sábado, 1 de junho de 2019

Pavement anunciam reunião com Portugal no mapa


É oficial: os Pavement estão mesmo de regresso aos palcos. A banda de Stephen Malkmus e companhia já tinha dado algumas pistas do acontecimento, com o líder e vocalista da banda de culto norte-americana a acenar positivamente quanto ao possível regresso à atividade por parte dos autores de "Gold Soundz". 

Os concertos já estão agendados - Primavera Sound Barcelona e o nosso NOS Primavera Sound acolhem aquelas que serão as únicas datas do grupo em 2020, dez anos depois do seu último concerto como banda na décima edição do festival catalão. A notícia foi avançada durante a presente edição do festival.

Esta será a estreia absoluta dos Pavement em Portugal, banda que marcou de forma indelével o cancioneiro norte-americano da década de 1990. Donos de uma discografia invejável - Slanted and Enchanted (1992), Crooked Rain, Crooked Rain (1994) ou Wowee Zowee (1995) influenciariam toda uma geração de novos artistas independentes - a banda natural de Stockton, Califórnia deu término à carreira no virar do novo século, em 1999, embarcando numa pequena tour de reunião em 2010.

Também anunciado foi a ramificação do Primavera Sound para Los Angeles, que deverá acontecer no próximo ano (sem integrar, no entanto, a digressão dos americanos).


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Reportagem: Julia Holter [Centro Cultural Vila Flor, Guimarães]


Quando Julia Holter visitou o Centro Cultural Vila Flor pela primeira vez, a artista norte-americana contava apenas dois álbuns de estúdio como cantora-compositora. Ekstasy foi o mote para a estreia de Holter na Cidade Berço, em 2012, o mesmo ano em que Guimarães foi considerada Capital Europeia da Cultura. Agora, quase sete anos passados, Julia Holter regressou ao polo criativo vimaranenese para apresentar o aclamado quinto disco de originais, Aviary, que recebeu novamente edição pela Domino Records no ano transato. Sucessor direto de Ekstasy, Aviary aproxima-se das abstrações pop do disco de 2012, cruzando essa mesma sensibilidade com arranjos de meticulosa experimentação  progressista. 

O regresso à cidade que a acolheu na sua primeira vinda a Portugal chegou, portanto, num momento mais que adequado. Depois de atingir a aclamação universal com Loud City Songs (2013) e Have You In My Wilderness (2015), a artista residente em Los Angeles goza de um estatuto invejável nos parâmetros da música com um cariz mais experimental. Acompanhada por Sarah Belle Reid, Dina Maccabee, Andrew Jones, Tashi Wada e Corey Fogel, Julia Holter apresentou-se no Auditório Grande para um concerto longe de esgotar, ficando-se por uma modesta mas entusiasmada primeira metade da sala. O caos ordenado de “Turn The Light On” abriu as hostes da noite, com os seis instrumentistas alinhados sob um festim polirrítmico de floreados barrocos. À substância do jazz (há contra-baixo, bateria e diferentes tipos de trombones) junta-se a instrumentação de ordem clássica, que juntamente com as teclas e linhas de sintetizador de Holter e Wada colidem sob o compasso coordenado de “Wether”, tema que se segue sem qualquer tipo de interrupção.



A extensão dos temas que compõem o mais recente disco seriam equilibrados por momentos de maior leveza, com “Sillouettes” ou “Feel You”, temas que integram o disco de 2015, a proporcionar um bonito contraponto com as composições densas e cerebrais de Aviary. Essas tomariam outros níveis com a chegada de “Voce Simul”, com uma interessante justaposição de vozes a criar um paralelismo com as explorações vocais da artista avant-garde norte-americana Meredith Monk. Já “Sea Calls Me Home” e “Les Jeux to You” atingiram novos patamares de intensidade, que culminariam com o extasiante single de avanço do último disco, “I Shall Love 2”, elevando a temática omnipresente do álbum – a alegria – a níveis próximos da apoteose.

