sábado, 11 de maio de 2019

STREAM: Von Spar - Under Pressure


Von Spar são um quarteto alemão com origens na cidade de Colónia e que se destaca principalmente no campo do krautrock. Formadas por Sebastian Blume, Jan Philipp Janzen, Christopher Marquez e Phillip Tielsch, regressaram este mês às edições discográficas com Under Pressure, sucessor de StreetLife, disco editado em 2014.

Em Under Pressure coabitam 8 temas que se estendem para lá do krautrock e visitam os territórios da pop electrónica e artística, contando com a participação de vários convidados. A voz de Chris A. Cummings, conhecido como Marker Starling, enfeita mais de metade das músicas. Eiko Ishibashi (Kafka’s Ibiki, Jim O'Rourke, Merzbow), Vivien Goldman (The Flying Lizards), R. Stevie Moore deixaram também a sua marca em Under Pressure, sendo também importante salientar a presença de Lætitia Sadier (Stereolab) no hit kraut-pop de audição obrigatória “Extend The Song”


Under Pressure chegou ontem (10 de maio) às lojas com o selo da Bureau B. Podem comprar o disco aqui.

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O peso dos Pressor tem coisas estranhas


Formados em 2008 na cidade de Kostroma, Russia, sob o nome Leaden Sky e com uma sonoridade com influências do funeral doom, foi em 2010 que os Pressor ganharam o nome com que se apresentam na atualidade. A banda atualmente formada por Stan Vasiliev (guitarra, voz); Anton Khmelevsky (guitarra, voz); Denis Zarutsky (baixo); e Danya Kornev (bateria) lançou o primeiro EP de carreira em 2012 - intitulado de Grave Full of Weed - e uma série de singles entre 2013 e 2016, regressando seis anos depois com Weird Things, o segundo EP de carreira que chegou ao mercado no ano passado.

Numa fase mais gesso, onde o peso do sludge e a hipnose do stoner os Pressor apresentam um total de quatro músicas que não se prendem a um caminho previsível e incorporam camadas de elementos sintetizados, elementos experimentais e guitarras fervorosas com uma atmosfera bem negra. Deste último trabalho de estúdio recomenda-se a audição de temas como "Weird Things" e "Hexadecimal Unified Insanity"

Weird Things foi editado a 12 de março de 2018 em formato CD pelo selo russo [addicted label]. Podem comprar o disco aqui.


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STREAM: Dury Dava - Dury Dava


Fãs do krautrock e das tonalidades alucinogénias da música psicadélica? Então talvez o novo disco do quinteto grego Dury Dava seja do vosso agrado. O disco com uma duração aproximada a 70 minutos explora diversas trajetórias composicionais, inspiradas nos mais divergentes lugares. Numa conjugação entre o rock psicadélico dos anos 60, o krautrock dos anos 70 e os elementos tradicionais das músicas greco-turcas os Dury Dava catalogam num total de dez canções ritmos e vocais estranhos juntos a paisagens ora calmas ora caóticas.

O álbum homónimo foi gravado ao vivo durante várias sessões no segundo semestre de 2018 nos estúdios Hobart Phase e resulta numa fusão do rock experimental contemporâneo com elementos heterogéneos mais clássicos. Composto por Karolos Berahas (baixo, teclas, sintetizador), Giorgis Karras (guitarra, dilruba), Dimitris Mantzavinos (voz, guitarra, bouzouki), Dimitris Prokos (clarinete, sintetizador) e Ilias Livieratos (bateria, percussão), de Dury Dava recomendam-se a audição de temas como "Τρίπτυχο", "Σάτανα", "34522" e "Αταξία".

Dury Dava foi editado na passada sexta-feira (10 de maio) pelo selo grego Inner Ear Records. Podem comprar o disco aqui.


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Antipole e Paris Alexander remisturam Clan Of Xymox


Karl Morten Dahl, mentor do projeto Antipole juntou-se ao produtor Paris Alexander para remisturarem o tema "Lonliness", originalmente editado pelos Clan Of Xymox com o lançamento de Days Of Black (Trisol/Metropolis, 2017). Visto como um dos pilares da label 4AD, desde a sua formação em 1984, os Clan Of Xymox tornaram-se rapidamente num ponto de referência pela sua sonoridade eletro-gótica que os tornou adorados por todo o mundo.

