sábado, 13 de abril de 2019

The Star Pillow surpreende em nova edição, Music For Sad Headbangers


The Star Pillow, o projeto a solo do italiano Paolo Monti, lançou no passado mês de março uma das suas mais seminais obras de carreira, o longa-duração Music For Sad Headbangers. O disco de seis temas, que se apresenta como a mistura pessoal mais abrangente do artista até à data, vem dar sucessão ao EP Quattro Dialoghi Fuori Campo - editado em janeiro deste ano - e mistura as habituais dissonâncias do drone-ambient, incorporando-lhes as camadas densas do post-rock e muita emoção no seu conteúdo.

Inaugurado de forma astuta com a incrivelmente bem estruturada "Bruno Martino is my Toy Araya", Music For Sad Headbangers começa por apresentar ambiências calmas em interseção com paradigmas bruscos, culminando em paisagens tempestivas altamente aliciantes. "Departures" e "Circle of events" exploram o ambiente etéreo que tem marcado as últimas edições guitarrista, mas é em "Moving grey" que o ouvinte pode esperar para ser surpreendido de forma celestial. Numa das melhores faixas deste novo trabalho The Star Pillow cria um panorama sonoro altamente viciante durante o início e o desenvolvimento da faixa, construindo um final implacável e completamente distinto. E depois vem "Quiet Cooper, we'll not die today", uma balada que deixa qualquer ouvinte rendido. É muita emoção e beleza numa simples canção. Sem dúvida um dos trabalhos mais seminais na carreira de The Star Pillow.

Music For Sad Headbangers foi editado no passado dia 15 de março pelo selo Midira Records. Podem ouvir o disco na íntegra ali abaixo.


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Джєбарс, o mais recente disco dos Soom é pesado e espacial


Há cerca de um ano atrás os Soom estavam a lançar cá para fora Джєбарс, o seu mais recente esforço como banda e o segundo disco de estúdio do trio sediado na Ucrânia, a apresentar um conjunto de dez canções que fazem emergir as camadas sonoras presentes em géneros como o stoner-rock, psychedelic, experimental sludge e um quanto baste de metal. Além da sonoridade característica que dá corpo a este álbum é essencialmente através das vociferações pontuais de Kova e Amorth que os Soom nos incutem agradáveis surpresas.

Ao preservarem as tradições do primeiro álbum, os Soom criam neste novo disco de estúdio uma história conceptual, mais misteriosa, caótica e profunda que combina o doom metal com o lado negro da rave e do psychedelic stoner rock. O resultado dessa mistura é um disco altamente imprevisível, pesado e espacial, que tão depressa pode surpreender como funcionar à base de um maquinismo tradicional expectável, já habitual nestes géneros musicais. Está quase a fazer um ano após a edição, mas como diz o ditado, recordar é viver. Podendo, é ouvir.

Джєбарс foi editado a 20 de abril de 2018 pelo selo [addicted label], Robustfellow e  Voron Nest. Podem ouvir e comprar o disco ali abaixo.


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A estreia dos Snowdrops é uma espécie de modernismo clássico


Christine Ott (Yann Tiersen, Tindersticks, Foudre!...) não é um novo nome para os seguidores das andanças da música eletrónica explorativa, mas talvez Snowdrops - o seu novo projeto em parceria com Mathieu Gabry - seja. A dupla que lançou no passado mês de março o seu disco de estreia, Manta Ray, envolve-nos aos primeiros instantes no seu mundo sonoramente espicaçado através de um conjunto de 17 temas que foram desenvolvidos como banda sonora para o filme Phuttiphong Aroonpheng. Altamente densas e profundas é no adjetivo belas, que encontramos a palavra que melhor descreve estas composições, tão modernas e ainda assim de veias clássicas.

Manta Ray é aquele álbum que pode ser descrito como altamente intenso e poderoso, apresentando um desenvolvimento arrastado no tempo que é compensado nas ambiências sonoras de alto profissionalismo estético. O realismo desta história original passa agora a fundir-se com elementos mágicos transmitidos pelos teclados dos Snowdrops, deixando um espaço intenso para a interpretação de cada ouvinte.

