sábado, 18 de maio de 2019

André Carvalho em entrevista: "Em Nova Iorque há espaço para qualquer estilo e corrente de música"

© Clara Pereira 
André Carvalho é um contrabaixista e compositor lisboeta que se encontra a residir em Nova Iorque desde 2014. O seu currículo é vasto, precioso e invejável, tendo colaborado com muitos músicos de várias nacionalidades e tocado intensivamente pela Europa, Estados Unidos e Egipto. Nos dois primeiros álbuns, Hajime e Memória de Amiba, o artista apresentou-nos uma mistura original de jazz contemporâneo com elementos de música portuguesa, tendo recebido muitos elogios da crítica nacional e internacional.

The Garden of Earthly Delights é o seu terceiro álbum e chega às lojas em maio deste ano. Inspirado na enigmática obra de Hieronymus Bosch, particularmente no quadro The Garden of Earthly Delights (1490-1510, Museu do Prado, Madrid), este trabalho conta com a participação de famosos músicos internacionais como Jeremy Powell, Eitan Gofman, Oskar Stenmark, André Matos e Rodrigo Recabarren, tendo sido gravado em Abril de 2018 no The Bunker Studio em Brooklyn, Nova Iorque.

A Threshold Magazine esteve à conversa com André Carvalho sobre o novo disco The Garden of Earthly Delights, a obra de Hieronymus Bosch, a sua vida em Nova Iorque e muito mais. Leiam a entrevista completa em baixo.

Podes-nos contar como é a experiência de viver em Nova Iorque como músico?

André Carvalho (AC) - Já vivo em Nova Iorque há quase 5 anos. Durante este tempo a minha relação com a cidade foi-se alterando. Mudei-me para cá inicialmente para fazer mestrado na Manhattan School of Music, que durou 2 anos. Tinha muito pouco tempo para fazer coisas para além do mestrado, porque este era muito intenso. Foi óptimo, fiz imensos amigos e estabeleci imensas relações musicais e, do pouco tempo que ia sobrando, tentei ao máximo ver concertos, ir a jam sessions e ter algumas aulas fora da universidade. Após este período, as coisas mudaram bastante. De repente, fiquei com muito mais tempo livre mas também tinha de arranjar soluções para viver. Comecei a dar aulas e a fazer muitas sessões com músicos que fui conhecendo ou através de outros amigos músicos ou em jam sessions. Sinto que neste período fui começando progressivamente a usufruir mais da cidade e da sua vida. Nova Iorque é uma cidade incrível, tem imensos músicos e o nível é realmente muito alto. Para mim, isto é um estímulo muito grande, apesar de por vezes haver momentos de cansaço absoluto. Temos de fazer um pouco de tudo, tocar, escrever música, dar aulas, para além de tudo o que uma vida normal envolve, como família, amigos, etc. Para além disto, acontece um pouco de tudo e terás certamente sempre alguém com os mesmos interesses que os teus e há sempre muita coisa nova a acontecer. Por vezes, o difícil é escolher, ter tempo e dinheiro para tudo.

Olhando para trás, mais concretamente para os álbuns Hajime e Memória de Amiba, de 2011 e 2013, respetivamente, e para o mais recente The Garden of Earthly Delights, sentes que o processo de composição se modificou ao longo da tua carreira?

AC - Sim, sem dúvida. Acho que isso é normal que aconteça e se não acontecer é porque algo está errado. É suposto irmos evoluindo na composição, como em qualquer outra faceta musical. Não só porque vamos ficando mais maduros, como também estamos sujeitos a coisas novas, influências, experiencias e pessoas. Acho também que o passar do tempo e quanto mais compomos, que temos uma maior capacidade de desapego em relação ao que escrevemos, não só porque conseguimos ver as coisas com um olhar mais astuto, como também por compreendermos que passamos por fases e estamos em constante evolução. No caso específico deste novo disco, o processo foi ainda mais diferente do que fiz anteriormente, porque parti de um quadro. Comecei por selecionar determinadas partes que achei interessantes, capturar e transmitir a sua essência através da minha música.

© Clara Pereira 
The Garden of Earthly Delights foi o primeiro disco que gravaste fora de Portugal, no The Bunker Studio em Brooklyn, Nova Iorque. A cidade de Nova Iorque é uma influência notória no disco?