O remix para o tema "Loneliness" - produzido nos estúdios Blue Door (Brighton, UK) - foi editado no passado dia 9 de maio e pode agora ser ouvido na íntegra, abaixo.


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STREAM: Veil Of Light - Inflict


Os Veil Of Light, dupla suiça que atua nos campos da synth-wave, darkwave, EBM e industrial post-punk, regressou este mês às edições de estúdio com Inflict, disco que chega às prateleiras dois anos depois de Front Teeth (2017) e que se assinala como a quarta edição longa-duração da dupla. Formados em 2012 os Veil Of Light continuam a explorar as vibes sonoras apresentadas no anterior trabalho, incorporando algumas estruturas mais complexas e com uma forte base na componente industrial.

Deste novo trabalho, uma coleção de oito canções que juntam a brutalidade e monotonia da música industrial com uma clássica sensibilidade da música post-punk já tinha sido divulgado anteriormente o tema "Fact2019". Além desta faixa recomenda-se ainda a audição de temas como "Holy Wars", "Europe" e "Animal Instinct". Inflict pode ser ouvido na íntegra abaixo.

Inflict foi editado na passada sexta-feira (10 de maio) pelo selo Avant! Records. Podem comprar o disco aqui.


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STREAM: VR SEX - Human Traffic Jam


VR SEX é o projeto que junta Noel Skum (Andrew Clinco/Deb Demur de Drab Majesty) a Z. Oro (Aaron Montaigne de Antioch Arrow/Heroin/DBC) e  Mico Frost (Brian Tarneye que se concentra em temas líricos, baseados na tecnologia, que abordam as possibilidades da perda de autonomia através das mídias sociais, o declínio da interação humana e o favoritismo de celebridades. Anunciado como projeto no início deste ano, os VR SEX já tinham lançado em março o primeiro EP de carreira, Horseplay (Dais Records) sendo que agora apresentam ao mundo o primeiro longa-duração de carreira, Human Traffic Jam.

Provocadores audiovisuais que transpõem as paisagens sonoras do death rock, synth punk, post-punk, ambient e ethereal wave, os VR SEX apresentam uma coleção de nove canções prontas para se fazerem ouvir alto nas pistas underground. Human Traffic Jam foi escrito por Noel Skum na Grécia durante o inverno de 2017 e gravado durante um prazo record de uma semana nos Figure 8 Studios. Do disco - que pode agora ser reproduzido na íntegra abaixo - já tinham anteriormente sido divulgadas as faixas "Surrender" e "Sacred Limousine".

Human Traffic Jam foi editado na passada sexta-feira (10 de maio) pelo selo Dais Records. Podem comprar o disco aqui.


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Alen Tagus levam-nos no expresso Paris, Sines


Alen Tagus é um projeto franco-português, imaginado entre Sines e Paris, que destila uma indie pop introspectiva com sonoridades dos anos 70. Nascido da associação inédita entre o músico português Charlie Mancini (Projecto Fuga), pianista e compositor de música para cinema e a artista francesa Pamela Hute, melodista e roqueira de coração, Alen Tagus explora um universo musical repleto de imagens que convida à viagem. Uma viagem onírica que presta homenagem à narrativa cinematográfica.

Charlie Mancini conheceu a música de Pamela Hute via online e identificaram-se de imediato com o seu trabalho artístico. O processo de colaboração à distância começou com o tema “Time Passing By” do qual ficaram bastante satisfeitos e orgulhosos com o resultado e que recebeu vários elogios por parte da imprensa portuguesa e francesa.

A premissa para esta colaboração foi Charlie Mancini ir enviando alguns instrumentais gravados no seu estúdio em Sines (especificamente baixo eléctrico e teclados) e Pamela concluir essas ideias no seu estúdio no sul de França, juntando-lhes letra, voz, guitarras e bateria. Desta colaboração resultou o EP Paris, Sines, a ser editado a 17 de maio em todas as plataformas digitais pela My Dear Recordings (de Pamela Hute).


O terceiro single “Holiday” é uma viagem musical introspectiva, escrito como se se tratasse de um passeio meditativo. Inspirado pela estética lo-fi dos Velvet Undergound, o batimento é simples, repetitivo e transporta o ouvinte para um promenade poético numa zona rural e balnear composta por guitarras com camadas de delays e outros efeitos sonoros distintos.   

