Agosto
Vodafone Paredes de Coura está de regresso entre os dias 14 e 17 de Agosto e pelo habitat natural da música vão passar The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow DaysConnan Mockasin, Balthazar, Boogarins, First Breath After Coma, Deerhunter, Jonathan Wilson, Alvvays, SuedePeaking LightsJayda GBlack MidiCave Story, Khruangbin, Julia JacklinCapitão Fausto,Sensible Soccers, Time For T, Bed Legs, KOKOKO!Derby Motoreta’s Burrito Kachimba e Nuno Lopes
Os bilhetes diários estarão disponíveis a partir de amanhã, 4 de Abril, às 12h, por 55€, no site oficial do festival, bol.pt, Ticketea e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...)
Os passes gerais podem ser adquiridos pelo preço de 94€, com campismo incluído (limitado ao espaço existente). Está também disponível o travel package da Festicket que inclui, para além do passe geral, outras opções de alojamento durante os dias do Vodafone Paredes de Coura.

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Festival Respira! traz cinco pianistas de renome ao Theatro Circo já no próximo mês


Nos próximos dias 2, 3 e 4 de Maio o Theatro Circo, em Braga, recebe Alfa Mist, Lonnie HolleyRami KhaliféLubomyr Melnyk e Kathryn Joseph, no âmbito do festival Respira!.

O primeira dia será exclusivamente dedicado a Alfa MistO som do pianista londrino mistura a melancolia e harmonia do jazz com hip-hop e soul. O seu mais recente álbum, Antiphon, catapultou-o para a linha da frente na nova cena de jazz como um dos nomes a seguir após a recepção calorosa que o seu primeiro disco, Nocturne, teve, disco esse em que Alpha Mist colaborou com artistas como Tom Misch e Jordan Rakei.

Na sexta-feira sobem ao palco o compositor multifacetado Lonnie Holley, que lançou no ano passado o último trabalho MITH, e o compositor, pianista e artistafranco-libanês Rami Khalifé, que se estreia em Portugal com Lost.

A última noite começa com Lubomyr Melnykconhecido por tocar num estilo que o próprio cunhou de "música contínua" - técnica que consiste em tocar notas rápidas em longas séries e que começou a desenvolver quando trabalhava na Ópera de Paris, na década de 70. O pianista de 69 anos irá apresentar o mais recente disco Fallen Trees. Nessa mesma noite, atua Kathryn Joseph, que vai dar a conhecer o seu segundo disco From When I Wake The Want Is. Esta artista é comparada a BjörkJoanna Newsom, embora a escocesa tenha a sua identidade bem única.

Os bilhetes para cada noite de concertos (que já se encontram à venda) custam 12 euros e o passe geral para as três noites é de 20 euros.











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STREAM: Bruma - Histórias que nos contam [Threshold Premiere]


Os Bruma estão de regresso às edições de estúdio com o primeiro longa-duração de carreira  - Histórias que nos contam - disco de dez músicas altamente profundas que se traduzem numa narrativa familiar nas tonalidades sonoras que os Bruma a querem pintar. O disco - uma bela peça onde o jazz ganha grande plano de foco, cruzando-se pontualmente com as paisagens do rock instrumental - é editado no final desta semana, mas já é possível escutar a versão integral, em primeira mão, no player abaixo.

A narrativa subvertida dos Bruma encontra-se dividida em três capítulos e é inspirada nos clássicos contos de infância mas, desta feita, interpretados através do lado mais negro e pervertido da humanidade. Cada qual com a sua moral. O disco de estreia chega dois anos depois do bastante aclamado EP Pesadelo (2016) e vem dar continuidade às explorações rítmicas evasivas que nos ofereceram nos singles lançados o ano passado. Deste disco recomenda-se fortemente a audição de temas como "Comédia Perdida", "Soldado Com Chumbo (feat. Ferna)", "Alice no País das Maravilhas" e o enorme tema de encerramento, "Labirinto Do Cego".

Histórias que nos contam tem lançamento agendado para esta sexta-feira (5 de abril) em formato digital e self-released. Podem agora ouvir o disco na íntegra.