AC - Sim, sem dúvida. Primeiro, os músicos que tocam no disco vivem cá e foi cá, em Nova Iorque, que os conheci. Além disso, tenho a certeza de que a forma como escrevi esta música e a forma como toco foi influenciada por estes anos que tenho cá estado. Foi em Nova Iorque que tive contacto com músicos e compositores que me influenciaram nos últimos tempos, onde toquei muitas horas com muitos músicos, incluindo os que fazem parte do disco e onde tive também aulas com algumas pessoas determinantes no meu percurso.

TM - Como foi a experiência de gravação em estúdio e como foram escolhidos os músicos com quem decidiste gravar o disco?

AC - A experiência foi óptima e relaxada. Já tínhamos tocado a música em 2 ou 3 concertos antes de irmos para o estúdio, por isso as coisas já estavam alinhadas, sendo que há sempre alterações que se fazem à última hora. Reservei o estúdio por um dia e meio de gravação e, após o primeiro dia, ficámos com tudo praticamente gravado, sobrando o outro meio dia que aproveitámos para fazer alguns takes extra e gravar alguns overdubs. O estúdio é muito bom e tem um ambiente descontraído. Os músicos conheci em momentos e sítios diferentes. O Eitan Gofman (saxofone) foi meu colega na universidade e ficámos muito amigos desde que nos conhecemos. Passávamos horas a tocar juntos e é um músicos extremamente talentoso e inteligente, toca muito bem vários instrumentos e é muito espontâneo. O Oskar Stenmark (trompete) já conhecia antes de vir para Nova Iorque, porque ambos participámos num concurso em Bucareste, ele com uma banda dele e eu com a minha. Por mero acaso, voltámos a encontrar-nos na universidade porque fomos colegas, assim como o Eitan. Adoro o som do Oskar e sabia que ele traria algo de especial ao som do grupo. Já conhecia o André Matos (guitarra) de Portugal, sendo que não éramos muito próximos na altura. Quando vim para cá aproximamo-nos e hoje em dia tocamos bastante juntos, no meu projecto assim como noutros projectos paralelos. Tem um som muito especial, para além de contribuir sempre com boas ideias, críticas e sugestões. O Jeremy Powell (saxofone) e o Rodrigo Recabarren (bateria) conheci há cerca de dois anos julgo eu, fazendo sessões em casa de outros músicos. O Jeremy é um autêntico craque, tem um som incrível e sei que lhe posso dar qualquer coisa para tocar que ele vai soar sempre bem. O Rodrigo toca muito bem também, para além de se ter tornado um verdadeiro amigo. Gosto do som dele, a abertura de espírito e interacção.


O quadro The Garden of Earthly Delights de Hieronymus Bosch foi a principal inspiração deste novo trabalho. Porquê a escolha deste quadro em específico?

AC - São várias as razões. Para começar, este quadro é uma autêntica obra-prima. O seu criador era um visionário, tendo uma abordagem muito à frente do seu tempo. Além disso, este quadro, assim como outros que Bosch pintou, é muito controverso. Não há unanimidade em relação a muitas das coisas que nos são apresentadas, há muito mistério e simbolismo por trás de cada detalhe. Para mim o quadro conta uma história e isso era algo que queria para o género de música que queria escrever. O quadro fala também sobre várias questões relacionadas com a condição Humana, as nossas acções enquanto Seres Humanos e, para mim, o nosso papel no Mundo.

Além da interpretação detalhada da obra de Hieronymus Bosch, há alguma temática pessoal neste disco que gostarias de partilhar?

AC - Para mim, Bosch retrata a sua visão da Humanidade. Nem sempre é a que partilho, mas também o quadro foi pintado há 500 anos, por isso é normal que isto aconteça. No entanto, o quadro põe-me a pensar sobre o nosso papel enquanto habitantes do nosso planeta, enquanto membros da sociedade e nas nossas responsabilidades. Para além disto, o quadro é um tríptico que tem três painéis interiores e um painel exterior. É comum achar-se que Bosch apresenta-nos uma narrativa que começa com o quadro fechado passando para o interior que segue da esquerda para a direita. Para mim, esta história que nos é contada é um eterno retorno, as nossas acções repetem-se, assim como o quadro fecha-se e abre-se. Para quebrar este ciclo, temos de ser conscientes de nós próprios, dos outros e do mundo em que vivemos. Por isso, a suite que escrevi começa e acaba de forma semelhante, para além de todos os outros elementos que vão sendo revisitados ao longo da obra. Por isso também decidi dar o nome de "Phowa" ao último movimento da suite, que se refere a uma prática meditativa Tibetana que consiste na transferência da consciência aquando da morte.