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MUSA faz três anos e anuncia abertura de dois novos espaços


Começou há três anos o projecto de trazer até Marvila, e daí ao resto do país, uma nova forma de beber e olhar a cerveja. O mote foi dado pelas três cervejas iniciais, Mick Lager, Born in the IPA e Red Zeppelin, que, hoje, integram as mais de 30 variedades que, desde então, se serviram na Fábrica da MUSA. Um espaço que se assumiu como ponto de encontro obrigatório para os apreciadores da bebida e de música, que cruza a fábrica com o bar, a sala de concertos com os petiscos, o consumo com produção. 

Três anos depois e, em altura de aniversário, a Musa anuncia a abertura de dois novos espaços, na Bica (Lisboa) e nas Virtudes (Porto). Novidades que serão assinaladas com um ciclo de três festas com arranque marcado para 18 de Maio, na Fábrica MUSA em Marvila, com atuações de PZ e B Fachada e djsets de Mike El Nite e Da Chick. Segue-se a 1 de junho a inauguração do espaço na Bica, cujo foco é na gastronomia. Na última festa, a 15 de junho nas Virtudes, Porto, teremos um concerto dos ZEN, mítica banda que regressa ao palcos 20 anos depois da última vez que os vimos ao vivo.

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Nova Et Vetera lançam Au Delà no final do mês


A história dos franceses Nova Et Vetera começou a ser escrita, em formato trio no final dos anos 90, preenchendo uma lacuna entre o rock gótico, a percussão tribal e a arte performática. Com a base da junção entre a música e a performance ao vivo os Nova Et Vetera passaram a basear a sua fórmula musical em letras macabras, percussão cerimonial e guitarras angulares para criar uma experiência musical que é sentida com o mesmo peso que é ouvida. Depois de três EPs e dois longa-duração na casa Manic Depression Records, o quinteto anuncia agora o seu último disco, Au Delà.

Resultado da experiência adquirida ao longo dos últimos anos, o novo trabalho dos Nova Et Vetera é descrito como "poético, tribal, mas também rock, cativante, melódico e hipnotizante". Desta nova edição, que será a última da carreira, os Nova Et Vetera já são conhecidos os temas "Stay that prick" e "So sick", disponíveis abaixo


Au Delà tem data de lançamento prevista para 25 de maio pelo selo Manic Depression Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Au Delà Tracklist:

01. Stay that prick 
02. Playtime 
03. Demain 
04. A Pipe Dream 
05. Ôde aux météores d'un fou 
06. Before 
07. 23093D 
08. So Sick 
09. To the afterlife

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STREAM: Josiah Konder - Songs for the Stunned


Os dinamarqueses Josiah Konder reeditaram na passada quarta-feira em edição vinil o seu disco de estreia, Songs for the Stunned - um conjunto de doze canções altamente profundas, intensamente emocionais e ricas em ambiências que incluem o piano como o instrumento em grande pano de fundo. O disco, editado originalmente em junho de 2018, recebe agora uma edição apropriada em vinil que promete surpreender fãs de nomes como Nick Cave e And Also The Trees.

A decadência nostálgica dos Josiah Konder retrata a vida como um carrosel de prazer e dor. Das profundezas da depressão entorpecida à ironia da existência, Songs for the Stunned, explora uma camada de texturas - ora fúnebres ("Steady Hand*"; "One More Summer"; "More Than The Wind"), ora mais energéticas (ouvir "Running in Light"; "The Surface"; "The Calm of Your City") - que se tornam deliciosas com a audição repetida. Um disco incrivelmente belo feito para ser apreciado na sua edição mais fiel, o vinil.

Songs for the Stunned foi reeditado em vinil no passado dia 8 de maio pela Third Coming Records. Podem comprar o disco aqui.


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Cinco Discos, Cinco Críticas #45



Os novos discos de Brutus - Nest (Hassle Records/Sargent House, 2019); Camilla Sparksss - Brutal (On The Camper Records, 2019); Wand - Laughing Matter (Drag City, 2019); K Á R Y N - The Quanta Series (Mute Records, 2019); e Delafex - Furnas (Alienação, 2019) são os novos destaques na quadragésina quinta edição da rubrica 5 Discos, 5 Críticas

As opiniões a estes trabalhos podem ler-se abaixo.