Manta Ray foi editado no passado dia 15 de março em formato CD pelo selo inglês Gizeh Records. Podem comprar o disco aqui.


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Os horizontes sombrios do novo disco dos CAMERAOSCURA


O disco de estreia dos CAMERAOSCURA é sobre paisagens sonoras obscuras e toda uma imensidão de sentimentos profundos e sombrios. Quod Est Inferius, o primeiro longa duração da dupla que junta Marco Valenti (Toten Schwan Records e Tritacarne Fanzine) e Eugenio Mazza (Pavor Nocturnus e Sognomeccanico) chegou às prateleiras no passado mês de março e foca-se na exploração de loops e sintetizadores orientados a uma eletrónica explorativa e psicologicamente densa.

O disco de sete temas foca-se na transmutação e mistura de sons que se dissolvem, tornando-se a manifestação musical de algo que se esconde, esperando emergir com todo o seu poder e caos. A abrir disco com um convite altamente sinistro, em "ATANOR", é rapidamente notório todo este lado e ambiências negras que caracterizam a sonoridade dos CAMERAOSCURA. Há uma instrumentação regrada onde os sintetizadores fazem surgir novas tonalidades, ora momentâneas ("SOLVE"), ora arrastadas, ora energéticas mas que estão sempre em mutação constante, com o tempo (como é o caso de "V.I.T.R.I.O.L." ou "ATTERA"). Quod Est Inferius pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Quod Est Inferius foi editado no passado dia 1 de março em formato CD pelo selo italiano Toten Schwan Records e em cassete numa edição limitada de 34 cópias pela Teschio Dischi.


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The Devil & The Universe anunciam novo disco


Os The Devil & The Universe vão regressar às edições de estúdio em junho deste ano com ENDGAME 69:, disco de dez temas que vem dar sucessão ao bastante aclamado Folk Horror (2017). O disco foi anunciado esta sexta-feira (12 de abril) através da página de Facebook da banda e viu como primeiro avanço ser divulgado o tema "Kali's Tongue", single que traz as paisagens sonoras orientais a que os The Devil & The Universe nos têm habituado nos últimos trabalhos.

De acordo com a nota de imprensa o objetivo deste novo trabalho é "combinar a iconografia de 1969 com vários géneros musicais, como space disco, psychedelic, glam, synth pop, new wave e black metal para criar a névoa febril inconfundivelmente atribuída à vibe do ano de 1969". Para saberem o que podem esperar deste novo trabalho podem aproveitar para ver um trailer neste link.


ENDGAME 69: tem data de lançamento prevista para 21 de junho pelo selo aufnahme + wiedergabe (LP) e Solar Lodge (CD). Podem fazer pre-order do disco aqui.

ENDGAME 69: Tracklist:

01. Orange Sunshine 
02. Turn Off, Tune Out, Drop Dead 
03. Dream Machine I 
04. Altamont Apocalypse 
05. Spahn Ranch 
06. 1969 
07. Dream Machine II 
08. Satanic (Don't) Panic 
09. Kali's Tongue 
10. Revelation 69

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MagaSessions apresentam LANTANA


As MagaSessions estão de regresso este domingo, 14 de abril, com o sexteto feminino LANTANA. A casa do povo, que durante 7 anos, todos os meses e mais 4 edições do Magafest, acolheu um público curioso para ver alguns dos nomes nacionais mais criativos e inovadores. Artistas como Bruno Pernadas, Joana Gama, Marco Franco, Norberto Lobo e Tiago Sousa, só para citar alguns exemplos, atuaram por várias vezes nas MagaSessions em diversos formatos, tanto a solo como inseridos em colaborações criadas para estas próprias sessões. 