A capa de The Garden of Earthly Delights parece ter uma atitude mais otimista, exótica, espacial, e, diga-se até, New Age, face à pintura de Hieronymus Bosch. Como é que surgiu a ideia para esta capa?

AC - A ideia inicial que tive era pegar em emoções, símbolos, conceitos que são apresentados no quadro e apresentá-los de uma forma diferente mas tentar que fosse igualmente forte e visualmente impressionante. Não queria que o artwork fosse uma interpretação do quadro ou algo do género. Depois disto, tentei imaginar o meio em que imaginava o artwork e rapidamente fui parar ao mundo da colagem. Depois, soube da Margarida Girão e do seu trabalho e entrei em contacto com ela. É uma artística incrível e queria que ela trabalhasse comigo. Ela gostou muito do projecto e atirou-se de cabeça. Fomos falando sobre as nossas ideias e conceitos. Começámos com um brainstorming com palavras/conceitos que achávamos que deviam ser retratados e depois a Margarida foi apresentando várias versões, que na verdade até não foram muitas, até chegarmos à versão final. Para além de todo o trabalho que a Margarida fez, decidimos também brincar com formato do disco, escolhendo um formado em três faces interiores e exteriores como um tríptico. Aberto temos um ambiente muito diferente do seu interior, que é mais íntimo e calmo.


Já tocaste com nomes do jazz, música clássica e fado como Maria João, Mário Laginha Carlos do Carmo e Cristina Branco. Com que outros músicos nacionais gostarias de colaborar?

AC - Há muitos nomes que gostaria de colaborar, não só de Jazz como eventualmente de outros géneros musicais, tanto lendas da música portuguesa como também novos talentos. Em relação a estes últimos, gosto sempre de ir conhecendo músicos mais novos e aprender com eles. Felizmente, na área do Jazz têm havido imensos novos músicos a aparecer e isso é óptimo! Quando vou a Portugal, acabo por conhecer sempre alguém novo que toca bem. Em relação às parcerias e colaborações seria fantástico, mas sei que estar em Nova Iorque pode dificultar as coisas.

Foste escolhido pelo consulado português para representar Portugal no European Sounds Festival, no Blue Note, NY, a 30 de junho. Como é ser reconhecido e ter a honra de representar o nosso país lá fora?

AC - É fantástico! A Blue Note é um dos clubes com mais nome do mundo e será óptimo apresentar o novo disco lá. Estou muito orgulhoso e feliz por ter o apoio do consulado. Conheço alguns outros músicos que estarão a participar no European Sound Festival, representando os seus países, por isso será ainda melhor porque estarei com vários amigos! O consulado português ajudou imenso e estou imensamente grato pelo apoio!

Que diferenças notas entre tocar em Nova Iorque e Portugal, em termos de público e espaços para concertos?

AC - Em Nova Iorque há muitos mais sítios para tocar, mas ao mesmo tempo também há muitos mais músicos e a competição é feroz. Há espaço para qualquer estilo e corrente de música. Isso é óptimo, porque significa que também há público para isso. Em relação ao Jazz, esta é a capital deste estilo. Nos clubes mais centrais, há sempre imensa gente a ver concertos, muitos turistas mas também muitos Nova Iorquinos.
Em relação a Portugal, tenho mais dificuldades em ter uma opinião fundamentada, visto que já não estou aí a viver e geralmente só aí vou no Verão e Natal, que por vezes são épocas mais difíceis de programar. No entanto, das últimas vezes que toquei em Portugal, nomeadamente no Hot Clube em Lisboa, senti que havia muito interesse e muito público, para além da comunidade de músicos que acaba por estar sempre presente. Em Lisboa, sinto que há muito público estrangeiro. Acho que fora dos grandes centros é ainda difícil tocar e quando se trata de organizar uma tour que passe por vários sítios com vários concertos de seguida sem dias “mortos” mais difícil ainda.

Equacionas um regresso a Portugal nos próximos anos ou sentes que encontraste a “tua casa” em Nova Iorque?

