sábado, 25 de maio de 2019

Arctic Dub Records (Sursumcorda) reune o melhor do ambient em Compilation v5


Em janeiro deste ano a Arctic Dub Records (Sursumcorda) editou a sua quinta compilação. A editora com sede no Porto aposta no post-dub techno, ambiente e música experimental, tendo sido fundada em 1998, pela mão de Dave Wesley, em Minneapolis, MN, como editora irmã da Sursumcorda (magazine e discoteca de Minneapolis).

Esta quinta compilação apoia-se na música ambiente, apresentando uma coleção bastante pessoal de temas de produtores nacionais de ambient techno e os seus projetos paralelos, assim como contribuições de vários artistas de todo o mundo.

Ao todo são quatorze músicas pertencentes a artistas como astatine, Gods of Travel, Solar Debris, Positive Centre, The Mayhem Lecture Series, Coppice Halifax, Temporal Transmission, Floating Machine, Dave Wesley, Twin Peetz, Angular Momentum, Augen, Alexis Nembrode, Existente. Compilada por Gabi von Dub e Dave Wesley, o artwork de Compilation v5 ficou a cargo de André Macedo.

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sexta-feira, 24 de maio de 2019

O Elétrico desvendou o alinhamento diário da sua edição de 2019


Elétrico desvendou esta semana o seu alinhamento diário. 

O festival acontece entre os dias 26 e 28 de julho, no Parque da Pasteleira, 

Tendo já revelado previamente o alinhamento completo, sabemos agora que teremos a oportunidade de ver os míticos Inner City – o projecto que Kevin Saunderson e Paris Grey formaram em 1987  – no mesmo dia  (26 de julho) que Janus Rasmussen – produtor que também é metade dos Kiasmos e que se irá apresentar em formato live, Kerri Chandler e a israelita Maayan Nidam no dia 27 de julho e  Moodyman e Theo Parrish – dois dos Grandes do techno contemporâneo, ambos radicados em Detroit – juntos no dia 28 de julho, o mesmo dia  em que Matthew Herbert também sobe à cabine do ElétricoO preço dos bilhetes gerais para a edição deste ano do Elétrico está fixado nos 45€, e os mesmos podem ser adquiridos AQUI. Os passes diários podem ser adquiridos AQUI a um preço promocional de 20€ até às 16h de amanhã, dia 25 de maio.

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A Bazuuca comemora o seu quarto aniversário com festa rija


São já quatro anos que a Bazuuca, promotora, produtora e agência de Braga, se tem dedicado em apresentar a melhor música à cidade e colocado o talento bracarense no mapa de Portugal e do Mundo. Divertir sempre foi a palavra de ordem e para a celebração do 4º aniversário está preparada uma festa com muita música, alegria e boa disposição, naquele que tem sido o quartel-general da Bazuuca nestes últimos meses: o Lustre.

O programa de festas promete uma noite memorável com os concertos dos Gator, The Alligator (apresentam o seu primeiro disco Life Is Boring), Cosmic Mass e o regresso, um ano depois, dos No!OnUma festa da Bazuuca para ser realmente inesquecível tem que terminar com Bazuuca Soundsystem. As escolhas musicais de João Pereira para meter toda a gente a dançar até o dia nascer.

A festa começa às 23h00 e o bilhete tem o custo de 7€. Mais informações sobre o evento aqui.

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quinta-feira, 23 de maio de 2019

Reportagem: SWR Barroselas Metalfest


Passei-me ao aço e meti-me entre as estradas do verde Minho em direção a Barroselas logo no dia 25 de abril, o dia 0 do festival. Afinal, foi para isto que também se fez o 25 de Abril. Para que muitos amantes da música extrema tenham a liberdade de muitas vezes, em esforços extremos, se dirigirem aquela vila que para a maioria é recôndita, mas que todos os anos faz o deleite de qualquer metaleiro que se preze, num período no fim de abril, onde a aprazível e sossegada (nos restantes dias do ano) terra de Barroselas se torna num manancial de sucessivas apresentações de bom metal. 

O dia 0 talvez não tenha sido o melhor dia para estar atento aos concertos, não pela falta de qualidade (muito pelo contrário) das bandas que combateram naquela arena do SWR por um lugar no estrondoso Wacken Open Air, mas porque o rever de amigos, que também faz parte deste Natal do metaleiro, fez com que alguma parte do tempo fosse dedicada a meter a conversa em dia enquanto o metal ia rasgando as colunas e servia de música de fundo. Quanto ao concurso de bandas, cabe aos Grog prepararem a viagem para a Alemanha. 