No domingo, às 18h, é a vez das LANTANA, 6 improvisadoras portuguesas formadas por Joana Guerra no violoncelo, Maria do Mar no violino, Maria Radich na voz, Helena Espvall no violoncelo, Carla Santana na electrónica e Anna Piosik no trompete. "Música sem género, algures entre o jazz, o rock, o indefinível e a liberdade" é o que se vai poder ouvir na casa de Inês Magalhães, curadora das MagaSesions. A entrada tem o custo de 3 magas, ou 3€, para os mais distraídos,

Por agora as MagaSessions dizem um "Até Já", mas sabe-se lá se depois não virão mais, e em que formato. 

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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Os The Young Gods estão quase a chegar a Portugal


É já no próximo domingo (14 de abril) e segunda-feira (15 de abril) que os The Young Gods vão passar por Portugal em apresentação do mais recente disco de estúdio Data Mirage Tangram, disco que foi editado no passado dia 22 de fevereiro e chega oito anos depois de Everybody Knows (2010). A camaleónica banda suíça subirá aos palcos nacionais apenas com um dos membros da formação original - o vocalista Franz Treichler - mas indiscutivelmente com muita música para nos entregar.

Com uma carreira que contempla mais de 30 anos de história, os The Young Gods começaram por apresentar uma abordagem musical situada entre o punk industrial e o cabaré surrealista, cujo rumo foi direcionado, mais tarde, para a música eletrónica/techno, onde forjariam a sua sonoridade distinta.  


A abertura do concerto de uma das lendárias bandas do post-industrial fica a cargo dos lisboetas She Pleasures Herself que apresentam em Lisboa e Porto o novo disco XXX, a ser editado este ano.



Os concertos dos The Young Gods e She Pleasures Herself são agenciados pela promotora At The Rollercoaster e os bilhetes para ambos os concertos têm o preço único de 25€. As informações adicionais para o concerto em Lisboa podem ser encontradas aqui e para o concerto no Porto, aqui.

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Stonefield estreiam-se em Portugal


Depois de um 2018 bastante agitado com o lançamento de Far From Earth e consequentes digressões pela Europa, Austrália, Estados Unidos e América do Sul, em nome próprio e ao lado de nomes como Black Rebel Motorcycle ClubKing Tuff ou King Gizzard & The Lizard Wizard, as irmãs Findlay trazem finalmente o seu psych-rock a Portugal para desvendarem o quarto longa-duração - disco este que conta com a produção de Stu Mackenzie e Joe Walker dos King Gizzard & The Lizard Wizard e será editado pela Flightless Records no decorrer deste ano.

Os alcobacenses 
Stone Dead serão aliados das Stonefield nas datas em Portugal, prometendo levantar o véu sobre o sucessor de Good Boys.

31 de maio os concertos são em Lisboa, no Sabotage Club. Dia 1 de junho a festa continua no Texas Bar, em Leiria.

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Marc Ribot, Maja S. K. Ratkje, entre outros, na 36ª edição do Jazz em Agosto



Na 36ª edição do Jazz em Agosto, a resistência é a palavra de ordem. Depois de uma última edição dedicada ao corpo de trabalho do celebrado músico e compositor norte-americano John Zorn, o evento realizado anualmente na Fundação Calouste Gulbenkian propõem um programa focado no jazz e na sua natureza interventiva.   

Marc Ribot, que editou Songs of Resistance no passado mês de setembro, irá inaugurar a 36ª edição do evento, dando o mote para uma edição sob o signo da resistência e do grito coletivo clamando por um mundo mais justo. O músico, colaborador habitual de nomes fundamentais da criação contemporânea como Tom Waits ou John Zorn, apresentará o disco na companhia de Jay Rodriguez, no saxofone tenor e flauta, Brad Jones no contrabaixo, Ches Smith na bateria e Reinaldo de Jesus na percussão.    


