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sábado, 4 de maio de 2019

Ganzfeld, o novo disco de Von Tesla é editado este mês

Von Tesla, o projeto experimental do músico eletrónico italiano que utiliza hardware físico e digital, além de softwares programáveis, ​​para investigar todos os diferentes aspectos da música dirigida pelas batida vai lançar na próxima semana um novo trabalho de estúdio intitulado de Ganzfeld. Usando ritmos assimétricos e pulsações na base de criação sonora, Von Tesla cria um exercício musical que trascende a compreensão dos ouvintes menos exigentes, pela sua estrutura complexa.

O nome do disco é baseado num fenómeno de percepção causado pela exposição a um campo de estimulação uniforme e não estruturado, intitulado Ganzfeld. Neste novo trabalho Von Tesla tenta alcançar um efeito similar através do uso e experimentação de múltiplas camadas de sons eletrónicos, ao longo 133 minutos. Deste novo trabalho já tinham anteriormente sido divulgados "sensory leakage" e "NM Codex", aos quais se junta agora "Caustic Network".



Ganzfeld é editado no próximo dia 10 de maio pelo selo Boring Machines. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Ganzfeld Tracklist:

01. CD1 - 01. aftermath 
02. CD1 - 02. sensory leakage 
03. CD1 - 03. E-e 
04. CD1 04. e v e r y t h i n g 
05. CD1 05. lighted room 
06. CD1 06. out of the surface 
07. CD1 07. vesica piscis 
08. CD2 01. caustic network 
09. CD2 02. echoes of the end 
10. CD2 03. dream part 
11. CD2 04. NM codex 
12. CD2 05. infinity reveal 
13. CD2 06. feedforward 
14. CD2 07. in the red

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Nuno Leocádio em entrevista: "Karma é a consequência dos nossos actos"

Cartaz do Karma is a Fest.
Tem início já no próximo dia 3 de maio o Karma is a Fest, um novo festival que promete abanar com as fundações da oferta cultural da cidade de Viseu. A propósito do Karma, entrevistámos o Nuno Leocádio, um dos fundadores da Acrítica, a associação cultural que está por detrás da fundação do Carmo'81, também responsável pela organização deste novo festival.

Como surgiu a ideia do Karma?

Nuno Leocádio: Karma é a consequência dos nossos actos e, em quase quatro anos de actividade, o Carmo'81 finalmente assume o seu karma, assume que dentro da sua acção multidisciplinar é na música que nos sentimos bem e melhor sabemos trabalhar. Foi até aqui que fomos conduzidos, a um evento multidisciplinar dedicado à música.

Porquê o Karma agora, na primavera de 2019? Porque não, por exemplo, na altura do aniversário do Carmo, em agosto?

Nuno Leocádio: A opção foi simples, Viseu tem muitos e bons eventos (grande parte gratuitos) durante o verão e pretendemos colaborar para uma saudável regularidade da agenda de eventos culturais que a Cidade e vários promotores independentes têm para oferecer. Por outro lado, sendo um evento dentro de portas, não faz sentido fazê-lo no Verão em época de férias, praia e outros festivais já consagrados. O aniversário é importante para nos lembrarmos do esforço que foi e é construir o Carmo'81, o facto de ser no verão não é ideal mas aquece a emoção de celebrar o Carmo'81.

Referem que esta é a edição 0 do Karma, e que a vossa ideia é, no futuro, projectar o festival para além das paredes do Carmo. Em termos formais, qual é a vossa ideia? Um festival de verão na verdadeira aceitação da palavra? Um ciclo de concertos com vários palcos espalhados pela cidade? Algo que trespasse todos esses formatos ou algo completamente à margem?

Nuno Leocádio: Será um misto das soluções que apresentas, terá uma calendarização mais compacta, com mais artistas como um "Festival de Verão" e terá vários palcos com propostas distintas. No entanto, não será espalhado pela cidade. Há já um local seleccionado que nos permitirá deixar crescer o evento sem perder o que nos caracteriza, a proximidade/ intimidade entre público e artistas e a apresentação cénica distinta. Desta forma, queremos acreditar que será um “Festival de Verão completamente à margem”.