Julia Holter joga com a vertigem e o suspense, mas também com o silêncio, que usa como ferramenta essencial para elaboração de paisagens solenes e extremamente profundas, construídas com a minúcia e detalhe de um artesão. A questão de Friedrich Hölderlin, que viria a ser parafraseada pelo poeta e pintor libanês Etel Adnan - “para que servem os poetas nestes tempos indigentes?” – motivou a construção do seu último disco. A resposta, essa, poderá muito bem estar na composiitora e multi-instrumentista de 33 anos, voz maior de uma nova geração de músicos e artistas que nos guiam neste período atribulado e confuso. 



Texto: Filipe Costa
Fotografia: Rui Santos


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STREAM: She Past Away - Disko Anksiyete


Anunciado a semana passada, sem nenhum tema de avanço, o novo disco de estúdio dos turcos She Past AwayDisko Anksiyete - já se pode ouvir na íntegra a mais de um mês da data de lançamento oficial da edição física. A antecipação do lançamento da versão digital de Disko Anksiyete foi motivada pela disponibilização indevida deste trabalho nas redes cibernautas, no início da presente semana. Este novo disco, que será o terceiro na carreira do duo atualmente sediado na Grécia, chega quatro anos depois do muito aclamado Narin Yalnızlık (2015).

Composto por um total de dez temas, os She Past Away retratam em Disko Anksiyete uma sensibilidade que conjuga a velha e a nova estética da música de sintetizada com riffs de guitarra vibrantes e atmosferas sonoras altamente densas. De Disko Anksiyete recomenda-se a audição de temas como o animado "Disko Anksiyete", o decadente "Izole", "La Maldad" - o primeiro tema da banda cantado em espanhol - e ainda a faixa de encerramento, "Ağıt".

Disko Anksiyete tem data de lançamento prevista para 14 de julho pelo selo Fabrika Records, em vinil e CD. Podem fazer pre-order do disco aqui.


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Fiquem a conhecer Primitive, o novo disco de The Dirty Coal Train


Depois de um álbum duplo cheio de convidados em Maio do ano passado, Portuguese Freakshow, os The Dirty Coal Train decidiram presentear-nos com um novo LP. Primitive foi gravado em formato trio e maioritariamente ao vivo, com overdubs de voz pontuais, em apenas 2 dias, na cidade de São Paulo, Brasil, durante uma das suas tours pela América do Sul.

O duo levou algumas ideias para trabalhar com Marky Wildstone (Dead Rocks, uma das primeiras bandas surf rock do Brasil, e The Mings) e captar tudo do modo mais cru e directo possível por Luís Tissot, produtor e músico na cena lo-fi e punk de garagem brasileira e argentina: Backseat Drivers, Human Trash, Jazz Beat Committee, Jesus & The Groupies, Thee Dirty Rats, Fabulous Go-Go Boy From Alabama.

Primitive é um álbum "ao vivo em estúdio" sem rócócós e bastante mais cru que o anterior, em que há espaço para quatro versões para originais dos The Shandells, Dead Moon, Thee Mighty Caesars e Murphy & the Mob). A capa ficou a cargo de Olaf Jens.




Estivemos à conversa com a banda sobre o significado das 22 canções que compõem Primitive, álbum hoje editado (31 de maio) pela Groovie Records, Hey Pachuco Records e Vinyl Experience.

1 - go go gorilla (The Shandells)

Decidimos começar o disco com um tema dos The Shandells, que para além de ser uma bela rockalhada faz uma referencia directa e mais literal à temática do disco.

2 - at the talent show

Não somos grandes fans de programas de "caça-talentos" nem Reality TV. Espelham tudo o que achamos de errado no mundo da música: cantores e bandas feitas em ambiente de quase "laboratório" à espera da aprovação deste júri, daquele editor, a cravar votos a amigos e público... nunca vimos nesses programas nada do que gostamos nas bandas de garagem que conhecemos ao vivo todos estes anos e os laivos de originalidade raramente são apoiados ou mesmo incentivados. Por outro lado, é com frequência que os participantes são martelados para encaixar num determinado padrão. Nem planeado adivinharíamos que teríamos mais um desses programas a estrear na altura que este tema sai.