Nest ​ | ​Hassle Records/Sargent House ​ | março de 2019 

8.0/10 

Enquanto possuidores de uma angústia vincada proferida num assalto sónico sem precedentes, os ​powerhouses ​belgas ​Brutus surpreenderam a cena ​underground com o seu primeiro álbum ​Burst de 2017, com a sua abordagem de ​hardcore temperada com uma veia mais emocional e uma sensibilidade mais etérea, adicionando ali para o meio um equilíbrio cuidado, com doses substanciais de peso instrumental e tendências mais melódicas. Dois anos depois, a banda lança o seu ​take no desafio do difícil segundo álbum na forma de ​Nest sobre a asa da Sargent House, a mesma de ​acts consagrados como And So I Watch You From Afar e ​Chelsea Wolfe​. É seguro dizer que este novo registo revela uns ​Brutus mais seguros de si e da sua fórmula, com uma aposta não só novamente confirmada, mas ainda mais vincada, na dissonância exasperante de cortar a respiração, uma voz feminina igualmente aguerrida e melodiosa, e um ​double-dip em mudanças de dinâmica certeiras, tanto em termos de peso como de compassos. 
Claramente, não há como não acreditar quando um álbum desfila com faixas como "Techno", "War" e "Cemetery".
Rúben Leite



Brutal | On the Camper Records | abril de 2019

8.0/10

Depois de uma pausa de cinco anos, Barbara Lehnhoff, a cantora, compositora e artista visual por trás do projeto Camilla Sparksss regressou este ano em grande com o seu novo disco de estúdio, Brutal. O novo trabalho, que reúne nove temas altamente viciantes e diversificados em estilos, apresenta-se como o passo mais arrojado de Camilla Sparksss até à data, mas definitivamente o seu melhor de carreira. Em Brutal Camilla Sparksss afirma-se como uma artista altamente multifacetada ao apresentar uma sonoridade que, de tão distinta, facilmente capta a atenção e inicia aquela vontade de se querer ouvir mais. Através de uma vertente eletrónica explorativa, Camilla Sparksss constrói a sua electro-pop camaleónica que tão depressa recorre a texturas animadas e descontraídas ("Are You Ok?"), tonalidades sensuais ("Psycho Lover"), cenários altamente agressivos e bruscos ("Walt Deathney") ou até mesmo baladas ("Sorry"). 
Brutal é um disco construído sob uma grande nuvem de nuances criativas e, a melhor surpresa de se ouvir um disco assim é chegar ao fim e perceber que todos os elementos foram inseridos de forma rigorosa e com um propósito. Se ainda não estão convencidos comecem por clicar na reprodução de "So What" e deixem-se conduzir pelos ritmos exacerbados e altamente poderosos que Camilla Sparksss preparou para vocês. É mesmo caso para se dizer: um disco brutal.
Sónia Felizardo




Laughing Matter | Drag City | abril de 2019

8.0/10 

Neste novo álbum a banda de Cory Hanson e companhia deixam de parte o som explosivo da cena garage rock californiana para fazer um álbum mais delicado com sonoridades mais sensíveis e experimentais. A troca de influências, de Ty Segall e Thee Oh Sees para os primeiros álbuns de Radiohead, já se vinha a sentir desde o lançamento de Plum, contudo, a mais recente entrada na discografia dos Wand afirma-se definitivamente como a nova voz da banda. As músicas soam mais concisas e as experimentações (onde muitas vezes a banda pecava por soarem desnecessárias) dão um toque especial às faixas. "Scarecrow" ou "Thin Air" são exemplos perfeitos para representar a qualidade do álbum, que cobre inúmeros terrenos com as guitarras a soarem ao rock alternativo dos anos 90 e a arrepiante voz de Cory a cantar sobre assuntos como os seus relacionamentos passados ou a realidade de viver com Trump como presidente. 
A nova vida dos Wand parece estar finalmente a compor-se com este novo álbum onde mostram que são mais que meros discípulos da escola de garage rock do Ty Segall.
Hugo Geada