Dia 1

No dia anterior reparamos nas melhorias físicas com o calcetamento do local do SWR Arena, mas só neste dia reparamos na melhoria da organização deste, em que as pulseiras com chip serviam de controlo das entradas e saídas do recinto composto pelos palcos Warriors Abyss e Loud! Dungeon, e claro, também servia para pagarem finos com steels virtuais. Agora só falta uma criptomoeda própria. 

Foi a tomar lugar em Analepsy com o seu perfeito brutal death metal que comecei o festival propriamente dito. Foi sem dúvida um excelente começo de festival, com os lisboetas a demonstrarem porque cada vez mais são reconhecidos no nosso país e além fronteiras. Também de Lisboa, os Morte Incandescente foram a banda que se seguiu. Se o sol ainda brilhava fora do recinto dos palcos, lá dentro a escuridão era total. Portanto a privação de luz era perfeita para receber o black metal cantado em português de uma banda que sabíamos que podíamos confiar neles com o som negro e cru. O mundo ainda não morreu, mas mostraram esse futuro diante dos nossos olhos. Abram os túmulos esquecidos e preparem os caixões. 

O death metal dos Venenum e o contínuo abanar de cabeças ao ritmo do sludge/doom dos Grime foram uma boa forma de preparar a jarda que seria Midnight. E apesar de ainda faltar duas horas para a meia-noite, o público reagiu como se realmente fosse essa a hora (é normalmente quando o pessoal costuma ficar mais alcoolizado). Contudo, não era preciso álcool para o pessoal começar a se mexer quando se tem uma banda enérgica a aplicar um metal como se este próprio estivesse a beber uma cerveja minada de speed. Um concerto perfeito que englobou também a "You Can´t Stoop Steel", uma música que acaba por definir o festival. Ninguém consegue parar os guerreiros de aço, tal como foi possível comprovar no resto do festival. 

Os Sublime Cadaveric Decomposition apresentaram-se com uma mistura obviamente sublime entre death metal e grind, mas foi com os The Black Dahlia Murder que fui atingido por um concerto de verdadeiras máquinas. Estes regressaram a Portugal para trazerem o seu death metal melódico tocado na perfeição. Skull Fist nunca será o tipo de metal que mais me cativa, por isso deu para ao longe e entre duas de treta, descansar novamente um pouco antes do último concerto no palco principal.   

Tomai e bebei, isto é o meu corpo. Era agora altura de em carne e osso se apresentarem os Godflesh, compostos por Justin K. Broadrick, G. C. Green e o computador Mac para fazer as batidas, o que poderá não ter agradado a alguns metaleiros. Nem sei como foi a reação do público porque durante o concerto nunca consegui desviar a cabeça da direção do palco, o que para mim demonstra que não é preciso bateria para o metal ser incrível e perturbador. Um concerto percorrido de fúria, violência e niilismo. Em relação ao tempo, soube a pouco (e saberia mesmo se fossem várias horas), mas acabaram com a "Like Rats". Há melhor forma de terminar um concerto? Apesar do avançar da noite, ainda houve tempo de ver o duo Acid Cannibals a entregar-se com energia ao seu punk misturado com rock and roll. 



Dia 2 

No festival é suposto a restante vida desaparecer, mas nem sempre é assim, o que fez com que tivesse de perder alguns concertos nas primeiras horas do início ou fim dos dias do festival. Foi o que logo aconteceu neste dia, em que só cheguei a tempo para ouvir e contemplar um pouco do stooner/doom dos Dopelord para logo depois passarem o testemunho para o death metal dos Benediction

Os Imperial Triumphant (que visualmente são uns Slipknot em versão black metal) demonstraram que o próprio nome da banda corresponde ao concerto que deram, graças ao black metal urbano tecnicamente bem tocado, muito graças às fusões de experimentação que fazem com o jazz. Apesar disso, não perdem a essência de um black metal escuro. Claramente algo de inovador e refrescante no género não só em estúdio como em concerto. 

Serem história e continuarem a fazer parte da construção dela é o que acontece com os pioneiros do doom, os Saint Vitus. Tanto que até lançaram há poucos dias um novo álbum, tal como tinham prometido no concerto. Eles não estavam para enganar ninguém e continuam consistentes e sem prazo de validade à vista, pois os característicos riffs e vocais estiveram presentes.