AC - Gosto muito de estar em Nova Iorque e consigo imaginar-me aqui, mas um regresso a Portugal não está posto de parte. O ideal talvez fosse ter um pé em cada lado do oceano. A cena em Nova Iorque é realmente estimulante, mas eu tenho parte da minha família em Portugal e isso também conta muito.



Entrevista: Rui Gameiro

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Os Dream People lançaram hoje o seu single de apresentação


Os Dream People são Francisco, Bernardo, Nuno, Chris e Bóris. Todos partilham de um gosto semelhante e de uma vontade de refrescar o panorama musical português. Entre synths que nos levam ao etéreo universo do dream pop - onde são influências Cigarretes After Sex ou Rhye – e poderosas guitarradas que nos envolvem numa espécie de synth rock psicadélico, a música dos Dream People é uma saudável amálgama de sons e influências.

Durante o ano de 2018, os Dream People venceram o concurso promovido pelos históricos estúdios Namouche do qual resultou a gravação de um EP, Softviolence, a ser editado ainda antes do Verão. Em Dezembro ganharam também o concurso promovido pela Escola do Rock de Paredes de Coura e pela Antena 3. Passaram uma semana em residência artística naquela vila, onde gravaram o seu single de apresentação, "Forever, Too Long" e deram um concerto na Caixa da Música de Paredes de Coura.

Até ao fim do ano os Dream People pretendem lançar um segundo EP, já em fase de pré-produção. Para já, podem ouvir "Forever, Too Long" que saiu hoje em todas as plataformas.


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Oiçam: João Ferro

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João Ferro é um jovem oriundo de Aveiro que desde tenra idade, viu na música um hobby que queria tornar em algo mais sério. O que começou com as ocasionais escapadelas na sala de música a aprender guitarra clássica aos intervalos na escola, tornou-se numa obsessão que tem sido desenvolvida ao longo de vários anos, e que o fez passar por uma banda formada com camaradas chamada Citizens from Mars. A jornada a solo começou em 2017, com o EP Visions. Eventualmente, esse registo captou a atenção de outro camarada musical, Firgun, que em vésperas de tocar na localidade de Lourosa, convidou Ferro a fazer parte desse mesmo serão, e a partir daí foi sempre a abrir portas.

Com influências de nomes contemporâneos como FJK e Tash Sultana e uma fixação por atmosferas easy-listening de cariz alucinatório, Ferro sente-se particularmente à vontade com a manipulação de loops de guitarra eléctrica e teclado, gradualmente adicionados em camadas que quando amalgamadas, culminam num resultado puramente instrumental e muito aprazível que faz com que o ouvinte se perca em cenários imaginados de semblante psicadélico, mas sempre ausente de pretensões e apenas focado em transportar quem ouve para ambientes extrasensoriais, fazendo particular uso do espaço para propagar o som em concertos.

Em jeito de cartão de visita, deixamo-vos com o registo mais recente do jovem músico em baixo, We Don't Believe in Ghosts, para posterior apreciação.

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quinta-feira, 16 de maio de 2019

7 ao mês com Ifriqiyya Électrique


Para a nova edição do 7 ao mês fomos até à Tunísia para conhecer melhor uma das identidades por trás de Ifriqiyya Électrique, a banda que define o seu trabalho como "uma cura ritual da posse e do trance". Entre a fusão das doutrinas do animismo e islamismo, convidámos o guitarrista dos Ifriqiyya Électrique - François R. Cambuzat (Putan Club, Trans-Aeolian Transmission, Red Machine, Ruuhaaniia, ...) - a escolher e justificar sete temas/álbuns que, de alguma forma, o influenciaram como músico e/ou pessoa. 

As sete escolhas do multifacetado artista que em Ifriqiyya Électrique nos apresenta uma cerimónia transcendental de post-industrial, podem agora ouvir-se abaixo.

IZ - live in Beijing (2017)

Da minha família na China. Talvez um dos grupos mais bonitos do mundo, certamente um dos mais interessantes. Mamer, filho do bardo cazaque, desiste do contrato com a Realworld para publicar o que ele quer e deixar de sonhar em assinar pelo Ocidente. Ele também passou pelo FMM Sines em 2011).



KEIJI HAINO - Tenshi No Gijinka (1995) 

Keiji: um explorador, sem concessão. Extravagante. Descobri no meu período de fascínio pela música improvisada (anos 80) até me ter cansado quando tive que esperar uma boa hora para ter 30 segundos de "iluminação". Mas Keiji é a antítese desse onanismo musical: ele tem o duende, ele poderia morrer no palco. 