No passado, realizaram o Solos e Solidão e duas edições do Cultura Urbana, dois festivais com conceitos bastante distintos, Em termos conceptuais, o Karma é uma aproximação a algum destes eventos ou parte por um outro caminho?

Nuno Leocádio: O Karma é o resultado da aprendizagem de ambos! É, sinceramente, o melhor do que aprendemos no CultUrb e no Solos e Solidão. Por exemplo, o gosto por Fanzines foi-nos deixado pelo CultUrb, bem como interesses em estranhofones em utilizar materiais pouco usuais para concretizações artísticas. Essa forma punk está na origem do Carmo'81 e é legado do CultUrb. Por outro lado, por exemplo, o projecto Sr. Jorge será fruto do Karma mas filho do Solos & Solidão. Foi durante um ensaio de uma peça de teatro Audaxviator, realizada na Igreja da Misericórdia de Viseu, que conhecemos o Sr. Jorge, sacristão e zelador da Igreja, e a sua honesta e bonita voz de sotaque beirão. Foi graças ao Solos & Solidão que conhecemos o Sr. Jorge, mas será o Karma que junta Rui Souza (Dada Garbeck), Gonçalo Alegre (Galo Cant'às Duas), João Pedro Silva (The Lemon Lovers) e Jorge Novo numa residência artística que resultará num concerto, imagem, disco e identidade artística. Esta vontade de concretizar e criar algo para o futuro foi o que melhor nos ensinou o Solos e Solidão.

Em termos de projecção e dimensão, discutivelmente, o Solos e Solidão foi o projecto mais ambicioso e abrangente até à data, passando pelo cinema, concertos no Carmo, no Teatro Viriato e até fora da esfera dos habituais espaços performativos, com concertos em Ranhados e em Mundão. Porém, o que transparece é a sensação de que o Karma é o evento com que a Acrítica partilha um nível maior de ligação emocional. Existe algum fundo de verdade nisto?

Nuno Leocádio: Existe uma enorme verdade nessa afirmação. O Solos e Solidão foi a nossa concretização mais ambiciosa até agora mas foi pensada e criada para uma edição, era nossa intenção provar que enquanto agentes culturais sabemos fazer mais do que programar, e conseguimos provar isso com o livro e a peça de teatro Audaxviator ou a exposição de fotografia na central de camionagem de Viseu. Mas o Karma foi pensado para crescer, para conceber, para promover e programar, foi pensado pela relação que temos com o público, e por mais egocêntrico que possa parecer foi concebido de acordo com a nossa identidade.

Nuno Leocádio. Fotografia de Rafael Farias
No espaço de 4-5 anos, deu-se meio que um boom cultural em Viseu, promovido por uma série de iniciativas, grupos culturais e espaços, nomeadamente o CAOS, os Jardins Efémeros, o Venha a Nós a Boa Morte e o Carmo'81. Tudo isto contribuiu para que se tenha respirado mais cultura em Viseu nestes últimos anos do que durante os anteriores 20e tal anos em que eu cá vivi. Pergunto-vos: sendo que muita luta decerto travaram para chegarem onde chegaram, o que é que fica por fazer, em termos de cultura em Viseu?

Nuno Leocádio: Ainda há muito por fazer, ouço histórias de uma época em que havia bandas, como os Lucrécia Divina, Major Alvega…em que havia vontade de criar, exprimir e experimentar… alguém de muito valor estava a construir algo muito bom, falta recuperar esse espírito de criação. O Carmo'81 ainda não chegou onde quer chegar à sombra dessas histórias. Muitos outros agentes e entidades trabalham para que Viseu fervilhe, o Teatro Viriato, a Gira Sol Azul, o Shortcutz, o Cine Clube de Viseu, a ZunZun… Muito graças a políticas de investimento na cultura, como o programa de apoios à cultura Viseu Cultura e/ou empresas como a LuzBoa ou o Fórum Viseu que assumem responsabilidades ao serem mecenas de eventos como o Karma, e/ ou empresas como a Lemos&Irmão ou a Só Sabão que apoiam com logística vários eventos. Vivemos outros tempos com muitas dificuldades mas também com mais informação, mais e melhores meios e vias de comunicação, com mais possibilidades de financiamentos e isso aumenta muito a nossa responsabilidade.