Era agora altura de ascender a um nível superior. Não ao céu, é certo, mas a um momento de agressividade feroz e cheio de intensidade do black metal oculto dos Ascension que cativaram na perfeição durante todo o concerto. Uma boa forma de acabar a noite no festival até porque os Birdflesh acabaram por cancelar a sua apresentação devido a uma greve em aeroportos e eu acabei numa de vamos tão a Braga para terminar o fim da noite no open day do gnration. 



Dia 3 

Novamente a ter que perder os primeiros concertos, cheguei a tempo de ainda ouvir o death metal dos vizinhos espanhóis Wormed e logo novamente pude deslumbrar um ambiente sombrio, cruel e explosivo com o pesado black metal dos blasfêmicos e zangados Arkhon Infaustus. Intenso foi também o concerto de Vomitory, com um death metal agressivo. Um concerto estrondoso e para muitos o último porque era visível que algum público começara a zarpar do festival no fim deste concerto. 

Ainda não tinha ficado surdo e apesar de isso também não acontecer em Deaf Kids, estes deram um refrescante concerto de cacofonia ruidosa a ecoar num festival em que não é normal esta vertente musical. Os suecos e veteranos Craft demonstraram porque são uma instituição de culto e estarão sempre na lista dos nomes maiores do black metal da velha escola. Se dúvidas havia se iriam dar um concerto incrível do mesmo nível que a sua sólida discografia, rapidamente isso se dissipou logo nos primeiros momentos. Com este concerto e todos os outros de black metal que pude ver antes, fica bem perceptível a superioridade do black metal em relação a todos os outros géneros de música. 

Era agora altura de restabelecer o curso ordinário da vida, e assim perder o metal em feminino das Nervosa e o ambiente festivo que certamente foi o concerto de Serrabulho, pois já bem antes do concerto o recinto estava cada vez mais a ficar colorido graças aos fãs da banda que se vestiam com fatos de fantasias fazendo-os sobressair no meio das roupas pretas. Foi pena, deve ter sido bonita a festa, pá. 



Texto:  Óscar Santos
Fotografia: Helena Granjo

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Esta semana: ZA! no Teatro Gil Vicente



O triciclo volta à carga esta sexta à noite com o duo catalão Za!. Diretamente de Barcelona para Barcelos, Pau Rodríguez e Eduard Pou regressam assim a esta cidade depois de terem passado pelo Milhões de Festa de 2010. Contudo, desta vez, apresentam-se na blackbox do Teatro Gil Vicente para um concerto intimista e para mostrarem o quanto o som deles mudou durante este tempo, tal como poderão evidenciar ao ouvirem o último álbum "Panchiko Plex" do ano passado. 

Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais com o preço de cinco euros e convém se despacharem porque a entrada é limitada a 100 sortudos.  

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Novo EP dos Poison Point chega em junho

©  Felix Bergeret
Poucos meses depois de terem editado Bestiensäule (aufnahme + wiedergabe2018) os Poison Point chegam agora para supreender os nossos ouvidos com o novo EP Oblivion. O disco de seis temas - que foi anunciado no início do mês -, conta com duas canções inéditas e quatro músicas remasterizadas por importantes nomes dentro do panorama da música underground: QUALSydney Valette, Blind Delon e IV Horsemen

Depois de umas semanas à espera do primeiro avanço, estão agora disponíveis os primeiros temas do novo trabalho dos Poison Point, a faixa homónima "Oblivion" e o remix de QUAL para o tema "Roses and Lies". Podem ouvi-los ali em baixo.


Oblivion tem data de lançamento prevista para 11 de junho pelo selo francês Intervision, em formato digital e cassete. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Oblivion Tracklist:

01. Imaginary Veil (IV Horsemen Remix) 
02. Imaginary Veil (Sydney Valette Remix) 
03. Oblivion 
04. Roses and Lies (Blind Delon Remix) 
05. Roses and Lies (Qual Remix) 
6. You Are The Clock

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She Past Away anunciam novo álbum, Disko Anksiyete


Quatro anos após a edição de Narin Yalnızlık (2015) os turcos She Past Away estão de regresso aos discos com aquele que virá a ser o terceiro disco longa-duração da banda e chega às prateleiras este verão sobre o cunho de Disko Anksiyete. Tendo-se estabelecido nos últimos anos como um dos mais influentes e bem-sucedidos artistas no panorama da darkwave e do post-punk contemporâneo, a banda de Volkan CanerDoruk Ozturkcan tornou-se muito acarinhada pelo público pela sua sonoridade altamente cativante e decadente que os tornou um fenómeno dentro do revivalismo da música gótica.