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terça-feira, 2 de abril de 2019

Fotogaleria: Giant Swan [Understage, Porto]



Os britânicos Giant Swan passaram por Portugal no passado mês de março. O duo composto por Robin Stewart e Harry Wright regressou ao país depois de uma última atuação em Coimbra, aquando da primeira edição do festival Les Siestes Électroniques em Portugal. As suas composições efusivas, carregadas de uma energia bruta e visceral, valeram-lhe edições por selos tão respeitados como a Mannequin, Contort Yourself ou a londrina Whities, por onde lançaram o mais recente EP como dupla. O concerto que aconteceu no passado dia 15 de março, no Understage do Teatro Rivoli, foi a segunda de três datas que se distribuíram também por Coimbra e Lisboa, e demonstrou a garra e afinco com que a dupla natural de Bristol se apresenta ao vivo, cruzando universos tão díspares (ou não) como o techno, a música industrial e o punk. Em baixo, fiquem com as fotos que marcaram um dos momentos mais suados e eletrizantes do calendário de concertos de 2019.



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MUPA fecha cartaz. Nazar e Necro Deathmort entre as novas confirmações



O MUPA, festival alentejano que nasce do esforço coletivo entre a Associação CulturMais e a Câmara Municipal de Beja, materializa-se, aos poucos, como um dos eventos mais imperdíveis do presente ano. A atos como Lena d’Água + Tahina Rahary, Allen Halloween, Bloom (JP Simões + Miguel Nicolau), Norberto Lobo, Mynda Guevara, Pedrinho, entre outros, juntam-se agora mais seis nomes incontornáveis.  

No campo internacional junta-se o produtor angolano Nazar (na foto), a mais recente adição ao espólio da londrina Hyperdub (casa-mãe para artistas como Burial, Kode 9 ou Dean Blunt), assim como os suis generis Necro Deathmort, que surgem diretamente da cena underground britânica de onde saíram nomes como Gnod ou Hey Colossus. De Lisboa juntam-se os Simply Rockers Sound System, que garantem um revivalismo do roots reggae e do dub típico da Jamaica. 10000 Russos, Putas Bêbadas, unitedstatesof e os alentejanos Paulo Colaço & Mocinhos em Cante finalizam o cardápio.

O campismo gratuito do festival destina-se aos portadores de passe-geral e bilhete diário e está localizado no coração da cidade de Beja, a apenas uns minutos do local dos concertos. Estes irão realizar-se n’Os Infantes, no Restaurante Pé de Gesso, na Praça da República, no Jardim do Bacalhau e ainda no Museu Regional de Beja.

Os primeiros 100 passes gerais pelo valor de 8€ já se encontram esgotados, sendo que apenas estão disponíveis pelo preço de 10€ até 15 de abril. Após essa data, fixam-se nos 13€ até à data do evento (10 e 11 de maio). Os bilhetes podem ser adquiridos em festivalmupa.pt e nos pontos de venda Ticketline.  



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Fotogaleria: Um ao Molhe [Hard Club, Porto]


No passado dia 28 de março, o Um ao Molhe passou pelo Hard Club para nos dar um ar da sua graça. Dos 18 artistas convidados para a edição de 2019 do festival itinerante, quatro participaram neste evento: Mr. Gallini, Joana Guerra, Francisco Oliveira e Acid AcidInfelizmente não conseguimos assistir ao concerto de Mr. Gallini, que decorreu durante a tarde. 

Por volta das 22h, Joana Guerra, cantautora e violoncelista, abriu a noite com as suas composições experimentais que integram usos menos convencionais do violoncelo, loops e diferentes pedais de efeitos. Seguiu-se Francisco Oliveira, que se estreia a solo com o muito elogiado On The Act Of Reminding, o seu primeiro registo em nome próprio, onde foi possivel ver o músico e produtor sediado no Porto a enveredar pelos caminhos de um minimalismo puro e bucólico que serve como carta de amor ao tempo e às memórias, suas e dos seus antepassados. Por fim, Acid Acid entrou no palco para encerrar a noite com a sua parafernália de instrumentos. Num ambiente mais mexido e enérgico, parte do público não resistiu a dançar perante os sintetizadores e guitarras espaciais de Tiago Castro. 

Tratou-se de um belo e dinâmico evento o que conjugou diferentes géneros musicais, apresentando vários talentos do panorama atual da música alternativa a solo portuguesa. Não esquecer que o Um ao Molhe está um pouco por todo o país até dia 13 de abril. 

As fotografias dos concertos podem ser vistas aqui ou na fotogaleria em abaixo.



Texto e Fotografia: David Madeira e Rui Santos

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