É a esse mesmo grito que se juntam Heroes Are Gang Leaders, Burning Ghosts, Nicole Mitchell ou Ambrose Akinmusire. Mas a revolução apregoada neste Jazz em Agosto estende-se igualmente para lá da sua dimensão mais política, num ano em que, às noites no Anfiteatro ao Ar Livre, se voltam a juntar os concertos da tarde no Auditório 2, lembrando-nos quão revolucionária é também a vanguarda musical que descobrimos em Maja S. K. Ratkje, Ingrid Laubrock e Tom Rainey, Théo Ceccaldi, Julien Desprez, Mary Halvorson,Tomas Fujiwara, Zeena Parkins, Han-earl Park ou no quarteto Toscano, Pinheiro, Mira e Ferrandini.    


O Jazz em Agosto volta a ocupar a Fundação Calouste Gulbenkian entre os dias 1 e 11 de agosto. Os bilhetes para as sessões também já se encontram disponíveis, podendo ser adquiridos aqui.   





Programação completa:   

ANFITEATRO AO AR LIVRE  

01 agosto, 21:30 - Marc Ribot — Songs of Resistance 
02 agosto, 21:30 - Heroes Are Gang Leaders — The Amiri Baraka Sessions 
03 agosto, 21:30 - Burning Ghosts 
08 agosto, 21:30 - Théo Ceccaldi — Freaks 
09 agosto, 21:30 - Tomas Fujiwara — Triple Double 
10 agosto, 21:30 - Ambrose Akinmusire  — Origami Harvest 
11 agosto, 21:30 - Mary Halvorson — Code Girl   

AUDITÓRIO 2  

 02 agosto, 18:30 - Maja S. K. Ratkje 
03 agosto, 18:30 - Ingrid Laubrock & Tom Rainey 
04 agosto, 18:30 - Toscano, Pinheiro, Mira, Ferrandini 
08 agosto, 18:30 - Abacaxi 
09 agosto, 18:30 - Joey Baron &  Robin Schulkowsky 
10 agosto, 18:30 -  Zeena Parkins & Brian Chase 
11 agosto, 18:30 - ERIS 136199   

GRANDE AUDITÓRIO   

04 agosto, 21:30 - Nicole Mitchell — Mandorla Awakening II: Emerging Worlds   

SALA POLIVALENTE   

04 agosto, 17:00 - Abdul Moimême  

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Novo disco dos Throes + The Shine sai no dia 3 de maio


Os Throes + The Shine estão de regresso. Enza, que sairá no dia 3 de maio, marca o regresso do trio luso-angolano com um novo longa duração, sendo o primeiro trabalho de originais lançado pelos mesmos desde Wanga (em 2016). Enza é o primeiro álbum composto pelo novo alinhamento da banda e demonstra um crescimento e ambição palpáveis em relação aos três discos anteriores. Igor Domingues, Marco Castro e Mob Dedaldino decidiram abraçar um desafio auto-imposto e procuraram criar um caleidoscópio sonoro que os levasse a novas paragens e que criasse um caminho distinto do passado, embora sem perder a identidade enérgica que tão bem caracteriza o projecto.

O disco sai a 3 de Maio e, para além da disponibilidade em todas as plataformas digitais, conta com uma edição em vinil rosa, com design criado por André Carvalho e Ana Muska (Circus Network) em colaboração com Laro Lagosta na ilustração e do Bráulio Amado no lettering.

De forma a celebrar a ocasião, no dia 16 de Maio os Throes + The Shine tomam conta do palco do B.Leza em Lisboa e fazem-se acompanhar de Mike El Nite, Cachupa Psicadélica, Da Chick e Jori Collignon para criar um concerto único e recheado de momentos especiais.


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quinta-feira, 11 de abril de 2019

STREAM: Cathode Ray Tube - High Cube Drifter


Música eletrónica cheia de potencial com um delay no tempo nunca fez mal a ninguém e é por isso que alguns dias depois do lançamento de High Cube Drifter voltamos a relembrar esta peça. Cathode Ray Tube, o nome artístico de Charles R. Terhune, não é propriamente um nome novo no panorama da música eletrónica com ramificações no breakbeat e idm uma vez que High Cube Drifter é já o 10º filho na discografia do músico sediado em Portland. 