Encaram o facto do Carmo'81 se encontrar na periferia do circuito das grandes cidades (grandes cidades, entenda-se, são Lisboa e Porto, porque normalmente os eventos culturais de maior expressão dividem-se entre estas duas urbes) como uma vantagem ou como um obstáculo com o qual têm que lidar?

Nuno Leocádio: É obviamente um obstáculo e uma realidade que queremos contrariar, perdemos muitos amigos, colaboradores e clientes para a emigração seja de cidade seja de país, isto tem de parar. Viseu tem de ter a capacidade de criar condições de empregabilidade para parar esta realidade do interior. É incomparável o volume de negócio dos Maus Hábitos (Porto) ou Musicbox (Lisboa) com o do Carmo'81 (Viseu) e isso está directamente relacionado com a densidade populacional. Menos público, menos espírito crítico, menos curiosidade, não sendo uma responsabilidade exclusivamente nossa procuramos contrariar tudo isto. Alem disto, realizar actividades culturais no interior é mais caro (despesas de deslocação, estadias, menos oferta de serviços disponíveis e as mesmas obrigações legais sem nenhum tipo de discriminação positiva por se trabalhar no interior do país). Não gosto do discurso do coitadinho do interior mas a verdade é que há algumas dificuldades acrescidas…

É louvável o trabalho que fazem para estimular sinergias locais, ao darem tempo de antena à prata da casa (nomeadamente com a gravação do disco dos Galo no espaço do Carmo e a peça Audaxviator na Igreja da Misericórdia). Sentem que o facto de apostarem em talento local tem contribuído para a formação / angariação de um público que, por sua vez, é também local? Ou pelo contrário, sentem que têm cada mais atraído massa crítica que se desloca de longe?

Nuno Leocádio: As colaborações com a produção cultural local são uma feliz consequência do percurso realizado até agora, nunca caridade, se não nos identificamos com um artista ou entidade local não colaboramos, nunca o fazemos apenas por solidariedade. O nosso respeito pelo público e com quem trabalhamos localmente é enorme.Sem ter a presunção de que é apenas o Carmo'81 que “ Forma", quero acreditar que artistas como Galo Cant'às Duas, José Pedro Pinto, Sr. Jorge olhem para o Carmo'81 como a sua casa, a sua fábrica. Olhamos para a produção local como um benefício artístico e não uma estratégia de marketing onde fica bem falar sobre % de produção local, nem como apenas uma estratégia para agradar o público.

Passados quase 4 anos desde o início desta "brincadeira" como tu próprio lhe chamaste por altura do aniversário do Carmo'81 em entrevista ao Jornal do Centro no ano passado, sentem que estão hoje numa posição mais confortável? Ou o desafio é hoje maior do que há um ano atrás?

Nuno Leocádio: O desafio é cada vez maior e o espaço para brincadeiras cada vez menor. A “brincadeira" nunca foi mais do que uma triste expressão porque o Carmo'81 é desde o início um trabalho muito sério, já provámos diversas vezes durante o nosso percurso do que somos capazes. Divertimo-nos muito com o que fazemos porque somos honestamente fans da nossa programação e daí a brincadeira possível. Mas o desafio é cada vez maior porque existe a obrigação de nos superarmos, de nos reinventarmos e de forma regular apresentar esse esforço ao público.

Teaser promocional do Karma is a Fest.

Sendo que são uma Cooperativa, estão abertos à entrada de novos membros? E se sim, quais são as condições para entrarem na Acrítica?

Nuno Leocádio: O Carmo'81 é uma cooperativa cultural com o intuito de cumprir os anseios dos seus cooperantes. Enquanto esse objetivo não for plenamente cumprido, não estaremos dispostos a acolher novos cooperantes, sobre o risco de desiludir as expectativas desses novos elementos. No entanto, enquanto cooperativa se a assembleia geral decidir ser útil acolher novos membros, obviamente, estaremos disponíveis. Mas mais do que novos cooperantes, o plano de crescimento (ao ser cumprido) obrigará à contratação de mais recursos humanos (evitaremos a todo o custo trabalhar com voluntariado).