BENJAMIN BRITTEN - Friday Afternoons, op.7, 2 (1993)

Verdadeira paixão pelas composições de Benjamin Britten para "voci bianche". 




SLINT - Spiderland - "Washer" (1991) 

Spiderland é uma obra-prima pura. Foi tipo uma chapada na cara, e a primeira vez que ouvimos o termo post-rock (obrigado Stefano I. Bianchi e à sua revista italiana Blow-Up) bem antes da lavagem com os Mogwai. Em seguida deve ser citado Uzeda ou alguns pedaços dos June of 44, e outros que eu esqueci (eu adoro esquecer-me, não corro mais atrás da minha memória). 




LOTFI BOUCHNAK - Doua # 01 (2016)

O cantor clássico mais famoso do mundo muçulmano, além de um experimentador louco. Aqui numa Doua, uma invocação. Coleção privada. Irresistivelmente surpreendente e incrivelmente bonito. 




MUHTEŞEM YÜZYİL - Pirlere Niyaz Ederiz (2011)

Fascinado por esta música. Uma das razões de uma das nossas mais longas pesquisas sobre o Alevismo que nos levou até Dersim, Gianna e eu. O nosso coração também está em Tunceli e Ovacik. Na mesma estrada, mas um pouco mais adiante, deparámo-nos com um vídeo na internet. Impressionante




The Weakener - What Do You Know About It (1998)

Quando o Mick Harris desistiu de tocar bateria, ele lançou este disco e é realmente esta peça que me abriu para a música eletrónica, depois para o techno e depois para todo o resto. Até Jeff Mills, etc. 

7 não é suficiente. E é um pouco cristão demais.




Se quiserem conhecer melhor os Ifriqiyya Électrique aproveitem para os seguir através do Facebook ou pelo Bandcamp, onde podem comprar o seu trabalho.

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Mais 5 nomes para a 5ª edição do Rodellus


Juntaram-se cinco novos nomes ao cartaz da 5ª edição do Rodellus. Entre os dias 18 e 20 de Julho passam em Ruílhe, Braga: Mars Red Sky, FAVX, Travo, Unsafe Space Garden e Mr. MojoOs novos nomes juntam-se há já anunciada dezena, que conta com nomes como Brutus, Solar Corona e Bee Bee Sea.

Donos de um som distintivo, os franceses Mars Red Sky pisam e arrasam o palco do Rodellus em 2019. Com novo álbum a ser editado em setembro deste ano e prontos a mostrar o que têm de novo, irão fazer-nos sentir nos anos 70, época em que o rock psicadélico era puro e auspicioso.



De Madrid chegam os FAVX. Com uma mistura de géneros que passa pelo noise, punk ou até mesmo pop, a banda volta a Portugal depois uma longa tour na Europa e nos Estados Unidos. Em Ruílhe ouviremos o EP Welfare, assim como vários avanços para o primeira longa duração da banda, apontado para lançamento ainda este ano.



Depois de uma atuação em 2017, os Travo voltam ao campo esta 5ª edição. Com data de lançamento o dia 25 deste mês, o primeiro longa duração intitula-se Ano Luz e promete trazer uma fusão entre kraut, psych e space rock. Propõem-nos uma viagem existencial e fazem paragem obrigatória em Ruílhe.



Viagem curta fazem os recém formados Unsafe Space Garden - vêm de Guimarães e trazem o seu EP de estreia Bubble Burst na bagagem. Filhos de uma leveza característica da pop, “juntam no seu cantinho florido as melodias trauteáveis à sapiência de uma existência humorada”. Espera-se deste concerto um misto de subtileza e intensidade, de uns jovens com muito a mostrar.



O stoner está bem presente nesta edição, e mais uma prova disso são os Mr. Mojo. Do mais relevante e promissor que se faz do género em Portugal, a banda acumula já primeiras partes de expressivos nomes desta cena musical e presenças em festivais de relevo. Depois de uma pausa em lançamentos, voltaram ao trabalho este ano com o longa-duração The Dealer.