Através da decomposição digital do ritmo e da melodia, Cathode Ray Cube faz de High Cube Drifter uma coleção de músicas eletrónicas altamente dançáveis e aditivas. O disco inaugura logo de forma seminal com "Good Morning", tema que se apresenta como um bom despertador para o restante desenvolvimento do álbum.  Funcionando à volta da quebra de ritmos e da repetição de sons, o entusiasmo contagiante de High Cube Drifter pode encontrar-se em temas como "Flying Zero" - uma malha de 10 minutos cheia de influências que vão da música industrial à eletrónica minimal -  "Kicking Sides" ou a miscelânea sonora "Neverwhere 3".

High Cube Drifter foi lançado no passado dia 1 de abril pelo selo francês m-tronic. Podem ouvir o disco na íntegra abaixo.


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10 anos, 8 noites: Eis o cartaz do Palco RUC



Maio está a chegar e com ele vêm as festas académicas, para o bem e para o mal. Olhando as coisas com bons olhos, este é também o mês em que o Palco RUC da Queima das Fitas de Coimbra nos surpreende com alguma da melhor oferta musical atual. Depois de uma nona edição de luxo, com Iglooghost, Powell e Oshun a fazer o deleite dos amantes da melhor música de agora, o palco que se mostra como uma alternativa à programação convencional das restantes festas académicas está de regresso para comemorar uns redondos 10 anos de existência, e o cartaz da próxima edição já mexe.

No campo internacional teremos a eletrónica gritante de Kai Whiston, o kuduro impetuoso do produtor angolano Nazar, a pop transgressiva de Lyzza e as escolhas seletivas de Lotic (na foto), que regressam ao país em registo dj set. Barely Legal, que se apresentará ao lado do londrino (e membro da Hyperdub) Scratch DVA para um back to back titânico, a francesa DJ Marcelle, o produtor londrino TSVI e a dj e produtora germânica Clara Cuvé encerram o leque luxuoso de confirmações internacionais.
    
No contingente nacional, o cartaz faz-se composto pelo “vodoo dub cibernético” do ensemble portuense HHY & The Macumbas, a canção urgente de Rodrigo Vaiapraia, a eletrónica purificante de Bleid e Odete, o tributo que é também uma experiência de José Pinhal Post Mortem Experience, a pop rejuvenescedora dos Iguanas, as rimas e batidas do coletivo Orteum, o jazz de fusão dos Gume e as batidas supersónicas dos conimbricenses Wipeout Beat.  

A programação do Palco RUC divide-se ao longo de oito preenchidos dias, entre os dias 3 e 10 de maio no Parque da Queima das Fitas de Coimbra.








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A natureza e grande aventura sonora dos Disen Gage


Com um currículo que contempla 20 anos de carreira os Disen Gage mostram-nos o lado científico da eletrónica experimental e o resultado da sua fusão com o rock instrumental, progressivo e outros derivados. A sua sonografia astuta explora paisagens que vão além do tradicional teor entretainer da música e cria sonogramas altamente divergentes mas um tanto idênticos entre si, no que toca às experimentações sonoras. Tão depressa numa paragem avant-garde como a seguir num cenário mais contemporâneo.

Os Disen Gage formaram-se em 1999 por Yuri Alaverdyan e Konstantin Mochalov nas guitarras, Nikolay Syrtsev no baixo e Eugeniy Kudryashov na bateria, mas só em 2004, viram o seu material gravado ser editado em formato físico sob a nominação The Screw-Loose Entertainment, e com selo da gravadora RAIG. Dois álbuns depois e após um período de 8 anos em silêncio, os Disen Gage passam a explorar novas camadas sonoras além do habitual rock progressivo, equilibradas entre um clima psicadélico e romântico e algumas improvisações inspiradas no krautrock, que vieram dar origem a Snapshots (ArtBeat, 2016). 