Descrito pela press-release como um disco que experimenta "a velha e nova estética da música de sintetizada nos riffs de guitarra" os She Past Away retratam em Disko Anksiyete uma sensibilidade que fará os ouvintes passarem por uma viagem épica, contínua e densa. O álbum apresenta um total de 10 canções inéditas - uma das quais cantada em espanhol, "La Maldad" - e até à data ainda não foi revelado nenhum tema de avanço.

Disko Anksiyete tem data de lançamento prevista para 14 de julho pelo selo Fabrika Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Disko Anksiyete Tracklist:

01. Boşluk (Intro) 
02. Durdu Dünya 
03. Disko Anksiyete 
04. Izole 
05. La Maldad 
06. Renksiz 
07. Sonbahar 
08. Girdap 
09. Yükseliyor Deniz 
10. Ağıt

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Os polacos Lonker See passam pelo Woodstock 69 no início de junho


No próximo dia 4 de junho, os Lonker See vão passar pelo Woodstock 69. Este quarteto polaco, explorador de um expansivo olhar para mentes abertas, vão antecipar a chegada do Primavera Sound 2019 ao Porto para um concerto isolado, focado num apetite voraz para as delícias do Space blues e do Jazz Chops. Além do Porto, o quarteto polaco terá mais sete datas em terras lusas. Lisboa, Guimarães, Leiria ou Barroselas são algumas das localidades onde os Lonker See vão dar um ar da sua graça. 

Autores de várias facetas e personalidades, malabaristas do improviso e obreiros de maravilhosos sonetos espaciais, os Lonker See trazem consigo o 3º álbum One Eye Sees Red para nos fazer aprendizes de um feiticeiro som.

No Porto, o concerto organizado pela Seteoitocinco tem hora prevista para as 22h30 e a entrada será de 6 €. Mais informações sobre o evento aqui.




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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Electric Octopus com data tripla em Portugal

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A próxima semana vai-se ver a braços com a presença a triplicar dos Electric Octopus, banda de Belfast que se aventura pela arte de fazer jams com cargas mastodônticas de blues e psicadélia, expressadas pela via de improvisos livres e imensos como o espaço sideral. 

A banda, criada em 2016 e que tem causado burburinho entre os fãs do género com o lançamento de This is Our Culture, vai passar no Cave Avenida em Viana do Castelo no dia 30 de maio, numa módica quantia de 5€. O grupo ruma depois até ao Saramago Caffé Bar em Estarreja no dia seguinte, numa produção da promotora Kola Moka, com direito a afterparty a cargo do DJ Pr1me Sinister. E por fim, a mini tour passa na sala do Woodstock 69 Rock Bar no Porto no dia 2 de junho para uma matiné bastante especial.

Fiquem com o registo que os meteu nas bocas de muita gente, This is Our Culture, anexado em baixo. 

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Prison Religion em Portugal em julho


Poozy e False Prpht são dois artistas audiovisuais com base em Richmond. Juntos formam os Prison Religion, dupla que explora os terrenos mais destrutivos do trap e da músida de dança. As suas composições apocalípticas chamaram a atenção de Rabit, produtor norte-americano que acabaria por juntar a dupla ao catálogo da sua Halcyon Veil, editora por onde os Prison Religion lançaram o longa-duração de estreia O Fucc Im on the Wrong Planet (2018). A ligação estreita à editora texana conectou-os a artistas como Endgame, Swan Meat, Lee Gamble ou Bonaventure, que assinaram a remistura do seu disco de estreia.

Em julho, o duo estreia-se em território nacional para duas performances a ter lugar na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa (dia 4), e no Understage do Teatro Rivoli, no Porto (dia 5).

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Weyes Blood, Thurston Moore e Nihvek celebram 25º aniversário da ZDB

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A Galeria Zé dos Bois comemora em 2019 o seu 25º aniversário e para assinalar esta data especial, são vários os artistas que fazem parte da sua história e se vão apresentar numa série de concertos fora de portas. É já na próxima semana que Julia Holter sobe ao Capitólio, seguindo-se Kevin Morby no S. Luiz e os agora anunciados Weyes Blood no B.Leza, Thurston Moore a solo na Igreja de St. George e Nihvek, o novo projecto de Liz Harris (Grouper), também na Igreja de St. George.