The Quanta Series | Mute Records | março de 2019

8.5/10

The Quanta Series é uma compilação de singles que K Á R Y Y N gravou entre 2011 e 2018, motivados pela morte de dois dos seus amigos em Aleppo. Apesar da disparidade entre as claras raízes no lado emocional, e a natureza artificial da música electrónica, The Quanta Series é uma representação fidedigna e clara de um processo que não só considera a dor como motivação, mas também a aceitação e recuperação. Por detrás de um som inovador, K Á R Y Y N apresenta-se neste disco como uma propagação de pop vanguardista que será mais facilmente associada a Holly Herndon, fundindo esta com as peculiaridades vocais de grandes nomes como Björk e Kate Bush, e a sideralidade do som de Zola Jesus. A produção luxuosa bebe muito do ambient e cria um cuidadoso invólucro à volta do som de K Á R Y Y N, transmitindo em força e através do som o equilíbrio entre a dor e a aceitação - temas como "PURGATORY" ou "ALEPPO" criam uma atmosfera incrivelmente poderosa através da sua simplicidade, enquanto que outros como "Un-c2-See" capturam o ouvinte através do uso criativo da voz como elemento instrumental e harmónico. 
No geral, The Quanta Series e a sua motivação podem parecer ao princípio como algo frio e distante, mas K Á R Y Y N leva-nos consigo nesta transformação da produção digital num álbum cálido e reconfortante.
José Almeida




Furnas | Alienação | fevereiro de 2019

8.3/10 

A edição número 18 da Alienação Records apresenta-nos Delafex e o seu EP de estreia Furnas. Henrique Alves Gonçalves é o produtor por detrás de Delafex, projeto que funde os ritmos do techno e do acid house com as texturas sintéticas e atmosféricas. Furnas é composto por 5 temas e inicia-se da melhor maneira com "Manchas de Trovão", faixa que combina os elevados BPMs com elementos sintéticos e bem ácidos. Em "Deluzio" percorrem-se os caminhos da house minimal. A viagem ganha força e aumenta as suas rotações no tema título, desenvolvendo-se num ritmo mais progressivo e orgânico. O ritmo abranda um pouco em "Sonho de Silício", onde se ouvem vozes sampladas e há espaço para explorar texturas sonhadoras e, por vezes, desconcertantes. 
Apesar de não ser inovador, Furnas é um EP com bastante qualidade ao nível da produção, algo saído dos anos 90, que não cai nos clichés mais aborrecidos do techno genérico. Sabemos que já ouvimos Furnas em algum lado, talvez na discografia de Underworld, Clark, ou de outros nomes mais simbólicos. É um trabalho que merecerá sem dúvida destaque no final do ano.
Rui Gameiro


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[Review] Boogarins - Sombrou Dúvida


Sombrou Dúvida | LAB 344 | maio de 2019
7.5/10

Os Boogarins são actualmente Benke Ferraz (samples, guitarra), “Dinho” Almeida (guitarra e vocals), Raphael Vaz (baixo e sintetizador) e Ynaiã Benthroldo (percussão), sendo que do alinhamento original apenas foi substituído Hans Castro na bateria. 

Seis anos volvidos desde a gravação do primeiro EP, o Plantas que Curam – trabalho que constitui a base sonora do primeiro LP dos brasileiros e que partilha do mesmo nome que o EP– e eis que os Boogarins se tornaram num dos maiores nomes do neopsicadelismo atual. Já há muito transcenderam as fronteiras do seu Brasil natal, somando actuações em palcos tão privilegiados como o Primavera Sound Barcelona, o SXSW, a estação de rádio KEXP, entre outros. Para este facto têm contribuído em grande medida a proficuidade e disciplina deste coletivo no que toca à gravação de discos. Desde 2013 que a cada dois anos, os Boogarins infalivelmente lançam um novo álbum. Em 2015 lançaram Manual, em 2017 Lá Vem a Morte, e esta semana lançaram Sombrou Dúvida, o seu quarto longa-duração. 