3 - robot life

Neste tema tentámos ir beber à formula cantautor dos anos 60. A letra também brinca um bocado com essa ideia do cantor icónico: "O Elvis conduziu um camião, o Bowie fazia anúncios. Eu não!"

4 - Selvajaria

Poema/manifesto pró-Amazónia musicado com recolha de sons organizada pela Beatriz.

5 - weird shit

Adoramos toda a cena fetichista e debochada do rock bem como o garage punk da crypt, dos Cramps, dos Dead Moon... e foram essas duas coisas que tentámos explorar neste tema.


6 - lazercunt / dildo cop

Neste tema fomos musicar surf punk para uma banda sonora de um filme imaginário sobre Robocop dos dildos e vaginas que disparam lasers.

7 - all the best cowboys have daddy issues

Cowboys são uns meninos, índios é que é fixe! Rebeldia adolescente tudo bem, mas meninos mimados ninguém tem pachorra para aturar. Musicalmente pegámos na fórmula de intercalar voz e riff de guitarra típica do rockabilly e tentámos estragar o mais possível.

8 - Antsville Anxiety Attack

As formigas da colónia têm de consumir bastante antidepressivos para sobreviver com alguma sanidade mental.


9 - Terra Indigena

Micro-manifesto pelas tribos da Amazónia.

10 - the boy with the jello heart

Mistura de uma balada crua e de um apelo a mudança de paradigmas. O tema finge ser uma baladinha de amor para no fundo apelar à necessidade de sonhar e à revolta.

11- teenage caveman

Tema maioritariamente instrumental inspirado no filme série B homónimo.

12 - curse of Montezuma

Durante um dos dias de repouso a meio da tour pela América do Sul vimos um documentário sobre cultura maia e esboçámos uma letra que depois colocámos neste improviso em estúdio.


13 - gunpowder

Numa altura em que se fala sobre a necessidade do porte de arma nós continuamos a achar que é preciso haver mais restrições nesse sentido. O tema vai invocar passagens bíblicas e tenta criar um ambiente frenético.

14 - psychedelic nightmare (Dead Moon)

Mais uma versão de uma das nossas bandas preferidas de sempre (depois de termos gravado "walking on my grave" no split LP com Mary O & The Pink Flamingos). Se não conhecem Dead Moon façam um favor a vocês mesmos e procurem o documentário "Unknown Passage, The Dead Moon Story".

15 - the ballad of Rev. Jesse

Ricardo a exorcizar para si mesmo a sua máxima de vida: "não tem problema nenhum em tocar em bandas que andam sempre à rasca de dinheiro e que apesar dos "piratas bebâdos, acidentes e marinheiros que enjoam no mar" vai fazer rock independente até à tumba."

16 - dead end street

Trocámos a bateria por uma caixa de ritmos manhosa e fizémos um rockabilly só para lembrarmos todos que o Alan Vega é o rei seja em Suicide, em colaborações ou a solo!

17 - crooked games

Não somos o Townes Van Zandt mas também pontualmente gostamos de escrever canções num formato mais tradicional. Desta vez sobre vender a alma por dinheiro e sucesso ou tentar manter-nos fiéis a outro tipo de ideal.

18 - chainsaw go-go girls

Rock & tesão ou rock é tesão?


19 - singing worms in space

Tema mais acelerado sobre sentarmos numa nuvem com o movimento frenético da cidade bem longe enquanto um gato e um dinossauro tomam o pequeno almoço.


20 - ronda da noite

O nosso primeiro tema em português escrito sobre comermos notícias falsas numa altura em que no Brasil assistíamos a um nível de manipulação de opinião pública com que nunca sonhámos.

21 - (Miss America) Got To Get You Outside My Head (Thee Mighty Caesars)

Versão de um original de uma das muitas bandas de Billy Childish.


22 - Born Loser (Murphy and the Mob)

Um dos nossos temas preferidos das compilações Back From The Grave. Se não conhecem essas compilações não arrisquem dizer que gostam de rock. Investiguem a coisa, pelo menos os primeiros 3 volumes, que certamente não vão dar o vosso tempo por perdido!