Em resumo, peço-te para deixares algumas palavras de sabedoria.

Nuno Leocádio: Palavras de sabedoria? “Só sei que nada sei". Numa época em que todos têm tanto para dizer e ensinar eu prefiro continuar a aprender. Não é o negócio da humildade é honesta esta minha opinião, sei muito pouco para partilhar palavras sábias, principalmente, porque não quero alimentar o culto da personalidade sobre o programador do Carmo'81, faço o que faço por vontade e gosto, não por reconhecimento à procura de estátuas ou medalhas. A minha sabedoria (para o bem ou para o mal) está espelhada no palco do Carmo'81.

Obrigado.

Entrevista por: Edu Silva

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Anarchicks apresentam Loose Ends este sábado na Stereogun


As Anarchicks lançaram no passado dia 17 de abril o seu novo disco de estúdio, Loose Ends o qual apresentarão orgulhosamente no próximo dia 4 de maio numa das salas mais icónicas do país, a Stereogun. O disco - que é o primeiro da banda a contar com a voz de Rita Sedas - será apresentado na íntegra no próximo sábado e promete eletrizar o público pela sua vibe musical que cada vez mais apaga os limites que separam o rock do punk e do electro. Além dos temas de Loose Ends, a setlist de 4 de maio promete integrar também os temas mais conhecidos da carreira.

A primeira parte ficará a cargo da banda SHIVERS que promete apetrechar o palco com rock barbudo e muito humor à mistura. As portas abrem às 23h e os bilhetes custam 7€ + consumo mínimo de uma bebida.


Noite Tutilipa #2 leva NADA-NADA, SunKing & CAIO e Ohmaas ao B.Leza


A Tutilipa, nova promotora responsável pela programação no B.leza, está a preparar a sua segunda noite da residência mensal na discoteca. Depois uma primeira noite que contou com Filipe Sambado e Primeira Dama, esta segunda edição contará com as atuações de Ohmaas, SunKing e CAIO, NADA-NADA e DJ set de Funkamente.

Os bilhetes têm o custo de 6€ das 22h00 - 00h00 e 5€ das 00h00 - 02h00, com oferta de imperial. Podem ser adquiridos à porta no dia, na Ticketline e locais habituais.

Tzusing, RP Boo e Marcellus Pittman na programação de maio do Pérola Negra



O Pérola Negra revelou a programação completa para o mês de maio. Marcellus Pittman, RP Boo, Tzusing e o regresso de Pérola Is Burning marcam o cartaz das próximas semanas no renovado espaço da movida portuense.

O mês arranca com GiZ, dj com raízes em Berlim cuja afiliação à Love Foundation Berlin o levou a tocar nalguns dos clubs mais emblemáticos da cidade como o Sisyphos, Kater Blau ou Kit Kat. A acompanhá-lo estará Klin Klop, a identidade musical de Inês Meira, e a seleção eclética e espiritual de Shrumate. A 4 maio, a Alínea A comemora 6 anos na cave mais espelhada da cidade. Naquela que será a segunda noite Timeless, as atenções viram-se para Detroit e para música que faz mexer a cidade do Michigan, com Marcellus Pittman a encabeçar uma noite composta ainda por Pedro Tenreiro e Terzi.

A 10 de maio, o Pérola Negra recebe a segunda edição do Pérola is Burning, que em parceria com o DDD - Festival Dias da Dança traz Chatham House (aka Positive Center) à cabine do club. O dj e produtor berlinense, que visitou o espaço no passado mês de janeiro, irá musicar uma noite composta ainda pelo set de Affreixo & The Female Disco Liberation e pelas performances de Natasha Semmynova, Babaya Samambaia e Xana Novais. A 11 de maio, a Chinfrim traz Rocky Marsiano & Meu Kamba Sound para uma sessão rica em tropicalismo. Ludovic, mojo hannah e Nuno Di Rosso encerram a noite.