A 5ª edição do Rodellus regressa a Ruílhe, Braga nos dias 18, 19 e 20 de Julho para três dias de música e arraial à moda do Minho. Até dia 30 de junho, os bilhetes gerais estão à venda nos locais habituais pelo valor promocional de 15€

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quarta-feira, 15 de maio de 2019

O 25º Aniversário do Super Bock Super Rock traz Galgo ao GrETUA

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Depois da visita à Associação Cultural Mercado Negro com o concerto da Sallim, o Road to Super Bock Super Rock regressa à cidade dos canais com Galgo. Trocando de margem rumo ao GrETUA, a iniciativa da Super Bock comemora o 25º aniversário do festival do Meco com 25 concertos espalhadps de Norte a Sul do país, numa romaria que teve o seu início em Abril e que se prolonga pelo mês de Junho. 

A precisamente 2 meses do SBSR, o GrETUA recebe uma das surpresas do presente ano com Quebra Nuvens, 2º disco da carreira dos Galgo que marca uma viragem na textura do conjunto de Lisboa. Numa abordagem estética que os aproxima de nomes do math-rock como Tera Mellos e/ou Battles, o quarteto composto por Alexandre Moniz, João Figueiras, Miguel Figueiredo e Joana Batista desvendou um disco aprumado que foge aos pergaminhos cravados em Pensar Faz Emagrecer - disco de estreia - onde a despreocupação punk e a irreverência jovem fizeram as primeiras impressões da banda. 2 anos depois, os Galgo sofreram uma metamorfose rock de atenções redobradas nas canções que dão um volte-face em relação ao trabalho anterior: vozes harmoniosas sobrepostas em arranjos excêntricos que, salve a complexidade, nunca soam a confusão.




Num disco claramente conceptual, Galgo são a personificação musical da era digital sem a sua superficialidade intrínseca. Um disco de futuro, que marca o presente do GrETUA. No próximo sábado, o Road to Super Bock Super Bock passa no GrETUA com um grande concerto dos Galgo, a jovem promessa do math-rock português que tem dado que falar com o seu novo álbum Quebra-Nuvens

A entrada custa 4 euros e dá direito a uma cerveja.

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STREAM: Minuit Machine - Infrarouge


A dupla de electro-darkwave Minuit Machine regressou esta semana às edições de estúdio com o mais recente LP de dez faixas, Infrarouge que chega às prateleiras quatro anos depois de Violent Rains (2015) e de uma pausa de três anos. Hélène de Thoury (que este ano lançou também um novo disco sob o seu alter ego Hante.) e Amandine Stioui apresentam em Infrarouge um contraste altamente aditivo entre a escuridão intensa e ritmos altamente intensos e cativantes.

De Infrarouge já tinha anteriormente sido apresentado o tema "DRGS" - a trazer as influências do synthpop dos anos 80 à darkwave contemporânea, com uma forte base em linhas vocais melódica. Além deste recomenda-se ainda a audição de malhas como "Empty Shell", "Ballet" e "I Am a Boy remastered", ambas enriquecidas em emoções almofadadas e sentimentos etéreos. Um disco para ouvir e apreciar na íntegra, abaixo.

Infrarouge foi editado na passada segunda-feira (13 de maio) pelo selo Synth Religion. Podem comprar o disco aqui.


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Os The Walks passam pelo Plano B no final do mês


No próximo dia 31 de maio os The Walks vão passar pelo Plano B (Porto), num evento organizado pela Associação SeteOitoCinco. Depois de um EP e o longa duração de estreia Fool’s Gold, os The Walks regressaram, em 2018, com Opacity, gravado nos Black Sheep Studios e com edição da conimbricense Lux Records.

A banda composta por Gonçalo Carvalheiro, John Silva, Miguel Martins, Nelson Matias e Tiago Vaz, revelou neste disco uma nova identidade sonora. Ritmos ondulantes e dançáveis com uma forte presença de elementos de percussão, guitarras coloridas e uma voz hipnótica servem de pano de fundo a uma mensagem irónica, entre a utopia individual e a realidade quotidiana. Nas palavras da banda, “o álbum é dividido por dois momentos distintos que, porém, se complementam. Os ambientes coloridos, caracterizados por guitarras simples, vozes ondulantes e uma percursão bem vincada, contrastam com um lado obscuro, onde as guitarras musculadas e a voz hipnótica resultam num ambiente sonoro mais espacial. Essencialmente, Opacity retrata o equilibrio daquilo que é a nossa história de vida.”.