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sexta-feira, 31 de maio de 2019

[Review] Psychedelic Porn Crumpets - And Now for the Whatchamacallit

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And Now for the Whatchamacallit | What Reality? Records | maio de 2019
7.8/10

A localidade pacata e isolada de Perth, na Austrália, tem muito que se lhe diga. Ao longo desta última década, a cidade de Perth, conhecida pelo seu clima excepcional e pelas incríveis praias, tem sido uma força a dar cartas no panorama musical, tendo exportado para o mundo várias das bandas que se vieram a destacar na música de cariz psicadélico nestes últimos anos, contando-se projetos consagrados como Tame Impala, Pond, GUM, e mais recentemente, estes Psychedelic Porn Crumpets. Formados em 2015 e com um nome demonstrativo do seu sentido de humor peculiar, eles definitivamente partilham do espírito alegre e alucinante que as bandas anteriormente referidas demonstram. A banda lançou recentemente And Now for the Whatchamacallit, longa-duração com dez faixas que sucede assim a High Visceral Part 1 and 2, lançados em 2016 e 2017, respectivamente.

O alinhamento começa de maneira muito aguerrida com “Keen For Kick Ons?”, que não vem com rodeios e vai logo parar ao cerne da questão, sendo essa as sonoridades gingonas, contagiando logo o ouvinte com floreados sonoros que se querem vivos e coloridos. A faixa seguinte “Bill's Mandolin” é bem-sucedida em dar continuação a esse espírito vivaço, com um ritmo constante e pegadiço, ao passo que “Hymn For A Droid” dá um feeling incrivelmente acelerado, não estando muito fora de uma banda sonora para uma eventual road trip impulsiva. Depois de um interlúdio curto - mas doce e delicado - na forma de “Fields, Woods, Time”, vem a faixa “Native Tongue”, que é uma faixa de cariz mais tranquilo, com ênfase especial na veia mais trippy da banda e não demora a dar asas à imaginação do ouvinte.



A festa continua com “Social Candy”, que regressa a um registo mais audacioso e impetuoso, mas como sol de pouca dura, dá então lugar a uma faceta mais estridente e espevitada sob a forma de “My Friend's A Liquid”. Ao aproximarmo-nos da reta final de And Now for the Whatchamacallit, damos de caras com a faixa “When in Rome”, que compete com “Hymn for a Droid” na categoria de música com a veia mais “arrockalhada” e electrificante no álbum inteiro, com uma componente mais noisy a revelar mais predominância do início ao fim. A penúltima faixa “Digital Hunger” é bastante divertida para um interlúdio, pois compõe uma vibe mais reminiscente de uma jam session e prepara-nos para o encerramento do alinhamento. Esse vem na forma de “Dezi's Adventure”, sendo um bom fecho de álbum/alinhamento, e traz consigo a veia mais trippy de volta, fazendo com que o ouvinte mergulhe num mar de sons vibrantes por uma última vez.

Este é um daqueles discos - e os Psychedelic Porn Crumpets são uma daquelas bandas - que coloca a pergunta no ar acerca da possibilidade de haver um “som de Perth”, pois para todos os efeitos, e apesar deles moldarem uma identidade musical menos centrada em trabalho de teclados e mais focada em boas velhas guitarradas em comparação com os seus conterrâneos, a sonoridade deste registo dá uma sensação de déjà-vu aqui e ali. A boa notícia é de que, a longo prazo, essa mesma sensação não deverá ser muito prejudicial para aqueles que querem apenas um álbum com ideias interessantes e consistente na boa velha arte de dar pretexto para uns serões musicais que se querem de índole extra-sensorial. E assim sendo, é claro desde o início de And Now for the Whatchamacallit que os Psychedelic Porn Crumpets farão as delícias dessa malta que não consegue prescindir desse tipo de sonoridades.