Em 2018, após uma nova mudança no line-up, os Disen Gage agora compostos por Konstantin Mochalov e Anton Efimov - decidiram explorar um campo musical completamente diferente do habitual, incorporando as tonalidades da música concreta no primeiro álbum físico que lançaram pela [addicted label], Nature (2018). O disco veio dar sucessão Às duas edições digitais que a banda tinha lanlado anteriormente com o selo russo, Equilibrium Trip (2016) e Hybrid State (2017). Neste Nature a banda utilizou como recurso sons de planetas, comboios e animais (incluindo primatas) para criar três canções psicologicamente densas e um quanto baste de alienígenas. O disco teve ainda direito a uma versão audiovisual que pode ser explorada na íntegra aqui.


Ainda na chancela [addicted label] e mesmo no início do ano (que é como quem diz em fevereiro de 2019) os Disen Gage voltam à carga com os trabalhos de estúdio com um disco ao qual decidiram chamar The Big Adventure. Depois de um disco altamente conceptual é com The Big Adventure que os Disen Gage, mais uma vez  nos votam a mostrar a sua recusa ao comprometer-se com algum tipo de género musical. Cientistas da música este é também o disco que volta a marcar a reincarnação dos Disen Gage como quarteto e a demarcar uma nova fase na sua jornada musical progressiva. Uma desconstrução e construção de ritmos e sons constante, perdida entre os entraves do som. Para fãs de rock progressivo, jazz, art-rock e de um admirável mundo novo.



Se ficaram empolgados com a sonoridade dos Disen Gage então podem aproveitar para conhecer a discografia completa da banda por aqui, ou então podem segui-los diretamente através da página de Facebook disponível aqui. Podem ainda comprar estes discos em formato CD com free sipping incluído carregando neste link.


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Tashi Wada Group (e Julia Holter) em Portugal para duas datas



O norte-americano Tashi Wada passa hoje pela Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, para o primeiro de dois concertos em Portugal, rumando ao norte dois dias depois para uma performance no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, inserido na programação da sexta edição do Westway LAB. Filho do compositor japonês Yoshi Wada, um dos membros mais celebrados do movimento Fluxus nos anos 60, Tashi Wada tem vindo explorar as possibilidades da música minimalista, apoiando-se para isso dos mais reputados músicos e artistas, com quem colaborou em diversas edições por respeitados selos como a HEM ou a RVNG Intl., por onde editou o 14º volume da série 'FRKWYS', Nue.

Na sua primeira passagem por Portugal, o músico norte-americano vem acompanhado de ilustres - Julia Holter, que nos visitará também em maio, acompanhará Tashi Wada nas teclas e voz, enquanto o norte-americano Corey Fogel os auxilia na percussão. Fruto de uma residência artística na ZDB, esta será uma oportunidade única para experienciar em primeira mão o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido ao longo dos últimos dias.

A entrada para o concerto em Lisboa possui o custo de 8 euros (10 à entrada), e os bilhetes encontram-se disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e ZDB. Em Guimarães, os bilhetes custam 20 euros e garantem acesso a concertos de Jacco Gardner, Batida ou Paraguaii


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Fotogaleria: The Twist Connection + Omie Wise [Lustre, Braga]


Na passado dia 22 de março estivemos presentes no Lustre, em Braga, para assistir às atuações dos The Twist Connection, banda de Coimbra que veio apresentar o seu mais recente álbum homónimo editado em agosto do ano passado, e os Omie Wise, banda de Braga que se prepara para editar o seu primeiro álbum de originais, To know Thyself, onde estará bem vincada a sua sonoridade rock progressiva.

Podem ver as fotografias do evento promovido pela Bazuuca aqui ou na fotogaleria que se segue.