O concerto está previsto para as 22h30 e preço dos bilhetes é de 5 €.




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Luís Severo apresenta O Sol Voltou em Lisboa, Porto e Coimbra


Depois da sua notável estreia em 2015, com o independente Cara d'Anjo, Luís Severo juntou-se à Cuca Monga, editora pela qual lançou, com a mão da Sony Music, o seu segundo disco, o homónimo Luís Severo, que o levou aos lugares cimeiros das listas anuais da imprensa musical e generalista e aos mais emblemáticos palcos e festivais do país.

Com apenas dois álbuns editados, era já um dos nomes consensuais da escrita de canções da sua geração, mas não é por isso que deixa de surpreender. Do choque concordante entre o acústico e o electrónico, da contenda conciliante lírica e de todos os contrastes imagéticos, Luís Severo afasta-se do que já por si foi feito e, sem nunca perder o centro que o particulariza, chega assim com o seu terceiro disco, O Sol Voltou. Pela voz do próprio:

O Sol Voltou será, talvez, o meu disco mais pessoal e confessional. Neste disco decidi romper com algum auto-distanciamento fruto das estéticas enfeitadas e de alguma musculatura pop. Foi composto e produzido em total solidão, tendo decidido também tocar todos os instrumentos. Durante as gravações contei com a preciosa companhia do Diogo Rodrigues e do Rodrigo Castaño, que na régie do estúdio foram falando aos meus ouvidos e esperando pacientemente que eu fizesse o take quase perfeito. Este foi também o disco em que me aventurei com mais confiança na mistura e masterização, contando sempre com a preciosa colaboração do já familiar Eduardo Vinhas. Liricamente, O Sol Voltou é mais amor e menos paixão, mais família e menos multidão, mais vida mas também mais morte."

Luís Severo apresenta o seu terceiro álbum: 22 de Maio no B.Leza, em Lisboa; 29 e 30 de Maio no Passos Manuel, no Porto; 14 de Junho no Salão Brazil, em Coimbra. Bilhetes à venda na Ticketline e pontos de venda habituais.

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Reportagem: Party Sleep Repeat [Oliva Creative Factory, São João da Madeira]

Go!Zilla
No passado dia 27 de abril regressamos à Oliva Creative Factory, São João da Madeira, para mais uma edição do festival Party Sleep Repeat. Com início em 2013, o festival é realizado em jeito de homenagem a Luís Lima, um jovem sanjoanense que nutria grande interesse pela música e por causas sociais, e a receita da sua bilheteira reverte a favor de causas sociais.

Chegando por volta das 19 horas e, infelizmente, após o término do concerto surpresa de Duquesa e Melquiades, dirigi-me ao palco terraço onde estava a terminar a atuação dos Galo Cant'às Duas com o tema "Mudo". Apesar do curto contacto com a atuação da banda foi possível perceber a enorme química entre o duo e será, sem dúvida, um concerto que não irei perder, numa outra oportunidade.

Astrodome
A estrear o palco Alameda seguiram-se os Astrodome que têm como especialidade o stoner rock e heavy psych. O ano de 2018 marcou o lançamento do seu segundo longa duração e já tiveram oportunidade de o apresentar um pouco por toda a Europa. Um concerto que ficou marcado pelos seus loops hipnóticos, mudanças entre temas mais focados no stoner rock, para outros com maior foco nos sintetizadores e um público, infelizmente, ainda tímido e a meio gás. Ficou o sentimento de que o horário do concerto em nada o favoreceu, talvez, a certo ponto, até o tenha prejudicado. 

Jibóia
Ainda no mesmo palco, por volta das 20h30, subiram ao palco Jibóia, projeto a solo de Óscar Silva, mas em formato trio neste concerto. Já não ouvia falar deste projeto, provavelmente, desde 2016 aquando o lançamento Massala, quase desvanecido da minha memória, ou assim pensava eu até ouvir “Lisboa” ao vivo e relembrar sons que pensava estarem esquecidos, tornando-se mais presentes que nunca. Ao longo de uma hora o público presente foi encantado pela “dança hipnótica da Jibóia” e foram visitadas, essencialmente, as viagens sonoras do lançamento de 2016, cujo laivos de música do Médio Oriente origina a auto-descrição do seu género como “Prince of Persia on Acid”. Foi, no entanto, inevitável ouvir no meio do público “isto é fixe mas é demasiado repetitivo”, sem dar alguma razão à afirmação. 