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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Já são conhecidas as primeiras novidades do ZigurFest 2019


Este ano a festa em Lamego regressa mais cedo. De 21 a 24 de agosto, a cidade volta a pertencer ao ZigurFest. O que ainda não sabiam é que este ano esse regresso a casa acontece ainda mais cedo. Pois é: no dia 6 de julho, o Teatro Ribeiro Conceição recebe uma viagem sonora pelo universo (passado, presente e futuro) do ZigurFest.

A viagem começa na poesia singular e muito portuguesa dos Lavoisier, continua de mãos dadas com a bonomia bucólica (mas de olho posto na urbe) dos Galo Cant’às Duas e termina em comunhão com os pés agitados pela efusividade rítmica de Random Gods.

Virando agora as atenções para o que irá acontecer em agosto, comecemos por uma estreia absoluta. Porque o que move o ZigurFest é o irrepetível e o singular, foram convidados os ritmos de Krake para se juntarem à liberdade das palavras de Adolfo Luxúria Canibal – esse mesmo, o homem dos Mão Morta que controla multidões como poucos. Um concerto único e imperdível. Também já confirmados para a edição de 2019 do ZigurFest estão outros nomes excitantes da música portuguesa: Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo, Odete, Violeta Azevedo e Jasmim.



Mas há mais. A ZONA – Residências Artísticas de Lamego volta a receber a arte mais premente que por cá se faz. À semelhança de anos anteriores, será feito um open-call de 29 de maio a 29 de junho destinado a escolher e acolher dois artistas plásticos e visuais para permanecerem em residência artística na cidade. Continuam também os workshops onde músicos convidados vão apresentar algumas técnicas de criação, produção e tudo o que vai pelo meio. E pela primeira vez, a cidade vai acolher 10 peças de videoarte ao abrigo da ZONA. A open call para estas instalações decorre de 29 de maio a 1 de agosto. Como tem vindo a acontecer nos últimos anos, todos as obras produzidas no contexto da ZONA serão apresentadas pelos seus criadores durante o ZigurFest, permanecendo expostas na Casa do Artista, no Museu de Lamego e noutros locais a anunciar, entre os dias 21 e 24 de agosto.

Ainda há muitas novidades para serem divulgadas. Para já, podem anotar na agenda que de dia 21 a 24 de agosto a festa regressa às ruas de Lamego.



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quarta-feira, 29 de maio de 2019

O novo EP dos PAAR é "colorido", mas altamente melancólico


O trio alemão PAAR lançou no passado mês de abril o seu novo EP de estúdio, HONE, um conjunto de quatro malhas que conduzem o ouvinte a um universo multifacetado e enriquecido por paisagens sonoras. Na composição, um corpo musical composto por batidas e sintetizadores, refinado com as texturas constantes da guitarra e do baixo e lixado com uma voz altamente doce e imersiva. Música melancólica com vibes de esperança subliminares.

A abrir o novo trabalho encontra-se o tema "CRACK", iniciada por um baixo altamente monocórdico, uns segundos dos sintetizadores mais aditivos e uma altamente voz presente, que prometem conquistar quem se atrever a clicar no play. Em temas como "VANE" os PAAR transmitem uma energia fervorosa, através de um revivalismo do post-punk dos anos 80 intercalado com as paisagens sintetizadas da minimal wave contemporânea. Um daqueles singles que chega para surpreender e se destacar. Por sua vez, "SYN" conduz-nos a uma mistura de synthpop enquanto nos prepara para o encerramento mostrado em "PURE": um tema em transformação dos primeiros segundos - em intensidade surf-rock - aos quatro minutos e meio em intensidade coldwave.

HONE foi editado a 2 de abril e pode escutar-se na íntegra, abaixo.


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Mdou Moctar e The Mauskovic Dance Band no regresso do Taina Fest


Em mês de arraiais, a Lovers & Lollypops traz ao ringue do Circulo Católico de Operários do Porto (CCOP) mais uma edição do Taina Fest, com um cardápio que promete pôr todos os corpos a mexer e de barriga cheia. Mdou Moctar, The Mauskovic Dance Band e DJ Fitz são os nomes escolhidos para uma tarde de verdadeira festa, que irá decorrer no dia 20 de junho entre as 16h e as 21h.