Natalie Mering afirmou-se na memória colectiva como uma compositora excepcional, nela reside uma serenidade invulgar e a sua voz abre-nos a porta desse espaço de tranquilidade que é Weyes Blood. Foi no alto da sua sensibilidade que por três vezes desarmou públicos na ZDB, é por isso, um regresso ansiado e pleno de felicidade. Desta vez o encontro será no B.Leza no dia 6 de Novembro. Outro nome incontornável, que dispensa apresentações pomposas é Thurston Moore. A irreverência de Moore sempre concedeu espaço para mais, fundou novos projectos curiosos e insólitos. E, foi através dessa mesma enraizada irreverência que viu na ZDB uma casa para se estabelecer, desta ligação ao seu abrigo lisboeta nasceu um livro resultante de uma residência artística. Neste regresso dá-se uma celebração simbólica, a voz e a guitarra acústica. Encontro marcado para o dia 13 de Julho na Igreja de St. George, local que também receberá Nivhek, uma espécie de entidade paralela em relação ao seu percurso sob Grouper. Resultado de duas residências artísticas (uma nos Açores em parceria com o Tremor e a ZDB e outra na Rússia), o disco duplo After its own dead/ Walking in a spiral towards the house soa definitivamente arrojado como nunca soara antes e apresenta este novo capítulo da melhor forma possível. Por esta altura existe já um elo muito familiar entre Liz Harris e a ZDB num plano de admiração e colaboração contínuas. Como tal, voltar a recebê-la cá, desta vez em duo e na Igreja de St. George, e em tão distinta ocasião, é quase um acto de partilha. 


Para além dos concertos fora de portas a ZDB anuncia ainda parte significativa da programação para os próximos meses. Junho termina da melhor maneira com uma apresentação e estreia da banda CHÃO MAIOR de Yaw Tembe, Norberto Lobo, Leonor Aurnaut, João Almeida, Yuri Antunes e Ricardo Martins que levam Círculos ao Aquário, uma série de composições para 3 sopros, guitarra, voz e bateria. Entre os destaques para o Verão encontram-se também os americanos Prison Religion com um som extremo feito de rimas gritadas, ruído abrasivo e beats que parecem cuspidos pelas entranhas de uma qualquer unidade metalúrgica em estreia nacional no dia 4 de Julho. No dia seguinte um regresso muito aguardado: Sir Richard Bishop, guitarrista e compositor nascido no Arizona que a solo conta já com onze discos editados por cinco editoras diferentes.

A 15 de Julho acontece a primeira edição de Som Crescente um workshop dedicado à performance musical que unirá músicos dos mais diversos quadrantes para apresentações únicas em formato de banda. Peter Evans guiará o workshop todos os meses com a ajuda de um convidado especial. Para a primeira apresentação Peter Evans convida Gabriel Ferrandini. Destaque final para o quarteto de William Parker, Hamid Drake, Luís Vicente e John Dikeman com estreia marcada na ZDB na noite quente de 19 de Julho e com um workshop do mestre Parker, a acontecer no dia anterior.

Além de todos os nomes já referidos, há ainda, entre os previamente anunciados, MC Carol (matiné, 2 de Junho), Cüneyt Sepetçi (matiné, 3 de Junho), a estreia portuguesa dos Built To Spill (5 de Junho), Steve Gunn (4 de Setembro) e os Black Midi, banda sensação da música independente britânica (25 de Setembro). E venham mais 25!

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Serralves em Festa anuncia programa completo


Foi revelado, esta terça-feira, o certame que irá compor a 16ª edição do Serralves em Festa, que regressa ao Porto no próximo dia 31 de março para 50 horas de programação. Inserido nas comemorações dos 30 anos da Fundação e dos 20 anos de Museu, a próxima edição do "maior evento de cultura contemporânea em Portugal" volta a integrar um programa extenso e diversificado que vai da música às artes performativas, o teatro e as artes circenses, o cinema, o vídeo e a fotografia. Tudo com entrada gratuita.

Na programação musical, as atenções voltam a centrar-se no Prado, que este ano é encabeçado pela brasileira MC Carol. Nome fundamental da cena baile-funk carioca, a artista e ativista brasileira junta-se a um certame que conta ainda com os noruegueses Elephant 9, trio cuja fusão portentosa entre o jazz e rock recebeu edições pela respeitada editora norueguesa Rune Grammofon, a mesma casa que edita Mats Gustafsson, Colin Stetson ou Deathprod. A estes nomes juntam-se a reformada banda somali Dur Dur Band, as explorações artísticas do artista e performer Paul Soileau (a.k.a Christeene) e o holandês Niels Nieuborg, cujo álbum de estreia como Arp Frique conta com a participação de Americo Brito, Ed Motta e Orlando Julius.