Finalmente eram as 21h30,o que significava que em breves instante teria início o concerto do Conjunto Corona, uma das razões que me levaram ao Party Sleep Repeat. Este foi o primeiro conjunto pelo qual todos os presentes estavam ansiosos, e isso foi notório pelo facto de se terem aproximado mais do palco, deixando de existir o espaço enorme entre este e público. Era expectável que a banda se focasse no seu último disco, Santa Rita Lifestyle, o segundo melhor disco português de 2018 para a Threshold Magazine, e assim foi. Foi possível ouvir todos as faixas do disco, tendo até como convidado especial Fred&Barra, personagem do “Universo Corona”, na música “Eu Não Bebo Coca Cola Eu Snifo”. Não faltou o hidromel durante “Funk & Dopamina”, num concerto onde a maior parte do público trazia estudadas e decoradas as letras de todo o alinhamento.

Conjunto Corona
Terminado Santa Rita Lifestyle, houve outras passagens pela discografia, como por exemplo “Pacotes”, “Fruta da Ilha” e “Noite de Natal Em Cimo de Vila”, com participação de Alferes M. No fim do concerto dB (David Bruno ou ainda 4400 OG) referiu e fez questão em reforçar o pedido à organização do Party Sleep Repeat de escrever o dito “Adriano Malheiro caloteiro” no fragmento do muro de Berlim presente na Oliva Creative Factory. Regressando para o encore, ouviu-se “187 No Bloco” pela segunda vez naquela noite, desta vez, com um mosh mais intenso que nos outros temas e ao qual se juntaram o Homem Do Robe e Logos. Finalizado o que foi, provavelmente, o melhor concerto do festival, ficou o sentimento de que este se deveria ter prolongado sendo que pareceu ter acabado num ápice. Por muito que quisesse ver o concerto dos florentinos Go!Zilla, e esta foi já a minha 4ª oportunidade para os ver, estava sem energia, então aproveitei para ouvir a banda apenas ao longe e repor energias.

Glockenwise
Outro momento pelo qual ansiosamente esperava era o concerto dos Glockenwise com o seu novo álbum, Plástico, um dos meus discos nacionais preferidos do transato ano. Após a saída do baterista Cristiano Veloso, a banda apresenta-se com os habituais Nuno Rodrigues, Rafael Ferreira e Rui Fiusa, aos quais se juntam Julius Gabriel no saxofone, Cláudio Tavares na bateria e João Sarnadas (Coelho Radioativo) nas vozes de apoio, sintetizadores e guitarra. Envergando os habituais fatos azuis, começaram com uma versão “slowed down” e caótica de “Sempre Assim”, antes de seguirem com o novo disco na íntegra. Foi com esta nova cara que a banda se apresentou sem fazer qualquer passagem pela anterior discografia. Plástico é possivelmente a melhor fase de Glockenwise, porém perde parte da sua imponência e até compreensão num espaço amplo como o palco Fornos, em oposição ao Passos Manuel na semana seguinte. Longe vão os tempos das malhas rock a fugir para o punk e em que as interações de Nuno Rodrigues com o público eram, maioritariamente, fazendo troça de Rafael Ferreira

Um dos concertos mais esperados da noite era por parte do “cabeça de cartaz” (se é que se pode destacar ou foi destacado um), Dead Combo. Mais uma banda a apresentar-se com uma nova roupagem, neste caso, em jeito de apresentação de Odeon Hotel com contrabaixo, saxofone e bateria como instrumentos adicionais às habituais guitarras. Estas novas adições foram uma mais valia pois adicionaram toda uma nova profundidade e nova abordagem à discografia de Dead Combo em oposição à abordagem “clássica”, que por vezes já se mostrava datada ao fim de mais de 15 anos. A fechar o concerto não faltou o tema mais esperado pelo público, “Lisboa Mulata”.

Dead Combo

O encerramento da edição de 2019 do festival coube aos The Parkinsons, numa performance que inicialmente pareceu um pouco forçada e sem grande resposta por parte do público, porém um “vieram ver um concerto ou veio tudo ao teatro” por parte de Afonso Pinto quebrou o gelo e, a partir daí, começaram os incessantes moshes até ao término do concerto com “City Of Nothing”.





Fotografia: Pedro Pereira

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