À imagem dos seus discos anteriores, os Boogarins continuam a deixar-se inspirar largamente pela estética do rock psicadélico. Porém, é particularmente notório que neste trabalho eles foram influenciados não só pelo lado subversivo e anti-sistema do movimento do tropicalismo — a expressão de um convite ao pensamento crítico nos temas "Sombra ou Dúvida" e "Invenção" com a repetição do refrão Existe um desgaste do novo / Se repete e dá nojo / E isso você não quer ver / Existe um deslumbre dos bobos / Fajuto e grandioso / E isso já engole você — mas também por uma certa melancolia, característica do período pós-tropicalismo — Eu resto escondido na dor / E a vista daqui diz que eu posso me juntar / Ser quem eu sou / Um belo horror, sem o dever de agradar


Entre estes dois estados de espírito diametralmente opostos, não só existe espaço para nos momentos mais líricos do disco apreciar a proximidade da sonoridade dos Boogarins com o Clube da Esquina e dos arranjos do mítico álbum Tropicália ou Panis et Circencis, mas também nos permite que nos momentos de deriva exploratória por entre camadas de ruído, distorção e dissonância, nos apercebamos do quão perto estas trips estão das expedições ácidas levadas a cabo pelos Pink Floyd por planos extra-terrestres. Tudo isto leva-me a afirmar que o processo de gradual maturação da sonoridade dos Boogarins assume com Sombrou Dúvida o seu estado mais avançado, tendo com este disco o quarteto atingido a sua forma de expressão mais complexa enquanto banda. Porém, o encapsular de tantas influências faz também com que este disco se encontre no plano da indefinição. E é precisamente nessa complexa indefinição que reside o busílis deste disco. 

Este é, até à data, o disco mais exploratório dos Boogarins, no bom e no mau sentido. Se estão à espera de encontrar em Sombrou Dúvida singles orelhudos e trips fáceis, aconselho-vos a voltarem para os Tame Impala porque correm o risco de saírem daqui defraudados. 

Mas se estão dispostos a experimentar algo de mais substancial, pode ser que encontrem em Sombrou Dúvida a catarse introspectiva que tanto procuram.

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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Indignu [lat.] apresentam umbra em Barcelos



É já este sábado, dia 11 de maio, que o triciclo volta à carga com um concerto dos filhos da terra, os barcelenses Indignu [lat.], que sobem ao palco do Teatro Gil Vicente às 22:00h. Depois de álbuns como Fetus in FetuOdyssea e Ophelia, o sexteto lançou no ano transacto o quarto disco de originais, umbra, que juntou o grupo a nomes incontornáveis da música portuguesa como Manel Cruz e Ana Deus.

Tal como o álbum, podemos contar com um concerto com momentos de serenidade a ebulirem para momentos de inquietação (ou vice-versa), muito graças ao conjunto de cordas, seja no frenesi de guitarras ou do melancolismo dos violinos que acompanhados pelos teclados e pelos ritmos da bateria fazem o ouvinte mergulhar num intenso negrume. Não seria de esperar outra coisa, num álbum que na sua conceção surgiu das cinzas que cobriram Portugal depois dos incêndios de 2017. 

Mais uma vez a entrada é gratuita, mas sujeita a reserva, sendo esta feita através do 253 809 694 ou tgv@cm-barcelos.pt.


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Oiçam: Mark Matos

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Mark Matos é um cantautor com raízes açorianas que foi criado na comunidade imigrante portuguesa da localidade de Bay Area, na Califórnia. Mark decidiu eventualmente enveredar por uma carreira musical, tendo essa visto o seu começo no ano de 2003 em Tucson, no Texas, sob o nome de Campo Bravo. A partir daí, o bichinho da música foi sempre a crescer exponencialmente, tendo depois regressado à zona de São Francisco para criar outros projetos musicais como Mark Matos & Os Beaches e Trans Van Santos, eventualmente dando corpo ao que Mark Matos denomina de New Weird West.

O denominador comum entre todos estes projetos é o apreço especial muito acentuado pelas sonoridades folk psicadélicas que são cruzadas com as vibes exóticas da Tropicália dos anos ‘60, e é esse mesmo denominador que serve de essência para um som que tem tanto de amplo como de místico. Esta palete caleidoscópica e ecléctica de cores sonoras mistas foi base para um cult following que se estendeu um pouco por toda a parte, e deu azo a partilhas de palco com bandas como Smog, Flaming Lips, M. Ward e Liz Phair, entre outros.