Expressão criada a norte do país, “taina” designa refeição prolongada e farta de comes e bebes. No Taina Fest, pega-se no sentido gastronómico e junta-se-lhe outro tipo de fartura: a de sons, de concertos, de música, portanto. Nascido no Porto em 2011, o Taina Fest deu nome a um dos palcos do Milhões de Festa a partir de 2013 e, no ano seguinte, chegou a Lisboa.

De novo no Porto, esta festa marca também o regresso de Mdou Moctar. Depois de tomar de assalto o palco principal e a piscina do festival Milhões de Festa em 2014, a que se seguiram diversas vindas a Portugal, incluindo uma passagem inesquecível pelo festival Tremor, nos Açores, o guitarrista nigerino não precisa de grandes apresentações. Reconhecido internacionalmente pela forma enérgica com que reinventa a tradição da guitarra tuarege, está de volta com Ilana: The Creator na mala, o primeiro álbum de estúdio com banda, lançado este ano pela Sahel Sounds.


Tal como Mdou Moctar, também The Mauskovic Dance Band, a aventura musical de Nicola Mauskovic, baterista de Jacco Gardner, fez a estreia em terras lusas em Barcelos, em 2017, com posterior passagem pelos festivais Tremor e Milhões de Festa. Neste regresso, com o primeiro álbum acabado de sair pela Soundway Records, espera-se que voltem a fazer jus ao nome, pondo toda a gente a dançar ao ritmo do seu som hiptnótico, de influências afrocaribenhas e cumbia.


Para além dos concertos, o Taina Fest contará ainda com o maravilhoso mundo sonoro e sem fronteiras de DJ Fitz, o irlandês mais “cool” do bairro das Fontainhas no Porto.


Os bilhetes para o Taina Fest podem ser adquiridos previamente, pelo valor de 10€, na Fnac, Worten, CTT, Louie Louie, Matéria Prima, Bunker, BOP e em bol.pt, ou, no próprio dia, por 12€. 

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STREAM: Acquaintances - 8 ½ Lives [Threshold Premiere]

© Andy Alguire

The Acquaintances are Jered Gummere (guitar, vocals), Justin Sinkovich (guitar, vocals) Patrick Morris (bass) and Chris Wilson (drums). After releasing their debut S/T LP back in 2013, the Chicago based indie-noise-rock outfit returns this year with their sophomore LP, named 8 ½ Lives. For this record, Justin and Jered wrote twelve songs and recorded them last year with Chris and Patrick. Also weighing in on the recording sessions of 8 ½ Lives were Stephen Schmidt (from Thumbnail and Chino Horde) playing the guitar, and Adam Reach (from The Poison Arrows and Pink Avalanche) filling in on the drums for some rehearsal and writing sessions and also playing some percussion and keyboards punctually on the record. 

Mastered by John Golden, 8 ½ Lives was pieced together between Chicago, Philadelphia, and Portland, given that all the members of Acquaintances are spinning several plates at the same time. Jered plays in The Ponys, Bare Mutants and Richard Vain; Justin also plays with The Poison Arrows, Atombombpocketknife and Thumbnail; Patrick plays with Don Caballero and The Poison Arrows; Chris plays with Ted Leo + Pharmacists, Titus Andronicus, Hammered Hulls, Open City and Hound

From the band members resume, you can pretty much guess what this record's sounds like: indie rock and noise rock aesthetics fused together in equal measure, conveying a sense of nostalgia that might remind you of bands like Sonic Youth, Unwound and Polvo. But this is also a record about the uncertainty of life and learning not to fear what comes next. In accord with this motto, Acquaintances have already booked their first shows ever. The band's live debut will take place at the nightshop in Bloomington, Illinois, on the 6th of June, and on that night they'll also be sharing the stage with WitchFeet and Carly Beth (link for the event here). 

8 ½ Lives is set for release on the 31st of May via File 13 Records, right in time for the celebration of the label's 30th-anniversary, ranking also as its 95th release. 8 ½ Lives will also be released on tape via the Canadian label Coup Sur Coup Records. In the meantime, you can pre-order the album here.