O dia 17 de maio recebe iZemOhxalá Ritmos Cholulteka para uma noite com assinatura Aiyé, que contará ainda com uma performance de Dancecapoeira. No dia seguinte, a18, a XXIII regressa para comemorar 4 anos de promoção e criação de música. A isto juntam-se as celebrações do segundo aniversário da More Time Records, com SNØW e Ahadadream a servir o prato principal da noite. Torres, NOIA, Cash From Hash e Baltazar acompanham os fundadores do selo britânico.

No fim de semana seguinte, a 24, o recém-criado IRL salta de Campanhã para a cave do Pérola Negra para o primeiro evento fora de portas. Em parceria com a Favela Discos, o novo espaço portuense leva a cabo uma noite encabeçada por RP Boo, "pai da footwork" cujo trabalho conta mais de duas décadas dedicadas ao desenvolvimento do género. A juntar-se ao produtor natural de Chicago estará Nils Meisel, nova entrada do catálogo da Favela, Arrogance Arrogance e as escolhas de Favela Riscos Soundsystem. A noite de 25 recebe um dos grandes destaques da programação deste mês - Tzusing (na foto). O produtor malaio regressa a Portugal depois de uma última atuação na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, desta feita para se estrear na cidade do Porto. 東方不敗, o disco de estreia lançado via L.I.E.S. (de Ron Morelli), catapultou Tzusing para a frente da nova cena techno industrial, tendo desde então editado por selos tão respeitados como a Bedouin ou a germânica PAN.

A 31, e para encerrar o mês em grande, o Pérola Negra recebe o segundo capítulo da Veganalog, desta vez movida pelas seleções de Mafalda, Funkamente e Helena Guedes.


WoodRock Festival com cartaz fechado


Com os Putan Club, Acid Mess, Sunflowers e Asimov, encontra-se encerrado o cartaz para a edição de 2019 do Woodrock Festival. Além destes nomes, também será possível ver El Altar del Holocausto, Galo Cant'àsduas, Wildnorthe, Santo Rostro, Coven, Greengo, Linda Martini, Church of the Cosmic Skull, The Quartet of Woah! e Solar Corona.

O preço dos bilhetes gerais é agora de 25 euros, valor esse que se manterá até aos dias do evento. O valor dos bilhetes pontuais também já é conhecido e varia entre os 10 € (18 de julho) e 17 € (19 e 20 de julho).

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Solar Corona vêm electrizar os nossos dias com Lightning One

© Renato Cruz Santos
Os Solar Corona são mais uma das bandas originárias de Barcelos, cidade criativa que na última década teve um grande impacto no rock nacional atrevido e como deve ser. Iniciaram-se em 2013 mas só ano de 2016 é que chegaram à sua formação atual de quarteto: Rodrigo Carvalho (guitarra / sintetizadores), Peter Carvalho (bateria), José Roberto Gomes (baixo) e Julius Gabriel (saxofone / sintetizadores). 

Entre 2013 e 2016, os Solar Corona editaram três EPs, e só este ano é que chegaram ao primeiro longa-duração da banda, Lightning One, fruto de anos de labor à procura do som que triunfasse nesta formação. Lightning One é um álbum que convive com o renascimento de algumas correntes do rock e absorve o conhecimento de alguns caminhos cósmicos paralelos ao rock progressivo das décadas de 1970 e 1980. 


“Rebound”, single de avanço deste novo disco, entra de rompante nos ouvidos e escorre como mel numa odisseia que comprime em seis minutos histórias que o rock, noutras décadas, demorava muito mais tempo a contar. Uma galopada progressiva, um crescendo êxtase de hipnose sonora que subitamente desce à terra para fazer valer uma nova subida, onde o saxofone tanto abala como embala o rock dos Solar Corona.