O projeto Trans Van Santos em particular também conta com uma banda em constante rotatividade, tendo tido no seu alinhamento membros dos Dead Meadow, Iggy and The Stooges, Brian Jonestown Massacre e muitos outros projetos de renome. O cantautor, cujo cancioneiro e imaginário foi já comparado a nomes sonantes e consagrados como Beck e Bob Dylan, também já foi elogiado por celebridades como o ator James Franco, com quem já colaborou no filme I Think You’re Totally Wrong: A Quarrel.


Como prova de todo este louvor, deixamo-vos com uma amostra do álbum mais recente do projeto Trans Van Santos em baixo, de seu nome TVS2, para ouvir e apreciar com os tímpanos a postos.

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O Basqueiral regressa em Junho para a sua terceira edição


O Festival de Música Urbana – Basqueiral vai para a sua terceira edição e realizar-se-á nos próximos dias 14 e 15 de Junho de 2019. Nesta edição destacam-se várias novidades, começando pela internacionalização do cartaz com a inclusão de duas bandas estrangeiras, K-X-P (Finlândia) e os La Jungle (Bélgica), ambas com novos álbuns acabados de lançar. A estes nomes juntam-se vários nomes de qualidade como Glockenwise, Conjunto Corona, Surma, Cave Story, NERVE, Vaiapraia, Solar Corona, Jorge da Rocha, NU, Acid Acid, Shared Files, Blind the Eye, Palmers e Ritmare.


Outra novidade foi a adição mais um palco, sendo agora quatro. O mais recente, terá o nome de Missa Alternativa, e localizar-se-á numa das salas do Museu de Lamas. Também existiu um reforço da aposta na ramificação artística do Festival, o Basqueirart, com um aumento do número de instalações e performances distribuídas pelos Jardins do Parque e salas do Museu de Lamas, um Mural Participativo de grandes dimensões, uma narrativa em BD a construir durante o decorrer do Festival e a ser partilhada quase em simultâneo nas redes sociais, exposições de fotografia e uma maior envolvência da comunidade. Existirá também um espaço reservado aos mais pequenos, o Basqueiral Júnior, com a estreia da oficina “Música para Bebés”.

No ínicio de Junho (dia 1), vai decorrer um warmup gratuito de promoção do festival  no Mercado Municipal de Stª Mª da Feira com os espanhóis Kings of The Beach e os portuenses Sereias. Também haverá um concerto surpresa também no mesmo dia em local que não será revelado (limitado à lotação do autocarro e a portadores do passe geral do festival.

Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais. Mais informações sobre o festival podem ser vistas aqui.


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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Passatempo: Ganha bilhetes para Lula Pena no Auditório de Espinho - 11 de maio

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A fadista Lula Pena, que conta com três álbuns e colaborações com artistas consagrados no panorama erudito como Rodrigo Leão, irá tocar no Auditório de Espinho no próximo sábado, dia 11 de maio, a propósito do seu último disco, Archivo Pittoresco, lançado pela respeitada editora belga Crammed Discs (de Marc Hollander). Da MPB à bossa nova, passando pelo fado e o folclore português, Lula Pena tem revisitado ainda vários temas de compositores como Chico Buarque, Ederaldo Gentil ou Jerusa Pires Ferreira


Em parceria com o Auditório de Espinho, temos cinco bilhetes duplos para oferecer para o concerto de sábado. Para se ser um dos contemplados, basta participar no passatempo, seguindo as instruções abaixo indicadas:


1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.


2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.




3. Preencher o seguinte formulário.



O passatempo termina no dia 10 de maio às 23:59 e os bilhetes serão sorteados de forma aleatória, através da plataforma www.random.org. Boa sorte!
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Os vencedores do passatempo são:

Rui Sousa
Luís Branco
Sabine Mendes
Tiago Santos
Gracinda Vieira

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Sacramento - "Lido" (video) [Threshold Premiere]


Hailing from Milan, Italian-borne Sacramento are getting ready to release their first full-length album, Lido, on May 10th. With their 3 singles in 2018 - Love, Bed & Toothbrush and The Skate Rink - you can already realise that their sounds feeds on this modern approach to past-time reverberations and romantic 80's riffs. 

Their new music, Lido, debuting in Portugal exclusively through Threshold Magazine, is further proof of this sunny throwback, and the video, directed by Tania Feghali fits wonderfully to the calm, emotional sound from Sacramento that bridges the likes of Mac DeMarco and Kevin Morby.