Já no Ténis os destaques vão para a música eletrónica, com Clara! Y Maoupa (na foto) a abrir as hostes no arranque do evento. O projeto que junta Clara Sobrino a Maoupa Mazzocchetti promete aquecer o parque da Fundação Serralves com algumas das escolhas mais arrojadas da pista de dança, onde o raggaeton serve como fio condutor para um set sem escrúpulos ou tabus. Meneo é o primeiro 12’’ da dupla e recebeu o selo da Editions Gravats, de Low Jack (o mesmo que editou os vários volumes de Reggaetoneras, mixtapes de culto selecionadas a dedo pela produtora espanhola). A editora britânica The Death of Rave volta a ser bem representada com o regresso de Rian Treanor ao evento, desta feita para apresentar o excelente e mais recente longa-duração Ataxia, que marcou a estreia de Treanor pela Planet Mu. Gabor Lazar é mais um dos nomes que nos chega sob a cinta da editora britânica, cujo mais recente disco, Unfold, valeu ao produtor de origem húngara um muito meritório sétimo lugar no top de melhores do ano para a Fact Magazine.

Já no contingente nacional, a coisa está naturalmente bem servida - HHY & The Macumbas juntam-se a Adrian Sherwood (que atua a solo no Ténis umas horas depois ) para um concerto único, Black Bombaim reúnem-se novamente com o saxofonista lisboeta Pedro Sousa, Corona contam-nos as histórias de Santa Rita Lifestyle, Batida apresenta o novo espetáculo The Almost Perfect DJ, e Nídia volta a mostrar o porquê de ser um dos nomes mais internacionais da atual música de dança com carimbo português. Há ainda Mathilda, Ivy, Sereias, Filho da Mãe, Nu No e muitos, muitos mais. 

Conheçam a restante programação aqui.

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terça-feira, 21 de maio de 2019

Reportagem: Kamasi Washington [Hard Club, Porto]


Foi no passado dia 10 de maio que Kamasi Washington marcou a sua passagem pelo Porto com um esplêndido espetáculo no Hard Club, pela mão da Gig Club. O músico esteve acompanhado de grandes nomes como Brandon Coleman, Miles Mosley, Ryan Porter, Ronald Bruner Jr, Tony Austin e ainda pelo seu pai, Rickey Washington, que entrou em palco em "Vi Lua Vi Sol". Kamasi Washington teve casa cheia, chegando a um público bastante diversificado, abrangendo várias gerações e estilos. Uma causa comum unia centenas de pessoas naquela noite: o interesse por um dos propulsores do jazz moderno.

Em 2016, Kamasi Washington passou pelo Porto (Casa da Música) para apresentar o disco The Epic, que veio revitalizar o jazz com a sua africanidade e trazendo até ao século XXI o formato big band que ditou o arranque do género. Agora Kamasi voltou a terras lusas para a encher o coração dos portugueses com a apresentação de Heaven and Earth. O saxofonista natural de Los Angeles passou por Porto e Lisboa (LAV - Lisboa ao Vivo) num concerto com duração de hora e meia que contou ainda com o tema "Truth" do álbum Harmony of Difference e o original "Abraham" do contrabaixista Miles Mosley.





O álbum Heaven and Earth foi lançado em junho de 2018, conta com uma avaliação no metacritic de 86/100 e tem vindo a ser alvo de grandes críticas. ”No álbum Heaven and Earth há um equilíbrio entre o conceptualismo de duas obras: A primeira, Earth destina-se a representar preocupações mundanas, enquanto o segundo, Heaven, explora o pensamento utópico e a realidade trabalhista da colaboração. As duas obras não variam significativamente em termos de som, pelo contrário, são um testemunho do sólido relacionamento do conjunto de Washington” – The New York Times.

Depois da receção em extâse pelo publico português, culminada num mar de aplausos, Kamasi Washington prometeu voltar em breve. Para já, segue em digressão pela Europa nos próximos meses, voltando para espetáculos nos Estados Unidos em julho. Por cá, já contamos os dias para o seu regresso ao nosso país.



Texto: Bruna Tavares
Fotografia: David Madeira

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