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terça-feira, 28 de maio de 2019

Passatempo: Ganha bilhetes para Underground Youth no Musicbox


Os The Underground Youth regressaram em março às edições de estúdio com Montage Images Of Lust & Fear, o nono longa-duração da banda, o qual serve de mote para o concerto no Musicbox Lisboa, já no próximo dia 6 de junho. A banda originária de Manchester aborda sonoridades negras e psicadélicas, aliadas a elementos cinematográficos compreendidos entre os anos 60/70.

Segundo Craig Dyer, vocalista e mentor da banda: "Montage Images of Lust & Fear é inspirado na sucessão de experiências a que somos cada vez mais obrigados a lidar pelos media. Sexo, violência, amor, suspeita, desejo, angústia, etc."

Em parceria com o Musicbox Lisboa, estamos a oferecer dois bilhetes duplos para o concerto de The Underground Youth no Musicbox Lisboa, que se realiza às 22h30 do próximo dia 6 de junho. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.



2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.



3. Preencher o seguinte formulário:


O passatempo termina no dia 4 de junho às 18:00, e os bilhetes serão sorteados de forma aleatória através da plataforma www.random.org.

Boa sorte!



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Os vencedores do passatempo são:

Ana Raquel
João Bento

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Dois temas de Kill Shelter são editados num vinil de 7'' de edição limitada


A Burning World Records editou neste mês de maio dois dos mais aclamados temas presentes no disco de estreia de Kill Shelter, Damage (2018, Unknown Pleasures Records) - "In Decay" (ft. Antipole e Delphine Coma) e "Bodies" (ft. Buzz Kull). Numa edição criteriosa focada da temática da morte, sobre diferentes prespetivas, os dois temas recebem agora um tratamento exclusivo e limitado ao formato vinil de 7'', que se encontra disponível em várias cores. Se, por um lado, "In Decay" explora a perda e a inerente futilidade da noção de eternidade, num pano de fundo rico e fúnebre, "Bodies" explora o lado mais sombrio da natureza humana. 

Sobre o motivo que levou a esta edição, Jurgen da Burning World Records explica melhor a história em comunicado de imprensa:
"Growing up in the 80’s, the sounds of The Sisters of Mercy, Joy Division and The Cure were never far away. As these dark waves are blue printed in my listening experience, I knew instantly when I heard “In Decay” by Kill Shelter that I had to be involved. Luckily Kill Shelter agreed and this perfect double A-side is the result. I am very proud to be releasing this limited edition 7" vinyl on my label this year".

In Decay/Bodies foi editado a 17 de maio pelo selo Burning World Records. Podem comprar o vosso disco aqui.

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STREAM: Palais Ideal - Pressure Points


Cerca de um ano após a edição de No Signal (2018, Dark Vinyl Records) os Palais Ideal, dupla composta por Richard van Kruysdijk (baixo, guitarra barítona, guitarra, voz secundária, sintetizadores, programação) e John Edwards (voz, guitarra, sintetizadores, programação) estão de regresso aos discos de estúdio com Pressure Points, aquele que vem a ser o segundo disco na carreira da banda. O álbum, que chega um mês depois da edição do split The Programme, apresenta uma sonoridade intensa e energética à qual é sobreposta uma experimentação estilística e um desenvolvimento melódico. Tudo isto dentro dos ambientes da coldwave, darkwave e post-punk.

De Pressure Points - disco que se foca na exploração da temática dos desafios da sociedade impulsionada pela tecnologia e os seus efeitos distópicos e utópicos - já tinham anteriormente sido divulgados os temas "The Programme", "Context Collapse" e "Catharsis". Além destes temas recomenda-se ainda a audição de "Love As A Virus", "Die Stadt" e "D-List". O disco foi gravado pela banda no seu estúdio em Eindhoven, e mixado e produzido em Los Angeles pelo lendário produtor John Fryer (This Mortal Coil, Nine Inch Nails, Cocteau Twins e Depeche Mode).

Pressure Points foi editado no passado sábado (25 de maio) pelo selo Cold Transmission. Podem comprar o disco aqui.


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