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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Esta semana: Frankie Cosmos na Galeria Zé dos Bois



Frankie Cosmos apresenta-se este domingo, dia 14 de abril, na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, para a primeira atuação em nome próprio em Portugal. O projeto de Greta Kline regressa ao país onde atuou pela última vez em agosto, aquando da 26ª edição do festival Vodafone Paredes de Coura, para apresentar o seu mais recente disco, Vessel. Editado em 2018, Vessel marcou a estreia da música e compositora norte-americana pela reputada editora norte-americana Sub Pop, onde é possível ouvir uma abordagem mais colaborativa e aprimorada em relação às gravações de quarto dos trabalhos anteriores.

A abrir para Frankie Cosmos estará Ian Sweet, nome artístico de Jilian Medford que dois anos após o lançamento do LP de estreia, Shapeshifter, regressou às edições com Crush Crusher, lançado em outubro do ano transacto pela Hardly Art.

A entrada para o evento custa 12 euros, e os bilhetes encontram-se disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e ZDB.


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Reportagem: Colin Stetson [gnration, Braga]


Em Braga vivem-se dias de culto e comemoração. As celebrações da Páscoa e da Semana Santa agitam as ruas da cidade, o trânsito é cortado e as procissões multiplicam-se. Instaura-se a azáfama e o regresso da chuva. Na Praça Conde de Agrolongo, a missa é outra. Às portas do gnration reúnem-se amigos e conhecidos, motivados pela vinda do saxofonista norte-americano Colin Stetson ao creative hub bracarense. À semelhança do que aconteceu com Marc Ribot, em fevereiro, ou com Michael Rother em 2016, o concerto de Colin Stetson fez-se também num domingo em formato matinée.

Conhecido pelas colaborações com artistas dos mais diversos quadrantes da música contemporânea, de Tom Waits a Laurie Anderson, Evan Parker, Lou Reed ou Bon Iver, é nas suas explorações a solo que o trabalho do saxofonista ganha maior relevo. A singular trilogia New History Warfare, que recebeu o selo da reputada editora Constellation Records, estabeleceu-o como um dos saxofonistas quintessenciais do nosso tempo, uma verdadeira besta cuja entrega ao instrumento é tão bruta quanto comovente. Na primeira de três datas por Portugal, o músico norte-apresentou-se sozinho em palco para interpretar novos e antigos temas, acompanhado de dois saxofones (alto e baixo) e um clarinete contrabaixo.



All This I Do For Glory deu o mote para a digressão que Stetson se encontra neste momento a fazer pela Europa, e foi com o abalo emocional de “Spindrift” que o músico inaugurou a atuação. Através de um sopro contínuo e ininterrupto, que alcança através de uma técnica ímpar de respiração circular, Stetson projeta uma multiplicidade de sons fragmentados, sem recurso a loops ou overdubs, que aplica de um modo muito visceral e físico, afetando cada nervo do ouvinte. “Judges” seguiu-se para um belíssimo contraste, esta mais bruta e musculada que a anterior. Num esforço hercúleo, Stetson segura o monstruoso saxofone baixo durante 10 minutos sem pausas, vociferando um turbilhão de sopros sem fim aparente. Os padrões percussivos que acompanham as suas composições são causados pelo bater das teclas no instrumento, equipadas cuidadosamente com pequenos microfones de contacto que captam cada detalhe minuciosamente. O resultado é uma experiência tão surreal quanto surpreendente – Colin Stetson é um verdadeiro homem-banda. 

Entre goles valentes de água e obrigados em esforço, Stetson reservou os momentos finais da performance para apresentar algumas novidades. O primeiro tema, “The Love It Took to Leave You”, remete-nos para as paisagens sónicas de “Spindrift”, dotado de uma beleza desconcertante cujos sopros gritam num choro belo mas agonizante. Já “Strike Your Forge and Grin” encerrou a atuação com músculo. O tema, de duração extensa, elevou o instrumento até à estratosfera, explorando-o até ao limiar da catarse. 

Mais do que uma experiência auditiva, o concerto assistido nesta tarde de domingo foi uma verdadeira experiência corporal, uma odisseia táctil e purificante pelos terrenos mais suados do minimalismo.




Texto: Filipe Costa
Fotografia: David Madeira

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