Throughout the videoclip for Lido, we follow around the protagonist, played by Iris Humm, through her personal routine, in a series of shots that turn the banality of normal life into a nuanced erotic innuendo. The production follows the relaxed vibes of lo-fi video interspersed with home-made movies in a scenario that fits like a glove to Stefano Fileti's passionate voice, singing about a promised love. With a few stills or shots from erotic movies placed along the videoclip, it builds up to what is a physical conjuring of love and passion without being blatant or awkward about it. The very pertinent visual simplicity that Tania Feghali creates for Sacramento's sound renders a beautiful scenario, and a very complete audiovisual experience for all fans of indie music.

You can watch the clip for Sacramento's Lido below. Lido will feature in Sacramento's debut album, Lido, which will be released through La Tempesta Internacional on the 10th of May.





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O Elétrico desvendou o cartaz completo da edição de 2019

© STEVE STILLS

Foi no final da semana passada que o Elétrico desvendou o seu cartaz completo. Ao nomes já anunciados acrescem D'Julz, Helena Guedes, Kerri Chandler, João Dinis, Leo Cruz, Levon Vincent, Maria Gambina, Marcel Dettmann, Magazino, Petre Inspirescu, Theo Parrish, Tiago Carvalho, João TenreiroVasco Valente e Diana Oliveira. Nesta segunda fornada, o destaque vai para Theo Parrish – um dos Grandes da cena do techno de Detroit – e Kerri Chandler – nome maior do House/Deep House. 

O Elétrico acontece entre os dias 26 e 28 de julho, no Parque da Pasteleira. Para além da música, estão também já na agenda do certame manifestações de arte urbana, instalações, feira de arte e exposição de mupis, bem como o regresso da zona designada para meditação, Lu Jong e prática do Budismo Tibetano. À data da publicação deste texto, o preço dos bilhetes gerais para a edição deste ano do Elétrico está fixado nos 45€, e os mesmos podem ser adquiridos AQUI

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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Noite de Stoner no GrETUA

noite-stoner-gretua

Nascidos na capital lusitana, há já quase 10 anos, os The Quartet of Woah são um quarteto stoner que celebra a sua música pujante precisamente no dia 10 de maio às 22H, no GrETUA. Não farão a festa sozinhos. Os guerreiros Basalto acompanham-nos nessa data na demonstração do stoner português perante o público de Aveiro. 

Começando pelos lisboetas, tal como cronologicamente a coisa manda, os The Quartet of Woah formaram-se em 2010 e são compostos por Gonçalo Kotowicz (LunaSeaSane, Nicorette, Melange), Rui Guerra (Melange), Miguel Costa (Blasted Mechanism, LunaSeaSane, Zorg) e André Gonçalves (Philharmonic Weed). Mário Lopes, jornalista do Público, já os descreveu como “blues rock numa fusão nuclear”, numa alusão aos diferentes backgrounds musicais dos membros do quarteto lisboeta.


A vontade que aparentam ter de colorir com psicadelismo o stoner e o hard rock é notória em Ultrabomb, álbum de estreia que editaram em 2012 e lhes valou vários circuitos de concertos. Há 2 anos atrás editaram um álbum homónimo que descreveram como “uma ode ao caminho, uma viagem pelo interior. Uma análise ao passado, vista do futuro. Um retrato da imortalidade como meta inatingível. Uma porta para o desconhecido. Uma melancólica introspeção rumo à catarse final. É a desconstrução em espiral duma parafernália cacofónica”. Para avaliar a precisão da descrição, o GrETUA lança o convite à noite de 10 de maio.



Vindos de Viseu, os Basalto são um trio formado por António Baptista na guitarra, Nuno Mendonça no baixo e João Lugatte (Amaterazu, The Black Wizards) na bateria, e que ao contrário dos The Quartet of Woah, não utiliza a voz como instrumento. A energia não se perde por aí. Pelo contrário. O vigor do stoner e do metal dos Basalto sente-se em qualquer caixa negra em condições para os receber.

Os bilhetes custam 5 euros, à porta, mas podem ser reservados, com um preço de 4 euros aqui: bit.ly/quartetwoah

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