Lightning One foi misturado por José Arantes e masterizado por Chris Hardman. Sai esta sexta-feira (3 de maio) com o selo da Lovers & Lollypops

Oiçam: Manuel Guimarães


Manuel Guimarães é um nome da música portuguesa que apresenta um percurso pessoal bem diversificado. Além do seu trabalho como designer de som, é também produtor e músico, sendo responsável pelo projeto eletroacústico nial, que se baseia em estruturas eletrónicas clássicas e ambientes e por onde editou em 2016 o álbum SAHU


O músico colabora habitualmente com artistas visuais e performativos, nomeadamente João Pedro Fonseca - Sombras do tempo, Depósito de uma natureza activa, South, East, West, North, entre outros - e Joana Gonçalves, na performance The Hunting, apresentada no Alvin Aley American Dance Theater, em Nova Iorque. Importa ainda destacar o trabalho desenvolvido pelo artista na organização do ZigurFest e da ZONA – Residências Artísticas de Lamego.


O que nos traz aqui hoje são os registos em nome próprio de Manuel Guimarães. Em 2017 editou o EP Entre o segundo e o terceiro sono, e no ano seguinte editou os singles “The Lodge” e “Serinus”. Nesse mesmo ano editou Bloom: synopsis of generative compositions, disco que surge como uma colectânea de diferentes composições generativas, das quais foram registados alguns momentos e se formaram temas com narrativas distintas. Bloom: synopsis of generative compositions é dotado de uma estética ambiente e progressiva, influenciada por Brian Eno, em que as paisagens sonoras se vão desconstruindo em novos mundos ao longo de seis temas. Podem ouvi-lo em baixo.

Refectori apresenta-nos a sua eletrónica de ambiências experimentais


Refectori, o projeto que começou a partir da gravação dos sons quotidianos com recurso a um gravador Zoom H5, corporizou-se em 2014, ano em que Xavier Longàs edita o seu primeiro trabalho de estúdio, Carreus, onde os sons anteriormente gravados são manipulados e explorados até criarem uma composição musicalmente harmónica. É, então, através da transformação física dos elementos orgânicos que, cinco anos depois, o novo disco de Refectori - Esplendi - é criado. Ao conjugar texturas amplas de ruído com paisagens oprimidas e sintetizadores ora controlados ora completamente soltos, Refectori convida o ouvinte a navegar por entre os limites das camadas de som.

Espleni vem dar sucessão à cassete Now There's Only Light Inside My Eyes Compilation (Conjuntø Vacíø, 2018) e encontra-se fragmentado através de nove composições. Com um início a explorar melodias imersivas e alguns territórios da eletrónica obscura, Refectori volta a pairar sobre a temática da união entre o corpo e a matéria prima, que até então tinha explorado anteriormente em Natura Morta (Bestiarie, 2015). Ao longo do disco, as experimentações sonoras e os ruídos explorativos são justapostos num diálogo constante, do qual se vão, lentamente, separando. Um exercício auditivo altamente abrangente a ouvir na íntegra, abaixo.

Espleni foi editado no passado dia 5 de abril, em vinil, pelo selo espanhol Hedonic Reversal. Podem comprar o disco aqui.


O último disco dos Detieti mistura uma mão cheia de estilos


Os Detieti formaram-se na cidade de Moscovo em 2004 e demoraram cerca de seis anos até terem disponibilizado para o mundo a sua primeira demo oficial, em 2010. Três anos depois lançavam Ne eP (2013), um conjunto de cinco faixas autênticas a explorar os campos do post-rock, da música funk, do metal e bem, uma cacofonia vagabunda que, como resultado geral, se enquadra muito bem. O disco de estreia, В общих чертях (2015), chegaria às prateleiras 11 anos depois do processo de formação inicial e com todas as experimentações que se poderiam esperar de uma banda tão camaleónica como os Detieti.

Com 14 anos de carreira na bagagem a banda russa - que explora as sonoridades mais progressivas do rock e punk e as interceta com influências do jazz fusion, muito funk e doses arrojadas de experimentação - edita Frogressive Punk (2018), o longa-duração que serve como um desafio aos ouvintes. Através de um conjunto de nove canções, onde logo em "Cacaintro" tão depressa estamos a experienciar paisagens carinhosas como a seguir nos encontramos, num cenário mais negro, depois numa pista de dança ritmada pelo funk e, por fim, nos extremos da música bruta e suja, os Detieti mostram-nos que a sua música não é feita para qualquer ouvido. No entanto há um espaço completo para a abordagem das mais diferentes representações da música e o resultado é completamente balanceado e coerente.



Frogressive Punk chegou às lojas em maio de 2018 e podem aproveitar para integrar esta viagem alucinante dos Detieti abaixo. Destaque para temas como "Rasta Fear", "Diemback" e o tema de encerramento, "Threeptile". Podem comprar o disco aqui.


segunda-feira, 29 de abril de 2019

Mark Lanegan visita Porto e Lisboa em Outubro


Mark Lanegan está de volta. O cantautor norte-americano, adorado pelo público português, volta a terras nacionais, desta vez para dois concertos a solo em Lisboa e no Porto. Depois de fazer companhia aos Dead Combo, no Coliseu de Lisboa, e de uma atuação em 2017 no NOS Alive, o americano visita agora o Lisboa ao Vivo, dia 30 de Outubro, e o Hard Club no dia 31 de Outubro.

Ex-vocalista dos Screaming Trees, Mark Lanegan participou em vários álbuns dos icónicos Queens of The Stone Age, juntou-se a Isobel Campbell, ex-vocalista dos Belle & Sebastian para um projecto único e pelo meio ainda teve tempo de, desde 1990, editar 9 álbuns e um EP, a solo.

2019 traz novidades. Motivo mais do que suficiente para uma visita a Lisboa e Porto. Somebody's Knocking, que não tem ainda data de lançamento marcada, é um disco de alguém que se nota ser verdadeiramente obcecado com música. Gravado em Los Angeles, numa sessão de estúdio que durou 11 dias, Somebody´s Knocking tem as suas principais influências na Europa. Passeando entre a eletrónica e o rock de nomes como New Order ou Depeche Mode, Mark Lanegan cria a sua sonoridade única que visitará mais uma vez terras lusas.


domingo, 28 de abril de 2019

Reportagem: Sensible Soccers [Culturgest, Lisboa]


No mesmo dia que o Benfica e o Sporting disputavam a meia final da Taça de Portugal, optei por um estilo diferente de futebol. Este disputava-se na Culturgest e os Sensible Soccers vinham apresentar o seu mais recente disco Aurora.

Apesar de não ter havido pontapés do Bruno Fernandes, músicas novas como “Elias Katana” marcavam golos nos ouvidos dos fãs que, apesar de não se puderem levantar devido aos lugares sentados, abanavam os corpos e batiam os pés o máximo que conseguiam.

A falta de espaço para dançar foi compensada pela incrível acústica da Culturgest, que forneceu os instrumentos aos músicos e o potencial para destacar a sua música com a melhor qualidade possível, algo fundamental dada a complexidade dos instrumentais, em que os riffs de guitarra foram trocados por sintetizadores (mais) ousados e percussões tropicais.

No final, foram ovacionados por uma sala quase lotada de fãs que abraçaram e celebraram a nova vida da banda proveniente do norte de Portugal. 


Texto: Hugo Geada
Fotografia: Vera Marmelo

As canções de amor dos Heathens para pessoas insensíveis


No início do mês os Heathens - projeto centrado na reação a uma geração cada vez mais distraída e superficial ao fazer uso de "emoções descartáveis" - editaram no início do mês o seu terceiro disco de estúdio, Love Songs For Insensitive People, que vem dar sucessão a In Silence (self-produced, 2012) e Alpha (Irma Records, 2016). Com um título curioso baseado nas pessoas que não se deixam facilmente levar a "emoções descartáveis", mas que estão sempre à procura de sensações autênticas, embora dolorosas, o disco explora texturas fofinhas enquanto nos embala através das sonoridades carismáticas e sonhadoras.

Em Love Songs For Insensitive People, o sexteto de Veneza tenta invocar, de forma ambiciosa, as emoções mais profundas e primitivas através de uma composição que equaciona texto e efeitos musicais de forma inteligente, empregando ainda alguns mecanismos de defesa que eles. Uma obra que pode agora ser descoberta na íntegra abaixo.

Love Songs for Insensitive People foi editado no passado dia 5 de abril pelos selos Shyrec e Ricco Label (Japão).